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Por Marília Lopes

ReproduçãoCAIRO – Bothaine Kamel, a primeira mulher a disputar a presidência no Egito, é personagem de uma matéria publicada no jornal The New York Times nesta quarta-feira, 15. Kamel é ativista e âncora de televisão. Seu lema de campanha é simples: “A minha agenda é o Egito”.

Veja também:
linkAfeganistão é país mais perigoso para mulheres, aponta estudo
blog NUESTRA AMÉRICA: Guatemala tira homens de ônibus para conter violência contra mulher

A vida política, no entanto, não é novidade para Kamel e teve início depois de um episódio marcante em sua vida como âncora de um jornal de televisão. Em 2005, após um referendo sobre uma alteração na Constituição egípcia quase não ter adesão popular, ela, que trabalhava em uma televisão estatal, teve que afirmar que a adesão havia sido recorde.

Entretanto, como conta o jornal americano, a votação naquele dia havia sido marcada pela violência das forças de segurança contra os manifestantes – algo que não foi mencionado no noticiário estatal. Logo após a votação daquele dia, ela e outras mulheres formaram o Shayfeen.com – “Estamos de olho em você” -, um grupo para monitorar as eleições parlamentares.

Fortuna escondida. Antes disso, Kamel, de 49 anos, apresentou por seis anos um programa semanal de rádio chamado “Nighttime Confessions”, no qual ouvintes falavam de dilemas pessoais e procuravam aconselhamento sobre temas como abuso sexual, sexo antes do casamento e relações extraconjugais. O programa foi retirado do ar abruptamente em 1998, sob a acusação de danificar a reputação do Egito e sua juventude. Mais tarde, ela apresentou um programa em um canal de televisão saudita via satélite.

Porém, quando ia apresentar um episódio sobre a fortuna escondida do ex-ditador Hosni Mubarak, presidente egípcio deposto em fevereiro, diretores do canal avisaram que seu programa não iria ao naquele dia. Desde então, apenas as reprises são transmitidas.

‘Uma centena de homens’. Episódios como esses fizeram Kamel ficam conhecida como “a mulher que é como uma centena de homens”. Ela é um rosto conhecido em manifestações pró-democracia e, muitas vezes, já agiu como escudo humano para impedir a detenção de outros manifestantes.

Sua campanha presidencial se concentra na luta contra a pobreza e a corrupção. Kamel, que é muçulmana, recentemente passou a usar um colar com os seguintes dizeres: “Sou egípcia” e “contra a corrupção”. Ela anunciou sua intenção de concorrer à presidência pelo Twitter, em abril. Kamel usa as redes sociais como sua principal forma de fazer publicidade na campanha. De acordo com o conselho militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak, a eleição deve acontecer até o final do ano.

Segundo a reportagem do New York Times, Kamel tem viajado todo o Egito em campanha presidencial. Em um encontro de campanha, ela conheceu Andrew Karsch, um produtor e escritor que também já trabalhou na política. Em 2008, ano em que Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Karsch trabalhou em uma organização americana sem fins lucrativos cujo objetivo era sensibilizar os eleitores. Ele desenvolveu projetos com jovens engajados na política. Karsch sugeriu que a candidata egípcia utilizasse estratégias semelhantes para a sensibilização do eleitorado.

Revolução social. Kamel pondera que o principal desafio como candidata independente é a falta de organização. Ela acredita que mais importante que uma revolução política, é que ocorra uma revolução social no Egito. “Se não tivermos uma revolução social, todos os ganhos serão perdidos”, disse ao New York Times.

Em maio, Kamel foi convocada por um promotor militar para uma reunião. Ela mesma conta que a reunião foi cordial e que não sofreu nenhuma acusação nem foi pressionada, porém, a simples convocação deixou a candidata preocupada. Ainda assim, Kamel acredita num Egito livre, “Deus nos fará vitoriosos”, acredita.

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Sharm el-Sheikh, onde Mubarak curte o fim da vida.

Os últimos rumores sobre a saúde do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak afirmavam que ele estava deprimido, mal de saúde e poderia até estar em coma. Segundo o canal americano ABC, porém, o ditador está bem, a ponto de curtir um café da manhã nas praias do paradisíaco balneário de Sharm el-Sheikh em seu país.

Se há algum indício sobre possíveis problemas de saúde com o ex-presidente, que renunciou no dia 11 de fevereiro após quase 30 anos no poder, é a presença de seu médico pessoal no balneário. Seus filhos, Gamal e Alaa, também o acompanham. A fonte das informações ainda se arriscou sobre a saúde de Mubarak: “Ele está bem”.

Durante a semana, após a queda de Mubarak, o embaixador do Egito nos EUA, Sameh Shoukry, disse que o ex-ditador “possivelmente estaria mal de saúde”. Um jornal saudita publicou uma reportagem dizendo que o egípcio adoecia cada vez mais, sofria de depressão e se recusava a receber tratamento. Ao que parece, tudo não passou de especulação.

Além de desfrutar das belas praias do balneário egípcio, Mubarak, de 82 anos, também goza de privilégios. A fonte disse que o acordo para que Mubarak renunciasse inclui garantias de que ele seria protegido pelo Exército e não sofreria perseguição.

Ao que parece, Mubarak passará o resto de sua vida curtindo o país onde nasceu, que comandou, e onde vai morrer, como disse anteriormente.

