O jornalista de O Estado de S. Paulo Lourival Sant’Anna atravessou o deserto egípcio num Corolla e chegou neste domingo na Líbia. Está em Benghazi e encontrou um clima de euforia. E conta tudo em seu Twitter, onde documenta a viagem e traz notícias em primeira mão. Eis a primeira impressão dele:
Segunda maior cidade da Líbia, com 1 milhão de habitantes (Trípoli tem 2 milhões e o país todo, 6 milhões, dos quais 2 milhões de estrangeiros), Benghazi vive clima de euforia. A “Tahrir Square” dos líbios é a Praça dos Mártires, entre a Corte de Justiça e a praia do Mediterrâneo. Cerca de 2 mil pessoas exigem a saída de Kadafi. Carros passam buzinando.
O símbolo desta “revolução” é a bandeira vermelha, preta e verde, com um crescente e uma estrela brancos na faixa preta. É a bandeira da independência de 1951, que Kadafi trocou por sua bandeira verde condenando-a a antiga por ser da monarquia. Os cartazes chamam Kadafi de cachorro e de sionista – as duas maiores ofensas no mundo árabe.
O humor de Hussein Zaery, de 27 anos, que participou do assalto ao quartel-general das forças especiais de Kadafi em Benghazi, oscila. Ele canta um hino de desafio ao ditador, com o dedo em V: “Que venham os túmulos, que venham os aviões de guerra. Não temos medo.” Em seguida chora, contando que 500 jovens morreram na batalha de 4 dias e 4 noites.
Muamar Kadafi resiste às pressões para negociar e mantém a brutal repressão contra seus opositores na Líbia. O ditador, porém, não fala por todo o governo – ministros, militares e diplomatas deliberadamente deixaram seus cargos em repúdio às ações do coronel. Outros porém, mantêm-se nos cargos apesar de condenar a violência, enquanto há quem siga ao lado do líder líbio.
Veja aqui no Radar Global como as autoridades líbias se posicionam mediante a crise no país africano.
Embaixadores (em países)
Austrália, Bangldesh, China, França, Índia, Jordânia, Indonésia e Portugal – missões renunciaram.
Áustria, Egito, Malásia - Embaixadores não renunciaram, mas repudiaram a violência.
EUA – Atividades da embaixada na Líbia foram suspensas. O embaixador líbio em Washington havia criticado Kadafi, mas não renunciou.
Peru – Governo cortou os laços diplomáticos com a Líbia.
Brasil - embaixador líbio disse estar ao lado do coronel Kadafi
Embaixadores (em órgãos internacionais)
ONU – O embaixador deplorou as ações de Kadafi, mas disse que se mantém no cargo. O resto da missão renunciou e disse que agora “representa o povo”.
Conselho de Direitos Humanos na ONU e UNESCO – missões renunciaram
Liga Árabe – Missão não renunciou, mas passou a representar “o povo da Líbia”, e não mais o governo.
Na Líbia
Procurador-geral, Abdul-Rahman al-Abbar; o ministro do Interior, Abdel Fattah Younes al-Abidi; Youssef Sawani, assessor do filho de Kadafi; e Nuri al-Mismari, chefe de cerimonial de Kadafi – renunciaram.
Entre os militares, pelo menos dois coronéis e dois capitães desertaram e se recusaram a atacar a população.
Muamar Kadafi está morto – leia as informações AO VIVO
A gente chama de Kadafi. A concorrência, de Gaddafi. O New York Times usa Qaddafi. Tem agência de notícia que usa Gadhafi. Na imprensa brasileira, também se lê Kadhafi. A rede de TV ABC, dos EUA, listou 112 maneiras diferentes de chamar o famigerado ditador líbio. Mas, afinal, qual é a maneira certa de escrever o nome do sujeito?
Depende. A confusão toda começa com o desafio de transpor os fonemas de um alfabeto para outro. Problemas parecidos acontecem com o japonês, o chinês e outras línguas que usam notações diferentes do nosso bom e velho ‘de A a Z’. É o caso do árabe de Kadafi. Ou Gaddafi. Enfim.
De acordo com o professor de língua árabe Mamede Jarouche, do departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), a confusão vem dos fonemas desse idioma que não existem em português. Quando a transliteração do alfabeto árabe para o latino é feita, adaptações são necessárias.
Vamos lá. Primeira sílaba. O fonema da primeira letra do nome de Kadafi é uma consoante uvular. Algo como um ‘Q’ seguido de um som aspirado no fundo da garganta , muito difícil de ser pronunciado para quem fala português. “É algo entre o nosso ‘K’ e o ‘Q’. Mas na nossa o ‘Q’ sem ser seguido de ‘U’ fica estranho. Por isso alguns usam o ‘K’”, diz Jarouche.
Muito bem. Próxima sílaba. O ‘D’ do nome de Kadafi, em árabe, tem um som próximo ao ‘th’ do inglês (como em ‘the’- aquele som que todo mundo penou para aprender na aula de inglês). Segundo a professora Sana Abou Jubran, também da FFLCH/USP, esse som geralmente é transliterado para o alfabeto latino como um ‘D’ dobrado, apesar deste dígrafo não existir em português.
Última sílaba. ‘Fi’. Essa não tem diferença. Mas e quem escreve com dois efes (Kadhaffi)? “Quem escreve assim não sabe nada. Tá errado”, brinca o professor Jarouche.
De acordo com a professora Sana, mesmo o primeiro nome do ditador – Muamar – tem peculiaridades fonéticas. “Entre o ‘Mu’ e o ‘A’ existe um som que não existe no alfabeto latino. Às vezes é representado por um apóstrofe. A segunda parte do nome, seria representada com duas letras ‘M’ . Assim temos: ”Mu’ammar Qaddafi’.
É esse o certo? Ainda não. No dialeto árabe usado na Líbia, a tal da consoante uvular tem som de ‘G’. Daí muitos veículos usarem Gaddafi. No árabe padrão – mais clássico, utilizado na ciência e na literatura – o tal fonema do ‘Q aspirado’ é o correto. Além do nome e do prenome, Kadafi, como a maioria dos árabes, tem um artigo entre os dois, apesar dele ter sido limado na maior parte das grafias adotadas no Ocidente. ” Seria al-Qaddafi na versão padrão, ou el-Gaddafi, no dialeto”, explica a Sana.
Mas, afinal de contas, o que quer dizer o nome do ditador em árabe? O professor Jarouche explica: ” No árabe, todo substantivo deriva de um verbo. Kadafi quer dizer aquele que dispara, ou o disparador. E tem um significado mais chulo também…”.
Em um momento como este, no qual o ditador ordenou ataques aéreos contra a população civil para aferrar-se ao poder, não deixa de ser cruelmente irônico. Mu’ammar al-Qaddafi, Mu’ammar el-Gaddafi ou Muamar Kadafi, como nos recomenda o manual de redação do Estado, poderia ser traduzido simplesmente como ‘facínora’.
As manifestações pela queda do ditador Muamar Kadafi completaram o décimo sétimo dia na Líbia. Acompanhe aqui no Radar Global o desenrolar da crise:
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21h00: Moradores de Trípoli dão uma ideia de como está difícil sobreviver na capital líbia. Segundo eles, o preço do arroz subiu cerca de 500% e o saco de 5 kg do alimento custa cerca de US$ 40. A maioria dos açougues está fechada e as padarias vendem no máximo cinco pães por família.
19h32: Os rebeldes estão se organizando e recebendo treinamento de militares desertores para enfrentar Kadafi em Trípoli. Mais informações sobre a formação de milícias aqui.
18h59: “Vão embora, não vou falar com vocês!”
Palavras da enfermeira ucraniana de Kadafi, Halyna Kolotnytska, que deixou a Líbia após o início dos protestos, a jornalistas que a procuravam para uma entrevista. Ela está em sua casa, em Brovary, perto de Kiev.
O WikiLeaks publicou documentos no final de 2010 revelando segredos da relação do ditador líbio com a enfermeira. Os dois eram bastante próximos e é possível que mantinham um romance, o que não ficou provado.
18h41: Segundo relatos da Al-Jazira, há mercenários conratados por Kadafi atuando como guardas-costa de hospitais. Em vez de proteger os médicos, porém, eles os ameaçam, os impedem de tirar fotos dos feridos e somem com cadáveres para reduzir o número final de mortos. Os mercenários prendem qualquer médico registrando imagens dos feridos.
18h12: Segundo a correspondente da Al-Jazira em Benghazi, o povo líbio está feliz com as condenações internacionais sobre as ações de Kadafi, mas a população quer ver ações concretas contra o ditador. Eles não querem soldados estrangeiros no país, mas medidas como uma zona de exclusão aérea.
17h40: A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que “o fato de Kadafi rir durante uma entrevista com jornalistas estrangeiros enquanto ele está assassinando seu próprio povo mostra o quanto ele é inapto a liderar o país e o quão fora da realidade ele está”.
16h17: O departamento do Tesouro dos EUA congelou US$ 30 bi em bens líbios no país
16h02: Em entrevista à rede de TV americana ABC, Kadafi diz que o Ocidente o abandonou. “Estou surpreso porque tínhamos uma aliança com o Ocidente para lutar contra a Al-Qaeda, e agora que estamos lutando contra terroristas, eles nos abandonaram”, disse. “Talvez eles queiram ocupar a Líbia.”
