CABUL – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz uma visita surpresa ao Afeganistão no aniversário de um ano da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. Na visita, Obama se encontrou com o presidente afegão, Hamid Karzai, com quem firmou um acordo de segurança.
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O presidente americano faz um pronunciamento à nação a partir do Afeganistão. Acompanhe abaixo a fala de Obama.
20h44: Barack Obama finaliza discurso
20h44: Presidente diz que a luz do sol brilha nas novas torres no centro de Manhattan e que o país irá construir o futuro como um só povo, como uma nação.
20h43: Obama diz que enquanto sai de uma década de conflito no exterior e de crise econômica em casa, é hora de renovar a América. Presidente fala na construção de um país onde filhos vivam livres do medo e tenham a chance de lutar pelos sonhos.
20h41: Obama lembra dos homens e mulheres, que serviram o país. Ele diz que eles responderam ao chamado para servir em lugares distantes e perigosos. Presidente diz que não poderia estar mais orgulhoso.
20h40: Presidente diz que quer cumprir a missão no Afeganistão, enquanto faz justiça em relação à Al-Qaeda.
20h38: Obama disse que retirou, no ano passado, 10 mil tropas americanas do Afeganistão. Outras 23 mil serão retiradas até o fim do verão. Depois disso, reduções continuarão em um ritmo constante, com mais de nossas tropas voltando para casa. E até o final de 2014 os afegãos serão totalmente responsáveis pela segurança de país.
20h37: Segundo o presidente, as tropas internacionais vão continuar a treinar, aconselhar e ajudar os afegãos – e lutar ao lado deles quando necessário. Mas vão mudar para um papel de apoio, enquanto os afegãos caminham para frente.
20h36: Presidente americano diz que neste mês, em um encontro da Otan em Chicago, coalizão vai definir uma meta para as forças afegãs assumirem a liderança de operações em todo país no próximo ano.
20h35: Para Obama, país terminou a missão no Afeganistão e deve retirar as tropas
20h34: Presidente lembra do atentado às Torres Gêmeas, promovido pela Al-Qaeda e fala dos períodos que os Estados Unidos perderam na Guerra do Iraque. Obama diz que Estados Unidos lutaram e combateram Al-Qaeda
20h33: Obama fala sobre acordo que assinou no Afeganistão, um acordo que pretende acabar com a guerra e iniciar novo futuro
20h31: Acompanhe discurso de Obama ao vivo pelo Radar Global. Presidente deve começar a falar em breve.
20h15: O presidente Obama deve começar a falar logo mais, às 19h30 no horário de Nova York, 4h da manhã de quarta-feira, 2, no horário local, em Cabul. Em São Paulo serão 20h30. Acompanhe pelo Radar Global e pelo Twitter do correspondente do estadão.com.br em Nova York, Gustavo Chacra.
Por Paula Carvalho, do estadão.com.br

Kathryn Bigelow, ao receber o Oscar por ‘Guerra ao terror’: diretora prepara longa sobre Bin Laden
SÃO PAULO – A diretora Kathryn Bigelow, primeira mulher a vencer um Oscar de Melhor Direção, por “Guerra ao terror”, em 2010, prepara para o final de 2012 o lançamento de um filme sobre a busca pelo terrorista Osama bin Laden. O longa será produzido por Bigelow e Mark Boal, e terá como atores principais Jessica Chastain, Joel Edgerton e Mark Strong. Apesar de retratar um fato histórico ocorrido no Paquistão, as filmagens ocorrem desde março na Índia porque a equipe não foi autorizada a trabalhar no país em que Bin Laden foi encontrado e morto em 2011.
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Em Chandigarh, cidade a cerca de 240 quilômetros da capital, Nova Délhi, a chegada da produção provocou alvoroço. Índia e Paquistão são inimigos e a presença de rickshaws – carros típicos do sudeste da Ásia – com placas da cidade paquistanesa de Lahore, na fronteira com a Índia, e sinalizações de trânsito alteradas, reescritos em Urdu (idioma falado no Paquistão) não foram bem vistos pelos locais.
