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Radar Global

Domingo, 21 de novembro -Uma sensação estranha toma conta de quem chega à passagem de San Ysidro.  De um lado está a Califórnia, Estado mais rico dos EUA.  Do outro, Tijuana, cidade-problema com fama de ser a bomba-relógio do México.  Todas as noites, perto dali, um infame jogo de gato e rato ocorre no deserto. Imigrantes que fogem do implacável controle da fronteira são caçados por membros do Minuteman, milícia de extrema direita que sequestra, tortura e mata latinos que tentam entrar no país.

Segunda-feira, 22 de novembro - A Coreia do Norte mostrou a um cientista nuclear americano que visitou o país este mês uma nova instalação construída secreta e rapidamente para o enriquecimento de urânio, confrontando o governo de Barack Obama com a perspectiva de o regime de Kim Jong-il estar se preparando para expandir seu arsenal nuclear ou construir um tipo muito mais poderoso de bomba atômica.

Terça-feira, 23 de novembro - Pelo menos 345 pessoas morreram e 329 ficaram feridas ontem no Camboja após um tumulto generalizado durante um festival realizado em uma ilha fluvial na capital, Phnom Penh. De acordo com as autoridades locais, milhares de pessoas entraram em pânico quando forçaram a passagem por uma ponte sobre o Rio Tonle Sap. Muitas foram pisoteadas. Outras caíram na água e morreram afogadas.

Quarta-feira, 24 de novembro – A Coreia do Norte disparou cerca de 200 peças de artilharia contra a Ilha de Yeonpyeong, da Coreia do Sul. O bombardeio incendiou quase 70 casas, matou 2 soldados sul-coreanos e deixou outros 14 feridos. Militares em Seul entraram em alerta máximo. Tropas dos dois países trocaram disparos e o enfrentamento foi considerado um dos mais grave desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953).

Quinta-feira, 25 de novembro - Um dia depois de a Coreia do Norte atacar a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, o porta-aviões americano USS George Washington partiu em direção à região. De domingo a quarta-feira, EUA e Coreia do Sul planejam realizar manobras militares conjuntas. Segundo o Pentágono, a ação havia sido programada antes do bombardeio

Sexta-feira, 26 de novembro - O bombardeio norte-coreano à Ilha de Yeonpyeong fez mais uma vítima. O ministro sul-coreano da Defesa, Kim Tae-young, renunciou após intensos protestos contra a resposta de Seul ao ataque. A demissão coincidiu com a promessa do presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, de aumentar o número de militares em Yeonpyeong.

Sábado, 27 de novembro – As eleições no Haiti têm despertado pouca paixão entre seus habitantes. Os haitianos evitam discutir em quem votarão e assistem à propaganda política como se fosse programas de comédia. Não entraram no clima eleitoral, apesar de esta ser a primeira vez na história do país que um presidente democraticamente eleito passará a faixa para outro.

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Domingo, 14 de novembro -Cubanos que forem às lojas estatais de Havana comprar sandálias Havaianas não encontrarão mais os calçados empilhados em prateleiras padronizadas, como há dois meses.  Agora, “las legítimas” estão penduradas num display, colorido e modernoso, da marca.  A mudança seria banal em qualquer lugar do mundo.  Mas na ilha socialista não é, dizem empresários brasileiros de olho na iminente mudança estrutural da economia cubana.

Segunda-feira, 15 de novembro – Um pacote de segurança que inclui a entrega de 20 caças no valor de US$ 3 bilhões e outras garantias de segurança dos EUA a Israel fizeram com que o premiê israelense Binyamin “Bibi” Netanyahu aceitasse congelar as construções judaicas na Cisjordânia por 90 dias. Apesar de a expectativa ser positiva, os EUA ainda não obtiveram uma resposta oficial. Ela depende da concordância da coalização que sustenta o governo israelense.

Terça-feira, 16 de novembro - Os EUA levarão à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) neste fim de semana, em Lisboa, um plano para encerrar as operações de combate no Afeganistão em 2014. A estratégia é transferir a segurança para os afegãos progressivamente ao longo dos próximos quatro anos. Mesmo depois do prazo, assim como ocorre no Iraque, a aliança militar ocidental deve manter um contingente para treinamento e logística.

Quarta-feira, 17 de novembro - Confrontos entre soldados da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah) e manifestantes que acusam tropas da ONU de ter iniciado uma epidemia de cólera deixaram pelo menos 2 mortos e 14 feridos desde a noite de segunda-feira. Os confrontos com vítimas ocorreram na segunda maior cidade do Haiti, Cap-Haitien, na região norte, mas distúrbios também foram registrados em Hinche, no centro do país.

Quinta-feira, 18 de novembro – A epidemia de cólera que já causou 1.034 mortes e deixou quase 17 mil pessoas internadas no Haiti chegou à República Dominicana e aos EUA, dando sinais de que pode se espalhar por outros países, prejudicar as eleições presidenciais haitianas do dia 28 e ultrapassar a barreira dos 200 mil casos no próximo ano, de acordo com projeções da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Sexta-feira, 19 de novembro – O veredicto do caso do primeiro prisioneiro de Guantánamo julgado em um tribunal civil, divulgado na quarta-feira, reacendeu o debate que envolve os esforços do governo de Barack Obama para restaurar o papel do sistema tradicional de Justiça no julgamento de casos de terrorismo. O tanzaniano Ahmed Ghailani pode pegar entre 20 anos e prisão perpétua por envolvimento nos ataques contra embaixadas americanas na África, em 1998 – lançados antes do esforço conhecido como “guerra ao terror”, que teve início após os ataques do 11 de Setembro. No entanto, como o júri o absolveu de mais de 280 outras acusações – entre elas as de assassinato –, críticos da estratégia de Obama disseram que o veredicto prova que os tribunais civis não são confiáveis para lidar com processos de terroristas da Al-Qaeda.

