O País poderia dar o exemplo acabando com seu programa de enriquecimento de urânio, medida que ajudaria na obtenção de uma vaga permanente no Conselho de Segurança
BERNARD ARONSON
THE NEW YORK TIMES
Dizem que o Brasil é o país do futuro – e sempre será. Mas quando a presidente brasileira, Dilma Rousseff, visitar a Casa Branca na próxima semana, ela virá como a líder de um país cujo futuro já chegou. Com suas imensas descobertas do pré-sal e os enormes investimentos estrangeiros no país, a economia brasileira, que vem crescendo duas vezes mais rápido do que a americana, já superou a da Grã-Bretanha e tornou-se a sétima maior do mundo (segundo a Economy Watch). Como membro do G-20 e anfitriã da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, o Brasil hoje é um líder global emergente.
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Mas há uma área em que o país tem uma oportunidade de liderar, mas tem desapontado: impedir a propagação das armas nucleares. O Brasil deveria tomar uma decisão corajosa de pôr fim, voluntariamente, ao seu programa de enriquecimento de urânio e insistir que outras nações, incluindo o Irã, sigam seu exemplo.
O Brasil surgiu como uma força no campo da não proliferação. Em 2001, voluntariamente, pôs suas usinas nucleares à disposição dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e, posteriormente, aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Mas, em 2004, o país, que abriga a quinta maior reserva de urânio do mundo, proclamou que os Estados têm o “direito inalienável” de enriquecer urânio para “fins pacíficos”. Construiu, então, uma usina de enriquecimento e defrontou-se com a AIEA durante mais de um ano, antes de autorizar o acesso aos inspetores da agência.
O Brasil diz que seu programa de enriquecimento de urânio tem objetivos pacíficos e não há razão para duvidar disso. O TNP permite a seus signatários produzir urânio enriquecido para seus reatores de pesquisa e comerciais, armazenar combustível radioativo e reprocessar o combustível usado desde que todas as usinas nucleares se submetam a uma inspeção da AIEA.
A grande falha está no fato de que as mesmas instalações nucleares que enriquecem urânio para fins pacíficos também podem ser usadas para enriquecer urânio destinado à fabricação de armas nucleares. E o combustível reprocessado dos reatores com fins pacíficos produz plutônio, que pode ser usado para bombas atômicas. Explorando essa “brecha no TNP no tópico que trata do enriquecimento”, a Coreia do Norte desenvolveu um programa secreto para reprocessar o combustível utilizado, retirou-se do tratado e, logo depois, fabricou armas nucleares. O Irã está tentando fazer o mesmo.
Dos países que hoje operam ou estão construindo reatores de pesquisa ou centrais nucleares para geração de energia, nos termos do TNP, mais de 40 têm capacidade para fabricar armas nucleares explorando essa “brecha”. Se o Irã desenvolver sua base nuclear, poderá, como o presidente Barack Obama tem alertado, exercer uma pressão inexorável sobre Arábia Saudita, Egito e Turquia para também produzirem armas nucleares.
Entre as nações em desenvolvimento, o Brasil está numa posição excepcional para tentar resolver o perigo da proliferação nuclear tendo em vista sua defesa histórica e nacionalista do enriquecimento de urânio.
Se o país renunciar ao seu direito de enriquecer urânio em nome da paz internacional, fechar suas usinas de enriquecimento, acolher uma antiga proposta das Nações Unidas para aceitar urânio enriquecido da AIEA e permitir que a agência cuide do reprocessamento do seu combustível usado – basicamente a mesma proposta feita ao Irã – e insistir que outros Estados que assinaram o tratado ajam da mesma maneira, isso transformaria o debate nuclear.
Uma nova posição do Brasil extinguiria o principal argumento do Irã, de que os Estados avançados possuidores de armas nucleares estão em busca de uma forma de “apartheid nuclear”. E isso possibilitaria ao Irã um modo de sair dignamente da situação e se aliar a outras nações num novo esforço multilateral para suspender o enriquecimento de urânio, em vez de sucumbir às ameaças e sanções ocidentais.
