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Radar Global

Militantes islâmicos da Somália proibiram hoje as rádios de transmitirem músicas. As emissoras obedeceram imediatamente, temendo que os DJs sofressem as punições dos extremistas: amputações e apedrejamentos. A ordem, que lembra as rígidas regras do Taleban, é a mais recente de uma série de medidas impopulares, como a proibição de sutiãs e filmes.

Apenas duas rádios podem ser ouvidas na cidade: uma controlada pelo governo e outra fundada pela ONU. Ambas estão localizadas em uma pequena área controlada por forças africanas.

A Somália tem uma tradição musical e muitos reprovaram a medida. Rock, rap e músicas românticas dos EUA, Europa e África eram tocadas antes do banimento. “Acho que agora seremos forçados a ouvir apenas os sons horríveis dos tiros e das explosões”, afirmou à AP Khadiya Omar, um jovem de 22 anos que vive em Mogadiscio.

O país não tem um governo efetivo há 19 anos. O conflito se intensificou nos últimos 3 anos, e ONU estima que mais de 100 mil pessoas foram desalojadas da capital somente neste ano.

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O Níger tem o quinto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Dos 14 milhões de habitantes, 61% vive com menos de US$1 por dia. Apenas 17% da população é alfabetizada. O país enfrenta um processo acelerado de desertificação e, ao mesmo tempo, possui um dos maiores crescimentos populacionais do mundo. Mas o país africano rouba a cena com os seus recursos minerais: é o terceiro maior produtor de urânio do planeta, atraindo bilhões de dólares em investimentos estrangeiros- o que não se reflete em melhores condições de vida para a população.

As medidas do presidente deposto Mamadou Tandja para se manter no poder – alterou a Constituição do país para se manter no cargo indefinidamente – colocou em risco o apoio europeu e de outros países do Ocidente. Isso explicaria o motivo pelo qual ele se aproximou de países como a Líbia e a Venezuela – ambos visitados por Tandja nos últimos meses.

Além disso, existiam rumores na França de que Tandja considerava ceder o contrato de exploração de urânio no país para os chineses – ou até para or iranianos -, ameaçando o grupo estatal francês Areva, que explora urânio no Níger há décadas e atua, no país,  a segunda maior mina do minério no mundo.

O urânio, porém, não é a única razão para o Ocidente acompanhar o desenvolvimento do país. Ainda existe a preocupação com o crescimento das operações do braço armado da Al-Qaeda no Magreg Islâmico, cujos insurgentes expandem sua área de atuação na região.

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Xiitas fazem peregrinação em Bagdá. Foto: AP

Xiitas fazem peregrinação em Bagdá. Foto: AP

Segundo o Ministério da Saúde iraquiano, um em cada dez cidadãos do país – três milhões de pessoas no total – possuem algum tipo de deficiência física ou mental desde o início da guerra no Iraque, em 2003.

Hamza Hameed é um dos três milhões de deficientes. Teve a perna direita amputada e um dos dedos da mão esquerda. Viveu preso em casa por um ano, até que precisou se jogar num rio para salvar o irmão que se afogava. Hameed hoje é um dos nadadores da equipe paraolímpica do Iraque e ganhou medalhas em torneios internacionais. Hameed, que mora com a mulher e os quatro filhos em um cômodo na casa dos pais, espera que o governo lhe dê uma casa. Ele recebe cerca de US$ 274 por mês do comitê paraolímpico.

ONGs admitem que é impossível precisar um número exato de vítimas, A Mercy Corps, com sede nos EUA, considera que esse é um prognóstico otimista, levando em conta que o país está em conflito desde 1977 (guerra entre Irã e Iraque, os bombardeios americanos e as sanções impostas durante o regime de Saddam Hussein).

O governo iraquiano não tem meios para dar apoio aos deficientes. O Ministério da Saúde possui apenas 21 centros de reabilitação e 12 laboratórios de próteses – não é possível abrir novas instalações por conta da falta de médicos e técnicos. Por conta da falta de matéria-prima, apenas um quarto dos amputados conseguem próteses. O Ministério do Trabalho e de Assuntos Sociais paga cerca de US$ 40 por mês para os deficientes.

A violência no Iraque diminuiu, mas os feridos são uma constante recordação de uma luta que matou mais de 100 mil iraquianos desde o início da invasão americana, em 2003. Durante a guerra entre o Irã e o Iraque, na década de 1980, um milhão de pessoas morreu em cada país.

