12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Abraço de urso

José Paulo Kupfer

Abraço de urso

Mais embaixo

Celso Ming

Mais embaixo

Condenando o euro

Paul Krugman

Condenando o euro

Radar Econômico
Filtro
Tamanho de texto: A A A A

Radar Econômico

BUSCA NO BLOG >>

Cabaré de Paris tem sua primeira greve em seis décadas

17 de maio de 2012 | 14h00

Sílvio Guedes Crespo

upsidedown_1_agrandi.jpg

Mais um sintoma da crise europeia ou apenas uma disputa interna?

Após seis décadas de funcionamento ininterrupto, o tradicional cabaré parisiense Crazy Horse teve que cancelar suas apresentações na terça e na quarta-feira desta semana (dias 15 e 16) porque suas dançarinas entraram em greve, relata o jornal local Le Parisien.

As artistas vestiram a roupa alegando que o pagamento recebido é “miserável”, considerando a exposição que elas têm. Segundo o Parisien, elas trabalham cinco dias por semana e ganham “menos de 2 mil euros por mês” – a menor remuneração de Paris para esse tipo de apresentação.

“Faz tempo que nós pedimos mais consideração para os nossos negócios. Nosso salário não dá conta de jeito nenhum da nossa carga de trabalho nem da nossa nudez”, disse Suzanne Durand, representante do sindicato das dançarinas.

“A direção adora dizer que nós somos [...] objetos de desejo selecionados com rigor. Eu adoraria que os salários estivessem à altura dessa reputação”, disse a dançarina Zonnie Rogenne, de 22 anos.

O cabaré afirmou que se preocupa “muito seriamente com o bem-estar de suas artistas” e que está negociando uma solução com elas.

A casa informou que os clientes que já compraram ingressos poderão trocar para uma data futura ou pegar o dinheiro de volta. O Crazy Horse é um dos principais cabarés de Paris, ao lado do Lido e do Moulin Rouge.

Segundo uma reportagem da agência Reuters, esta foi a primeira vez que uma performance foi cancelada desde a fundação da casa, em 1951.

Tópicos relacionados

Société Générale vê risco de queda ‘descontrolada’ do real

17 de maio de 2012 | 11h57

Sílvio Guedes Crespo

A movimentação dos investidores que atualmente apostam no real pode gerar uma queda descontrolada da moeda brasileira, observa o banco francês Société Générale, conforme reportou o  Wall Street Journal.

“Por enquanto, [a descida do real] é um processo ordenado, mas agora estamos à beira de um processo descontrolado”, disse o analista responsável pelo relatório.

O banco observa que os investidores institucionais que apostavam na alta do real já trocaram de lado. Hoje, apenas 10% deles ainda acreditam na valorização da moeda brasileira. No entanto, os investimentos de varejo ainda não fizeram essa troca de lado, apesar de o real já ter caído quase de 20% desde fevereiro.

Quando esse segundo grupo resolver mudar de posição, seguindo os investidores institucionais – e é possível que isso aconteça por causa do agravamento da crise do euro e da Europa em geral -, o real pode ter uma queda brusca, na opinião do Société Générale.

“O Brasil vai receber bem alguma depreciação da sua moeda, mas se ela cair demais e muito rápido, esse movimento pode afastar investimento estrangeiro e rapidamente se tornar um temor”, disse o Journal.

Tópicos relacionados

Zona do euro gerou US$ 1 tri para a Alemanha em comércio exterior

16 de maio de 2012 | 12h54

Sílvio Guedes Crespo

Mais de US$ 1 trilhão entrou na Alemanha desde a criação da moeda única (1999) até 2010 por meio do comércio de bens com seus colegas do euro, mostram dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) compilados pelo Radar Econômico. O número indica que a nação germânica foi a mais beneficiada pela moeda comum no comércio exterior, em valores absolutos.

