Instituto de pesquisa Crisis Group analisa posição chinesa em relação ao programa nuclear iraniano

Ahmadinejad cumprimenta Hu Jintao em Pequim (Fonte: Nova China)
A China continuará a ser, no curto prazo, uma pedra no sapato dos esforços da diplomacia americana e europeia para emplacar uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU ao Irã. Mas, ao fim, subirá no barco. Pragmática, a diplomacia chinesa coloca como objetivo final da barganha nuclear a preservação, pelo menos parcial, de seus grandes interesses estratégicos no Irã, terceiro fornecedor de petróleo a Pequim. Não quer arriscar a relação com os EUA, tampouco com a União Europeia, por causa do Irã. Contudo, tem bilhões investidos no setor de energia iraniano, além de um mercado preferencial para seus produtos manufaturados. O verdadeiro braço-de-ferro diplomático, portanto, é sobre os termos das novas sanções: contra quem serão as medidas, com quais objetivos e contrapartidas.
O cenário acima foi traçado pelo Crisis Group, prestigiado centro de pesquisa na área de segurança internacional. Trata-se, claro, de uma previsão. Mas está amparada nos principais estudos feitos recentemente sobre a relação China-Irã, o novo nó na negociação internacional para impor mais sanções ao programa nuclear iraniano.
O presidente Mahmoud Ahmadinejad enfureceu os EUA e Europa ao enterrar de vez, há três semanas, uma proposta de acordo. Segundo a oferta, Teerã trocaria urânio por material nuclear produzido fora do país persa. Até o Brasil foi citado como potencial depositário, mesmo sem ter atualmente capacidade técnica para fazê-lo. Desde lá, o Irã começou a enriquecer urânio a 20% sem o acompanhamento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Ahmadinejad ameaçou elevar o patamar a 80%. Para uma bomba, é preciso de 90% de enriquecimento.
O endurecimento de Teerã teve resposta. E a mais significativa não veio dos EUA, mas da Rússia. Moscou, que ajudou a construir a usina nuclear iraniana de Bushehr, está dando sinais de que apoiará medidas suplementares contra o Irã. O governo Barack Obama já adotou novas restrições unilaterais contra a Guarda Revolucionária do Irã, sustentáculo armado do regime, e presume-se que levará ao Conselho de Segurança propostas semelhantes contra a instituição iraniana. Será que a China vetará?
Fico pensando no Japão, quietinho, caladinho, mineirinho… nem a ONU, nem EUA, nem UE cometam sobre o silêncio nipônico, maior parceiro persa.
O preço do petróleo, em dólar, não se sustenta mais. A volatilidade da moeda americana, que ora sobe, ora desce, leva insegurança aos preços do petróleo. É, pois, a famigerada cotação do PETRÓLEO em dólar, que está por trás de todo esse alarde contra o Irã. POIS: a economia americana não se sustenta, se lhes for retirada a cotação do petróleo em dólar; sem isso, o sistema americano implode. O IRAQUE já quis substituir o dólar pelo Euro, em seus contratos de venda petróleo. (Daí fizeram acusações contra o IRAQUE, para invadi-lo, e depois provou-se que não era verdade). Enfim, novamente, por trás, está a famigerada ambição americana de manter, à todo custo, a cotação do petróleo em dólar. E com o agravante – para os norte-americanos – que os contratos de petróleo do Irã com a China, serão fechados em Yuan, prenúncio da derrocada do dólar à nível global. Pois os demais países vão seguir o exemplo.
[...] Radar Global: A China, o Irã e as sanções [...]
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