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Radar Global

O dia 27 de janeiro é mundialmente lembrado como o Dia em Memória às Vítimas do Holocausto. Diversas homenagens ocorrem em vários lugares do mundo, inclusive no antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, um símbolo da crueldade do regime nazista da década de 1940. Veja imagens das cerimônias e dos museus visitados neste dia.

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27.janeiro.2012 00:01:30

WEBSFERA – 27 DE JANEIRO

THE GUARDIAN
Presentes de ditador da Romênia vão a leilão
Uma casa de leilões em Bucareste colocará à venda uma série de presentes recebidos pelo ex-ditador da Romênia Nicolau Ceausescu, que governou o país entre 1967 e 1989. Entre os objetos estão uma pomba de prata dada pelo xá do Irã, uma pele de leopardo vinda da África e um iaque de bronze que foi presente do ex-líder chinês Mao Tsé-tung.

THE CONSUMERIST
Carteiro é acusado de roubar correspondência
O serviço postal do Texas investiga um carteiro que admitiu ter roubado correspondências durante os últimos 10 anos. O funcionário juntou todos os papéis roubados em sua casa e alegou sofrer de uma doença mental quando foi descoberto.

SEATTLE TIMES
Aérea para de distribuir ‘cartão de oração’ em voo
Uma empresa aérea do Alasca deixará de distribuir aos passageiros seus tradicionais “cartões de oração” antes dos voos. A prática de entregar folhetos com trechos bíblicos e de oração assusta alguns passageiros e considerada “ultrapassada” pela empresa.

CCSU
Washington é a cidade que mais lê nos EUA
A capital americana, Washington DC, lidera o ranking das cidades “mais letradas” do país, realizado por uma universidade desde 2005. O segundo lugar ficou com Seattle e o terceiro com Minneapolis. O pior índice foi o de Bakersfield, na Califórnia.

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A imprensa internacional repercutiu nesta quinta-feira, 26, o desabamento de três edifícios que deixou três mortos até o momento no Rio de Janeiro, destacando o fato de que a cidade será sede da Copa do Mundo e de os prédios estarem localizados no centro da cidade.

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Reforma irregular pode ter causado o acidente
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Horário evitou que tragédia fosse maior, diz Cabral
Sites ligam acidente a despreparo para a Copa
Os momentos de desespero após o desabamento
Veja fotos dos desmoronamentos no Rio

Durante todo o dia, a rede de TV americana CNN exibe imagens do desabamento, com transmissão do escritório em São Paulo. Em seu site, a CNN menciona “5 mortos e 19 desaparecidos” por conta do acidente.

CNN repercute o desabamento no Rio
A chamada do site da CNN: “5 mortos, 19 desaparecidos em desabamento de prédios no Rio”

O jornal El País, um dos mais importantes da Espanha, publicou em seu site uma imagem aérea da região do desabamento e a manchete: ‘Três edifícios caem no centro do Rio de Janeiro e causam três mortos”. A reportagem destaca o trabalho dos bombeiros para localizar desaparecidos no edifício em pleno centro da cidade. Na Argentina, o Clarín apontou problemas estruturais como possíveis causas do desastre no texto “Cinco mortos e desaparecidos com o desabamento de três edifícios no Rio de Janeiro”, também publicado em seu site.

Na Europa, o italiano Corriere Della Sera ilustrou a tragédia no Rio com fotos e vídeos em matérias reunidas sob a chamada “Terror no Brasil”. O francês Le Monde publicou no site uma galeria de fotos na matéria “Três edifícios desmoronaram no Rio de Janeiro”.

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Campanha republicana à presidência dos EUA revela ignorância sobre um complexo aliado de Obama, um país referência para os regimes que a Primavera Árabe derrubou

POR JACKSON DIEHL, DO WASHINGTON POST*

Seria agradável pensar que a saída de Rick Perry da corrida presidencial do Partido Republicano teve algo a ver com a observação obtusa que ele fez sobre a Turquia no debate em Myrtle Beach, na Carolina do Sul.