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Quando se fala em não-violência o primeiro nome que se vem à cabeça é o Mahatma Gandhi, herói da independência da Índia. Talvez o doutor Martin Luther King, conhecido por sua luta pelos direitos civis nos EUA. Um ou outro pode se lembrar de Henry David Thoreau, ideólogo da desobediência civil. Os manifestantes que derrubaram as ditaduras de Zine Ben Ali e Hosni Mubarak seguiram os ensinamentos de outro homem, no entanto: o cientista político americano Gene Sharp. O jornal americano The New York Times publicou um perfil sobre ele.

Sharp é o autor de “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”. O livro de apenas 93 páginas, disponível para download em 24 línguas ( há versões em inglês e espanhol, mas não em português) tem inspirado dissidentes em países como Mianmar, Bósnia, Estônia e Zimbábue – e agora, na Tunísia e no Egito.

De acordo com Ahmed Maher, um dos líderes do Movimento 6 de Abril, que organizou os protestos contra Mubarak, os dissidentes conheceram os textos de Sharp analisando o movimento sérvio Otpor, o qual ele influenciou. Mais tarde, quando o Centro Internacional sobre Conflitos Não-Violentos deu um wokshop no Cairo, alguns dos textos do cientista político foram traduzidos para o árabe.
De acordo com Dália Ziada, blogueiro egípcio e ativista pró-democracia, as ideias de Sharp – principalmente sobre atacar as fraquezas dos ditadores se tornou popular no movimento.

Sharp, de 83 anos, vive hoje em uma pequena casa em Massachusetts, comprada em 1968. Assistiu à revolução egípcia pela televisão. “O povo do Egito fez isso. Não eu.”, diz, sobre seu trabalho.

Na era da ‘revolução via Twitter e Facebook’, Sharp mal sabe ligar o computador. Em seu escritório há um post it colocado por sua assistente, Jamila Raquib, com um passo a passo sobre como enviar um Email. Mora com ele na casa também um Golden Retriever de nome Sally.

Sharp inspirou seu trabalho nos ensinamentos de Gandhi. Seus textos falam de desobediência civil, boicotes econômicos e luta por direitos civis. De acordo com ele, a não-violência é a melhor arma contra uma ditadura. “Se você luta com violência, está lutando com a melhor arma do seu inimigo”, diz. “Será um herói corajoso e morto”.

De olho nos acontecimentos no Oriente Médio, Sharp se diz emocionado pela atitude dos manifestantes egípcios, especialmente a coragem deles diante da ditadura. “Esse é um ensinamento de Gandhi. Se as pessoas não temem os ditadores, eles têm um problemão pela frente”.

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Desde o início dos protestos que levaram à derrubada dos ditadores Zine Ben Ali, da Tunísia, e Hosni Mubarak, do Egito, o risco dos movimentos serem ‘sequestrados’ pelo radicalismo islâmico tem sido alvo de debate na mídia e por analistas. Em artigo na revista Foreign Policy, o especialista em contraterrorismo Brian Fishman, do think thank New America Foundation, ressalta que o silêncio da rede terrorista Al-Qaeda é um sinal de como o jihadismo está tendo dificuldade para compreender este novo fenômeno no Oriente Médio.

O egípcio Ayman al-Zawahiri, ideólogo e número dois do grupo de Osama bin Laden, manteve-se em silêncio até agora. Duas franquias da rede, no Iraque e no Magreb Islâmico, incitaram o confronto dias após as revoltas na Tunísia e no Egito começarem. A essência destes movimentos, no entanto, manteve-se não-violenta.

De acordo com o artigo, as revoluções na Tunísia e no Egito, enfraqueceram o argumento da Al-Qaeda de que o ativismo violento é necessário para alcançar objetivos políticos. No entanto, apesar da rede de Bin Laden ter mantido um relativo silêncio, outros ideólogos da Jihad lançaram fatwas (decretos religiosos com força de lei) apoiando os protestos, o que mostra que não há um discurso unitário no Islã radical sobre os protestos.

Fishman conclui dizendo que as novas revoluções são ruins para os radicais porque mostram a força dos protestos pacíficos contra regimes pacíficos. Mais do que isto, revelam que os EUA podem apoiar as inspirações de árabes insatisfeitos. O autor alerta, no entanto, que nem todos os movimentos inspirados na Tunísia e no Egito podem ter sucesso. É aí que os jihadistas podem capitalizar a insatisfação popular para impor sua agenda.

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O blog da revista New Yorker aproveitou o dia dos namorados no hemisfério norte para publicar uma interessante reportagem sobre o casamento no Egito e as relações entre os protestos na traça Tahrir e a busca dos egípcios pela cara-metade.

Veja também:
especialInfográfico: 
A lenta agonia de Hosni Mubarak
blog Cronologia: O dia a dia da crise egípcia
video TV Estadão:  Alegria nas ruas do Cairo
blogArquivo: A Era Mubarak nas páginas do Estado
lista Perfil: 30 anos de um ditador no poder
listaBastidores: As últimas horas de Mubarak

No país de maioria muçulmana, o sexo antes do casamento é proibido. Além disso, antes de casar, o homem precisa ter um emprego, dinheiro guardado e uma casa. Em um país com desemprego alto e o custo de vida subindo – um dos fatores que impulsionaram os protestos da praça Tahrir – arrumar uma esposa acaba se tornando tão difícil quanto conseguir um trabalho.

De acordo com a revista, muitos egípcios jovens deixam o país para trabalhar em outros países, principalmente no Golfo Pérsico. Quando retornam, acabam escolhendo mulheres mais jovens. Isto acaba gerando um efeito colateral. Algumas egípcias com seus 27, 28, anos, já passam a ser consideradas ‘solteironas’.

