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BC agiu tarde para controlar a inflação, diz ‘Economist’

18 de abril de 2013 | 17h49

Agência Estado

Fernando Nakagawa, correspondente

O Banco Central (BC) agiu tarde para controlar a inflação. A avaliação está em uma reportagem publicada na nova edição da revista britânica The Economist que chega às bancas nesta quinta-feira. Com o título “Atrás da curva”, a matéria diz que o BC “age tardiamente para trazer os preços de volta ao controle”.

“Um Banco Central sabe que perdeu o controle das expectativas de inflação quando o aumento de preços vira motivo de piada. No Brasil, as piadas foram com o tomate que ficou muito caro após inundações, secas e o aumento nos custos do frete”, diz a reportagem. “Mas os números publicados em 10 de abril mostram que o problema da inflação vai muito além da salada. Os preços subiram 6,6% durante o ano passado últimos 12 meses, rompendo a faixa de tolerância da meta do BC”, diz a reportagem, ao lembrar que mais de dois terços dos preços consultados para o cálculo da inflação subiram em março.

Uma das razões para o BC ter mantido o juro estável por tanto tempo, diz a reportagem, era a leitura de que a inflação era alimentada por pressões transitórias, como a moeda mais fraca e o pico dos alimentos.

Diante do cenário, a Economist diz que o aumento do juro anunciado ontem foi “tardio” e em um momento em que a economia não dá sinais de força. “Menos empregos estão sendo criados. A produção industrial e o Índice de Atividade Econômica caíram em fevereiro. O núcleo das vendas no varejo caiu pela primeira vez em quase uma década, um sinal particularmente preocupante dado que apenas o consumo doméstico manteve o Brasil fora da recessão em 2012″.

Para a revista, ainda que tardio, o aumento do juro “sugere que o BC reconhece que precisa recuperar alguma credibilidade perdida”. “Sua independência operacional tem sido questionada desde agosto de 2011, quando cortou as taxas mesmo com a inflação em 7,1% – e manteve os cortes mesmo com a inflação acima da meta”, diz. “A presidente Dilma Rousseff tem alardeado, desde então, que as taxas de juros mais baixas são uma ‘conquista’ do governo”.

A reportagem diz, ainda, que a inflação alta tem atingido especialmente as famílias de menor renda, o que pode prejudicar Dilma nas eleições de 2014, diz a revista.

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Endividada, cantora Lauryn Hill pede clemência

17 de abril de 2013 | 14h30

Gustavo Santos Ferreira

A cantora americana de black music Lauryn Hill deixou de pagar, entre 2005 e 2007, US$ 1,8 milhão (R$ 3,6 milhões) em impostos ao Fisco dos Estados Unidos. Com julgamento marcado para o dia 22, Lauryn decidiu pedir clemência às autoridades para escapar da prisão.

Lauryn alega que ela e a família Hill foram alvos constantes de ameaças, motivo pelo qual “se retirou da sociedade para escapar do que percebia como manipulação”. Embora não tenha especificado quais seriam os ataques recebidos, diz ser essa a razão para o acumulo da dívida.

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Julgada. Sentença de Lauryn deve sair dia 22  (Foto: divulgação)

As apresentações da cantora de 37 anos se tornaram cada vez mais raras nos últimos anos, apesar de grande sucesso obtido entre o fim da década de 1990 e os anos 2000. Em 1999, ela foi indicada a 11 categorias do Grammy, ficando com cinco premiações.

Outra alegação de Lauryn é que, caso seja presa, as chances de quitar suas dívidas ficam ainda mais difíceis. Se for condenada, ela poderá pegar até um ano de prisão.

Nos últimos tempos, outras celebridades também travaram embates com o imposto de renda. O caso de maior repercussão foi o de Gérard Depardieu, astro do cinema francês. Ele conseguiu cidadania russa em janeiro deste ano. A manobra permitiu que Depardieu escapasse do novo imposto vigente na França, incidente sobre 75% dos bens dos milionários.

A atriz americana Lindsay Lohan, garota problema de Hollywood, também já foi notificada pela Justiça dos Estados Unidos por sonegação. Sua dívida alcança US$ 93 mil (R$ 186 mil). O valor está bem abaixo, no entanto, do acumulado pelo casal Ozzy e Sharon Osbourne. Entre 2008 e 2009, ambos teriam sonegado US$ 1,7 milhão (R$ 3,4 milhões).