14h30: Pentágono anuncia que reposicionará tropas perto da fronteira líbia. “Temos gente trabalhando em vários planos de contingência e acredito que é seguro dizer, que como consequência disso, estamos reposicionando forças para serem mais flexíveis. Assim, uma vez que as decisões sejam tomadas, podemos dar opções”, disse o porta-voz do Pentágono David Lapan
14h24: Os EUA enviarão duas equipes de ajuda humanitária às fronteiras da Líbia e com o Egito
12h48: Porta-voz da Casa Branca diz que o exílio é uma opção para Kadafi
12h46: Segundo a Al-Jazira, Kadafi nomeou chefe de inteligência para negociar com rebeldes
12h02: De acordo com a CNN, o local atacado pela Força Aérea líbia em Ajdbabiya é uma base militar
11h48: Em discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Hillary Clinton diz que Kadafi deve deixar o poder
11h33: A CNN diz que a cidade líbia de Ajdbabiya foi bombardeada pela Força Aérea
11h04: A UE diz que Kadafi perdeu o controle das principais jazidas de petróleo e gás da Líbia
11h01: De acordo com a Reuters, 400 pessoas protestam contra Kadafi em um bairro de Trípoli
9h53: Chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, diz que bloco adotará sanções contra Líbia ainda hoje
9h31: O ministro de Relações Exteriores da Alemanha propõe uma moratória de 60 dias em transferências financeiras para a Líbia
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21h56: Saif al-Islam Kadafi, um dos filhos do ditador, disse que quer negociar tréguas com manifestantes até o sábado e admitiu que o país precisa de reformas. Ele, porém, avisou que os rebeldes que se renderem ficarão ilesos.
21h09: Palavras do embaixador Líbio nos EUA:
“Espero que acabe logo. Morto, vivo, não importa. Queremos ele fora da nossa vida na Líbia”.
20h57: Shalgam, após fazer o discurso na ONU, seguiu seus companheiros de delegação e desertou, segundo fontes diplomáticas. É mais um que deixa Kadafi. O coronel perde mais apoio.
20h02: Momento de emoção na ONU. Antes de Ban Ki-moon, o embaixador da Líbia na ONU, Mohamed Shalgham, falou. O diplomata, que considera Kadafi seu amigo, pediu o fim da violência. Ele é o único da missão líbia na ONU que não renunciou e se disse “com o ditador”.
“Eles estão pedindo liberdade. Estão pedindo seus direitos. Eles não jogaram uma única pedra e foram mortos. Peço ao meu irmão Kadafi: deixe os líbios em paz”
Ao fim do discurso, Shalgham foi abraçado pelo embaixador-adjunto, Ibrahim Dabbashi, que estava em lágrimas. Depois, ele foi cumprimentado por outros diplomatas e pelo secretário-geral.
19h20: Veja aqui mais informações sobre o pronunciamento de Ban Ki-moon e sobre os planos do Conselho de Segurança da ONU.
19h11: O Conselho de Segurança já tem o rascunho de uma resolução contra a Líbia. O texto será votado no sábado. Aparentemente, a resolução deve impor medidas como embargos, restrições a viagens, congelamento de bens e ativos e ações econômicas. O texto não faz menções a intervenções militares. Vale lembrar que o Brasil é o atual ocupante da presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU.
18h37: Ban Ki-moon falou na Assembleia Geral da ONU:
“22 mil fugiram para a Tunísia e 15 mil foram para o Egito. Os países vizinhos devem manter suas fronteiras abertas.”
“É hora de agir. Perder tempo é perder vidas”.
“Vou a Washington na segunda-feira para falar com o presidente Barack Obama sobre a situação na Líbia.”.
“Já é hora de o Conselho de Segurança considerar ações concretas. As próximas horas serão decisivas para os líbios”
18h12: O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o Conselho de Segurança aja rápido na proposição de um pacote de sanções contra a Líbia. “Já é hora de o Conselho considerar uma ação concreta. As próximas horas e os próximos dias serão decisivos para os líbios”.
17h59: A Al-Jazira reproduziu um comunicado divulgado pela Médicos Sem Fronteiras pedindo que mais médicos e mais medicamentos fossem enviados aos hospitais líbios.
17h48: O governo do Chade está negando que seus cidadãos estão entre os mercenários contratados por Muamar Kadafi para disparar contra a população na Líbia. Os relatos apontavam que os mercenários vinham do Chade e do Níger.
16h51: A Casa Branca anunciou também que a já limitada cooperação militar com Trípoli será reduzida e que os EUA defendem a suspensão da Líbia da ONU
16h40: A Casa Branca anuncia que vai impor sanções à Líbia.
16h23: OS EUA suspenderam as operações da embaixada em Trípoli. Um voo com cidadãos americanos no país deixou Trípoli
15h44: Mais sobre a deserção da missão Líbia na ONU aqui
15h15: Ainda de acordo com Dabashi, milhares de pessoas já morreram nos confrontos na Líbia, e não centenas.
15h13: “O fim do regime está próximo. Peço a todos nossos diplomatas que não obedeçam nenhuma instrução de Trípoli e deixem os países saberem que representam o povo”, disse o embaixador-adjunto nas Nações Unidas, Ibrahim Dabashi, que afirmou representar toda a delegação.
15h07: A missão líbia nas Nações Unidas desertou e convocou todas as embaixadas do país pelo mundo a deixar de responder as instruções de Kadafi.
14h51 – Mais sobre a decisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a Líbia.
O órgão, antes de mais nada, condenou a violência no país e pediu investigações sobre possíveis crimes de guerra cometidos em meio à brutal retaliação das tropas de Kadafi contra os manifestantes. O Conselho também pediu que a comunidade internacional ‘aja com vigor’ ante a odnad e violência no país africano.
14h34: A União Europeia anunciou que também deve enviar mais de US$ 4 milhões em ajuda humanitária à Líbia. Clique aqui para saber mais sobre a ajuda, que inclui remédios e alimentos, e sobre as sanções planejadas pelo grupo europeu.
14h21: O embaixador da Líbia em Portugal também renuncia em protesto às ações de Kadafi.
14h19: Mais informações sobre o discurso do Kadafi.
Erguendo o punho no ar, o ditador pediu aos seus seguidores que “retaliem e preparem para defender a nação e o petróleo”.
“Vamos continuar lutando. Vamos derrotá-los. Morreremos em solo líbio”, disse o coronel. “Estamos prontos para triunfar sobre o inimigo. Vamos derrotar qualquer investida estrangeira”.
14h01: Muitas novidades ao mesmo tempo:
1) O Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou a Líbia e ordenou investigações sobre os ocorridos no país.
2) A União Europeia concordou em impor sanções e bloquear os bens de Kadafi.
3) Kadafi apareceu na Praça Verde, onde falou a seus apoiadores. O coronel disse que “está pronto par atriunfar sobre o inimigo” e que vai proteger a indústria petroleira do país.
13h52 – Alguns líbios deixaram as mesquitas do país antes do fim do período de rezas nesta sexta-feira. Eles não aceitam os sermões, produzidos pelo governo.
13h45 – Opositores tomaram o controle da cidade de Brega, também na região leste do país, e do terminal petrolífero do local, segundo a CNN.
12h38: Um dissidente líbio que estava sendo entrevistado ao vivo pela Al-Jazira sobre as passeatas em Trípoli foi interrompido no ar. “Você não pode falar com a Al-Jazira me dê o telefone”, gritou uma segunda pessoa e a linha caiu.
12h03: Nicolas Sarkozy, segundo a AFP: “Kadafi deve sair”
11h51: De acordo com a oposição a Kadafi, cerca de 30 mil pessoas estão reunidas na praça verde de Trípoli. Estes dados não podem ser confirmados de maneira independente.
11h42: O embaixador da Líbia no Conselho de Direitos Humanos rompe com Kadafi e proclama-se ‘representante do povo’. Toda a missão líbia no conselho de direitos humanos da ONU renunciou durante a sessão
10h52: A maior base aérea de Trípoli se juntou aos manifestantes, diz a Al-Jazira
10h16: Segundo moradores do distrito de Janzour, ao menos cinco pessoas morreram em ataque de mercenários de Kadafi ao bairro
9h49: São ouvidos os primeiros tiros contra manifestantes em alguns bairros de Trípoli, dizem moradores à AFP. A oposição prepara uma grande marcha para depois das orações de sexta-feira, sagradas para o Islã.
9h38: O procurador-geral da Líbia Abdelrahman al-Abar deixou o cargo e aderiu à oposição
8h50: Há prostetos nesta sexta-feira na Líbia, Egito, Bahrein, Iêmen, Iraque e Marrocos.
8h12: Filho de Kadafi, Saif, diz à CNN, que sua família tem a intenção de “viver e morrer na Líbia”. “O Plano A é viver e morrer na Líbia. O Plano B é viver e morrer na Líbia. O Plano C é viver e morrer na Líbia.”
************************ SEXTA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO****************************
22h37 – Encerramos o live blogging de hoje com uma situação inusitada. No dia em que Kadafi acusou Osama bin Laden e a Al-Qaeda de estarem por trás dos protestos na Líbia, a organização terrorista divulgou um comunicado deplorando o ataque contra civis muçulmanos.
A mensagem, porém, tem uma data antiga, que corresponde ao início de fevereiro, e é referente às revoltas no Egito.
22h11 – Mais informações sobre a conversa de Obama com Berlusconi, Sarkozy e Cameron.
Os líderes estariam preparando respostas para a situação na Líbia. Não ficaram claros detalhes sobre as discussões, msa tudo indica que eles devem tomar medidas para responsabilizar o governo pelo que está acontecendo.
21h30 – Obama terminou as consultas com lideranças da Itália, da França e do Reino Unido sobre a situação na Líbia e sobre as opções que os países Ocidentais têm para lidar com a crise. Em breve mais informações.
20h26 – Mais uma mostra da distância entre Muamar Kadafi e seus diplomatas. A bandeira da missão da Líbia na sede da ONU em Nova York não mais é a verde do coronel, mas a da era pré-Kadafi.