Finalmente, se o Brasil e outros países em desenvolvimento desistirem de enriquecer urânio, isso permitirá um novo esforço internacional para eliminar as brechas existentes no TNP com relação ao enriquecimento de urânio de maneira permanente, por meio das emendas necessárias.
Obstáculos existem. Grupos militares e comerciais poderosos têm interesse na continuação do programa de enriquecimento pelo Brasil e os nacionalistas brasileiros precisam ser acalmados. Assim, é vital que o Brasil seja visto como um país que está agindo por vontade própria, em vez de estar se submetendo às pressões de Washington.
Os EUA podem oferecer incentivos a portas fechadas. Obama está analisando propostas para reduzir o arsenal nuclear operacional americano em 30% ou mais. Hoje, o Brasil lidera um grupo de oito Estados não nucleares que pression as potências nucleares, incluindo os EUA, a comprometerem-se com os termos do tratado e adotarem medidas para um eventual desarmamento.
E, se houver um grande avanço nessa frente, o Brasil teria um grande mérito. O Congresso e a Casa Branca também poderão reexaminar as tarifas punitivas impostas sobre o etanol brasileiro, produto da cana-de-açúcar, o que obriga os americanos a depender do etanol do milho, mais caro, e eleva os preços globais dos alimentos.
Líder. Uma renúncia do seu direito de enriquecimento elevaria o Brasil, da noite para o dia, a uma posição de líder global no mais premente desafio à segurança enfrentado pela comunidade internacional.
A posição do Brasil, inevitavelmente, determinará o contexto para futuras discussões sobre a entrada do País no Conselho de Segurança da ONU na qualidade de membro permanente, posição há muito tempo ambicionada por Brasília.
No momento em que o mundo se depara com a perspectiva de uma guerra com o Irã, Dilma Rousseff tem a oportunidade de fazer uma proposta corajosa para ajudar a neutralizar a crise. Ela deve aproveitar. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
É ADMINISTRADOR DE FUNDOS DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA E EX-SECRETÁRIO ADJUNTO DE ESTADO PARA OS ASSUNTOS INTERAMERICANOS DE 1989 A 1993
Por Jamil Chade, correspondente em Genebra
GENEBRA – A entidade Conectas vai denunciar na ONU, na sexta-feira, 9, as “sérias violações de direitos humanos” no País e alertar que esses problemas são hoje os “pés de barro do Brasil potência”. Em declaração ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, a ONG vai escancarar a dupla realidade que vive o País: a sexta economia mundial, mas que “convive com práticas medievais, como tortura e superlotação em seu sistema carcerário e desrespeito aos povos indígenas”.
Entre as denúncias estarão as ações na Cracolândia em São Paulo e em Pinheirinho (São José dos Campos), exemplos da “criminalização da pobreza” e do uso excessivo da força policial, segundo a entidade. Em janeiro, a Conectas apresentou as denúncias à ONU, indicando casos de tratamento cruel e desumano, violação do direito de ir e vir e falta de acesso a serviços de saúde e habitação adequados.
Pontos positivos. Nos últimos anos, a crise nos países ricos tem feito o Brasil e outros emergentes surgir como pontos positivos no cenário internacional. A tendência também fez o Brasil buscar uma nova posição nos órgãos de decisão, alegando que agora vive uma nova realidade sócio-econômica. Para a Conectas, porém, a “ambição de grandeza no plano internacional convive com práticas bárbaras, como tortura e mortalidade materna”.