O diálogo com Bret Baier, da Fox News, é sem dúvidas o ponto mais baixo no tema política externa das primárias republicanas até agora – o que significa muito. Ele chama a atenção também para um problema na compreensão americana – em particular, republicana – da transformação do Oriente Médio que é muito maior que Perry.

Baier fez uma descrição basicamente precisa, embora parcial, do governo de Recep Tayyip Erdogan, dizendo que “desde que seu partido orientado para o islamismo chegou ao poder… o índice de assassinatos de mulheres aumentou 1.400%, a liberdade de imprensa caiu ao nível da Rússia, (Erdogan) adotou o Hamas e a Turquia ameaçou usar força militar contra Israel e Chipre”. Em seguida, ele perguntou: “Acredita que a Turquia ainda tem lugar na Organização de Tratado do Atlântico Norte (Otan)?” Perry respondeu: “Bem, evidentemente quando se tem um país que está sendo governado pelo que muitos percebem ser terroristas islâmicos…”

Terroristas islâmicos? Isso, reparem, é sobre um governo que acaba de instalar um radar avançado em seu território que poderá ser usado para monitorar e abater mísseis do Irã. Que participou da operação da Otan contra Muamar Kadafi na Líbia. Que se tornou hospedeiro da oposição ao ditador sírio, Bashar Assad. E, tendo repetidamente vencido eleições democráticas livres, emendou a Constituição da Turquia para aumentar os direitos de mulheres, minorias étnicas e sindicatos.

Ok. Esse também é um relato parcial do currículo de Erdogan. Mas essa é precisamente a questão: a Turquia tornou-se um aliado complexo, dinâmico, difícil, algumas vezes exasperante, outras muito útil e, indiscutivelmente, importante dos EUA. Nesse sentido, o governo de Erdogan é um paradigma das relações que os governos americanos estarão gerindo – se tivermos sorte – no Egito, Iraque e outros lugares no Oriente Médio durante a próxima década.

A verdade é que, gostemos ou não, governos “orientados para o islamismo” estão perto de se tornar a normalidade numa região dominada durante décadas por autocratas seculares e generais pró-americanos. Por isso, o preconceito tosco sobre movimentos muçulmanos instalado na visão de muitos conservadores americanos – a de que eles são inevitavelmente fundamentalistas, antidemocráticos, anti-Israel e antiamericanos, se não explicitamente “terroristas” – virou problema grave. Se for levado a sério, ele tornará impossível ao atual governo dos EUA, e a outros futuros, transitar pela nova política da região e preservar alianças cruciais.

Alguns movimentos islâmicos poderão se tornar como o Hamas e o Hezbollah – implacavelmente hostis. Outros, porém, como a Irmandade Muçulmana, no Egito, provavelmente enveredarão por um terreno intermediário ambíguo, tentando equilibrar a necessidade de investimento ocidental e as aspirações seculares de suas populações com sua ideologia religiosa. A maneira certa de responder a eles é ser ágil: tolerar alguma turbulência, esquivar-se de alguns golpes, revidar outros e continuar pressionando os líderes a não se afastar dos princípios democráticos.

Isso é parecido com a maneira como Barack Obama tem lidado com Erdogan e seu governo – com um resultado líquido que, ao menos por enquanto, parece positivo. Escrevi não faz muito tempo sobre as falhas de Obama em várias iniciativas suas de política externa. Mas a maneira como tratou a Turquia e seu caprichoso líder pode ser classificada como uma de suas melhores realizações.

Fortuitamente, Obama começou a cortejar Erdogan desde o início de seu governo, escolhendo Istambul para uma de suas primeiras viagens ao exterior e pronunciando ali um discurso em que prometeu construir relações sólidas entre os EUA e a Turquia, e também com o mundo muçulmano em geral.