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‘Brasil é a projeção no espelho de uma imagem feia do México’, diz Financial Times

17 de abril de 2013 | 8h57

Economia&Negócios

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado

LONDRES - O México está bonito na foto e o Brasil aparece feio. Esse é o resumo de uma reportagem publicada nesta quarta-feira em especial do site do jornal Financial Times sobre moedas e investimentos estrangeiros em 2013. Com o título “Brasil é a projeção no espelho de uma imagem feia do México”, o texto repete a tese de que o baixo crescimento da economia ameaça a atratividade do País na disputa por capitais estrangeiros. Para a reportagem, o governo e o Banco Central “estão mais ou menos” comprometidos com a meta de inflação e o câmbio flutuante.

“Brasil, o original guerreiro cambial acostumado a desencorajar os fluxos de capital durante os anos de boom entre 2009 e 2011, encontra-se agora em um mundo diferente no mercado cambial e no comércio global”, diz o texto assinado por Joe Leahy, chefe da sucursal do FT em São Paulo. “O Brasil foi um crítico da política monetária frouxa dos Estados Unidos e outros países desenvolvidos. Isso desencadeou uma enxurrada de dinheiro para o País, fortalecendo a moeda e tornando a indústria nacional menos competitiva. Mas o desafio de longo prazo parece cada vez mais ser como atrair o fluxo de capital estrangeiro ao invés de repeli-lo”, diz o jornalista.

Leahy argumenta que os fluxos de capitais para países emergentes devem continuar após o histórico pacote de incentivo anunciado pelo Japão e a manutenção por mais alguns meses das medidas nos Estados Unidos. Nesse ambiente, diz, “aumenta a concorrência entre os países em desenvolvimento para atrair a atenção dos investidores”.

“É nesse desfile de beleza que o Brasil, com o crescimento de menos de 1% no ano passado e uma deterioração da conta corrente, está parecendo menos atraente para atrair recursos para portfólio e investimento estrangeiro direto quando comparado a países, como o México, que estão envolvidos em reformas políticas e econômicas”, diz a reportagem, que ouviu analistas de instituições financeiras e agências de classificação de risco.

A reportagem reconhece que o Brasil “não enfrenta nenhum tipo de crise”, mas acusa as autoridades brasileiras de serem apenas “mais ou menos comprometidas” com dois pilares do tripé macroeconômico: a meta de inflação e o câmbio flutuante. “O País ainda tem uma das maiores reservas mundiais, com cerca de US$ 377 bilhões, um sistema financeiro sólido e um governo e um Banco Central ainda mais ou menos comprometido com a meta de inflação e em manter uma taxa de câmbio flutuante”, diz.

Nesse desfile de beleza com o Brasil menos atrativo e o México com cada vez mais fãs, o FT reconhece, porém, que o governo brasileiro tem “uma série de cartas na manga” para tentar reavivar o interesse no mercado nacional. Entre eles, a reportagem cita a possibilidade de alteração de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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Tomate ameaça reeleição de Dilma, diz ‘FT’

15 de abril de 2013 | 9h19

Economia&Negócios

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado

LONDRES – A fama da inflação do tomate atravessou o Oceano Atlântico. Na primeira página da edição desta segunda-feira do jornal britânico Financial Times, a inflação dos alimentos no Brasil é tema de uma reportagem que cita a fruta como “adversário formidável” na eleição presidencial em 2014. “Dilma Rousseff pode estar entre os presidentes mais populares do mundo, mas sua reeleição no próximo ano pode ser ameaçada por um adversário formidável: o humilde tomate”.

“O tomate é tão sensível no Brasil – em especial em São Paulo – como as cebolas na Índia, graças ao status de alimento básico em uma região com profundas raízes italianas”, diz o texto assinado por Joe Leahy, chefe da sucursal de São Paulo do FT.

A reportagem afirma que parte da subida de preços nas últimas semanas foi sazonal, mas observa que a alta é algo “sintomático” do aumento da inflação brasileira. “O mau tempo tem impulsionado o preço do tomate, que subiu cerca de três vezes, provocando protesto de donos de restaurantes em uma cidade conhecida por ter as melhores pizzas e massas do país. O tomate jogou um foco de luz sobre a inflação persistente”, diz o jornal.