20h07 – Ahmed Gadhaf al-Dam, uma das maiores autoridades de segurança da Líbia – e primo de Kadafi, desertou na noite da quarta-feira, segundo a Al-Jazira. Em comunicado, ele afirmou que deixou o país “em protesto e para mostrar que não concorda” com as “graves violações de direitos humanos e leis internacionais”.
19h39 – Vídeo da Associated Press mostra confusão em Benghazi e, depois, manifestações da oposição a Kadafi. Os dissidentes tomaram boa parte das cidades do leste do país.
19h30 – O Conselho de Segurança da ONU planeja realizar uma nova reunião sobre Líbia na semana que vem, informaram diplomatas do órgão.
18h27 – Embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, disse à Agência Brasil que se recusa a ‘abandonar Kadafi’ e, assim como o coronel, acusou a Al-Qaeda de estar por trás das revoltas no país.
17h48 – A Reuters publicou uma nota afirmando que o preço do petróleo caiu devido a boatos entre os investidores de que Kadafi teria morrido. Os rumores chegaram à Casa Branca, e um funcionário de Washington afirmou que os EUA “não têm razões para acreditar na morte de Kadafi”.
A Reuters posteriormente afirmou que não sabe a origem dos boatos.
17h00 – O Itamaraty deu mais informações sobre a saída de brasileiros da Líbia. O navio que foi enviado a Benghazi, na Líbia, aguarda sua vez para atracar no pier. A embarcação levará brasileiros e estrangeiros para a Grécia. Além disso, um avião levará 400 brasileiros para Malta.
16h37 – Mustafa Abdel Galil, ex-ministro da Justiça que renunciou a três dias, disse à Al-Jazira que Kadafi tem a sua disposição armas biológicas e químicas e que o coronel líbio não hesitaria em usá-las. “Pedimos que a comunidade internacional e a ONU evitem que Kadafi prossiga com seus planos”.
16h19 – Obama ligará para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e para o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, para discutir a situação na Líbia. As informações foram passadas pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. Ele ainda disse que os EUA ‘não descartam’ nenhuma opção para responder à situação no país africano.
16h12 - Mais de 30 mil pessoas já deixaram a Líbia desde o início das revoltas, informa a Organização Mundial da Imigração.
15h41 - Vídeo da CNN mostra repórter americano sendo recebido como herói em Benghazi (em inglês).
“Sinto como se eu fosse um soldado americano entrando em Paris na Segunda Guerra Mundial. Por onde passávamos, eles nos cumprimentavam e nos chamavam de libertadores”.
15h33 – A cidade de Benghazi, a segunda maior da Líbia e uma das primeiras a ser dominada pelos manifestantes, lançou um novo jornal, independente, após Kadafi perder o controle do município. O exemplar pode até ser baixado.
15h28 – O Conselho de Direitos Humanos da ONU estuda excluir a Líbia do grupo. A moção é uma iniciativa de países europeus e deve ganhar o apoio dos EUA, segundo o Guardian.
15h16 – A Suíça ordenou o bloqueio dos bens de Kadafi e de seus parentes.
14h30: Kadafi afirmou que as revoltas no país são instigadas pela Al-Qaeda. “As reivindicações vêm de bin Laden”, disse o ditador referindo-se ao líder terrorista.
12h56: O embaixador líbio na Jordânia renunciou, diz a CNN
12h52: Um avião fretado pela construtora Odebrecht com 446 pessoas a bordo, incluindo 114 brasileiros, chegou nesta quinta-feira a Malta, no Mar Mediterrâneo, vindo da capital da Líbia, Trípoli
11h38: “Por favor, não me desapontem. Do contrário as pessoas farão justiça pelas próprias mãos e expulsarão esta nuvem negra do país”, diz Kadafi
11h37: O ditador diz que quatro pessoas foram mortas hoje na cidade e dá suas condolências às família
11h36: “Eu não me preocupo mais. Se vocês estão felizes com o caos, vocês que lidem com ele”
11h31: Inacreditável. Agora Kadafi diz que é apenas um líder simbólico e volta a se comparar com a rainha da Inglaterra
11h29: “Sou patriota e estou dando conselhos familiares a vocês. Não tenho autoridade para assinar leis, ou algo assim”. ” A rainha Elizabeth da Inglaterra também não tem essa autoridade”
11h27: “O fluxo de petróleo vai parar e a vida deixará de ser boa”, ameaça o ditador. ”As pessoas não terão como comprar casas, carros, casar e pedir dinheiro emprestado”
11h24: Segundo Kadafi, Osama Bin Laden estaria drogando a juventude líbia
11h22: “Vivemos uma vida boa na Líbia e não há do que reclamar. Isto é claramente influenciado por Bin Laden”
11h21: “Por que vocês se envolveram com a mentalidade de Bin Laden”, diz Kadafi aos jovens. Ele volta a chamá-los de drogados e bêbados
11h20: “Você não vê pessoas de família nas ruas. Ninguém com bom senso e mais de 20 anos se envolveria nisso”
11h16: Kadafi começa a falar e volta a acusar os jovens de estarem drogados e bêbados
10h51: O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Anders Fogh Rasmussen disse que a aliança atlântica não pretende intervir na Líbia militarmente
9h11: Avião com 4 brasileiro vindos da Líbia chega em São Paulo
9h02: A televisão estatal anunciou que Kadafi falará “em breve” à população de Zauiya
8h53: Alitalia anunciou que suspendeu todos os seus voos para a Líbia.
8h35: Confrontos se intensificam nas cidades de Misurata, Zuara e Zauiya, a oeste de Trípoli.
8h25: A rede Al-Jazira informa que a cidade de Zauiya, no oeste da Líbia, está nas mãos dos oposicionistas, após confronto com mercenário.
************************ QUINTA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO****************************
22h31 – O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, disse que os americanos que estavam no país estão prontos para sair. O navio que foi resgatá-los deve deixar o país em breve, quando a maré baixar.
21h45 – Os brasileiros que estão na Líbia devem voltar ao País na quinta-feira.
20h10 – Mais sobre o discurso de Obama:
“Os direitos humanos são inegociáveis e devem ser respeitados”.
“Norte, sul, leste e oeste estão unidos e falando em uma só voz em apoio ao povo líbio e suas reivindicações”.
“A Líbia não é uma preocupação só dos EUA. O mundo todo está vendo o que está acontecendo”.
19h42 – Obama condenou o ‘desnecessário derramamento de sangue’ na Líbia e elevou o tom contra Kadafi, dizendo que os EUA estão preparando várias opções para lidar com a situação violenta no país africano.
19h02 – Kadafi cai em ‘questão de dias’, diz ex-enviado da Líbia à Liga Árabe.
18h25 – Antonio Patriota (chanceler brasileiro), Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) e Ban Ki-moon (secretário-geral da ONU) se pronunciaram novamente sobre a violência na Líbia nesta quarta.
Ban chamou a repressão do governo de “violações brutais” dos direitos humanos e disse que “os responsáveis pelo derramamento de sangue de inocentes devem ser punidos”.
Hillary pediu que os cidadão americanos que estão na Líbia deixem o país imediatamente. “Esse é o momento para a comunidade internacional agir em conjunto para enviar uma mensagem clara ao governo da Líbia que a violência é inaceitável e que as autoridades serão responsabilizadas pelas decisões que estão tomando”.
Patriota, que estava ao lado da americana, por sua vez, novamente expressou preocupação com a situação no país do norte da África, mas acrescentou que “é positivo” que não houve violência contra estrangeiros no país.
18h16 – O presidente dos EUA, Barack Obama, falará sobre a Líbia às 19h15 (no horário de Brasília).
17h52 - Segundo a Le Point Magazine, que cita um médico francês, mais de 2 mil pessoas morreram em Benghazi. A fonte disse que entre os mercenários atacando a população há indivíduos do Chade e do Níger. O canal Al-Arabiya contabiliza 10 mil mortos. Os números não podem ser confirmados.
17h11 - Saif Kadafi, filho do coronel, apareceu na televisão novamente para tranquilizar os líbios. “A vida segue normal. Os portos, as escolas, os aeroportos estão todos abertos. O problema reside nas regiões do leste”, disse, pedindo a “união nacional dos líbios nesta batalha”.
16h44 – O tabloide sueco Expressen publicou nesta quarta uma entrevista com Mustafa Abdel-Jalil, ex-ministro da Justiça da Líbia, na qual o ex-membro do gabinete de Kadafi afirma que o ditador ordenou a realização do atentado terrorista contra um avião em Lockerbie, na Escócia, em 1988.
Na ocasião, o líbio Abdel Baset al-Megrahi detonou explosivos colocados em um Boeing 747 quando a aeronave passava sobre a cidade escocesa. Todas as 259 pessoas a bordo do avião morreram, assim como 11 pessoas atingidas por destroços. Al-Megrahi havia sido condenado à prisão perpétua, mas o Reino Unido o libertou por motivos de “compaixão” em 2009.
16h17 – As cidades de Kufra, Benghazi, Tobruk, Ajdabiya e Derna (todas no leste do país), Zliten e Misrata (perto da capital Trípoli), estariam sob controle das forças de oposição, segundo informações de jornais estrangeiros e agências de notícias. Membros do governo que renunciaram disseram que Kadafi “perdeu o controle de todo o lado leste do país”.
15h41 – O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que o presidente Barack Obama condena a violência na Líbia. Obama, que não se pronunciou pessoalmente sobre a crise no país do norte da África, deve fazer um discurso nesta quarta ou na quinta.
15h09 – Imagem registrada em Benghazi nesta quarta mostra militares que se uniram aos protestos. Ao fundo, à direita, veículo carrega a bandeira da Líbia referente ao período anterior à ascenção de Kadafi ao poder.

