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Radar Global

Por Paula Carvalho, do estadão.com.br

Iraquianos protestam por justiça após a morte de Hadi al-Mahdi (Karim Kadim/AP)

SÃO PAULO – A organização americana Committee to Protect Journalists (Comitê de Proteção a Jornalistas – CPJ, na sigla em inglês) divulgou nesta terça-feira, 17, o relatório ‘Impunity Index‘, que lista os países com maior impunidade em crimes contra jornalistas. Os números são calculados com base no número de assassinatos de jornalistas não esclarecidos em relação ao número de habitantes do país. 

Veja também:
Brasil é o 11º país mais impune em relação a assassinatos de jornalistas 

O Iraque é o país com maior impunidade: 93 assassinatos não resolvidos e uma população de 32 milhões de habitantes. Em segundo lugar está a Somália, com 11 homicídios não esclarecidos e uma população de 9.3 milhões de pessoas. Em seguida, Filipinas, Sri Lanka e Colômbia completam o ranking dos 5 países mais impunes.

O relatório também traz detalhes de alguns assassinatos em cada país. No Iraque, o locutor de rádio Hadi al-Mahdi foi morto em sua casa em 2011 depois de denunciar um escândalo de corrupção no governo; na Somália,  Abdisalan Sheikh Hassan foi morto depois de cobrir uma sessão turbulenta do Parlamento Federal de Transição.

No México, oitavo colocado do ranking, a rede entre tráfico de drogas e corrupção no governo tem provocado muitas mortes entre jornalistas. Em 2011, a morte de Maria Elizabeth Macías Castro foi o primeiro caso documentado pelo CPJ de ter tido relação direta com denúncias feitas em mídias sociais – o que tem sido feito por cidadãos do país para trocar informações sobre as atividades criminosas no país.

O Brasil, em 11º lugar no ranking, teve 20 crimes contra jornalistas desde 1992. Onze deles têm como principais suspeitos agentes oficiais, outros sete teriam sido mortos por grupos criminosos – como Tim Lopes – um por moradores, e outro de forma desconhecida.

 

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Por Gabriel Toueg e Bruna Ribeiro, do estadão.com.br

SÃO PAULO – Enquanto a Espanha oscila à beira de um colapso econômico, o rei do país, Juan Carlos, despertou fúria depois de uma viagem de caça para a África, que só foi descoberta porque ele tropeçou e fraturou o quadril. Por conta do acidente, Juan Carlos precisou ser levado às pressas de volta à capital espanhola, Madri, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência.

Em resposta à viagem fora de hora, a imprensa espanhola e estrangeira atacou o estilo de vida do monarca, de 74 anos. Vários jornais estamparam imagens de viagens anteriores de Juan Carlos à África, em missões parecidas. Em uma das fotos, o rei aparece armado, ao lado de um elefante que teria sido abatido por ele. A imagem seria de uma viagem de 2006.

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“Foi uma viagem irresponsável, feita no pior momento possível”, escreveu o jornal espanhol El Mundo. “A imagem de um monarca caçando elefantes na África, em um momento em que a crise econômica em nosso país cria tantos problemas para o povo espanhol, é um exemplo muito ruim”, completou.

O mesmo El Mundo publicou uma entrevista com um especialista em organização de expedições de caça no continente africano. Na matéria, ele afirma que uma viagem desse tipo pode custar até 30 mil euros (mais de R$ 73 mil). A expedição a Botsuana, que, segundo o especialista, não é um dos países mais baratos na África, teria custado US$ 26 mil (cerca de R$ 48 mil), enquanto espanhóis comuns lutam para sobreviver.

A respeitada revista Time também criticou a viagem real. A correspondente da revista em Madri, Lisa Abend, comenta a importância histórica da monarquia no país, mas afirma: “Se os espanhóis de repente começaram a se imaginar sem um rei, não é por qualquer razão histórica. É por causa de elefantes“. A Time também publicou a imagem de Juan Carlos ao lado do animal abatido.