Além disso, mulheres vistas andando nas ruas com burcas e homens com trajes tradicionais do Paquistão provocaram revolta entre os hindus direitistas. O grupo radical hindu Vishva Hindu Parishad tentou interromper as filmagens. O líder do grupo, Vijay Bhardwaj, declarou: “Somos totalmente contra isso. Não vamos deixá-los colocar bandeiras paquistanesas aqui e não vamos deixá-los filmar.” Ele se queixava de que o governo não deveria ter permitido as filmagens.
Propaganda. O filme “Zero Dark Thirty” (ainda sem tradução em português) deverá ser lançado no dia 19 de dezembro. A produção já gerou reclamações no Congresso americano. O republicano Peter King acusou o governo Obama de fornecer informações privilegiadas para a produção do filme. Segundo King, isso teria sido feito em troca de uma produção que ficasse pronta antes das eleições americanas, agendadas para novembro.
A morte do terrorista mais procurado do mundo seria retratada no filme como um aspecto positivo do governo de Obama, e funcionaria como propaganda a tempo de angariar votos. Por conta da polêmica, contudo, o filme teve a sua estreia adiada para poucos dias após as eleições.
Em janeiro, o jornal New York Times revelou que o Serviço Secreto americano iniciou uma investigação para identificar se Bigelow e Boal tinham recebido dados secretos do governo americano. “As investigações dificilmente afetarão o resultado do filme”, diz a reportagem. Bigelow nega as acusações: “Nosso projeto de filmar a busca de quase uma década por Bin Laden já existe por muitos anos. Ele integra trabalhos dos presidentes Clinton, Bush e Obama, além de estratégias do Serviço Secreto”. Segundo ela, “a morte de Bin Laden foi um triunfo não-partidário, e não há como retratar esta enorme vitória de um jeito que não seja heróico”, justificou.

Para entender. Nova Délhi e Islamabad já protagonizaram três guerras na disputa pelo controle da região da Caxemira. Depois de independentes da Coroa britânica em 1947, Índia (que tem maioria hindu) e Paquistão (de maioria muçulmana), iniciaram o conflito pela região montanhosa de maioria islâmica. O embate ganhou mais atenção da comunidade internacional quando, em 1998, ambos anunciaram o desenvolvimento de armas atômicas.
Candidatos republicanos demonstram pouco interesse nos detalhes do relacionamento dos EUA com o restante do mundo
CHRISTOPHER R. HILL
PROJECT SYNDICATE
Para muitos públicos estrangeiros, as primárias da eleição presidencial americana de 2012 – que infelizmente prosseguirão durante os próximos meses – devem ser uma assustadora demonstração de tudo aquilo que os americanos e seus líderes não sabem a respeito da política externa.
Os seguidos debates revelam o fato de que nenhum dos candidatos que pretendem desafiar o presidente Barack Obama está particularmente interessado nos detalhes de nenhum dos relacionamentos dos Estados Unidos com o restante do mundo – para não mencionar as crises no cenário internacional, especialmente aquelas que excluem soldados americanos.
De fato, a ignorância parece ser uma fonte de força para os candidatos que ainda participam da corrida. Quando John Huntsman, um dos primeiros a anunciar a candidatura, demonstrou certa capacidade intelectual ao apresentar argumentos úteis a respeito de como lidar com a China, pontuando sua fala com breves exemplos do seu domínio do mandarim, alguns dos outros candidatos responderam ridicularizando-o.
O fato de simplesmente conhecer a perspectiva chinesa parece ter desabonado Huntsman, que logo pôs fim à sua candidatura. Parece que cada vez mais a política externa excita apenas o lado emocional do cérebro de um candidato à presidência.
A verdade é que os americanos com frequência têm dificuldade para compreender por que deveriam se importar com os detalhes da política externa. Infelizmente, os candidatos republicanos pouco fizeram para ajudá-los. Em 2008, o então candidato John McCain fez tentativas ocasionais nesse sentido, chegando a explicar em determinado momento a um público cético suas opiniões a respeito dos crescentes problemas no Baluchistão. Na maioria dos casos, entretanto, os candidatos evitaram falar chinês e debater problemáticas províncias paquistanesas.
Talvez o mundo espere que o povo americano – os condutores da única superpotência do mundo – estivesse muito mais envolvido nas questões da política externa. Em vez disso, o que a comunidade internacional vê são os americanos reduzindo cada vez mais seu envolvimento no mundo a um simples teatro das moralidades – parecendo evocar o icônico papel de Gary Cooper como o xerife solitário em meio aos covardes moradores em Matar ou Morrer. Aqueles que enxergam um papel a ser desempenhado por uma “coalizão dos dispostos” talvez tenham a mente suficientemente aberta para pensar em Rio Bravo, no qual John Wayne recebe bem alguns aliados.
