SÃO PAULO – A correspondente do Estado em Pequim, Claudia Trevisan, comenta o clima político no país às vésperas do congresso do Partido Comunista, que definirá a partir da próxima semana a mais ampla mudança na cúpula de poder em uma década. Assista ao vídeo abaixo, que foi transmitido ao vivo pela ferramenta Hangout, do Google.
Segunda maior economia do mundo, a China enfrenta enormes desafios enquanto o PC define seus novos dirigentes para os próximos 10 anos. Questões como a censura e a falta de liberdade de escolha política no país se contrapõem a cifras como os 400 milhões de chineses que deixaram a pobreza nos últimos anos ou o salto econômico do país, que em 2002 era a 6ª economia do mundo. Com 82 milhões de integrantes, o PC chinês luta para encontrar legitimidade dentro de uma população de 1,3 bilhão de pessoas.
O Partido se envolveu em uma série de escândalos em 2012, ano que, como escreveu a correspondente do Estado, os líderes chineses gostariam de esquecer. O Congresso, a partir do dia 8, vai reunir 2.270 delegados do Partido e deve durar uma semana. As autoridades adotaram medidas extremas de segurança para evitar críticas ou manifestações que tumultuem o congresso. Segundo a correspondente, prisão domiciliar foi imposta a vários dissidentes, enquanto outros receberam ordens para deixar Pequim e só voltar à capital depois do encerramento do encontro.
Em uma inovação em relação aos eventos anteriores, os motoristas de táxis foram orientados a circular com portas travadas e janelas fechadas. Para isso, tiveram de remover as manivelas que sobem e descem os vidros para evitar que eventuais opositores do regime joguem nas ruas folhetos com críticas ao partido ou ao governo. Os taxistas também receberam ordens de não trafegar em áreas de “importância política”, a mais óbvia das quais é a Praça Tiananmen, sede do Grande Palácio do Povo, onde o congresso será realizado.
SÃO PAULO – A correspondente do Estado em Pequim, Claudia Trevisan, participa na manhã desta sexta-feira, 2, de um Hangout (ferramenta de bate-papo do Google) para comentar o clima político no país às vésperas do congresso do Partido Comunista, que definirá a partir da próxima semana a mais ampla mudança na cúpula de poder em uma década. O Hangout começa às 11h (horário de Brasília). Acompanhe pelo Radar Global.

Taxistas na China foram obrigados a tirar manivelas das janelas para evitar panfletagem
Segunda maior economia do mundo, a China enfrenta enormes desafios enquanto o PC define seus novos dirigentes para os próximos 10 anos. Questões como a censura e a falta de liberdade de escolha política no país se contrapõem a cifras como os 400 milhões de chineses que deixaram a pobreza nos últimos anos ou o salto econômico do país, que em 2002 era a 6ª economia do mundo.
Com 82 milhões de integrantes, o PC chinês luta para encontrar legitimidade dentro de uma população de 1,3 bilhão de pessoas. O Partido se envolveu em uma série de escândalos em 2012, ano que, como escreveu a correspondente do Estado, os líderes chineses gostariam de esquecer. O Congresso, a partir do dia 8, vai reunir 2.270 delegados do Partido e deve durar uma semana.
As autoridades adotaram medidas extremas de segurança para evitar críticas ou manifestações que tumultuem o congresso. Segundo a correspondente, prisão domiciliar foi imposta a vários dissidentes, enquanto outros receberam ordens para deixar Pequim e só voltar à capital depois do encerramento do encontro.
Em uma inovação em relação aos eventos anteriores, os motoristas de táxis foram orientados a circular com portas travadas e janelas fechadas. Para isso, tiveram de remover as manivelas que sobem e descem os vidros para evitar que eventuais opositores do regime joguem nas ruas folhetos com críticas ao partido ou ao governo. Os taxistas também receberam ordens de não trafegar em áreas de “importância política”, a mais óbvia das quais é a Praça Tiananmen, sede do Grande Palácio do Povo, onde o congresso será realizado.
O site China Daily Show, de sátiras ao regime de Pequim, usou o escândalo sobre a fortuna do primeiro-ministro, Wen Jiabao, como inspiração para dizer que o assunto era óbvio para a população. O caso levou a China a censurar o site do jornal The New York Times, que revelou valores próximos a US$ 2,7 bilhões como o patrimônio de Wen.