A reportagem reconhece que analistas econômicos preveem que a inflação deve desacelerar até o fim do ano, mas Leahy diz que o tema continuará a ser um desafio para Dilma Rousseff “enquanto ela tenta fazer a economia avançar depois de ter crescido menos de 1% no ano passado”. “Ela deve muito de seu índice de popularidade de 78% à baixa taxa de desemprego, mas os choques de inflação irão prejudicar o sentido de bem-estar dos eleitores antes das eleições”, afirma o texto.

 

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A promessa da ‘abenomia’

10 de abril de 2013 | 11h08

Economia&Negócios

Se a agenda abrangente do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe for executada, a confiança doméstica em alta no país vai ganhar crédito

Joseph E. Stiglitz *

O programa do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe para a recuperação econômica de seu país provocou um aumento da confiança doméstica. Mas, em que medida a “abenomia” merece crédito? Curiosamente, um olhar mais atento ao desempenho do Japão na última década sugere poucos motivos para um sentimento pessimista persistente.

Aliás, em termos de crescimento da produção por trabalhador empregado, o Japão se saiu muito bem desde a virada do século. Com a força de trabalho encolhendo, a estimativa padrão para o Japão em 2012 – isto é, antes da abenomia – situava a produção por trabalhador empregado crescendo 3,08% ao ano. Isso é consideravelmente mais robusto do que nos Estados Unidos, onde a produção por trabalhador cresceu apenas 0,37% no ano passado, e muito mais forte do que na Alemanha, onde ela encolheu 0,25%.

No entanto, como muitos japoneses corretamente sentem, a abenomia só pode ajudar na recuperação do país. Abe está fazendo o que muitos economistas (eu entre eles) vêm pedindo nos Estados Unidos e na Europa: um programa abrangente envolvendo as políticas monetária, fiscal e estrutural. Abe compara essa abordagem com segurar três flechas – isoladamente, cada uma pode ser curvada; juntas, nenhuma pode sê-lo.

O novo governador do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, chega com uma riqueza de experiência adquirida no Ministério das Finanças e depois como presidente do Asian Development Bank. Durante a crise no Leste Asiático do fim dos anos 1990, ele assistiu em primeira mão ao fracasso da sabedoria convencional empurrada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional. Descomprometido com doutrinas obsoletas de diretores de bancos centrais, ele fez um compromisso de reverter a deflação crônica do Japão, estabelecendo uma meta de inflação de 2%.

A deflação aumenta o ônus da dívida real (corrigida pela inflação), bem como a taxa de juros real. Embora existam poucas evidências da importância de pequenas mudanças nas taxas de juros reais, o efeito de uma deflação, mesmo suave, na dívida real, ano após ano, pode ser significativo.

A posição de Kuroda já enfraqueceu a taxa de câmbio do iene, tornando os produtos japoneses mais competitivos. Isso reflete simplesmente a realidade da interdependência da política monetária: se a polícia do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) do chamado alívio quantitativo enfraquece o dólar, outros precisam reagir para impedir uma valorização indevida de suas moedas. Algum dia poderá haver uma coordenação mais estreita da política monetária global; por enquanto, porém, fez sentido para o Japão reagir, mesmo com atraso, a desdobramentos em outros lugares.

A política monetária teria sido mais eficaz nos Estados Unidos se houvessem dado mais atenção a bloqueios de crédito – por exemplo, problemas de refinanciamento para muitos donos de casas, mesmo com taxas de juros mais baixas, ou a falta de acesso de empresas de pequeno e médio porte a financiamento. A política monetária do Japão, assim se espera, se concentrará nessas questões cruciais.

Mas Abe tem mais duas flechas em sua aljava política. Os críticos que dizem que o estímulo fiscal no Japão fracassou no passado – deixando apenas investimentos desperdiçados em infraestrutura inútil – cometem dois erros. Primeiro, há a questão contrária aos fatos: como a economia japonesa teria se saído sem o estímulo fiscal? Dada a magnitude da contração da oferta de crédito depois da crise financeira do fim dos anos 1990, não surpreende que os gastos do governo não tenham conseguido recuperar o crescimento. As coisas teriam ficado muito piores sem os gastos. Nas circunstâncias, o desemprego nunca passou de 5,8%, e, nos espasmos da crise financeira global, atingiu um pico de 5,5%. Segundo, qualquer um que visite o Japão reconhecerá os benefícios de seus investimentos em infraestrutura (os EUA poderiam aprender uma lição valiosa aqui).

