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Radar Global

SÃO PAULO – O Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta quinta-feira, 8, foi celebrado de diferentes maneiras em várias partes do mundo. No Afeganistão, a data foi marcada com uma partida de basquete entre uma equipe profissional afegã e funcionárias americanas da Força Internacional de Assistência à Segurança, em Cabul. Na capital britânica, londrinas fizeram uma marcha bem-humorada pedindo “poder para mulheres”, igualdade entre os gêneros e paz.

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Na capital da Colômbia, Bogotá, vítimas de agressões fizeram um protesto para sensibilizar a sociedade sobre a violência com ácido. Mulheres fazem dezenas de cirurgias plásticas para minimizar a marca de ataques realizados com ácido. Elas pedem no mínimo 30 anos de prisão sem condicional. Hoje, agressões assim são consideradas lesão corporal no país. Assista aos vídeos e veja a galeria de fotos.

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Com financiamento do narcotráfico, Farc se tornaram o maior grupo irregular organizado do mundo, diz analista

Por Lourival Sant’Anna

A morte do comandante Alfonso Cano tem mais impacto sobre o moral das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) do que sobre sua capacidade de organização. Financiada pelo narcotráfico, e com cerca de 10 mil guerrilheiros, bem armados, treinados e motivados, as Farc são o maior grupo irregular bem organizado do mundo. Não há no curto prazo a possibilidade de vencê-la militarmente. A saída para o conflito é a negociação – difícil, mas não impossível. A análise é do sociólogo Luis Eduardo Celis, pesquisador do conflito armado na Corporación Nuevo Arco Iris, de Bogotá, em entrevista ao Estado.

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Ouça a entrevista com Luis Eduardo Celis

Radar Global: O que a morte de Alfonso Cano significa para as Farc?
Luis Eduardo Celis: Tem um custo simbólico. Embora no passado recente tenham morrido membros do secretariado, é a primeira vez na história que seu comandante máximo é morto. As Farc tiveram dois comandantes gerais: um histórico, durante décadas, Manuel Marulanda, que morreu de causa natural em 2008, e Cano. Então é um golpe em seu moral, muito menos organizacional. Perdem um homem com experiência política. Cano começou a se articular nas Farc em 1973. Mas as Farc vão assimilá-lo. Está na cultura, no DNA das Farc, a luta contra as adversidades. Seu caráter é forte.

Radar Global: Segundo as notícias, ele estava só com 14 guerrilheiros. Não é uma mostra de debilidade?
Luis Eduardo Celis: Não. Ele estava tentando se camuflar em uma zona que não é de selva, mas em uma casa, rodeada de população civil. Então é compreensível que estivesse com um grupo pequeno. As Farc têm uma força importante na região, o norte do Departamento de Cauca, que fica no sudoeste do país. Ou seja, ele saiu de sua zona histórica, o sul de Tolima, onde as Farc surgiram, e onde esteve por muitos anos. Mas sua estrutura de segurança foi muito debilitada nos últimos três, quatro anos. Se ele se moveu foi porque se sentiu inseguro.

Radar Global: As Farc ainda se organizam em muitas frentes?
Luis Eduardo Celis: Sim, o comandante do Exército, general Sergio Mantilla, deu uma cifra de 11 mil homens das Farc e o das Forças Armadas (general Alejandro Navas), de 8.900. Sejam 8.900 ou 11 mil, em 70 estruturas nos 21 Departamentos do país, não há nenhuma força irregular no mundo com esse número de combatentes disciplinados, com experiência, armamento, logística, comando, motivação, presença territorial, vínculos comunitários e cultura de organização.

Radar Global: Eles se comunicam com celular, telefone via satélite, internet?
Luis Eduardo Celis: Creio que cada vez recorram menos à tecnologia. Seguem usando de maneira indireta, por terceiros. Mas os principais comandantes tomam muito cuidado. Creio que estão recorrendo mais a mensageiros pessoais. Mas não perderam a capacidade de comunicação entre eles. De fato, Alfonso Cano morreu na sexta, dia 4, e 24 horas depois já havia um comunicado das Farc sobre sua morte. Isso demonstra capacidade de reação.

Radar Global: O financiamento continua sendo pelo narcotráfico?
Luis Eduardo Celis: Sim. Especulando, diria que 70% é com base no narcotráfico. Talvez 20% seja via extorsão e sequestro. Têm também investimentos na economia formal e um esforço próprio.

