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Radar Global

O novo presidente chileno, Sebastián Piñera, de centro-direita, diz que quer uma relação de respeito com o venezuelano Hugo Chávez, mas, segundo analistas, não dá para descartar a possibilidade de uma maior polarização na região. Até por conta do estilo dos dois líderes.

Piñera, que foi eleito neste domingo, tem ótimas relações com o também conservador presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, cujo governo está com as relações diplomáticas com a Venezuela congeladas. Além disso, ele faz questão de dizer que, para ele, a Venezuela não é mais uma democracia e tem “profundas diferenças” com o modelo socialista de Chávez.

 “Tenho muitas diferenças com a forma com que estão tratando as questões públicas na Venezuela”, afirmou Piñera, em entrevista à imprensa internacional, um dia depois de vencer o segundo turno das eleições presidenciais. “Quero dizer com muita clareza: essas diferenças são profundas e têm a ver com a forma como se concebe e se pratica a democracia, se concebe o modelo de desenvolvimento econômico de um país e muito mais”, completou.

Depois, para amenizar o discurso, disse que é a favor da “autodeterminação dos povos” e da “não interferência” nos assuntos internos de cada país. Mas como o venezuelano (com o destempero verbal que lhe é característico) não leva desaforo para casa, as chances de um embate também são grandes.

Para complicar, como explica Gilberto Aranda, professor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, alguns setores da direita chilena tendem a ser um pouco mais nacionalistas que a centro-esquerda.

É esperar para ver como os fóruns regionais vão funcionar agora que os conservadores chegaram ao poder também no Chile.”Não dá para dizer que teremos um eixo de direita porque para isso seria preciso pelo menos três países”, diz Aranda. “Mas Uribe certamente não vai estar mais sozinho na região.”

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Os simpatizantes da direita chilena estão eufóricos com a vitória de Sebastián Pinhera. O Chile não é um país com muito fervor político se comparado aos vizinhos da América Latina, até porque as propostas da esquerda e da direita aqui são muito parecidas. Logo depois da vitória, porém, milhares de pessoas saíram às ruas, com bandeiras e camisetas de Piñera para celebrar até altas horas da madrugada. Uma multidão se amontoou na porta do quartel-general de sua campanha, no Crowne Plaza, no centro de Santiago, na esperança de ver o candidato, que agora chama a um governo de unidade e diz que quer ser o presidente “de todos os chilenos”.

É claro que sempre há os mais radicais. Na “festa da vitória” um grupo chegou a recuperar um antigo refrão de exaltação ao golpe militar. “Chi-chi-chi, le-le-le. Viva Chile y Pinochet”. Ontem, o novo presidente eleito, com um sorriso aberto e um bom humor incomparável, deu entrevista para a imprensa internacional do topo do mundo. Até literalmente. O local escolhido para a coletiva foi o morro Santa Luzia, num dos pontos mais altos do centro de Santiago.

No final do encontro um jornalista do Peru ofereceu um presente para demonstrar a “amizade de seu povo” – um legítimo Pisco peruano. Trata-se de uma bebida que está no centro de uma disputa comercial entre o Chile e o Peru. Lima diz que o seu Pisco é o “legítimo” e que, da mesma forma que acontece com o Champagne francês, o Chile não poderia chamar o seu produto do mesmo nome (denominação de origem). Piñera saiu pela tangente. “Aceito com muita gratidão o presente desde que isso não signifique que o nome Pisco é patrimônio exclusivo do Peru”, disse Piñera.

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19.janeiro.2010 01:00:12

Hoje na História

Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) do Grupo Estado

Há 5 anos, o engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Jr., funcionário da construtora Noberto Odebrecht, era sequestrado no Iraque.

Há 69 anos, era anunciado no Japão a Nova Ordem na Ásia Oriental.

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18.janeiro.2010 10:00:11

Hoje na História

Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) do Grupo Estado

Há 139 anos, Guilherme I, rei da Prússia, era proclamado, em Versalhes, imperador da Alemanha.