Seguiram-se algumas grandes decepções. Erdogan indispôs-se com Israel antes mesmo da desastrosa interceptação por comandos israelenses de uma embarcação turca que tentava furar o bloqueio a Gaza em 2010. Ele tentou barrar, e depois votou contra, a tentativa de Obama de aprovar no Conselho de Segurança da ONU sanções contra o Irã. Em casa, seus ataques a jornalistas críticos e a prisão de centenas de militares e ativistas seculares com base em acusações dúbias de conspiração provocaram críticas públicas do embaixador americano e, por fim, da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Obama, entretanto, continuou trabalhando com o líder turco, telefonando para ele mais vezes do que para qualquer outro aliado estrangeiro, com a exceção de David Cameron da Grã-Bretanha. O resultado foi uma relação pessoal relativamente estreita. Questionado sobre suas relações externas numa entrevista na semana passada, Obama citou Erdogan entre os cinco líderes mundiais com os quais havia forjado “laços de confiança”.

Dirigentes do governo dizem que houve uma convergência entre as políticas americana e turca no ano passado – sobre Líbia, Síria, Irã e Primavera Árabe em geral.

Apesar de a tendência de Erdogan para uma autocracia doméstica continuar sendo uma grande preocupação, algumas autoridades americanas acreditam que a nova Constituição que seu partido está elaborando resultará em uma melhor distribuição de poderes e menos jornalistas na prisão.

Isso não fará da Turquia um aliado ideal ou corrigirá suas relações ainda problemáticas com Israel. Mas é muito melhor do que transformar islâmicos em adversários – ou não distingui-los de terroristas.

*É JORNALISTA

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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26.janeiro.2012 00:01:48

WEBSFERA – 26 DE JANEIRO

THE NATIONAL
Homem constrói casa com cédulas trituradas
Frank Buckley, um artista plástico desempregado irlandês, conseguiu construir uma casa utilizando blocos de notas de euro trituradas. As cédulas inutilizadas foram doadas a Buckley pela Casa da Moeda da Irlanda. O artista decidiu erguer a casa como “um monumento à loucura”. Há cerca de 1,8 bilhão de euros em notas destruídas no projeto.

BBC
Prisioneiros costuram os lábios em protesto
Milhares de prisioneiros das cadeias do Quirguistão estão em greve de fome contra as más condições de vida. Entre eles, cerca de 1.300 costuraram os lábios para protestar depois que uma decisão judicial autorizou a alimentação forçada de detentos.

TIMES OF INDIA
Sikhs exigem desculpas de apresentador de TV
Entidades que representam os sikhs exigem que o apresentador americano Jay Leno peça desculpas por uma piada com o Templo Dourado, local sagrado da religião. Leno mostrou uma foto do lugar dizendo que seria a “casa de verão” de Mitt Romney.

THE TELEGRAPH
Ministro copia discurso de filme na Austrália
O ministro dos Transportes da Austrália, Anthony Albanese, copiou trechos de um discurso encenado pelo ator Michael Douglas em um filme de 1995 para criticar adversários. O “plágio” foi denunciado pelos próprios rivais atacados no discurso.

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Se Putin cair logo, sem dilapidar sua popularidade até o fim, poderia voltar de uma maneira plenamente democrática, quando a crise afetasse o padrão de vida das pessoas

POR BORIS AKUNIN, DO NEW YORK TIMES*

Em 24 de setembro, quando no congresso do partido governista na Rússia foi anunciado que nosso novo presidente mais uma vez seria Vladimir Putin, minha mulher disse: “Então é isso. Precisamos ir embora. Não quero passar o resto da minha vida no país de Dobby (o elfo escravo da série Harry Potter)”. “Esse não é o país dele”, retruquei. “Vamos esperar mais um pouco. Haverá uma comoção social. As pessoas não são idiotas, elas não vão gostar desta manobra.”

Mas se passaram os dias, as semanas, e não houve nenhuma comoção social. Na realidade, alguns dos costumeiros resmungões – como eu, por exemplo – resmungaram. Quanto ao restante da Rússia, aparentemente não se importou nem um pouco: se for Putin, que seja então. Mais 12 anos? Que fique pelo restante da vida, não tem problema.