Radar Global: O sr. vê alguma possibilidade de negociação depois da tentativa do então presidente Andrés Pastrana em 1999?
Luis Eduardo Celis: Esse é um conflito armado não resolvido. Somando Farc e ELN (Exército de Libertação Nacional), estamos falando de 12 mil a 15 mil combatentes, que em determinadas circunstâncias podem aumentar um pouco. Têm motivação ideológica. A explicação de sua existência está em um grande desarranjo no campo. A falta de garantias na competição política tem mantido essas organizações. A derrota militar não será possível no curto prazo. Daí a pergunta: se poderia combinar a pressão militar com um cenário de negociação? Eu diria que isso é possível, com um processo de reformas que motive as Farc e o ELN a deixar as armas: um reordenamento mais equitativo no campo, que integre populações que não têm tido oportunidades, que pense mais no desenvolvimento rural e na infraestrutura do campo, e um sistema de maior competição política. Não é fácil, mas é possível.

Radar Global: O governo tem essa vontade?
Luis Eduardo Celis: Eu diria que sim. O governo está propondo reformas nos temas que deram origem ao conflito: a competição política e o desenvolvimento rural e das regiões onde a violência tem sido mais aguda. Somando aos temas próprios de um longo ciclo de violência – as vítimas, a verdade, a Justiça, a reparação –, pode-se construir um acordo.

Radar Global: Os EUA continuam apoiando financeira e militarmente?
Luis Eduardo Celis: A cooperação militar teve um ciclo importante entre 1998 e 2006. Tem diminuído muito. Hoje a capacidade do Estado de enfrentar as guerrilhas é muito maior do que em 1998. E tenho a impressão de que o governo americano vê um acordo (de paz) com bons olhos.

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 Celebração. Fotos de reféns já libertados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) são dispostas em helicóptero usado na operação de resgate, entre elas Ingrid Betancourt, que permaneceu mais de cinco anos sob poder da guerrilha. A exposição foi montada pelo governo colombiano em comemoração aos 201 anos de Independência do país, celebrado também com desfile das Forças Armadas colombianas.

mais      imagens Seleção de imagens: Natália Russo, da editoria de Fotografia do estadão.com.br e Bia Rodrigues, da editoria de especiais. Visite também o blog Olhar sobre o mundo e a página de fotos do portal.

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Veja o vídeo institucional que explica como funciona o projeto do Centro de Formação para a Paz e Reconciliação (Cepar), onde ex-paramilitares, ex-guerrilheiros das Farc e vítimas do conflito na Colômbia estudam juntos.

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02.novembro.2010 00:10:19

Hoje na História

Há 1 ano (2009) o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, era declarado vencedor da eleição presidencial, um dia após seu adversário no segundo turno, Abdullah Abdullah, ter desistido da disputa sob a alegação de que não havia “condições mínimas” para evitar fraudes

Há 10 anos (2000) a Estação Espacial Internacional (ISS) recebia seus primeiros moradores: dois russos e um americano

Há 15 anos (1995) era assassinado em Bogotá, na Colômbia, o candidato presidencial conservador Álvaro Gomez Hurtado

Há 90 anos (1920) a KDKA, de Pittsburg, entrava no ar como a primeira rádio comercial do mundo (Estados Unidos)

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Leia o que foi notícia na semana que passou:

Domingo, 19 de setembro - Apenas uma semana separa a Venezuela da eleição parlamentar que pode dar novo fôlego ao presidente Hugo Chávez ou precipitar a decadência do venezuelano, que está há 11 anos ininterruptos no poder. Na história recente da América do Sul, apenas dois líderes governaram por tanto tempo: o chileno Augusto Pinochet (1973-1990) e o paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) – dois ditadores. Mais do que escolher os 167 novos membros da Assembleia Nacional – única instância parlamentar de um país que extinguiu o Senado, em1999 – os venezuelanos devem mostrar o grau de polarização da vida política do país até as eleições presidenciais de 2012, às quais Chávez já se lançou como candidato, apesar de sua popularidade, que já foi de 75% em 2006, não passar hoje de 44%, segundo o Datanálisis.

