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Revolucionários líbios se preparam para sacrificar um camelo em homenagem aos combatentes que morreram nos confrontos contra as tropas do ditador Muamar Kadafi durante os seis meses de guerra civil pelos quais a nação africana passou. Os rebeldes, que expulsaram o coronel de Trípoli, onde ele mantinha seu quartel-general, lutam para “libertar” o resto do país e encerrar o regime de 42 anos de Kadafi.

De acordo com o Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão de governo rebelde, mais de 25 mil pessoas morreram nos confrontos, que começaram em fevereiro. A cifra, inconfirmada, não detalha quantos são civis, combatentes e quantos estavam do lado do ditador.

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  Seleção de imagens: Natália Russo, da editoria de Fotografia do estadão.com.br. Visite também o blog  Olhar sobre o mundo e a página de fotos do portal.

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Visão Global; análises e comentários de especialistas

Líder russo, que manipulou parlamentos, presidente e juízes, manobra para permanecer no poder até 2024

*Benjamin Bidder é jornalista

O atual presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, tem muitos fãs na internet, 130 mil no Twitter e 180 mil no Facebook. Medvedev, blogueiro ocasional, usou a web como fórum para promover suas reformas. Agora, seus partidários a utilizam para expressar sua fúria e decepção pelo anúncio feito no sábado de que o primeiro-ministro Vladimir Putin se candidatará à presidência nas eleições de março.

No sábado, Medvedev publicou fotos do congresso do Partido Rússia Unida no Facebook. Mas o comunicativo presidente não ganhou novos amigos.

“A última esperança morreu”, comentou um usuário da web que usa o pseudônimo Artjom. A usuária Marina escreveu que o púlpito do qual Medvedev cometeu suicídio político no sábado, ao deixar de concorrer a um segundo mandato, parecia um “caixão”.

Medvedev, chefe de uma potência nuclear, comandante-chefe de um Exército de um milhão de soldados, foi apenas um presidente virtual. Putin voltará ao Kremlin depois das eleições presidenciais.

Observadores como o analista político Vyacheclav Nikonov disseram que Putin pode ser presidente por mais dois mandatos, ou 12 anos, desde que nada “fora do comum” aconteça para impedi-lo. E quem sabe até por mais tempo? “Não excluo a possibilidade de que Medvedev venha novamente a suceder Putin depois disso. Isso significa que já conhecemos a configuração do poder do Estado russo até 2036”, afirmou.

É tradição os governantes russos prepararem sua sucessão. O Comitê Central do Partido Comunista coroou apparatchiks soviéticos como Leonid Brejnev ou Konstantin Chernenko, e Boris Yeltsin decretou que Putin seria o seu sucessor. Esta prática preservava o poder das elites e também atendia a um anseio de estabilidade por parte da população.

Medvedev, candidato de Putin escolhido presidente em 2007, agora devolve o cargo ao mesmo Putin que Medvedev teve como primeiro-ministro em 2008. A rotação chega a confundir neste movimento perpétuo. A dupla apresentou ao partido e à nação um fato consumado. Os 142 milhões que constituem a população da Rússia serão meros observadores nas próximas eleições.

Poder absoluto. O Kremlin, em Moscou, uma fortaleza de paredes vermelhas e altas muralhas, é o símbolo de uma hierarquia rígida e do poder absoluto desde a Idade Média. Czares e secretários-gerais governaram dali – seguidos, depois do colapso da União Soviética, por presidentes aos quais a Constituição russa concedeu poderes ainda maiores do que os do chefe de Estado americano.

Nos últimos anos, a forma de governo da Rússia passou por uma mudança assustadora, sem qualquer revisão da Constituição. Quando Medvedev entrou no Kremlin, há quatro anos, a maior parte do governo transferiu-se com Putin para a Casa Branca sobre o Rio Moskva, a sede do governo russo.

Na nova Rússia, não importa quais são os poderes que a Constituição atribui formalmente ao presidente e ao primeiro-ministro. Tudo depende de onde Putin está. O Estado é ele.

Em maio, a Rússia mais uma vez mudará sua forma de governo, da noite para o dia, quando Putin se tornar presidente por um terceiro mandato e voltar ao Kremlin para restabelecer sua antiga base de poder. Medvedev perderá o cargo de chefe de governo para tornar-se um subordinado.