Sábado, 20 de novembro - A diplomacia brasileira recusou-se a apoiar a resolução na ONU que pede o fim do apedrejamento no Irã e condena esse tipo de punição. Aprovada ontem em votação, a resolução condena ainda Teerã por “graves violações de direitos humanos” e por silenciar jornalistas, blogueiros e opositores. O governo iraniano acusou a ONU de “politizar a questão do apedrejamento”

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Domingo, 31 de outubro - Nenhuma cadeira do Senado dos EUA é tão disputada quanto em Nevada. No Estado mais conhecido por seus cassinos e pelos testes atômicos dos anos 50 e 60, a briga pelos votos da eleição de depois de amanhã envolve uma líder local do Tea Party, a ala de ultradireita do Partido Republicano, e um aliado político e amigo do presidente americano, Barack Obama. A dois dias da votação, a professora primária e deputada estadual Sharron Angle, com 49% das intenções de voto, ameaça a reeleição do veterano senador Harry Reid, com 45%, valendo-se de máximas contra o governo “comunista” de Obama e de ofensas à comunidade latino-americana.

Segunda-feira, 1 de novembro - O presidente dos EUA, Barack Obama, indicou que seu governo não fará composições com a oposição republicana e não recuará em sua agenda, mesmo diante da inevitável perda do controle da Câmara dos Deputados pela base governista. A sinalização surgiu no discurso de 35 minutos, em Ohio, com o qual Obama encerrou sua participação nas eleições legislativas de 2 de novembro.

Terça-feira, 2 de novembro – O resultado da eleição legislativa nos EUA deve abrir a disputa pela Casa Branca em 2012. Apesar dos rumores da candidatura alternativa da secretária de Estado, Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, o presidente americano, Barack Obama, já se lançou à reeleição. Provável vitorioso na eleição de hoje, o Partido Republicano vê-se em vantagem em relação a 2008. Mas está dividido. Pelo menos seis pré-candidatos concorrem com a líder do movimento ultraconservador Tea Party, Sarah Palin, pela indicação da legenda.

Quarta-feira, 3 de novembro - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se verá em difícil situação para seguir com sua agenda de “mudança” a partir de janeiro, quando tomarão posse os 435 novos deputados e 33 senadores eleitos. A nova composição do Congresso deve dificultar a tramitação de projetos da Casa Branca e tornar a agenda interna e externa do país mais conservadora, iniciando um período de intenso conflito entre republicanos e o governo.

Quinta-feira, 4 de novembro - Derrotado nas eleições legislativas de terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez um apelo público aos líderes do Partido Republicano para que negociem com os democratas e a Casa Branca soluções para reaquecer a economia do país. Abatido, Obama reconheceu em entrevista que os eleitores mostraram-se “profundamente frustrados” com sua agenda de governo e admitiu sentir-se “mal” com a derrota.

Sexta-feira, 5 de novembro – Impulsionados pela vitória eleitoral da terça-feira, líderes do Partido Republicano começam a se articular para impedir a reeleição de Barack Obama em 2012. A intenção é evitar o que alguns chamam de “efeito Clinton” – referência ao presidente Bill Clinton (1993-2001), que perdeu a eleição de meio de mandato de 1994, mas acabou reeleito dois anos depois.

Sábado, 6 de novembro – Com o controle da Câmara, os republicanos agora não poderão ser apenas o partido do “não” e precisarão atuar em diversas áreas, incluindo a formulação do orçamento. Caso contrário, correm o risco de decepcionar a base que os levou à vitória sobre os democratas nas eleições para o Congresso nesta semana. Ao avaliar o novo cenário, Mitch McConnell, líder republicano no Senado, disse em entrevista ao Wall Street Journal que tem observado episódios do passado para entender o porquê de a oposição quase sempre fracassar “dois anos depois de tomar o poder do Legislativo ou – como no caso desta semana – obter um ótimo resultado”.

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Domingo, 24 de outubro - O vazamento de quase 400 mil documentos sobre a Guerra do Iraque ocorre no momento em que cai a influência dos EUA sobre a política iraquiana e aumenta o domínio do Irã sobre Bagdá. Uma das milícias que, segundo os papéis divulgados pelo WikiLeaks, foi treinada pelo regime de Teerã deve integrar a coalizão proposta pelo premiê iraquiano, Nuri al-Maliki. Opositores ao atual primeiro-ministro disseram, no Iraque, que as acusações de tortura contra as forças iraquianas colocam em cheque a permanência de Maliki no poder, acentuando ainda mais a instabilidade política que vive o país desde as eleições de março. O novo governo não foi oficializado e o premiê segue interinamente no poder.

