Por Gabriel Toueg e Bruna Ribeiro, do estadão.com.br
SÃO PAULO – Enquanto a Espanha oscila à beira de um colapso econômico, o rei do país, Juan Carlos, despertou fúria depois de uma viagem de caça para a África, que só foi descoberta porque ele tropeçou e fraturou o quadril. Por conta do acidente, Juan Carlos precisou ser levado às pressas de volta à capital espanhola, Madri, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência.
Em resposta à viagem fora de hora, a imprensa espanhola e estrangeira atacou o estilo de vida do monarca, de 74 anos. Vários jornais estamparam imagens de viagens anteriores de Juan Carlos à África, em missões parecidas. Em uma das fotos, o rei aparece armado, ao lado de um elefante que teria sido abatido por ele. A imagem seria de uma viagem de 2006.

“Foi uma viagem irresponsável, feita no pior momento possível”, escreveu o jornal espanhol El Mundo. “A imagem de um monarca caçando elefantes na África, em um momento em que a crise econômica em nosso país cria tantos problemas para o povo espanhol, é um exemplo muito ruim”, completou.
O mesmo El Mundo publicou uma entrevista com um especialista em organização de expedições de caça no continente africano. Na matéria, ele afirma que uma viagem desse tipo pode custar até 30 mil euros (mais de R$ 73 mil). A expedição a Botsuana, que, segundo o especialista, não é um dos países mais baratos na África, teria custado US$ 26 mil (cerca de R$ 48 mil), enquanto espanhóis comuns lutam para sobreviver.
A respeitada revista Time também criticou a viagem real. A correspondente da revista em Madri, Lisa Abend, comenta a importância histórica da monarquia no país, mas afirma: “Se os espanhóis de repente começaram a se imaginar sem um rei, não é por qualquer razão histórica. É por causa de elefantes“. A Time também publicou a imagem de Juan Carlos ao lado do animal abatido.
A dívida da Espanha causada por empréstimos contraídos nos mercados internacionais aumentou fortemente, gerando preocupações de que o país poderia seguir os passos de Grécia, Irlanda e Portugal, necessitando um plano de resgate financeiro da zona do Euro. O desemprego na Espanha entre os jovens é superior a 50% e o país enfrenta cortes de gastos sem precedentes em meio a um recorde de 4,75 milhões de pessoas sem trabalho.
Além de comentários irritados na internet e a repercussão na imprensa, a imagem do elefante abatido provocou o pedido de mais transparência das finanças da família real. Em 2006, houve relatos de que o rei teria matado um urso, durante uma viagem de caça à Rússia. A queda do rei em Botsuana acontece poucos dias depois de o neto de 13 anos dele, Felipe Juan Froilan, ter dado um tiro no pé acidentalmente com uma espingarda durante uma prática de tiro ao alvo.
Manifestação. Um grupo de pessoas protestou nesta terça diante do hospital no qual Juan Carlos está internado, em Madri. Com cartazes, eles pedem o fim da morte de animais e denunciam as “vítimas reais da caça”.

Irritações à parte, os mais sarcásticos não perderam tempo. O jornal britânico Sun reproduziu, hoje, uma foto do rei retratado como o personagem Rambo, dos filmes de ação. Na imagem, o monarca aparece com um lança-foguetes em mãos, enquanto animais parecem se esconder no fundo.
Nesta sexta-feira, ocorre uma coincidência numérica curiosa: é o 11º dia do 11º mês de 2011, ou seja, 11/11/11. Para marcar a data, apresentamos a seguir uma lista de 11 eventos internacionais relevantes que ocorreram ao longo da história em algum dia 11. Confira.
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11/11/1918 – Compiègne, França. A assinatura do armistício da 1ª Guerra Mundial (que, ocorreu, curiosamente, às 11h da manhã em uma carruagem na cidade francesa que emprestou seu nome ao tratado), colocou fim ao confronto que matou cerca de 19 milhões de pessoas na Europa ao longo de quatro anos (1914-1918).

11/01/1946 – Tirana, Albânia. Enver Hoxha, líder da Albânia desde o fim da Segunda Guerra Mundial até sua morte (também num dia 11, em abril de 1985), proclama a República Popular da Albânia após a queda do rei Zog. O rei tinha sido responsável por abolir a lei islâmica no país e adotar um código civil baseado no modelo suíço, da mesma forma que a Turquia de Atatürk havia feito.

11/01/1964 – Cidade do Panamá, Panamá. O Panamá corta relações com os Estados Unidos por conta de conflitos relacionados com o Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Após diversas disputas pela soberania do canal, os dois países assinam um acordo, em 1977, que passa seu controle aos panamenhos, algo que só foi concretizado de fato em 2000.

