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Radar Global

Morte de Osama bin Laden

CABUL – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz uma visita surpresa ao Afeganistão no aniversário de um ano da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. Na visita, Obama se encontrou com o presidente afegão, Hamid Karzai, com quem firmou um acordo de segurança.

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O presidente americano faz um pronunciamento à nação a partir do Afeganistão. Acompanhe abaixo  a fala de Obama.

20h44: Barack Obama finaliza discurso

20h44: Presidente diz que a luz do sol brilha nas novas torres no centro de Manhattan e que o país irá construir o futuro como um só povo, como uma nação.

20h43: Obama diz que enquanto sai de uma década de conflito no exterior e de crise econômica em casa, é hora de renovar a América. Presidente fala na construção de um país onde filhos vivam livres do medo e tenham a chance de lutar pelos sonhos.

20h41: Obama lembra dos homens e mulheres, que serviram o país. Ele diz que eles responderam ao chamado para servir em lugares distantes e perigosos. Presidente diz que não poderia estar mais orgulhoso.

20h40: Presidente diz que quer cumprir a missão no Afeganistão, enquanto faz justiça em relação à Al-Qaeda.

20h38: Obama disse que retirou, no ano passado, 10 mil tropas americanas do Afeganistão. Outras 23 mil serão retiradas até o fim do verão. Depois disso, reduções continuarão em um ritmo constante, com mais de nossas tropas voltando para casa. E até o final de 2014 os afegãos serão totalmente responsáveis pela segurança de país.

20h37:  Segundo o presidente, as tropas internacionais vão continuar a treinar, aconselhar e ajudar os afegãos – e lutar ao lado deles quando necessário. Mas vão mudar para um papel de apoio, enquanto os afegãos caminham para frente.

20h36: Presidente americano diz que neste mês, em um encontro da Otan em Chicago, coalizão vai definir uma meta para as forças afegãs assumirem a liderança de operações em todo país no próximo ano.

20h35: Para Obama, país terminou a missão no Afeganistão e deve retirar as tropas

20h34: Presidente lembra do atentado às Torres Gêmeas, promovido pela Al-Qaeda e fala dos períodos que os Estados Unidos perderam na Guerra do Iraque. Obama diz que Estados Unidos lutaram e combateram Al-Qaeda

20h33: Obama fala sobre acordo que assinou no Afeganistão, um acordo que pretende acabar com a guerra e iniciar novo futuro

20h31: Acompanhe discurso de Obama ao vivo pelo Radar Global. Presidente deve começar a falar em breve.

20h15: O presidente Obama deve começar a falar logo mais, às 19h30 no horário de Nova York, 4h da manhã de quarta-feira, 2, no horário local, em Cabul. Em São Paulo serão 20h30. Acompanhe pelo Radar Global e pelo Twitter do correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra.

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Não se trata de abdicar de princípios, mas os Estados Unidos precisam estar preparados para lidar com governos islâmicos democraticamente eleitos

HENRY KISSINGER
THE WASHINGTON POST

Um importante aspecto da Primavera Árabe é a redefinição dos princípios de política externa adotados até o momento. À medida que os Estados Unidos retiram suas forças militares do Iraque e do Afeganistão, mobilizadas em nome da (embora discutida) segurança nacional americana, o país vem se envolvendo em outros Estados da região (embora sem muita certeza) em nome da intervenção humanitária.

A reconstrução democrática substituirá o interesse nacional como a bússola da política no Oriente Médio? E a Primavera Árabe representa realmente a reconstrução democrática? Quais são seus critérios? O consenso que se vem criando gradualmente é que os EUA estão moralmente obrigados a se alinhar com os movimentos revolucionários no Oriente Médio como uma espécie de compensação pelas políticas adotadas na Guerra Fria (descritas invariavelmente como equivocadas), quando o país cooperou com governos não democráticos da região por razões de segurança. E o que se alega também é que o apoio fornecido a governos frágeis em nome da estabilidade internacional criou uma instabilidade permanente. Mesmo concordando que algumas das políticas da Guerra Fria continuaram mesmo depois que não tinham mais utilidade, sua estrutura durou 30 anos e provocou transformações estratégicas decisivas, como o abandono pelo Egito de sua aliança com a União Soviética e a assinatura dos Acordos de Camp David. Se não se estabelecer uma relação apropriada com as metas proclamadas, a estratégia adotada agora corre o risco de ser inerentemente instável desde sua aplicação, o que pode fazer naufragar os valores que ela proclama.

A Primavera Árabe de um modo geral é apresentada como uma revolução liderada pela juventude em nome de princípios liberais democráticos.

Mas a Líbia não é governada por essas forças; dificilmente podemos dizer que a Líbia hoje é um Estado. Tampouco o Egito, cuja maioria de eleitores é esmagadoramente islâmica; e os democratas também não parecem predominar na oposição síria. Dentro da Liga Árabe, os países que chegaram a um consenso no caso da Síria não se destacam pela prática ou defesa da democracia. Esse consenso, pelo contrário, reflete em grande parte o conflito milenar entre xiitas e sunitas.

A confluência de muitas reivindicações díspares, declaradas em slogans gerais, não constitui ainda um resultado democrático. Com a vitória, surge a necessidade de aprimorar a evolução democrática e estabelecer um novo centro de autoridade. Quanto mais avassaladora a destruição da ordem existente, mais difícil será o estabelecimento da ordem interna e o mais provável será o recurso à força ou a imposição de uma ideologia universal. E quanto mais fragmentada a sociedade, maior a tentação de fomentar a unidade recorrendo a uma mistura de nacionalismo e islamismo tendo como alvo valores ocidentais ou objetivos sociais.

A derrocada da estrutura existente é um bilhete de entrada para um processo lacerante. Precisamos tomar cuidado numa era em que os momentos de atenção são cada vez mais curtos, com a possibilidade de as revoluções se tornarem uma experiência de internet transitória para o mundo exterior – observada atentamente por alguns instantes cruciais e depois esquecida tão logo o evento principal seja dado como encerrado. A revolução terá de ser julgada por seu destino, não sua origem; seus resultados, não suas proclamações.

As preocupações humanitárias não extinguem a necessidade de relacionar o interesse nacional a um conceito de ordem mundial. Para os EUA, uma doutrina de intervenção humanitária no caso das revoluções no Oriente Médio será insustentável, a menos que ligada a um conceito de segurança nacional. A intervenção implica considerar o significado estratégico e a coesão social de um país (incluindo a possibilidade de fraturar sua complexa estrutura sectária) e avaliar o que pode ser construído no lugar do antigo regime.

A opinião pública americana já rejeitou os esforços exigidos para transformar o Vietnã, o Iraque e o Afeganistão. Acreditamos que um envolvimento americano menos explicitamente estratégico, renunciando a um interesse nacional americano, poderá tornar o projeto de construir uma nação menos complexo? Devemos ter uma preferência quanto a que grupos assumirão o poder? Ou seremos agnósticos enquanto os mecanismos forem eleitorais? Nesse caso, como evitar o risco de estar fomentando um novo absolutismo legitimado por plebiscitos manipulados? Que resultados são compatíveis com os interesses estratégicos básicos dos EUA na região? Será possível combinar a saída estratégica de países-chave e uma redução dos gastos militares com doutrinas de intervenção humanitária universais? Essas questões estão completamente ausentes dos debates sobre a política externa americana no tocante à Primavera Árabe.