Segunda-feira, 20 de setembro - A China suspendeu os contatos de alto nível com o Japão e prometeu adotar duras represálias após um tribunal japonês estender por dez dias a detenção de um capitão chinês, cujo navio colidiu com dois barcos da Guarda Costeira japonesa perto de ilhas disputadas pelos dois países. A medida indica que a China está disposta a agir de modo duro com seus rivais asiáticos nas disputas territoriais.

Terça-feira, 21 de setembro - El Diario, principal jornal de Ciudad Juárez, cidade mexicana na fronteira com os EUA, publicou no domingo editorial pedindo uma trégua aos grupos criminosos que disputam o controle do tráfico de drogas na região. Num tom entre o desespero e a ironia, o texto sugere aos traficantes que expliquem quais informações podem ser publicadas. Em troca, pede que seus jornalistas não sejam mais assassinados e suas instalações deixem de ser alvo de ataques. No editorial intitulado O que querem de nós?, o jornal reconhece que, no momento, os narcotraficantes são “as autoridades de facto” na cidade de 1,3 milhão de habitantes, que já registrou mais de 2 mil homicídios este ano.

Quarta-feira, 22 de setembro - Desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra aos cartéis, em dezembro de 2006, 6,5 mil pessoas morreram em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA. Nos últimos três anos, 230 mil deixaram a cidade, 20 mil casas foram abandonadas e 10 mil crianças ficaram órfãs. No meio do fogo cruzado estão dezenas de jornalistas que relatam o cotidiano de violência. Na cidade mais perigosa do mundo, o mero exercício da profissão tornou-se um risco mortal. “São 23h50. Acabei de relatar dez crimes em menos de seis horas. Durante todo o dia morreram 15 pessoas. Na maioria dos casos, cheguei antes das forças da ordem. Para conseguir, escutei os diálogos truncados do rádio da polícia, que é constantemente monitorado por jornalistas”, escreve Judith Torrea, jornalista freelancer, numa premiada reportagem sobre a violência em Ciudad Juárez.

Quinta-feira, 23 de setembro - O chanceler brasileiro, Celso Amorim disse, em Nova York, que o Brasil apoia uma iniciativa de Rússia, Índia e China para extrair das Nações Unidas uma condenação a qualquer sanção unilateral ao Irã. Amorim salientou, entretanto, que a ideia de proteger os iranianos de medidas que não sejam as aprovadas pela ONU – prática dos EUA e da Europa – não partiu do Brasil. A agência de notícias Reuters publicou na terça-feira à noite uma entrevista com Amorim, na qual o chanceler afirmou que os Brics – Brasil, Rússia, Índia e China –, em reunião naquela manhã, haviam decidido propor à Assembleia-Geral da ONU um projeto de resolução proibindo sanções unilaterais contra países cujos casos estão sendo discutidos no Conselho de Segurança.

Sexta-feira, 24 de setembro - O chefe militar da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, conhecido como “Mono Jojoy”, foi morto na quarta-feira à noite em um bombardeio contra um acampamento do grupo rebelde na região de Macarena, no Departamento de Meta, informou o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera. A ação foi considerada pelo governo o principal golpe contra a guerrilha na história. A morte de um dos comandantes das Farc, e um dos líderes considerados mais radicais e sanguinários, pode acelerar o desmantelamento do grupo rebelde mais antigo do continente e forçá-lo a buscar um diálogo de paz, disseram analistas.

Sábado, 25 de setembro - Um dia depois da morte de seu chefe militar, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediram “uma oportunidade para a paz, não para a rendição”. A declaração – a primeira desde que Jorge Briceño, o “Mono Jojoy”, foi morto num ataque do Exército colombiano – é vista como um apelo ao diálogo depois de uma baixa significativa, mas também como um alerta de que qualquer acordo excluiria o termo “rendição”.

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Veja abaixo o que foi notícia no caderno de Internacional do Estadão:

Domingo, 22 de agosto - Além dos 14,6 milhões de desempregados e do gigantesco rombo fiscal, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, enfrenta outro inimigo interno nas eleições de novembro: as guerras. A retirada apressada das tropas de combate americanas do Iraque, na semana passada, e a insistência da Casa Branca em manter o cronograma de saída do Afeganistão, em julho de 2011, são expressões do quanto os eleitores americanos estão cansados de perdas humanas e do desperdício de dinheiro público.