11/09/1973 – Santiago, Chile. Um golpe de Estado no Chile, que resultou na morte, ainda hoje cercada de mistérios, do então presidente Salvador Allende, inaugurou a ditadura militar que duraria quase 17 anos. Aliás, o fim do regime também ocorreu num dia 11, em março de 1990.

11/11/1975 – Luanda, Angola. Embora a independência angolana de Portugal tenha sido declarada no dia 10 de novembro, o “povo angolano” passou a ter soberania sobre o país no dia seguinte. O resultado, contudo, foi uma guerra civil que durou três décadas e acabou apenas em 2002.

11/01/1994 – Dublin, Irlanda. O governo da Irlanda acaba com a censura ao movimento IRA, grupo paramilitar católico que defende a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e sua reanexação à República da Irlanda.

11/09/2001 – Nova York e Washington, EUA. O maior ataque terrorista ocorrido em solo americano, usando aviões comerciais contra as torres gêmeas e o Pentágono, foi assumido mais tarde pela Al-Qaeda. No evento, que recentemente completou dez anos, morreram quase 3 mil cidadãos americanos e de outros países.
11/03/2004 – Madri, Espanha. Uma série de explosões coordenadas no sistema de trens da capital espanhola deixou 191 mortos e 1,8 mil feridos – e ocorreu três dias antes das eleições no país, mudando seu resultado. A Al-Qaeda se responsabilizou pelos ataques, que teriam sido feitos em resposta à presença da Espanha no Iraque.
11/02/2011 – Cairo, Egito. Após 18 dias de intensas manifestações pacíficas nas ruas do Cairo e de outras cidades egípcias, o presidente Hosni Mubarak, que estava no poder havia 30 anos, cedeu e renunciou. Ele foi o segundo presidente da chamada “primavera árabe” a deixar o cargo, depois do colega da Tunísia. Mais tarde, Mubarak seria julgado.
11/03/2011 – Japão. O terremoto de 8.9 graus seguido de tsunami no Japão foi imenso nos números: segundo a polícia nacional japonesa, foram quase 16 mil mortos, cerca de 6 mil feridos e mais de 3,5 mil pessoas desaparecidas, além de um prejuízo trilionário para o país.

11/10/2011 – Jerusalém, Israel. Após mais de 5 anos desde a captura do soldado israelense Gilad Shalit na fronteira com a Faixa de Gaza, o governo israelense anunciou um acordo com o Hamas para troca de prisioneiros. A troca de Shalit por 1.027 palestinos começaria uma semana depois.