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Innocent é um dos compositores das músicas de protesto em Serra Leoa. Foto: Reprodução/ LA Times

Innocent é um dos compositores das músicas de protesto em Serra Leoa. Foto: Reprodução/ LA Times

Em qualquer lugar dos guetos de Freetown, capital de Serra Leoa, um jovem vocalista com dreadlocks nos cabelos ouve as queixas da população. Todos estão cansados de mentiras, roubos e corrupção. O governo precisa mudar, e os cantores Innocent e Emmerson Bockarie, da banda Sugar Medecine, falam pelas pessoas.

A mistura de hip-hop, afro-pop e reggae surgiu com o fim da guerra civil no país, em 2002. Mais de 50 rádios transmitem esse tipo de música, que hoje é mais uma forma de entretenimento. Mas as freqüências servem como veículo para um debate político nacional.  Com a sexta maior taxa de analfabetismo do planeta e o cenário cultural dominado pela elite, artistas como Innocent são um meio independente de os mais de 6 milhões de habitantes saberem o que se passa no país.

“Essas músicas são apenas um meio que o povo tem de expressar o que quer dizer”, diz ao LA Times o produtor e ex-DJ  Emrys Savage, que usa camisetas estampadas com o rosto de Che Guevara e é conhecido como King Fisher. “Para nós, é um meio de fazer mudanças sociais”.

Em 2007, uma das músicas gravadas por Innocent ajudou a motivar a população a votar contra o governo e eleger a oposição, que conseguiu pela primeira vez fazer campanha eleitoral em algumas partes do país. “Disse para as pessoas: se você não gosta desse governo, vote contra ele. E foi o que aconteceu.”

A indústria da música de protesto foi silenciada desde a vitória do presidente Ernest Bai Koroma, com promessas de acabar com a corrupção, melhorar o sistema de saúde e levar eletricidade e água potável para toda a população.

Emmerson confiava que o novo governo traria mudanças. Mas quando voltou de uma turnê nos EUA, não viu o que gostaria. “Dois anos depois, não vemos nenhum sinal ou caminho de mudança sendo construído”, afirmou. O cantor gravou Estávamos melhor ontem do que hoje, afirmando que a sociedade pensava que tinha um salvador, mas tem um governo traidor.

Jornais afirmaram que sua mensagem, nesse caso, era absurda. Innocent compôs uma resposta, “Vamos dar-lhes uma chance”. Apesar de muito criticado, o cantor afirma que “não quer mentir para as pessoas”. Ambos foram acusados de receber suborno para as canções – tanto do governo como da oposição. E ambos negam, afirmando que a disputa não passou de uma diferença filosófica, e não financeira.

Innocent acredita que os músicos têm a responsabilidade de manter abertos os olhos da população. “Estou anotando. Se o presidente não cumprir o que prometeu, certamente voltarei para o estúdio e as pessoas ouvirão.”

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A Bósnia-Herzegovina, palco de uma guerra civil entre 1992 e 1995 no coração da Europa que deixou mais de 100 mil mortos e 4,5 milhões de refugiados, ameaça retomar o ciclo de violência entre os três grupos étnicos (sérvios bósnios, muçulmanos e croatas bósnios) iniciado após a dissolução da Iugoslávia. É o que mostra uma reportagem do jornal The Times, de Londres.

O frágil Estado federativo criado pelo Acordo de Dayton, em dezembro de 1995, para acomodar os três grupos, mostra sinais de esgotamento. E a proximidade das eleições presidenciais e parlamentares, marcadas para o segundo semestre, abriu caminho para  volta do discurso radical que marcou a implosão da Bósnia nos anos 90.

O sinal amarelo foi dado pelo líder servo-bósnio Milorad Dodik, que inicou sua campanha eleitoral com a promessa de levar adiante um referendo propondo a separação da região onde os sérvios bósnios vivem, conhecida como República Srpska, do restante da Bósnia.

Seu argumento é simples: se Kosovo conseguiu sua independência da Sérvia (outra ex-república iugoslava)  há dois anos, e com reconhecimento internacional, os servo-bósnios também teriam direito à autonomia. Para os muçulmanos bósnios, conhecidos como bosniaks e defensores de uma Bósnia indivisível, a proposta soa como uma declaração de guerra.

A queda de braço entre dois dos três grupos étnicos mostra que, mesmo após 14 anos de paz, as feridas da guerra ainda estão longe de serem curadas. A rigor, o Acordo de Dayton fez um arranjo que apenas empurrou para debaixo do tapete a grande lição do conflito: a impossibilidade de os três grupos viverem juntos e em harmonia no mesmo país.

O Acordo de Dayton (nome da cidade dos EUA onde foi assinado) foi desenhado pelo diplomata americano Richard Holbrook, atual enviado especial do governo Obama para o Afeganistão, e saudado na época como uma grande inovação.