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Muçulmana com o rosto coberto pela burca (Foto: Getty Images)

Muçulmana com o rosto coberto pela burca (Foto: Getty Images)

Depois da iniciativa na França – onde o presidente Nicolas Sarkozy sugeriu a proibição de seu uso em escolas, hospitais e prédios públicos -, a burca, lenço que cobre totalmente o rosto das mulheres muçulmanas (apenas os olhos ficam à vista), entrou na mira do Partido da Independência da Grã-Bretanha (UKIP, na sigla em inglês), de tendência direitista.

O líder do partido, Lorde Pearson de Rannoch, afirmou ajornais britânicosque o UKIP está estudando medidas legais para proibir o uso da burca em território nacional. O UKIP ganhou projeção em junho, quando obteve 16% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, apesar de suas posições críticas à União Europeia.

Lorde Pearson argumenta que o uso da vestimenta muçulmana é incompatível com os valores de liberdade e democracia da sociedade britânica. “A burca é uma ameaça à igualdade de gêneros e um acessório que marginaliza as mulheres muçulmanas”, afirma o líder do UKIP.

O tema ganhou repercussão com o aumento da população muçulmana no país, disseminando hábitos até então tolerados pela sociedade britânica. Para ganhar apoio à iniciativa, que deve ser consolidada com a proposta de um projeto de lei na Câmara dos Comuns, Lorde Pearson evocou o argumento que mais irrita os muçulmanos radicados na Grã-Bretanha: o da segurança nacional.

Segundo ele, a burca é útil para ajudar terroristas a esconder seu rosto em locais públicos onde estejam planejando algum atentado, como aeroportos e estações de metrô.

Outra agremiação direitista, o Partido Nacional Britânico, já havia proposto restrição do uso da burca, mas apenas em escolas públicas. O UKIP quer banir o seu uso em todo o território britânico.

A proibição da burca também é discutida na França, após declarações polêmicas propondo seu banimento por parte do presidente Sarkozy. Mas a discussão continua emperrada em meio a entraves jurídicos e temor de virar uma lei que, na prática, não será cumprida. (Daily Telegraph)

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Os candidatos chilenos disputaram voto a voto as eleições presidencias deste domingo. Segundo a última pesquisa, do Instituto Mori, a diferença entre o direitista Sebastián Piñera e o governista Eduardo Frei é de 1,8 pontos percentuais, ou 200 mil votos, aproximadamente. Ambos tentaram conquistar os votos do terceiro colocado no primeiro turno, Marco Enríquez Ominami, que obteve 20% da preferência do eleitorado nas urnas. 

Abaixo, Frei visita um bairro pobre no município de Nuñoa, em Santiago. Na localidade, seus simpatizantes pegaram a lista dos eleitores que firmaram um abaixo-assinato para permitir que Ominami pudesse se inscrever como candidato e passaram de casa em casa para convencê-los a apoiar o governista.

A segunda foto, do candidato entrando para agradecer o apoio de um desses simpatizantes, é só para mostrar como boa parte das ”favelas” de Santiago. Para os padrões brasileiros, um luxo. As casas são de alvenaria (apesar de, em geral, abrigarem muito mais gente do que deveriam), há agua encanada, saneamento básico e ruas asfaltadas. Também ficam em áreas planas (aqui foram os ricos que subiram os morros) . É claro que também têm problemas. Por exemplo, o tráfico de drogas e os altos índices de violência – para os padrões chilenos, claro.

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Favorita na eleição de hoje, a direita chilena procurou se afastar de setores “duros” para atrair os votos do centro. Mas entre seus simpatizantes, ainda há muita gente que defende a ditadura do general Augusto Pinochet (1973 – 1990) – que deixou 3 mil mortos no país . Abaixo, o museu da Fundação Presidente Augusto Pinochet (http://www.fundacionpinochet.cl/800_600.html), criada por amigos do general para promover a sua versão da História e tocar alguns projetos na área de educação. A foto é da sala que Pinochet ocupava. E na vitrine, uma coleção de soldados e tanques em miniatura do general. Para os pinochetistas, o ditador evitou que o Chile virasse uma Cuba com o governo de Salvador Allente.