Em 1998, quando os alemães ainda usavam o marco, seu superávit comercial junto às nações que mais tarde adotariam o euro era de apenas US$ 29 bilhões. Em 2008, já com a divisa comum, o saldo atingiu US$ 177 bilhões, número sete vezes maior. O valor caiu a partir de 2009 por causa da crise originada nos Estados Unidos, mas ainda assim permaneceu bem acima do nível verificado nos tempos do marco, como mostra o gráfico abaixo.

alemanha_euro01.JPG

Não por mera coincidência, a escalada das exportações alemãs ocorreu principalmente em cima de países que mais tarde se tornaram o foco da crise europeia. De 1998 a 2008, o superávit comercial da Alemanha com a Espanha aumentou 11 vezes; com a Itália, 8,6 vezes; com Portugal, 7 vezes; com a Grécia, 3,5.

Somente em cima da Espanha, a Alemanha ganhou US$ 270 bilhões no comércio de bens de 1999 a 2010. Sobre a França, os alemães acumularam um saldo de US$ 328 bilhões (No entanto, os franceses são a segunda maior economia da zona do euro e por isso não sentiram tanto essa perda.)

Abaixo, quanto a Alemanha ganhou em superávit comercial com outros países da zona do euro, de 1999 a 2010.

alemanha_euro02.JPG

Não é à toa, portanto, que a Alemanha não defendeu, até agora, a saída de nenhum país da zona do euro. Isso só ocorrerá se a situação ficar insustentável, ou seja, se o país achar que o que ele ganha no comércio exterior não compensa o que perde no caso de ser contaminado por uma crise financeira originada nos seus vizinhos.

Alguém pode se perguntar como a Irlanda, um país fortemente atingido pela crise, conseguiu impor um déficit comercial à Alemanha. O Wall Street Journal já explicou isso. A ilha atrai empresas de toda a Europa por causa de impostos baixos. As multinacionais transferem dinheiro para suas subsidiárias irlandesas como se estivessem importando delas, o que infla a balança comercial do país. Depois, trazem o mesmo dinheiro de volta para a matriz na forma de remessa de lucro. Os números do comércio exterior da Irlanda, portanto, ficam distorcidos.

Austeridade insuficiente

Os dados mostram por que a austeridade fiscal, sozinha, não salva nenhum país da crise do euro. A Espanha, por exemplo, mantinha suas contas públicas em ordem desde a criação da moeda europeia. Na verdade, a partir de 2002 tornou-se mais prudente até do que a Alemanha. Foi somente em 2008, após a crise dos Estados Unidos, que a Espanha descambou.

alemanha_euro04.jpg

Briga entre desiguais

A criação da zona do euro colocou na mesma arena economias completamente desiguais. Enquanto existiam moedas diferentes, a taxa de câmbio ajudava os mais fracos a manter algum grau de competitividade. Quando a Espanha começava a importar muito da Alemanha, a peseta se desvalorizava em relação ao marco. Com isso, os produtos alemães ficavam mais caros para os consumidores espanhóis, de modo que estes passavam a importar menos.

Com o euro, no entanto, os espanhóis, entre outros europeus da periferia, continuavam com poder de compra alto mesmo enquanto sua indústria perdia espaço para as empresas alemãs. Tanto as empresas como os consumidores de países periféricos conseguiam tomar dinheiro emprestado facilmente no mercado, com as taxas relativamente baixas determinadas pelo Banco Central Europeu. Isso mantinha a produção e o consumo em um ritmo razoável, sustentando o Produto Interno Bruto.

Com moeda forte, os países da periferia europeia passaram a importar mais também de nações não europeias. O gráfico abaixo mostra que a Alemanha reina isolada quando o assunto são as contas externas. O país é o único, entre as grandes economias europeias, que conta com um superávit nas transações com o resto do mundo. Note-se que esse saldo positivo aumentou barbaramente depois da adesão ao euro. Inversamente, nas demais economias esse saldo ficou negativo.

alemanha_euro05.JPG

Quando veio a crise de 2008 o crédito secou, num momento em que as companhias e as famílias da periferia europeia estavam endividadas. Até se poderia dizer que elas foram imprudentes ao tomar dinheiro no mercado, mas o fato é que o Banco Central Europeu mantinha taxas de juros em níveis relativamente baixos. Mas quando os bancos pararam de emprestar, as companhias ficaram com dificuldade para rolar a dívida. Ainda, o financiamento imobiliário caiu, derrubando os preços dos imóveis e revelando o estouro de uma bolha.