Segunda-feira, 25 de outubro - Um surto de cólera que matou mais de 250 pessoas nos últimos cinco dias no Haiti chegou à capital, Porto Príncipe, onde milhares de desabrigados vivem sem água e esgoto desde o terremoto que matou 250 mil pessoas, em janeiro. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que cinco pessoas morreram depois de chegar à cidade já infectadas. Pelo menos 3,5 mil haitianos estão internados com suspeita da enfermidade. “Dos cinco casos de cólera confirmados em Porto Príncipe, quatro eram de pessoas originárias de Artibonite (no norte do país) e uma do Departamento Centro”, informou o escritório de coordenação de assuntos humanitários das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça. “Esses casos não constituem uma propagação da doença, já que não se trata de um novo foco (de infestação). A identificação desses cinco casos na capital, ainda que preocupante, demonstra que o sistema de vigilância da epidemia funciona.”

Terça-feira, 26 de outubro - O surto de cólera que já deixou 259 mortos e 3.342 infectados no Haiti pode obrigar o governo a adiar a eleição presidencial de 28 de novembro, comprometendo a estabilização do país mais pobre das Américas. Além do rápido avanço da doença, as forças de paz temem que a temporada de furacões, que começa agora, castigue ainda mais os acampamentos onde vivem 1,5 milhão de desabrigados do terremoto de 12 de janeiro. Segundo o comandante militar da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah), o general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz, uma das preocupações é manter a segurança diante da crise sanitária. Neste momento, diz o general, há 100% de estabilidade. Mas, “se considerarmos o pior cenário (de pico da doença), nos traz preocupação”. “Todo o esforço será feito para que nós tenhamos a eleição e possamos dar o atendimento a essa emergência”, garante Paul Cruz.

Quarta-feira, 27 de outubro - Um terremoto de 7,7 graus na escala Richter, seguido de um tsunami e uma erupção vulcânica, deixou pelo menos 138 mortos e 500 desaparecidos nas ilhas que formam a Indonésia, maior arquipélago do mundo, no Sudeste Asiático. O epicentro do tremor foi localizado nas Ilhas Mentawai, na noite de segunda-feira. O local atrai turistas do mundo todo. Pelo menos oito estrangeiros estavam entre os desaparecidos.

Quinta-feira, 28 de outubro - A política argentina está lançada num cenário de ainda mais incerteza, com a morte súbita do ex-presidente Néstor Kirchner – considerado o político que verdadeiramente exercia o poder no governo de sua mulher, Cristina. Ele estava em El Calafate, no extremo sul da Argentina, quando passou mal de madrugada. Às 7 horas, ao lado de Cristina, deu entrada no Hospital José Formenti. Pouco mais de duas horas depois, apesar das tentativas dos médicos de reanimá-lo, o homem mais poderoso da Argentina – o caudilho que alinhou o país à agenda bolivariana do venezuelano Hugo Chávez, acirrou a disputa do peronismo com produtores agrícolas, empresários e jornalistas, centralizou todas as decisões de governo e não poupou seus opositores do peso da máquina implacável do Estado – estava morto.

Sexta-feira, 29 de outubro - Políticos, celebridades e esportistas argentinos, além de vários líderes internacionais, velaram na ala dos “heróis latino-americanos” da Casa Rosada o corpo do ex-presidente Néstor Kirchner, morto de um ataque cardíaco na quarta-feira. Diferentemente dos rumores que circularam logo após a morte do líder, o enterro de Kirchner ocorrerá hoje, e não amanhã, como chegou a ser anunciado.

Sábado, 30 de outubro - Pacotes-bomba, enviados do Iêmen, assustaram ontem os EUA e colocaram o país, além de aliados europeus e árabes, em alerta. Os pacotes estavam endereçados a instituições judaicas de Chicago. O presidente Barack Obama havia sido avisado na quinta-feira sobre a ameaça e ontem prometeu em discurso combater a chamada “Al-Qaeda na Península Arábica”, isolada no Iêmen e considerada a principal suspeita pela tentativa de ataque.

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Leia abaixo as notícias internacionais mais importantes da semana:

Domingo, 17 de outubro - A 622 metros de profundidade, a vida dos 33 mineiros na Mina San José, era ainda mais dura do que se imaginava. A temperatura média era de 40˚C e a umidade, de 100%. “Era como um bafo quente que penetrava no corpo, um calor insuportável”, contou o socorrista Manuel González, o primeiro a descer na mina na cápsula Fênix. Foi como passar mais de dois meses numa sauna. Os primeiros 17 dias de isolamento, quando ninguém sabia se eles estavam vivos ou não, foram os mais difíceis. Nas primeiras três horas de 5 de agosto, data do acidente, o deslizamento levantou tanto pó que não se enxergava nada. Assentada a poeira, eles começaram a planejar como iriam sobreviver – com uma colherada de atum e um copinho de leite a cada 12 horas. Depois, o leite estragou e o peixe enlatado começou a escassear. Passaram a comer apenas a cada 24 horas, até chegar a só uma colher de atum a cada 72 horas. A água potável acabou, e passaram a beber a água que estava dentro dos motores do maquinário lá embaixo, cheia de óleo. Quando sobravam apenas três latas de atum, Víctor Segovia disse a José Henríquez, o “pastor” do grupo, que fazia as vezes de líder espiritual: “O que será de nós, só temos mais três latas de atum”. Henríquez respondeu. “Não se preocupe, a caixa de alimentos vai voltar a se encher”, segundo contou Henríquez ao jornal local La Segunda.