A grande popularidade de Putin lhe garantirá uma nítida vitória nas eleições, onde for necessário, obrigando governadores e membros da Justiça Eleitoral a dar uma mão. O povo russo concedeu efetivamente a Putin plenos poderes como seu defensor, em sinal de gratidão por ele ter trazido ao país um certo grau de estabilidade.

Casca vazia. A popularidade de Putin é alimentada pela prosperidade que as exportações de matérias-primas proporcionaram à Rússia e pela memória coletiva da nação do tumulto dos anos 90. Petróleo e gás continuarão saindo da terra, embora um pouco menos abundantemente, e por outro lado as memórias vão se esvaindo lentamente. Não haverá mudanças rápidas na Rússia. “Nós impedimos que o país se desintegrasse”, afirmou o principal assessor de Putin, Boris Gryzlov, aos delegados no congresso do partido. “A impotência é um perigo mortal para a Rússia.” Putin e os seus homens declararam orgulhosamente que devolveram ao Estado russo seu vigor.

Na verdade, eles o sequestraram.

A Constituição da Rússia é pouco mais que uma casca vazia que nem sequer consegue esconder o regime neofeudal do príncipe Putin.

As instituições democráticas talvez fossem fracas e falhas no final dos anos 90, mas Putin roubou totalmente suas funções.

Ele submeteu parlamentos, juízes e até mesmo a função de presidente à sua vontade. Já não existe separação de poderes.

O tabloide Moskovskij Komsomolets definiu o império de Putin como “Putinlândia”.
Sua Rússia não é uma ditadura como o Irã de Mahmoud Ahmadinejad ou a Bielo-Rússia do ditador Alexander Lukachenko.

Putin transformou seu altivo país em um moderno grão-ducado.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

*Publicado originalmente na Der Spiegel

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*Andrew Cawthorne, Reuters

Um estranho que desembarque na Venezuela hoje seria perdoado se pensasse que as eleições presidenciais ocorrerão em poucos dias e não em um ano. Em luta contra um câncer, o presidente Hugo Chávez e seus aliados falam diariamente sobre a “Missão 7 de Outubro” – a candidatura do líder socialista para um novo mandato de seis anos.

A coalizão de oposição também está mobilizada, divulgando a mensagem de união e mudança, além da crença genuína de que pode, finalmente, destronar Chávez e dar fim aos seus 13 anos à frente do único membro sul-americano da Opep. A antecipação reflete a convicção de que tudo está em jogo e qualquer vantagem alcançada agora pode ser decisiva quando as urnas forem abertas.

“Ninguém pode realmente prever o resultado dessa eleição”, afirmou um diplomata estrangeiro em Caracas. “Em circunstâncias normais, poderíamos pensar que Chávez tem a vantagem. Mas há um fator-chave que é seu câncer e a oposição parece buscar uma atuação conjunta, unindo-se contra ele.”

Pesquisas indicam que Chávez ganharia de forma apertada se a eleição ocorresse amanhã. Mas a oposição espera impulsionar sua candidatura quando oficializar seu candidato único, nas prévias de fevereiro. Em favor da oposição, nessa que provavelmente será a mais fascinante eleição desde que Chávez assumiu o poder, em 1999, está a crescente insatisfação dos venezuelanos em relação aos serviços públicos. Cortes de energia são comuns e há um crescente déficit habitacional.

A grande incógnita é o impacto do tratamento de câncer de Chávez. Ninguém do restrito círculo de confidentes sabe sua real condição, muito menos como isso pode interferir na campanha. Até agora, a doença deu a Chávez a simpatia do eleitor e poderia ajudar mais se ele for visto, no período da votação, como exemplo de superação heroica da adversidade. Qualquer que seja o cenário, muitos na Venezuela já fazem planos para um período de turbulência no final de 2012.

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NPR
‘Notícia’ em site de humor causa confusão nos EUA
O The Onion, famoso site de humor americano, publicou ontem a “notícia” de que parlamentares armados sequestraram um grupo de crianças que visitava o Capitólio, em Washington. O texto, claramente falso, dizia que havia tiros e confusão no local. A polícia da capital precisou emitir um alerta avisando que tratava-se de uma brincadeira.