A iniciativa se soma a uma série de pressões e polêmicas que o governo vem tendo de enfrentar no que se refere aos direitos humanos. Nesta semana, a ONU criticou a lei de anistia, enquanto a questão da Comissão da Verdade ainda gera polêmica. A Conectas, porém, alertará que a questão da tortura continua sendo uma realidade, ainda que não usada políticamente. Segundo a entidade, a política brasileira de encarceramento massivo é marcada por “quase meio milhão de pessoas detidas, deficiências no acompanhamento dos casos de presos provisórios, superlotação, tortura e maus tratos sistemáticos”.
A entidade ainda denunciará “a adoção de um modelo de desenvolvimento que viola os direitos de comunidades vulneráveis, como no caso da construção da Usina de Belo Monte“. A ONH apontará como 24 povos indígenas serão afetados e como o Brasil “desrespeitou a solicitação dos mecanismos de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que, em abril de 2011, pediu a interrupção do projeto enquanto não fossem realizadas consultas prévias às comunidades afetadas”.
“São más notícias, mas elas são verdadeiras e precisam ser dadas para o mundo, com rigor e espírito construtivo”, disse Lucia Nader, diretora executiva da Conectas. “O Brasil da Copa e das Olimpíadas é o mesmo onde um quinto da população carcerária está presa de forma ilegal, onde há tortura, maus tratos e superlotação nas cadeias, onde a pobreza é criminalizada e os projetos de desenvolvimento atropelam povos indígenas”, disse.

A potência em ascensão da América do Sul está se afirmando; mas um grande poder traz sempre grandes responsabilidades
DAVID ROTHKOPF, FOREIGN POLICY, É ANALISTA DO CARNEGIE ENDOWMENT FOR INTERNATIONAL PEACE
Enquanto os Estados Unidos avançam de maneira hesitante para aceitar a nova realidade multipolar do mundo, dando um passo atrás para cada passo à frente, fazendo uma violação de soberania excepcional para cada esforço de colaboração em lugares como a Líbia, outros países estão trabalhando ativamente para estabelecer novas regras para todas as nações seguirem na nova era.
Entre os que estão na linha de frente desse esforço, contam-se a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e seu respeitadíssimo chanceler, Antonio Patriota.
O desafio que Dilma e Patriota enfrentam como servidores públicos é assustador. Cada um deles segue as pegadas de um formidável antecessor.
O desafio de Dilma é, admitidamente, muito maior e, de fato, para muitos, parece quase insuperável. Ela sucede a dois presidentes que foram, provavelmente, os mais importantes da história moderna de seu país, Fernando Henrique Cardoso, a quem é creditada a estabilização da economia brasileira após anos de volatilidade, e seu antecessor imediato, Luiz Inácio Lula da Silva, não somente seu mentor, mas um integrante do pequeno punhado dos líderes mundiais mais importantes da última década.
Já o antecessor de Patriota, Celso Amorim, foi também formidável, extremamente influente, e uma presença constante no cenário brasileiro e internacional. O desafios eram grandes para todo o governo de Dilma.
No entanto, após um ano no cargo, e apesar de enfrentar grandes desafios domésticos e internacionais, a presidente já alcançou um índice de popularidade superior ao de Lula num ponto equiparável de seu mandato.
E Patriota está dando continuidade com calma, e aos olhos de observadores próximos, com grande habilidade, ao trabalho desbravador de Amorim para estabelecer o Brasil como um líder entre as grandes potencias mundiais.
“Temos uma grande vantagem”, observa Patriota. “Não temos inimigos reais, nem lutas em nossas fronteiras, nem grandes rivais históricos ou contemporâneos entre as fileiras das potências mais importantes… e temos laços duradouros com muitas nações desenvolvidas e emergentes do mundo.” Essa é uma condição que não é desfrutada por nenhum dos outros Bric – China, Índia e Rússia – nem, aliás, por alguma grande potência tradicional do mundo. Essa posição incomum é fortalecida ainda mais pelo fato de o Brasil não estar investindo tão pesadamente quanto as outras potências ascendentes em capacidade militar. Aliás, como observou Tom Shannon, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o país é um dos poucos a efetivamente apostar seu futuro na aplicação sábia do chamado “poder brando” – diplomacia, alavancagem econômica, interesses comuns.