Segunda-feira, 18 de outubro - Alguns dos 33 mineiros que passaram 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade na Mina San José, no Deserto do Atacama, voltaram ao local da tragédia para participar de uma missa de ação de graças, acompanhados de parentes e curiosos. A cerimônia foi marcada pela emoção e a gratidão dos mineiros salvos, mas também pela revolta de 368 trabalhadores da empresa San Esteban – responsável pela mina onde os 33 foram soterrados – que protestaram contra o não pagamento de seus salários, além de indenizações e outros direitos trabalhistas que ficaram pendentes desde que a empresa foi fechada por decisão da Justiça. “Não somos 33, somos 300. E quem nos tira do buraco? Estamos há 70 dias sem trabalho. Não nos roubem”, diziam alguns dos cartazes erguidos pelos trabalhadores, que tiveram de ser contidos pela polícia.

Terça-feira, 19 de outubro - O vice-presidente da China, Xi Jinping, foi eleito para o segundo posto mais importante do organismo que controla o Exército de Libertação Popular, o que reforçou ainda mais suas credenciais como provável sucessor de Hu Jintao no comando do país, em 2013. O anúncio foi realizado no fim de quatro dias de reunião dos 365 integrantes do Comitê Central do Partido Comunista. Na reunião também foi discutido o Plano Quinquenal que traçará as linhas do desenvolvimento do país no período 2011-2015. A trajetória de Xi repete a do próprio Hu, que foi indicado para a vice-presidência da Comissão Central Militar em 1999, anos antes de assumir o comando do partido, no fim de 2002, e a presidência da China, em março de 2003 – Hu só passou a chefiar a Comissão Militar em 2004.

Quarta-feira, 20 de outubro - A presidente Cristina Kirchner propôs a “nacionalização” dos meios de comunicação, que, na sua visão, não têm atendido aos “interesses nacionais”. Sem deixar transparecer intenções mais claras, contudo, Cristina foi enfática ao ressaltar que não pretende “estatizar” a mídia. Segundo a presidente – que há dois anos alerta constantemente sobre um hipotético “golpe de Estado” preparado pela mídia em conjunto com a oposição –, “seria importante nacionalizar os meios de comunicação para que eles tenham consciência nacional e defendam os interesses do país”. Ela criticou especificamente o fato de haver “tantos microfones e câmeras de TV sobre os problemas do crescimento econômico (de hoje)”, enquanto os veículos da mídia “acobertaram, ignoraram e muitas vezes foram cúmplices da política de entrega e subordinação sem dizer uma só palavra ou tirar uma só foto”.

Quinta-feira, 21 de outubro - Depois de consultar Israel, o governo americano notificou ao Congresso que pretende vender US$ 60 bilhões em armamentos para a Arábia Saudita – num dos maiores negócios da história da indústria bélica americana. A ação tem o objetivo de aumentar o equilíbrio na região, onde cresce a ameaça de um Irã nuclear. Segundo o anúncio conjunto do Pentágono e do Departamento de Estado, os sauditas comprarão 84 novos F-15 da Boeing, 70 helicópteros Apache, 36 aparelhos menores denominados AH-6M Little Bird e 72 helicópteros Black Hawk, entre outros armamentos, além da atualização tecnológica de 70 caças F-15 que Riad já possui.

Sexta-feira, 22 de outubro - Buenos Aires parou por causa dos protestos contra o assassinato de Mariano Ferreyra, militante de 23 anos do Partido Obrero (PO), grupo trotskista. O jovem foi morto a tiros supostamente por sindicalistas ferroviários em uma emboscada na quarta-feira à tarde. Os assassinos integrariam a Confederação Geral do Trabalho (CGT), central sindical aliada à presidente Cristina Kirchner. Outra militante, Elsa Rodríguez, de 56 anos, foi baleada na cabeça e estava em estado grave. O PO acusa o governo Kirchnerde conivência na “selvagem matança”.

Sábado, 23 de outubro - Informações detalhadas sobre como o Irã armou e financiou milícias xiitas iraquianas, quantos civis morreram desde 2004 e de que forma prisioneiros eram sistematicamente torturados no Iraque foram reveladas pela organização independente WikiLeaks. Ao todo, 391.832 documentos secretos narram os bastidores das operações militares dos EUA no Iraque. Segundo as informações divulgadas, pelo menos 109 mil iraquianos morreram na guerra – cifra muito superior à estimada pelo governo americano, que teria maquiado provas para reduzir o número de mortos. Os documentos compilados cobrem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009.

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Veja abaixo os destaques da semana:

Domingo, 10 de outubro - Na periferia de Sófia, um cortiço vem sendo alvo de uma preocupação especial por parte dos moradores do bairro. É o edifício para onde foi levada parte dos ciganos expulsos da França nos últimos meses. De volta a seu país de origem, eles seguem discriminados e marginalizados. Seus novos vizinhos chegaram a fazer um protesto, alertando que não queriam se transformar em um gueto de ciganos. Muitos dos que foram deportados – para Bulgária e Romênia – pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizem que só esperam alguns meses antes de voltar a tomar a estrada na direção da Europa Ocidental, em busca de melhores serviços públicos e empregos mais rentáveis. Entre 10 milhões e 12 milhões de ciganos vivem pela Europa, a grande maioria na Romênia e Bulgária. Uma pesquisa de opinião feita na capital búlgara, Sófia, mostrou que 45% dos entrevistados apoiaram a decisão de Sarkozy de expulsar os ciganos. Só não querem que a expulsão signifique que essa população acabe em seu quintal.

