Romney não seria mau presidente só por ser abstêmio, mas a história relaciona álcool na Casa Branca a bons governos
TIMOTHY EGAN
THE NEW YORK TIMES
Sabemos, a partir de uma rara admissão pessoal, que Mitt Romney experimentou um bafejo de álcool há muito, muito tempo.
“Experimentei uma cerveja e um cigarro quando era um adolescente teimoso”, ele disse em novembro. “E nunca provei isso de novo”, completou.
Com certeza Romney tem amigos que possuem as próprias cervejarias multinacionais. Mas ele não passaria num teste de cerveja presidencial – ou seja, aquele presidente com quem você gostaria muito de tomar uma cerveja – simplesmente porque sua religião mórmon proíbe a ingestão de álcool. Mas ele também não passaria no teste do chá presidencial, como ele mostrou em outra aparição desastrada com pessoas reais na semana passada.
Sempre achei bobagem dizer que não gostar de cerveja seria uma limitação. Mas vale a pena pensar como seria uma Casa Branca sem um ocupante que gostasse de bebericar. A sobriedade, louvável em muitos aspectos, implica rigidez de pensamento. Os melhores presidentes foram aqueles de mente aberta e, geralmente, apreciadores de um drinque.
Os abstêmios, pelos menos durante o século passado, foram presidentes horríveis. O último presidente a renunciar ao álcool foi George W. Bush, que parece estar fadado a ter seu nome eternamente acompanhado da frase “e sabemos no que deu”. Durante sua juventude desperdiçada, ele foi um beberrão convicto e considerado um tanto turbulento, mas também insuportável, amassando seu carro em latas de lixo e desafiando seu pai a partir para a briga.
Jimmy Carter era abstêmio e acabou se tornando um presidente de um único mandato. As duas coisas estavam relacionadas? Não posso dizer. Mas sua temperança era mais penosa para os visitantes da Casa Branca do que para o ocupante da Casa Brança.
“Você chegava às 18 horas ou 18h30, e a primeira coisa que era lembrado, caso precisasse ser lembrado, era que ele e Rosalynn tinham retirado toda a bebida alcoólica da Casa Branca”, lamentou Teddy Kennedy em seu livro de memórias, True Compass.
As recepções a seco dadas por Jimmy Carter dão a Romney alguma coisa para pensar. Os convidados ficariam mais dispostos a ouvi-lo discursar monotonamente sobre a crise europeia, sabendo que o armário presidencial de bebidas oferecia a esperança de um fim promissor para a noite?
Abstêmio. Um outro abstêmio do Salão Oval foi William Howard Taft, que fez tamanha confusão no seu único mandato que chegou em terceiro lugar ao tentar se reeleger em 1912. Comida era o vício de Taft. Ele engordou tanto que chegou a pesar quase 158 quilos.
Franklin D. Roosevelt apreciava um Martini, para o desprazer de Eleanor, e foi um presidente extraordinário. De novo, havia uma relação? Colocar um fim na Grande Depressão e esmagar a máquina de guerra nazista – ajudado pelo constantemente ébrio Winston Churchill – é um resumo bastante vigoroso. Nos seus anos de juventude, Roosevelt sabia como planejar o futuro. Quatro caixas de Old Reserve foram entregues em sua casa na cidade, na Rua 65 Leste, pouco antes de a Lei Seca entrar em vigor.
O que nos leva ao “grande experimento”, de 1920 a 1933, quando fanáticos proibiram um comportamento público aceito que existia desde antes de Jesus transformar água em vinho para animar uma festa de casamento em Canaã. A proibição, lembrou W.C. Fields, foi a época em que as pessoas “eram obrigadas a viver dias sem nada, apenas com comida e água”.