Não é por coincidência, aliás, que, em áreas que vão das mudanças climáticas ao comércio, da não proliferação nuclear ao desenvolvimento, o Brasil, sob o comando de Lula e Amorim e de Dilma e Patriota, vem ganhando força ao traduzir o crescimento consistente em casa e a diplomacia ativa no exterior em redes internacionais efetivas.
Mas o governo de Dilma também está rompendo com o passado. Enquanto Cardoso e Lula alcançaram a grandeza enfrentando e resolvendo alguns dos problemas mais ruinosos do passado brasileiro, da estabilização da economia ao enfrentamento da desigualdade social, Dilma, sem deixar de reconhecer o trabalho que resta a ser feito, concentrou sua atenção também na criação de oportunidades e num claro caminho para o futuro do Brasil. De seu foco em educação a seu compromisso com ciência e tecnologia passando por programas inovadores como “Ciência Sem Fronteiras”, ela está fazendo algo que nenhum líder latino-americano fez anteriormente, mas que se mostrou uma fórmula aprovada na Ásia.
Está comprometida em transformar o Brasil de economia baseada em recursos naturais e, portanto, dependente (o que significa dizer, vulnerável) a uma que conta mais para o crescimento futuro com as indústrias de valor agregado, a pesquisa e desenvolvimento, e a formação de mais cientistas e engenheiros.
Com base nisso, Patriota também está olhando para frente. Ele está indo além da era da política externa brasileira em que era inovador fazer o país olhar para fora de sua região e jogar um papel ativo nos assuntos globais, para um período, num futuro não muito distante, em que o Brasil, na condição de país com uma das cinco maiores economias e populações do mundo, de líder mundial em agronegócios e energia, assumirá sem hesitação que merece seu lugar à mesa.
Patriota esteve em Nova York por achar que um dos primeiros experimentos dessa era, a intervenção na Líbia sancionada pela ONU, saiu dos trilhos quando a missão autorizada pelas Nações Unidas de proteger o povo líbio foi deixada de lado pelas forças internacionais que intervieram tornando-se antes uma missão de mudança de regime. Ele não era nenhum admirador de Muamar Kadafi, que fique claro. Mas tem o sentimento inabalável de que, para a comunidade internacional operar de fato unida, ela precisa fazê-lo sob regras não só coletivamente estabelecidas, mas também coletivamente honradas.
Essa atitude provoca irritações, com certeza, em especial em países como os Estados Unidos que estão acostumados a operar segundo suas próprias regras. Essa é uma razão porque a iniciativa turco-brasileira de 2010 para costurar um acordo para desarmar a crise nuclear iraniana foi tão irritante para Washington. A medida, por mais ingênua que tenha parecido para alguns, antecipou o início de uma era em que potências regionais e emergentes, como Turquia com Síria ou China com Irã, são fundamentais para se alcançar os objetivos da comunidade internacional.
Patriota reconhece que os Estados Unidos, sob o comando de Barack Obama, e outras potências estabelecidas avançaram bastante para se adaptar a essa nova realidade. Dito isso, ele gostaria de ver Obama avançar mais. Por exemplo, os brasileiros estão entre as potências emergentes que pressionam por reformas reais na maneira como as instituições internacionais são conduzidas. Eles acham que a ordem pós-2.ª Guerra refletida na estrutura de poder do Conselho de Segurança da ONU e na concessão automática da liderança do Banco Mundial a um americano está obsoleta e que já é hora de alguma coisa que reflita as realidades do século 21 e seja mais consistente com os princípios democráticos sobre os quais essas instituições foram estabelecidas.