O verdadeiro desafio será designar a terceira flecha, à qual Abe se refere como “crescimento”. Isso inclui políticas para reestruturar a economia, melhorar a produtividade e aumentar a participação na força de trabalho, especialmente de mulheres.

Alguns falam de “desregulação” – uma palavra que merecidamente caiu em desgraça depois da crise financeira global. Aliás, seria um erro o Japão recuar de seus regulamentos ambientais ou de seus regulamentos de saúde e segurança.

O que é preciso é a regulação correta. Em algumas áreas, um envolvimento mais ativo do governo será necessário para garantir uma competição mais efetiva. Mas muitas áreas em que a reforma é necessária, como as práticas de contratação, requerem mudanças em convenções do setor privado, e não nas regulações governamentais. Abe só pode dar o tom, não ditar resultados. Por exemplo, ele pediu para as empresas aumentarem os salários de seus empregados, e muitas empresas estão planejando oferecer um bônus maior que o usual no fim do ano fiscal em março.

Os esforços do governo para aumentar a produtividade no setor de serviços provavelmente serão de particular importância. Por exemplo, o Japão está bem situado para explorar sinergias entre um setor de saúde melhorado e sua capacidade manufatureira de classe mundial, no desenvolvimento de equipamentos médicos.

Políticas familiares, junto com mudanças nas práticas do trabalho corporativo, podem reforçar uma mudança de costumes, levando a uma maior (e mais efetiva) participação feminina na força de trabalho.

Apesar de os estudantes japoneses estarem bem situados em comparações internacionais, uma falta de domínio generalizada do inglês, a língua franca do comércio e ciência internacionais, coloca o Japão em desvantagem no mercado global. Novos investimentos em pesquisa e educação provavelmente darão altos dividendos.

Há todos os motivos para se acreditar que a estratégia do Japão para rejuvenescer sua economia será bem-sucedida: o país se beneficia de instituições sólidas, tem uma força de trabalho bem formada com habilidades técnicas soberbas e sensibilidades para o design e está localizado na região mais dinâmica (única?) do mundo. Ele apresenta menos desigualdade do que muitos países industriais avançados (embora mais que o Canadá e os países do norte da Europa) e tem um compromisso de longa data com a preservação ambiental.

Se a agenda abrangente que Abe estabeleceu for bem executada, a confiança crescente de hoje será justificada. Aliás, o Japão poderá se tornar um dos poucos raios de luz no panorama em geral sombrio dos países avançados.

Tradução de Celso Paciornik.

* Joseph E. Stiglitz é Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Colúmbia.

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Ex-presidente do Google vende 42% das ações

10 de fevereiro de 2013 | 13h02

Yolanda Fordelone

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Decisão de Eric Schmidt, hoje presidente do conselho, foi anunciada no mesmo dia em que papel da empresa bateu recorde de cotação. Foto: Brendan McDermid/ Reuters

Reuters, San Francisco - O presidente do conselho de administração do gigante de buscas Google, Eric Schmidt, anunciou que vai vender 42% de suas ações na companhia. A medida deverá significar a arrecadação de US$ 2,51 bilhões ao aproveitar o “pico” das ações da companhia, que bateram recorde no pregão de sexta-feira.

Schmidt, de 57 anos, venderá 3,2 milhões de ações comuns “classe A” mediante um plano de troca de títulos, afirmou o Google em um comunicado enviado na tarde de sexta-feira à Securities and Exchange Comission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários brasileira nos Estados Unidos.

Porta-vozes do Google não quiseram fazer comentários sobre as razões que levaram Schmidt a vender suas ações neste momento.A venda, segundo o Google, serviria para Schmidt diversificar seus ativos individuais e ganhar liquidez nas aplicações. A montagem da operação daria a Schmidt o direito de dosar a operação por um período de um ano, evitando reduzir o impacto da transação no mercado financeiro americano.

As ações do Google caíram o equivalente a US$ 4,11, para US$ 781,26, após o fechamento do mercado, na sexta-feira, quando o anúncio foi feito. Durante o pregão normal, as ações haviam subido a US$ 11,32.

No intraday, os papéis da companhia haviam batido o recorde desde seu lançamento, a US$ 85, em agosto de 2004. As ações do gigante de tecnologia atingiram o valor de US$ 786,87, ou 9,26 vezes o seu valor inicial.