Além disso, em uma sociedade muçulmana, a vida adulta começa com o casamento. É quando a mulher sai de casa, tem filhos e uma família própria. Assim, segundo a New Yorker, a queda de um regime corrupto e ineficaz economicamente pode facilitar também a busca por um casamento.

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14.fevereiro.2011 15:51:41

Um novo pan-arabismo?

Foto: Zohra Bensemra/Reuters

A revista Foreign Affairs aponta a falta de sintonia entre o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak e o mundo de hoje como um dos principais motivos para sua queda. De acordo com a publicação, Mubarak e outros governantes do mundo árabe, como o argelino Abdelaziz Bouteflika e o líbio Muamar Kadafi – forjados no contexto da luta pela independência das colônias da África e do Oriente Médio no pós Segunda Guerra Mundial – ‘pararam’ no tempo e já não conseguem mais oferecer respostas aos anseios da população.

Como Mubarak, outros ‘presidentes vitalícios’ veem desafios populares ao poder do Estado como ilegítimos e conspiratórios. Muitas vezes, como uma atitude incompreensível diante do risco das potências ocidentais voltarem a colonizar seus países. Estes líderes ainda seguem a cartilha de que a única cura para desafios políticos internos e externo é o autoritarismo, argumenta a publicação.

Enquanto isso, na praça Tahrir e nas ruas de Túnis, as pessoas têm uma visão diferente de nacionalismo, do Exército, tecnologia e ideologia. De acordo com o jornal The New York Times, as redes sociais e o sentimento de revolta contido na juventude árabe possibilitou um ‘novo pan-arabismo’. Pelo Facebook e Twitter, jovens tunisianos e egípcios trocaram informações sobre os protestos, sobre como aliviar os efeitos do gás lacrimogêneo, e como se organizar em barricadas e fugir da repressão.

A fusão entre o secularismo das redes sociais e da não-violência com a disciplina herdada dos movimentos religiosos possibilitou que esses jovens se libertassem da oposição tradicional, tão antiquada quanto os regimes que pretendiam derrubar, nota o NYT.

” A Tunísia foi a força que empurrou o Egito. O Egito será a força que vai empurrar o mundo”, disse Walid Rachid, um dos membros do movimento Juventude Seis de Abril, que ajudou a organizar os protestos contra Mubarak. Segundo ele, suas experiências estão sendo trocadas com jovens da Líbia, Argélia e Marrocos. “Se um pequeno grupo de pessoas em cada país árabe for às ruas e insistir como nós fizemos, todos estes regimes irão cair”.

Em certa medida, ele pode estar certo. Mubarak é um dos últimos remanescentes da descolonização da África e foi secretário-geral do movimento dos Não-Alinhados, idealizado pela ideologia terceiro-mundista de Nasser. Sua queda pode se tornar o paradigma do fim das ditaduras seculares da região.

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Um dia depois de resistir às pressões e não renunciar, contrariando as expectativas, Hosni Mubarak finalmente deixou o poder. O vice-presidente Omar Suleiman foi à televisão estatal e anunciou que Mubarak havia deixado o poder e incumbido o Conselho das Forças Armadas a dirigir o país. A ditadura de 30 anos no Egito acabou e o povo está em festa.

Acompanhe aqui no Radar Global os últimos desdobramentos da crise egípcia e acesse o blog de Gustavo Chacra para mais análises sobre a situação no Egito e siga-nos no Twitter (@inter_estadao) para receber as principais informações do assunto.

Veja também o que aconteceu em cada um dos dias de protesto no Egito desde 25 de janeiro, quando a crise começou.

22h00 – Encerramos aqui nosso acompanhamento dos protestos no Egito, que culminaram com a renúncia de Hosni Mubarak e o com o fim de uma ditadura de 30 anos. Agradecemos a audiência dos que nos acompanharam.

21h46 – Mohamed ElBaradei também se manifestou no Twitter mais recentemente. ”O Egito hoje é uma nação orgulhosa e livre. Deus nos abençoe”, escreveu o opositor.

21h43 – No Egito, já são quase 2 horas da madrugada. São quase 8 horas desde a renúncia de Mubarak. Os egípcios ainda estão nas ruas e não dão sinal de que sairão tão cedo.

21h26 – Wael Ghonim acaba de dar uma entrevista à CNN. Ele elogiou a imprensa, que cobriu os protestos no Egito, e aplaudiu todos os que, de alguma forma, ajudara na queda de Mubarak.

No Twitter, o ativista também fez uma série de apelos. Ele pediu que “todos os egípcios bem educados devem voltar para ajudar a reconstruir o país”. Ele também disse que “não quer ser o rosto da revolução, pois todos os egípcios são o rosto da revolução.”

21h21 – O preço do petróleo, que havia subido significativamente durante a crise egípcia, dá sinais de que vai voltar a níveis anteriores aos protestos. O mundo elevou a preocupação em torno do preço do petróleo devido aos protestos em Suez. Pelo canal de Suez passa cerca de 2,5% da oferta mundial do produto.

21h12 – A CNN reporta que os egípcios na Praça Tahrir estão pedindo que Mubarak seja levado a julgamento. Mubarak comandou o Egito por 30 anos com mãos de ferro e é acusado de perseguir opositores e abusar do poder presidencial para reprimir adversários.

20h52 - Em novo discurso sobre o Egito, Ban Ki-moon diz que os protestos são “um claro lembrete” da necessidade da paz e de oportunidades econômicas para que haja estabilidade política.

20h04 – Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe, anuncia que deixará o cargo em breve. Moussa é considerado um potencial candidato para a presidência no Egito, mas não tocou no assunto no seu discurso. Veja mais informações aqui.

19h32 - O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que é importante que as novas lideranças no Egito respeitem os acordos de paz de Camp David firmado com Israel.