Os estrangeiros que visitam os EUA costumam comentar que os americanos estão provavelmente entre os povos mais patrióticos do mundo, e essa característica torna-se cada vez mais acentuada. As pessoas costumavam pendurar bandeiras americanas na porta de casa somente nos feriados nacionais. Caso contrário, eram vistas somente do lado de fora dos edifícios do governo. Hoje, elas estão por toda parte durante o ano inteiro – e parece que as maiores bandeiras são encontradas do lado de fora das concessionárias de veículos, por mais que estas vendam carros importados. Da mesma maneira, durante décadas, os jogos de beisebol foram precedidos do hino nacional. Hoje em dia, depois de dois terços da partida, pede-se aos fãs que se levantem novamente para cantar o hino.
É claro que parte da dinâmica atual tem a ver com as consequências dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Mas essa onda de sentimento patriótico parece ser sustentada por forças ainda mais potentes – talvez por uma frustrante percepção de que as motivações americanas não são devidamente compreendidas no restante do mundo. Uma canção country antiga e ainda popular resume isso no refrão: “Tenho orgulho de ser americano, onde ao menos sei que sou livre”.
Ao menos? Os Estados Unidos têm uma economia do conhecimento e um dos mais elevados padrões de vida do mundo há décadas. A liberdade é sem dúvida o alicerce desse sucesso, mas, sem querer ir deliberadamente contra a maré, essa conquista também é motivo de orgulho. Mesmo hoje, a economia americana continua sendo uma das características do país mais admiradas no restante do mundo – incluindo a China.
Ainda assim, os americanos parecem desencorajados. Lembro-me do olhar entristecido no rosto de uma observadora americana das eleições no Iraque, uma legisladora estadual do Texas, quando esta perguntou a um representante iraquiano se o Iraque tinha planos de recompensar os EUA por “trazer a democracia” ao país dele. O representante (que demorou um pouco para entender a pergunta) balançou a cabeça, soturno. Ela se afastou.
Intelecto. Os debates presidenciais deste ano abordaram a política externa somente em termos do quanto cada candidato se mostraria “durão” o bastante para lidar com os desafios – em se tratando de fortaleza emocional, e não da base intelectual necessária para compreender esses desafios.
A história política americana está repleta de presidentes que, de uma maneira ou de outra, pareceram demonstrar fraqueza no palco mundial. O primeiro encontro do presidente John F. Kennedy com o premiê soviético Nikita Khruchev é um exemplo de destaque no folclore americano: o jovem presidente americano transmite uma aparência de fragilidade ao seu correspondente soviético, que então tenta instalar impunemente mísseis nucleares de longo alcance em Cuba, uma jogada que levou ao ponto mais próximo que EUA e URSS chegaram de uma guerra. Levando-se em consideração narrativas desse tipo, a política externa regride nas eleições americanas a uma espécie de teste de testosterona, deixando de lado aquilo que é necessário: um teste do conhecimento e da capacidade de decisão de um candidato.
A boa notícia é que são muitas as evidências históricas sugerindo que, uma vez na Casa Branca, o candidato desenvolve uma compreensão dos temas e um instinto diante das nuances necessárias para lidar com eles – um fato que deve acalmar o público internacional.
Seja ela causada por um excesso de TV a cabo, ou por um excesso dos próprios debates, a “temporada das asneiras” parece especialmente prolongada, até assustadora. Quer os candidatos à presidência o saibam ou quer não estejam nem remotamente interessados, o mundo escuta suas palavras com mais atenção do que aquela às vezes demonstrada por eles ao proferi-las. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
É EX-SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE ESTADO PARA O LESTE ASIÁTICO, EMBAIXADOR AMERICANO NO IRAQUE, NA COREIA DO SUL, MACEDÔNIA E POLÔNIA, ENVIADO ESPECIAL DOS EUA AO KOSOVO E FEZ PARTE DAS NEGOCIAÇÕES DOS ACORDOS DE PAZ DE DAYTON. TRABALHA ATUALMENTE COMO DIRETOR DA FACULDADE DE ESTUDOS INTERNACIONAIS KORBEL, DA UNIVERSIDADE DE DENVER

Embora o lobby israelense seja visto como monolítico, há profunda divisão entre os que defendem uma ação armada contra Teerã e os que apostam na diplomacia
ERIC LICHTBLAU
MARK LANDLER
THE NEW YORK TIMES
Antes mesmo de o presidente Barack Obama ter declarado neste mês que protegeria as costas de Israel em sua escalada do confronto com o Irã, personalidades pró-Israel como o líder cristão evangélico Gary L. Bauer e o comentarista conservador William Kristol estavam cobrando mais.