Impacto. James Dix, analista da Wedbush Securities, afirma que a venda de ações não deve ser um sinal de preocupação para investidores, nem seria motivo para iniciar uma onda de desconfiança relacionada à companhia. “Estaria mais preocupado se o atual presidente executivo ou se o diretor financeiro estivessem vendendo uma boa parte de suas ações”, diz Dix.

Schmidt, que foi presidente executivo do Google até dois anos atrás, atualmente tem 7,6 milhões de ações de classes A e B. Esses papéis representam cerca de 2,3% das unidades atualmente em circulação do Google e aproximadamente 8,2% do poder de voto da companhia.

Schmidt ainda permanecerá com uma quantidade importante de ações do Google depois da venda, segundo Kerry Rice, analista da Needham & Co. No entanto, isso pode significar que o papel do executivo dentro da companhia poderá mudar.

“Eu assumiria que, à medida que se afastar do Google – tanto em termos de carreira quanto no portfólio financeiro –, Schmidt tem projetos sobre o que fazer com os fundos que arrecadar”, afirma Rice.

O executivo, que ajudou a tornar o Google a ferramenta de buscas número um no mundo, passou o cargo de presidente ao cofundador Larry Page em 2011. Como presidente do conselho, ele se envolveu mais em relações governamentais, em particular com órgãos reguladores nos Estados Unidos e da União Europeia, que vêm questionando a legalidade de certas práticas de negócios da companhia.

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Analistas têm dúvida sobre sinais do BC

10 de fevereiro de 2013 | 12h54

Yolanda Fordelone

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Foto: Ueslei Marcelino/ Reuters

Fernando Dantas, Rio - Apesar da afirmação do Banco Central (BC) de que está preocupado com a inflação, os analistas ainda veem ambiguidades na comunicação da autoridade monetária sobre uma possível alta da Selic, a taxa básica, nos próximos meses.

“Estou na dúvida, e acho que boa parte do mercado está confusa”, diz Fernando Rocha, sócio da gestora de recursos JGP.

Esta semana, numa série de entrevistas, o BC esforçou-se para mostrar que está preocupado com a alta da inflação. O movimento mexeu com o mercado futuro, onde as taxas de juros, que já indicam alta da Selic este ano, chegaram por um momento a subir ainda mais.

Por outro lado, permanece em alguns a percepção de que o Banco Central está atrelado a diretrizes do Planalto, que cerceiam – embora não impeçam – a livre utilização da Selic para frear a alta dos preços. “O BC é submisso e não está livre para aumentar o juro quando desejar”, diz o economista e consultor Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC.

Na equipe econômica, porém, sempre se lembra que Alexandre Tombini, presidente do BC, manifestou publicamente diversas vezes, nos últimos meses, sua preocupação com a inflação. Nota-se que ele tem repetido que o ciclo monetário não está abolido – em outras palavras, a Selic ainda vai oscilar, embora em intervalo mais baixo que no passado.

Eleições. Alguns analistas acham que poderia haver cálculo eleitoral nas deliberações do Copom e do governo sobre o futuro da Selic. Assim, se fosse para aumentar os juros, haveria algum incentivo para fazê-lo logo, de forma que os efeitos negativos sobre a atividade econômica e o emprego já pudessem estar dissipados – possivelmente já com um novo ciclo de baixa – na campanha eleitoral de 2014.

O que pode levar o BC a não elevar a Selic, por outro lado, são fatores que teoricamente devem levar à moderação da inflação ao longo do ano, especialmente no segundo semestre – quando Tombini aposta que ela cairá no acumulado de 12 meses.

Além dos efeitos das medidas sobre preços específicos (ver página B1), os serviços podem ceder, com os salários subindo menos (o reajuste do salário mínimo em 2013 foi bem menor que em 2012), os alimentos – grandes responsáveis pelo repique inflacionário no segundo semestre do ano passado – recuando, e o câmbio também contribuindo.

Há sinalizações do governo e do BC de que não haverá em 2013 desvalorizações como a perda de 20% do valor do real entre março e novembro de 2012.

Outro fato que pode dar um alívio psicológico é que a inflação em fevereiro e março deve ser metade do altíssimo IPCA de 0,86% em janeiro. Mas isso não deve reduzir a inflação acumulada em 12 meses.