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17.janeiro.2010 00:01:29

Hoje na História

Pesquisa do Centro de Documentação e Informação (CDI) do Grupo Estado

Há 111 anos (1899), nascia o gângster Al Capone. Ele morreu em 1947 (1899-1947)

Há 65 anos (1945) o Exército Vermelho entrava em Varsóvia, libertando a capital polonesa da ocupação alemã, que havia começado em agosto de 1939.

Há 15 anos (1995) Um terremoto de 7,3 graus na escala Richter provocava a morte de cerca de 6,5 mil pessoas na cidade de Kobe (oeste do Japão)

Há 12 anos (1998) a ex-estágiária da Casa Branca Mônica Lewinsky entregava o vestido manchado com o sêmen do ex-presidente americano Bill Clinton

Há 2 anos (2008) bloqueio israelense na Faixa de Gaza como represália por disparos fazia milhares de palestinos se refugiarem no Egito

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Abaixo você confere o que foi notícia na editoria de Internacional nos últimos sete dias.

Domingo, 10 de janeiro – “Estilo K” é como é chamado na Argentina o estilo de governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua mulher, a presidente Cristina Kirchner. Caracterizado pelo tom de confronto, a ausência de diálogo com a oposição e a mudança constante das regras do jogo, o governo do casal Kirchner também tem feito controvertidas interferências nas instituições da Argentina. Essa forma de governar foi classificada de “hiperpresidencialista” pelos analistas políticos argentinos. Mas, para eles, os Kirchners parecem estar encontrando seus limites.

Segunda-feira, 11 de janeiro – Néstor Kirchner, marido da atual presidente, Cristina Kirchner, denunciou uma conspiração para derrubar o governo do país. Os aliados de Cristina já batizaram esse movimento de “restauração conservadora”. Néstor, que atualmente ocupa uma cadeira de deputado e é tido por muitos como o presidente
de facto da Argentina, afirmou que a cúpula dos conspiradores é liderada pelo vice-presidente da República, Julio
Cobos, pelo presidente do Banco Central, Martín Redrado, e pelo Grupo Clarín.

Terça-feira, 12 de janeiro – Apesar das declarações da presidente argentina, Cristina Kirchner, em defesa da utilização das reservas monetárias para o pagamento da dívida pública, uma ala do governo analisa a possibilidade de desistir dessa medida. O temor é o de que o movimento financeiro seja embargado na Justiça dos EUA a pedido de grupos de “holdouts”, os credores que ficaram de fora da controvertida reestruturação dos títulos da dívida em estado de calote desde a declaração de moratória em dezembro de 2001, informou o La Nación, além de outros importantes jornais argentinos.

Quarta-feira, 13 de janeiro – Terremoto de 7 graus abala capital do Haiti e afeta base brasileira. Testemunhas em Porto Príncipe relatam várias mortes e queda de dezenas de edifícios, incluindo a sede da presidência.

Quinta-feira, 14 de janeiro – Presidente haitiano, René Préval, disse que o terremoto que arrasou o Haiti na terça-feira pode ter causado a morte de 30 mil a 50 mil pessoas. O tremor de 7 graus na escala Richter devastou um país já arruinado pela pobreza. O Brasil, que comanda a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), perdeu 11 militares. O número de soldados mortos pode aumentar, mas é, desde já, a pior baixa do Exército brasileiro desde a 2ª Guerra. Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, também foi uma das vítimas.

Sexta-feira, 15 de janeiro – Em meio ao caos, país começa a contar os mortos e fechar feridas. Matéria de Gustavo Chacra, enviado especial do Estado a Porto Príncipe, mostra que situação nas ruas da capital haitiana é precária. Falta água, a gasolina está acabando, o acesso à comida é difícil e os esforços de países do mundo inteiro parecem ser insuficientes para reduzir a crise que afeta o Haiti depois do terremoto de terça-feira. Muitos haitianos escavam freneticamente, apenas com as mãos, entre os escombros em busca de parentes e amigos. A estimativa de mortos varia. Alguns falam em pelo menos 30 mil, outros em mais de 100 mil.