De acordo com Daniel Okrent, autor de Last Call, Herbert Hoover tinha uma adega enorme de vinhos. Sua mulher deu um fim a todas as garrafas antes de ele assumir seu único, e desastroso, mandato. Humm…
Okrent também observa que John Adams bebia uma jarra de cidra diariamente e uma cerveja ocasional no café da manhã. O pai fundador e segundo presidente dos EUA viveu até os 90. O Mount Rushmore também é instrutivo. George Washington gostava de vinho madeira e fabricava a própria aguardente. Em 1799, sua destilaria de uísque de centeio era a parte mais lucrativa da propriedade de Mount Vernon.
No caso de Thomas Jefferson, a verdade que sempre deixou evidente era o prazer de beber um bom vinho. Ele adorava vinhos chianti, borgonha e bordeaux, e passou metade da vida tentando produzir vinho, sem sucesso, em sua propriedade na Virgínia.
Teddy Roosevelt foi um apreciador de bebida mais brando. Ele processou o dono de um jornal de uma pequena cidade em 1913 por tê-lo chamado de bêbado e ganhou a ação. Sua única extravagância, era o que se dizia, era um xarope calmante de menta antes de ir para a cama.
Abraham Lincoln tinha uma licença para comercializar bebida alcoólica e também administrou uma taverna nos anos 1830, em Illinois. Raramente era visto com uma bebida na mão. O problema do álcool, afirmava, não era que fosse algo ruim, mas uma coisa boa da qual as pessoas de mau caráter abusavam. Um sucessor dele, Ulysses S. Grant, provou que ele estava certo.
Mitt Romney certamente é um retrógrado, mas não tenho certeza em relação a que. Talvez um Don Draper necessitando de um drinque. Ele não precisa compartilhar algumas cervejas conosco para provar que é humano. Mas diante de sua temperança, ele poderia mostrar um pouco mais da tolerância de presidentes que gostavam da sua uva, grãos e cevada fermentados. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
EL NUEVO HERALD
Caminhoneiro diz que levou munição por engano
Detido em Ciudad Juárez, no México, com uma carga de 268 mil munições, um caminhoneiro diz que foi parar do outro lado da fronteira “por engano”. A polícia investiga se o motorista Jabin Bogan falou a verdade quando alegou ter se perdido no caminho entre a fábrica de material bélico e um suposto destino na cidade de Phoenis, no Estado do Arizona.
REUTERS
Saudita fica preso por ordem do pai
O saudita Eid Sinani, de 43 anos, passou 12 deles preso por determinação do próprio pai. Inicialmente condenado a três anos na cadeia por bater na madrasta, Sinani só foi autorizado a sair 15 anos depois, quando o pai o perdoou.
LE TEMPS
Suíços criam ‘salas vips’ para fumantes
Hotéis e bares na Suíça resolveram investir para voltar a oferecer salas para fumantes em suas dependências. Os novos fumódromos têm modificações arquitetônicas e ventilação especial para dissipar a fumaça para driblar as proibições.
NEWSER
Jovens colocam armadilha em trilha e são detidos
A polícia prendeu dois jovens que instalaram diversas armadilhas em uma trilha de caminhada de Provo Canyon, no Estado americano de Utah. Os dois alegaram que pretendiam pegar apenas animais silvestres, mas a desculpa não foi aceita.
A guerra contra as drogas no México está levando os traficantes a usar o país sul-americano como centro de refino e rota de envio, principalmente para a Europa
HALEY COHEN
FOREIGN POLICY
Em setembro, o juiz argentino Carlos Olivera Pastor saiu do tribunal na Província de Jujuy para buscar uma caixa perto de seu carro estacionado. Pastor removeu a tampa da caixa, numerada como se contivesse documentos de arquivo judiciários, e encontrou uma cabeça decapitada, os olhos abertos. Em outubro, dois homens atacaram selvagemente um secretário do tribunal criminal do mesmo distrito, avisando que da próxima vez ele seria assassinado. Segundo autoridades da Sedronar, agência do governo que combate o tráfico e consumo de drogas, grande parte da droga que entra na Argentina passa pelas áreas pouco habitadas no noroeste do país e os juízes, que com frequência julgam casos relacionados com drogas, admitiram que os narcotraficantes foram os responsáveis por aqueles incidentes.