Por outro lado, a política fiscal em 2013 pode ser expansionista: o governo pode fazer descontos no superávit primário estipulado de 3,1% do PIB que, na prática, o reduziriam para 1,8%.

Em relação às medidas macroprudenciais de controle de mercados de crédito – acionadas em 2011 –, analistas dizem que o governo está, na verdade, estimulando o crédito. “E não é no crédito que estamos vendo pressão neste momento”, avalia Carlos Kawall, economista-chefe do banco J. Safra.

Para Kawall, as recentes comunicações do BC indicam “uma reafirmação do plano A, mas também que existe um plano B”. O plano A seria a estabilidade da Selic por um longo período, e o plano B seria o início de um ciclo de alta nos próximos meses.

Para um experiente economista do mercado financeiro, se as expectativas de inflação de 2013 ameaçarem subir além dos 5,84% do IPCA de 2012, o tempo “suficientemente prolongado” de manutenção da Selic, mencionado nas últimas atas do Copom, será retirado da comunicação duas reuniões antes da primeira alta da Selic.

Segundo Schwartsman, a inflação deriva basicamente do mercado de trabalho (que está muito aquecido, mesmo com o PIB fraco) e com aumentos salariais de 10% ao ano sem contrapartida de alta da produtividade. Essa pressão explode nos serviços, com inflação em 12 meses de cerca de 8,5%. Nesse setor, a competição internacional é quase inexistente e fica mais fácil repassar a alta dos custos.

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Mailson: A abordagem multilateral do FMI para o controle de capitais

17 de dezembro de 2012 | 18h40

Sílvio Guedes Crespo

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Mailson da Nóbrega chama atenção para um artigo do economista-chefe do FMI, segundo o qual o controle de capital é aceitável em alguns casos. Abaixo, comentário de Mailson

O controle do fluxo de capitais externos tem sido, ao longo do tempo, um tema sujeito a visões extremas entre os que o pregam e os que o rejeitam. O FMI (Fundo Monetário Internacional), que costuma defender políticas econômicas liberais, sempre foi visto como contrário ao controle de capitais. Por isso, muita gente da esquerda comemorou a recente posição do Fundo em favor do controle. O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, escreveu recentemente um artigo para a Vox, em que explica a posição da instituição.

Ficará decepcionado quem pensou que o Fundo “liberou geral” o controle de capitais ou se tenha posicionado contra a absorção de recursos externos. O artigo “reconhece tanto os benefícios dos fluxos de capitais quanto seus riscos.”, diz Blachard. Em razão desses riscos, a completa liberalização da conta de capital pode não ser o objetivo correto para todos os países, em todos os tempos. “Assim, prossegue o autor, o estudo identifica as circunstâncias nas quais medidas prudenciais podem ser necessárias para preservar a estabilidade macroeconômica e financeira quando houver súbitas entradas e saídas de capitais.”

Blanchard chama a atenção para conclusões do G20 sobre a gestão dos fluxos de capitais, as quais consideram que politicas voltadas para lidar com a volatilidade desses fluxos devem considerar o potencial de seu vazamento além-fronteiras. “Muitos países emergentes se preocupam com políticas nos países de origem desses capitais, que realçam os ganhos da cooperação”.

Sob uma perspectiva multilateral, quatro casos merecem destaque. “O primeiro são os controles de capitais para substituir o necessário ajuste externo.” Quando se usa os controles para sustentar uma moeda desvalorizada, o resultante superávit em conta-corrente do balanço de pagamentos transfere os custos do ajuste para os vizinhos, o que constitui uma aberração.

O segundo caso tem a ver com o uso de controles de capital para manipular os termos de troca do país, cujo efeito é o mesmo da utilização de tarifas de importação com tal propósito. Controles de fluxos de capitais podem influenciar as taxas de juros internacionais em favor do país. “Sob o ponto de vista multilateral, controles para manipular os termos de troca não podem ser aceitos.”

O terceiro caso se dá quando os controles de capitais são usados para lidar com externalidades no setor de produtos exportáveis. Tributos e subsídios podem ser vistos como reação natural a tais externalidades, mas tais medidas podem não ser viáveis se não houver recursos orçamentários disponíveis ou se o setor a ser tributado é informal ou está fora do alcance das normas tributárias. “Em tal situação, a opção de qualidade inferior seria uma política de desvalorização cambial apoiada por controles de capitais”, conclui Blanchard. Essa é uma alternativa de qualidade inferior porque cria distorções tanto para o consumo quanto para a produção, enquanto a externalidade ocorre apenas na produção.