Liberdades. Se a Primavera Árabe realmente aumentar a esfera de alcance das liberdades individuais ou, pelo contrário, substituir o autoritarismo feudal por uma nova era de governos absolutistas com base em plebiscitos manipulados e maiorias permanentes com base em seitas, não vamos saber pelas proclamações iniciais dos revolucionários. As forças políticas fundamentalistas tradicionais, fortalecidas por alianças com revolucionários radicais, ameaçam dominar o processo, ao passo que os elementos das redes sociais que determinaram o início dos movimentos estão sendo marginalizados.

Os EUA devem incentivar as aspirações regionais a uma mudança política. Mas não é sensato buscar um resultado equivalente em cada país, e na mesma velocidade. Os EUA também atenderão a seus valores, talvez de modo mais eficaz, oferecendo conselhos de modo mais reservado em vez das declarações públicas que provavelmente produzirão a sensação de assédio. Não se trata de abdicar dos princípios para adequar a posição americana de acordo com cada país e colocá-la em sintonia com outros fatores relevantes; na verdade, essa é a essência de uma política externa criativa.

Por mais de 50 anos, a política americana no Oriente Médio tem sido orientada por diversos objetivos básicos de segurança; impedir que qualquer potência na região tenha hegemonia; garantir o livre fluxo de recursos energéticos, ainda vitais para a economia mundial operar; e obter, pela intermediação, uma paz durável entre Israel e seus vizinhos, incluindo um acordo com os palestinos. Na década passada, o Irã tornou-se o principal desafio a esses objetivos. Esses interesses não ficaram abolidos pela Primavera Árabe e sua adoção tornou-se mais urgente. Um processo que acaba com governos regionais frágeis demais ou muito antiocidentais deve suscitar as preocupações estratégicas americanas, independentemente dos mecanismos eleitorais pelos quais aqueles governos chegam ao poder. Dentro desses limites gerais, a política americana tem um espaço significativo para a criatividade na promoção dos valores democráticos e humanitários.

Os EUA precisam estar preparados para lidar com governos islâmicos democraticamente eleitos. Mas também estão livres para insistir nos princípios básicos da política externa tradicional de modo a condicionar sua posição sobre o alinhamento de seus interesses às ações do governo em questão.

A conduta dos EUA durante as revoluções árabes até agora foi bem-sucedida, evitando se tornar um obstáculo às transformações revolucionárias. Mas esse é apenas um componente de uma estratégia bem sucedida. No final, a política adotada pelos EUA também será julgada segundo o que resultar da Primavera Árabe, ou seja, se os novos Estados terão mais responsabilidade em relação à ordem internacional e as instituições humanitárias. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É EX-SECRETÁRIO DE ESTADO DOS EUA

 

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SÃO PAULO – A divulgação de um vídeo obtido pela rede de TV ABC nesta quinta-feira, 29, levantou dúvidas sobre a versão original do “vigia voluntário” George Zimmerman, que matou o adolescente negro Trayvon Martin há mais de um mês na Flórida. Nas imagens, Zimmerman aparece ileso ao chegar a uma delegacia policial na noite do crime.

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Zimmerman afirmou ter atirado contra Martin em legítima defesa, após ter levado um soco no nariz do jovem, que teria ainda batido a cabeça do vigia contra a calçada. A descrição dos fatos, contudo, é desmentida pelo vídeo, que mostra o vigia sem ferimentos na cabeça e no rosto e sem marcas de sangue na roupa. Assista.

O caso despertou a indignação nos americanos e rendeu uma declaração do presidente Barack Obama, que disse que “se tivesse um filho, ele se pareceria com Trayvon”.

Capuz. No entanto, nesta quinta o Congresso dos EUA proibiu que um legislador usasse um capuz em homenagem ao rapaz durante um discurso. Para o representante negro Bobby Rush,  Trayvon foi alvo dos disparos por causa da cor de sua pele. “A discriminação racial precisa acabar, senhor presidente. Não é porque usa capuz que alguém é bandido”, disse, antes de ser interrompido pelo presidente da sessão.

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Ao dirigir-se diretamente à população de outros países, Hillary transforma gradualmente a política externa americana

No dia 1.º de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu com o propósito de analisar a proposta da Liga Árabe para pôr fim à violência na Síria. A secretária de Estado Hillary Clinton representou os EUA na reunião. A certa altura, durante os seus comentários, ela começou a falar não ao embaixador sírio, que estava na sala, nem mesmo ao governo sírio, mas diretamente ao povo sírio. Ela disse que uma mudança na Síria exige que os sírios de todos os credos religiosos e etnias se unam e protejam e respeitem os direitos das minorias.

Dirigindo-se a essas minorias, ela prosseguiu: “Ouvimos as suas preocupações, e respeitamos as suas aspirações. Não deixem que o regime atual as explore para perpetuar essa crise”. Falando a empresários, militares de alta patente e outros políticos da Síria, ressaltou que eles devem reconhecer que o seu futuro está com o Estado e não com o regime. “A Síria pertence aos seus 23 milhões de cidadãos e não a um homem ou à sua família”.

Dirigir-se diretamente aos cidadãos – como o povo de um país e o seu governo – não é apenas um recurso de retórica. Enquanto muitos especialistas em política externa vêm ressaltando que os EUA são a “referência para a Ásia”, Hillary de sua parte vem executando uma ação menos divulgada, mas não menos importante para o povo asiático. Ela criou políticas, programas e reformas institucionais destinadas a respaldar a diplomacia do governo em relação à sociedade e de sociedade para sociedade. Essas iniciativas não dão manchetes, mas deverão transformar gradativamente grande parte da política externa americana.

Em janeiro, o Departamento de Estado inaugurou uma super agência para a segurança civil, a democracia e os direitos humanos, chefiada pela subsecretária Maria Otero. O órgão engloba as agências que exercem a fiscalização do cumprimento da lei, do contraterrorismo e de reconstrução e estabilização.

Maria Otero explica a lógica da iniciativa como a “proteção dos indivíduos”. Isso, por sua vez, exige “não apenas um compromisso de um Estado com outro”, mas também a colaboração “com os atores e os protagonistas fora dos canais tradicionais nos quais estamos atuando”. Visto dessa perspectiva, o contraterrorismo inclui a refutação da propaganda terrorista com uma campanha de comunicação estratégica.

Parceiros. Combater a violência dos narcotraficantes inclui trabalhar com o magnata mexicano das telecomunicações Carlos Slim para criar instrumentos que permitam aos cidadãos comuns denunciar a violência de maneira anônima por meio de mensagens de texto e permitir que a polícia mapeie os resultados. Fortalecer a democracia implica trabalhar com os desenvolvedores quenianos de uma plataforma de mapeamento da crise que permita a qualquer pessoa que tenha um celular denunciar fraudes eleitorais ou violência a uma central de monitoramento.

Numa relação de país para país, articular-se com o povo significa colaborar com os blogueiros do Egito e também com o Conselho Supremo das Forças Armadas, reunir-se com jovens empreendedores na Tunísia, Argélia e Marrocos e colocá-los em contato com entidades que oferecem financiamento e orientação. Significa usar a mídia social da Rússia para frustrar a campanha do governo para difamar o embaixador dos EUA. Significa patrocinar com o Brasil a Parceria para um Governo Aberto, que une os governos comprometidos em aumentar a transparência, a responsabilização e a participação dos cidadãos, usando a pressão mútua dos pares e a informação aberta para que cumpram os seus compromissos.