Segunda-feira, 11 de outubro - Os técnicos devem concluir às 9 horas (mesmo horário de Brasília) o revestimento do túnel pelo qual serão resgatados os 33 mineiros presos na mina San José desde 5 de agosto. Segundo o ministro das Minas do Chile, Laurence Golborne, serão revestidos apenas os primeiros 90 metros do túnel com tubos de aço. Com isso, o resgate deve começar na terça-feira ou na quarta-feira, mas pode atrasar ou adiantar, como alertou o ministro. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los do refúgio, que fica a 680 metros de profundidade, até a superfície. “Para cada mineiro transportado, será como subir num elevador da base até o topo do Pão de Açúcar”, comparou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Terça-feira, 12 de outubro - O resgate dos 33 mineiros presos na mina San José vai começar, no máximo, à meia-noite de hoje, anunciou o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne. Em reunião com parentes dos mineiros presos desde 5 de agosto, autoridades afirmaram que o início do salvamento pode ser adiantado, e começar no fim da tarde. Isso coincidiria com a chegada do presidente chileno, Sebastián Piñera, que apressa sua volta do Equador. O resgate vai começar com testes com paramédicos e mineiros, que serão baixados até o refúgio. Os mineiros serão transportados pela cápsula Fênix, de 4 metros de altura e 54 centímetros de diâmetro, que vai içá-los dos quase 700 metros de profundidade até a superfície. A cápsula pode subir a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo e, portanto, o trajeto até o topo levaria de 12 a 15 minutos. Os mineiros podem sentir náuseas, ter problemas de pressão ou desmaios no trajeto.

Quarta-feira, 13 de outubro - Era 0h10 de hoje quando o mineiro Florencio Ávalos emergiu na superfície dentro da cápsula Fênix, depois de 69 dias preso a quase 700 metros de profundidade. Ávalos foi o primeiro dos mineiros a ser resgatado na mina de San José. Ao sair da cápsula, que o içou em 16 minutos, Florencio usava capacete e óculos escuros e foi abraçado pelo filho e pela mulher. Pouco antes, soou uma sirene na mina. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, e a primeira-dama, Cecília Morel, chorando, o abraçaram também. No Acampamento Esperança, onde os parentes dos 33 mineiros presos vivem desde que eles foram soterrados, no dia 5 de agosto, explodiram gritos de alegria e bandeiras do Chile em todos os cantos. “Chi-chi-chi le-le-le, mineros de Chile”, gritavam todos. Pela TV, bilhões de espectadores acompanhavam o drama em todo o mundo.

Quinta-feira, 14 de outubro - Eram 17 milhões de chilenos chorando de emoção, buzinando e cantando, quando o último dos 33 mineiros, Luis Urzua, chefe do grupo, foi resgatado às 21h55. Depois de 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, tendo sobrevivido 18 dias com duas colheradas diárias de atum, os sobreviventes foram retirados com sucesso em uma das mais complexas operações de salvamento da história. Na principal praça de Copiapó, cidade mais próxima da mina San José, mais de 3 mil pessoas dançaram, cantaram o hino chileno e choraram quando o presidente do país, Sebastián Piñera, segurando a mão de Urzua, agradeceu aos mineiros. “Estamos orgulhosos dos 33 mineiros que deram um exemplo de companheirismo e solidariedade. Estamos orgulhosos das milhares de pessoas que tornaram possível o resgate de vocês.” Urzua respondeu. “Estou lhe entregando o turno e espero que isto não volte a ocorrer.”

Sexta-feira, 15 de outubro - Menos de 48 horas depois de serem resgatados da mina San José, 3 dos 33 mineiros receberiam alta do hospital de Copiapó e voltariam para suas casas. Centenas de jornalistas se aglomeravam nas duas entradas do centro hospitalar, à espera da saída dos mineiros. Luis Urzua, o líder dos mineiros que foi o último a ser resgatado, contou para o presidente Sebastián Piñera alguns detalhes sobre a vida dos 33 debaixo da terra. “Quando chegou a primeira perfuradora ao nosso refúgio, todos queriam abraçar as brocas. Eram seis da manhã, tínhamos todo um protocolo a cumprir, mas ninguém ligou, só queríamos abraçar a broca”, contou Urzua. Os mineiros ficaram 70 dias presos a quase 700 metros de profundidade, submetidos a uma umidade de 89% e temperatura mínima de 32 graus. Muitos tinham problemas dentários, fungos na pele, e distúrbios psíquicos.

Sábado, 16 de outubro - A tragédia na mina chilena de San José – na qual 33 trabalhadores ficaram soterrados a quase 700 metros de profundidade durante 70 dias – pode se repetir, com consequências fatais, em 15% das 20 mil minas mapeadas do Chile, nas quais mais de 2 mil mineradores estão trabalhando neste momento. O alerta foi feito por alguns dos maiores especialistas em engenharia de mineração e líderes sindicais chilenos entrevistados pelo Estado. “É seguro que essa tragédia pode se repetir num grau ainda muito maior, se as coisas continuarem como estão”, disse o diretor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade do Chile, Aldo Casali. “Simplesmente não há como fiscalizar todas as pequenas minas que funcionam nos locais mais remotos do país.”

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Leia a seguir as principais notícias internacionais da semana:

Domingo, 3 de outubro - Perto de completar quatro anos no poder, o presidente Rafael Correa, segundo diversos analistas, saiu fortalecido da crise política causada pela rebelião nacional das forças policiais que exigiam a preservação de aumentos salariais e outros privilégios, entre eles o sistema de condecorações. Correa, que tem mais de 60% de aprovação popular, afirmou pelo canal estatal 2 que não permitirá nova revolta e também prometeu investigar o papel da oposição na tentativa de golpe contra seu governo. “Não conseguirão transformar o país em uma nova Honduras.”