O China Daily Show, por sua vez, publicou uma “matéria” dizendo ter encontrado o único chinês que ainda se espantou com a revelação do jornal americano. O texto da paródia diz que “antropólogos afirmaram ter encontrado um homem que manifestou espanto com as revelações recentes sobre a riqueza da família de Web Jiabao em um vilarejo chinês”.
Em outro trecho, o material satírico cita um falso cientista dizendo que “o próximo passo é encontrarmos o Pé Grande”. Criado em 2010, o China Daily Show é feito por chineses, mas fica hospedado em um servidor americano.
O site tem seções como “Baijiu Nights” (Noites de Baijiu), uma referência à aguardente chinesa destilada de sorgo, e “Foreign Chaos” (Caos Externo), para histórias falsas sobre o mundo fora da China.
NEATORAMA
Artista usa moedas ‘abandonadas’ como telas
A artista plástica americana Jaqueline Lou Skaggs “adotou” moedas de US$ 0,01 abandonadas e deu a elas uma nova função. Jaqueline usou as moedas como telas para pinturas com temas diversos. A série de 12 pinturas inclui retratos de época, naturezas mortas e cenas do cotidiano dos Estados Unidos. A ideia inicial da artista era recolocar o dinheiro em circulação com as pinturas, mas o trabalho acabou virando exposição.
LIVE SCIENCE
Acampamento romano é achado na Alemanha
Arqueólogos anunciaram ter encontrado indícios de um acampamento construído pelo império romano na Alemanha. O “novo” local de concentração de tropas teria sido utilizado como uma das bases para a conquista da Gália por Júlio César.
WTSP
Chineses fazem concurso de ‘miss’ para peixes
A cidade de Fuzhou, na Província chinesa de Fujian, sedia o primeiro concurso internacional de beleza para peixinhos dourados. A competição reuniu participantes de 14 países – incluindo um representante brasileiro. O vencedor pesava 1,7 kg.
MINNEAPOLIS STAR
Exército testa coletes à prova de balas femininos
O exército dos Estados Unidos começou testes com modelos femininos de coletas à prova de balas. Os modelos foram projetados após reclamações das mulheres que integram as forças armadas. Os primeiros exemplares serão enviados para o Afeganistão.
THE NEW YORK TIMES
China retira barbatanas dos cardápios oficiais
O governo chinês baniu a sopa de barbatana de tubarão dos cardápios de banquetes oficiais. As autoridades não poderão mais servir a iguaria que é apontada como responsável por uma matança indiscriminada de animais. A nova medida, no entanto, só deve alcançar seu efeito prático completo em um prazo de cerca de três anos.
THE TELEGRAPH
Professora bêbada aplica prova de 23 horas
Landysh Zaripova, uma professora da Universidade Federal de Kazan, na Rússia, aplicou uma prova oral com duração de 23 horas aos alunos. Indignados, os estudantes relataram que Landysh deixava o local com frequência para beber em uma sala ao lado.
AP
Homem rouba dentes de Johannes Brahms
A polícia de Viena investiga um homem que teria violado o túmulo do compositor Johannes Brahms e roubado dentes dos restos mortais. O ladrão também é suspeito de cometer um roubo semelhante no túmulo do filho de Johan Strauss Jr.
TNT
Indiano é processado por explicar ‘milagre’
O indiano Sanal Edamaruku, líder de um grupo de céticos no país, responde a processo e pode ser preso desvendar um “milagre” em uma igreja de Vile Parle. Edamaruku descobriu que uma imagem “chorava” por causa de um vazamento na parede.
Expurgo de importante governador pode ser o início de mudanças pelas quais a China deve passar com urgência
JONATHAN FENBY
THE NEW YORK TIMES
A poeira ainda não assentou sobre o dramático caso de Bo Xilai na China. Na realidade, talvez isso nunca aconteça, apesar de um informe de Pequim no qual o Partido Comunista anuncia a decisão de suspender Bo e a prisão de sua esposa. Faz 41 anos desde que a fulgurante figura da política chinesa, Lin Piao, considerado o sucessor de Mao, caiu em desgraça e morreu num acidente aéreo depois de uma aparente tentativa de golpe e ainda não sabemos exatamente o que aconteceu na época.