Num bem acabado vídeo de 30 minutos, a organização que os dois lideram, Comitê de Emergência por Israel, zomba do “compromisso inabalável com a segurança de Israel” de Obama e considera fraco seu histórico sobre o Irã. “Serei brutalmente honesto – não confio no presidente sobre Israel”, disse numa entrevista Bauer, que buscou sem sucesso a indicação para a candidatura presidencial republicana em 2000. Com líderes israelenses advertindo sobre uma ameaça existencial do Irã e discutindo abertamente a possibilidade de atacar suas instalações nucleares, grupos pró-Israel de todos os matizes se mobilizaram para tornar seus pontos de vista conhecidos do governo Obama e do Congresso.
Foram as vozes mais de direita, como a do Comitê de Emergência, que dominaram o debate e, na visão de alguns críticos, empurraram os EUA para mais perto de empreender ações militares contra o Irã e uma nova guerra no Oriente Médio. “Isso não tem a ver com Israel”, disse, numa entrevista, o líder da maioria na Câmara, Eric I. Cantor, republicano de Virgínia e aliado chave do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no Congresso americano. “Tem a ver com os EUA, tem a ver com nossos interesses na região. A Casa Branca tem emitido muitas mensagens conflitantes.”
Entre os que defendem uma atitude mais agressiva ante o Irã estão destacados republicanos no Congresso, como Cantor e o senador John McCain do Arizona; os pré-candidatos presidenciais do partido; grupos como o Comitê de Emergência e o Comitê de Assuntos Públicos Americano Israelense, ou Aipac; os chamados “neocons” do governo de George W. Bush que foram fortes defensores da guerra no Iraque; cristãos evangélicos pró-Israel como Bauer, que também é atuante no grupo Cristãos Unidos por Israel, e muitos democratas.
Entre os que privilegiam a diplomacia estão grupos liberais como J Street, ajudado por US$ 500 mil anuais de contribuições do filantropo liberal Georges Soros, e o Tikkun, um jornal judaico que começou a exibir anúncios com os dizeres “Não à guerra com o Irã e não a atacar primeiro!” O Tikkun, com base em Berkeley, Califórnia, pretende associar sua mensagem contra a guerra aos protestos do movimento Ocupe. “Muita gente fala do lobby de Israel como se fosse uma coisa monolítica”, disse Dylan Williams, chefe de assuntos do governo da J Street. “Isso é um mito. Há uma divisão profunda entre os que apoiam uma ação militar neste momento e os que apoiam a diplomacia.”
Fissuras claras se formaram entre os grupos pró-Israel, não só entre falcões e pombos sobre o uso de força militar contra o Irã, mas entre os próprios linhas-duras sobre o grau de agressividade com que o Irã deve ser enfrentado.
Sheldon Adelson, um bilionário dono de cassino que é um firme apoiador de Israel, doou este ano pelo menos US$ 10 milhões, com sua mulher, para apoiar a campanha presidencial de Newt Gingrich. Assim como Mitt Romney e Rick Santorum, Gingrich declarou um forte apoio a Israel e considerou fracas as políticas de Obama sobre a questão iraniana. Ele também descreveu os palestinos como um “povo inventado”.
Os desacordos sobre o Irã refletem as divisões entre os próprios judeus. Numa pesquisa com judeus americanos em setembro feita pelo Comitê Judaico Americano, 56% dos entrevistados disseram que apoiariam uma ação militar americana contra o Irã se diplomacia e sanções falhassem, enquanto 38% se opuseram a isso. O apoio ficou ligeiramente abaixo de um ano antes.