Fotos: Reprodução

Manifestantes em várias partes do mundo partilham da desconfiança sobre os políticos
*Nicholas Kulish é jornalista
Centenas de milhares de indianos desiludidos festejam um ativista em greve de fome. Israel sofre com as maiores manifestações populares de sua história. Jovens enfurecidos na Espanha e na Grécia tomam praças. As queixas vão da corrupção à falta de habitação acessível e emprego, reclamações comuns em todo o mundo. Mas, do sul da Ásia ao coração da Europa e agora até em Wall Street, esses manifestantes partilham algo a mais: a desconfiança, ou até desprezo, em relação aos políticos tradicionais e ao processo democrático presidido por eles. Os jovens estão tomando as ruas, em parte, pois não acreditam mais nas urnas.
“Nossos pais agradecem por poder votar”, disse Marta Solanas, de 27 anos, referindo-se às décadas em que os espanhóis passaram sob a ditadura de Francisco Franco. “Somos a primeira geração a dizer que não há valor ao voto.” A situação econômica tem sido uma das principais forças por trás das manifestações, com uma crescente desigualdade de renda, um desemprego altíssimo e cortes nos programas sociais decorrentes da recessão fomentando a insatisfação. O sentimento de alienação é especialmente profundo na Europa. Mas mesmo na Índia e em Israel, onde o crescimento continua expressivo, os manifestantes dizem desconfiar da classe política e da sua subserviência a grupos de interesses, a tal ponto que parecem acreditar que apenas um ataque ao sistema poderá trazer mudanças reais.
Os jovens organizadores das manifestações em Israel atraíram imensas multidões insistindo que seus líderes políticos tinham se mostrado tão completamente à mercê das preocupações com a segurança dos grupos ultraortodoxos e de outros interesses especiais que não podiam mais responder à classe média.
Na Índia, a maior democracia do mundo, o ativista Anna Hazare fez uma greve de fome por 12 dias até que o Parlamento recuasse em algumas de suas exigências de uma proposta de combate à corrupção para responsabilizar os funcionários públicos por casos de má conduta. “Elegemos os representantes do povo para que eles resolvam nossos problemas”, disse Sarita Singh, 25 anos, “Mas a corrupção está governando o país.”
Cada vez mais, cidadãos de todas as idades estão rejeitando estruturas convencionais como os partidos e os sindicatos em favor de um sistema menos hierárquico e mais participativo que segue sob muitos aspectos o modelo da cultura da internet. Nesse sentido, os movimentos de protesto nas democracias não são tão diferentes daqueles que abalaram governos autoritários, depondo líderes na Tunísia, no Egito, e na Líbia.
A crescente desilusão ocorre 20 anos depois daquilo que foi celebrado como a vitória final do capitalismo democrático sobre o comunismo e a ditadura. Na esteira do colapso da União Soviética, em 1991, emergiu o consenso de que a economia liberal associada às instituições democráticas representaria o único caminho para avançar. Esse consenso, defendido por estudiosos como Francis Fukuyama, foi abalado por uma aparentemente interminável sucessão de crises e incapacidade dos políticos de lidar com elas ou de proteger seu povo dos choques. Eleitores frustrados não estão promovendo agitações pedindo que um ditador assuma o poder. Mas dizem que não sabem a quem recorrer num momento em que escolhas políticas da era da Guerra Fria parecem ocas.
“A principal crise é a crise de legitimidade”, disse Marta Solanas. “Achamos que eles não têm feito nada por nós.”
TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
*Publicado no News York Times
Troca de olhares. A visita do papa Bento XVI à Espanha motivou a realização de diversos protestos em Madri. O pontífice chega em um momento de dificuldades financeiras para o país e ateus, homossexuais e até mesmo sacerdotes questionam os gastos do governo para recebê-lo.
A polícia foi acionada para conter as manifestações. Na imagem, um dos participantes dos protestos encara um policial portando cassetete e escudo. Também houve bate-boca entre manifestantes e peregrinos que foram a Madri ver o papa, que chega na quinta e fica na Espanha até domingo.
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Mãos ao alto. Inspirados nas revoluções que tomaram conta do mundo árabe, milhares de espanhóis desafiaram as autoridades e tomaram praças em 30 cidades do país para protestar contra o desemprego e a situação social. Os grupos, compostos essencialmente por jovens, prometem permanecer nas ruas até domingo, quando a Espanha realizará eleições municipais. O movimento também já está sendo considerado como o espelho mais claro do mal-estar econômico da Europa. Na foto, jovens tomam uma praça da capital, Madrid.
Seleção de imagens: Natália Russo, da editoria de Fotografia do estadão.com.br.
Há 5 anos (2005) Angela Merkel era eleita a nova chanceler alemã, a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país
Há 15 anos (1995) Shimon Peres tornava-se chefe do governo de Israel
Há 20 anos (1990) a conservadora Margaret Thatcher renunciava ao cargo de primeira-ministra da Grã-Bretanha após 11 anos e meio de mandato
Há 35 anos (1975) Juan Carlos era coroado rei da Espanha
Há 15 anos (1995) a princesa Diana admitia ter cometido adultério em entrevista à BBC de Londres
Há 25 anos (1985) era lançado o Windows, o sistema operacional da Microsoft
Há 35 anos (1975) morria na Espanha o general Francisco Franco, permitindo o retorno da Monarquia Parlamentar e a ascensão ao trono do herdeiro Rei Juan Carlos.