WIRED
Revista da Al-Qaeda faz ‘especial’ sobre o WTC
A edição número sete da revista Inspire – publicada no Iêmen por fanáticos admiradores da Al-Qaeda – traz uma capa especial de comemoração dos atentados do 11 de Setembro. A manchete da revista fala da “maior operação especial de todos os tempos”.

CHINA DAILY
Escolas ensinam adultos que esquecem caligrafia
Adultos chineses que se habituaram aos teclados dos computadores e esqueceram a difícil caligrafia do mandarim agora estão voltando aos bancos escolares. Instituições especializadas dão cursos de escrita manual para os que não se lembram da prática.

WIRED
Empresa cria tanque invisível para o exército
A tecnologia de camuflagem desenvolvida por uma empresa americana criou um tanque de guerra que pode ficar invisível durante o combate. O equipamento é coberto por placas especiais que provocam uma ilusão de óptica para tropas inimigas.

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29.setembro.2011 13:27:57

ANÁLISE: Parabéns, Putin

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

Vladimir Putin foi eleito presidente da Rússia em 1999 e reeleito em 2004. Em 2008 não tinha direito a disputar um terceiro mandato. Como ele é um democrata escrupuloso, não tentou se reeleger. Não, Putin se submeteu gentilmente à norma constitucional. E deixou o Kremlin.

Mas ele não quis deixar o caos atrás de si. E tomou o cuidado de fazer eleger em seu lugar, no Kremlin, um desconhecido, Dmitri Medvedev. E Medvedev teve uma boa ideia: colocou Putin como seu premiê. Às vésperas de uma nova eleição, Medvedev teve uma nova e boa ideia: decidiu que Putin será eleito o próximo presidente da Rússia. E depois foi a vez de Putin ter uma ideia luminosa: nomeará Medvedev como premiê.

Quando pensamos nas complicações que a eleição de um novo dirigente provoca, fraudes, corrupção, complôs, valises de euros ou de dólares, só podemos admirar a flexibilidade dos russos. Eles fazem com que a “ciência política” dê um grande passo. Montesquieu, Tocqueville, Raymond Aron ou Jefferson jamais imaginaram um sistema tão simples e elegante. Uma vantagem suplementar: o povo, que sempre tem muitas ideias na cabeça, não tem nada a dizer. Pode, portanto, ficar em repouso, o que não é um luxo depois de 500 anos de czarismo e 70 anos de comunismo.

Contudo, há um russo que não ficou satisfeito. E esse russo não é qualquer um. Ele foi ministro das Finanças de Putin, continuou na função com Medvedev, no cargo há 11 anos. Trata-se de Alexei Kudrin, um tanto louco, pois declarou em Washington que não se via “trabalhando no futuro governo de Medvedev”. A resposta não demorou.

Medvedev, ainda presidente, aceitou a demissão do seu ministro. E Putin avalizou a demissão.

Não será fácil substituir Kudrin. Velho cúmplice de Putin, com quem trabalhou em 1990 na prefeitura de São Petersburgo, ele era um dos “intocáveis”. Um grande ministro das Finanças, foi ele que protegeu a Rússia do caos financeiro em 2008 e 2009.

Kudrin era respeitado pelo Kremlin, pelos russos, pelos ocidentais. Sozinho, foi capaz de administrar um orçamento reduzido e sobrecarregado de obrigações. Mas, como inúmeros países, a Rússia passa por um período doloroso.

O barril de petróleo Urals teve uma queda de 7% na semana passada. O índice de valores industriais caiu 12%, e o rublo sofreu uma desvalorização de 10% em setembro, frente ao dólar. Mudar o patrão da economia num cenário como esse é temerário.