Hillary lançou um diálogo estratégico com a sociedade civil. Por exemplo, a embaixadora Melanne Verveer participou de mais de mil eventos em todo o mundo sobre a delegação de poderes às mulheres em áreas que vão desde negociações de paz à agricultura. Ela lançou ainda programas como mWomen, destinado a expandir e apoiar a tecnologia celular que aumenta a independência, a segurança das mulheres, o seu acesso à saúde e a conhecimentos cruciais. O Departamento de Assuntos Globais para a Juventude está montando um conselho local para a juventude em cada embaixada americana do mundo todo, para orientar e ajudar a implementar a programação das embaixadas para a juventude local.

Grande parte dos programas destinados a jovens, mulheres, empreendedores, diásporas, tecnologias e outros grupos sociais em parte é financiada e administrada pelo setor privado. De fato, a Estratégia Nacional de Segurança do governo Obama menciona “parcerias público-privadas” mais de 30 vezes. Hillary Clinton implantou a Iniciativa de Parceria Global para criar um grande número de coalizões, redes e parcerias com corporações, fundações, ONGs, universidades e outras organizações civis.

Aqui, a articulação com o povo inclui o povo americano: o dinamismo, a criatividade e os recursos de empresas americanas e organizações sem fins lucrativos já engajadas em todo o mundo. Uma iniciativa financiada pela empresa privada lançada pelo Departamento de Estado enviará 300 árvores para o Japão para que sejam plantadas na região arrasada pelo tsunami e em Tóquio, para expressar o apoio do povo americano ao povo japonês. Outra será constituída pelo envio de professores de inglês a todo o Sudeste Asiático.

Depois de participar da conferência Amigos da Síria, em Túnis, Hillary convocou uma reunião com a juventude tunisina. No início do seu discurso, ela disse aos ouvintes que “os jovens são o ponto focal de todas as grandes oportunidades estratégicas e dos desafios de hoje”. Falando dos esforços que vem empreendendo para que a “delegação de poderes às mulheres faça parte da agenda internacional”, ela acrescentou: “Está na hora de incluir também a delegação de poderes aos jovens”. As implicações de toda essa atividade, que Hillary chama de “arte de governar do século 21″, são profundas. De agora em diante, as relações diplomáticas dos EUA com as outras nações envolverão diretamente o povo desses países, relacionando-o ao povo americano na medida do possível. Da perspectiva dos diplomatas americanos, os povos de todos os países se encontram no mesmo pé de igualdade do seu governo. Esse pressuposto constitui o cerne da democracia; e uma revolução para a diplomacia.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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Visão Global; análises e comentários de especialistas

Candidatos republicanos demonstram pouco interesse nos detalhes do relacionamento dos EUA com o restante do mundo

CHRISTOPHER R. HILL
PROJECT SYNDICATE

Para muitos públicos estrangeiros, as primárias da eleição presidencial americana de 2012 – que infelizmente prosseguirão durante os próximos meses – devem ser uma assustadora demonstração de tudo aquilo que os americanos e seus líderes não sabem a respeito da política externa.

Os seguidos debates revelam o fato de que nenhum dos candidatos que pretendem desafiar o presidente Barack Obama está particularmente interessado nos detalhes de nenhum dos relacionamentos dos Estados Unidos com o restante do mundo – para não mencionar as crises no cenário internacional, especialmente aquelas que excluem soldados americanos.

De fato, a ignorância parece ser uma fonte de força para os candidatos que ainda participam da corrida. Quando John Huntsman, um dos primeiros a anunciar a candidatura, demonstrou certa capacidade intelectual ao apresentar argumentos úteis a respeito de como lidar com a China, pontuando sua fala com breves exemplos do seu domínio do mandarim, alguns dos outros candidatos responderam ridicularizando-o.

O fato de simplesmente conhecer a perspectiva chinesa parece ter desabonado Huntsman, que logo pôs fim à sua candidatura. Parece que cada vez mais a política externa excita apenas o lado emocional do cérebro de um candidato à presidência.

A verdade é que os americanos com frequência têm dificuldade para compreender por que deveriam se importar com os detalhes da política externa. Infelizmente, os candidatos republicanos pouco fizeram para ajudá-los. Em 2008, o então candidato John McCain fez tentativas ocasionais nesse sentido, chegando a explicar em determinado momento a um público cético suas opiniões a respeito dos crescentes problemas no Baluchistão. Na maioria dos casos, entretanto, os candidatos evitaram falar chinês e debater problemáticas províncias paquistanesas.

Talvez o mundo espere que o povo americano – os condutores da única superpotência do mundo – estivesse muito mais envolvido nas questões da política externa. Em vez disso, o que a comunidade internacional vê são os americanos reduzindo cada vez mais seu envolvimento no mundo a um simples teatro das moralidades – parecendo evocar o icônico papel de Gary Cooper como o xerife solitário em meio aos covardes moradores em Matar ou Morrer. Aqueles que enxergam um papel a ser desempenhado por uma “coalizão dos dispostos” talvez tenham a mente suficientemente aberta para pensar em Rio Bravo, no qual John Wayne recebe bem alguns aliados.

Os estrangeiros que visitam os EUA costumam comentar que os americanos estão provavelmente entre os povos mais patrióticos do mundo, e essa característica torna-se cada vez mais acentuada. As pessoas costumavam pendurar bandeiras americanas na porta de casa somente nos feriados nacionais. Caso contrário, eram vistas somente do lado de fora dos edifícios do governo. Hoje, elas estão por toda parte durante o ano inteiro – e parece que as maiores bandeiras são encontradas do lado de fora das concessionárias de veículos, por mais que estas vendam carros importados. Da mesma maneira, durante décadas, os jogos de beisebol foram precedidos do hino nacional. Hoje em dia, depois de dois terços da partida, pede-se aos fãs que se levantem novamente para cantar o hino.

É claro que parte da dinâmica atual tem a ver com as consequências dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Mas essa onda de sentimento patriótico parece ser sustentada por forças ainda mais potentes – talvez por uma frustrante percepção de que as motivações americanas não são devidamente compreendidas no restante do mundo. Uma canção country antiga e ainda popular resume isso no refrão: “Tenho orgulho de ser americano, onde ao menos sei que sou livre”.
Ao menos? Os Estados Unidos têm uma economia do conhecimento e um dos mais elevados padrões de vida do mundo há décadas. A liberdade é sem dúvida o alicerce desse sucesso, mas, sem querer ir deliberadamente contra a maré, essa conquista também é motivo de orgulho. Mesmo hoje, a economia americana continua sendo uma das características do país mais admiradas no restante do mundo – incluindo a China.

Ainda assim, os americanos parecem desencorajados. Lembro-me do olhar entristecido no rosto de uma observadora americana das eleições no Iraque, uma legisladora estadual do Texas, quando esta perguntou a um representante iraquiano se o Iraque tinha planos de recompensar os EUA por “trazer a democracia” ao país dele. O representante (que demorou um pouco para entender a pergunta) balançou a cabeça, soturno. Ela se afastou.

Intelecto. Os debates presidenciais deste ano abordaram a política externa somente em termos do quanto cada candidato se mostraria “durão” o bastante para lidar com os desafios – em se tratando de fortaleza emocional, e não da base intelectual necessária para compreender esses desafios.