É difícil discordar dos brasileiros ou de outros sobre esses pontos. E a inconsistência mostrada pelo governo Obama nessa frente – oferecendo apoio a uma participação permanente indiana, mas não brasileira, no Conselho de Segurança, em certo momento parecendo simpático a uma abertura do principal cargo no Banco Mundial a um não americano, mais recentemente parecendo recuar dessa ideia – tem sido irritante e, eu diria, irrefletida.
O que Dilma e Patriota estão tentando fazer na frente internacional é, de fato, tão revolucionário quanto o que seus antecessores fizeram.
Eles compreendem que um multilateralismo bem-sucedido agora requer não só maior número de países, mas abertura a uma multidão de ideias.
Durante a Guerra Fria, o debate era binário: soviéticos ou americanos.
Em sua esteira houve a breve ilusão de que havíamos entrado num momento de fim da História em que uma filosofia de mercados e democracia liderada pelo Consenso de Washington adquiria uma espécie de status de monopólio no mercado das ideias. Mas depois vieram as tragédias gêmeas, frutos da arrogância, do Iraque e da crise financeira de 2008, a simultânea ascensão de novas potências como Brasil, China, Índia e outros – e entramos em uma nova era. Em meu livro, Power, Inc., eu me refiro ao lado econômico dessa era como um período de capitalismos concorrentes. Mas ele é também um período de filosofias políticas concorrentes sobre o papel, tanto do Estado, como das instituições internacionais. Nesse mundo, não só os Estados Unidos são apenas uma voz, mas são também uma voz enfraquecida que em cada evento será ouvida como a mera visão de menos de 5% da população do planeta. Ao mesmo tempo, outros terão de preencher o vazio criado pelo redimensionamento da influência americana. O Brasil está tentando fazê-lo e, é preciso notar, de uma maneira consideravelmente mais construtiva que a evidenciada por China e Rússia em seu desempenho pusilânime com respeito à Síria no Conselho de Segurança. Dito isso, as potências emergentes, o Brasil entre elas, precisam reconhecer que, neste novo mundo, se pretendem jogar papéis maiores, elas também terão de fazer escolhas duras e não simplesmente desconsiderar as questões complexas como problemas alheios ou fora do alcance do sistema internacional em evolução. Elas vão ter de aceitar cada vez mais que se as injustiças não forem contidas, os custos resultantes serão largados em suas portas.
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
A greve iniciada pela Polícia Militar de Salvador, na Bahia, em 31 de janeiro colocou a cidade em meio aos assuntos destacados pela imprensa internacional. A situação na capital baiana – com o aumento de crimes como assaltos, saques e assassinatos, o clima de extrema insegurança e agora o envio do Exército – foi notícia em jornais e agências de todo o mundo. Veja abaixo as informações publicadas recentemente por algumas dos principais veículos globais.
SÃO PAULO - A ocupação da Rocinha pela polícia foi assunto em jornais dos Estados Unidos, Europa e América Latina. A ausência de tiros e de violência na operação e a possibilidade de um cenário mais seguro durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas foram alguns dos aspectos mais destacados. Leia a seguir alguns exemplos.
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El País: “Rio de Janeiro fecha um ciclo com a ocupação da favela da Rocinha”
O jornal espanhol enfatizou o fato de que a polícia ocupou a Rocinha com um aparato de guerra, porém que não foi necessário disparar sequer um tiro. Além disso, questionou o fato de que, já que a ocupação foi pacífica, poderia ter sido feita antes. Mas elogiou que, com a ocupação, “fica definitivamente fechada a faixa de segurança das zonas no centro e no sul do Rio de Janeiro, áreas que serão as mais expostas ao turismo e ao escrutínio internacional nos próximos cinco anos”.
El Periódico: “Polícia toma a favela mais emblemática do Rio sem enfrentar resistência”
O jornal, também espanhol, destacou a operação pacífica e também abordou a falta de urbanização da favela, onde a ausência de estrutura faz com que “apenas 30% dos moradores recebam cartas”.