Seu maior mérito foi o de ter mantido intacto o Estado federal da Bósnia-Herzegovina, comandado por uma presidência colegiada de três integrantes, sob o qual vivem os três grupos étnicos em regiões adminstrativas com ampla autonomia. O objetivo era evitar a partilha da Bósnia para não beneficiar os promotores da guerra - os servo-bósnios, com apoio da Sérvia, então comandada por Slobodan Milosevic – e, doce ilusão, retomar a caraterística multiétnica do país na era pré-conflito.

Na prática, porém, a Bósnia federal é apenas uma ficção: os três grupos não se misturam, não há integração cultural e tampouco noção de um nacionalismo bósnio acima das diferenças étnicas.

A ONU e a comunidade internacional apostaram alto no Acordo de Dayton. Para mantê-lo de pé, a Bósnia recebeu, desde 1996, US$ 14 bilhões em ajuda externa. Os custos incluem obras de reconstrução de cidades arrasadas pela guerra, pessoal técnico em várias áreas e manutenção de forças de paz.  Hoje, a Bósnia conta com um Exército nacional de 8.500 homens sob ordens da presidência colegiada, além de 2 mil capacetes azuis da ONU.

O acirramento das rivalidades étnicas, cada vez mais evidente, preocupa a comunidade internacional. A União Europeia acena com uma possível integração da Bósnia ao bloco europeu, com a condição de o país manter-se unido e indivisível.

O problema é que muitos países do bloco recusam-se a aceitar um país que parece prestes a explodir em um novo conflito. Embora sejam remotas as chances de a Bósnia mergulhar numa guerra sangrenta como a dos anos 90, os servos-bósnios já perceberam que a promessa de integração à UE é apenas uma desculpa para evitar a autonomia. E prometem ir até o fim. (The Times)

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Los Angeles Times

Francis Otieno arrisca sua vida por US$ 12 por mês. Foto: Reprodução/ LA Times

Se as pessoas na favela de Kibera, no Quênia, forem esperar pelo governo de Nairóbi para conectar eletricidade a seus barracos, elas nunca terão energia. Elas contam com a ajuda de eletricistas “freelancer” como Francis Otieno, que arrisca sua vida por US$ 12 por mês.

Há um ano na função, Otieno já levou cinco choques. Segundo ele, três dos acidentes “não foram tão graves” e só o lançaram longe; os outros dois quase o mataram. “Só gritei. Não sabia o que estava acontecendo. Desmaiei”, conta. “Por dois dias, não sabia onde estava”.

O esquema de distribuição de eletricidade funciona da seguinte forma: o chefe de Otieno recebe energia elétrica legalmente da distribuidora e vende para Otieno e outros dois eletricistas “freelancer”. Ele fornece material para que Otieno conecte 40 casas, recebendo de cada uma de US$ 5 por mês. Descontada a sua comissão, o eletricista “frila” repassa os pagamentos ao chefe.

Otieno, que tem 36 anos, é um herói em sua vizinhança. Problemas elétricos são frequentes na região. E ele atende em qualquer horário. O maior problema de um eletricista no Quênia são os ratos. Os milhares de roedores de Kibera destroem toda a rede de fios. Outro perigo é a estação chuvosa, que atinge a fiação e pode eletrocutar quem está tentando consertar algum eventual problema. Algumas vezes, os problemas são causados por pessoas que usam os fios como varal para secar as roupas.

Seus clientes muitas vezes não pagam pelo fornecimento de eletricidade. Otieno lhes dá três meses de tolerância antes de cortar a energia. Além disso, os “gatos” na fiação para roubar eletricidade também prejudicam o trabalho. O sonho de Otieno é ter dinheiro suficiente para começar a sua própria rede de distribuição de energia, para deixar de pagar o seu chefe.

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Piratas navegam no Índico, perto do porto de Eyl

Piratas navegam no Índico, perto do porto de Eyl. Foto: Reuters

Um terreno que há dois anos foi vendido pelo equivalente a US$ 12 mil hoje custa mais de US$ 20 mil. Por um bom par de sapatos é preciso pagar US$ 50, mais do dobro que
antes. A razão? Os piratas. A chegada de milhões de dólares em resgates alterou a vida nesta comunidade muçulmana na costa da Somália.

Os preços subiram e foi estabelecida uma clara diferença entre os ricos (os piratas) e os pobres (todos os demais). O estilo de vida dos piratas – com mansões, automóveis esportivos e drogas – irrita os líderes religiosos e os próprios habitantes do lugar.