A história política americana está repleta de presidentes que, de uma maneira ou de outra, pareceram demonstrar fraqueza no palco mundial. O primeiro encontro do presidente John F. Kennedy com o premiê soviético Nikita Khruchev é um exemplo de destaque no folclore americano: o jovem presidente americano transmite uma aparência de fragilidade ao seu correspondente soviético, que então tenta instalar impunemente mísseis nucleares de longo alcance em Cuba, uma jogada que levou ao ponto mais próximo que EUA e URSS chegaram de uma guerra. Levando-se em consideração narrativas desse tipo, a política externa regride nas eleições americanas a uma espécie de teste de testosterona, deixando de lado aquilo que é necessário: um teste do conhecimento e da capacidade de decisão de um candidato.

A boa notícia é que são muitas as evidências históricas sugerindo que, uma vez na Casa Branca, o candidato desenvolve uma compreensão dos temas e um instinto diante das nuances necessárias para lidar com eles – um fato que deve acalmar o público internacional.

Seja ela causada por um excesso de TV a cabo, ou por um excesso dos próprios debates, a “temporada das asneiras” parece especialmente prolongada, até assustadora. Quer os candidatos à presidência o saibam ou quer não estejam nem remotamente interessados, o mundo escuta suas palavras com mais atenção do que aquela às vezes demonstrada por eles ao proferi-las. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É EX-SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE ESTADO PARA O LESTE ASIÁTICO, EMBAIXADOR AMERICANO NO IRAQUE, NA COREIA DO SUL, MACEDÔNIA E POLÔNIA, ENVIADO ESPECIAL DOS EUA AO KOSOVO E FEZ PARTE DAS NEGOCIAÇÕES DOS ACORDOS DE PAZ DE DAYTON. TRABALHA ATUALMENTE COMO DIRETOR DA FACULDADE DE ESTUDOS INTERNACIONAIS KORBEL, DA UNIVERSIDADE DE DENVER

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Por Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington

A criação de uma zona de exclusão aérea na Síria não é opção neste momento para os EUA e seus aliados. Mas essa alternativa não está descartada. A mensagem indireta foi dada nesta quarta-feira, 14, pelo presidente americano, Barack Obama, e pelo premiê britânico, David Cameron.

Após ressaltar o fato de os militares dos EUA terem “plano para tudo”, Obama disse preferir solucionar a crise síria por meio da diplomacia. Para ele, a queda do ditador sírio, Bashar Assad, é uma questão de tempo. “Quando vemos a violência pela TV, nosso instinto natural é agir”, disse Obama. “Uma das coisas que aprendemos com essas crises é que é importante avaliar todas nossas ações”. Cameron foi igualmente cuidadoso. “A maneira mais rápida de acabar com a violência é começar uma transição, com a saída de Assad”.

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Os dois principais candidatos republicanos se apresentam como defensores dos valores tradicionais americanos, mas conspiram contra o maior deles: educação para todos

POR PAUL KRUGMAN, DO THE NEW YORK TIMES*

Uma área na qual os americanos sempre foram excepcionais é o amparo à educação. Primeiro assumiram a liderança na educação primária universal. Depois, o “movimento high school” tornou o país o primeiro a adotar a educação secundária generalizada. Após a 2ª Guerra, o respaldo público, incluindo a GI Bill (lei que garantia ensino secundário e vocacional a veteranos da 2ª Guerra) e uma enorme expansão das universidades públicas, ajudou uma grande quantidade de americanos a obter uma formação universitária.

Agora, porém, um dos principais partidos políticos fez uma virada brusca à direita contra a educação, ou, ao menos, contra a educação que americanos trabalhadores podem pagar. O curioso é que essa nova hostilidade à educação é compartilhada pelas alas conservadora social e conservadora econômica da coalizão republicana, ora representadas nas pessoas de Rick Santorum e Mitt Romney. E isso vem num momento em que a educação americana já se encontra em dificuldades profundas.

Sobre essa hostilidade: Santorum ganhou manchetes ao declarar que o presidente Barack Obama quer ampliar a matrícula universitária porque as faculdades são “usinas de doutrinação” que destroem a fé religiosa.

A resposta de Romney a um aluno do último ano do ensino secundário preocupado com os custos da universidade é, possivelmente, ainda mais significativa, porque o que ele disse aponta para opções políticas reais que prejudicarão ainda mais a educação americana. Eis o que o candidato falou ao estudante: “Não vá para a que tem o preço mais alto. Vá para a que tem o preço um pouco mais baixo onde você possa obter uma boa educação. E você, com certeza, a encontrará. E não espere que o governo perdoe a dívida que assumir”. Uau. Isso sobre a tradição dos EUA de oferecer ajuda a estudantes. As observações de Romney foram ainda mais insensíveis e destrutivas, dado o que vem ocorrendo ultimamente na educação superior americana.

Nas duas últimas gerações, escolher uma escola menos cara geralmente significava ir para uma universidade pública em vez de uma universidade privada. Hoje em dia, a educação superior pública está muito mais sitiada, enfrentando cortes orçamentários mais duros que o restante do setor público. Corrigida pela inflação, a ajuda estatal ao ensino superior caiu 12% nos últimos cinco anos, apesar de o número de alunos continuar crescendo; na Califórnia, a ajuda diminuiu 20%.

Um resultado tem sido a elevação das taxas. A anuidade corrigida pela inflação em faculdades públicas de quatro anos subiu mais de 70%. Portanto, boa sorte para descobrir aquela faculdade com “um preço um pouco mais baixo”.

Outro resultado é que instituições de ensino com problemas de caixa vêm fazendo cortes em áreas cujo ensino é caro – que são precisamente as áreas de que a economia necessita. Por exemplo, faculdades públicas em alguns Estados, incluindo Flórida e Texas, eliminaram departamentos inteiros de engenharia e ciência da computação.

Os danos que essas mudanças causarão – tanto para as perspectivas econômicas dos EUA como para o evanescente sonho americano das oportunidades iguais – deveriam ser óbvios. Então, por que os republicanos estão tão ansiosos para sucatear a educação superior? Não é difícil perceber que o que está impelindo a ala de Santorum do partido. Sua alegação específica de que frequentar a universidade solapa a fé é falsa. Mas ele está certo ao sentir que nosso sistema de educação superior não é um terreno amigável para a ideologia conservadora corrente. E não são apenas os professores de ciências humanas: entre os cientistas, os democratas declarados superam de nove para um os republicanos declarados.

Imagino que Santorum veria isso como evidência de uma conspiração liberal. Outros poderiam sugerir que os cientistas têm dificuldade de apoiar um partido no qual a negação da mudança climática se tornou um teste político, e a negação da teoria da evolução está a caminho de um status similar. Mas e as pessoas como Romney? Será que elas não têm interesse no sucesso econômico futuro dos EUA, colocado em risco pela cruzada contra a educação? Talvez não tanto quanto se pensa. Afinal, nos últimos 30 anos, houve uma chocante desconexão entre os ganhos de renda enormes no topo e as mazelas dos trabalhadores comuns.

Pode-se defender que o interesse próprio da elite americana é mais bem servido assegurando que essa desconexão continue, o que significa manter baixos os impostos sobre rendas altas a todo custo, sejam quais forem as consequências em termos de infraestrutura precária e uma força de trabalho despreparada.