Serguei Aleksachenko, ex-vice presidente do Banco Central russo, escreveu que “o capitão, que acredita no seu dever messiânico, mantém o país refém”. A Rússia é como um Titanic. A ferrugem penetrou profundamente. O navio está se desintegrando. E Aleksachenko concluiu: “Foi o que sucedeu há 20 anos com a União Soviética”.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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Visão Global; análises e comentários de especialistas

Manifestantes em várias partes do mundo partilham da desconfiança sobre os políticos

*Nicholas Kulish é jornalista

Centenas de milhares de indianos desiludidos festejam um ativista em greve de fome. Israel sofre com as maiores manifestações populares de sua história. Jovens enfurecidos na Espanha e na Grécia tomam praças. As queixas vão da corrupção à falta de habitação acessível e emprego, reclamações comuns em todo o mundo. Mas, do sul da Ásia ao coração da Europa e agora até em Wall Street, esses manifestantes partilham algo a mais: a desconfiança, ou até desprezo, em relação aos políticos tradicionais e ao processo democrático presidido por eles. Os jovens estão tomando as ruas, em parte, pois não acreditam mais nas urnas.

“Nossos pais agradecem por poder votar”, disse Marta Solanas, de 27 anos, referindo-se às décadas em que os espanhóis passaram sob a ditadura de Francisco Franco. “Somos a primeira geração a dizer que não há valor ao voto.” A situação econômica tem sido uma das principais forças por trás das manifestações, com uma crescente desigualdade de renda, um desemprego altíssimo e cortes nos programas sociais decorrentes da recessão fomentando a insatisfação. O sentimento de alienação é especialmente profundo na Europa. Mas mesmo na Índia e em Israel, onde o crescimento continua expressivo, os manifestantes dizem desconfiar da classe política e da sua subserviência a grupos de interesses, a tal ponto que parecem acreditar que apenas um ataque ao sistema poderá trazer mudanças reais.

Os jovens organizadores das manifestações em Israel atraíram imensas multidões insistindo que seus líderes políticos tinham se mostrado tão completamente à mercê das preocupações com a segurança dos grupos ultraortodoxos e de outros interesses especiais que não podiam mais responder à classe média.

Na Índia, a maior democracia do mundo, o ativista Anna Hazare fez uma greve de fome por 12 dias até que o Parlamento recuasse em algumas de suas exigências de uma proposta de combate à corrupção para responsabilizar os funcionários públicos por casos de má conduta. “Elegemos os representantes do povo para que eles resolvam nossos problemas”, disse Sarita Singh, 25 anos, “Mas a corrupção está governando o país.”

Cada vez mais, cidadãos de todas as idades estão rejeitando estruturas convencionais como os partidos e os sindicatos em favor de um sistema menos hierárquico e mais participativo que segue sob muitos aspectos o modelo da cultura da internet. Nesse sentido, os movimentos de protesto nas democracias não são tão diferentes daqueles que abalaram governos autoritários, depondo líderes na Tunísia, no Egito, e na Líbia.

A crescente desilusão ocorre 20 anos depois daquilo que foi celebrado como a vitória final do capitalismo democrático sobre o comunismo e a ditadura. Na esteira do colapso da União Soviética, em 1991, emergiu o consenso de que a economia liberal associada às instituições democráticas representaria o único caminho para avançar. Esse consenso, defendido por estudiosos como Francis Fukuyama, foi abalado por uma aparentemente interminável sucessão de crises e incapacidade dos políticos de lidar com elas ou de proteger seu povo dos choques. Eleitores frustrados não estão promovendo agitações pedindo que um ditador assuma o poder. Mas dizem que não sabem a quem recorrer num momento em que escolhas políticas da era da Guerra Fria parecem ocas.

“A principal crise é a crise de legitimidade”, disse Marta Solanas. “Achamos que eles não têm feito nada por nós.”

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

*Publicado no News York Times

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*Thomas Friedman é jornalista

Um de cada vez, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o presidente americano, Barack Obama, discursaram na ONU na semana passada. É difícil dizer qual dos três foi o pior. A fala de Netanyahu foi como uma palestra motivacional para o Comitê Central do Likud. A fala de Abbas mais pareceu um pronunciamento em reunião da Liga Árabe. O discurso de Obama assemelhou-se a um apelo ao eleitorado judaico da Flórida. As intenções do presidente americano eram boas, mas a política doméstica exigiu que ele sussurrasse ao falar de temas a respeito dos quais ele já ousou dizer verdades desagradáveis a ambos os lados.
Toda esta novela foi apenas outro lembrete do quanto os lados ainda suspeitam que o outro esteja buscando, na verdade, dois Estados para um só povo, e não dois Estados para dois povos.