A dívida da Espanha causada por empréstimos contraídos nos mercados internacionais aumentou fortemente, gerando preocupações de que o país poderia seguir os passos de Grécia, Irlanda e Portugal, necessitando um plano de resgate financeiro da zona do Euro. O desemprego na Espanha entre os jovens é superior a 50% e o país enfrenta cortes de gastos sem precedentes em meio a um recorde de 4,75 milhões de pessoas sem trabalho.

Além de comentários irritados na internet e a repercussão na imprensa, a imagem do elefante abatido provocou o pedido de mais transparência das finanças da família real. Em 2006, houve relatos de que o rei teria matado um urso, durante uma viagem de caça à Rússia. A queda do rei em Botsuana acontece poucos dias depois de o neto de 13 anos dele, Felipe Juan Froilan, ter dado um tiro no pé acidentalmente com uma espingarda durante uma prática de tiro ao alvo.

Manifestação. Um grupo de pessoas protestou nesta terça diante do hospital no qual Juan Carlos está internado, em Madri. Com cartazes, eles pedem o fim da morte de animais e denunciam as “vítimas reais da caça”.

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Irritações à parte, os mais sarcásticos não perderam tempo. O jornal britânico Sun reproduziu, hoje, uma foto do rei retratado como o personagem Rambo, dos filmes de ação. Na imagem, o monarca aparece com um lança-foguetes em mãos, enquanto animais parecem se esconder no fundo.

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30 anos da Guerra das Malvinas

Por Roberto Godoy, de ‘O Estado de S. Paulo’

É do alto que se vê melhor as facilidades da base aeronaval de Mount Pleasant, revela o oficial da reserva D.W., um ex-integrante da tropa britânica nas ilhas. “Depois de voar dez horas ou mais desde a Ilha da Ascensão, nos limites do Atlântico Norte, é um alívio ver a pista de pouso, uma faixa preta de mais 3 mil metros, riscada na pedra, cercada de prédios e luzes”, conta. O problema, diz, “é que a vida nas Falklands é tediosa, limitada ao trabalho, à cervejaria, ao alojamento ou à igreja – para não beber demais, entrar em depressão ou virar místico, a única opção é trabalhar duro”.

Veja também:
CRONOLOGIA: A história do arquipélago

PERFIL: Os protagonistas do conflito
GALERIA: Imagens das ilhas Malvinas
ARQUIVO: As capas do ‘Estado’ sobre a guerra
ESPECIAL: 30 anos da Guerra das Malvinas

O núcleo militar foi criado em 1982, apenas três dias depois do cessar-fogo, pela ex-primeira-ministra Margaret Thatcher. Em 2007, quando o conjunto ficou pronto, o investimento chegava a US$ 523 milhões. O custo de manutenção dos serviços é de US$ 3,9 milhões semanais. As instalações abrigam, além de 1.650 soldados de elite, 4 caças Typhoon, mais 2 aviões de inteligência e de reabastecimento em voo. De quebra, há lugar também para um destróier lançador de mísseis e um submarino nuclear. As forças da Argentina estão desequipadas, passados 30 anos desde o conflito. A aeronáutica não consegue cumprir uma programação de voos de vigilância até o limite do arquipélago e tem poucos aviões de combate – 30 unidades, talvez, prontas para uso. Todas com cerca de 30 anos.

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No dia 18 de março de 1962, há 50 anos, o governo francês e a Frente de Libertação Nacional argelina (FLN) assinaram os acordos de Évian, que colocaram fim à guerra da Argélia e abriram caminho para a independência do país, após 132 anos de colonização.

Principais Personagens

Ahmed Ben Bella: Fundador da FLN

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Ferhat Abbas: Líder do governo Argelino no Exílio

Charles de Gaulle: presidente da quinta república francesa

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Raoul Salan: general francês

Said Boualam: líder da frente argelina francesa, contrária à independência

Pierre Lagaillarde: líder da Organização Secreta do Exército

Números

França:

Soldados franceses mortos no conflito: 17 mil

Colonos franceses mortos ou desaparecidos: 3, 3 mil

Vítimas de atentados na França: 4,3 mil

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Argélia:

FLN mortos em combate: 141 mil

FLN mortos em expurgos: 12 mil

Civis vítimas de ataque francês : 1 milhão, segundo o governo argelino

Argelinos pró-França mortos depois da guerra 150 mil

Veja cronologia dos eventos:

8/05/1945 – Massacre de Sétif

Marcha francesa para comemorar a vitória na Segunda Guerra acaba em conflito com muçulmanos que protestavam pela independência. Ao menos 100 franceses e 45 mil argelinos morrem.