Os grupos de traficantes recentemente expandiram suas atividades na Argentina, durante muito tempo um centro de distribuição da droga destinada à Europa, aumentando a exportação e transformando o país num ponto tanto de consumo quanto de produção da substância.
Embora o problema da droga na Argentina não seja tão terrível como na Colômbia ou no México “as coisas começaram a mudar e muito”, diz Mónica Cuñarro, promotora independente que prestou serviços como secretária-executiva da Comissão Nacional de Políticas Públicas em questões de Prevenção e Controle do narcotráfico.
Em 2010, até onde existem dados estatísticos, os traficantes aproveitavam-se do fraco controle na fronteira do país, a ausência de fiscalização aérea, mais de 1.500 pistas de aterrissagem e decolagem ilegais e uma longa faixa da costa atlântica para exportar mais de 70 toneladas de cocaína, a maior parte para a Europa, onde o consumo chega a 123 toneladas por ano.
Operações nos últimos dois anos sugerem que a Espanha é um ponto de entrada especialmente popular para drogas despachadas da Argentina. Em abril de 2010, autoridades espanholas apreenderam 800 quilos de cocaína em um caminhão camuflado como se fosse um veículo do Rali Dacar e informaram depois que a droga tinha sido carregada na Argentina. Em janeiro, um jato executivo pilotado por dois filhos de um brigadeiro da Força Aérea dos tempos da ditadura argentina chegou a Barcelona carregado com uma tonelada de cocaína num caso ligado aos militares, o que levantou preocupações quanto à corrupção institucional.
Essas apreensões mostram que há uma nítida rota de trânsito entre os dois países e levam a questionamentos sobre como tal quantidade da droga está saindo da Argentina sem que isso seja percebido.
Segundo um estudo realizado por Martin Verrier, assessor de segurança do congressista argentino Francisco Narvaez, 96% da cocaína que sai da Argentina chega em segurança a seu destino. “Na Argentina, a situação é tal que os narcotraficantes entram e saem sem nenhum problema”, lamenta Claudio Izaguirre, presidente da Associação Antidrogas Argentina, uma ONG com sede em Buenos Aires.
Consumo interno. À medida que a Argentina passou a ser cada vez mais usada como rota do tráfico, também cresceu o volume de drogas disponível dentro das fronteiras do país. E o resultado disso é que o consumo de drogas na Argentina explodiu.
Na Argentina, um grama de cocaína pura custa menos de US$ 25, ao passo que a mesma quantidade é vendida nos EUA por US$ 120. Em 2008, a Argentina superou seus vizinhos e os EUA; hoje é onde mais se consome cocaína no Hemisfério Sul: aproximadamente 2,6% da população do país com idade de 15 a 64 anos, um aumento de 117% em relação a 2000. Os argentinos consomem cinco vezes mais cocaína do que a média global e têm um dos mais altos índices de consumo do mundo.
Também preocupante é o papel do país como produtor dos precursores químicos, substâncias usadas para a extração e o refino de drogas como cocaína, morfina e heroína. Essas substâncias são particularmente difíceis de fiscalizar já que são necessárias também para a produção de plásticos, produtos farmacêuticos, perfumes, cosméticos e detergentes.
Os contrabandistas transportam a cocaína da Bolívia, do Peru e da Colômbia para laboratórios clandestinos na Argentina, onde ela é refinada, antes de ser enviada para a Europa. Aproximadamente 250 laboratórios estão ocultos pelo país. Como a legislação que rege a importação de substâncias químicas ficou mais rigorosa em outros países da região, os “narcotraficantes químicos” desses laboratórios também estão produzindo heroína, efedrina e metanfetaminas que são despachadas para o México por mar e depois enviadas para os EUA.
Embora não haja estimativas sobre o volume total dos precursores químicos presentes no país, em 2010 as autoridades apreenderam um volume de efedrina jamais visto em outro país, exceto a China.