Portanto, também comecei a pensar seriamente em ir embora. Se nós – aqueles a quem o governo Putin provoca enjoo – somos tão poucos, por que deveríamos impedir que nossos tranquilos compatriotas tenham uma vida feliz? Não seria exagero afirmar que o restante do outono foi o período mais deprimente da minha vida. É péssimo sentir-se um estrangeiro no próprio país – principalmente para um escritor.

Então veio dezembro, e literalmente em poucos dias a Rússia acordou e se tornou uma nação completamente diferente. De repente, estava claro que pessoas como eu não constituíam uma minoria marginal, que nós éramos muitos. Em Moscou, nós somos uma clara maioria.

A ideia de ir embora foi esquecida, como se nunca tivesse sido mencionada. A descoberta que nos deixou eufóricos pode ser resumida em quatro palavras: “Esse é o nosso país”. A última vez em que sentimos isso foi há 20 anos, quando o regime comunista desmoronou.

Para quem está fora, o que está acontecendo na Rússia pode parecer a mesma tempestade revolucionária que varreu os países árabes e os libertou de regimes autoritários. Mas a analogia é enganosa. A única semelhança é o importante papel das redes sociais na organização de protestos espontâneos. O que está acontecendo na Rússia é muito diferente e bastante inusitado: uma revolução da classe média, uma classe inerentemente não revolucionária.

Para muitas pessoas, até mesmo para os próprios russos, o repentino despertar da sociedade parece um milagre. Mas não é um milagre. É a consequência de um processo social natural. Mais precisamente, de dois processos diametralmente opostos.

O primeiro são as profundas mudanças que estão ocorrendo na sociedade russa nas duas últimas décadas. Milhões de pessoas aprenderam a viver num capitalismo “selvagem” – tratando de ganhar a vida sem a intervenção do governo, sobrevivendo num contexto brutalmente competitivo, proporcionando um padrão de vida razoável à própria família. Estas sementes germinaram, de maneira quase invisível, e de repente a grama estava brotando em toda parte. A terra nua, escura, de repente ficou verde.

Esta primavera repentina foi acelerada por um segundo processo social, que também começou há alguns anos: a degradação cada vez maior do regime de Putin. Na ausência do controle que deveria ser exercido por deputados eleitos, de tribunais ou da imprensa, o sistema caiu na ilusão de que tudo é permitido, e começou a cometer um erro após o outro, sem nem sequer perceber que estava destruindo a si mesmo.

A Primavera Russa em pleno inverno foi uma consequência direta da troca de Dmitri Medvedev por Putin anunciada em 24 de setembro e das fraudes igualmente vergonhosas nas eleições parlamentares. De repente ficou claro que os russos não tolerariam mais esse tipo de coisas. Eles cresceram e as fraldas do autoritarismo ficaram apertadas.

Entre os dois gigantescos comícios de 10 e 24 de dezembro, Putin ainda teve uma chance de argumentar com os manifestantes. Mas o “líder nacional” (como seus partidários chamam o primeiro-ministro) cometeu um erro fatal: insultou publicamente os participantes do movimento, afirmando que tinham sofrido uma lavagem cerebral e vendido a alma. Depois disso, o principal alvo da indignação pública foi o próprio Putin, e não o partido governista.

Naquelas duas semanas, Putin perdeu o país. Evidentemente, ele ainda não se deu conta disso. Está convencido de que os distúrbios são provocados por alguns moscovitas barulhentos e continua contando com o apoio do restante do país. Além disso, realmente acredita que ganhará as eleições presidenciais.

Vitória de Pirro. Nas atuais circunstâncias, isso só ocorrerá se houver uma fraude colossal. Mas será uma vitória de Pirro. Putin perderá o que resta de seus índices de aprovação, e se tornará objeto de ódio e de ridículo de todos os russos. Será um presidente muito fraco, que provavelmente não conseguirá se manter por muito tempo no poder.