15h01 – Assim como a União Europeia, os EUA estão considerando sanções sobre a Líbia devido a repressão de Kadafi aos protestos, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley. O representante, porém, afirmou que nenhuma decisão foi tomada e que há uma ampla gama de medidas que podem ser tomadas.
14h50 – A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse à Associated Press que uma zona de exclusão aérea (no fly zone, em inglês) poderia ser imposta sobre a Líbia para coibir os ataques com caças e helicópteros sobre os manifestantes.
14h38 - Nour al-Masmari, ex-chefe de cerimonial de Kadafi, disse à Al-Jazira que ele renunciou ao cargo porque era a atitude mais “humana” que poderia tomar mediante as ações do líder líbio, o que considerou como “genocídio”.
“Kadafi está usando mercenários não porque quer usá-los, mas porque ele não pode usar o Exército. Não pode poder que militares são líbios e são fiéis e honestos com o povo. Eles não podem matar a si próprios. Kadafi não confia nem nos seus próprios guardas”.
14h12 – Ainda segundo o Guardian, um ministro líbio informou que jornalistas que entraram na Líbia ilegalmente são “criminosos”. A Líbia mantém a imprensa sob forte controle estatal e não permite que profissionais de fora atuem no país sem uma permissão especial.
14h01 – Um oficial da Força Aérea da Líbia disse ao Guardian ter testemunhado a chegada de cerca de 4 mil mercenários em aviões de transporte. Cada um carregava cerca de 300 homens armados.
Houve relatos entre os moradores de Trípoli e Benghazi de que o governo estaria contratando mercenários para disparar contra a população indiscriminadamente. Fontes médicas disseram várias vezes que muitos dos feridos que chegavam aos hospitais tinham ferimentos a bala.
13h53 – Um jornal da Líbia informou que um avião militar do país caiu ao sul de Benghazi após os pilotos se recusarem a cumprir ordens de bombardear a cidade. Não ficou claro se a aeronave foi abatida ou sofreu um acidente.
13h46 – A Federação Internacional pelos Direitos Humanos (IFHR, na sigla em inglês), informa que ao menos 640 pessoas morreram desde que os protestos começaram, há oito dias. O número é mais que o dobro das 300 vítimas contabilizadas pelas autoridades líbias.
13h00: O preço do barril de petróleo do tipo Brent, negociado em Londres, já superou os US$ 110 com a crise Líbia. É a maior cotação desde a crise de 2008.
12h22: De acordo com o jornal líbio Quranya – que não é estatal – um capitão e seu copiloto abandonaram o caça Sukhoi-22 da Força Aérea Líbia em pleno voo por se recusarem a bombardear a cidade de Benghazi, principal reduto dos manifestantes. Os militares saltaram de paraquedas e o avião caiu perto da cidade de Ajdabiya.

Excêntrico, exótico, esquisito. Muamar Kadafi é qualificado de inúmeras formas pela imprensa internacional devido ao seu estilo e, principalmente, pelo que fala. No seu mais recente discurso na televisão líbia, ameaçou, enalteceu-se, xingou, esbravejou e fez previsões. Veja os “melhores momentos” do pronunciamento do ditador, que está há quase 42 anos no poder.
“Muamar Kadafi é o líder da revolução (da Líbia) até o fim dos tempos”.
“Não sou presidente, não posso renunciar. Mas se tivesse um cargo renunciaria e esfregaria isto na cara de vocês”.
“Limparei a Líbia casa por casa caso os manifestantes não se rendam”.
“Não vou deixar este país. Morrerei como um mártir. Sou um lutador”.
“Não usamos força ainda, mas usaremos se for necessário”.
“Famílias, juntem seus filhos, deixem suas casas, todos aqueles que amam Muamar Kadafi, e saiam às ruas sem medo. Persigam, prendam, entreguem os manifestantes às forças de segurança. Eles são só uns poucos terroristas”.
“Querem que os EUA nos ocupem, como no Afeganistão ou no Iraque?”
“Rodos os crimes que eles (manifestantes) cometeram podem ser punidos com a execução sob a lei líbia”.
“Vocês conhecem alguém decente que participa disso? São todos bêbados e drogados. São ratos, mercenários que não representam o povo líbio.”
“Os jornalistas seguem as ordens de Osama bin Laden e al-Zawahiri e converterão a Líbia em algo pior que o Afeganistão”.
“Se a juventude não seguir Kadafi, vai seguir quem? Algum barbudo?”
Sharm el-Sheikh, onde Mubarak curte o fim da vida.
Os últimos rumores sobre a saúde do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak afirmavam que ele estava deprimido, mal de saúde e poderia até estar em coma. Segundo o canal americano ABC, porém, o ditador está bem, a ponto de curtir um café da manhã nas praias do paradisíaco balneário de Sharm el-Sheikh em seu país.
Se há algum indício sobre possíveis problemas de saúde com o ex-presidente, que renunciou no dia 11 de fevereiro após quase 30 anos no poder, é a presença de seu médico pessoal no balneário. Seus filhos, Gamal e Alaa, também o acompanham. A fonte das informações ainda se arriscou sobre a saúde de Mubarak: “Ele está bem”.
Durante a semana, após a queda de Mubarak, o embaixador do Egito nos EUA, Sameh Shoukry, disse que o ex-ditador “possivelmente estaria mal de saúde”. Um jornal saudita publicou uma reportagem dizendo que o egípcio adoecia cada vez mais, sofria de depressão e se recusava a receber tratamento. Ao que parece, tudo não passou de especulação.
Além de desfrutar das belas praias do balneário egípcio, Mubarak, de 82 anos, também goza de privilégios. A fonte disse que o acordo para que Mubarak renunciasse inclui garantias de que ele seria protegido pelo Exército e não sofreria perseguição.
Ao que parece, Mubarak passará o resto de sua vida curtindo o país onde nasceu, que comandou, e onde vai morrer, como disse anteriormente.
Quando se fala em não-violência o primeiro nome que se vem à cabeça é o Mahatma Gandhi, herói da independência da Índia. Talvez o doutor Martin Luther King, conhecido por sua luta pelos direitos civis nos EUA. Um ou outro pode se lembrar de Henry David Thoreau, ideólogo da desobediência civil. Os manifestantes que derrubaram as ditaduras de Zine Ben Ali e Hosni Mubarak seguiram os ensinamentos de outro homem, no entanto: o cientista político americano Gene Sharp. O jornal americano The New York Times publicou um perfil sobre ele.
Sharp é o autor de “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”. O livro de apenas 93 páginas, disponível para download em 24 línguas ( há versões em inglês e espanhol, mas não em português) tem inspirado dissidentes em países como Mianmar, Bósnia, Estônia e Zimbábue – e agora, na Tunísia e no Egito.
De acordo com Ahmed Maher, um dos líderes do Movimento 6 de Abril, que organizou os protestos contra Mubarak, os dissidentes conheceram os textos de Sharp analisando o movimento sérvio Otpor, o qual ele influenciou. Mais tarde, quando o Centro Internacional sobre Conflitos Não-Violentos deu um wokshop no Cairo, alguns dos textos do cientista político foram traduzidos para o árabe.
De acordo com Dália Ziada, blogueiro egípcio e ativista pró-democracia, as ideias de Sharp – principalmente sobre atacar as fraquezas dos ditadores se tornou popular no movimento.
Sharp, de 83 anos, vive hoje em uma pequena casa em Massachusetts, comprada em 1968. Assistiu à revolução egípcia pela televisão. “O povo do Egito fez isso. Não eu.”, diz, sobre seu trabalho.
Na era da ‘revolução via Twitter e Facebook’, Sharp mal sabe ligar o computador. Em seu escritório há um post it colocado por sua assistente, Jamila Raquib, com um passo a passo sobre como enviar um Email. Mora com ele na casa também um Golden Retriever de nome Sally.
Sharp inspirou seu trabalho nos ensinamentos de Gandhi. Seus textos falam de desobediência civil, boicotes econômicos e luta por direitos civis. De acordo com ele, a não-violência é a melhor arma contra uma ditadura. “Se você luta com violência, está lutando com a melhor arma do seu inimigo”, diz. “Será um herói corajoso e morto”.
De olho nos acontecimentos no Oriente Médio, Sharp se diz emocionado pela atitude dos manifestantes egípcios, especialmente a coragem deles diante da ditadura. “Esse é um ensinamento de Gandhi. Se as pessoas não temem os ditadores, eles têm um problemão pela frente”.
A violência voltou a tomar conta de países do Oriente Médio desde a quinta-feira, 17. Protestos por abertura política no Bahrein, na Líbia e no Iêmen foram duramente reprimidos pelas forças de segurança. Nos últimos três dias, a situação tornou-se crítica na Líbia, onde a violência contra manifestantes cresceu, deixando centenas de mortos. O ditador Muamar Kadafi usou caças da Força Aérea para atacar manifestantes. Acompanhe aqui no Radar Global os desdobramentos da crise:
22h21 – O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) afirmou que está se preparando para uma onda de refugiados após os dias de violência na Líbia. Só a Tunísia, vizinho a oeste, já recebeu 4.500 pessoas.
22h02 – Veja aqui um resumo do que aconteceu nas revoltas do mundo islâmico nesta terça-feira.
21h41 – O Peru suspendeu todos os laços diplomáticos com a Líbia “até que a violência contra o povo acabe”.
21h30 – Abdul Fatah Younes, o mesmo ministro do Interior que desertou e pediu aos militares que se unam aos protestos, afirmou que a vitória da população é “uma questão dias, ou até mesmo horas”.
20h40 – Mais informações sobre o comunicado do Conselho de Segurança da ONU:
O Conselho pediu que o governo “assuma suas responsabilidades e proteja o povo líbio”, aja com moderação e respeite os direitos humanos e as leis humanitárias internacionais.