Os acordos de Camp David foram assinados pelo ex-presidente egípcio Anwar Sadat e pelo primeiro-ministro israelense Menachem Begin, sob a tutela do presidente americano Jimmy Carter e selaram a paz entre Egito e Israel.

19h06 - Itamaraty espera que transição no Egito respeite liberdades políticas e civis. Veja mais informações aqui.

18h44 - O ministro de Exteriores da Jordânia, Nasser Judeh, disse que o Egito é “um pilar para a região” e desejou “estabilidade, segurança e prosperidade”. No Twitter, ele disse que a Jordânia “respeita a liberdade de escolha” dos egípcios e confia que os militares levarão o país a “uma nova era”.

18h39 – Algumas das capas dos sites de importantes jornais de todo o mundo.

The New York Times, EUA

 

The Guardian, Reino Unido

El País, Espanha

 Clarín, Argentina

 

18h32 - No sul de Beirute e no sul do Líbano, onde o Hezbollah se concentra, centenas de pessoas foram às ruas comemorar a renúncia de Mubarak com tiros e fogos de artifício.

Em um comunicado, o Hezbollah parabenizou o povo egípcio pela “histórica vitória com a revolução”. Um porta-voz do grupo disse que o Hezbollah aplaude “a unidade do povo egípcio, jovens e velhos, homens e mulheres que mostraram que o sangue é mais forte que a espada”.

18h21 – Mais sobre o discurso do presidente americano. Ele disse que a renúncia de Mubarak é só o começo da democracia no Egito, colocou os EUA à disposição dos egípcios e afirmou que o país do norte da África “nunca mais será o mesmo”.

18h15 – Obama sobre o Egito:

“Vimos uma nova geração surgir durante a revolução”

“Os egípcios mudaram seu país, e assim, mudaram também o mundo”

“A revolução mostra o poder da dignidade humana. O dia de hoje pertence ao povo egípcio”

17h56 – Imagem geral da Praça Tahrir.

17h36 – Obama falará às 15 horas dos EUA (18 horas no Brasil).

17h31 – Veja aqui mais reações de governos e autoridades internacionais sobre a renúncia de Mubarak no Egito.

17h23 - O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, pediu que as novas lideranças do Egito “suspendam o cerco contra Gaza e abram a passagem de Rafah para assegurar o livre movimento entre o Egito e a Palestina e para iniciar o desenvolvimento e a construção de Gaza”. O território palestinos faz fronteira com a região do Sinai, no Egito.

17h14 – Adriana Carranca fala sobre o papel da internet na Revolução do Egito.

17h06 – O correspondente Gustavo Chacra analisa a queda de Mubarak e fala sobre as mudanças no Egito e no povo árabe.

16h46 - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que respeita a “decisão difícil” tomada por Mubarak para renunciar e reiterou os pedidos para uma “transição ordenada e pacífica”.

16h43 - A Irmandade Muçulmana, o principal e mais organizado bloco de oposição do país, celebrou o “triunfo pacífico do povo egípcio” e o “começo de uma nova etapa”. “A queda do regime tirano de Mubarak supõe o passo principal para o começo de um novo e longo caminho”, disse o porta-voz do grupo, que era considerado ilegal sob o governo do ditador.

16h41 - No comunicado, o Exército confirmou que não vai abolir a autoridade civil e que só controlará o país durante o período de transição. Os militares ainda agradeceram os serviços de Mubarak pelo país e saudaram os “mártires da revolução”.

16h35 - Um funcionário do governo da Suíça disse à CNN que as autoridades do país congelaram “todos os possíveis ativos” que Mubarak e seus parentes têm nas instituições bancárias suíças.

16h32 – O Conselho do Exército acaba de falar na televisão estatal.

16h29 – Mais imagens da Praça Tahrir.

 

16h15 - De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Barack Obama não conversou com Suleiman ou com Mubarak antes do anúncio desta sexta-feira. Na quinta, o presidente americano havia pedido mudanças imediatas e genuínas no país.

16h10 – Vídeo da Al-Jazira com a reação dos egípcios após o anúncio de Mubarak.

15h52 - Um membro das Força Armadas do Egito disse à CNN que o Conselho do Exército está reunido e discutindo se o governo e o Parlamento da ditadura de Mubarak serão dissolvidos e sobre uma possível nova data para as eleições. Um anúncio sobre o assunto pode ser feito ainda nesta sexta.

15h47 - Curiosidade: Em 11 de fevereiro de 1979, ocorria a Revolução Islâmica no Irã. Exatos 32 anos depois, acaba a ditadura de 30 anos de Mubarak.

15h40 - Ayman Nour, líder do partido de oposição El Ghad:

“As pessoas estão se abraçando, comemorando uma com as outras, mesmo sem se conhecerem. A partir de agora, vamos conhecer uma sociedade de mudanças. O cenário no Egito vai mudar. Haverá reformas políticas, econômicas, eleições livres”.

“Esperamos por anos, batalhamos anos contra esse tirano, por melhores reformas, por um país democrático e livre. Agora nós teremos um período de transição. Desde o começo da revolução, o Exército esteve ao lado do povo. Devemos virar a página de Mubarak e libertar o Egito.”

“É um pouco cedo pra falar disso (sobre a possibilidade de ele se candidatar à presidência, como já fez antes). Mas se houver um consenso do partido para que eu concorra, eu o farei”.