Com o reforço das medidas de combate ao tráfico em seus países de origem, os cartéis mexicanos e colombianos transferiram parte das suas operações para o exterior. Em junho, o assessor da ONU Edgardo Buscaglia foi à Argentina e confirmou que o cartel mexicano de Sinaloa, dirigido por El Chapo Guzmán, estabeleceu uma rede de bases no norte do país.
Outras notícias indicam que Guzmán viveu na Argentina com sua mulher e enteada até 2011. “As grandes organizações do narcotráfico estão aproveitando ao máximo as características da globalização: a rapidez das transações, os ativos intangíveis, transporte e assim por diante”, diz Verrier. “Países com instituições frágeis, como a Argentina, estão mais expostos à penetração dessas organizações.”
Os vínculos entre o narcotráfico e o terrorismo na Argentina parecem estar se fortalecendo.
Desde 2001, os EUA têm obtido informações de inteligência sobre “células terroristas na região da Tríplice Fronteira (onde Argentina, Paraguai e Brasil se cruzam), algumas infiltradas no tráfico de drogas”, disse o ex-diretor do FBI Louis Freeh.
Em fevereiro de 2010, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, expressou sua preocupação com essa região fronteiriça a um congressista americano. Alguns meses depois, a Interpol prendeu um suspeito de financiar o grupo libanês Hezbollah na fronteira com a Argentina, na cidade paraguaia de Ciudad del Este.
Reagindo a uma situação que vem se deteriorando, a presidente argentina anunciou, em julho, um novo plano chamado Escudo Norte, envolvendo a instalação de 20 radares aéreos e um reforço de 6 mil homens para a Guarda Costeira e a Gendarmería Nacional, e mais 800 soldados para a Força Especial do Exército no norte do país.
Anúncios recentes feitos pelo diretor da agência Sedronar indicam que a Argentina pode descriminar a posse e consumo de maconha, o que permitiria ao governo redirecionar seus recursos na luta contra as organizações do narcotráfico.
Mas a Argentina perdeu recentemente um parceiro-chave na luta contra o tráfico.
Em julho, o Ministério da Segurança da Argentina ordenou à DEA – agência americana de combate ao narcotráfico – que suspendesse suas atividades no país até nova ordem, citando a necessidade de um reexame dos programas internacionais de combate ao narcotráfico realizados em cooperação.
O Departamento de Estado americano, em seu Relatório de Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos, de 2012, sugeriu que a suspensão poderia estar relacionada a um escândalo que veio à tona em fevereiro, quando o governo argentino acusou os EUA de contrabandear armas e equipamentos de vigilância para a Argentina sob a alegação de serem destinados a cursos de treinamento da polícia.
A DEA e a embaixada americana em Buenos Aires não se manifestaram sobre o caso.
Martin Verrier, assessor para assuntos de segurança no Congresso dos EUA, acredita que a ruptura foi recíproca. “Achamos que a suspensão da colaboração com a DEA tem a ver com a estratégia do governo para introduzir uma lei determinando não ser crime o consumo pessoal de droga – uma estratégia à qual a DEA é totalmente contrária”, afirmou. Independentemente da razão do desacordo, sem a assistência da DEA os recursos para combate à droga na Argentina diminuíram nitidamente: as apreensões de cocaína caíram de 12,7 toneladas em 2010 para 5,8 toneladas em 2011.
Embora especialistas reconheçam que a Argentina não vai se tornar um Estado de narcotraficantes como Colômbia ou México, eles admitem que o país está numa encruzilhada em suas medidas antidroga. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
É PESQUISADORA NA UNIVERSIDADE YALE
DER SPIEGEL
Artistas alemães atacam avanço do Partido Pirata
Diversos artistas alemães decidiram levantar a voz para criticar os avanços obtidos pelo Partido Pirata do país em eleições regionais. Em uma ação conjunta, nomes como o poeta Hans Magnus Enzensberger e a diretora de cinema Doris Dörrie criticaram a legenda e foram à imprensa para dizer que apoiar os “piratas” como se fossem uma entidade de esquerda é um erro.