Se a educação pública subfinanciada deixa muitos filhos dos menos ricos sem mobilidade social para cima, bem, dá para acreditar mesmo naquela história de criar igualdade de oportunidades? Portanto, sempre que ouvir republicanos dizerem que eles são o partido dos valores tradicionais, tenha em mente que eles já fizeram de fato uma ruptura radical com a tradição dos EUA de valorizar a educação. E fizeram essa ruptura porque acreditam que o que você não sabe não pode prejudicá-los.

*É COLUNISTA

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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Eleições nos EUA 2012

Acontece hoje nos Estados Unidos a Superterça, dia em que dez dos Estados americanos – Alasca, Geórgia, Idaho, Massachusetts, Dakota do Norte, Ohio, Oklahoma, Tennessee, Vermont e Virgínia - fazem votações prévias do partido Republicano para definir o candidato que disputará as eleições com o presidente democrata Barack Obama em novembro. Ao todo, 419 dos 1.144 delegados necessários para garantir a nomeação republicana estão em jogo hoje.

Acompanhe as informações mais recentes sobre as prévias e os resultados à medida em que forem divulgados.

2h58 Encerramos aqui nossa cobertura ao vivo da Superterça. Acompanhe mais informações sobre essa etapa das eleições norte-americanas no portal.

2h55 Romney vai vencendo no Alasca, segundo a CNN.

2h44 Para o correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra, o democrata Barack Obama foi o grande beneficiado pela Superterça republicana.

2h34 Mitt Romney vence prévia republicana em Ohio, segundo a CNN. Diferença entre o ex-governador de Massachussets e Rick Santorum foi de apenas 12.040 votos, segundo o jornal New York Times.

2h23 VEJA OS RESULTADOS PARCIAIS DE TODOS OS ESTADOS DA SUPERTERÇA (fonte: New York Times):

Alasca: apuração ainda não começou

Dakota do Norte (apuração: 100%)
Santorum 39,7%; Paul 28,1%; Romney 23,7%; Gingrich 8,5%

Geórgia (apuração: 96%)
Gingrich 47,5%; Romney 25,7%; Santorum 19,6%; Paul 6,5%

Idaho (apuração: 77%)
Romney 68,6%; Paul 16,6%; Santorum 12,2%; Gingrich 2,5%

Massachussets (apuração: 98%)
Romney 72,1%; Santorum 12,1%; Paul 9,6%; Gingrich 4,6%

Oklahoma (apuração: 99%)
Santorum 33,8%; Romney 28,1%; Gingrich 27,5%; Paul 9,6%

Tennessee (apuração: 96%)
Santorum 37,2%; Romney 28%; Gingrich 23,9%; Paul 9,1%

Vermont (apuração: 75%)
Romney 40,3%; Paul com 25,1%; Santorum 23,4%; Gingrich 8,3%

Virgínia (apuração: 100%)
Romney 59,5%; Paul com 40,5% (Santorum e Gingrich não concorreram pelo Estado)

Wyoming (apuração: 22%)
Romney 57,1%; Santorum com 33,1%; Paul com 2,7%; Gingrich com 0%

2h04 Com 96% dos votos apurados, segundo o New York Times, Romney lidera com 436.278 votos (37,8%). Santorum vem atrás com 429.014 (37,2%). Gingrich vem bem atrás, com 168.899 (14,6%) e Paul tem 106.997 (9,3%). A corrida em Ohio, o Estado mais importante, vai chegando ao fim, com a disputa voto a voto entre o ex-governador de Massachussetts Mitt Romney e ex-senador pela Pensilvânia Rick Santorum.

1h59 Com 95% dos votos apurados, segundo o New York Times, Romney lidera com 435.457 votos (37,8%). Santorum vem atrás com 427.908 (37,1%). Gingrich vem bem atrás, com 168.551 (14,6%) e Paul tem 106.794 (9,3%).

1h52 Com 93% dos votos apurados, segundo o New York Times, Romney lidera. As porcentagens permanecem inalteradas, contudo. De acordo com a previsão do jornal, Romney deve obter um total 17 dos 66 delegados. Santorum ficaria com 9. Segundo a CNN, Romney lidera com 435.457 (ainda 38%), seguido de perto por Santorum com 427.908 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 168.551 (15%) e Paul tem 106.794 (9%).

1h48 Com 92% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 432.585 (38%), seguido de perto por Santorum com 426.220 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 167.858 (15%) e Paul tem 106.268 (9%).

1h35 Com 91% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 423.680 (38%), seguido de perto por Santorum com 417.821 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 164.770 (15%) e Paul tem 106.095 (9%). A diferença entre os dois primeiros candidatos se mantém relativamente inalterada, deixando a disputa acirrada até o último momento.

1h24 Com 90% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 418.719 (38%), seguido de perto por Santorum com 413.600 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 162.722 (15%) e Paul tem 102.799 (9%).

1h18 Com 88% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 411.605 (38%), seguido de perto por Santorum com 407.798 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 160.725 (15%) e Paul tem 101.351 (9%).

1h15 Com 87% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 408.541 (38%), seguido de perto por Santorum com 403.074 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 159.353 (15%) e Paul tem 100.365 (9%).

1h10 Com 86% dos votos apurados, segundo a CNN, Romney lidera com 390.810 (37%), seguido de perto por Santorum com 388.973 (37%). Gingrich vem bem atrás, com 153.793 (15%) e Paul tem 98.455 (9%).

1h07 Veja o total de delegados de cada pré-candidato republicano até o momento, em todos os Estados que já realizaram prévias este ano: Romney tem 298; Santorum, 121; Gingrich, 83 e Paul, 52. São necessários  1.144 delegados para garantir a nomeação republicana.

1h A CNN afirma ter números exclusivos da contagem em Ohio. Segundo a rede, Romney está à frente de Santorum na prévia de Ohio, o Estado mais importante da chamada Superterça. De acordo com a previsão do canal, Romney terá 3 mil votos a mais que Santorum no Estado. Os números do New York Times até 79% de apuração: Santorum (38%), Romney (37%), Gingrich (15%) e Paul (9%). O Wall Street Journal dá os números de 79% apurados, também: Santorum (370.558 votos; 37,6%), Romney (367.388; 37,3%), Gingrich (145.024; 14,7%) e Paul (91.515; 9,3%). Existe uma diferença no sistema de contagem de veículo para veículo.

0h58 ENTENDA: Superterça não encerrará disputa republicana, do correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra.

0h53 A disputa ficou mais apertada em Ohio, ainda com 85% dos votos apurados, segundo a CNN. Veja os números: Santorum tem um total de 365.098 votos (37%); Romney, em segundo, está bem perto, com 362.826 votos (37%); Gingrich tem 142.918 votos (15%) e Paul 90.246 (9%).

Confira o perfil dos pré-candidatos republicanos

0h51 A rede de TV CNN dá 85% dos votos apurados em Ohio, o Estado mais decisivo da disputa da Superterça. Veja os números: Santorum tem um total de 345.098 votos (38%); Romney, em segundo, está bem perto, com 362.826 votos (37%); Gingrich tem 142.918 votos (15%) e Paul 90.246 (9%).