“O uso de drogas como a maconha e o consumo de álcool, as relações sexuais e outras condutas reprováveis são agora a norma entre os piratas e isso causa transtornos sociais”, comentou o xeque Ahmed, imã de uma mesquita na cidade de Galkayo. “Isso tudo nos preocupa muito mais que o risco que os piratas representam para os barcos estrangeiros e suas tripulações”, disse.

No final do ano passado, um bando de piratas teria cobrado US$ 3,3 milhões para libertar os 36 tripulantes de um navio espanhol, que ficaram sequestrados por mais de seis semanas. Esse dinheiro chega á comunidade através de presentes, empréstimos e pagamentos de dívidas a familiares, amigos e instituições.

A força naval da União Europeia afirma que atualmente os piratas detém em seu poder 11 barcos e 264 tripulantes na costa da Somália. Não existem dúvidas de que cobrarão bastante dinheiro para soltar as tripulações.

“Circula muito dinheiro e isso afeta todo mundo, direta ou indiretamente”, disse Haji Said, dono de um hotel. Em Bossaso existe apenas uma rua pavimentada, na qual ficam os hotéis, as lojas e as construções mais novas. A rua é percorrida por automóveis de luxo, cujos ocupantes escutam música somali, norte-americana e indiana no volume máximo.

Os preços de roupas, calçados e cosméticos estão subindo, diz o comerciante Anshur Kamil. Os piratas compram fiado. Os que esperam ganhar dinheiro com algum sequestro compram mercadorias a crédito, a preços inflados, e pagam quando recebem o resgate, afirmam os moradores.

Os piratas pagam em dólares americanos e não discutem os preços, afirmou Khadra Abdullahi, dono de uma loja em Bossaso, uma cidade costeira no norte da Somália, no Golfo de Áden, em frente ao Iêmen. “Às vezes deixam o troco, o que significa que isso não significa nada para eles”. Se um aldeão pensa que o preço de uma mercadoria é muito alto para ele, diz ao comerciante: “não somos piratas”, conta Abdullahi.

Quanto mais próximo fica uma loja de um covil de piratas, mais altos são os preços das mercadorias. Num povoado vizinho a Bossaso, Eyl, uma xícara de chá custa três vezes mais que em Bossaso. Em Eyl os piratas pagam US$ 5 para que alguém engraxe seus sapatos, dez vezes mais que em Bossaso, diz o comerciante Hashim Salad.

Há dois anos, um adolescente de nome Adani vivia na rua em Bossaso. Hoje ele tem 19 anos, é pirata e dono de uma casa enorme. Ele diz que já participou de dois sequestros e ganhou US$ 75 mil.  “Se você não tem nada, é desprezado pelas pessoas. Se eles olham que você tem dinheiro, te respeitam”, afirmou Adani, que não deu o nome completo por temer represálias. “O próximo será meu último sequestro”, assegurou. “Sei que é algo muito arriscado, mas gosto deste jogo. Se as coisas acabam bem, eu me caso e deixo a pirataria”.

Roger Middleton, especialista em pirataria na organização Chatham House em Londres, disse que o pagamento médio pelo resgate de um barco passou de US$ 1 milhão para  US$ 2 milhões em um ano. Ele calculou que nos últimos dois anos a pirataria gerou na Somália mais de US$ 100 milhões.  “Tenho certeza que existe certo ressentimento com os piratas, pela maneira como eles se comportam e pelo seu estilo de vida. Eles não respeitam a tradição”, disse Middleton. Segundo ele, a maioria dos piratas ganham dezenas de milhares de dólares, não milhões, e os chefes são os que levam as somas maiores, gastas no exterior e não na Somália.

Clérigos e aldeões desaprovam o estilo de vida dos piratas. Os adolescentes dizem aos seus país que se dedicarão à pirataria se pais não deixarem que eles façam o que quiserem, comenta o ancião Suldan Mohamud Aw-nor. Os piratas praticamente compram suas mulheres. “Eles não perdem tempo conquistando mulheres, eles as seduzem com dinheiro”, afirmou Shamso Ahmed, dono de um salão de beleza. (Agência Estado e Associated Press)

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Fonte: BBC

Fonte: BBC

O drama completou dez anos há poucos dias, mas poucos veículos de comunicação se lembraram dele. No mesmo dia em que os venezuelanos iam às urnas para referendar a Constituição bolivariana de Hugo Chávez, em 15 de dezembro de 1999, a Venezuela conhecia seu pior desastre natural.