THE GUARDIAN
Arquivo da rainha Vitória é publicado na rede
A família real britânica inaugurou um site com cartas, diários, fotos e pinturas que pertenceram à rainha Vitória. A página contém documentos inéditos, incluindo cartas da rainha ao pai descrevendo a personalidade do marido, o príncipe Albert.
LA REPUBBLICA
Muro histórico desaba na cidade de Pompeia
O governo italiano confirmou que mais um muro desabou em Pompeia. Administradores da cidade histórica já haviam alertado para os riscos que a crise econômica europeia traria à conservação do conjunto de ruínas mais famoso da Itália.
MSNBC
Exército cancela show de roqueiro anti-Obama
O exército americano cancelou um show do roqueiro Ted Nugent na base de Fort Knox após o músico ter feito comentários considerados “violentos” contra o presidente Barack Obama. Nugent chegou a ser interrogado pelo Serviço Secreto a respeito das frases agressivas contra o presidente.
Juntos, os extremos de direita e esquerda da eleição francesa derrotariam tanto Sarkozy quanto Hollande
JOHN VINCOUR
THE NEW YORK TIMES
As eleições de domingo na França não decidirão quem será o próximo presidente, mas muito provavelmente apresentarão um infeliz precedente: o sucesso da “Frente da Rejeição” que conjuga a tenebrosa compatibilidade das extremas esquerda e direita.
Pelo menos teoricamente, somando-se os votos da Frente de Esquerda e da Frente Nacional, no primeiro turno, o total dos candidatos que estão mais à margem poderia superar tanto os do presidente Nicolas Sarkozy quanto de seu rival socialista, François Hollande. Isso não muda a quase certeza de que Marine Le Pen, na extrema direita, e Jean-Luc Mélenchon, na extrema esquerda, serão eliminados no domingo. Hollande e Sarkozy avançarão para o último turno, marcado para duas semanas depois.
Mas, se a Frente da Rejeição, como decidi chamá-la, tiver um resultado tão bom quanto sugerem as sondagens, a França terá legitimado duas correntes políticas que menosprezam as soluções sérias para o drama econômico nacional, rejeitam a civilidade e o bom senso. Ambos propõem o retrocesso com um sistema econômico tresloucado e autoritário – entre a luta de classes e preconceitos de classe, raciais ou antiocidentais. É a política da raiva.
Sarkozy e Hollande preveem obter no primeiro turno de 26% a 29% dos votos. Se as estimativas para Le Pen (16% a 18%) e Mélenchon (15%) estiverem certas, o total de votos dos extremistas derrotará cada um dos dois candidatos das correntes tradicionais.
Mélenchon infantiliza os franceses com promessas de uma “insurreição”. Diz que criaria 500 mil empregos em creches do governo, 200 mil apartamentos com aluguel barato, o reembolso total dos gastos pessoais com assistência médica e a estabilidade plena para 800 mil funcionários públicos. Não está claro de que maneira a Frente de Esquerda cobriria os custos, mas Mélenchon deu uma pista: o confisco da renda pessoal anual acima de 360 mil. Para ele, ainda, os EUA são “o problema fundamental do mundo”, Hugo Chávez da Venezuela é um herói, a invasão chinesa do Tibete é plenamente justificada e Cuba não é uma ditadura.
Como disse Daniel Cohn-Bendit, o político ecologista de esquerda: “Ele conseguiu reavivar a nostalgia nacional pelo antigo conflito de classes e a tradição estatista”.
Enquanto o papel de Mélenchon na Frente da Rejeição recusa a realidade, a Frente Nacional de Marine Le Pen incita os instintos franceses ao sectarismo e ao rancor. E parece que está funcionando.
Sem rosnar como seu pai, Jean-Marie Le Pen, ela explora os sentimentos contra a imigração dosando cuidadosamente o excesso. O objetivo é arrancar votos da maioria da população, que, segundo as pesquisas, considera a integração um fracasso porque os imigrantes não se esforçam. Sondagens mostram que ela tem algum plano em mente. O Le Monde do dia 10 mostrou que, no domingo, ela receberá mais votos dos jovens entre os 18 e os 24 anos (26%) do que qualquer outro candidato à presidência.