O rabino Michael Lerner, um líder do Tikkun filiado à coalizão de grupos religiosos contra a guerra, disse que os apoiadores da diplomacia querem expor o que viram como um “toque de tambor de guerra” nas últimas semanas. Ele e outros adversários de uma ação militar dizem que o debate sobre o Irã reproduz o clima político de 2002 durante os preparativos para a invasão do Iraque liderada pelos EUA.
O deputado Keith Ellison, democrata de Minnesota, que se opõe a uma ação militar contra o Irã, disse: “A retórica está exagerada”. Os que defendem uma intervenção militar “mobilizam cenários apocalípticos”, disse Ellison numa entrevista. “Isso tem efeitos. No mínimo, eles estão fazendo Obama falar sobre opções militares com respeito ao Irã.”
No impasse, os grupos de falcões que apoiam uma ação militar usam mais dinheiro, influência política e nomes de destaque que os defensores de uma solução diplomática.
No geral, os comitês de ação política pró-Israel e os doadores a eles filiados doaram mais de US$ 47 milhões diretamente a candidatos federais desde 2000, segundo dados do Center for Responsive Politics, um grupo de pesquisa não partidário.
Eles estão entre os principais contribuintes para alguns destacados democratas e republicanos, e grupos pró-Israel receberam muitos legisladores em viagens com despesas pagas a Israel. Quando a Aipac realizou sua conferência deste mês com Obama e Netanyahu, mais da metade dos membros do Congresso compareceram.
O próprio presidente fez advertências contra “conversas frouxas sobre guerra” no debate público sobre a política iraniana, apesar de ter deixado aberta a possibilidade de uma ação militar. Na conferência da Aipac, Obama referiu-se explicitamente a uma ação militar como uma opção para lidar com o Irã. Para especialistas, a linha mais dura de Obama também ajuda na política doméstica. Eles consideram que as declarações do presidente acalmaram o nervosismo de alguns eleitores judeus sobre seu apoio a Israel e desarmaram o esforço de candidatos presidenciais republicanos de usar o Irã contra Obama. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
SÃO JORNALISTAS

Bem-sucedida desde a 2ª Guerra, parceria entre EUA e Grã-Bretanha aborda as principais questões da atualidade
BARACK OBAMA
DAVID CAMERON
THE WASHINGTON POST
Sete décadas atrás, quando nossas forças começaram a virar a maré da 2.ª Guerra, o primeiro-ministro Winston Churchill viajou a Washington para coordenar nossos esforços conjuntos. Nossas vitórias no campo de batalha provaram “aquilo que pode ser alcançado quando britânicos e americanos trabalham juntos”, disse ele. “Na verdade, somos levados a imaginar que, na possibilidade de manter o curso atual, não há praticamente nada que não possamos fazer, seja em matéria de guerra ou em termos dos problemas não menos complexos da paz.”
O curso foi mantido – não apenas com a vitória na guerra pela nossa sobrevivência, mas também com a construção das instituições que sustentam a paz e a segurança no âmbito internacional. A aliança entre EUA e Grã-Bretanha é uma parceria de corações unidos pela História, pelas tradições e pelos valores que compartilhamos. Mas o que torna nosso relacionamento especial – um trunfo único e essencial – é o fato de podermos nos unir diante de tantos desafios. Em termos simples, contamos um com o outro e o mundo conta com a nossa aliança.
Enquanto economias que desempenham papéis de liderança mundial, coordenamos ativamente nossos esforços com os parceiros do G-8 e do G-20 para devolver o emprego às pessoas, manter a recuperação global e ajudar nossos amigos europeus, enquanto eles resolvem sua crise de endividamento e limitam as irresponsáveis práticas financeiras que custaram tanto aos nossos contribuintes. Estamos comprometidos com a expansão do comércio e do investimento que mantêm milhões de postos de trabalho nos nossos dois países.
Como os dois principais envolvidos na missão internacional no Afeganistão, temos orgulho do progresso que nossas forças alcançaram no desmantelamento da Al-Qaeda, na contenção do ímpeto do Taleban e no treinamento das forças afegãs. Mas, como evidenciam os acontecimentos recentes, essa missão continua sendo difícil. Honramos o profundo sacrifício de nossos soldados e, em nome deles, prosseguiremos na missão.