Mas entre os boatos de uma tentativa de golpe e as divisões do Politburo, além da morte em circunstâncias obscuras de um empresário britânico na antiga fortaleza de Bo, começam a aparecer importantes elementos que provavelmente terão um peso considerável para entender a evolução do último grande país governado pelo Partido Comunista.
Este ano assinalará o começo de uma significativa transição na liderança política da China, no congresso quinquenal do Partido Comunista (provavelmente em outubro) que se reunirá para escolher um novo Politburo. Pelo menos seis dos nove membros atuais do organismo supremo do partido, o Comitê Permanente, serão substituídos por terem atingido a idade limite para exercer o cargo. A demissão de Bo Xilai foi considerada uma bomba que subverteu o processo.
E isso não deixa de ser verdadeiro. Ambicionando tornar-se membro do Comitê Permanente, Bo, um expert em comunicações, tornara-se uma personalidade da política chinesa com propostas populistas de apelo para o grande público, de uma evolução do Estado de cima para baixo, de programas sociais, uma cruzada contra a criminalidade e a evocação dos antigos valores, obrigando as pessoas a cantar “hinos vermelhos”. Bo mandou também erguer uma estátua de Mao de oito andares de altura na cidade universitária. Por isso, o drama de sua queda ganhou naturalmente as manchetes. Mas ao mesmo tempo produziu uma maior estabilidade no topo porque as principais facções cerraram fileiras.
Bo não se coadunava com a estratégia do consenso utilizada pelo líder do partido, que hoje está prestes a sair, Hu Jintao. Sua base de poder em Chongqing, com 32 milhões de habitantes, fazia com que ele parecesse uma versão política dos caudilhos regionais que governaram a China na década de 20. Era um político de enormes ambições que mais cedo ou mais tarde seria derrubado, e quando permitiu que a saga ainda misteriosa envolvendo um ex-chefe de polícia de Chongqing com a morte do empresário britânico escapasse do controle, seu destino foi selado.
A China está às voltas com uma grave crise ambiental e uma aguda escassez de água está se ampliando no norte do país. Pequim carece de uma política externa coerente. A corrupção grassa. As regulamentações e as normas de segurança são fracas. Há uma enorme falta de confiança nas instituições. A queda da taxa de natalidade e o aumento da longevidade indicam que a demografia passará por uma mudança ao longo desta década, de modo que os membros da República Popular poderão se tornar cada vez mais longevos antes de se tornar ricos. O materialismo derrubou ao mesmo tempo o comunismo e o confucionismo. Os monges e as freiras tibetanas estão se imolando para protestar contra o governo chinês e há constantes confrontos étnicos.
Todos reconhecem a necessidade de reequilibrar a excessiva dependência da economia dos investimentos em infraestrutura e no setor imobiliário, além das exportações, e de fazer com que ela se volte para o consumo interno. Os reformadores enfrentam uma formidável oposição. Wen e Li talvez falem de mudança, mas o Partido Comunista é mais poderoso do que o governo e o movimento outrora revolucionário tornou-se um agente da situação. As empresas estatais exercem monopólios ou oligopólios estreitamente ligados ao sistema político. O governo de consenso impede a adoção de medidas rigorosas.
A evolução desse processo determinará se a China encontrará um futuro por si mesma ou se tornará enredada nas consequências do seu sucesso. O resultado terá importantes implicações para o globo. Se a queda de Bo ajudou a abrir as portas da mudança, terá sido de certo modo benéfica. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
EX-DIRETOR DOS JORNAIS THE OBSERVER E THE SOUTH CHINA MORNING POST

Ao afastar do poder Bo Xilai e seu modelo regional de capitalismo de Estado, o Partido Comunista busca conter o risco de instabilidades econômica e política de uma só vez
STEPHEN S. ROACH
PROJECT SYNDICATE
O conceito fundamental que aprendi quando comecei a me concentrar no estudo da China, no final dos anos 90, é que nada é mais importante para os chineses do que a estabilidade – a estabilidade econômica, social ou política.
Considerando os séculos de turbulências desse país, os líderes de hoje farão tudo o que estiver em seu poder para preservar a estabilidade. Sempre que tenho alguma dúvida a respeito de uma possível mudança política chinesa, examino as opções pela lente da estabilidade. Sempre funcionou como um talismã.