The Guardian: “Exército e polícia invadem favela para operação de limpeza”
O diário britânico também elogiou a ausência de tiros na operação. Destacou ainda as instalações com piscinas, jacuzzis e churrasqueiras nas casas luxuosas dos traficantes, em meio à miséria da favela.
New York Times: “Autoridades tomam o controle da maior favela do Rio”
A preocupação da comunidade com uma possível ação violenta da polícia durante a ocupação foi um dos assuntos destacados pelo jornal norte-americano New York Times. O jornal explicou que a iniciativa pacífica foi possível devido a meses de trabalho de inteligência da polícia e também graças à prisão de Antônio Bonfim Lopes “o senhor das drogas conhecido por ‘Nem’, que efetivamente controlava a Rocinha”.
The Washington Post: “Polícia brasileira toma o controle da maior favela do Rio para trazer segurança antes da Copa e das Olimpíadas”
O jornal norte-americano disse que os esforços para pacificar a “maior favela do Brasil” vão ao encontro da estratégia do país de “se consolidar como uma potência econômica, política e cultural”. Enfatizou ainda a preocupação dos moradores com relação à situação da favela nos próximos meses.
Le Monde: “Polícia ocupa a favela mais emblemática do Rio”
Na matéria sobre a ocupação, o jornal francês enfatizou em seu blog que as favelas da Rocinha e do Vidigal são mais urbanizadas do que outras da cidade, devido ao tráfico de drogas que ocorre nas áreas. Também destacou a proximidade da conferência sobre sustentabilidade “Rio+20″, que acontece no ano que vem, como parte dos argumentos da polícia para realizar a operação.
Al-Jazira: ‘Polícia brasileira assume o controle da maior favela’
A rede de televisão árabe Al-Jazira destacou a importância da ação para a segurança da Copa e das Olimpíadas.
Clarín: “Com uma megaoperação, recuperam a maior favela do Rio de Janeiro’
O diário argentino destacou o sucesso da missão e o fato de a comunidade pendurar bandeiras brancas nas janelas antes de a ocupação ser concluída.
El Universal: ‘Rio de Janeiro lança enorme operação para ocupar favela’
O jornal venezuelano disse que, apesar de a polícia já ter ocupado 18 favelas nos últimos três anos, a ocupação da Rocinha foi o primeiro grande passo para recuperar a segurança na cidade e controlar o narcotráfico.
CNN: ‘Imagens de helicópteros e blindados na favela eram impressionantes’
Rede de televisão norte-americana destaca atuação pacífica dos policiais.
Em setembro de 2008, a construtora brasileira Norberto Odebrecht teve os bens que mantinha no Equador embargados por decreto do presidente Rafael Correa. O líder alegou que defeitos estruturais na hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa, haviam provocado paralisações na usina. Na prática, a medida significou a expulsão da Odebrecht do Equador.
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A construtora teve ainda suas obras no país ocupadas militarmente. A interdição ganhou contornos de crise bilateral entre Brasil e Equador, pois Correa declarou que poderia não pagar um empréstimo de US$ 243 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em outubro, o empréstimo acabou sendo pago e a Odebrecht concordou em fazer os reparos necessários na usina equatoriana e a pagar uma indenização.
Ordem de não apoiar resolução que condenaria na ONU o governo sírio partiu de Dilma e irritou parte do Itamaraty
*Lisandra Paraguassu
A falta de um consenso sobre o teor da resolução contra a Síria, derrubada anteontem no Conselho de Segurança das Nações Unidas, foi a justificativa para o Brasil, mais uma vez, abster-se na votação.
Apesar de o País ter sido um dos principais negociadores, a decisão de China e Rússia de vetar o texto, mostrando que não haveria acordo, levou o governo brasileiro a optar pela abstenção para mostrar que não estava de acordo com nenhum dos lados – chineses e russos contra os europeus que propuseram a resolução.