Aprovado por todos os 15 membros do Conselho, o comunicado expressa “graves preocupações” com a situação no país do norte da África e condenou a violência contra os civis. O órgão pediu “o fim imediato da violência” e medidas para atender às legítimas demandas do povo líbio.
20h11 – O Conselho de Segurança da ONU condenou o uso da violência na Líbia. Mais informações em breve.
19h43 - Mais do Ministro do Interior, que renunciou há pouco:
“O discurso de Kadafi foi bastante claro para qualquer um que tenha um cérebro. Ele é nervoso, teimoso. Kadafi não sairá. Ele vai se matar ou ser morto. Não desejo esse fim para ele”.
19h35 – Está circulando na internet uma notícia sobre uma dissertação da London School of Economics de autoria de Saif Kadafi, filho do líder líbio. No texto, Said discute “como criar instituições de governo mais justas e democráticas por meio de um sistema de decisões coletivas envolvendo o governo, a sociedade e o setor privado”. Exatamente o oposto do que ocorre na Líbia. Veja mais aqui.
19h00 – Na embaixada líbia da Suécia, os manifestantes que realizavam um ato em frente à representação substiruíram a bandeira do atual regime de Kadafi pela bandeira da monarquia, anterior à tomada do poder por parte do coronel.
18h43: Hillary Clinton voltou a pedir o fim da ‘carnificina desnecessária’ na Líbia e pediu que o governo respeite os direitos humanos da população.
17h36: O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, amigo pessoal de Kadafi, telefonou ao líder líbio. O italiano teria pedido ao coronel que encontrasse uma solução pacífica para a crise na Líbia.
Enquanto isso, a ilha de Lampedusa, no sul da Itália, recebeu 250 imigrantes procedentes do norte da África. As revoltas no Egito, na Líbia e principalmente Tunísia causaram um êxodo em direção ao sul italiano.
17h05: De acordo com a Al-Jazira, o ministro do Interior, Abdul Fatah Younes al-Obiedi, renunciou ao cargo e passou a apoiar os manifestantes. Ele pediu que o Exército se junto aos protestos. Al-Obiedi seria o número dois na hierarquia do governo líbio.
16h57: O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou sua solidariedade ao ditador líbio, Muamar Kadafi. Segundo ele, a Líbia vive momentos de tensão, com saques e destruição. “É terrível. Momentos difíceis assim colocam a lealdade à prova”, disse.
15h51: O Conselho de Segurança da ONU deve emitir um comunicado sobre a crise na Líbia. Os 15 membros do grupo se reunirão a portas fechadas ainda hoje. A Liga Árabe decidiu suspender a Líbia de suas reuniões.
14h38 No Bahrein, já são 100 mil nas ruas contra a monarquia. O país tem apenas 800 mil habitantes.
14h06: Continuaremos acompanhando os principais pontos do discurso do ditador
13h54: O discurso de Kadafi já tem quase uma hora de duração. “Podem protestar sobre Gaza, mas não sobre temas da Líbia”
13h52: O ditador volta a atacar os manifestantes: “Vocês conhecem alguém decente que participam disso? São todos bêbados e drogados”
13h44:” Há diferenças entre manifestações pacíficas e tentativas de cindir o país em dois. Eu mesmo participei de manifestações pacíficas na juventude”
13:39: O ditador líbio argumenta que em sua ‘república das massas’ todo o poder pertence ao povo. Segundo ele, seu filho Saif se encontrará com intelectuais e jovens para ouvir as demandas da população
13h33: Kadafi pede às mães dos manifestantes que os entreguem ao estado para ‘desintoxicação’
13h32: Kadafi lê o código penal líbio no ar e diz que as manifestações são passíveis de pena de morte
13h27: Kadafi: “Os jornalistas seguem as ordem de Osama bin laden e Ayman Al-Zawahiri e converterão a Líbia em algo pior que o Afeganistão”
13h25: Kadafi pede que as pessoas que o amam e o apoiam saiam às ruas em lealdade a ele
13h22: “As barricadas devem ser levantadas. Estaremos em Benghazi”, diz Kadafi
13h19: De acordo com Kadafi, devido ao fato dele não ter o cargo formal de presidente, não há como ele renunciar a nada. No papel, a Líbia é uma ‘república das massas’. Na prática, uma ditadura sangrenta
13h06: “Um pequeno grupo de pessoas doentes está traficando armas para jovens que pretendem copiar os eventos da Tunísia e do Egito” , diz Kadafi
13h03: Não deixarei a Líbia. Morrerei aqui como um mártir”, afirma Kadafi
13h00: ‘Não tenho intenção de renunciar, sou um lutador’, diz o ditador líbio
12h59: “Este é o meu país e o de meus irmãos. Irrigamos seu solo com sangue. A Líbia se tornou um país do qual devem se orgulhar”
12h58: Kadafi começa a falar na TV estatal
11h52: Ainda segundo a Al-Arabya, Kadafi deve anunciar novos governos provinciais, com orçamentos independentes
11h40: Oposicionistas dizem ter tomado o controle da cidade de Tobruk, no leste da Líbia. Al-Bayda e Benghazi já estariam nas mãos de manifestantes e de oficiais sublevados do Exército e da polícia
11h38: De acordo com a TV estatal líbia, Kadafi deve anunciar ‘grandes reformas’ no pronunciamento de hoje.
11h11: O ditador Muamar Kadafi deve fazer um novo pronunciamento na TV, disse a agência AFP
10h31: Os países produtores de petróleo estão reunidos informalmente em Riad, na Arábia Saudita, para discutir o aumento do preço da commodity em virtude da crise na Líbia. Ontem o barril do tipo brent subiu mais de 5%, a maior alta em dois anos. A Itália, principal destino do petróleo líbio, disse ter reservas do combustível para mais três meses e de gás para apenas 30 dias.
10h23: A Liga Árabe deve fazer uma reunião de emergência sobre a crise líbia hoje ao meia dia, horário de Brasília.
10h16: Segue uma contribuição do meu colega Daniel Gonzales, editor da primeira página do estadão.com.br, sobre a capacidade da Força Aérea Líbia:
Os dois caças franceses Mirage F1 que foram conduzidos a Malta por pilotos desertores da Força Aérea Líbia nesta segunda-feira tinham sido recentemente reformados pela Dassault, indústria fabricante dos jatos, após um contrato firmado com o governo de Muamar Kadafi em 2005.
Na ocasião, Kadafi, em visita a Paris, assinou um acordo com o presidente francês Nicolas Sarkozy que autorizava a recuperação de 12 dos 38 Mirage F1 líbios, além de anunciar a intenção de compra de outras aeronaves – inclusive caças Rafale, de última geração, também da Dassault -, equipamentos militares e até um reator nuclear.
Após 12 anos sem voar, parados em solo por conta de sanções da ONU que impediram a compra de suprimentos e peças para manutenção, os Mirage F1 da Líbia passaram por recuperação e modernização no início de 2009, de acordo com a revista inglesa “Air Force Monthly”, especializada em forças aéreas e aviação de ataque.
O acordo envolveu a recuperação de jatos das versões Mirage F1ED (utilizados para defesa aérea, de um lugar, os levados a Malta pelos dois pilotos) e Mirage F1BD, de dois lugares, utilizados para treinamento.
Os Mirage F1 entraram em serviço na Força Aérea Líbia entre o fim da década de 1970 e o início da de 1980. Considerado o sucessor do Mirage III, o F1 foi projetado na década de 1960 e entrou em operação na Força Aérea Francesa em 1973. Kadafi adquiriu da Dassault 38 aeronaves do modelo, em diversas versões, inclusive para ataque ao solo. Não há informações precisas sobre quantos estão operacionais de fato atualmente na Líbia.
A capacidade de ataque ao solo da Força Aérea Líbia é suprida, atualmente, por jatos de fabricação russa, os Sukhoi Su-22 e MiG-23M.
10h07: A chancelaria iraniana elogiou os protestos na Líbia e pediu que a comunidade internacional intervenha para acabar com a onda de violência no país.
”As notícias de bombardeios aéreos contra manifestantes e áreas residenciais, junto com os assassinatos em massa, nos causam preocupação e consternação”, disse o porta-voz Ramin Mehmanparast.
Enquanto isto, o filho do líder oposicionista Mehdi Karroubi foi preso em Teerã.
9h57: Em outros países da região com movimentos pró-democracia, as manifestações continuam. No Bahrein, milhares de pessoas voltaram às ruas para pedir a renúncia do rei Hamad al-Khalifa. Mais cedo, o monarca ordenou a libertação de alguns presos políticos para tentar amenizar os protestos. No Iêmen, os atos chegaram ao 12º dia com ao menos 3 mil pessoas nas ruas. Desde o início das manifestações no país, 11 pessoas morreram.
9h55: O embaixador da Líbia nos Estados Unidos, Ali Aujali, anunciou nesta terça-feira que não representa mais o “regime ditatorial”
de seu país e pediu a saída do líder Muamar Kadafi. “Eu renuncio a servir ao atual regime ditatorial. Mas nunca renunciarei a servir ao meu povo até que sua voz alcance o mundo todo, até que seus objetivos sejam conquistados”, disse Aujali em entrevista no programa de TV “Good Morning America”, da rede ABC. “Estou pedindo que ele (Kadafi) saia e deixe o nosso povo em paz.”
09h39: Um breve resumo do que aconteceu até aqui nesta manhã: Caças da Força Aérea Líbia retomaram ataques contra manifestantes em Trípoli. Há relatos de que mercenários contratados pelo governo Kadafi disparam indiscriminadamente contra pessoas que saem às ruas. Muitos não consegueriam nem recolher os corpos dos mortos de ontem. Enquanto isso, cresce a pressão internacional contra o ditador. A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navy Pillay, pediu uma investigação dos ataques, dizendo que podem ser denunciados como crimes contra a humanidade. O Conselho de Segurança da entidade deve se reunir ainda hoje.