Março de 1954 – Formação da FLN

Ex-sargento do Exército francês, Ahmed Ben Bella reúne outros oito exilados argelinos no Egito e funda a Frente de Libertação Nacional, que tem como objetivo tornar a Argélia independente da França.

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1/11/1954 – Toussaint Rouge

Impulsionada pela derrota francesa na Indochina, a FLN lança uma guerra de guerrilhas contra o Estado francês com ataques a prédios públicos, policiais e militares. A data fica conhecida como Toussaint Rouge, (Dia de Todos os Santos vermelho). Em resposta, Paris envia 400 mil soldados para a colônia.

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Agosto de 1955 – Civis na mira

FLN começa a atacar civis. Turba incitada pelos guerrilheiros mata 120 pessoas em Philippeville. Em retaliação, tropas francesas e colonos armados matam 12 mil muçulmanos. Governador-geral da Argélia Francesa rompe com os revolucionários.

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30/09/1956 – Batalha de Argel

FLN leva o conflito para as grandes cidades. A batalha de Argel, uma das mais sangrentas da guerra, começa com mulheres colocando bombas em vias públicas. A guerrilha urbana, com uma média de 800 ataques por mês, dura até abril de 1957 e é acompanhada de uma greve geral.

Maio de 1958 – De Gaulle em cena

Irritados com a incapacidade do governo francês em acabar com a revolta, colonos invadem o escritório do governador-geral em Argel. Aumenta a pressão para que Charles de Gaulle assuma o governo.

Novembro de 1958 – Governo no Exílio

Ferhat Abbas cria o governo argelino no exílio, em Túnis, com apoio de países árabes, africanos e da China. Referendo sobre nova Constituição é aprovado, com grande participação do eleitorado muçulmano argelino.

Fevereiro de 1959 – A quinta república

Nova constituição entra em vigor, pondo fim à quarta república. De Gaulle é nomeado presidente, com poderes para governar por decreto

Setembro de 1959 – Distensão

Convencido de que o conflito é insustentável, De Gaulle declara que a Argélia precisa de autodeterminação.

Janeiro de 1960 – Semana das barricadas

Sentindo-se traídos por De Gaulle, colonos franceses erguem barricadas nas ruas de Argel e tomam o controle de prédios públicos em Argel. Ao menos 20 manifestantes morrem. O governo manda prender oito líderes do movimento e De Gaulle pede que o Exército se mantenha leal a ele.

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Janeiro de 1961 – Referendo

De Gaulle organiza referendo sobre a autodeterminação da Argélia, aprovado por 75% dos eleitores na metrópole e na colônia. Secretamente, começa negociações com a com a FLN.

Abril de 1961 – Golpe frustrado

Generais franceses na Argélia contrários à independência tentam derrubar De Gaulle. O golpe é frustrado.

Maio de 1961 – Primeiras negociações

Governo francês e FLN se reúnem em Evian, mas conversas fracassam

Março de 1962 – Acordo

Após segunda rodada de negociações, o governo francês declara um cessar-fogo

Março – junho de 1962

Organização Secreta do Exército (OAS), grupo paramilitar dissidente contrário à independência, lança ataques terroristas contra muçulmanos argelinos

1/07/1962

Independência da Argélia é aprovada em referendo. Seis milhões de argelinos votam a favor da separação (99,7%)

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Por Rodrigo Cavalheiro, enviado especial a Havana

O litro de gasolina custa R$ 1,80 nos postos em qualquer posto de Cuba. O valor é subsidiado graças ao envio de 115 mil barris de petróleo por dia a preços preferenciais pela Venezuela, país alinhado cujo cenário político está indefinido. As eleições de outubro de 2012 e o tratamento contra um câncer a que se submete o presidente Hugo Chávez, candidato a nova reeleição.