Em sua justificativa, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, lamentou não ter havido mais tempo para uma negociação até que se chegasse a um consenso. A decisão de se abster, no entanto, veio do Planalto: foi tomada em Bruxelas pela presidente Dilma Rousseff depois de um briefing do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O chanceler explicou à presidente que não se havia chegado a um acordo e haveria um duplo veto. Também informou que os demais parceiros do Brasil no Ibas – Índia e África do Sul – iriam se abster.
Dilma avaliou ser melhor manter uma posição conjunta. A decisão incomodou parte do Itamaraty, que havia trabalhado no texto nas últimas semanas. A resolução votada foi ainda mais fraca do que aquela com que o Brasil havia concordado, onde estavam já previstas sanções e embargos. O texto final, amenizado para tentar cooptar os russos e chineses, sugeria a possibilidade de sanções futuras, mas nem mesmo esclarecia que medidas poderiam ser tomadas.
A posição defendida pelo chanceler brasileiro é que a abstenção é um voto pela manutenção do diálogo e que o Brasil vai continuar trabalhando para que haja consenso em torno de uma proposta. O problema é qual será ela. Não há possibilidade de acordo em um futuro próximo.
Um texto inicialmente sugerido pela Rússia não deve ser nem mesmo ser levado ao plenário. Se fosse, provavelmente teria efeito nulo, já que não fala em possibilidade de sanções.
Existe preocupação na diplomacia brasileira com os sinais que o Conselho de Segurança passaria ao fracassar na condenação à violência na Síria. Ontem, integrantes do governo Assad comemoraram a votação como uma “vitória histórica” na ONU. A possibilidade de contar sempre com o veto chinês e russo poderia dar ao governo sírio a ideia de que tem carta branca para agir.
*Lisandra Paraguassu, da sucursal de Brasília
Apesar de ser o financiador da estrada, o governo brasileiro quer distância do problema causado pela obra e pelas manifestações dos indígenas. Governo e oposição bolivianos tentam envolver o País na discussão, mas o governo da presidente Dilma Rousseff quer se manter calado, falando o estritamente protocolar, enquanto espera que a Bolívia decida o que quer com a rodovia.
Enquanto a oposição boliviana quer que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja duro na cobrança de liberação dos recursos, o governo de Evo apresenta o fato de o banco ter aceitado financiar a estrada como uma garantia de que estaria fazendo tudo corretamente. Nenhum dos lados, no entanto, vai ouvir declarações de representantes do governo brasileiro. Ao contrário de anos anteriores, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a apoiar governos amigos contra as oposições locais, desta vez a ordem é manter discrição total.
Em conversas com o Estado, diplomatas explicam que o Brasil não tem razão nenhuma para se envolver em assuntos internos na Bolívia. O financiamento pelo BNDES atende, na verdade, a um pedido do presidente boliviano, Evo Morales, a Lula.
A disputa pela construção ou não da estrada teria por trás, de acordo com as fontes, uma questão eleitoral. Em especial uma demonstração de força nas eleições para os tribunais superiores bolivianos, marcadas para outubro. A votação, que escolhe os presidentes dos tribunais regionais da Bolívia, é a última antes das eleições majoritárias de 2014.
Até o dia 31 de dezembro, o Radar Global relembra os 12 principais personagens da política internacional de 2010. Acompanhe também a retrospectiva dos últimos meses com os 12 principais fatos do ano.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil

O Brasil desenvolveu uma política externa agressiva este ano ao tentar mediar o acordo nuclear com o Irã. Lula também se ofereceu para receber a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada a morte por Teerã. Antes de deixar o poder o presidente ainda reconheceu o Estado palestino, decisão que foi seguida por outros países da América Latina e criticada por EUA e Israel.
Lula deixa o cargo com índices de aprovação altíssimos e visto como um dos líderes mais bem sucedidos da América Latina. Por isso, especula-se que ele possa tentar um cargo diplomático em órgãos como a Unasul ou a ONU. Ele, porém, nega que vá se envolver na esfera da diplomacia internacional.