Nos próximos dias, faremos uma consulta mútua em preparação ao encontro da Otan em Chicago, onde nossa aliança vai determinar a próxima fase da transição que foi acertada em Lisboa. Isso inclui mudanças com o objetivo de assumir um papel de apoio, enquanto que as forças afegãs assumirão gradualmente a responsabilidade total pela segurança até 2014, garantindo também que a Otan mantenha uma presença duradoura de modo a evitar que o país volte a se tornar um santuário para a Al-Qaeda e impedindo o preparo de ataques contra nossos cidadãos.
Como membros da comunidade internacional, nos mostramos unidos na imposição de duras sanções ao regime iraniano, que deixou de cumprir suas obrigações internacionais. Acreditamos que há tempo e espaço para a busca de uma solução diplomática – e estamos coordenando nossa abordagem diplomática com China, França, Alemanha e Rússia, nossos parceiros do P5+1. Ao mesmo tempo, conforme os EUA passam a impor as mais rigorosas sanções já aprovadas e a União Europeia prepara-se para adotar um embargo ao petróleo iraniano, a escolha enfrentada por Teerã ficará cada vez mais clara: cumprir suas obrigações internacionais ou aceitar as consequências.
Enquanto dois países que defendem os direitos humanos e a dignidade de todos os povos, continuamos a nos colocar ao lado dos cidadãos de todo o Oriente Médio e Norte da África que exigem o respeito a seus direitos universais. Depois de participar da missão de proteção ao povo líbio no ano passado, apoiamos os esforços líbios no sentido da construção de instituições democráticas e da realização de eleições livres e justas este ano. Condenamos a abominável violência do regime sírio contra civis inocentes e estamos concentrados na urgente tarefa humanitária de levar alimentos e medicamentos àqueles que deles necessitam. Com nossos parceiros internacionais, continuamos a apertar o nó em torno do pescoço de Bashar Assad e seus aliados – e vamos trabalhar com a oposição e o enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, no planejamento da transição que se seguirá à queda de Assad.
Como dois dos países mais ricos do mundo, aceitamos nossa responsabilidade de líderes nos desenvolvimentos que permitam às pessoas viver com dignidade, saúde e prosperidade. Ao redobrar nossos esforços para salvar vidas na Somália, estamos investindo na agricultura para promover a segurança alimentar em todo o mundo em desenvolvimento. Trabalhamos para melhorar a saúde entre as mães e acabar com as mortes evitáveis entre as crianças. Com um compromisso renovado para com o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, estamos começando a ver o fim da pandemia de aids. Por meio de nosso programa Open Government Partnership, lutamos para tornar os governos mais transparentes e responsáveis.
Por fim, sendo dois povos que vivem em liberdade graças ao sacrifício de homens e mulheres de nossas Forças Armadas, estamos trabalhando juntos com uma intensidade nunca antes vista para cuidar bem deles em seu retorno para casa. Com novas colaborações de longo prazo para ajudar na recuperação de veteranos feridos, a assistência para a sua transição de volta à vida civil e o apoio às famílias de militares, reconhecemos que nossas obrigações diante dos soldados e veteranos perduram mesmo anos depois do fim da batalha.
Nossos soldados e cidadãos há muito mostraram aquilo que pode ser alcançado quando americanos e britânicos trabalham unindo seus braços e corações – e o motivo pelo qual nosso relacionamento continua essencial, para nossos países e para o mundo. Assim, como ocorreu com as gerações anteriores, vamos manter o curso. Pois, com a confiança em nossa causa e a fé um no outro, ainda acreditamos que não existe praticamente nada que não possamos fazer. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
OBAMA É PRESIDENTE DOS EUA
CAMERON É PREMIÊ DA GRÃ-BRETANHA
Por Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington
A criação de uma zona de exclusão aérea na Síria não é opção neste momento para os EUA e seus aliados. Mas essa alternativa não está descartada. A mensagem indireta foi dada nesta quarta-feira, 14, pelo presidente americano, Barack Obama, e pelo premiê britânico, David Cameron.
Após ressaltar o fato de os militares dos EUA terem “plano para tudo”, Obama disse preferir solucionar a crise síria por meio da diplomacia. Para ele, a queda do ditador sírio, Bashar Assad, é uma questão de tempo. “Quando vemos a violência pela TV, nosso instinto natural é agir”, disse Obama. “Uma das coisas que aprendemos com essas crises é que é importante avaliar todas nossas ações”. Cameron foi igualmente cuidadoso. “A maneira mais rápida de acabar com a violência é começar uma transição, com a saída de Assad”.