Veja também:
Burocracia e excesso de impostos emperram vendas de carros em Cuba

ESPECIAL: Reformas em Cuba

Para o cubano médio, que em geral complementa sua renda com o próprio carro (seja com transporte de passageiros ou de carga), este não parece ser o melhor momento para trocar o velho veículo adaptado para rodar a diesel, cerca de 6 vezes mais econômico, por um carro mais moderno à gasolina.

A Venezuela também financia a construção de duas refinarias em Cuba, em Santiago e Cienfuegos, o que poderia baratear ainda mais o preço ao consumidor. Em 2010, as parcerias no setor foram renovadas por 10 anos, mas não há certeza sobre o efeito que uma mudança em um país polarizado como a Vezezuela teria sobre contratos fundados basicamente em afinidades ideológicas.

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*ETHAN BRONNER

A troca de prisioneiros entre o Hamas e Israel poderá mudar as relações regionais, fortalecendo o Egito, o Hamas e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, e representar um sério desafio para a Autoridade Palestina na Cisjordânia. Uma das consequências no longo prazo poderá ser um movimento palestino fortemente influenciado pelo Hamas, inspirado na primavera árabe e mais disposto ao confronto, o que aumentaria as dificuldades de Israel e estreitaria as relações entre o Hamas, o Egito e a Turquia.

Os detalhes do acordo não foram revelados e é difícil determinar o motivo que levou os dois lados a um entendimento depois de anos de impasse. No entanto, os crescentes tumultos na região foram um elemento preponderante, assim como a evolução da política interna.

O Hamas, preocupado com sua base na capital síria, Damasco, onde está havendo um levante contra o presidente Bashar Assad, está sondando Turquia e Egito como possíveis refúgios futuros. O acordo ajudará o grupo em ambos os seus objetivos. Israel, por seu lado, temendo que, depois das eleições no Egito, o governo daquele país não lhe seja favorável, achou mais conveniente agir agora.

Além disso, é possível que a concretização do acordo entre Hamas e Israel seja uma consequência dos esforços da Autoridade Palestina, dominada pelo Fatah, para obter sua aceitação como membro da ONU. O Hamas, que governa Gaza e quer a destruição de Israel, criticou a decisão. No momento, Abbas está tendo problemas em obter suficiente apoio no Conselho de Segurança e entre as principais potências europeias.

Para Netanyahu, trazer de volta Gilad Shalit, cuja imagem está em toda parte em Israel, será um significativo feito político. O anseio popular pelo retorno do soldado, em muitos aspectos, é comparável ao movimento de protesto social aqui, iniciado nos últimos meses com a revolta contra o custo de vida elevado. Essa vitória pode promover a união numa sociedade fragmentada e estender seu mandato.

Para o Hamas, o momento da troca é quase ideal. Nas suas negociações com Israel, o Hamas insistiu para que todas as facções palestinas, bem como os árabes-israelenses e os residentes em Jerusalém, estivessem representados entre os prisioneiros que serão libertados, dando-lhe a possibilidade de afirmar que o grupo está zelando por todos os palestinos.

Ambas as partes cederam em alguns pontos que defendiam obstinadamente havia muito tempo. O Hamas concordou em retirar de sua lista alguns dos prisioneiros mais perigosos do ponto de vista de Israel e aceitou que alguns prisioneiros fossem enviados para o exílio por certo número de anos, condição que anteriormente rejeitara.

Israel concordou em permitir o retorno de outros prisioneiros para a Cisjordânia, convicto de que as forças de segurança palestinas na região estão mais preparadas e pelo fato de os militares israelenses manterem um controle rigoroso no território.

A troca, no entanto, poderá também enfraquecer Abbas e a Autoridade Palestina na Cisjordânia. Se as conversações a respeito de um futuro Estado palestino não forem retomadas, essas forças de segurança poderão mudar o seu objetivo. /TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*É escritor e jornalista do New York Times

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‘Scarface’, como é conhecido pela cicatriz no rosto: descrito como ‘inútil’

* Robert F. Worth / NYT

Seu apelido era “Scarface”, lembrete de um brutal golpe de faca recebido num beco de Houston três décadas atrás que deixou sua bochecha esquerda marcada. Seus amigos e vizinhos no Texas disseram que ele sabia ser grosseiro, intimidador e costumava ficar fora de casa fumando e falando ao telefone num idioma que eles não compreendiam.