O site WikiLeaks anunciou no domingo a divulgação de documentos diplomáticos dos EUA que trazem revelações relacionadas à política externa americana e sobre as preocupações de Washington em outros países. Veja as principais informações vazadas pelo site até o momento. Veja também o infográfico sobre o funcionamento e o histórico do WikiLeaks.
Brasil
Hezbollah – Libaneses trabalhariam em São Paulo para financiar o grupo
Lei antiterror – Dilma é responsabilizada por barrar projeto de lei em 2008
Terroristas – Suspeitos seriam presos sob acusação de narcotráfico
Antiamericanismo – Ministro da Defesa teria dito que secretário do Itamaraty odeia os EUA
Bolívia – Nelso Jobim teria dito que Evo Morales tem tumor nasal
Plano de Defesa – EUA criticam projeto e dizem que submarino nuclear é ‘elefante branco’
Olimpíadas – Diplomata admite possibilidade de haver ataques durante Rio-2016
Amazônia – EUA dizem que Brasil é paranóico com o assunto
Guantánamo – Brasil rejeitou refúgio para presos de Guantánamo
Venezuela - Governo Lula teria negociado com EUA apoio à oposição venezuelana
Aviões – EUA interferiram em negociações sobre compras de caças
EUA
Espionagem na ONU – Hillary Clinton teria ordenado espionagem sobre funcionários da entidade
Líderes – Diplomatas relataram impressões sobre líderes com termos pejorativos
Guantánamo – EUA ofereceram visita de Obama e milhões de dólares para quem recebesse presos
Armas nucleares – EUA mantêm armas nucleares na Holanda, Bélgica, Alemanha e Turquia
Locais estratégicos - Site divulga lista de locais ‘vitais’ para segurança nacional dos EUA
Reino Unido
Paranoia – País se tornou ‘paranoico’ sobre relação com EUA
Irã
Arábia Saudita – Rei Abdullah teria pedido aos EUA que atacasse Irã para frear programa nuclear
Supremo líder - Aiatolá Ali Khamenei, supremo líder do país, teria câncer terminal
Mísseis – Coreia do Norte forneceu foguetes de potencial nuclear ao Irã
Urânio – Relatório aponta que Irã busca combustível nuclear na América Latina
Líbano – Irã teria usado ambulâncias do Crescente Vermelho para levar armas ao Hezbollah
Rússia
Máfia – Rússia é chamada de ‘Estado mafioso’ em documento
Paquistão
Armas nucleares - EUA temiam uso de material radioativo em atentados e tentam remover urânio de reatores
Infiltração - Soldados dos EUA foram infiltrados nas forças paquistanesas
Resposta militar - Paquistão teria ‘resposta militar’ a ataque da Índia
América Latina
Honduras – EUA afirmam que Manuel Zelaya foi deposto por um golpe
Argentina – EUA pediram relatório sobre o estado de saúde mental de Cristina Kirchner
Cuba – Cuba dá refúgio a integrantes do ETA e Farc
México - Calderón pede ‘presença visível’ dos EUA
Egito
Nuclear - Egito cogita bomba atômica, segundo telegrama vazado
China
Google – China contratou rede de hackers desde 2002 e teria invadido o servidor do site em janeiro
Tensão nas Coreias- Pequim estaria disposta a abandonar Coreia do Norte e apoioar reunificação coreana
Espionagem – Ex-permiê de Cingapura diz que Mianmar, Camboja e Laos espionam para Pequim
+ Google - China ordenou ataque ao site do buscador
Oriente Médio
Israel – Governo consultou líderes palestinos e do Egito antes de atacar a Faixa de Gaza, em 2008
Oriente Médio – Netanyahu apoia troca territorial com palestinos
2012
2011
2010
2009
2005