15h16 – Mais reações sobre a renúncia de Mubarak:

“Precisamos reconstruir o intelecto e a cultura do Egito” – Mohamed ElBaradei, opositor

“O Egito leva o mundo árabe a uma nova era. Vamos fazer essa era melhor que as outras” – Khalid al-Khalifa, Ministro de Exteriores do Bahrein

“Os egípcios estão buscando um futuro diferente, um futuro melhor” – Amre Moussa, secretário-geral da Liga Árabe

15h07 – Imagem da festa na Praça Tahrir:

14h59 - Wael Ghonim, em entrevista à CNN:

“Estou orgulhoso de ser egípcio, do Egito e de seu povo. Parabéns a todos egípcios. A Hosni Mubarak, Omar Suleiman e todas pessoas que acreditam que estar no poder dá direito a ignorar o povo: Nós temos escolha. Basta para vocês. Somos mais fortes do que todos eles (na ditadura)”.

 14h55 – O presidente dos EUA, Barack Obama, estava em uma reunião no Salão Oval da Casa Branca quando ficou sabendo da renúncia de Mubarak. Ele assistiu as imagens da televisão por uns instantes. Obama fará um discurso ainda hoje na televisão.

14h50 – Buzinas e fogos de artifício ainda são ouvidos no Cairo quase uma hora depois do anúncio da renúncia de Mubarak, segundo o enviado da CNN. Há tanques do Exército no meio dos manifestantes. Até quando vai a festa? “Provavelmente a noite inteira”, disse um repórter da Al-Jazira. “É impressionante”.

14h43 - No Twitter, Wael Ghonim, ativista e executivo do Google que se tornou símbolo dos protestos, disse que “os verdadeiros heróis são os jovens egípcios na Praça Tahrir e no resto do Egito”.

14h33 – “É uma explosão de emoção, uma explosão de felicidade”, diz um entrevistado à Al-Jazira. “Nunca vi nada igual na minha vida”.

14h23 – O opositor Mohamed ElBaradei disse à Associated Press que esse “é o melhor dia” de sua vida. “O país está livre após décadas de reperssão”, disse.

14h20 – Os repórteres da Al-Jazira que estão no Cairo e nas outras cidades egípcias não conseguiram falar com o canal por cerca de três minutos após o anúncio, de tão ensurdecedor que o barulho era. Quando conseguiram, disseram que a situação na Praça Tahrir é “indescritível”.

14h16 - O breve discurso de Suleiman:

“Nessas difíceis circunstâncias pelas quais o país tem passado, o presidente Hosni Mubarak decidiu deixar a presidência. Ele incumbiu o Conselho das Forças Armadas para dirigir os assuntos do Estado”.

14h10 – A Praça Tahrir é uma festa completa. Os egípcios comemoram como se fosse a própria independência do país.

14h07 – “O Egito está livre!”, grita a multidão na Praça Tahrir.

14h05 – Omar Suleiman aparece na televisão estatal e em um breve comunicado, anuncia:

“O presidente Hosni Mubarak passou seus poderes às Forças Armadas do país”.

Mubarak oficialmente renuncia e a ditadura de 30 anos termina.

13h58 – Mudança de postura do Exército no Cairo é aprovada pelos manifstantes – em frente à televisão estatal, os soldados deixam os próprios manifestantes controlarem o fluxo do público; em frente ao palácio presidencial, os tanques não apontam mais suas metralhadoras para a multidão.

13:36: Cerca de mil egípcios atacaram uma estação policial na cidade de El-Arish, no norte da península do Sinai. Houve troca de tiros e eles tentaram incendiar carros com coquetéis molotov.

13:06: Helicópteros militares chegaram ao palácio presidencial do Cairo, diz a Al-Jazira.

12:39: A presidência egípcia fará um comunicado urgente e importante em breve, informou a TV estatal, segundo a BBC.

12:22: O rapper Wyclef Jean (Ex-Fugees), aquele que quase foi candidato à presidência do Haiti, divulgou uma música no YouTube de apoio aos protestos no Egito.  A canção se chama ‘Freedom’ (Liberdade).  

12:10: De acordo com o Guardian, o vice-presidente Omar Suleiman,  o ministro da Defesa Mohammed Hussein Tantawi e o chefe de gabinete Sami Einan são os principais nomes do governo que resistem às pressões americanas pela saída de Mubarak. 

12:03:  Foto mostra a dimensão dos protestos na Praça Tahrir (Khaled ElFiqi/Efe):

11h52: O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, foi o primeiro líder europeu a defender a renúncia do ditador. “Mubarak já era. Precisa renunciar. Ele cometeu um erro gigante ontem”, disse.

11h47: De acordo com um ativista citado pelo jornal britânico The Guardian, manifestações acontecem também em cidades mennores, como  Damietta , Damnhur, Asuit, Sohag, Bani Swfi, Port Said e  Mansoura

11h44: Segundo a Al-Jazira, milhares de pessoas estão deixando a praça Tahrir rumo ao prédio da TV estatal, onde já estão cerca de mil pessoas

11h41: Além do Cairo e Alexandria, manifestantes também tomaram as ruas de Mahala, Tanta,  Ismailia, e Suez. Eles cantam ‘Mubarak deve ir embora!’

11h00: Aqui vai um resumo da manhã: Centenas de milhares de manifestantes tomaram a praça Tahrir no Cairo. Durante as orações, um ímã pediu que os manifestantes continuassem com os protestos e não desistissem. O Exército divulgou um comunicado de apoio a Mubarak. A TV Al-Arabya informou que a família de Mubarak deixou o Cairo, provavelmente rumo a Sharm el-Sheik, nas margens do Mar Vermelho. Cresceu a pressão internacional pela renúncia do ditador. Um dos líders da oposição, Mohammed El-Baradei, que não sabe mais quem comanda o país.