O quarto caso se refere ao uso de controle de capitais para assegurar a estabilidade financeira. Na presença de efeitos decorrentes de empréstimos externos, os controles de capitais constituem uma resposta ótima para o país, pois ajuda os agentes econômicos a internalizar os efeitos externos do seu endividamento. Em um ambiente internacional, o transbordamento dos efeitos dos controles de capitais pode ampliar os riscos para outros países mediante a redução dos respectivos fluxos.

Muito provavelmente, controles de capitais criam custos, entre outras razões porque os controles miram imperfeitamente os riscos dos fluxos. “Aqui, a coordenação será necessárias para alcançar o resultado eficiente em termos mundiais”, assinala o economista-chefe do FMI. A coordenação precisaria envolver tanto os países recipientes quanto aqueles de onde se originam os fluxos, “para minimizar os riscos de guerras de controles e excessiva redução dos fluxos.”

A coordenação entre os dois lados é essencial, “mas será difícil de ser alcançada, pois os países de origem nem sempre consideram como de seu interesse enfrentar os custos associados à maior estabilidade financeira nos países recipientes”, enfatiza Blanchard. “O objetivo da coordenação não é, todavia, aconselhar países a adotar políticas contrárias ao seu interesse”, complementa. Ao contrário, “o objetivo é sugerir políticas de interesse doméstico, mas que acarretem os menores efeitos para o resto do mundo”, conclui o articulista.

O que se pode entender do artigo é que, mesmo nas limitadas hipóteses em que os controles de capitais se justificam, sua adoção não pode ser feita em detrimento dos interesses de outros países. É interessante observar, ainda, que o Brasil nunca adotou a total liberalização dos fluxos de capitais, como vez por outra se pensa.

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Jornal ‘El País’ defende ‘resgate urgente’ da Espanha pelo BCE

11 de dezembro de 2012 | 7h00

Sílvio Guedes Crespo

O jornal espanhol El País defendeu, em editorial, que a Espanha peça imediatamente ajuda ao Banco Central Europeu, sob risco de ter uma recessão mais “longa e dolorosa” do que o necessário.

“O custo de financiamento da dívida pública e sua consequência natural, o custo de financiamento da dívida privada, constituem hoje o estrangulamento principal da economia espanhola”, afirma o diário.

A opinião do jornal é que a Espanha paga juros muito altos para rolar sua dívida e por isso nem o governo nem as empresas conseguem fazer os investimentos de que o país precisa para se recuperar da crise. Forma-se, assim, um círculo vicioso que pode fazer a recessão continuar não apenas no próximo ano, mas inclusive em 2014. “Em resumo, adiar o pedido de resgate equivale a condenar a economia espanhola a uma recessão prolongada e dolorosa.”

O primeiro-ministro da Espanha, no entanto, até agora não pediu o resgate. Para o jornal, o governo pode estar aguardando um aval da Alemanha, mas as medidas necessárias para retomar a atividade econômica e reduzir o desemprego “não pode depender da aquiescência de outro país”.

Para o jornal, o governo espanhol “tem perdido autonomia” sendo que, cedo ou tarde, vai precisar fazer o pedido de resgate. “Sempre defendemos que tudo isso (a ajuda externa) não pressupõe de modo algum perda de soberania, e sim o exercício compartilhado desta, em um contexto de crescente integração europeia. O que não é aceitável é adiar a recuperação econômica e contribuir dessa maneira para o sofrimento social, com mais desemprego.”

 

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Mailson: Tchau, Europa – o Reino Unido pode deixar a UE

10 de dezembro de 2012 | 14h48

Sílvio Guedes Crespo

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Em editorial, revista The Economist diz que o melhor caminho para o Reino Unido, ‘por mais humilhante que seja’, é manter-se próximo da Europa. Leia abaixo comentário de Mailson da Nóbrega* (foto) sobre o assunto

Cresce a ideia de que o Reino Unido deve sair da União Europeia (UE). Este é o tema do principal editorial da revista The Economist desta semana. “Mesmo os mais duros críticos da UE estão assustados com a velocidade dos acontecimentos. Rebeliões parlamentares sobre a Europa ficam cada vez mais fáceis de organizar. Um referendo sobre a participação na UE é uma questão de tempo”, diz a revista.