Manssor Arbabsiar, de 56 anos, o homem no centro de um suposto complô iraniano para assassinar o embaixador saudita em Washington, parece ser mais um oportunista trapalhão do que um terrorista calculista. No Texas, deixou um rastro de empreendimentos falidos e credores enfurecidos, além de uma ex-mulher que solicitou proteção judicial contra ele. Amigos e conhecidos disseram que ele vivia em estado perpétuo de desorganização.

“Nem mesmo os pés de meia que ele usava eram do mesmo par”, disse Tom Hosseini, ex-colega de quarto e amigo de longa data. “Ele vivia perdendo o celular e as chaves. Nunca seria capaz de levar a cabo tal plano.”

Em algum momento nos últimos dois anos, Arbabsiar, chamado de “Jack” pelos amigos, passou certo tempo no Irã. Investigadores dizem que ele teria estabelecido relações com a Brigada al-Quds. Mas Hosseini, que viu o amigo pela última vez há aproximadamente seis meses, disse que ele parecia estar só em busca de dinheiro.

A queixa federal contra Arbabsiar não especificou a quantia que ele deveria receber dos iranianos, acusados de pedir que ele oferecesse US$ 1,5 milhão a traficantes mexicanos pela execução. Amigos o descreveram como alguém sem interesse em religião e política, habituado a fumar maconha e consumir bebidas alcoólicas livremente.

Sam Ragsdale, dono de uma concessionária de veículos, tinha uma palavra para descrevê-lo: “Inútil”. Arbabsiar tornou-se cidadão americano após casar-se pela primeira vez. O casal separou-se em 1987. Ele se casou novamente e tentou a sorte numa série de pequenos empreendimentos, vendendo de cavalos até sorvetes, passando por carros usados e sanduíches. Tudo parece ter dado errado e os registros federais e estaduais mostram um rastro de penhoras, processos relacionados a empresas falidas e credores.

Ele foi detido em 2001 e indiciado por roubo num caso relacionado à venda de uma loja. Dan Keetch, vendedor de carros, disse que Arbabsiar pareceu ter ficado muito triste com os ataques do 11 de Setembro. “Meu amigo, não sou assim. A maioria do meu povo não é assim”, teria dito, segundo Keetch.

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*Raf Casert e Malin Rising

A União Europeia está intensificando seus contatos com a emergente oposição síria ao mesmo tempo em que procura ampliar as sanções contra o regime do presidente Bashar Assad, cuja repressão contra manifestantes já matou cerca de 3 mil pessoas.

As autoridades europeias ainda tentam saber se os opositores poderão influir de maneira decisiva na derrubada do regime de Assad. No entanto, segundo os diplomatas do bloco, ainda é muito cedo para se discutir um reconhecimento formal à oposição como representante legítima do povo sírio – como ocorreu com os rebeldes que lutavam contra o ex-ditador líbio Muamar Kadafi. “Acredito que precisamos conhecer melhor os integrantes (da oposição síria) e suas intenções”, disse ontem, em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, durante encontro de chanceleres da UE para discutir a questão.

Pela manhã, o Conselho Nacional Sírio – grupo de militantes da oposição formado recentemente – disse que lutará pela consolidação da democracia num regime pós-Assad. O conselho pediu ainda a entrada de observadores internacionais na Síria para examinar a situação.

Ghied al-Hashmy, um cientista político que participou de uma conferência dos membros da oposição síria na Suécia, disse que o conselho se opõe à intervenção militar. No entanto, ele pediu uma pressão política mais incisiva sobre Damasco, como as sanções econômicas que a UE está aplicando.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que o bloco planeja ampliar sua ação contra a Síria. Segundo ela, será necessária uma terceira rodada de medidas, principalmente depois do discurso “decepcionante” de Assad, no fim de semana, no qual ele criticou a suposta ingerência externa no país. Na semana passada, uma autoridade que pediu anonimato declarou que o maior banco comercial da Síria sofrerá novas sanções.