*******************************Sexta-feira, 11 de fevereiro************************************

23h42 – O Radar Global segue amanhã com mais informações sobre os protestos no Egito.

23h34 - “O futuro do Egito será determinado pelos egípcios. Mas os EUA acreditam que os direitos universais do povo devem ser respeitados, e suas aspirações devem ser atendidas. Acreditamos que a transição deve demonstrar mudanças políticas irreversíveis imediatamente”, disse Obama. Veja aqui mais sobre o discurso do presidente americano.

23h18 – Obama se mostrou insatisfeito com as palavras de Mubarak. Ele pediu ao egípcio que seja mais claro com o povo, que ainda não se convenceu das propostas do governo. O americano pediu “uma democracia genuína” no Egito.

23h01 – Obama está falando sobre a decisão de Mubarak.

22h51 – Os organizadores dos protestos estão convocado uma marcha de 20 milhões de egípcios para depois das orações de amanhã, segundo a Al-Jazira.

22h35 – A CNN reporta que ao menos mil manifestantes estão em frente ao Palácio Presidencial. Também há grande presença das forças de segurança nas proximidades.

22h00 – O correspondente Gustavo Chacra esclarece quem tem o poder no Egito:

Omar Suleiman assumiu os poderes no Egito. Apenas não pode, por lei, realizar emendas constitucionais, dissolver o Parlamento e demitir o gabinete. Até as Forças Armadas estão sob o seu comando. As informações são do Ministério das Relações Exteriores do Egito e foram passadas pelo embaixador em Washington.

Aparentemente, tudo foi acordado com os EUA. A confusão ocorreu porque Hosni Mubarak não foi claro em seu discurso. Ele disse apenas que “transferia poderes” para Suleiman, mas não disse quais. A partir de agora, ele é uma espécie de rainha da Inglaterra.

Se renunciasse, Mubarak teria que passar o poder para o presidente do Parlamento, e não para o vice, pela Constituição. Da forma como está, haveria eleição presidencial em setembro e o futuro presidente dissolveria o Parlamento. Mas, para entender direito, apenas estudando direito constitucional egípcio.

21h50 – Todos os entrevistados da Al-Jazira afirmam que a decisão de Mubarak só vai aumentar os protestos. Eles dizem que “os manifestantes ganharam energia”, que “haverá batalhas”, que “a Praça Tahrir está em chamas” e que “são os dias finais de Mubarak”.

21h26 – “Suleiman e Mubarak são ‘gêmeos’. Nenhum dos dois é aceitável para o povo. Pelo bem do país, eles devem sair”, diz Mohamed ElBaradei à CNN. O opositor ainda disse que não sabe de qual lado o Exército está.

21h20 - Segundo o embaixador do Egito nos EUA, Sameh Shoukry, Mubarak transferiu todos os seus poderes efetivos para Suleiman, o que torna o ex-chefe de inteligência o presidente de facto do país.

Assim, Suleiman é o chefe de Estado e tem os militares e o Ministério do Interior sob seu controle. Ele, porém, não tem poderes para dissolver o Parlamento ou fazer emendas à Constituição.

21h13 – De acordo com o fuso-horário do Egito, já entramos no 18º dia de protestos. Veja aqui o que aconteceu de mais importante em cada dia de manifestações.

21h05 – O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, está reunido com sua equipe de segurança nacional para discutir a situação no Egito.

A CNN citou uma fonte não identificada do governo americano dizendo que o discurso de Mubarak “não foi o que disseram que ia acontecer nem o que os EUA queriam ouvir”.

20h57 – No Twitter, o opositor ElBaradei diz: “O Egito vai explodir. O Exército precisa salvar o país agora”.

20h52 - Veja o que Mubarak pretende mudar na Constituição do Egito.

20h27 – Os entrevistados do canal Al-Jazira dizem que os egípcios parecem não acreditar no que ouviram há pouco. Todos estavam certos da saída de Mubarak. O temor agora é de que haja uma onda de violência.

20h03 – Veja alguns dos aspectos que levaram às pressões populares contra Mubarak no especial da nossa equipe – A lenta agonia de Hosni Mubarak.

19h41 – Os principais trechos do discurso de Suleiman:

“Abrimos a porta para o diálogo. Chegamos a um acordo. Elaboramos um plano para atender a maioria das demandas. A porta ainda está aberta”.

“Estou comprometido a realizar o que for necessário para assegurar a transição pacífica de acordo com a Constituição. Vamos implementar todos os procedimentos que prometemos”.

“Peço que todos os cidadãos olhem para frente, e que, por nossas mãos, possamos fazer deste um futuro brilhante, com democracia e ordem. Vamos dar as mãos e marchar no caminho das demandas dos jovens”.

“Chamo os jovens do país a voltar para casa, a voltar para o trabalho. O país precisa de suas mãos. Vamos dar as mãos. Não ouçam os canais de televisão, ouçam apenas suas consciências e seus corações”.

19h35 – Omar Suleiman, vice-presidente, está falando na televisão estatal.

19h33 – Há relatos de que os manifestantes estão deixando a Praça Tahrir e rumando para o Palácio Presidencial e para a sede da televisão estatal. A multidão está furiosa. Todos os canais relatam a ira dos manifestantes.

19h25 – A repórter da rede Al-Jazira na Praça Tahrir relata como os ânimos na praça mudaram.

“Houve um momento em que a Praça estava completamente silenciosa, todos ouviam ao pronunciamento. Mas mal pode-se ouvir o fim do discurso, porque no meio dele as pessoas tinham pecebido que Mubarak não renunciaria”.