Os europeus do Continente também estão surpresos e aborrecidos. Parece-lhes incrível que os britânicos falem em deixar um clube que nas duas últimas décadas caminhou decisivamente para o livre comércio, na linha anglo-saxônica. Também reclamam do que parece o uso da ameaça de sair como instrumento de barganha,. “Em Berlim e Roma, os líderes políticos afirmam que a Grã-Bretanha precisa decidir, de uma vez por todas, se quer ficar ou sair.”

Para uma revista cética em relação a muito do que se faz em Bruxelas (a sede da UE), “a saída do Reino Unido seria uma tragédia. O país sofrerá muito mais do que se imagina”. A Europa também perderia. “Sem a pressão pelo livre comércio exercida pelos britânicos, a União seria mais letárgica e ficaria ainda mais atrás dos EUA e dos países emergentes”, assinala o editorial.

A maneira mais rápida de sair seria a convocação de um referendum por um primeiro ministro assustado com o crescente sentimento antieuropeu no Parlamento e no país. “David Cameron, o primeiro-ministro, tem resistido a isso, percebendo que os britânicos poderiam escolher entre o status quo e uma relação mais distanciada.”

Outro caminho seria a via diplomática: os eurocéticos mais conscientes não querem a saída, mas trazer de volta alguns poderes transferidos a Bruxelas. “Os britânicos esperam que a integração crescente na zona do euro crie a chance para Cameron negociar uma relação mais flexível, mas estão errados”, pontua a revista. De fato, outros países estão cansados das demandas britânicas. Preferiam evitar a sua saída, mas não estão desesperados em mantê-los, pois não querem conceder muito na regulação social e do mercado de trabalho.

A saída economizaria £ 8 bilhões por ano em contribuições líquidas para a UE. Sem as amarras da Política Agrícola Comum, os alimentos ficariam mais baratos. Os britânicos se livrariam das irritantes regras trabalhistas. A City (o centro financeiro) deixaria de se preocupar com um imposto sobre transações financeiras e com as indesejadas regras financeiras. “Acontece que esses ganhos seriam mais do que superados pelos custos da saída, que afetaria um mercado correspondente a metade das exportações.” A medida reduziria a já diminuta influência britânica na cena mundial. “O Reino Unido adquiriria alguma soberania, mas a um custo elevado para si e seus parceiros”.

Fala-se em encontrar uma acomodação pela qual a Reino Unido sairia, mas manteria o livre comércio dentro da União. Imagina-se que o modelo seria o da Suíça, que tem acesso ao mercado comum. “Não seria o caso. A UE lamenta ter concedido essa opção aos suíços e por isso não fariam o mesmo com um país maior e mais problemático”.

O que pode ser feito para evitar o desastre? Embora a diplomacia britânica tenha perdido qualidade em anos recentes e os líderes políticos tenham esquecido a arte da negociação, Cameron tem o que fazer, especialmente quando defende a extensão do mercado comum em favor do crescimento. Outra prioridade seria informar os britânicos sobre as consequências da saída. “Grandes empresas e a City, cujos interesses têm a ver com a solidez da UE, precisam tomar uma posição. O Partido Trabalhista, que tem adotado um jogo cínico e perigoso, precisa mudar sua linha.”

Cameron e o ministro da Fazenda, George Osborne, “devem lembrar os britânicos das vitórias que obtiveram na União e dos riscos de abandoná-la. Apressar o referendo é importante, mas adiá-lo por algum tempo é mais sábio. O governo deve resistir a demandas do referendo pelo menos até ficar claro por qual tipo de Europa a Grã-Bretanha estaria optando.”

A posição dos britânicos na UE pode ficar indefensável caso a solução da crise aproxime mais os países da zona do euro e outros países se juntem ao grupo. Mas nada é certo, nem isso nem a marginalização da Grã-Bretanha. “Por mais difícil e humilhante que seja, o melhor caminho é manter-se próximo da Europa e tentar que ela se alinhe com o Reino Unido”, conclui o editorial.

* Mailson da Nóbrega foi ministro da Fazenda (1988 a 1990) e hoje é sócio da Tendências Consultoria Integrada e membro de conselhos de administração de empresas no Brasil e no exterior. Ele colabora com o Radar Econômico comentando artigos e reportagens da imprensa internacional.

Blog: http://mailsondanobrega.com.br/blog/

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