Sábado, 16 de janeiro – Autoridades haitianas disseram que mais de 140 mil pessoas podem ter morrido após o terremoto que devastou o Haiti na terça-feira e advertiram que gangues estão atacando os sobreviventes, que aguardam cada vez mais desesperados a distribuição da ajuda internacional.

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A Bósnia-Herzegovina, palco de uma guerra civil entre 1992 e 1995 no coração da Europa que deixou mais de 100 mil mortos e 4,5 milhões de refugiados, ameaça retomar o ciclo de violência entre os três grupos étnicos (sérvios bósnios, muçulmanos e croatas bósnios) iniciado após a dissolução da Iugoslávia. É o que mostra uma reportagem do jornal The Times, de Londres.

O frágil Estado federativo criado pelo Acordo de Dayton, em dezembro de 1995, para acomodar os três grupos, mostra sinais de esgotamento. E a proximidade das eleições presidenciais e parlamentares, marcadas para o segundo semestre, abriu caminho para  volta do discurso radical que marcou a implosão da Bósnia nos anos 90.

O sinal amarelo foi dado pelo líder servo-bósnio Milorad Dodik, que inicou sua campanha eleitoral com a promessa de levar adiante um referendo propondo a separação da região onde os sérvios bósnios vivem, conhecida como República Srpska, do restante da Bósnia.

Seu argumento é simples: se Kosovo conseguiu sua independência da Sérvia (outra ex-república iugoslava)  há dois anos, e com reconhecimento internacional, os servo-bósnios também teriam direito à autonomia. Para os muçulmanos bósnios, conhecidos como bosniaks e defensores de uma Bósnia indivisível, a proposta soa como uma declaração de guerra.

A queda de braço entre dois dos três grupos étnicos mostra que, mesmo após 14 anos de paz, as feridas da guerra ainda estão longe de serem curadas. A rigor, o Acordo de Dayton fez um arranjo que apenas empurrou para debaixo do tapete a grande lição do conflito: a impossibilidade de os três grupos viverem juntos e em harmonia no mesmo país.

O Acordo de Dayton (nome da cidade dos EUA onde foi assinado) foi desenhado pelo diplomata americano Richard Holbrook, atual enviado especial do governo Obama para o Afeganistão, e saudado na época como uma grande inovação.

Seu maior mérito foi o de ter mantido intacto o Estado federal da Bósnia-Herzegovina, comandado por uma presidência colegiada de três integrantes, sob o qual vivem os três grupos étnicos em regiões adminstrativas com ampla autonomia. O objetivo era evitar a partilha da Bósnia para não beneficiar os promotores da guerra - os servo-bósnios, com apoio da Sérvia, então comandada por Slobodan Milosevic – e, doce ilusão, retomar a caraterística multiétnica do país na era pré-conflito.

Na prática, porém, a Bósnia federal é apenas uma ficção: os três grupos não se misturam, não há integração cultural e tampouco noção de um nacionalismo bósnio acima das diferenças étnicas.

A ONU e a comunidade internacional apostaram alto no Acordo de Dayton. Para mantê-lo de pé, a Bósnia recebeu, desde 1996, US$ 14 bilhões em ajuda externa. Os custos incluem obras de reconstrução de cidades arrasadas pela guerra, pessoal técnico em várias áreas e manutenção de forças de paz.  Hoje, a Bósnia conta com um Exército nacional de 8.500 homens sob ordens da presidência colegiada, além de 2 mil capacetes azuis da ONU.

O acirramento das rivalidades étnicas, cada vez mais evidente, preocupa a comunidade internacional. A União Europeia acena com uma possível integração da Bósnia ao bloco europeu, com a condição de o país manter-se unido e indivisível.

O problema é que muitos países do bloco recusam-se a aceitar um país que parece prestes a explodir em um novo conflito. Embora sejam remotas as chances de a Bósnia mergulhar numa guerra sangrenta como a dos anos 90, os servos-bósnios já perceberam que a promessa de integração à UE é apenas uma desculpa para evitar a autonomia. E prometem ir até o fim. (The Times)

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