O jornal israelense Haaretz resumiu impecavelmente as apresentações de Abbas e Netanyahu: “Essas duas narrativas repletas de queixas e exigências dão impressão de que o conflito palestino-israelense tinha embarcado numa máquina do tempo e voltado ao fim do século passado, apagando décadas de diálogo – para a alegria dos extremistas de ambos os lados. A meta não parece mais ser a paz, mas o mero contato direto entre os dois lados, e mesmo esse contato está cada vez mais se perdendo na distância”.

Estamos mesmo num “Novo Oriente Médio”, mas ele não é como esperávamos. Ao se esvaziar de diplomacia o campo atual, com tantos personagens instáveis circulando por aí – como colonos israelenses extremistas dados a pichar “Maomé é um porco” nas paredes de prédios muçulmanos na Cisjordânia e extremistas palestinos, membros de grupos como a Jihad Islâmica, dados a disparar contra civis israelenses ou a lançar granadas de morteiros de Gaza contra cidades israelenses -, se está, na verdade, procurando encrenca.

Se hoje ocorrerem embates entre israelenses e palestinos, não existe mais um Hosni Mubarak, ex-presidente do Egito, para abafar as chamas. O que temos agora é um primeiro-ministro turco – Recep Tayyip Erdogan – pronto para avivá-las e soprá-las da direção de Israel. Não é exagero dizer que, caso ocorram embates sérios entre israelenses e palestinos, tanto o tratado de paz entre Egito e Israel quanto o tratado entre Jordânia e Israel podem se ver prejudicados. E, se a violência palestina se espalhar pela Cisjordânia, Abbas pode simplesmente dizer aos israelenses que vai extinguir a Autoridade Palestina, recusando o papel de policial de Israel na Cisjordânia. Seria o último prego no caixão dos Acordos de Oslo.

Eis aquilo que um governo israelense visionário diria a si mesmo: “Se tudo isso desabar, temos muito mais a perder do que os palestinos têm. Assim, vamos oferecer-lhes um voto de confiança. Abbas diz que não retornará às negociações de paz na ausência de um congelamento total na construção de assentamentos. Nós achamos que isso é bobagem. Demos a ele dez meses de congelamento parcial nas construções, e ele nada fez com esse tempo. Mas, sabe de uma coisa? Há tanto em jogo aqui que vale a pena dar outra chance. Vamos oferecer seis meses de congelamento total na construção de assentamentos. O que são seis meses para um povo com 5 mil anos de história?”

Quando o atual governo israelense deixa de fazê-lo, reforça o temor dos palestinos de que Israel esteja, de fato, comprometido com a ideia de dois Estados – ambos para si. Esses seriam Israel pré-1967 e Israel pós-1967, ou seja, Israel, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Os dirigentes palestinos poderiam fazer muito mais para encorajar uma abertura desse tipo, pois a única força capaz de obrigar Netanyahu a mudar de posição é o centro israelense. Isso já ocorreu antes. Afinal, quando a silenciosa minoria israelense vê seu Exército se retirar unilateralmente de Gaza, arrancar de lá os colonos e receber em troca nada além de foguetes; quando ouve palestinos insistindo no “direito de retorno” para parte do seu povo – retorno não apenas à Cisjordânia, mas também a Israel -, isso aumenta entre os israelenses o temor de que os palestinos ainda sonhem com dois Estados, ambos para si: a Cisjordânia e Israel pré-1967.

Estamos realmente de volta ao início desse conflito. Até que cada lado garanta ao outro que ambos desejam de fato dois Estados para dois povos – e não apenas para um deles -, nada de positivo vai ocorrer lá. Em vez disso, pode ocorrer algo terrível.

Publicado originalmente no New York Times

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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Historicamente, o processo de adesão de um país à ONU é lento. O pedido feito pelas duas Coreias, em 1949, demorou 42 anos para ser aprovado. Outras solicitações, como a da Espanha e do Japão, nem sequer foram aceitas na primeira tentativa. Uma vez enviados os documentos ao Comitê de Adesões do Conselho de Segurança, os diplomatas podem usar várias ferramentas para atrasar uma votação definitiva, como fazer pedidos de informações adicionais, de esclarecimentos ou de consultas.

