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Radar Global

Embora hesite em tomar uma posição oficial antes da divulgação oficial do relatório da AIEA, o Itamaraty tende a rejeitar a adoção de novas sanções ao Irã. Na avaliação da diplomacia brasileira, as sanções podem ser ineficazes e não trazer o efeito pretendido pelas potências ocidentais, de enfraquecer o regime persa. Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o Brasil aproximou-se diplomática e comercialmente do Irã. O presidente Mahmoud Ahmadinejad visitou Brasília e Lula, Teerã.

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No ano passado, o ex-presidente intermediou, ao lado da Turquia, um acordo para que o Irã enriquecesse urânio fora do país. O pacto foi rejeitado pelos Estados Unidos e países europeus, que impuseram no Conselho de Segurança uma nova rodada de sanções ao país dos aiatolás.

 

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Em setembro de 2008, a construtora brasileira Norberto Odebrecht teve os bens que mantinha no Equador embargados por decreto do presidente Rafael Correa. O líder alegou que defeitos estruturais na hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa, haviam provocado paralisações na usina. Na prática, a medida significou a expulsão da Odebrecht do Equador.

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A construtora teve ainda suas obras no país ocupadas militarmente. A interdição ganhou contornos de crise bilateral entre Brasil e Equador, pois Correa declarou que poderia não pagar um empréstimo de US$ 243 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em outubro, o empréstimo acabou sendo pago e a Odebrecht concordou em fazer os reparos necessários na usina equatoriana e a pagar uma indenização.

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Ordem de não apoiar resolução que condenaria na ONU o governo sírio partiu de Dilma e irritou parte do Itamaraty

*Lisandra Paraguassu

A falta de um consenso sobre o teor da resolução contra a Síria, derrubada anteontem no Conselho de Segurança das Nações Unidas, foi a justificativa para o Brasil, mais uma vez, abster-se na votação.

Apesar de o País ter sido um dos principais negociadores, a decisão de China e Rússia de vetar o texto, mostrando que não haveria acordo, levou o governo brasileiro a optar pela abstenção para mostrar que não estava de acordo com nenhum dos lados – chineses e russos contra os europeus que propuseram a resolução.

Em sua justificativa, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, lamentou não ter havido mais tempo para uma negociação até que se chegasse a um consenso. A decisão de se abster, no entanto, veio do Planalto: foi tomada em Bruxelas pela presidente Dilma Rousseff depois de um briefing do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O chanceler explicou à presidente que não se havia chegado a um acordo e haveria um duplo veto. Também informou que os demais parceiros do Brasil no Ibas – Índia e África do Sul – iriam se abster.

Dilma avaliou ser melhor manter uma posição conjunta. A decisão incomodou parte do Itamaraty, que havia trabalhado no texto nas últimas semanas. A resolução votada foi ainda mais fraca do que aquela com que o Brasil havia concordado, onde estavam já previstas sanções e embargos. O texto final, amenizado para tentar cooptar os russos e chineses, sugeria a possibilidade de sanções futuras, mas nem mesmo esclarecia que medidas poderiam ser tomadas.

A posição defendida pelo chanceler brasileiro é que a abstenção é um voto pela manutenção do diálogo e que o Brasil vai continuar trabalhando para que haja consenso em torno de uma proposta. O problema é qual será ela. Não há possibilidade de acordo em um futuro próximo.

Um texto inicialmente sugerido pela Rússia não deve ser nem mesmo ser levado ao plenário. Se fosse, provavelmente teria efeito nulo, já que não fala em possibilidade de sanções.

Existe preocupação na diplomacia brasileira com os sinais que o Conselho de Segurança passaria ao fracassar na condenação à violência na Síria. Ontem, integrantes do governo Assad comemoraram a votação como uma “vitória histórica” na ONU. A possibilidade de contar sempre com o veto chinês e russo poderia dar ao governo sírio a ideia de que tem carta branca para agir.

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*Lisandra Paraguassu, da sucursal de Brasília

Apesar de ser o financiador da estrada, o governo brasileiro quer distância do problema causado pela obra e pelas manifestações dos indígenas. Governo e oposição bolivianos tentam envolver o País na discussão, mas o governo da presidente Dilma Rousseff quer se manter calado, falando o estritamente protocolar, enquanto espera que a Bolívia decida o que quer com a rodovia.