Por mais paradoxal que possa parecer, eu preferiria que o regime de Putin não caísse muito depressa. Ele que resista ao menos mais um ano. Se ele saísse logo mais, sem dilapidar sua popularidade até o fim, poderia voltar de uma maneira plenamente democrática – quando a crise afetasse o padrão de vida e as pessoas começassem a falar com saudade dos “anos das vacas gordas”. Uma “segunda volta” seria uma catástrofe para o país.

Além disso, os brotos ainda novos da sociedade civil precisam de tempo para crescer e se fortalecer. A melhor maneira de amadurecerem seria por meio de um ataque constante a um autoritarismo rígido, inflexível. Nesta luta, a sociedade civil se fortaleceria e aprenderia a se organizar. Isso permitiria o nascimento de uma gama de partidos políticos de verdade, e não de títeres, como no Parlamento de Putin: um poderoso centro democrático, com uma nova esquerda de socialistas e comunistas de um lado, e a nova direita dos nacionalistas do outro.

Se a mudança de poder ocorresse após a conclusão desse processo, a Rússia pós-Putin ingressaria relativamente sem dor no estágio seguinte de evolução do Estado. Politicamente, esse seria um país tumultuado, com crises parlamentares, abruptas mudanças de governo, pedidos de impeachment e todos os outros atributos de uma democracia em evolução.

Mas num país no qual uma classe média despertasse e se desse conta do seu poder, nem os ministros nem os oligarcas poderiam monopolizar mais o poder. E muito menos uma única pessoa.

*BORIS AKUNIN É O PSEUDÔNIMO DE GRIGORY CHKHARTISHVILI, ESCRITOR RUSSO E PESQUISADOR DE HISTÓRIA DA LITERATURA UNIVERSAL

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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A Casa Branca divulgou um vídeo dos bastidores da produção do discurso do Estado da União, mostrando imagens do presidente Barack Obama editando o texto junto a assessores.

Junto ao vídeo, foi divulgado um texto de David Plouffe, um dos assessores do presidente. Ele diz que Obama verdadeiramente se empenha na produção do texto. “O presidente tem se reunido com os redatores e conversado com as equipes políticas. Ele trouxe novas ideias, reescreveu algumas partes e reordenou páginas. Para o presidente, não é simplesmente um exercício de edição. Ele vê o discurso como uma oportunidade para levar sua visão diretamente ao povo americano”, escreveu Plouffe.

Veja abaixo o vídeo:

E o discurso do Estado da União feito por Obama no ano passado e no ano retrasado:

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Na Grã-Bretanha, onde quase 1 milhão de soldados morreram, as imagens dos ataques com gás mostarda e das trincheiras são retratadas em poesias lidas até hoje nas escolas

POR WILLIAM BOY, DO THE NEW YORK TIMES*

Na França, moro perto de um vilarejo chamado Sadillac. Ele não passa de um punhado de casas, um velho castelo, uma igreja e um cemitério cercado por alguns sítios e vinhedos. O vilarejo provavelmente não mudou muito desde a Revolução Francesa; sua população está em torno de 100 pessoas. Ao lado do cemitério há um obelisco com o nome de cerca de 30 jovens de Sadillac que morreram na 1.ª Guerra, 1914-18. É quase impossível imaginar o efeito dessas baixas em quatro anos nessa minúscula comunidade. Todo ano, às 11 horas de 11 de novembro – a hora e o dia do armistício de 1918 -, os moradores reúnem-se para participar de uma curta cerimônia em torno do obelisco.

Em 2014, serão cem anos desde o início da 1.ª Guerra. No entanto, sua presença em romances, filmes e televisão nunca foi tão grande – em Downton Abbey na televisão, no filme Cavalo de Guerra de Steven Spielberg, na minissérie de Birdsongs de Sebastian Faulks e na adaptação de Parade’s End de Ford Madox Ford por Tom Stoppard. O último velho soldado ou marinheiro morreu e quase todas as testemunhas já se foram, mas a guerra ainda exerce uma influência tenaz na imaginação.