Segunda-feira, 23 de agosto - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apresentou o primeiro avião não-tripulado iraniano capaz de lançar diferentes tipos de bombas. O bombardeiro seria uma resposta a EUA e Israel, que ameaçam atacar suas instalações nucleares. O anúncio foi feito umdia depois de o governo inaugurar a usina nuclear de Bushehr. O equipamento, batizado de Karrar, ou “atacante” em persa, tem um alcance de mil quilômetros, o que não é suficiente para atingir Israel. Ele pode carregar duas bombas de 115 quilos cada ou uma de 230 quilos, é teleguiado e não pode ser detectado por radares. Durante a apresentação, Ahmadinejad chamou a aeronave de “Mensageiro da Morte”.

Terça-feira, 24 de agosto - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) propuseram uma reunião com os presidentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para expor a visão do grupo sobre o conflito colombiano. O governo rechaçou a proposta, afirmando que não aceitará intermediários para o diálogo com a guerrilha. O Equador, atualmente na presidência do bloco, disse que respeitará a decisão de Bogotá sobre o pedido.

Quarta-feira, 25 de agosto - O presidente chileno, Sebastián Piñera, conversou por um interfone com alguns dos 33 mineiros soterrados a 688 metros de profundidade numa mina do Chile há 19 dias, que lhe pediram para ser resgatados “deste inferno” o mais rápido possível e não ser abandonados. Luis Urzúa, um chefe de turno que está liderando o grupo, contou a Piñera o que aconteceu no dia 5, quando ocorreu o acidente. Em seguida, ele fez um emotivo apelo: “Estamos esperando que todo o Chile faça força para que nos tirem daqui no dia 18”, festa nacional que este ano coincide com o bicentenário.

Quinta-feira, 26 de agosto - Autoridades mexicanas encontraram 72 corpos de imigrantes em uma vala comum em uma fazenda em San Fernando, na região da fronteira com os EUA. Entre as vítimas estão pelo menos quatro brasileiros, segundo o Itamaraty, além de equatorianos, salvadorenhos e hondurenhos. O grupo, que tentava entrar ilegalmente em território americano, teria sido morto por traficantes do cartel Los Zetas, formado por ex-militares. Este é o maior massacre relacionado à guerra ao narcotráfico no México desde 2006. As autoridades não sabiam informar com precisão a data em que ocorreram os assassinatos.

Sexta-feira, 27 de agosto - Sob forte segurança, diplomatas de Honduras, Equador, El Salvador e o cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, chegaram à cidade de Reynosa, no Estado de Tamaulipas, na fronteira com os EUA, para identificar os corpos de 72 imigrantes assassinados no fim de semana – entre eles 4 que possivelmente seriam brasileiros. A identificação, contudo, deve ser lenta porque a maioria viajava sem documentos. O embaixador do Brasil no México, Sérgio Augusto Abreu, informou à TV Milenio que foram identificados os primeiros 15 imigrantes mortos, mas não deu mais detalhes. No entanto, o subsecretário de Justiça de Tamaulipas, Jesus de la Garza, disse à TV que os identificados são oito de Honduras, quatro de El Salvador, dois da Guatemala e um do Brasil. O chanceler de El Salvador, Hugo Martínez, confirmou que quatro salvadorenhos foram identificados. Mas ele não quis revelar os nomes, pois as famílias não foram notificadas.

Sábado, 28 de agosto - Soldados da Marinha mexicana encontraram, numa estrada do Estado de Tamaulipas, o corpo de um agente do Ministério Público que investigava o massacre de 72 estrangeiros – incluindo 4 brasileiros – numa fazenda de San Fernando, perto da fronteira com os EUA. Quase ao mesmo tempo, um carro-bomba foi detonado na frente da sede de Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, da TV Televisa. A explosão não causou vítimas.

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Confira o que foi destaque no noticiário internacional da semana que passou.