************************ TERÇA-FEIRA, 22 DE FEVEREIRO****************************
22h05 – Kadafi foi à televisão. Em menos de um minuto, ele rebateu ‘rumores maliciosos’ e confirmou que não está na Venezuela ou na França, mas em Trípoli. Veja aqui mais sobre o breve recado do coronel líbio.

21h21 – Saiba um pouco mais sobre as quatro décadas de ditadura na Líbia com esta linha do tempo.
20h54 - Em novo comunicado emitido por Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU se diz “ultrajado” com os relatos de que as autoridades da Líbia teriam atacado os manifestantes com helicópteros e aviões. “Ataques desse tipo constituem sérias violações das leis humanitárias internacionais”, diz Ban na nota.
20h42 – Os rumores de que Kadafi apareceria em breve para falar na televisão estatal surgiram há duas horas, pelo canal al-Arabiya. Já são 1h35 da madrugada na Líbia.
20h36 – A Al-Jazira afirma que o Conselho de Segurança da ONU estuda se reunir em caráter de urgência para discutir a situação na Líbia.
20h07 - Segundo o Guardian, o sultão al-Qassemi, membro do Supremo Conselho dos Emirados Árabes Unidos, publicou no seu Twitter uma informação de que a Al-Jazira (versão árabe) teria veiculado um comunicado do Exército da Líbia convocando os militares a tirar Muamar Kadafi do poder.
20h02 - Saif Kadafi, filho do líder líbio, também negou bombardeios contra os manifestantes. Ele disse que os ataques tiveram como alvo depósitos de munição em área remotas.
Fontes médicas e imagens gravadas por funcionários de hospitais, porém, mostram corpos mutilados aparentemente por explosões. Eles dizem ter recebido centenas de mortos e feridos a bala nesta segunda.
19h56 – Mais informações sobre as declarações de Hillary Clinton sobre a Líbia aqui. Obama segue sem se pronunciar sobre a situação no país.
19h40 – Há informações de que o espaço aéreo de Trípoli foi fechado. Não há confirmação.
19h33 – O vice-chanceler da Líbia, Khaled al-Ghaeim, está ao vivo na Al-Jazira (versão em árabe do canal). Ele negou que há mercenários atacando os manifestantes e negou qualquer bombardeio dos aviões militares do governo. Al-Ghaeim ainda criticou a emissora por ‘incitar a violência’ entre o povo.
19h28 – Mais informações sobre brasileiros na Líbia aqui. Há cerca de 500 brasileiros no país africano.
19h23 – Clérigo muçulmano convoca Exército da Líbia a matar Kadafi. Veja aqui.
19h19 - Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, exortou as autoridades líbias a “cessar o inaceitável banho de sangue” no país, dizendo-se “alarmada” pela situação no país africano.
19h12 – Kadafi falará na televisão estatal da Líbia em breve, segundo o canal Al-Arabiya.
18h46 - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confirmou que dez dos cerca de 500 brasileiros presentes na Líbia trabalham para a Petrobrás em prospecção de petróleo em áreas próximas a Trípoli. Gabrielli informou que não foram registrados problemas com nenhum deles.
18h40 - No Facebook, o Exército do Egito afirmou que as forças de segurança da Líbia deixaram a fronteira entre os dois países e que os limites estão abertos e “nas mãos dos comitês do povo”. Não está claro se os grupos que controlam as fronteiras é opositor ou partidário de Kadafi.
18h29 – Mais informações sobre a retirada dos funcionários da Odebrecht. Veja aqui.
18h26 - Depois de o Ministério da Informação da Venezuela negar que Kadafi estaria a caminho da América do Sul, foi a vez da chancelaria de Caracas comentar o caso, dizendo que “Kadafi se encontra em Trípoli, exercendo os poderes que o Estado lhe outorga”. Nicolás Maduro, o chanceler venezuelano, chamou William Hague, seu homólogo britânico, de “irresponsável”. Hague disse que o coronel líbio estaria indo para a Venezuela.
18h18 – A CNN, citando a agência de notícias oficial do Egito, informa que a Liga Árabe se reunirá em caráter urgente na terça-feira para discutir a situação na Líbia. A Líbia atualmente detém a presidência rotativa do órgão.
18h10 – O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, negou que Kadafi teria pedido asilo político no Brasil. A CNN cita uma fonte diplomática líbia garantindo que o coronel ainda está no país africano.
18h07 – A cidade de Misratah, a leste de Trípoli, também teria sido alvo de ataques aéreos, segundo a Al-Jazira.
18h00 – Há novos relatos de bombardeios em Az-Zawiya, a oeste de Trípoli. Em Benghazi, dois aviões pousaram na base aérea da cidade, depois de terem se recusado a atacar os manifestantes no local, um dos principais palcos dos protestos contra KAdafi.
17h53 - A Al-Jazira noticiou que a construtora brasileira Odebrecht ordenou a evacuação de seus 5 mil funcionários da Líbia – dentre os quais há 187 brasileiros. A empresa é a principal atuando na construção do aeroporto de Trípoli e no anel viário da capital. Todos os projetos da companhia no país africano estão suspensos por tempo indeterminado.
17h48 - O ministro de Exteriores da Itália, Franco Frattini, emitiu comunicado negando os rumores de que caças italianos teriam sido usados no bombardeio contra manifestantes na Líbia. A chancelaria criticou os boatos sugerindo o envolvimento da Itália no episódio.
17h44 - A representação da Líbia nos EUA também renunciou. Os conselheiros Saleh Ali al-Majbari e Jumaa Faris denunciaram Kadafi, dizendo que ele “é culpado pelo genocídio contra o povo líbio, ação na qual ele usou mercenários”.
Os diplomatas afirmaram que não mais representam o governo de Kadafi, e sim o povo líbio. Eles ainda pediram que o presidente americano, Barack Obama, “tome atitudes urgentemente, com a comunidade internacional, para pressionar pelo fim do massacre na Líbia”.
16h32: Um resumo da situação até agora na Líbia: Kadafi utilizou caças militares para reprimir os protestos, segundo testemunhas em Trípoli. Dois pilotos da Força Aérea, no entanto, se negaram a atacar seus compatriotas e fugiram rumo à Malta, no Mediterrâneo, onde pediram asilo. Enquanto isso, Kadafi perdeu apoio dentro do governo, no Exército e de uma das tribos que o apoia.
14h46: Uma série de embaixadores líbios ao redor do mundo pedem demissão em protesto à repressão no país. Deixaram os postos os chefes de representações diplomáticas na Índia, China, Reino Unido e Suécia.
14h44: Ibrahim Dabbashi, segundo na hierarquia diplomática líbia nas Nações Unidas, diz que Kadafi declarou guerra ao povo de seu país e está cometendo genocídio.
14h40: Segundo a TV Al-Jazira, Kadafi está usando aviões para bombardear manifestantes em Trípoli. A rede cita testemunhas ouvidas por telefone. Devido à restrição da ditadura a meios de comunicação estrangeiros, é difícil obter confirmações in loco do que acontece na Líbia.
14h33: Os pilotos dos dois aviões líbios que pousaram em Malta pediram asilo no país.
14h08 – Mais novidades sobre a situação diplomática e da imprensa na Líbia. Os telefones estão sendo monitorados e há um bloqueio para mensagens de texto. A Al-Jazira disse ter detectado no edifício central da inteligência líbia um sinal que interfere na transmissão do canal. O site da emissora também foi bloqueado.
O Ministério de Exteriores da Líbia pediu que todas as embaixadas que operam no país fechem e permaneçam fechadas até o domingo. A maioria das representações estrangeiras está evacuando parte dos funcionários e deixando apenas aqueles essenciais.
13h58 – Segundo a Al-Jazira, as autoridades venezuelanas negam que Kadafi esteja a caminho da América do Sul.
13h41 – A Reuters cita o ministro de Exteriores britânico, William Hague, dizendo que o coronel Kadafi supostamente estaria a caminho da Venezuela. Os relatos, porém, não foram confirmados.
13h09 O GP do Bahrein, que abriria a temporada de F-1, no dia 13 de março, foi cancelado devido aos protestos no emirado
13h08: De acordo com a Al-Jazira, que cita testemunhas ouvidas em Tripoli, 60 pessoas morreram nos protestos de hoje na capital líbia.
13h01: De acordo com a agência Reuters, dois aviões líbios aterrissaram de maneira inesperada em Malta, no Mediterrâneo.
12h14: Diplomatas líbios confirmam à Al-Jazira que o ministro da Justiça deixou o cargo.
11h51: A London School of Economics, uma das mais prestigiosas faculdades inglesas, cancelou um curso financiado por um dos filhos de Kadafi, ex-aluno da escola.
11h33: O ministro da Justiça da Líbia, Mustafa Mohamed Abud al-Jeleil, renunciou ao cargo em protesto à repressão do governo contra manifestantes, diz o jornal privado Quranya.
11h29: Uma coalizão de líderes muçulmanos da Líbia emitiu uma fatwa (decreto religioso) dizendo que é dever dos fiéis se rebelar contra a ditadura de Kadafi. ” “Eles demonstraram uma impunidade arrogante. Continuam, e aumentam, seus crimes sangrentos contra a humanidade. Demonstraram total infidelidade aos ensinamentos de Deus e seu amado profeta (que a paz esteja com ele)”, diz o grupo, denominado Rede dos Ulemás Livres da Líbia
10h34: Há rumores não confirmados de que Kadafi teria deixado Trípoli, diz a BBC.