Para nós, britânicos, as memórias, imagens e histórias de 1914-18 parecem ter uma persistência e um poder que ofusca as da 2.ª Guerra. Sou um exemplo dessa necessidade de revisitar o conflito: meu novo romance será meu terceiro tendo a 1.ª Guerra como eixo. Quando escrevi e dirigi o filme A Trincheira, sobre um grupo de jovens soldados em 1916 aguardando o início da Batalha do Somme, fiquei obcecado com os detalhes corretos: cada divisa gasta de boné e cigarro fumado, cada refeição consumida. Era como seu eu quisesse a verossimilhança absoluta para oferecer uma experiência autêntica e o espectador ficasse em posição de dizer “então foi assim, foi por tudo isso que eles passaram, como eles viveram – e morreram”.

Creio que essa é a chave por trás da persistente obsessão com essa guerra. Para nossa sensibilidade moderna, desafia a credulidade o fato de que, durante mais de quatro anos, exércitos europeus enfrentaram-se numa linha de trincheiras de 800 quilômetros estendendo-se do litoral belga à fronteira da Suíça. A guerra foi travada também em outras arenas – Galícia, Itália, Bósforo, Mesopotâmia, África Oriental e Ocidental, em batalhas navais em muitos oceanos -, mas é a frente ocidental e a guerra de trincheiras que define a guerra na memória.

Foi uma guerra de desgaste mortífera em que milhões de soldados de ambos os lados chapinhavam na lama de uma terra de ninguém para encontrar a morte nas explosões fulminantes do fogo de metralhadora e artilharia. Ao fim de quatro anos e cerca de 9 milhões de soldados mortos, as duas forças adversárias estavam essencialmente no mesmo pé em que estavam quando começaram.

Poesia. Na França e na Alemanha, os traumas da 2.ª Guerra apagaram em certa medida as memórias da 1.ª. Na Grã-Bretanha, onde quase 1 milhão de soldados morreram, ainda são as imagens das trincheiras do frente ocidental que são mostradas e ressoam no Dia da Recordação. Uma das razões para isso é, paradoxalmente, a ressonância da poesia. Os poetas da 1.ª Guerra – Wilfred Owen, Siegfried Sassoon, Edmund Blunden, Isaac Rosenberg – são ensinados em quase todas as escolas britânicas.

Consigo me lembrar de um poema terrível de Wilfred Owen, Dulce et Decorum Est, sobre um ataque com gás mostarda, sendo lido em voz alta para nós em sala de aula quando eu tinha 10 ou 11 anos. Os poemas de guerra moldaram nossas primeiras percepções da 1.ª Guerra e eram prontamente reforçados pelas imagens familiares das trincheiras e as histórias de batalhas fúteis e custosas. Intensificando a arte poderosa estava a documentação visual, pois ela foi a primeira guerra amplamente filmada.

Por fim, havia as histórias familiares. Cem anos não é tanto tempo assim. Meu tio-avô Alexander Boyd foi ferido e condecorado na Batalha do Somme. Seu irmão, meu avô William Boyd, foi ferido um ano depois em Passchendaele, como a 3.ª Batalha de Ypres era conhecida. As lendas e peripécias familiares alimentaram meu interesse na guerra.

Há uma razão mais profunda, talvez, para a guerra continuar nos mobilizando. Ela foi um conflito entre exércitos do século 19 equipados com armamentos do século 20 – daí a carnificina sem precedente. Para colocá-lo num contexto americano: imaginem um oficial do Exército dos Estados Unidos – na faixa dos 50 anos, por exemplo – no front de Argonne em 1918. Como um jovem soldado ele poderia ter lutado, 30 anos antes, na última das guerras contra os índios na expansão para o oeste dos EUA no fim da década de 1880.