Domingo, 8 de agosto - José Antonio Sánchez tem poucos dentes, trabalha como sapateiro semana sim, semana não, e vive em Petare, a maior e mais perigosa favela de Caracas – 1 milhão de habitantes. Em sua casa, a água chega de vez em quando, amarela. O posto de saúde que frequenta, com seus médicos cubanos, tem uma fila enorme e só abre até meio-dia. No mercadinho socialista de Hugo Chávez, o Mercal, falta frango, carne, margarina e papel higiênico. Apesar disso, Sánchez não pensa em votar na oposição em 26 de setembro. Não sabe quem a representa. A Venezuela vive a maior recessão dos últimos anos. Sua inflação deve ficar em 35%, a mais alta do mundo. O desemprego está em 8,5%. Enquanto toda a América Latina cresce, o PIB da Venezuela vai encolher 4,4%, depois de ter recuado 3,3% no ano passado. A produção de petróleo deve cair 1%. O racionamento de energia deixa milhões de venezuelanos até 6 horas por dia sem luz. Mesmo assim, a popularidade de Chávez está em 47%, segundo pesquisa de julho da Datanalisis. Está em queda, se comparada à de 2006, quando 71,5% dos venezuelanos o apoiavam. Mas ainda é maior que a do presidente americano Barack Obama, que está com 44%, segundo Gallup desta semana.

Segunda-feira, 9 de agosto - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reunirá com o novo líder colombiano, Juan Manuel Santos, em Bogotá. O anúncio foi feito pela chanceler colombiana, Maria Angela Holguín, após encontro com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro. Durante o dia, Chávez já havia selado a aproximação, ao exortar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a soltar todos os seus reféns. As declarações do venezuelano e o agendamento da reunião indicam o fim de uma crise diplomática iniciada há duas semanas, quando o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe denunciou a presença das Farc na Venezuela.

Terça-feira, 10 de agosto - Depois de um fim de semana de negociações de seus chanceleres, o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, agendaram um encontro no histórico balneário de Santa Marta, no Caribe colombiano. Além de tratar do reatamento das relações entre os dois países, suspensas desde 22 de julho, a reunião servirá para que o presidente Santos defina sua estratégia contra a guerrilha. Além da questão da segurança e da cooperação da Venezuela para tentar evitar que Chávez dê guarida às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Santos vai tratar do comércio entre os dois países.

Quarta-feira, 11 de agosto - Após mais de quatro horas de reunião, os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez, anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países após um encontro na cidade colombiana de Santa Marta. Chávez havia cortado as relações em 22 de julho, após a Colômbia denunciar a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano. “É algo que temos de celebrar”, disse Santos. “Decidimos virar a pagina e pensar no futuro de nossos povos e países.” Chávez também estava exultante. “Como diria Bolívar, colocamos a pedra fundamental em nossa nova relação”, respondeu o venezuelano.

Quinta-feira, 12 de agosto - A mudança radical no discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em relação à Colômbia não foi movida apenas por um desejo de paz. A recessão na economia local, a proximidade das eleições legislativas e a forte pressão internacional levaram Chávez a ceder no encontro com seu colega colombiano, Juan Manuel Santos, terça-feira, em Santa Marta, segundo analistas ouvidos pelo Estado. Depois de ter congelado as relações com a Colômbia, em julho de 2008, e rompido os laços diplomáticos, um ano depois, Chávez surpreendeu ao dizer, na terça-feira, que estava relançando “a pedra fundamental da relação entre os dois países”, após uma conversa de quatro horas com Santos.

Sexta-feira, 13 de agosto - Menos de uma semana depois da posse do presidente Juan Manuel Santos, a Colômbia foi atingida por um atentado a bomba contra o prédio onde ficam a Rádio Caracol e a sede local da agência EFE, no centro de Bogotá. O ataque – que deixou 18 feridos, mas não provocou mortes – esfriou as esperanças de trégua imediata no conflito que castiga os colombianos há 46 anos. De acordo com a polícia, um Chevrolet Swift carregado com 50 quilos de explosivos foi detonado por celular diante do edifício de 12 andares, às 5h30 (7h30 em Brasília).

Sábado, 14 de agosto - Após anos de adiamentos, a Rússia começará a abastecer com urânio o reator da usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã. O processo, que levará de duas a três semanas para ser concluído, é um passo-chave para a ativação do reator, apesar de que ele ainda não será considerado operacional.

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Confira as principais notícias internacionais publicadas no Estado durante a semana que passou.