“O clima de festa, com cantos e danças, desapareceu. Os ânimos agora são de ira, a multidão está gritando e agitando os sapatos contra a imagem de Mubarak. As pessoas estão saindo da Praça e gritando por ruas próximas”.

19h18 – Os egípcios reunidos na Praça Tahrir, no cento do Cairo, e em Alexandria estão furiosos com a notícia de que Mubarak não vá renunciar. Há temores de que haja uma onda de violência no país.

19h09 – Mubarak inicia o discurso com 50 minutos de atraso. O presidente confirma que não renunciará e diz que “seguirá o caminho da transição pacífica até setembro”. Veja outros trechos de seu discurso.

“Atenderei às demandas do povo e isso é um compromisso que não pode ser revertido. Estou comprometido a cumprir minhas promessas”.

“Não me candidatarei à próxima eleição presidencial e estou satisfeito com o que fiz para nossa pátria em mais de 60 anos durante períodos de paz e de guerra”.

“Deixei clara minha visão sobre como resolver a crise. Fiz seis emendas constitucionais e anulei outra. Confirmo que estou pronto para propor ou fazer novas emendas, conforme for necessário”.

“Vou trabalhar pela transição pacífica do povo. Queremos tirar o país destes momentos difíceis”.

“Não vou sucumbir a pressões estrangeiras. Amo o Egito, trabalhei duro pelo país e nunca tentei ter mais poder. A maioria das pessoas sabem quem é Hosni Mubarak e me dói o coração ver e ouvir o que meu próprio povo faz e diz”.

“Todos os egípcios estão do mesmo lado. Devemos continuar o diálogo que começamos, sem inimizade, para restaurar a confiança em nossa economia, na paz e na estabilidade dos nosso cidadãos e para normalizar a vida nas ruas egípcias”.

Mubarak disse que “viveu pelo Egito e vai morrer pelo Egito”. “Não me separarei dessa terra até que eu seja enterrado sob ela”.

18h40 – Segundo informações da Al-Arabiya, há fontes dizendo que no discurso, Mubarak não anunciará sua renúncia, mas a suspensão de todas as leis de emergência que estão em vigor no país desde 1981.

18h34 – Enquanto Mubarak não fala e os manifestantes seguem na Praça Tahrir, a televisão estatal do Egito transmite um vídeo promocional do país, mostrando as praias e pontos turísticos nacionais.

18h12 – O pronunciamento de Mubarak estava marcado para as 22 horas locais (18 horas em Brasília). O presidente não falou até agora e a multidão na Praça Tahrir aguarda ansiosa as declarações.

17h45 – O site do jornal britânico The Guardian postou um vídeo com manifestantes que pedem a renúncia de Mubarak. Clique para ver.

17h30 – Wael Ghonim escreveu em seu perfil no Twitter que está indo para a Praça Tahrir. O Exército, porém, anunciou que fechou as principais entradas para o local. A medida parece ter o objetivo de impedir a violência após um eventual anúncio da permanência de Mubarak.

16h50 – Mesmo sem a confirmação da renúncia de Mubarak e com as declarações do ministro da Informação de que o presidente não vai sair do poder, os manifestantes, que lotam a Praça Tahrir, dançam e agitam bandeiras no local. É como se o povo já estivesse comemorando a vitória.

16h40 - Obama falou pouco sobre o Egito na entrevista que está dando em Marquette, Michigan. Aqui estão as declarações do presidente americano sobre o país do norte da África.

“Estamos seguindo de perto o que está acontecendo no Egito”

“Está claro que estamos testemunhando a história. É um momento de transformações, e isso está acontecendo porque o povo está pedindo mudanças”.

“Uma nova geração quer que suas vozes sejam ouvidas. Os EUA querem que todos saibam que continuaremos a fazer tudo que pudermos por uma transição ordenada para a democracia no Egito”.

16h33 – O primeiro-ministro Ahmed Shafik disse na televisão estatal que “nenhuma decisão foi tomada” e que qualquer atitude “está nas mãos do presidente Hosni Mubarak”.

16h25 – Segundo a Al-Jazira, membros da oposição estão preocupados com a possibilidade de os militares assumirem o poder no Egito. “Parece um golpe militar. Estou preocupado. O problema não é o presidente, e sim o regime”, disse Essam al-Erian, da Irmandade Muçulmana, o principal bloco de oposição do país.

16h20 – Obama deve fazer pronunciamento em breve sobre a crise no Egito.

16h07 – Na contra-mão de todas as informações desta quinta-feira, o Ministro da Informação negou que Mubarak vá renunciar, de acordo com informações da CNN.

16h03 - Mubarak teria encerrado a reunião com Suleiman e iniciado um encontro com o primeiro-ministro, Ahmed Shafik.

16h00 - Segundo informações do canal americano CNN, um membro do alto escalão do PND confirmou que Mubarak deixará o poder nesta noite e o passará para os militares. Ele afirma que a tomada dos militares “não é um golpe, e sim um consenso”.

Os manifestantes no centro do Cairo, porém, gritam “civil, civil”, em meio aos rumores de que o Exército assumirá.

15h56 – O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a situação é imprevisível no Egito. “Temos que esperar para ver o que vai acontecer”.

15h25 - Mubarak está em reunião com o vice-presidente, Omar Suleiman, no palácio presidencial. Suleiman deve receber os poderes se Mubarak renunciar.

A Praça Tahrir está novamente cheia de manifestantes. O Exército também amplia a presença no centro do Cairo.

14h57 - O canal Al-Jazira afirma que a presença militar aumentou no Cairo desde o anúncio do Exército na televisão estatal. A Praça Tahrir, onde se concentram os manifestantes, já está lotada.