A estabilidade era a preocupação de todos os participantes no Fórum sobre o Desenvolvimento da China (CDF, na sigla em inglês), o evento anual que ocorreu na semana passada em Pequim.
Organizado pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, com a participação de muitos ministros do Conselho de Estado, o CDF é a conferência internacional mais importante do país. Dois dias antes da abertura, o controvertido Bo Xilai foi demitido do cargo de secretário do partido de Chongqing. A demissão de Bo, forte candidato a ingressar no Comitê Permanente do Politburo, o órgão mais poderoso da liderança chinesa, foi algo espantoso. Havia um zumbido palpável no ar quando nos reunimos no Hotel Diaoyutai State.
As sessões formais terminaram de forma previsível, com uma grande ênfase na futura transformação estrutural do modelo de crescimento da China – uma guinada colossal do poderoso crescimento com base nas exportações e nos investimentos dos últimos 32 anos, para um modelo mais dinâmico voltado para o consumo interno. Como disse um participante: “O debate mudou. O que importa não é mais o que fazer, e sim quando fazer”.
Muitos dos outros temas foram uma decorrência dessa conclusão geral. Destacou-se a nova estratégia voltada para o crescimento impulsionado pelos serviços e o desenvolvimento com base na inovação. Ao mesmo tempo, houve considerável preocupação com o recente renascimento das empresas estatais, o que fez com que a distribuição da renda nacional pendesse do trabalho para o capital – um dos principais impedimentos do reequilíbrio da China em favor do consumo. O Banco Mundial e o Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento da China (que patrocinaram o CDF) acabavam de divulgar um relatório abrangente que tratava de muitos aspectos dessa questão crítica.
As atividades formais da CDF nem sequer acenaram para o elefante nos salões do Diaoyutai. Não houve uma referência a Bo Xilai e ao significado de sua saída do cenário da política interna da China neste ano crucial de transição. Embora seja fácil deixar-se envolver nas histórias e intrigas palacianas que se seguiram, desconfio que a saída de Bo tem um significado muito mais profundo.
Instabilidade. As autoridades chinesas enfrentavam o risco de uma perigosa interação da instabilidade política e da política econômica. Afetada por um segundo choque da demanda externa em três anos – o primeiro, com a crise subprime dos EUA, e agora com a crise da dívida soberana da Europa – qualquer surto de instabilidade política interna representaria uma ameaça muito maior do que se poderia supor.
Bo personificava esse risco. Ele incorporava o chamado “modelo Chongqing” de capitalismo de Estado que foi se impondo na China nos últimos anos – a urbanização controlada pelo governo e o desenvolvimento econômico que concentra o poder nas mãos dos líderes regionais e nas empresas estatais.
Passei algum tempo em Chongqing – uma imensa área metropolitana de mais de 34 milhões de pessoas – no verão passado. Fiquei pasmo com a dimensão dos projetos para a cidade. Orquestrado pelo prefeito Huang Qifan, o principal arquiteto do espetacular projeto de desenvolvimento do aeroporto de Pudong em Xangai, o objetivo é transformar a área de Liangjiang de Chongqing na primeira zona de desenvolvimento urbano no interior do país. Com isso, Liangjiang se colocaria no mesmo nível dos dois projetos anteriores localizados no litoral da China, que servem de modelo – Pudong e a área de Binhai de Tianjin.
Entretanto, esse é o mesmo modelo de desenvolvimento dominado pelo Estado que foi energicamente criticado no CDF deste ano – e contrasta consideravelmente com a alternativa mais voltada para o mercado que ganhou amplo consenso entre os líderes chineses do mais alto escalão.
Em outras palavras, Bo foi visto não apenas como uma ameaça à estabilidade política, mas também como o principal representante de um modelo de instabilidade econômica. Com a repentina demissão de Bo, o governo, de fato, evidenciou seu compromisso inabalável com a estabilidade.
Isso se encaixa com outra curiosa peça do quebra-cabeça chinês. Há cinco anos, Wen advertiu que a economia chinesa corre o risco de se tornar “instável, desequilibrada, descoordenada e insustentável”. Tenho ressaltado reiteradamente a importância desse conceito na formulação da estratégia voltada para o consumo da China do futuro. A crítica de Wen preparou o caminho para o país enfrentar os imperativos do seu reequilíbrio daqui para a frente.