O governo dos EUA atua indevidamente como missionário quando tenta converter muçulmanos aspirantes a ações radicais e usa dinheiro público em seu esforço
SAMUEL J. RASCOFF FOI DIRETOR DE ANÁLISE DE INFORMAÇÕES SECRETAS DO DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE NOVA YORK DE 2006 A 2008, É PROFESSOR ADJUNTO DE DIREITO NA NEW YORK UNIVERSITY – THE NEW YORK TIMES
Há dois anos, John O. Brennan, principal assessor do presidente Barack Obama para contraterrorismo, falando aos integrantes de um grupo de estudantes muçulmanos em um auditório lotado na faculdade de Direito onde leciono, apresentou ao público a posição da Casa Branca sobre o que jihad significa e o que não significa. Mais tarde, no mesmo ano, o comentarista Haroon Moghul, que comigo fazia parte de um painel no mesmo auditório, chamou a atenção para os esforços das autoridades americanas para criar uma rede global de líderes muçulmanos “aceitáveis”.
Há outros exemplos como esses nos EUA. O Departamento de Segurança Pública de Ohio preparou e distribuiu um texto que declara que “quando extremistas atacam e matam em nome da jihad, os muçulmanos em geral consideram esses atos um total desvio da verdadeira religião do Islã”. Os representantes do Departamento de Segurança Interna foram convidados para uma conferência em 2010 na qual se discutia, entre outros tópicos, “A Busca de uma Contrarreforma no Islã”.
Em cada um desses casos, o contraterrorismo colocou as autoridades em rota de colisão com o pensamento e a prática islâmicos – e, o que é talvez bem mais perigoso, com a Constituição dos EUA. A 1.ª Emenda proíbe qualquer ação do governo “no que se refere ao estabelecimento de uma religião nacional”.
Do ponto de vista da segurança nacional, contestar as ideias que servem de fundamento ao Islã radical não é uma coisa absurda. O contraterrorismo diz respeito fundamentalmente a ideias. Por que as autoridades não deveriam tentar marginalizar ensinamentos teológicos citados por terroristas violentos? O problema é que quando as autoridades americanas intervêm nos ensinamentos islâmicos – interpretando-os para seus fiéis num contexto de segurança nacional e dizendo quais são aceitáveis e quais não são – criam tensões, tanto legais quanto estratégicas.
Será o governo uma autoridade digna de crédito no que diz respeito à interpretação da religião islâmica? Com base no resultado de tentativas feitas nesse sentido na Grã-Bretanha, a resposta é pura e simplesmente “não”. Em poucas palavras, os jovens muçulmanos à mercê de ensinamentos radicais não abraçam uma teologia mais pacífica porque o FBI manda que o façam, assim como os bispos católicos não cederiam ao projeto de Obama de obrigar os hospitais católicos a distribuir anticoncepcionais, se ele invocasse o direito canônico para defender a própria posição.
Há ainda o problema legal. Do ponto de vista da Constituição, um funcionário do governo que determina o que significa um conceito controvertido do Islã, ou o que os imãs podem ou não podem dizer a determinada comunidade, correria o risco de transgredir um dogma fundamental: o Estado secular não se tornará árbitro de qualquer doutrina religiosa.
Além de exercer o papel de teólogo com pronunciamentos oficiais sobre conceitos polêmicos como a jihad, o governo atua indevidamente como missionário quando procura converter os aspirantes a atuações radicais e respalda seus esforços com doações financiadas pelos contribuintes.
Esses programas vão muito além da clara autoridade legal do governo para tratar de ameaças concretas à segurança dos cidadãos. Eles colocam os funcionários seculares na duvidosa façanha de tentar formular as crenças dos muçulmanos americanos. Se o governo corre cada vez mais o risco de estabelecer um “Islã oficial”, projeto que na melhor das hipóteses é funesto, quando não ilegal, existirão alternativas boas? Felizmente, sim.
Refutar a ideologia religiosa radical terá um fundamento constitucional muito mais sólido – e estratégico – se o trabalho mais pesado couber não ao governo, mas às organizações de base que se assentam na sociedade civil ou em comunidades religiosas. O governo não deve estar profunda e diretamente envolvido.