Domingo, 25 de julho - O presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, já sabia que melhorar as relações com Caracas seria uma tarefa árdua quando fez dessa uma de suas promessas de campanha. O desafio multiplicou-se, porém, após Hugo Chávez romper relações diplomáticas com Bogotá, na quinta-feira, em resposta a uma denúncia feita na Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo atual presidente colombiano, Álvaro Uribe. O incidente fez crescer na Colômbia a impressão de que há fissuras na relação entre Santos e Uribe. Ou ao menos importantes diferenças e incompatibilidades no estilo de ambos, apesar de Santos, ex-ministro da Defesa, ser visto como herdeiro político do atual presidente.

Segunda-feira, 26 de julho - O presidente Hugo Chávez ameaçou cortar o fornecimento de petróleo venezuelano para os EUA caso a Colômbia ataque a Venezuela. A ameaça é consequência da tensão crescente que levou ao rompimento das relações diplomáticas entre os dois vizinhos, na quinta-feira, e mais uma resposta de Chávez às acusações feitas por Bogotá de que Caracas esconde guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Terça-feira, 27 de julho - Constrangidos e irritados, assessores da Casa Branca tentavam conter os danos políticos e militares causados pelo vazamento, no domingo, de 92 mil documentos militares secretos sobre a guerra no Afeganistão, reunidos pelo site WikiLeaks. O Departamento de Defesa qualificou a divulgação de “ato criminoso” e disse que estava lançando uma “caçada” para encontrar o responsável pelo vazamento.

Quarta-feira, 28 de julho - Dois dias depois do vazamento de 92 mil documentos militares secretos sobre a guerra no Afeganistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou que o material “não revelou nada que não tenha sido antes informado ou publicamente debatido”. Numa tentativa de mudar o eixo das discussões, Obama insistiu que a estratégia americana não vai mudar e pressionou os líderes do Congresso a aprovarem a suplementação de verba de US$ 37 bilhões para as tropas americanas no Afeganistão e no Iraque.

Quinta-feira, 29 de julho - Os EUA deram o primeiro sinal de que podem voltar a negociar com o Irã um acordo de troca de urânio enriquecido a 3,5% por combustível nuclear. O porta-voz do Departamento de Estado, Phillip J. Crowley, afirmou que uma reunião será agendada nas próximas semanas entre o Irã e o P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha) para retomar as conversas com base no acordo de outubro de 2009. A resposta do Irã não foi direta. Coube ao chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, informar que Teerã se dispõe a parar com o processo de enriquecimento de urânio a 20%, nível necessário para a fabricação de combustível nuclear para reatores de pesquisa, se um acordo definitivo for fechado.

Sexta-feira, 30 de julho - Por meio de uma nota oficial de sua presidência, o colombiano Álvaro Uribe criticou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, por ter tratado a crise entre Bogotá e Caracas como “um caso de assunto pessoal”. No comunicado, um meio pouco comum para a comunicação entre os dois países, Uribe diz que “deplora” a visão de Lula sobre o caso. “O presidente da Colômbia deplora que o presidente Lula, com quem temos cultivado as melhores relações, refira-se à nossa situação com a Venezuela como se fosse um caso de tema pessoal”, afirma a nota. Segundo o texto, Lula mostra, com suas declarações, que ignora “a ameaça que representa para a Colômbia e o continente a presença dos terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Venezuela”.

Sábado, 31 de julho -O líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Guillermo León Sáenz, conhecido como “Alfonso Cano”, pede o diálogo ao presidente eleito Juan Manuel Santos, que assumirá o poder no dia 7. “O que estamos propondo de novo é que conversemos. Seguimos empenhados em buscar saídas políticas. Queremos que o governo reflita e não engane mais o país ”, afirmou Cano, em um vídeo de 36 minutos gravado neste mês e difundido pela TV árabe Al-Jazira.

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As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) divulgaram nesta sexta-feira, 30, um vídeo com o líder da guerrilha, Alfonso Cano, no qual pedem diálogo ao governo do presidente eleito do país, Juan Manuel Santos. 

O vídeo foi divulgado no You Tube, no canal da revista Resistência, ligada à guerrilha. O material de cerca de meia hora foi dividido em três blocos. No segundo Cano se dirige a Santos e defende o diálogo, pedindo o fim do acordo militar com os EUA .

link Assista a primeira parte do vídeo. (em espanhol).

linkSegunda parte do vídeo

linkTerceira parte do vídeo

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