O Conselho Nacional Sírio teria uma base ampla, que inclui a maioria das principais facções da oposição. Nenhum país ou organização internacional o reconheceu ainda como legítimo representante do povo sírio e, no domingo, o chanceler da Síria, Walid al-Moallem, ameaçou empreender “medidas rigorosas” contra qualquer país que o fizer. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*SÃO REPÓRTERES DA AP

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*Anthony Shadid, para o New York Times

 

 

Até dois anos atrás, poucos no Iêmen ou no mundo árabe tinham ouvido falar de Anwar al-Awlaki, americano propagandista do radicalismo islâmico, cuja morte foi celebrada, na semana passada, como um grande golpe contra a Al-Qaeda. O que distinguia Al-Awlaki não eram suas ideias ou influência, mas sua educação, passaporte e seu inglês perfeito.

 

Enquanto autoridades ocidentais e comentaristas viram o fim de Al-Awlaki como uma séria perda para a Al-Qaeda (da qual a Al-Shabab é um braço), apareceu novamente a desconexão entre os objetivos americanos e as percepções árabes. Em uma região paralisada pelo drama de sua rebelião, a voz de Al-Awlaki não tinha quase nenhuma ressonância. Dada a grandeza da agitação política que derrubou ou ameaçou líderes em toda a região, muitos no mundo árabe parecem ter visto a morte de Al-Awlaki não como uma volta na batalha entre os EUA e a Al-Qaeda, mas uma volta nos dramas de levantes populares no Iêmen e em outros países.

 

Uma das visões mais comuns entre analistas é que Al-Awlaki era mais uma fonte de inspiração do que um facilitador de ataques. Na prática, era alguém capaz de motivar terroristas freelancers, capazes de renovar o sentimento de medo nos EUA, mesmo sem ataques de sucesso.

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*Craig Whitlock

O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse no domingo que Israel está se tornando “cada vez mais isolado” no Oriente Médio por causa da deterioração de suas relações com Egito e Turquia, e também do tumulto político causado pela primavera árabe.

Panetta partiu para uma viagem de vários dias pelo Oriente Médio e Europa. Sua primeira parada foi em Israel, onde ele tem alertado líderes israelenses e palestinos que as condições são muito favoráveis à instabilidade se eles não retomarem as negociações de paz em breve.

As relações de Israel com Egito e Turquia – antes os seus principais aliados na região – sofreram desgaste desde o início dos movimentos pró-democracia no mundo árabe. Ao mesmo tempo, o governo Obama lutou para convencer Israel e a Autoridade Palestina a retomar as negociações, enquanto ambos se mostraram cada vez menos flexíveis. No domingo, Israel concordou com uma proposta feita por mediadores internacionais para reabrir as negociações de paz depois que os palestinos reagiram positivamente a um novo plano.

Em Israel, Panetta deve se reunir com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e outros representantes. Ele planeja também uma viagem ao Cairo para visitar Mohammed Hussein Tantawi, chefe da junta militar que governa o Egito.

“No momento, com tantas mudanças ocorrendo, são muitos os pontos de atrito”, disse Panetta. “O mais importante para Israel agora é tentar desenvolver laços melhores com todos esses países vizinhos, para que ao menos eles possam se comunicar entre si em lugar de levar tais questões às ruas.” Manifestantes egípcios invadiram a embaixada israelense no Cairo no mês passado. Quando as forças egípcias reagiram com lentidão para garantir a proteção dos funcionários da embaixada, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu a Panetta que interviesse.

Panetta disse que tentaria convencer os lados a aceitar a mais recente tentativa de retomar as negociações, apoiada por EUA, União Europeia, ONU e Rússia. A proposta pede que israelenses e palestinos cheguem a um acordo em um ano. Se não houver progresso em breve, funcionários do governo americano temem que as manifestações de rua nos países abalados pela primavera árabe possam chegar aos territórios palestinos, que têm se mantido em relativa calma.

*Publicado no Washington Post

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