Segunda-feira, 4 de outubro - Os EUA e a Grã-Bretanha emitiram alertas sobre possíveis atentados terroristas na Europa. As advertências foram dirigidas, inicialmente, a seus próprios cidadãos e tiveram como base a confirmação, pela inteligência americana, da informação de que a rede Al-Qaeda e seus aliados no Paquistão e no Norte da África estariam organizando os atentados. Os alvos potenciais seriam cidades da França, Alemanha e Grã-Bretanha. O Departamento de Estado advertiu aos americanos que estão na Europa e aos que têm viagem marcada ao continente sobre o risco de atentados e disse que os sistemas de transporte e infraestruturas que servem ao turismo seriam os possíveis alvos.

Terça-feira, 5 de outubro - A Espanha apresentou novas denúncias sobre supostos vínculos entre a Venezuela e a organização separatista basca ETA. Desta vez, a chancelaria espanhola solicitou a Caracas esclarecimentos no marco da “cooperação bilateral antiterrorismo”, depois de dois militantes do grupo basco terem confessado que receberam treinamento na Venezuela. O governo Hugo Chávez, porém, voltou a negar que tenha contatos com a ETA. Detidos na semana passada na Espanha, Juan Carlos Besance Zugasti e Xavier Atristain Gorosabel confessaram, em interrogatório policial, que receberam “cursos de formação” em território venezuelano. A informação foi revelada pelo juiz espanhol Ismael Moreno. Zugasti e Gorosabel teriam recebido na Venezuela instruções para codificar mensagens, além de treinamento com armas de fogo, entre julho e agosto de 2008.

Quarta-feira, 6 de outubro - Serviços de segurança da França anunciaram a prisão de 12 suspeitos de “associação a organizações terroristas”. Entre os detidos, estão militantes islâmicos que receberiam jihadistas com passagem por campos de treinamentos do Paquistão e do Afeganistão. Apesar das relações aparentes com a Al-Qaeda, as duas operações seriam independentes e sem relações com as ameaças de ataques que pairam sobre a Europa há 15 dias. As primeiras prisões ocorreram nas cidades de Marselha e Bordeaux, no sul e no sudoeste do país.

Quinta-feira, 7 de outubro - O presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou que 46 policiais acusados de envolvimento na rebelião do dia 30, que deixou 10 mortos e 274 feridos, foram detidos na noite de terça-feira, numa operação montada para desbaratar “um núcleo duro da polícia” equatoriana, envolvido, segundo o governo, numa tentativa de assassinato do presidente e de um golpe de Estado.

Sexta-feira, 8 de outubro - O vazamento de lama tóxica provocado pelo acidente em uma indústria na Hungria chegou ao Rio Danúbio, um dos principais da Europa, e pôs em alerta seis países do Leste Europeu. Para as centenas de moradores das cidades atingidas, a lama significaria simplesmente o fim de seus vilarejos, já que a contaminação levará décadas para se dissipar e o governo anuncia que não faz sentido reconstruir as casas nos mesmos locais. Segundo as autoridades, a taxa de alcalinidade da água no segundo maior rio europeu é superior à normal e ameaça o ecossistema do Danúbio. Os vizinhos da Hungria, porém, afirmam que ainda não detectaram contaminação de seus territórios.

Sábado, 9 de outubro - Cumprindo pena de 11 anos de prisão sob a acusação de “subversão”, o dissidente chinês Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz, decisão que enfureceu o governo de Pequim e foi vista por ativistas de direitos humanos como um sinal da necessidade de reformas democráticas na China. Pequim condenou a entrega do prêmio e censurou a informação na internet, celulares e meios de comunicação do país. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, afirmou que Liu é um “criminoso” e a premiação é uma “profanação” dos princípios do Nobel. “Liu Xiaobo é um criminoso que ofendeu a legislação da China e foi condenado pelo Judiciário chinês”, declarou Ma. O porta-voz disse ainda que a decisão vai prejudicar as relações entre China e Noruega, cujo Parlamento elege os integrantes do Comitê Nobel Norueguês, responsável pelo processo de concessão do Prêmio Nobel da Paz, o único que não é anunciado na Suécia.

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Abaixo, os principais destaques do noticiário internacional:

Domingo, 26 de setembro - “O que queremos não é a maioria, mas a hegemonia indiscutível da Assembleia Nacional”, anunciou na sexta-feira Aristóbulo Istúriz, coordenador de campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado pelo presidente Hugo Chávez. A declaração mostra o espírito com o qual o governo chega às eleições legislativas de hoje, que indicarão os novos 165 deputados federais. A oposição – que já classifica o processo como “viciado” – vai para as urnas com a limitada meta de tirar do chavismo sua maioria de dois terços, numa eleição para a qual 17,6 milhões de venezuelanos estão aptos a participar.

Segunda-feira, 27 de setembro - Em plena tranquilidade, segundo o governo, ou recheada de casos de intimidação chavista, na versão da oposição, 70% dos 17,7 milhões de eleitores venezuelanos compareceram às urnas que consagraram os novos 165 integrantes da Assembleia Nacional, a câmara única do Legislativo do país. Até o começo da noite de domingo no Brasil, nenhum boletim de apuração tinha sido emitido pelo Conselho Nacional de Eleições (CNE), principal entidade eleitoral da Venezuela. A divulgação de pesquisas de boca de urna é proibida no país.