14h45 - Segundo o canal Al-Arabiya, Mubarak teria ido ao resort de Sharm el-Sheikh com seu chefe de gabinete. Não há confirmações sobre essa informação.

14h37 – A televisão estatal anuncia que Mubarak fará um importante discurso ainda nesta quinta.

14h35 - O chefe do Partido Nacional Democrático (PND), a legenda de Mubarak, Hossan Badrawi, disse que seria surpreendente “se o presidente continuasse no cargo até amanhã”. “A atitude certa agora seria fazer algo que satisfaça os manifestantes”, disse Badrawi.

14h32 - O Exército anunciou que fará um comunicado importante ainda nesta quinta. Na televisão, os militares disseram que vão interferir na crise política para “salvaguardar o país”. O general Hassan al-Roueini, comandante militar da área do Cairo, disse aos manifestantes que “todas as suas demandas seriam cumpridas” nesta quinta. A principal delas é a renúncia de Mubarak.

14h20 – O chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, Leon Panetta, disse que “há uma grande possibilidade de que Mubarak deixe o poder nesta quinta”.

Wael Ghonim, ativista e executivo do Google que se tornou símbolo dos protestos ao ser libertado na segunda-feira após quase duas semanas preso, já comemorava no Twitter a queda do ditador. “Missão cumprida. Obrigado a todos os egípcios”, escreveu ele em seu perfil.

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Grupos de direitos humanos e dissidentes egípcios disseram ao jornal britânico ‘The Guardian’ que o Exército do país participou da captura e tortura de manifestantes favoráveis à renúncia do presidente Hosni Mubarak. Até então, os militares, bastante respeitados pela sociedade egípcia, têm mantido publicamente uma postura de neutralidade na crise.

Veja também:
especialInfográfico:  
A revolução que abalou o mundo árabe
som TV Estadão: Veja imagens dos protestos na praça Tahrir
documento Artigo: De que lado está o Exército egípcio?
blog Radar Global: Personagens, curiosidades e análises da crise

De acordo com Hossam Bahgat, diretor da ONG Iniciativa Egípcia pelos Direitos Individuais, centenas, e possivelmente milhares de pessoas comuns desapareceram sob custódia dos militares nas últimas duas semanas. “Entre os presos há pessoas que estavam nos protestos, ou violaram o toque de recolher e também quem simplesmente respondeu a um oficial, ou se parecia com um estrangeiro”, disse.

Ainda segundo o Guardian, os militares mantiveram uma prisão informal no Museu de Antiguidades do Cairo. Há relatos de uso de choques elétricos nos presos. Os militares acusavam os dissidentes de estar a serviço de países estrangeiros, como o Hamas e Israel. Militantes de direitos humanos, jornalistas e advogados estavam entre os presos, a maioria já liberada.

Leia o relato dado ao Guardian por Ashraf, jovem de 23 anos que ocultou o nome por medo de ser preso novamente. ( há descrição de cenas de violência)

“Eu estava na rua e um soldado me parou e perguntou onde eu ia. Respondi e ele começou a gritar que eu estava a serviço de inimigos estrangeiros. Então começaram a me bater. Fui levado a uma sala. Um oficial me perguntou quem estava me pagando para me colocar contra o governo.

Quando eu disse que queria um governo melhor ele me bateu na cabeça e caí no chão. Os soldados começaram a me chutar entre as pernas. Eles pegaram uma baioneta e ameaçaram me estuprar com ela. Depois a passaram entre minhas pernas. Disseram que eu poderia morrer, ou desaparecer na prisão que ninguém saberia. A tortura era dolorosa, mas a ideia de sumir em uma prisão militar era bastante assustadora”

Ashraf continuou a ser espancado por diversas horas. Depois foi colocado numa sala com cerca de dez outros homens. Ele foi liberado 18 horas depois. Os militares o avisaram para não voltar mais à praça Tahrir.

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Mais da metade dos americanos (52%) ouviu muito pouco ou nada sobre a crise política que tomou conta do Egito desde o dia 25 de janeiro. Um número maior ainda (58%), acredita que os protestos contra o presidente Hosni Mubarak terão pouco ou nenhum efeito sobre os EUA.

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A revolução que abalou o mundo árabe
som TV Estadão: Veja imagens dos protestos na praça Tahrir
documento Artigo: China, Twitter e jovens são a fórmula no Egito
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Os dados são de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 8, pelo Centro de Pesquisas Pew, que reúne estudos sobre a opinião pública americana. Para esse levantamento, foram ouvidos 1.385 adultos entre os dias 2 e 7 de fevereiro.

Outros dados mostram que dos que acreditam que os protestos no Egito afetarão os EUA (42%), quase o dobro (28%) acha que o impacto será negativo.

Sobre a postura do presidente Barack Obama em relação aos protestos, 57% aprova o modo como o democrata está lidando com o problema. Para 12%, o Washington dá muito apoio aos manifestantes, enquanto outros 12% pensa exatamente o contrário e diz que o governo não dá o suporte necessário.

A proporção quase igual de americanos que ouviram e que pouco ou nada sabem sobre os protestos espanta. Todas as grandes redes e publicações do país – New York Times, Washington Post, CNN – têm dado grande destaque à crise egípcia. O próprio governo, inclusive, tem concentrado esforços na resolução das tensões no país africano.

Além disso, para os EUA, o Egito é um aliado fundamental no Oriente Médio. Washington apoiou Mubarak durante seus 30 anos de governo e tem mantido uma política mais reservada em relação aos protestos, sem pedir a saída do presidente.

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