0h48 Acompanhe os números de Ohio, de acordo com o Wall Street Journal (com 75%): Santorum tem um total de 346.802 votos (37,8%); Romney, em segundo, está bem perto, com 340.747 votos (37,1%); Gingrich tem 133.660 votos (14,6%) e Paul 85.765 (9,3%).

0h43 A disputa em Ohio continua apertada. De acordo com os últimos números do New York Times, com 69% dos votos apurados, Santorum tem 38% dos votos, seguido por Romney com 37%. Bem atrás vêm Gingrich, com 15%, e Paul com 9%. O Estado não é reduto de nenhum dos pré-candidatos que disputam a vaga republicana. Assista ao vídeo da TV EstadãoOhio não tem pré-candidato favorito na Superterça

0h40 RESULTADOS ATÉ O MOMENTO DE TODOS OS ESTADOS DA SUPERTERÇA (informações do New York Times):

Alasca: apuração ainda não começou;
Dakota do Norte: Santorum tem 40% dos votos, seguido por Romney com 25%, Paul com 27 e Gingrich com 8% (com 60% dos votos apurados);
Geórgia: 
Gingrich lidera com 48%, Romney tem 25%, seguido por Santorum com 20%, Paul com 6% (87% dos votos apurados);
Idaho: Romney tem 78% dos votos, seguido por Paul com 11%, Santorum com 8%, Gingrich com 3% (com 16% dos votos apurados);
Massachusstes: Romney tem 72% dos votos, seguido por Santorum com 12%, Paul com 10% e Gingrich com 5% (com 93% dos votos apurados);
Oklahoma: Santorum tem 34% dos votos, seguido por Romney com 28%, Gingrich com 27% e Paul com 10% (com 91% dos votos apurados);
Ohio: Santorum tem 38% dos votos, seguido por Romney com 37%, Gingrich com 15% e Paul com 9% (com 69% dos votos apurados);
Tennessee: Santorum 37% dos votos, seguido por Romney com 28%, Gingrich com 24% e Paul com 9% (com 83% dos votos apurados);
Vermont: Romney tem 41% dos votos, seguido por Paul com 25%, Santorum com 23%, Gingrich com 8% (com 67% dos votos apurados);
Virgínia: Romney tem 59% dos votos, seguido por Paul com 41% (com 100% dos votos apurados). Santorum e Gingrich não concorreram pelo Estado;
Wyoming: Romney tem 55% dos votos, seguido por Santorum com 41%, Paul com 3% e Gingrich com 0% (com 13% dos votos apurados).

0h33 Leia, dos correspondentes do Estado em Washington, Denise Chrispim Marin, e em Nova York, Gustavo Chacra: Romney, Santorum e Gingrich vencem em Estados importantes na Superterça

0h08 Santorum vence em Dakota do Norte, diz CNN.

0h11 Dakota do Norte: Santorum vence com 40% dos votos, seguido por Romney com 25% dos votos, Gingrich com 8% e Paul com 27% (segundo o jornal New York Times, com 39% dos votos apurados).

23h45 Leia, dos correspondentes do Estado em Washington, Denise Chrispim Marin, e em Nova York, Gustavo Chacra: Romney vence primárias em Virgínia, Vermont e Massachusetts

23h28 Santorum  lidera a votação na Dakota do Norte, onde 4% dos votos foram apurados (segundo o New York Times). O pré-candidato tem 52% dos votos, seguido de Paul, com 21%, Romney com 15% e Gingrich com 11% .

Confira o perfil dos pré-candidatos republicanos

23h27 Wyoming, com 4% dos votos apurados, tem Romney na liderança, com 51% dos votos. Santorum tem 49%. Gingrich e Paul ainda não têm votos. Os números são do New York Times.

23h24 O ex-senador pela Pensilvânia disse que considera o resultado da Superterça “satisfatório”: “Perdemos em alguns Estados e ganhamos em outros”, disse. Até o momento, Santorum ganhou em dois Estados. “Estamos prontos para vencer em todo o país”, disse. Ele também afirmou que os pais dele “fazem parte da melhor geração dos EUA”.

23h22 Ao lado da família, Santorum faz neste momento discurso em Ohio. Ele diz que sua campanha visa lembrar “os tempos que deixamos para trás e as famílias que fizeram grandes histórias no país”.

23h19 A disputa segue apertada entre Santorum e Romney em Ohio. O Estado é considerado o mais decisivo desta Superterça na corrida republicana, valendo 66 delegados. Com 17% das urnas apuradas, Santorum tem 38,5% dos votos, seguido de perto por Romney, com 36,5%. Bem atrás vêm Gingrich (15,2%) e Paul (8,5%). Os dados são do Wall Street Journal.

23h16 Segundo projeções do jornal New York Times, Santorum venceu as primárias em Oklahoma (com 34% dos votos) e Tennesse (41%) e lidera a apuração em Ohio, com 38%, seguido por Romney com 37%. O ex-senador pela Pensilvânia fala a apoiadores em Ohio. Confira o perfil dos pré-candidatos republicanos.

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Gingrich e a esposa cercados por apoiadores na Geórgia, onde ele venceu as prévias

23h05 Santorum vence em Oklahoma.

23h03 RESULTADOS ATÉ O MOMENTO DE TODOS OS ESTADOS DA SUPERTERÇA (informações do New York Times):

Alasca: apuração ainda não começou; Dakota do Norte: apuração ainda não começou;  Geórgia: Gingrich lidera  com 49%, Romney tem 22%, seguido por Santorum com 22%, Paul com 6% (40% dos votos apurados); Idaho: apuração ainda não começou; Massachusstes: Romney tem 72% dos votos, seguido por Santorum com 12%, Paul com 9% e Gingrich com 5% (com 26% dos votos apurados). Oklahoma: Santorum tem 35% dos votos, seguido por Gingrich com 27%, Romney com 26% e Paul com 10% (com 17% dos votos apurados); Ohio: Santorum tem 38% dos votos, seguido por Romney com 37%, Gingrich com 15% e Paul com 8% (com 11% dos votos apurados); Tennessee: Santorum 43% dos votos, seguido por Romney com 28%, Gingrich com 19% e Paul com 8% (segundo a CNN, com 10% dos votos apurados); Vermont: Romney tem 40% dos votos, seguido por Paul com 25%, Santorum com 23%, Gingrich com 8% (com 40% dos votos apurados); Virgínia: Romney tem 59% dos votos, seguido por Paul com 41% (com 97% dos votos apurados). Santorum e Gingrich não concorreram pelo Estado.

22h55 Virgínia: Romney tem 59% dos votos, seguido por Paul com 41% (segundo o New York Times, com 93% dos votos apurados). Santorum e Gingrich não concorreram pelo Estado. Vermont deve ser o próximo Estado a encerrar a contagem dos votos. Até o momento, 35% foram apurados. Os resultados: Romney lidera com 40% dos votos, seguido por Paul com 26%, Santorum com 24% e Gingrich com 8% (também segundo o New York Times).

22h51 Oklahoma: Santorum lidera. Ele tem 37% dos votos, seguido por Romney com 27%, Gingrich com 25% e Paul com 9% (segundo o New York Times, com 6% dos votos apurados).

22h44 Tennessee: Santorum 45% dos votos, seguido por Romney com 28%, Gingrich com 18% e Paul com 7% (segundo a CNN, com 15% dos votos apurados).