Terça-feira, 28 de setembro - O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado pelo presidente Hugo Chávez, terá a maior bancada na Assembleia Nacional eleita no domingo, com pelo menos 98 dos 165 deputados da Casa. A Mesa de Unidade Democrática (MUD), que reúne as forças antichavistas, obtinha 65 cadeiras e o partido Pátria Para Todos (PPT), ex-aliado do chavismo que se recusou a se incorporar ao PSUV, 2. Entre os aliados de Chávez, porém, há pouco a celebrar. O PSUV ficou muito aquém de sua meta de alcançar a bancada de 110 deputados, que lhe daria a maioria de dois terços e permitiria a Chávez seguir ratificando as medidas de seu projeto de instalar no país o “socialismo do século 21”. Agora, pela primeira vez desde 2005 – quando a oposição boicotou a eleição legislativa em protesto contra as regras eleitorais –, terá de negociar a aprovação de leis orgânicas e emendas constitucionais na Assembleia.

Quarta-feira, 29 de setembro - Após as eleições de domingo que renovaram as 165 cadeiras da Assembleia Nacional, o campo antichavista começa a especular sobre um nome capaz de enfrentar o presidente venezuelano na eleição presidencial de 2012. A oposição obteve, em termos estatísticos, o mesmo número de votos das forças que apoiam Hugo Chávez – apesar de ter eleito apenas 65 deputados.

Quinta-feira, 30 de setembro - O plano de um ataque terrorista simultâneo em Paris, Londres e Berlim, supostamente patrocinado pela Al-Qaeda a partir do Paquistão, é real e pode estar ativo, mas sua execução não é iminente. A advertência foi feita pelo Ministério do Interior da Alemanha, após a revelação de que extremistas pretendiam voltar a atacar a Europa e os EUA, em uma estratégia semelhante à adotada na Índia em novembro de 2008.

Sexta-feira, 1.º de outubro - O presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou uma “tentativa de golpe de Estado” e decretou estado de exceção diante da crise iniciada com uma ampla rebelião de policiais. Soldados da Polícia Nacional tomaram pela manhã os principais quartéis e o aeroporto da capital, além do Congresso. A cúpula militar e todos os integrantes do governo, porém, juraram fidelidade a Correa e resgataram o presidente de um hospital após uma violenta operação.

Sábado, 2 de outubro - “Não haverá perdão nem esquecimento.” Com essas palavras, em rede nacional de TV, o presidente Rafael Correa deixou claro que fará uma “profunda limpeza” nos setores da polícia e da Aeronáutica que se rebelaram na quinta-feira nas principais cidades do país em protesto contra cortes salariais e perda de diversos privilégios. O motim, segundo a oposição – ou a “tentativa de golpe”, segundo o governo –, terminou em menos de 24 horas com o saldo de 8 mortos e 274 feridos. Longe de um discurso conciliador, o presidente afirmou que todos os envolvidos serão “punidos devidamente” e denunciou a existência de “muitos infiltrados de partidos políticos bem conhecidos”. Correa sustenta que a rebelião “não foi uma sublevação por recomposição salarial, foi uma conspiração”.

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Leia o que foi notícia na semana que passou:

Domingo, 19 de setembro - Apenas uma semana separa a Venezuela da eleição parlamentar que pode dar novo fôlego ao presidente Hugo Chávez ou precipitar a decadência do venezuelano, que está há 11 anos ininterruptos no poder. Na história recente da América do Sul, apenas dois líderes governaram por tanto tempo: o chileno Augusto Pinochet (1973-1990) e o paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) – dois ditadores. Mais do que escolher os 167 novos membros da Assembleia Nacional – única instância parlamentar de um país que extinguiu o Senado, em1999 – os venezuelanos devem mostrar o grau de polarização da vida política do país até as eleições presidenciais de 2012, às quais Chávez já se lançou como candidato, apesar de sua popularidade, que já foi de 75% em 2006, não passar hoje de 44%, segundo o Datanálisis.

Segunda-feira, 20 de setembro - A China suspendeu os contatos de alto nível com o Japão e prometeu adotar duras represálias após um tribunal japonês estender por dez dias a detenção de um capitão chinês, cujo navio colidiu com dois barcos da Guarda Costeira japonesa perto de ilhas disputadas pelos dois países. A medida indica que a China está disposta a agir de modo duro com seus rivais asiáticos nas disputas territoriais.

Terça-feira, 21 de setembro - El Diario, principal jornal de Ciudad Juárez, cidade mexicana na fronteira com os EUA, publicou no domingo editorial pedindo uma trégua aos grupos criminosos que disputam o controle do tráfico de drogas na região. Num tom entre o desespero e a ironia, o texto sugere aos traficantes que expliquem quais informações podem ser publicadas. Em troca, pede que seus jornalistas não sejam mais assassinados e suas instalações deixem de ser alvo de ataques. No editorial intitulado O que querem de nós?, o jornal reconhece que, no momento, os narcotraficantes são “as autoridades de facto” na cidade de 1,3 milhão de habitantes, que já registrou mais de 2 mil homicídios este ano.