10h30: Um porta-voz do grupo opositor Frente Nacional Pela Libertação da Líbia (FNLL) disse ao jornal The Guardian que manifestantes cercaram a mansão de Kadafi e a guarda pessoal do ditador reagiu com tiros. De acordo com ele, cerca de 80 pessoas morreram.
10h17: De acordo com o jornal líbio Quryna, os protestos chegaram à cidade de Lanuf, rica em petróleo. O país responde por 2% da produção mundial da commodity
10h04: O embaixador da Líbia na Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução. Outros diplomatas, como os representantes do país na China e na Índia, também deixaram seus postos.
10h01: Este vídeopostado no You Tube - que não pôde ter a autenticidade comprovada independentemente- mostra protestos na noite passada na praça dos Mártires, em Tripoli.
9h47: Nas ruas de Argel, capital da Argélia, 10 mil manifestantes saíram às ruas para protestar contra o presidente Abdelaziz Bouteflika. Cerca de 26 mil policiais foram enviados para reprimir o ato.
9h45: No Irã, dissidentes voltaram às ruas para lembrar uma semana da morte de dois manifestantes contrários ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, na última segunda-feira. Eles foram atacados pela polícia e por milícias leais ao governo.
9h29: O premiê britânico, David Cameron, chega hoje ao Egito. É a primeira visita de um chefe de governo estrangeiro ao país desde a queda de Hosni Mubarak. “Acredito que seja uma grande oportunidade de falar com os atuais líderes egípcios para garantir que haja uma verdadeira transição do governo militar para o civil”, disse a jornalistas antes de aterrissar no Cairo.
9h23: De acordo com o jornal El País, ao menos cinco pessoas morreram nos protestos de domingo no Marrocos.
9h21: A chancelaria britânica convocou o embaixador líbio em Londres
9h00: Um resumo da situação na Líbia até aqui: O filho do ditador Muamar Kadafi foi à TV estatal para alertar sobre o risco de uma guerra civil no país. Ao menos duas cidades – Bayda e Benghazi – estariam sobre controle dos manifestantes após oficiais do Exército e da polícia mudarem de lado. De acordo com a Human Rights Watch, 233 pessoas morreram desde o início dos confrontos. Pela manhã, os protestos chegaram a Trípoli. Um prédio do governo foi incendiado.
********************SEGUNDA-FEIRA, 21 DE FEVEREIRO********************
22h09 – A situação nos hospitais do Bahrein está tão caótica que nem mesmo os médicos estão dando conta dos feridos que chegam. Os próprios manifestantes que não se feriram nos ataques dos militares estão ajudando as equipe e distribuindo água e comida nos corredores.
21h36 – Aqui estão algumas das poucas imagens obtidas dos manifestantes na Líbia. A imprensa e a internet sofrem forte controle do governo, e por isso é difícil conseguir imagens dos protestos – o governo só permite a distribuição de fotos e vídeos das marchas de seus partidários.
20h00 - Somente um hospital da cidade de Benghazi, na Líbia, recebeu 35 corpos, segundo um funcionário do local. Ele disse que a maioria das vítimas chegou ao centro médico depois de uma tentativa de iniciar um protesto em frente ao condomínio residencial usado por Muamar Kadafi quando o general vai à cidade, no leste do país.
19h31 – O WikiLeaks postou no Twitter que deve publicar ‘cem revelações’sobre o Bahrein ainda nesta sexta.
18h43 – Neste vídeo veiculado pela Al-Jazira sobre os protestos no Bahrein, um manifestante descreve a ação da polícia quando o grupo que assiste é de repente atacado pelas forças de segurança. Segundo o canal árabe, o homem que fala diz que os miltiares usaram metralhadoras contra os manifestantes.
18h16 – Atualização do número de vítimas no Iêmen: só nesta sexta, são cinco mortos e quase 40 feridos feridos. Ao todo, já são 11 mortos no país.
17h48 - O Reino Unido, conforme havia anunciado na quinta, decidiu revogar algumas de suas licenças para a exportação de armas para o Bahrein devido a violência dos protestos no país.
17h20 - URGENTE: Em comunicado oficial, o rei Hamad bin Issa Al Khalifa pede ao príncipe da Coroa que inicia um diálogo nacional “com todas as partes”.
17h12 – Fontes médicas disseram à Al-Jazira que 66 feridos foram levados ao hospital após a ação na Praça das Pérolas, no Bahrein. Alguns deles estariam em condições críticas.
16h49 – Segundo a Al-Jazira, os protestos pela retomada da Praça das Pérolas no Bahrein foi adiado para a terça-feira a pedido das famílias das vítimas.
15h40: O presidente americano, Barack Obama, condenou a violência contra manifestantes na Líbia, no Iêmen e no Bahrein em comunicado divulgado pela Casa Branca.
” Estou profundamente preocupado com os relatos de violência no Bahrein, Líbia e Iêmen. Os EUA condenam o uso de violência contra manifestantes pacíficos nestes países e em quaisquer outros onde isto possa ocorrer. Os EUA pedem que os governos de Bahrain Líbia e Iêmen evitem responder a estes protestos pacíficos e respeitem os direitos de seus povos“
14h56: A rede de TV Al-Arabya, com sede em Dubai, informou que protestos acontecem hoje também na Síria, no Kuwait e no Djibuti.
13h28: No Iraque manifestantes tomaram as ruas de Basra pedindo melhores serviços públicos, empregos e pensões.
13h21: Ao menos oito pessoas ficaram feridas em Amã, na Jordânia, em confrontos entre manifestantes e partidários do rei Abdullah II
13:01: Na Argélia, onde as manifestações foram proibidas, oposicionistas prometeram voltar a se reunir no sábado, de acordo com o Guardian.
12h46: A polícia voltou a disparar contra manifestantes no Bahrein. Duas marchas tentavam se reunir e foram contidas com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
12:25 A situação começa a ficar tensa na Líbia. Em Benghazi, no leste do país, onde 14 manifestantes morreram ontem, centenas de pessoas voltaram às ruas, desafiando o Exército, que foi deslocado para a cidade. De acordo com dissidentes, a cidade de Bayda está sob controle da oposição, após a adesão da polícia local. Um vídeo postado no You Tube e reproduzido pelo The Guardian, mostra manifestantes derrubando um monumento em homenagem ao ditador Muamar Kadafi em Tobruk.
12:05: O Itamaraty divulgou no final da noite de quinta-feira uma nota sobre as manifestações no Bahrein. Leia a íntegra:
“O governo brasileiro acompanha com preocupação o agravamento da situação política no Reino do Bahrein, onde choques recentes entre forças policiais e manifestantes têm levado a número crescente de vítimas.
O governo brasileiro conclama as partes a buscarem encaminhamento pacífico para as demandas, e manifesta a expectativa de que as autoridades do Reino do Bahrein garantam, sem o recurso à violência, a liberdade de expressão e os direitos civis da população.“
12:03: De acordo com a TV Al-Jazira, três manifestantes morreram em Áden, no sul do Iêmen, em confronto com as forças de segurança. O ataque de granada em Taiz deixou um morto, segundo a agência Reuters. Com isto, sobem para oito o número de vítimas dos protestos, iniciados há oito dias.
11h54: Um pequeno resumo do que aconteceu nesta manhã: No Bahrein, 15 mil pessoas saíram às ruas pedindo o fim da monarquia. Os militares da Líbia tomaram o controle de Benghazi, a segunda maior cidade do país e foco de resistência ao regime de Muamar Khadafi. No oitavo dia de protestos no Iêmen, uma granada foi atirada contra manifestantes. No Egito, uma semana após a queda de Mubarak, dois milhões de pessoas voltaram à praça Tahrir para o dia da vitória. O Irã, por sua vez, viu manifestantes pró-governo saírem às ruas para pedir a pena de morte para opositores que organizaram marchas em apoio aos protestos na região.
************************************** SEXTA-FEIRA, 18 DE FEVEREIRO*************************
21h36 - A Al-Jazira reproduziu uma parte do texto de um correspondente do New York Times no Bahrein, Nicolas Kristof:
“É de cortar o coração o fato de você estar em um país moderno e moderado como o Bahrein e ver como um aliado dos EUA usa tanques, tropas, cassetetes e armas para esmagar um movimento democrático pacífico e mentir sobre isso.
Esse tipo de repressão brutal é normalmente praticada por nações remotas e atrasadas, mas esse aqui é o Bahrein! Um centro internacional de investimentos. Uma importante base naval dos EUA, onde fica a Quinta Frota. Uma nação rica e bem educada com uma grande classe média e valores cosmopolitas”.
20h49 – Na Líbia, um grupo que se intitula Forças dos Cidadãos do Leste da Líbia divulgou um comunicado pedindo uma trégua entre os contrários a Kadafi e a polícia e os partidários do coronel. Não se sabe se o grupo é de oposição, mas sabe-se que ele inclui pessoas próximas da administração de Trípoli.
20h23 – Dados do Ministério da Sáude do Bahrein para os protestos desta quinta: quatro mortos e 231 feridos.
19h59 – Dados atualizados também no Iêmen: quatro mortos e cerca de 60 feridos. O número de manifestantes em Áden, onde ocorreram as mortes, era de cerca de 3 mil. Desde o início dos protestos no país, então, são seis mortos.
19h55 – O número de mortes causada peala ação dos militares do Bahrein matou ao menos seis, segundo a Al-Jazira.
19h20 – Últimas do Egito: Dois ex-ministros e um magnata que já teve influência no partido governista egípcio foram detidos sob suspeita de envolvimento em atos de corrupção, segundo fontes nos serviços de segurança.
18h48 – No Iêmen, foi confirmada uma morte só nos protestos desta quinta. Também houve dez feridos.