22h43 Esposa de Gingrich diz que único oponente do marido é o presidente democrata Barack Obama. Ela chama Gingrich de “o próximo presidente dos Estados Unidos”. O pré-candidato teve 49% dos votos no Estado, seguido por Romney, com

22h41 CNN: Romney tem 40% dos votos em Ohio, seguido de Santorum com 37%, Gingrich com 14% e Paul com 7%

22h40 Mulher de Gingrich começa a falar a simpatizantes na Geórgia.

22h37 Simpatizantes aguardam discurso de Gingrich na Geórgia, onde ele ganhou as prévias desta Superterça. Na foto abaixo, pessoas preparam o local em que ele falará a apoiadores.

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Adesivos com a inscrição ‘Sou um eleitor da Geórgia’ são vistos em uma igreja local

22h27 Segundo projeções, Santorum deve ter vencido em Oklahoma e no Tennesse. Os dois Estados são sulistas e conservadores. Pesquisas indicam empate entre Romney e Santorum em Ohio.

22h21 A rede de TV CNN mostra imagens de Sarah Palin no cáucus do Alaska, Estado no qual foi governadora entre 2006 e 2009. Ao ser perguntada sobre seu candidato ela disse “Eu acho que Barack Obama é a pior escolha”. Palin foi candidata à vice-presidente na chapa de John McCain na última corrida eleitoral, contra Obama.

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Homem leva a filha de 9 meses para votar em Ohio; Estado é o mais decisivo da Superterça

22h18 Estes são os números de delegados de cada um dos Estados com projeção de vitória dos pré-candidatos republicanos: Romney: Massachussets (38 delegados), Vermont (17) e Virgínia (46); Gingrich; Geórgia (76 delegados). Ao todo, Romney já tem 172 delegados, Santorum tem 60, Gingrich tem 29 e Paul tem 23. São necessários 1.144 delegados para garantir a nomeação republicana.

22h15 ATÉ O MOMENTO, Romney venceu em 3 Estados (Massachussets, Vermont e Virgínia), Gingrich em 1 (Geórgia). Acompanhe, Estado a Estado, o resultado das prévias republicanas

22h10 ”Até agora, nenhuma zebra nas primárias”. Esta é a análise do correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra. Leia:

Mitt Romney, como esperado, venceu em Massachusetts, onde foi governador, no Estado liberal Vermont e também na Virgínia por não precisar enfrentar dois de seus adversários, que ficaram de fora. Rick Santorum levou os sulistas Oklahoma e Tenneessee, que são dois Estados conservadores. Newt Gingrich ganhou na Geórgia, onde fez toda a sua carreira política. O libertário Ron Paul, por sua vez, aguarda os resultados nos cáucuses em Idaho, Dakota do Norte e Alasca. Diante deste cenário, Ohio deve definir o grande vencedor da noite. De acordo com pesquisas, Romney está em primeiro, mas por uma margem de apenas quatro pontos percentuais à frente de Santorum.

22h06 ATÉ O MOMENTO: Romney venceu em 2 Estados (Vermont e Virgínia), Gingrich em 1 (Geórgia). Na foto abaixo, uma apoiadora de Gingrich aparece com bonecos do pré-candidato e do presidente democrata Barack Obama.

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22h04 Santorum venceu no Tennesse, também de acordo com a CNN, com 35% dos votos segundo as projeções iniciais.

22h02 De acordo com projeções da CNN, Romney venceu em Massachussets com folga – ele teria obtido 70% dos votos. Em seguida, Santorum tem 12%, Paul tem 9% e Gingrich tem 4%.

21h59 Romney venceu com facilidade na Virgínia, segundo as primeiras pesquisas. Ainda de acordo com Chacra, os dois principais adversários dele, Newt Gingrich e Rick Santorum, não participaram das primárias. Os dois, por falhas de suas campanhas, fracassaram na apresentação dos documentos necessários. Caso contrário, poderiam ter obtido bons resultados neste swing state, como são denominados os Estados sem predomínio democrata ou republicano.

21h57 De acordo com o correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra, mesmo a derrota na Geórgia pode ser considerada uma vitória para Mitt Romney, que já venceu, nesta Superterça, as prévias em Vermont e Virgínia, segundo pesquisa da CNN. Afinal, com o resultado, Newt Gingrich não abandonará a sua candidatura e continuará dividindo votos com Rick Santorum. Além disso, ganhar no Estado sulista, onde fez toda a sua carreira, era uma obrigação para Gingrich. Ainda assim, poucos consideram possível a sua nomeação no fim do processo. O ex-presidente da Câmara apenas permanece com seu discurso populista devido ao Super PAC (fundo de campanha sem ligações diretas à candidatura) bancado por um bilionário dos cassinos de Las Vegas.

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Apoiadores de Romney em Massachusetts

21h52 Romney venceu as primárias republicanas na Virgínia (EUA), Estado onde concorria apenas contra o congressista Ron Paul.

21h35 CNN diz que, apesar das pesquisas, ainda não se pode dizer que Romney venceu em Ohio.

21h31 Segundo a CNN, as votações em Ohio foram encerradas. Os números da rede de TV na saída do Estado, o mais importante da Superterça, são: Romney com 40%, Santorum com 36%, Gingrich com 12% e Paul com 11%.

21h27 A CNN afirma que Romney venceu as primárias na Virgínia. Gingrich e Santorum não concorreram no Estado.

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Eleitora vota em Ohio, Estado mais decisivo desta Superterça

21h22 Redes de televisão norte-americanas garantem que Gingrich venceu as primárias republicanas na Geórgia. No Estado, estão em jogo 76 delegados. Acompanhe os resultados das prévias republicanas Estado a Estado.

21h21 CNN projeta que Romney ganhará na Virgínia.

21h19 Gingrich tem 58% dos votos que já foram apurados na Geórgia.

21h18 Paul obtém 38% dos votos já apurados em Vermont.

21h14 De acordo com números do jornal americano New York Times, Romney tem 62% dos votos na Virginia. Conheça o perfil dos pré-candidatos republicanos.

21h09 A rede de TV americana CNN afirma que Mitt Romney lidera na Virginia e em Vermont.

21h05 Segundo a CNN e o jornal New York Times, Newt Gingrich venceu as primárias na Geórgia. O resultado era esperado. Gigrich fez carreira no Estado. Conheça o perfil dos pré-candidatos republicanos.

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Romney e a esposa deixam o local de votação em Massachussets nesta terça

21h Os Estados de Georgia, Virginia e Vermont encerram votações.

19h34 Cerca de cinco mil pessoas se reuniram hoje em Nova York para pedir emprego. A manifestação coincide com a Superterça. Assista ao vídeo na TV Estadão.

19h Segundo o correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra, Newt Gingrich deve vencer na Geórgia, onde fez carreira política. “Mas ele não tem chance em outros Estados com prévias hoje”, informa. Conheça o perfil dos pré-candidatos republicanos.

18h32 Até agora Romney, ex-governador de Massachusetts, tem 203 delegados e oito vitórias: New Hampshire, Flórida, Nevada, Maine, Michigan, Arizona, Wyoming e Washington. Veja os números Estado a Estado. O segundo colocado é Rick Santorum, ex-senador pela Pensilvânia, com 92 delegados e quatro triunfos: Iowa, Colorado, Missouri e Minnesota.