Portanto, de quem ou do que é a culpa se uma parte significativa da França aceita sem uma atitude crítica a economia bizarra e o preconceito disfarçado? Uma fácil explicação lógica seria que, afinal, essa é uma antiga sociedade resistente às adversidades. Em vez disso, veja-se a banalidade de Sarkozy e de Hollande.
Eles nunca apresentaram aos eleitores a perspectiva o futuro mais difícil da redução do déficit, ou consideraram a possibilidade de adotar programas de impacto para os imigrantes muçulmanos. Com suas manobras simpáticas, Sarkozy e Hollande reduziram a estatura da política da França e deram aos líderes da Frente de Rejeição impulso suficiente para entrar, lado a lado, na Assembleia Nacional com as eleições legislativas de junho. / ANNA CAPOVILLA
É CORRESPONDENTE EM PARIS
WIRED
Pentágono investe em ‘espiões executivos’
O Pentágono decidiu investir mais em uma estratégia de combate ao terrorismo que inclui “espiões executivos”, homens que se infiltram em empresas suspeitas de financiar atividades extremistas. A intenção, segundo o documento mais recente divulgado pela imprensa americana, é secar as fontes de dinheiro de grupos como a Al-Qaeda.
THE TELEGRAPH
Homens são presos por roubarem um pinguim
A polícia de Queensland, na Austrália, prendeu três homens que invadiram um parque temático da cidade e roubaram um pinguim. Segundo os policiais, os criminosos estavam bêbados quando entraram no local à noite e levaram o animal.
BOING BOING
Hacker publica 3 milhões de senhas bancárias
O hacker iraniano Khosrow Zarefarid descobriu uma falha em sistemas de segurança dos bancos do país e publicou em um blog 3 milhões de contas e suas respectivas senhas. Diversos bancos precisaram congelar transferências para conter a fraude.
NEWSER
Destilaria lança ‘vodca de maconha’
A destilaria americana Alaska lançou uma vodca feita a partir de sementes de Cannabis sativa. A “vodca de maconha”, batizada de Purgatory, não tem o princípio ativo da droga, o THC. Há dois anos, a empresa já lançou outro produto inusitado: a vodca com aroma de salmão.
As imagens abaixo mostram alguns dos cartazes dos candidatos à presidência na França – e modificações feitas pela população.
Veja também:
ANDREI NETTO: Acompanhe o correspondente em Paris
COBERTURA ESPECIAL: Eleições presidenciais 2012 na França

Quebra de acordo com EUA é sinal de que norte-coreanos querem mais do que comida para frear programa nuclear
CHOE SANG-HUN
THE NEW YORK TIMES
As coisas tendem a se repetir de tal forma nas persistentes crises nuclear e de mísseis norte-coreanas que analistas e jornalistas com frequência brincam que, se pegassem suas matérias antigas e mudassem as datas, poderiam perfeitamente descrever o episódio mais recente.
Essa sensação de déjà vu baixou sobre a Península Coreana nas últimas semanas. Neste mês, como ocorreu em abril de 2009, a Coreia do Norte lançou um foguete. Como em 2009, o Conselho de Segurança da ONU condenou o lançamento e pediu sanções mais duras. Como há quatro anos, a Coreia do Norte rejeitou “resoluta e veementemente” a censura do Conselho. Agora há um amplo temor de que a Coreia do Norte faça um teste nuclear, como fez em 2009.
“A principal diferença entre 2009 e agora é que, naquela época, a Coreia do Norte agia como se soubesse exatamente o que estava fazendo sob a batuta de Kim Jong-il”, disse Choi Jin-wook, do Instituto para a Unificação Nacional da Coreia, referindo-se ao líder norte-coreano que morreu em dezembro, deixando o governo para seu filho Kim Jong-un.