Enquanto a oposição boliviana quer que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja duro na cobrança de liberação dos recursos, o governo de Evo apresenta o fato de o banco ter aceitado financiar a estrada como uma garantia de que estaria fazendo tudo corretamente. Nenhum dos lados, no entanto, vai ouvir declarações de representantes do governo brasileiro. Ao contrário de anos anteriores, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a apoiar governos amigos contra as oposições locais, desta vez a ordem é manter discrição total.

Em conversas com o Estado, diplomatas explicam que o Brasil não tem razão nenhuma para se envolver em assuntos internos na Bolívia. O financiamento pelo BNDES atende, na verdade, a um pedido do presidente boliviano, Evo Morales, a Lula.

A disputa pela construção ou não da estrada teria por trás, de acordo com as fontes, uma questão eleitoral. Em especial uma demonstração de força nas eleições para os tribunais superiores bolivianos, marcadas para outubro. A votação, que escolhe os presidentes dos tribunais regionais da Bolívia, é a última antes das eleições majoritárias de 2014.

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O presidente Lula diz que não tem absolutamente nada a ver com  a greve de fome do dissidente Guillermo Fariñas para pedir a libertação de 26 presos políticos cubanos doentes. E também tentou ignorar a morte de Orlando Zapata,  após 85 dias de greve de fome, justamente quando o líder brasileiro chegou a Havana para encontrar-se com Fidel e Raúl Castro, em fevereiro.  Mas as suas desastradas declarações na terça-feira desataram uma enorme polêmica interna e consternação em muitos países.

“Greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação”, afirmou Lula, comparando os presos políticos cubanos, que pedem mais liberdade e democracia na ilha, com criminosos como o traficante Fernandinho Beira-Mar, o líder do PCC Marcola ou um assassino serial como o maníaco do parque.

O presidente também condenou a greve de fome dos cubanos dissidentes como uma “insanidade” e pediu respeito às decisões da Justiça cubana. Os dissidentes insistem em pedir-lhe ajuda para libertar os presos políticos. Ontem tentaram enviar mais uma vez uma carta ao presidente brasileiro, mas a Embaixada em Havana não protocolou o documento, por falta de assinaturas. “Estamos muito decepcionados com Lula”, disse a porta-voz de Fariñas, Licet Zamora. “Ele só pode estar louco em comparar presos políticos com criminosos comuns. Já ajudaria se ficasse calado.”

As declarações do presidente, segundo analistas, chamam a atenção pela incoerência. “O governo Lula não se importou em contestar a decisão da Justiça italiana ao se opor à extradição de Cesare Battisti”, diz o cientista político José Augusto Guilhon de Albuquerque, da USP.

“Esse episódio contribui para aumentar as suspeitas nos EUA e em outros países sobre Lula, que já estavam crescendo por causa do apoio ao Irã”, diz o cubano Carlos Alberto Montaner. “O presidente brasileiro costumava ser exaltado como um líder moderado. Hoje a decepção com ele está crescendo  –  ao menos no que diz respeito à sua política externa.”

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Não é difícil entender como o terremoto do Chile afeta os brasileiros. Em Santiago é impressionante como é fácil ouvir português nas ruas – não só por causa dos turistas brasileiros, mas também porque os chilenos, percebendo o filão, se esforçam para aprender o idioma. O Brasil é um dos países que mais envia turistas para as estações de esqui chilenas. Em muitas, um terço dos visitantes já é brasileiro.

A preferência pelo destino deve-se à redução dos preços dos pacotes, à disponibilidade de voos e à relativa proximidade entre o Chile e o Brasil.  Em termos de gastos, os brasileiro no Chile só perdem para os americanos­ ­- o que explica os investimentos dos chilenos para atrair mais visitantes do País e a sua preocupação com as baixas esporádicas do turismo brasileiro, como a que foi provocada pela gripe suína, em 2009, e deve se repetir este ano, por causa do terremoto. Para quem estava no país vizinho, as esperadas férias deste início de ano viraram pesadelo com o tremor.  