18h Uma sondagem do Instituto Pew, feita para o jornal Washington Post, indica que a campanha acirrada dos republicanos está beneficiando o presidente americano Barack Obama.

17h49 Gingrich, terceiro colocado, ataca Obama e Romney, favorito, tenta aumentar a vantagem sobre Santorum. Assista na TV Estadão.

17h04 As bolsas dos EUA começaram a Superterça em queda.

16h05 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se mostrou categórico em sua entrevista coletiva desta terça-feira ao pedir prudência a seus rivais políticos que reivindicam medidas militares contra o Irã devido ao programa nuclear da República Islâmica. Obama escolheu justo a Super Terça, dia mais importante do calendário das eleições primárias do Partido Republicano, para realizar sua primeira entrevista coletiva formal na Casa Branca em seis meses.


						
						

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Visão Global

Memorial planejado para homenagear o 34º presidente dos EUA não faz justiça a ele e dá mais destaque a aspectos de sua vida comum do que a seu heroísmo

ROSS DOUTHAT
THE NEW YORK TIMES

Duas decisões serão tomadas este ano que, em longo prazo, influirão muito na maneira como entendemos a presidência. Em novembro, os eleitores decidirão se vão conceder um segundo mandato a Barack Obama. E, antes disso, em algum momento a National Capital Planning Commission decidirá se leva adiante o projeto de Frank Gehry de um Memorial a Dwight Eisenhower.

O projeto de Gehry é, bem, é típico do arquiteto: ele reelabora o modelo tradicional de um monumento usando imensas telas metálicas para retratar o ambiente da infância de Eisenhower no Kansas, ao passo que consagra um espaço muito menor às suas realizações na 2.ª Guerra e na Casa Branca. A única estátua importante vai retratar Eisenhower como um garoto de pés descalços, não um líder da guerra ou um presidente).
O projeto foi amplamente criticado – pela família de Eisenhower, por arquitetos tradicionalistas e articulistas de centro-direita como George Will e David Frum. Algumas críticas têm a ver somente com a estética, mas as mais importantes se referem à essência da obra: da forma planejada, o memorial subestima a grandeza do comandante supremo das forças aliadas.

O interessante, contudo, é que ao dar mais destaque a aspectos comuns da vida de Eisenhower do que ao seu heroísmo, Frank Gehry está sendo mais convencional do que radical. Da maneira como foi concebido, o seu monumento só vai confirmar, e não alterar, o lugar que Eisenhower ocupa hoje na memória nacional.
Como escreveu Philip Kennicott, do Washington Post, a visão de Gehry sugere que embora “Eisenhower tenha sido um grande homem, houve outros Eisenhowers por trás dele, outros homens que podiam fazer o que ele fez”. Longe de uma reformulação corajosa da sua imagem, esse monumento é um resumo quase perfeito da maneira que muitos americanos veem hoje aquele que foi o 34.º presidente dos EUA.
Não quer dizer que os americanos não gostam de Eisenhower nem lembram com carinho do serviço que ele prestou. O novo livro Eisenhower in War and Peace, de Jean Edward Smith é a mais recente de uma série de biografias que se tornaram sucesso de vendas sobre Ike. Mas ele não é tão amado como muitos dos seus contemporâneos de meados do século. Como líder de guerra, ele foi ofuscado por Franklin Delano Roosevelt e por seus muitos subordinados pitorescos, e seus dois mandatos como presidente atraíram pouco daquele entusiasmo póstumo que fez do seu predecessor do “mostra para eles”, um herói popular e do seu sucessor martirizado um ícone.
Numa pesquisa Gallup de 2011 sobre o maior presidente que o país já teve, Eisenhower ficou em 12.º lugar, empatado com Jimmy Carter. Ele tem um desempenho mais sólido nas pesquisas acadêmicas, mas com frequência vem sempre atrás dos seus proeminentes rivais do século 20.
Em parte, essa desvalorização resulta da persona política que Eisenhower cultivou – uma fachada simpática, de avô, que ocultava o mestre implacável da política. E em parte ela reflete o fato de a sua presidência jamais ter tido um acento fortemente ideológico. Os liberais (que preferiam Adlai Stevenson) comumente lembram o governo Eisenhower como um parêntese entre eras democratas heroicas, enquanto os conservadores (que defendem Robert Taft) sempre evocam a situação estática em que estavam antes da sua ascensão, que começou com Goldwater até Reagan.
Mas, enfim, Eisenhower é subestimado porque na Casa Branca sua liderança não se enquadrou no padrão de “grandeza” que muitos americanos esperavam dos seus presidentes. Não era um homem de grandes projetos, cruzadas corajosas ou tentativas para mudar a história do mundo. Não houve nenhuma “revolução Ike” na política americana, tampouco uma “Eisenmania” entre ativistas e intelectuais, nenhum realinhamento estilo Eisenhower.
Inversamente, sua grandeza manifestou-se nas crises que ele aplacou e nos erros que não cometeu. Não criou programas de dotações orçamentárias proibitivos, não adotou teorias econômicas implausíveis e não deixou déficits insustentáveis para seus sucessores. Ele pôs fim a um conflito paralisante na Coreia, manteve os EUA fora da guerra no Sudeste Asiático e rejeitou uma política nuclear arriscada na qual seu sucessor tropeçou. Não permitiu que uma série de crises no Oriente Médio levasse os americanos a uma intervenção ao estilo do Iraque.
Não arriscou sua presidência com roubos de terceira classe ou aventuras sexuais. Era resoluto quando necessário, mas seus sucessos – prosperidade, paz, avanços sólidos no campo dos direitos civis – foram quase sempre o fruto da precaução estratégica e inação magistral.
Talvez “outros homens” pudessem ter conseguido essa combinação de firmeza, competência e sucesso na administração de crises, como o projeto impessoal deste Memorial Eisenhower parece sugerir. Mas poucos ocuparam o Salão Oval nestes últimos 50 anos. Pelo contrário, desde a década de 60, passando pelas eras George W. Bush e Barack Obama – do “pagar qualquer preço, suportar qualquer fardo” ou o “você nunca deve desperdiçar uma crise grave” -, os vícios definidores da presidência moderna têm sido o orgulho excessivo, a irresponsabilidade e a ambição desmedida.
É por isso que a controvérsia envolvendo o memorial é de fato importante. Eisenhower merece um monumento que o coloque onde ele deve estar – na primeira fila de líderes americanos – porque é preciso lembrar a nação onde está a verdadeira grandeza de um presidente. Muitos políticos combinam a retórica exaltadora com grandes ambições. Mas são poucos o que têm os dons necessários para conduzir o navio do Estado mantendo-o longe das rochas e penhascos e, depois de oito anos, conduzi-lo indene ao porto. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É ANALISTA POLÍTICO

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Relações entre EUA e China

A mais importante relação bilateral do mundo começou a ser construída há 40 anos, quando o republicano e então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon foi recebido em Pequim pelo líder comunista Mao Tsé-tung, em um encontro que surpreendeu o mundo e abriu caminho para a futura integração da China à economia capitalista.

Veja também:
DE PEQUIM: De volta ao mundo, China se modernizou
BLOG DO ARQUIVO: O aperto de mão que redefiniu o mundo
GALERIA: As imagens do encontro histórico
ESPECIAL: Pingue-pongue de Mao e Nixon faz 40 anos

Veja abaixo algumas capas do ‘Estado’ com notícias sobre o encontro:


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