Em suas observações formais no CDF deste ano, os líderes chineses – incluindo o primeiro-ministro designado Li Keqiang – abandonaram todas as referências explícitas aos riscos de uma economia chinesa “instável”.
Na China, tais mudanças de linguagem não são acidentais. A interpretação mais provável é que os membros do mais alto escalão não querem mais fazer qualquer concessão em matéria de estabilidade.
Solucionando o problema da instabilidade econômica por meio do reequilíbrio em favor do consumo, e da instabilidade política com o afastamento de Bo, a estabilidade deixou de ser um fator de risco para se tornar um compromisso inquebrantável.
A mensagem fundamental da China neste momento é inconfundível. Seus líderes são os primeiros a reconhecer que sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento se encontra num ponto crítico. E temem que as “reformas e a abertura” de Deng Xiaoping corram o perigo de perder impulso. Solucionando o problema da interação entre os riscos econômicos e os riscos políticos para a estabilidade, o governo prepara o caminho para o próximo estágio do extraordinário desenvolvimento chinês. Não aconselho ninguém a menosprezar o seu compromisso de atingir esse objetivo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
É EX-CHAIRMAN DO MORGAN STANLEY ASIA E O PRINCIPAL ECONOMISTA DA COMPANHIA, E ATUALMENTE É PESQUISADOR SÊNIOR DO INSTITUTO JACKSON DE NEGÓCIOS GLOBAIS DA JACKSON UNIVERSITY E CONFERENCISTA SÊNIOR DA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE YALE. SEU LIVRO MAIS RECENTE INTITULA-SE ‘THE NEXT ASIA’
A mais importante relação bilateral do mundo começou a ser construída há 40 anos, quando o republicano e então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon foi recebido em Pequim pelo líder comunista Mao Tsé-tung, em um encontro que surpreendeu o mundo e abriu caminho para a futura integração da China à economia capitalista.
Veja também:
DE PEQUIM: De volta ao mundo, China se modernizou
BLOG DO ARQUIVO: O aperto de mão que redefiniu o mundo
GALERIA: As imagens do encontro histórico
ESPECIAL: Pingue-pongue de Mao e Nixon faz 40 anos
Veja abaixo algumas capas do ‘Estado’ com notícias sobre o encontro:
A mais importante relação bilateral do mundo começou a ser construída há 40 anos, quando o republicano e então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon foi recebido em Pequim pelo líder comunista Mao Tsé-tung, em um encontro que surpreendeu o mundo e abriu caminho para a futura integração da China à economia capitalista.
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DE PEQUIM: De volta ao mundo, China se modernizou
BLOG DO ARQUIVO: O aperto de mão que redefiniu o mundo
MEMÓRIA: As capas do ‘Estado’ contam a história
ESPECIAL: Pingue-pongue de Mao e Nixon faz 40 anos
Veja fotos do encontro entre Mao e Nixon:

Disfarçado em regulamentação de prisão domiciliar, artigo legalizará detenções secretas e ‘desaparecimentos’ de inimigos do governo
NICHOLAS BEQUELIN, THE NEW YORK TIMES, É PESQUISADOR SÊNIOR SOBRE A ÁSIA NA HUMAN RIGHTS WATCH
Será que a polícia da China está esbarrando em dificuldades por não dispor de poder suficiente para prender os suspeitos de atentar contra a segurança nacional? O que parece uma pergunta estranha para quem está de fora, considerando a notória amplitude da conotação do termo segurança nacional no sistema de partido único da China, na realidade é o ponto central de uma das mais intensas batalhas políticas que se trava nos bastidores do país antes da transição da liderança, em outubro, do presidente Hu Jintao para o seu provável sucessor Xi Jinping.
O ponto nevrálgico dessa batalha está num conjunto de revisões que vêm sendo introduzidas há tempos no Código de Processo Penal, que deverá ser adotado no próximo mês, na última sessão anual do plenário do Congresso Nacional do Povo no governo de Hu.
As facções mais progressistas do Partido Comunista e do governo consideram as reformas legais parte integrante da modernização da China. Elas acreditam no princípio de que é do interesse de todos ampliar o estado de direito e julgam a reforma do código penal visando proporcionar o direito ao processo devido, como preveem as normas internacionais, uma parte fundamental dessa iniciativa.