Quarta-feira, 22 de setembro - Desde que o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra aos cartéis, em dezembro de 2006, 6,5 mil pessoas morreram em Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA. Nos últimos três anos, 230 mil deixaram a cidade, 20 mil casas foram abandonadas e 10 mil crianças ficaram órfãs. No meio do fogo cruzado estão dezenas de jornalistas que relatam o cotidiano de violência. Na cidade mais perigosa do mundo, o mero exercício da profissão tornou-se um risco mortal. “São 23h50. Acabei de relatar dez crimes em menos de seis horas. Durante todo o dia morreram 15 pessoas. Na maioria dos casos, cheguei antes das forças da ordem. Para conseguir, escutei os diálogos truncados do rádio da polícia, que é constantemente monitorado por jornalistas”, escreve Judith Torrea, jornalista freelancer, numa premiada reportagem sobre a violência em Ciudad Juárez.

Quinta-feira, 23 de setembro - O chanceler brasileiro, Celso Amorim disse, em Nova York, que o Brasil apoia uma iniciativa de Rússia, Índia e China para extrair das Nações Unidas uma condenação a qualquer sanção unilateral ao Irã. Amorim salientou, entretanto, que a ideia de proteger os iranianos de medidas que não sejam as aprovadas pela ONU – prática dos EUA e da Europa – não partiu do Brasil. A agência de notícias Reuters publicou na terça-feira à noite uma entrevista com Amorim, na qual o chanceler afirmou que os Brics – Brasil, Rússia, Índia e China –, em reunião naquela manhã, haviam decidido propor à Assembleia-Geral da ONU um projeto de resolução proibindo sanções unilaterais contra países cujos casos estão sendo discutidos no Conselho de Segurança.

Sexta-feira, 24 de setembro - O chefe militar da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, conhecido como “Mono Jojoy”, foi morto na quarta-feira à noite em um bombardeio contra um acampamento do grupo rebelde na região de Macarena, no Departamento de Meta, informou o ministro da Defesa, Rodrigo Rivera. A ação foi considerada pelo governo o principal golpe contra a guerrilha na história. A morte de um dos comandantes das Farc, e um dos líderes considerados mais radicais e sanguinários, pode acelerar o desmantelamento do grupo rebelde mais antigo do continente e forçá-lo a buscar um diálogo de paz, disseram analistas.

Sábado, 25 de setembro - Um dia depois da morte de seu chefe militar, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediram “uma oportunidade para a paz, não para a rendição”. A declaração – a primeira desde que Jorge Briceño, o “Mono Jojoy”, foi morto num ataque do Exército colombiano – é vista como um apelo ao diálogo depois de uma baixa significativa, mas também como um alerta de que qualquer acordo excluiria o termo “rendição”.

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A seguir, um resumo das principais notícias internacionais da semana.

Domingo, 12 de setembro - Em período pré-eleitoral, as cenas de fobia ao Islã observadas nos EUA nos últimos dias contaminam a disputa entre republicanos e democratas. Sensível e emocional, a oposição à construção de um centro comunitário muçulmano nas proximidades do antigo World Trade Center, em Nova York, destruído no ataque terrorista há nove anos, tornou-se bandeira dos republicanos para obter a maioria do Congresso em 2 de novembro.

Segunda-feira, 13 de setembro - Ignorando os apelos da Casa Branca e do Departamento de Estado dos EUA, o premiê de Israel, Binyamin ‘Bibi’ Netanyahu, declarou que a medida que congela a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia não será renovada. A moratória, estabelecida há dez meses, expira dia 26 e os palestinos consideram sua manutenção fundamental para o sucesso do recém-lançado diálogo direto patrocinado pelos EUA. “Os palestinos demandam que não haja construções depois de 26 de setembro. Mas Israel não pode manter o congelamento”, disse Netanyahu, admitindo o reinício das obras em duas semanas. De acordo com a organização pacifista israelense Peace Now, a construção de mais de 2.000 casas serão iniciadas assim que o congelamento for encerrado.

Terça-feira, 14 de setembro - Para evitar o colapso das negociações de paz e uma revolta de sua base aliada, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, desengavetou uma proposta de seu antecessor, Ehud Olmert, para permitir construções nos três principais assentamentos na Cisjordânia – cuja anexação ao território israelense o governo considera certa. A informação foi revelada pelo jornal israelense Haaretz.

Quarta-feira, 15 de setembro - Os EUA pediram a Israel para que mantenha o congelamento nas construções em assentamentos na Cisjordânia – a suspensão deve terminar no dia 30. A declaração foi feita pelo enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, depois de encontro como premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Quinta-feira, 16 de setembro - Há progressos no diálogo de paz entre israelenses e palestinos, garantiu o governo americano. George Mitchell, enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, disse a jornalistas em Jerusalém que o premiê de Israel, Binyamin “Bibi” Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discutiram “todos os temas centrais do conflito”. Mas ele manteve a lei do silêncio sobre o conteúdo exato das negociações.

Sexta-feira, 17 de setembro - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, em meio ao bate-boca com membros da Comissão Executiva da União Europeia, manteve seu desafio ao bloco e anunciou que prosseguirá com sua política de deportação de ciganos romenos e búlgaros. A crise se aprofundou com a decisão da UE, na reunião de cúpula, de lançar uma investigação sobre as praticas francesas.

Sábado, 18 de setembro - O FBI (polícia federal dos EUA) prendeu ontem Pedro Leonardo Mascheroni, de 75 anos, físico argentino naturalizado americano, e sua mulher, Marjorie Roxby Mascheroni, de 67 anos. O casal é acusado de tentar vender informações nucleares secretas para a Venezuela. Nos anos 80, ambos trabalharam para o Laboratório Nacional de Los Alamos, berço do programa atômico americano e tinham acesso a segredos nucleares do país

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