A recente sequência de decisões de Pyongyang pode ter parecido confusa para muitos analistas, mesmo para padrões norte-coreanos. Primeiro o governo firmou um acordo com Washington em fevereiro para suspender testes de mísseis de longo alcance e depois deu prosseguimento a um lançamento de foguete na semana passada. O governo norte-coreano convidou jornalistas estrangeiros para o lançamento, mas ao fim acabou não o mostrando a eles.
Diferentemente do caso de seus dois lançamentos de satélite fracassados que o governo insistiu que foram bem-sucedidos, desta vez Pyongyang admitiu a seu povo que o lançamento do foguete havia gorado. “Vejo confusão no regime”, disse Choi. “Isso torna mais difícil entender a Coreia do Norte e torna a situação mais imprevisível. Ficamos tentando imaginar a quem Kim Jong-un ouvirá depois do lançamento do foguete. Se ouvir os militares, a Coreia do Norte com certeza adotará uma linha mais dura, realizando não somente um teste nuclear, mas também uma provocação militar contra a Coreia do Sul.”
Baek Seung-joo, do Instituto de Análises de Defesa da Coreia em Seul, observou que a declaração do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano, condenando o Conselho de Segurança, não ameaçou explicitamente realizar um teste nuclear, nem renegou as conversações de desarmamento nuclear de seis nações. O fracasso do foguete deve ter desferido um grande golpe nos militares e eles podem ter perdido parte de sua influência no regime”, disse Baek.
A atenção está centrada agora em se a Coreia do Norte realizará um novo teste nuclear, possivelmente usando combustível do programa de enriquecimento de urânio que revelou recentemente.
“Vamos ver a repetição do mesmo padrão: um lançamento de míssil seguido de um teste nuclear”, disse Andrei Lankov, da Universidade Kookmin, em Seul. “O que poderia fazer a diferença é o provável uso de urânio altamente enriquecido no teste. Se for urânio e não plutônio, isso pode tornar o assunto todo bem mais perigoso do ponto de vista da não proliferação.” Com efeito, uma bomba de urânio deixaria “claro por que eles deram um tapa no rosto de Tio Sam, rompendo um acordo recém-assinado”, disse Lankov. “Eles querem mostrar que as paradas serão bem mais altas, por isso pedirão muito mais que meras 240 mil toneladas de ajuda alimentar”, disse ele, referindo-se à assistência que Washington prometeu e depois suspendeu em função do lançamento do foguete.
Lee Yun-keol, um biólogo norte-coreano que desertou para o Sul em 2006, escreveu num livro a ser publicado neste mês que físicos nucleares norte-coreanos devem fazer um novo teste nuclear porque o desenvolvimento da tecnologia da bomba atômica foi oficialmente reconhecido como “o último desejo” de Kim Jong-il, assim como foi o programa do foguete.
Lee, que hoje chefia o Centro de Serviço de Informações Estratégicas da Coreia do Norte, uma organização privada de pesquisa, disse que o “desejo” do Kim que morreu circulou entre a elite norte-coreana como o poste de orientação de política de seu filho. Até agora, Kim Jong-un apoiou-se pesadamente na autoridade de seu pai para governar. “O desejo diz que se a Coreia do Norte não desenvolver armas nucleares e mísseis de longo alcance, ela viverá como escrava das grandes potências”, disse Lee, citando fontes bem situadas não identificadas de dentro da Coreia do Norte.
Vários analistas há muito vêm questionando a eficácia de sanções contra a Coreia do Norte. Alguns deles disseram que a China pode ter violado a resolução do Conselho de Segurança da ONU ao fornecer os veículos de lançamento de mísseis com 16 rodas que foram vistos numa parada militar em Pyongyang no domingo carregando um novo tipo de míssil.
Ted Parsons, do IHS Jane’s Defense Weekly, assinalou semelhanças com um conhecido veículo chinês: “O mesmo desenho de para-brisa, a mesma configuração de quatro limpadores de para-brisa, o mesmo desenho de porta e trinco, uma área de grade muito parecida, quase a mesma configuração de luzes no para-choque dianteiro e o mesmo desenho dos degraus da cabine.” Ele acrescentou que o envolvimento de um construtor de veículos chinês “no programa de mísseis da Coreia do Norte requereria a aprovação dos escalões mais altos do governo chinês e do Exército de Libertação Popular”.