Agora, ele se depara com um mundo diferente. As táticas eram do século 19 – avançar sobre o inimigo. Mas o inimigo dispunha de armas de destruição em massa – o campo era dominado por tanques, metralhadoras, morteiro, aviões e gás venenoso. Cerca de 117 mil soldados americanos morreram nos 19 meses de participação dos EUA na 1.ª Guerra – mais de 2 vezes o número de baixas no Vietnã, 20 vezes mais que no Iraque e no Afeganistão. Nenhuma sociedade aceitaria hoje uma contagem de baixas tão horrenda.

No início da Batalha do Somme, em 1.º de julho de 1916, o Exército britânico sofreu 60 mil baixas entre mortos e feridos – em um dia. Foi possivelmente o pior massacre da história militar, de exército contra exército. Há um sentimento muito real de que o mundo moderno – o nosso mundo – nasceu entre 1914 e 1918. Alguma coisa mudou na sensibilidade humana. Os soldados não estariam dispostos a se engajar em tamanha carnificina. Perto do fim da 1.ª Guerra, a tolerância com as normas passadas já começara a acabar. Em 1917, boa parte do Exército francês se amotinou e se recusou a atacar. Eles defenderiam, mas não atacariam.

Os dias de bucha de canhão acabaram para sempre em consequência dessa guerra, o que é mais uma razão para artistas tentarem repensá-la constantemente. Para citar outro poema, MCMXIV, de Philip Larkin: “Essa mesma inocência, jamais”. Após a 1.ª Guerra, nada no mundo seria como antes.

*É ESCRITOR, ENTRE OUTRAS OBRAS, DO ROMANCE ‘WAITING FOR SUNRISE’, EM FASE DE PUBLICAÇÃO

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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Em Israel, radicais ultraortodoxos violam a lei judaica ao tentar impor suas regras absurdas às mulheres

POR DOV LIZNER, DO NEW YORK TIMES*

É possível que uma exigência religiosa de recato represente alguma outra coisa, a não ser o controle do corpo das mulheres pelos homens? A julgar pelos fatos ocorridos recentemente em Israel, ela representa apenas isso.

No mês passado, Naama Margolese, uma menina inocente de 8 anos e ortodoxa, foi difamada e enxovalhada por extremistas religiosos – todos homens – que acharam que ela não estava vestida com o recato necessário quando passou por eles, quando se dirigia para a escola religiosa que frequenta.

Cada vez mais, os ônibus de transporte público em Israel estão estabelecendo uma segregação de gênero imposta pelos usuários ultraortodoxos nos seus bairros ou áreas próximas. Infeliz a menina ou a mulher que não aceitar se sentar na parte de trás do ônibus.

Tudo isso é parte de uma batalha mais ampla que vem sendo travada em Israel entre os ultraortodoxos e o restante da sociedade israelense sobre o lugar da mulher na sociedade, o direito de ela ter uma presença visível e participar da esfera pública.

O que está por trás desses fatos profundamente inquietantes? Afirmam que eles têm base na preocupação religiosa com a decência, que as mulheres precisam estar cobertas e segregadas para os homens não alimentarem ideias libidinosas. Parece, assim, que um princípio religioso que se refere aos pensamentos sexuais dos homens tem como resultado homens controlando o corpo das mulheres.

Esse não é um problema exclusivo do judaísmo. Mas o Talmude, a base da lei judaica, oferece uma resposta talvez surpreendente: a responsabilidade pelo controle das ideias dos homens sobre as mulheres é honestamente dos homens. De modo explícito, o Talmude diz: “Este é problema seu, meu senhor; não delas”.

Lógica invertida. Os ultraortodoxos que vêm exercendo em Israel controle sobre as mulheres alegam que as estão reverenciando: não tratamos as mulheres como objetos sexuais como ocorre na sociedade ocidental. Nossas mulheres são mais do que o seu corpo – e é por isso que o corpo delas precisa ser coberto completamente. É o que afirmam.

Na verdade, as ações desses homens tornam as mulheres um objeto e acentuam a conotação sexual. Pense nisso: ao afirmar que todas as mulheres precisam ocultar seu corpo, eles estão dizendo que toda mulher é um objeto que pode estimular a sexualidade nos homens.