O deslizamento de uma parte das montanhas próximas de Caracas, no Estado Vargas, causou a morte de um número estimado entre 10 mil e 50 mil pessoas. Não há uma cifra oficial e, na Venezuela, é comum ouvir relatos sobre a morte de famílias inteiras – ao ponto de não haver nenhum sobrevivente para reclamar corpos de parentes. As encostas soterraram vilas totalmente  e a grande porção de terra em movimento, montanha abaixo, mudou a geografia da região e invadiu a Baía de La Guaira, onde ficava o principal porto do país.

Na época, resgatistas que tentavam, em vão, encontrar pessoas vivas sob os escombros descreveram o cenário como “um inferno de lama”.  Sob a intensa chuva que já caía havia dias e tornara o solo instável, soldados do Exército enviados por Chávez - e com ordens de atirar para matar – patrulhavam a área para evitar a ação dos saqueadores. A lama também tinha bloqueado caminhos e isolado aldeias inteiras.

O prejuízo alcançava os US$ 4 bilhões, havia 100 mil desabrigados e um alto risco de um desastre sanitário. Dias depois dos deslizamentos, sem ter como nem mesmo contabilizar uma cifra mais precisa de mortos, o governo venezuelano declarou “campo santo” toda a área afetada.

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Katrina Manson/Reuters

Katrina Manson/Reuters

Serra Leoa é um dos países onde décadas de ajuda humanitária não melhoraram a qualidade de vida da população. A nação é um exemplo de dependência da caridade: 60% dos gastos públicos são cobertos por governos estrangeiros e organizações não-governamentais. Segundo o jornal Los Angeles Times, desde 2006, recebeu mais de US$1 bilhão. Além disso, o sistema de saúde pública é um desastre e o governo, instável. Alguns temem que Serra Leoa possa se tornar outra Somália.

O país tem a segunda maior taxa de mortalidade infantil do mundo, atrás apenas da Angola – até o Afeganistão tem números melhores. A ONU diz que uma em cada oito mulheres morre no parto; nos EUA, a taxa é de 1 em cada 4.800. A expectativa de vida em Serra Leoa é de 41 anos; em Bangladesh, outra nação miserável, de 60 anos.

A década de guerra civil nos anos 90 fez com que as pessoas abandonassem a zona rural para viver na capital, Freetown, e hoje a cidade construída para 250 mil pessoas abriga 10 vezes esse número, a maior parte sem eletricidade e água potável. A corrupção do governo fez crescer a desconfiança dos doadores internacionais. Há alguns meses, uma doação do Japão de 6,2 toneladas de arroz desapareceu assim que chegou no porto.

A crise mais imediata, porém, está na saúde pública. O país tem apenas dois pediatras e quatro obstetras. O salário pago pelo governo para médicos é de cerca de US$ 100 por mês ou US$ 200 para especialistas. Enfermeiras experientes ganham US$ 80. As remunerações são as mais baixas do mundo – médicos na Etiópia, Libéria e no Nepal ganham 4 vezes mais do que isso. (Los Angeles Times)

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Multidão enfrenta soldados em 2007. Foto: AP

Multidão enfrenta soldados em 2007. Foto: AP

Quase dois anos depois de uma onda de violência ter levado o Quênia à beira de uma guerra civil, e apesar do acordo de divisão de poder e agenda de reforma destinada a resgatar o país do colapso, a situação permanece perigosamente volátil nesta nação do leste da África. A tensão entre os dois grupos étnicos que geraram os confrontos com epicentro no Vale do Rift – os kikuyu e os kalenjin – permanece alta. E o país tem uma vizinhança mergulhada na anarquia – a Somália, a leste, em guerra com militantes islâmicos inspirados na Al-Qaeda; e o Sudão, a noroeste, caminhando para a guerra civil.

Mas é a política interna que causa mais preocupação. A coalizão de governo liderada pelo presidente Mwai Kibaki e o líder opositor (que virou primeiro-ministro) Raila Odinga continua embrenhada nas mesmas disputas político-tribais que levaram ao banho de sangue de dezembro de 2007, que deixaram mais de mil mortos.

O governo pouco avançou em direção a reformas, bloqueando qualquer processo judicial para julgar os responsáveis pelos massacres - nos quais a elite política queniana esteve envolvida.

Os piores choques étnicos ocorreram na região ocidental depois que Odinga acusou Kibaki (da etnia kikuyu) de ter fraudado a eleição presidencial de 2007. Na sequência, integrantes da etnia kalenjin (de Odinga) queimaram casas e fazendas e expulsaram os kikuyus do Vale do Rift. Em reação, os kikuyus organizaram ataques contra os partidários de Odinga usando lanças e pedaços de pau. O temor agora é que a violência recomece – e com uso de armas de fogo. (The Washington Post)

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