18h24: A Praça das Pérolas, antes tomada pelos manifestantes xiitas, agora só tem barracas vazias, placas e garrafas quebradas. A ação violenta da polícia e do Exército forçou a desocupação do local. Os militares mantém forte presença na área.

18h07: Na Líbia, o número de mortos segue indefinido. Há fontes da oposição, entre sites e ativistas, reportando ocorrências em várias cidades do país. Somando os relatos, é possível que haja até 20 óbitos.
17h30: O Reino Unido pretende revisar formalmente as recém autorizadas exportações de armas para o Bahrein após a violenta repressão aos protestos, segundo Alistair Burt, do Escritório de Relações Exteriores. “Nós revogaremos as licenças caso julguemos que elas não estejam mais em linha com os critérios (do Reino Unido e da União Europeia)”.
16h28: O porta-voz da Casa Branca Jay Carney pediu ao governo bareinita para parar as agressões a manifestantes pacíficos.
16h27: Segundo a agência Reuters, o médico bareinita Sadeq al-Karim, trabalhava como voluntário no atendimento aos manifestantes feridos na praça das Pérolas foi agredido pela tropa de choque da polícia. Ele acabou sendo internado com uma fratura no nariz
15h37: O ministro de Relações Exteriores do Bahrein, o xeque Khaled bin Ahmed al-Khalifa, disse nesta quinta-feira, 17, que a invasão da praça das Pérolas, na qual três manifestantes morreram e 231 ficaram feridos pelas forças de segurança foi necessária para ‘tirar o país da beira do abismo sectário’.
15h25: Dica dos meus colegas da editoria de esportes do estadão.com.br: A primeira etapa da GP2 – a categoria de acesso à F-1-, que aconteceria no Bahrein, foi cancelada. Leia o relato enviado pela assessoria do piloto Luiz Razia, o único brasileiro da categoria. A corrida de abertura da temporada de Fórmula 1 , marcada para o dia 13 de março para o mesmo circuito, também corre risco.
“Estava tudo bem até chegarmos, mas as coisas têm piorado a cada dia. Os protestos estão crescendo e a polícia, juntamente com o exército, decidiram fazer alguma coisa, então as ruas estão bloqueadas. É muita policia para todo lado; é um pouco assustador ver tanques de guerras nas ruas. Estamos lidando bem com a situação, mas, de qualquer maneira, as coisas não estão indo de acordo com o previsto. Os treinos livres e de classificação foram cancelados, pois não temos helicópteros e nem ambulâncias, pois os médicos estão um pouco ocupados com os protestos.“
14h52: Mapa mostra a localização estratégica do Bahrein, na entrada do golfo Pérsico. No país, 70% da população de cerca de 500 mil habitantes é de xiitas, como no Irã, mas a monarquia no poder é sunita, como na Arábia Saudita.
13h23: A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, expressou ao ministro de Relações Exteriores do Bahrein seu desagravo com a repressão policial contra manifestantes contrários ao governo.
De acordo com uma fonte do departamento de Estado, Hillary pediu o fim do uso da violência e os diplomatas discutiram reformas econômicas e políticas para atender às demandas da população.
12h06: O Bahrein tem uma grande importância estratégica para os EUA. A sede da quinta frota da Marinha Americana, que cuida de operações no Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Mar da Árabia, fica em Manama. Pela região, trafega grande parte da exportação de petróleo mundial.
12h04: De volta à Líbia: De acordo com o Guardian, há pouca mobilização contra Kadafi em Tripoli, mas há relatos de protestos em Benghazi, a segunda maior cidade do país, em Zentana e al-Bayda. Há relatos de ao menos 14 mortos até agora.
11h58: Este vídeo postado no You Tube por um usuário bareinita mostra o suposto momento do ataque à praça das Pérolas. Sua autenticidade não pôde ser comprovada de maneira independente.
11H52: Centenas de feridos estão sendo atendidos em hospitais bareinitas. Nesta foto de Mazen Mahdi, da agência Efe, manifestante faz o sinal da vitória ao dar entrada no pronto-socorro
11h48: De acordo com a Al-Jazira, os choques se espalharam agora para outras áreas de Manama, mas estão mais esporádicos. O ministro da Saúde teria renunciado em protesto ao ataque aos dissidentes, mas esta informação ainda não foi confirmada pelo governo.
11h43: O governo americano deve entrar em contato com autoridades bareinitas para pedir o fim do uso da violência contra manifestantes, disse uma fonte do governo nesta quinta-feira
11h29: Falando um pouco de Líbia, agora, o Movimento da Juventude Líbia, que organiza os protestos contra Muamar Kadafi, tem uma conta no Twitter onde dá a sua versão dos protestos convocados contra o ditador. Segundo os manifestantes, um prédio militar foi queimado em Ajdabiya, no leste do país. Ainda de acordo com o grupo, a cidade de Benghazi também foi tomada por manifestantes, a maioria mulheres.
11h22: A Anistia Internacional, uma das principais organizações em prol dos direitos humanos no mundo, condenou o ataque policial aos manifestantes no Bahrein. ” As autoridades bareinitas mais uma vez reagiram a protestos legítimos com o uso da força. Eles devem interromper a repressão a reformistas. Precisam também começar uma investigação completa e imparcial do que aconteceu nesta manhã”, disse o diretor para Oriente Médio e Norte da África do grupo, Malcolm Smart.
11h20: A oposição xiita diz que um quarto manifestante morreu após o ataque de hoje. Caso o número seja confirmado, subirá para seis o número de vítimas desde o início dos protestos no país.
11h17: Os ministros de Relações Exteriores de países do Golfo Pérsico se reuniram nesta quinta-feira em caráter extraordinário para lançar uma moção de apoio ao governo bareinita. “O Conselho de Cooperação do Golfo vai anunciar seu apoio ao governo em matéria de segurança, defesa e política”, disse um porta-voz. O grupo inclui Bahrein, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
11h14: Um porta-voz do ministério do Interior do Bahrein foi à TV para informar que o Exército vai garantir a segurança do país. “As forças de segurança reafirmaram que vão tomar todas as medidas para preservar a segurança e a ordem”, disse.
11h09: O bloco xiita Wefaq prometeu renunciar em conjunto a seus cargos no Parlamento. O Bahrein é uma monarquia constitucional, mas cabe ao rei apontar o primeiro-ministro.
11h06: De acordo com um advogado da oposição xiita, ao menos 60 pessoas estão desaparecidas após o ataque da polícia à praça das Pérolas.
11h00 : Tropas do Exército e da polícia antidistúrbio tomaram o controle de Manama, a capital do Bahrein, após um ataque a manifestantes na praça das pérolas. O ministro do Interior recomendou que a população não saia às ruas.
Quatro quilômetros de um campo minado vigiado por guardas. Nem isso foi o bastante para deter um norte-coreano que, no dia das festividades do aniversário de Kim Jong-il, desertou para o país vizinho do Sul.
O corajoso norte-coreano foi encontrado por guardas da Coreia do Sul logo após cruzar a fronteira e foi levado para um interrogatório. Não se sabe como ele atravessou o campo minado e ainda assim evitou ser visto pelos soldados do Norte. Ele desertou na noite da terça-feira.
A Zona Desmilitarizada na fronteira entre os países desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953, é fortemente guardada e pouco visitada. Há apenas duas paragens usadas por autoridades construídas em 2000, quando os vizinhos começaram a restabelecer seus laços.
Centenas de norte-coreanos fogem do país todo ano. Os principais motivos são a perseguição política e as duras condições de vida no empobrecido país comunista. Muitos desertam pela fronteira norte, com a China, onde há menos vigilância, mas a maioria tenta a sorte no caminho para a Coreia do Sul – cerca de 20 mil já conseguiram chegar ao vizinho.
A deserções são motivo de vergonha para Pyongyang, mas as histórias ficam só entre os figurões. A imprensa, controlada pelo governo, não mostra esse tipo de coisa à população e esteve ocupada com as comemorações do 69º aniversário do ‘Grande Líder Kim Jong-il’.
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Arquivo Estado: O armistício de Pan-Mun-Jon
Infográfico: As origens do impasse na península coreana
Reuters
A prisão militar mantida pelos EUA em Guantánamo, Cuba, tem um lugar especial reservado para ninguém menos que Osama bin Laden, o cérebro da organização terrorista Al-Qaeda. A informação foi dada pelo diretor da CIA, Leon Panetta, aos senadores americanos.
A declaração de Panetta sugere que Bin Laden, considerado um dos responsáveis pelos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono em 11 de setembro de 2001, não seria julgado no sistema penal americano – uma política da administração Bush para terroristas amplamente criticada pelo atual presidente, Barack Obama. O democrata, aliás, ainda não fechou Guantánamo, como havia prometido em sua campanha.
Outro nome citado por Panetta foi o do egípcio Ayman al-Zawahiri, outro proeminente membro da Al-Qaeda. Ele forma com o saudita Bin Laden a dupla dos terroristas mais procurados pelos EUA. Se capturados, disse o diretor da CIA, eles seriam enviados para a Base Aérea de Bagram, no Afeganistão, onde seriam interrogados, para depois serem enviados a Cuba.
A lei americana vigente prevê que os prisioneiros de Guantánamo não podem ser levados ao solo americano para julgamento. Ambos os terroristas foram indiciados, o que os torna passíveis de julgamento em Nova York. Se forem para a prisão cubana, porém, o processo torna-se inconstitucional.
A questão, porém, deve ser resolvida só depois que – e se – os terroristas forem procurados. Eles são procurados há mais de dez anos pelas autoridades americanas e há pouquíssimas pistas sobre os esconderijos. Agentes da inteligência acreditam que eles se escondam em algum lugar no noroeste do Paquistão.
Veja também:
Especial: As franquias da Al-Qaeda
Associated Press
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