Em alguns casos, no entanto, os pedidos de admissão são definidos rapidamente. O Sudão do Sul, por exemplo, entrou com um pedido de adesão no dia 11 de julho. Dois dias depois, o Conselho de Segurança já havia aprovado a solicitação e, no terceiro dia, a Assembleia-Geral referendou a entrada do país na ONU.

Os palestinos sabem que não há consenso sobre seu pedido e já disseram que estão preparados para esperar.

PONTOS-CHAVE
As posições dos envolvidos no conflito

Fatah. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, rejeita negociar enquanto Israel não contiver assentamentos. O Hamas, que domina Gaza, é contra declaração de Estado. Leia a íntegra do discurso de Abbas diante da Assembleia-Geral da ONU.

Israel. Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, diz que só haverá Estado palestino após negociações e acordo de paz. Rejeita frear expansão de assentamentos. Leia a íntegra do discurso de Netanyahu diante da Assembleia-Geral da ONU.

EUA. Aliado histórico de Israel, Washingtou já declarou que vetará pedido palestino no Conselho de Segurança. Pressionam por retomada das negociações. Leia a íntegra do discurso do presidente Barack Obama diante da Assembleia-Geral da ONU.

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Veja a seguir algumas das recentes mudanças na ilha de Fidel Castro, além da autorização do comércio de veículos:


Veja também:

Congresso comunista
Em abril, o governo de Havana anunciou cerca de 300 medidas para mudar a economia da ilha, durante o 6º Congresso do Partido Comunista cubano. O encontro, porém, apenas definiu as diretrizes das reformas que o presidente Raúl Castro pretende aplicar nos próximos anos e não ratificou alterações de maneira imediata

Expectativa
Entre as principais esperanças dos cubanos após o congresso do partido, estavam a liberação da compra e venda de veículos, oficializada ontem, e a autorização para o comércio de imóveis – que deve ocorrer até o fim do ano, segundo a previsão divulgada pelo governo de Raúl Castro

Alto consumo
No fim de julho, Cuba autorizou o comércio de eletrodomésticos que consomem muita energia, como chuveiros, equipamentos de ar condicionado, cafeteira, sanduicheiras e fornos elétricos

Trabalho autorizado
Entre as principais medidas de abertura econômica já aplicadas, está a autorização de trabalho autônomo para 178 profissões

Estímulo às empresas
O governo cubano permitiu ainda a criação de pequenas empresas na ilha. Uma alta tributação sobre as folhas de pagamento, porém, restringe a ampliação do quadro empresarial do país, afirmam especialistas no assunto

Fim da cartilha
A “eliminação ordenada” da cartilha de abastecimento, que fornece aos cubanos produtos básicos com preços subsidiados também está prevista

Reforma monetária
A unificação da moeda da ilha figura entre as medidas

Possível calote
A dívida de Cuba com empresas estrangeiras deverá ser “reestruturada”

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DER SPIEGEL
Alemanha cogita ação contra a islamofobia
Autoridades de segurança alemãs farão uma reunião para planejar possíveis ações contra a islamofobia, preconceito crescente entre a extrema-direita populista do país. Entre as possibilidades, a polícia cogita redobrar a vigilância sobre grupos extremistas e neonazistas para evitar ataques à população islâmica e discursos de tom preconceituoso.

WALL STREET JOURNAL
Monumento a líderes comunistas é grafitado
Um monumento de homenagem a líderes comunistas búlgaros foi grafitado na capital do país, Sófia, com “temas capitalistas”. As estátuas foram transformadas em Super Homem, Capitão América, Papai Noel e outros ícones da cultura americana.

HUFFINGTON POST
Herói de guerra desiste de tentar ser bombeiro
Dakota Meyer, herói da guerra do Afeganistão que recebeu uma medalha do presidente Barack Obama, desistiu de tentar virar um bombeiro. Meyer perdeu o prazo de inscrições e um juiz concedeu uma extensão só para ele, mas o herói abriu mão do privilégio por não ser válido para todos.

GUARDIAN
Empresa quer vetar uso de remédio em execução
A empresa dinamarquesa que fabrica um dos medicamentos usados no coquetel da injeção letal pelo Estado americano da Flórida quer impedir que o produto seja injetado em condenados. Segundo a fábrica, o uso do barbitúrico, ainda experimental, pode provocar sofrimento à vítima.

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