O outro campo é constituído pelo poderoso aparato da segurança montado pelos elementos conservadores e radicais do partido e do governo. Essa facção tornou-se cada vez mais poderosa desde que foi encarregada das funções básicas da segurança nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Para esse grupo, a lei é meramente instrumental – um instrumento do poder do Estado – e não deve ser alterada para delegar poderes aos cidadãos, reduzindo a autoridade do partido. Seus integrantes radicais acreditam que é crucial permitir que as forças de segurança cuidem sem perder tempo das ameaças à interpretação mais ampla possível da segurança nacional e da ordem pública.
Ambas as partes deixaram sua marca na redação do novo código penal.
Os reformistas incluíram dispositivos que preveem o imediato acesso a um advogado e à proteção contra as confissões extraídas mediante coerção. Os procedimentos serão mais rigorosos nas ações que envolvem pena de morte e interrogatório de testemunhas – e excluirão provas obtidas sob tortura. Jovens infratores e réus mentalmente doentes receberão maior proteção. SE implementada – evidentemente um SE maiúsculo – esta reforma constituiria um progresso considerável.
Mas o aparato de segurança também obteve o que queria. Disfarçado em regulamentação da chamada “prisão domiciliar”, o Artigo 73 da lei agora revista, na verdade, legalizará detenções secretas e “desaparecimentos” de pessoas que o governo vê como riscos políticos.
Graças a isso será consagrada uma prática que recentemente foi usada contra o artista Ai Weiwei, o advogado Gao Zhisheng e o Nobel da Paz Liu Xiaobo. Até o momento, esses sequestros eram tecnicamente ilegais.
O artigo 73 permitirá à polícia prender secretamente por até seis meses cidadãos suspeitos de “pôr em risco a segurança do Estado” ou “terrorismo” – duas acusações vagas que há muito são manipuladas pelo governo para reprimir dissidentes, defensores dos direitos humanos, militantes da sociedade civil e separatistas tibetanos e uigures.
Ainda mais estarrecedor é que essas prisões secretas se realizarão em locais controlados pela polícia fora das casas de detenção normais, aumentando consideravelmente a probabilidade de maus-tratos. Gao Zhisheng, por exemplo, foi torturado enquanto estava nessas prisões.
Quando o projeto de lei foi divulgado pela primeira vez para consulta pública, em meados do ano passado, houve uma onda inusitada de protestos violentos na imprensa chinesa, na internet e nos círculos legais. O movimento de defesa dos direitos humanos da China, em particular, expressou unanimemente o alarme com o que Hu Jia – um dos militantes chineses mais conhecidos e veterano da “prisão domiciliar” – definiu como “a cláusula da KGB”.
Por que a liderança da China considerou a possibilidade de conceder maiores poderes aos serviços de segurança, quando isto implicará em lançar no descrédito o que poderia ter sido uma importante reforma? Um dos motivos é que, diariamente, ocorrem na China de 200 a 300 manifestações de protesto. O comparecimento a estes protestos varia de menos de uma dezena de pessoas a dezenas de milhares. Os manifestantes são motivados por uma lista enorme de questões trabalhistas, ambientais e de mera subsistência, às quais se somam corrupção e abusos de poder, principalmente por parte das autoridades locais. Incapazes de levar suas queixas aos tribunais, as pessoas começaram a levá-las às ruas.
Frequentemente, só a polícia se coloca entre “as massas” e o partido.
Em segundo lugar, a liderança está cada vez mais preocupada com a possibilidade de perder a batalha contra a disseminação dos “valores globais” entre os cidadãos – na China, o código dos direitos humanos, o estado de direito e a liberdade de expressão. A linha-dura acredita que precisa do poder de tirar os dissidentes e os críticos de circulação. A legalização dos “desaparecimentos” será apenas o instrumento.
Resta ver se Xi Jinping e a nova liderança se mostrarão mais inclinados do que Hu a dirimir os temores do público e a empreender as reformas. Mas se os serviços de segurança consolidarem ainda mais o seu poder, poderão constituir um obstáculo ainda maior para as reformas.
A ascensão da facção que tem como base de seu poder a defesa da segurança nacional é uma das tendências mais nefastas na China.
Quer o Artigo 73 seja adotado, quer não, ele será um sinal significativo do avanço da China rumo ao estado de direito ou à consolidação da supremacia do Estado policial.
TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
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2009
2005