A relação entre o imperativo da segurança nacional e uma grande civilização religiosa é inevitavelmente complexa. Conciliar as duas não seria possível permitindo-se que as autoridades se tornassem mais ativas abraçando alternativas teológicas ao Islã radical – ou treinando profissionais da segurança e dos serviços secretos com odiosas caricaturas do Islã. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
VIENA – Cerca de 50 imagens de líderes – e ex-líderes – mundiais podem ser vistas até o final de abril na galeria de fotos Westlicht, em Viena, Áustria. Platon Antoniou, fotógrafo da revista norte-americana The New Yorker, retratou políticos como o italiano Silvio Berlusconi, o americano Barack Obama, o venezuelano Hugo Chávez, o líbio Muamar Kadafi e a argentina Cristina Kirchner em imagens reunidas na mostra “As caras do poder”. O ex-presidente Lula também foi retratado.
Platon fez retratos intimistas de lideranças políticas de todo o mundo, em um projeto que inclui mais de 100 presidentes, primeiro-ministros e ditadores. O fotógrafo, de 43 anos, já ganhou o World Press Photo em 2008 com um retrato do então presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o profissional, cada líder fotografado impôs condições para o trabalho. “Chávez me deu 15 segundos”, contou. Segundo ele, houve chance apenas de fazer “uma ou duas” fotos do venezuelano. “Em um momento como esse, é preciso agir instintivamente”, contou.
Veja algumas das imagens:

Hugo Chávez, presidente da Venezuela

Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia

Muamar Kadafi, ex-ditador da Líbia

Cristina Kirchner, presidente da Argentina

Silvio Berlusconi, ex-premiê da Itália

Os chefs dos famosos com os pratos em um hotel de Tel Aviv
TEL AVIV - Cinco chefs de líderes mundiais reuniram-se em Tel Aviv para cozinhar e levantar fundos para atividades que permitam aproximar crianças israelenses e palestinas, em uma iniciativa planejada pelo Centro Peres para a Paz. A informação é do jornal israelense Yedioth Aharonot.
Shalom Kadosh, que atua como chef no Leonardo Plaza Hotel, em Jerusalém, organizou o evento, do qual participaram 220 pessoas – israelenses e estrangeiros, segundo o site do jornal. A entrada foi preparada por Tommy Kurpradit, chef do presidente dos EUA, Barack Obama. Kurpradit preparou uma lasanha de vegetais com alcachofra e molho vinagrete trufado. O cozinheiro do presidente russo, Dmitry Medvedev, Jerome Rigaud, preparou como segundo prato uma típica sopa do país.
Já Christian Garcia, que cozinha para o príncipe Albert de Mônaco, elaborou um filé de salmonete com caldo de peixe, erva-doce e feijão como terceiro prato. O chef Kadosh ficou responsável pelo quarto prato e preparou uma salada de feijão com folhas de acelga e um molho de pimentões assados.
Bernard Vaussion, que cozinha para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, elaborou o último prato – mas o jornal não informou do que se tratou. Por fim, a sobremesa ficou por conta do cozinheiro Ulrich Kerz, da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Ele fez uma mousse de maçã com iogurte, rum e passas carameladas.
Os cozinheiros também participaram de um tour culinário organizado por Kadosh nos tradicionais shuks (mercados de rua) de Jerusalém, Mahane Yehuda, e Levinsky, em Tel Aviv. O evento ocorreu na semana passada.
A Casa Branca divulgou um vídeo dos bastidores da produção do discurso do Estado da União, mostrando imagens do presidente Barack Obama editando o texto junto a assessores.
Junto ao vídeo, foi divulgado um texto de David Plouffe, um dos assessores do presidente. Ele diz que Obama verdadeiramente se empenha na produção do texto. “O presidente tem se reunido com os redatores e conversado com as equipes políticas. Ele trouxe novas ideias, reescreveu algumas partes e reordenou páginas. Para o presidente, não é simplesmente um exercício de edição. Ele vê o discurso como uma oportunidade para levar sua visão diretamente ao povo americano”, escreveu Plouffe.
Veja abaixo o vídeo:
E o discurso do Estado da União feito por Obama no ano passado e no ano retrasado:
2012
2011
2010
2009
2005