De acordo com o ministro Paulo Bozzi, chefe do Itamaraty em São Paulo, que se encontra no Chile, mais de 750 brasileiros já estiveram na embaixada desde sábado. Alguns foram retirados do país em dois aviões da FAB. E a agência de turismo CVC montou uma operação de emergência para retirar 150 turistas brasileiros em cinco ônibus, que fizeram o trajeto entre Santiago e Buenos Aires. Além disso, a CVC prometeu compensar os afetados com uma carta de crédito com a validade de um ano para a escolha de um novo destino.  

Para quem estiver em apuros, a Embaixada do Brasil em Santiago está atendendo no Centro Cultural Brasil-Chile: Avenida Libertador Bernardo O’Higgins, 1650, Estação de Metrô Los Heroes. Telefones de plantão:  (00xx56) 9334 5103 e (00xx56) 9874-5457. O horário de atendimento ao público é das 8h30 às 18 horas.

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Soldados britânicos nas Malvinas, em 1982

Soldados britânicos nas Malvinas, em 1982

O apoio do Brasil à reivindicação de soberania argentina nas Malvinas é coerente com a posição do País durante o conflito nos anos 80. Na época, o Brasil e a Argentina estavam num momento de reaproximação, depois da assinatura, em 1979, do tratado que resolveu a disputa sobre os projetos para a construção das hidrelétricas de Itaipu e de Corpus.

Em 1980, o último presidente do regime militar, João Batista Figueiredo, visitou a Argentina (na primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país vizinho em mais de 40 anos) e assinou um acordo de cooperação nuclear. Para se ter uma ideia, anos antes a desconfiança entre os dois países era tanta que os argentinos afirmavam que Itaipu seria uma usina estratégica, porque se suas comportas fossem abertas, Buenos Aires seria inundada.  

Em 1982, o apoio – ainda que tímido ­- ao vizinho na Guerra das Malvinas ajudou a consolidar o processo de criação de confiança, abrindo caminho para o que seria o Mercosul. Durante a guerra, aviões Bandeirantes Emb-11 foram comprados pelos argentinos em condições vantajosas. A Embaixada do Brasil em Londres passou a representar os negócios argentinos junto à coroa britânica. E nas duas reuniões do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o Brasil votou a favor das moções que condenavam o boicote da então Comunidade Econômica Europeia à Argentina.

É esse passado que Lula evoca ao apoiar a reivindicação argentina na Cúpula de Países da América Latina e Caribe. O grande problema, segundo analistas, é o momento em que a presidente Cristina Kirchner resolveu levantar de novo a questão. Metida numa disputa com a imprensa e setores ruralistas, Cristina vive uma das mais graves crises políticas e econômicas de seu governo. Como alerta o ex-embaixador brasileiro em Buenos Aires José Botafogo Gonçalves, a iniciativa cheira à “velha estratégia de forjar um inimigo externo para ganhar popularidade”. E parece que hoje em dia, na América Latina, tanto melhor se esse inimigo for uma “potência imperialista” – como diz Chávez.

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O protagonismo do Brasil no debate sobre a imposição de novas sanções ao Irã cresceu, basicamente, por dois fatores:

Primeiro, o país ocupa hoje um dos 15 assentos no Conselho de Segurança da ONU. Não tem direito a veto, como os 5 membros permanentes, mas seu voto conta na hora de decidir sobre as novas sanções ao país (para que elas passem são necessários nove votos, sem nenhum veto dos membros permanentes).

Segundo, o governo brasileiro deu recentemente uma série de sinais políticos de apoio ao governo iraniano e tem defendido abertamente o diálogo com Teerã, quando EUA e Europa já não veem mais perspectiva de resultados por essa via. Até os chineses, que no fim das contas, podem de fato vetar as sanções (em nome de seus laços comerciais com Teerã) preferem a discrição.

Só para mencionar alguns exemplos desses sinais, Lula disse que as controversas eleições iranianas de junho foram limpas, quando as forças de segurança do país ainda reprimiam violentamente protestos nas ruas de Teerã e nem os aiatolás ousavam se pronunciar sobre o assunto.