Assim, cada mulher que passar pelo campo de visão deles é avaliada com base no quanto o seu corpo está coberto. Não é vista como um ser humano completo, mas como um potencial incentivo ao pecado.

Naturalmente, quando você julga um ser humano do sexo feminino por meio da obsessão sexual de um homem, até mesmo uma menina de 8 anos pode ser vista como uma sedutora e prostituta.

No fundo, estamos falando de uma mentalidade do gênero a vítima é que é culpada. A responsabilidade de um homem de controlar seus impulsos sexuais não é mais dele, ela é transferida para qualquer mulher com a qual ele pode, ou não, deparar. Uma noção muito próxima de outra, generalizada, de que “ela estava procurando isso”.

Assim, a responsabilidade agora passou para as mulheres. Para proteger os homens contra seus pensamentos libidinosos, as mulheres precisam ocultar sua feminilidade em público, desfazendo-se da mínima evidência da própria sexualidade. Tudo isso está sendo feito em nome da Torá e da lei judaica. Mas na verdade é uma total perversão.

O Talmude, novamente, reconhece que os homens podem ser sexualmente despertados pelas mulheres e, na realidade, preocupa-se com os pensamentos e as atividades sexuais fora do casamento. Mas não diz para as mulheres que os impulsos sexuais dos homens são responsabilidade delas.

Pelo contrário, tanto no Talmude quanto nos dispositivos da lei judaica, essa responsabilidade é dos homens. Segundo o Talmude, é proibido um homem olhar de modo libidinoso para uma mulher, seja ela bonita ou feia, casada ou solteira. Os rabinos ampliaram essa proibição, dizendo ser proibido olhar “para o seu dedo mindinho” e “suas roupas coloridas – mesmo se estiverem secando no varal”.

Tornar isso responsabilidade da mulher é exigir que elas ocultem suas mãos e não sequem suas roupas em público. Ninguém jamais disse isso. Pelo menos até agora. O Talmude, na verdade, diz ao homem religioso: se você tem um problema, resolva-o. É o olhar masculino – a maneira como os homens olham as mulheres – que tem de ser despojado de luxúria. São os homens que têm de se controlar, não encarando as mulheres como objeto de satisfação sexual.

A tradição judaica ensina a homens e mulheres que devem ser recatados no vestir. Mas recato não é definido pelo quanto o corpo de uma pessoa é oculto. É definido pela conduta e atitude. Reconhecer que uma pessoa não precisa ser o centro de atenção. Assimilar a exortação à decência do profeta Micha: aprender a “andar humildemente com o seu Deus”.

A menina Naama, de 8 anos, pode ensinar seus agressores uma ou duas coisas sobre decência.

*É RABINO ORTODOXO E DIRETOR DA YESHIVA (CENTRO DE ESTUDOS JUDAICOS) CHOVEVEI TORAH RABINICAL SCHOOL, DE NOVA YORK

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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ROMA – Um vídeo exibido pela TV italiana na noite de quinta-feira mostra a tripulação do Costa Concordia, pouco depois de a embarcação colidir com uma rocha, o que levaria posteriormente ao seu naufrágio, dizendo que não havia nada de errado além do blecaute, e pedindo que as pessoas voltassem para as suas cabines.

A gravação, que foi exibida pela rede italiana Rainews24, foi feita por um telefone celular e mostra uma integrante da tripulação dizendo que “tudo está sob controle”.

“Em nome do capitão, pedimos gentilmente que retornem às suas cabines ou, se desejarem, voltem ao salão”, diz a tripulante.

“Já resolvemos o problema elétrico que tínhamos, o problema com o gerador. Tudo ficará bem”, continuou.

“Se quiserem continuar aqui, está tudo bem, mas peço gentilmente que retornem às suas cabines e mantenham a calma”, reitera a funcionária do navio antes do fim do vídeo.

As autoridades investigam se o atraso em dar a ordem de abandonar o navio pode ter provocado a morte de 11 pessoas no acidente no litoral italiano.

As informações são da BBC Brasil.

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