O presidente do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou um telegrama a Dilma parabenizando-a pela vitória nas eleições e se comprometendo a seguir trabalhando para que relação bilateral entre Brasil e Espanha continue “magnífica”.
Fontes do Governo espanhol informaram que o chefe do Executivo, em sua primeira mensagem de felicitação, desejou sucesso a Dilma. “Seguiremos trabalhando para que as relações entre nossos dois países continuem em um nível magnífico”, disse Zapatero.
Leia a seguir as principais notícias internacionais da semana:
Domingo, 3 de outubro - Perto de completar quatro anos no poder, o presidente Rafael Correa, segundo diversos analistas, saiu fortalecido da crise política causada pela rebelião nacional das forças policiais que exigiam a preservação de aumentos salariais e outros privilégios, entre eles o sistema de condecorações. Correa, que tem mais de 60% de aprovação popular, afirmou pelo canal estatal 2 que não permitirá nova revolta e também prometeu investigar o papel da oposição na tentativa de golpe contra seu governo. “Não conseguirão transformar o país em uma nova Honduras.”
Segunda-feira, 4 de outubro - Os EUA e a Grã-Bretanha emitiram alertas sobre possíveis atentados terroristas na Europa. As advertências foram dirigidas, inicialmente, a seus próprios cidadãos e tiveram como base a confirmação, pela inteligência americana, da informação de que a rede Al-Qaeda e seus aliados no Paquistão e no Norte da África estariam organizando os atentados. Os alvos potenciais seriam cidades da França, Alemanha e Grã-Bretanha. O Departamento de Estado advertiu aos americanos que estão na Europa e aos que têm viagem marcada ao continente sobre o risco de atentados e disse que os sistemas de transporte e infraestruturas que servem ao turismo seriam os possíveis alvos.
Terça-feira, 5 de outubro - A Espanha apresentou novas denúncias sobre supostos vínculos entre a Venezuela e a organização separatista basca ETA. Desta vez, a chancelaria espanhola solicitou a Caracas esclarecimentos no marco da “cooperação bilateral antiterrorismo”, depois de dois militantes do grupo basco terem confessado que receberam treinamento na Venezuela. O governo Hugo Chávez, porém, voltou a negar que tenha contatos com a ETA. Detidos na semana passada na Espanha, Juan Carlos Besance Zugasti e Xavier Atristain Gorosabel confessaram, em interrogatório policial, que receberam “cursos de formação” em território venezuelano. A informação foi revelada pelo juiz espanhol Ismael Moreno. Zugasti e Gorosabel teriam recebido na Venezuela instruções para codificar mensagens, além de treinamento com armas de fogo, entre julho e agosto de 2008.
Quarta-feira, 6 de outubro - Serviços de segurança da França anunciaram a prisão de 12 suspeitos de “associação a organizações terroristas”. Entre os detidos, estão militantes islâmicos que receberiam jihadistas com passagem por campos de treinamentos do Paquistão e do Afeganistão. Apesar das relações aparentes com a Al-Qaeda, as duas operações seriam independentes e sem relações com as ameaças de ataques que pairam sobre a Europa há 15 dias. As primeiras prisões ocorreram nas cidades de Marselha e Bordeaux, no sul e no sudoeste do país.
Quinta-feira, 7 de outubro - O presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou que 46 policiais acusados de envolvimento na rebelião do dia 30, que deixou 10 mortos e 274 feridos, foram detidos na noite de terça-feira, numa operação montada para desbaratar “um núcleo duro da polícia” equatoriana, envolvido, segundo o governo, numa tentativa de assassinato do presidente e de um golpe de Estado.
Sexta-feira, 8 de outubro - O vazamento de lama tóxica provocado pelo acidente em uma indústria na Hungria chegou ao Rio Danúbio, um dos principais da Europa, e pôs em alerta seis países do Leste Europeu. Para as centenas de moradores das cidades atingidas, a lama significaria simplesmente o fim de seus vilarejos, já que a contaminação levará décadas para se dissipar e o governo anuncia que não faz sentido reconstruir as casas nos mesmos locais. Segundo as autoridades, a taxa de alcalinidade da água no segundo maior rio europeu é superior à normal e ameaça o ecossistema do Danúbio. Os vizinhos da Hungria, porém, afirmam que ainda não detectaram contaminação de seus territórios.
Sábado, 9 de outubro - Cumprindo pena de 11 anos de prisão sob a acusação de “subversão”, o dissidente chinês Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz, decisão que enfureceu o governo de Pequim e foi vista por ativistas de direitos humanos como um sinal da necessidade de reformas democráticas na China. Pequim condenou a entrega do prêmio e censurou a informação na internet, celulares e meios de comunicação do país. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, afirmou que Liu é um “criminoso” e a premiação é uma “profanação” dos princípios do Nobel. “Liu Xiaobo é um criminoso que ofendeu a legislação da China e foi condenado pelo Judiciário chinês”, declarou Ma. O porta-voz disse ainda que a decisão vai prejudicar as relações entre China e Noruega, cujo Parlamento elege os integrantes do Comitê Nobel Norueguês, responsável pelo processo de concessão do Prêmio Nobel da Paz, o único que não é anunciado na Suécia.
Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) o Grupo Estado
Há 30 anos, morria Jean Piaget, psicólogo suíço.
Há 45 anos, era criada a Empresa Brasileira de Telecomunicação (Embratel).
Há 200 anos, Miguel Hidalgo proclamava a independência do México da Espanha, no chamado Grito de Dolores.
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