No ano passado, ele recebeu uma visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quando defendeu que o Irã “tem o direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos” – após a própria AIEA (agência nuclear ligada à ONU) ter levantado a dúvida de que os fins de Teerã sejam mesmo pacíficos.

Ahmadinejad, obviamente, viu na visita uma forma de mostrar que não está isolado. “Mas afinal, o que o Brasil quer ganhar com isso?”, questionam, desde então, autoridades estrangeiras, sempre que o assunto é a política externa brasileira. E até agora, nenhum diplomata brasileiro conseguiu uma explicação convincente.

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Um grupo de técnicos brasileiros ajudará o governo venezuelano a combater a crise energética. Uma política de racionamento tem deixado às escuras diversas regiões do país, às vezes por até oito horas por dia.

Na semana passada, o socorro brasileiro foi acertado em uma visita a Caracas do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. E, no início da semana, uma delegação venezuelana chegou à Brasília para expor o problema com detalhes. O objetivo da cooperação é aproveitar a experiência brasileira com grandes hidrelétricas para ajudar o país vizinho a aproveitar melhor sua capacidade energética.

Segundo autoridades de Brasília, parte do interesse brasileiro no caso está relacionado à Roraima, Estado abastecido com energia proveniente da hidrelétrica de Guri, na Venezuela. Roraima vinha recebendo uma carga de 100 MW dos venezuelanos. Depois do racionamento, passou a contar apenas com 80 MW.

Também preocupa o governo brasileiro a instabilidade no país vizinho – que poderá entrar para o Mercosul se receber o aval do Congresso paraguaio e no qual estão investidos cerca de US$ 15 bilhões em capitais brasileiros.

Os apagões, juntamente com a suspensão das transmissões da RCTV por cabo, estão motivando uma série de protestos na Venezuela. Chávez chegou a demitir um ministro que anunciou que o racionamento poderia atingir Caracas. E, se a capital ficar às escuras, as consequências políticas para o líder venezuelano (cuja popularidade já caiu para 46%) seriam imprevisíveis.

Na terça-feira, dias depois da saída do ministro, a agência estatal venezuelana anunciou, sem alarde, que Caracas, de fato, terá de reduzir seu consumo em 20%. Ou seja, o risco existe.

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A vitória do candidato de centro-direita nas eleições chilenas, Sebastián Piñera, animou a oposição no Brasil. A questão é que entre a realidade política dos dois países há um paralelo que o próprio Piñera encarregou-se de traçar em sua primeira entrevista para a imprensa internacional.

 “A presidente (Michelle) Bachelet é muito popular e o presidente Lula também. Mas uma coisa é a popularidade de um presidente e outra a necessidade de mudança (dos eleitores), como ficou demonstrado com tanta força no caso chileno”, disse Piñera, após afirmar que conhece o “projeto de mudança” da oposição brasileira.

A discussão sobre quais fatores determinam a transferência de votos de um presidente popular para seu candidato, que dominou a campanha no Chile, agora começa a ganhar força no Brasil. Segundo cientistas políticos, parte da dificuldade para essa transferência está relacionada ao fenômeno do personalismo: a população se identifica com líderes carismáticos, como Lula (mais de 70% de aprovação) ou Bachelet (mais de 80%), mas não necessariamente com seus partidos, projetos políticos – e aliados.

Num quadro como esse, ao menos dois fatores são determinantes. O primeiro é a força e carisma do candidato governista – já que uma figura “apagada” e com um discurso pouco empolgante pode acabar ofuscada pelo presidente. A segunda, a eficiência da oposição em apresentar propostas positivas e atraentes para a população ­­­- em vez de se concentrar sobre os ataques ao governo de turno (uma vez que esse é tão popular).

 Piñera soube aproveitar a crise da Concertação chilena. Afastou-se de setores pinochetistas e prometeu aumentar a eficiência do Estado chileno e cuidar da classe média, que sentia-se esquecida nos 20 anos dos governos de centro-esquerda. O discurso colou. No Brasil, a oposição parece ainda não ter definido sua estratégia.

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