James Hardy, também do Jane’s Defense Weekly, disse que, se for confirmado, o envolvimento da China romperia uma resolução do Conselho de Segurança de 2009 que proíbe suprir a Coreia do Norte de “quaisquer armas ou materiais afins ou fornecer transações financeiras, treinamento técnico, serviços ou assistência relacionados a essas armas.” / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
É JORNALISTA
WIRED
Governo norte- coreano lança site de US$ 15
O governo da Coreia do Norte lançou uma nova versão de seu site oficial em inglês para divulgar informações positivas sobre o regime. O custo de produção estimado do site é de US$ 15. Entre as atrações, há links para endereços de “amigos” de Pyongyang, incluindo um grupo venezuelano de apoio ao regime de Kim Jong-un.
CHINA DAILY
Cidade chinesa proíbe posse de cachorros grandes
A cidade chinesa de Harbin proibiu que seus cidadãos criem cachorros de porte grande. Pela nova legislação, animais com mais de 50 centímetros de altura ou 70 centímetros de comprimento não podem ser adotados como bichos de estimação.
WYMT
Homem rouba gasolina de carro policial e é preso
O americano Michael Baker, de 20 anos, foi preso por ter roubado gasolina de um carro da polícia no Estado do Kentucky. Baker foi identificado após colocar uma foto tirada por sua namorada durante o roubo no Facebook.
ABC
Roqueiro é interrogado pelo Serviço Secreto
O roqueiro americano Ted Nugent foi chamado para explicações pelo Serviço Secreto após declarar que acabará “preso ou morto” caso o presidente Barack Obama consiga a reeleição. Nugent nega que tenha dito a frase em tom de ameaça a Obama.
Por Paula Carvalho, do estadão.com.br

Iraquianos protestam por justiça após a morte de Hadi al-Mahdi (Karim Kadim/AP)
SÃO PAULO – A organização americana Committee to Protect Journalists (Comitê de Proteção a Jornalistas – CPJ, na sigla em inglês) divulgou nesta terça-feira, 17, o relatório ‘Impunity Index‘, que lista os países com maior impunidade em crimes contra jornalistas. Os números são calculados com base no número de assassinatos de jornalistas não esclarecidos em relação ao número de habitantes do país.
Veja também:
Brasil é o 11º país mais impune em relação a assassinatos de jornalistas
O Iraque é o país com maior impunidade: 93 assassinatos não resolvidos e uma população de 32 milhões de habitantes. Em segundo lugar está a Somália, com 11 homicídios não esclarecidos e uma população de 9.3 milhões de pessoas. Em seguida, Filipinas, Sri Lanka e Colômbia completam o ranking dos 5 países mais impunes.
O relatório também traz detalhes de alguns assassinatos em cada país. No Iraque, o locutor de rádio Hadi al-Mahdi foi morto em sua casa em 2011 depois de denunciar um escândalo de corrupção no governo; na Somália, Abdisalan Sheikh Hassan foi morto depois de cobrir uma sessão turbulenta do Parlamento Federal de Transição.
No México, oitavo colocado do ranking, a rede entre tráfico de drogas e corrupção no governo tem provocado muitas mortes entre jornalistas. Em 2011, a morte de Maria Elizabeth Macías Castro foi o primeiro caso documentado pelo CPJ de ter tido relação direta com denúncias feitas em mídias sociais – o que tem sido feito por cidadãos do país para trocar informações sobre as atividades criminosas no país.
O Brasil, em 11º lugar no ranking, teve 20 crimes contra jornalistas desde 1992. Onze deles têm como principais suspeitos agentes oficiais, outros sete teriam sido mortos por grupos criminosos – como Tim Lopes – um por moradores, e outro de forma desconhecida.

2012
2011
2010
2009
2005