O governo espanhol, até então disciplinado e austero, teve que escolher entre deixar o mercado se equilibrar por si só – com todas as consequências sociais previsíveis e imprevisíveis – ou abrir os cofres públicos. Optou por injetar 146 bilhões de euros no mercado financeiro, arcar com o aumento de gastos sociais – por exemplo, para suprir o aumento da demanda por auxílio-desemprego – e ainda lançar pacotes para estimular a economia.

Com isso, o governo da Espanha, que em 2007 gastava menos do que arrecadava, em 2009 desembolsou 117 bilhões de euros a mais do que arrecadou. Isso fez as contas públicas do país piorarem, gerando medo, nos mercados, de um calote na dívida do Estado. A consequência é que os investidores passaram a cobrar juros mais altos para emprestar à Espanha, tornado ainda mais difícil, para o país, rolar sua dívida.

Situação parecida enfrentou a Grécia, mas a Espanha é um exemplo mais interessante porque mostra que o bom aluno também é punido. Para usar a moeda europeia, não basta fazer a lição de casa da austeridade fiscal. É preciso estar preparado para enfrentar a competitiva indústria alemã. Mas se aparecer alguém à altura, o país germânico é que se tornará a próxima vítima. Um caminho mais sensato seria uma união fiscal, se nenhum europeu se importasse em ver seus impostos sendo usados para cobrir gastos em outros países.

Tópicos relacionados

Revista alemã sugere plano para Grécia abandonar o euro

14 de maio de 2012 | 15h08

Sílvio Guedes Crespo

der_spiegel_capa_reproducao_13052012.jpg

A revista alemã Der Spiegel publicou uma longa reportagem na edição desta semana defendendo a saída da Grécia da zona do euro.

Curioso é que, desta vez, o argumento não é o de que o país não tem adotado políticas fiscais responsáveis, e sim de que os problemas só pioraram depois de adotar a austeridade.

Não que a revista tenha se tornado contrária a medidas de equilíbrio fiscal em quaisquer ocasiões. O que o semanário afirma é que a Grécia nunca esteve pronta para adotar o euro, de modo que tentar se preparar agora, durante a crise, não funcionaria.

“Apesar de o país estar sendo virtualmente governado pela Comissão Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), a dívida da Grécia está maior do que nunca e a recessão está piorando. [...] A Grécia está passando por um tratamento intensivo há anos, mas o paciente, em vez de se recuperar, está ficando cada vez mais doente”, afirma a Spiegel.

Para tentar sair da crise, o governo grego já recebeu € 240 bilhões em pacotes de ajuda do FMI e de países da zona do euro, obteve um desconto de € 100 bilhões em sua dívida com o setor privado e ainda teve uma ajuda de € 40 bilhões por parte de fundos da União Europeia. No total, o socorro ao país somou € 380 bilhões, o que equivale a quase duas vezes (177%) o PIB (produto interno bruto) grego.

Ainda, “funcionários públicos foram demitidos, aposentadorias foram cortadas e uma série de programas de reestruturação foram aprovados”. Depois disso tudo, o país está caminhando para o seu quinto ano seguido de recessão. “É hora de repensar o tratamento”, avalia a revista.

O gráfico abaixo foi publicado na Spiegel. A linha vermelha mostra uma dívida que não para de subir; a azul, o PIB em queda livre. As barras vermelhas indicam que a taxa de desemprego mais do que dobrou desde 2008.

grafico_der_spiegel_reproduca0.jpg

Plano

Na reportagem, a Spiegel traçou cenários possíveis para a saída da Grécia da zona do euro, entrando inclusive em detalhes relacionados à transição. Por exemplo, sugere que os bancos gregos fiquem fechados na semana da adoção da moeda local, o dracma, para evitar uma corrida às instituições financeiras. Nesse período, propõe a Spiegel, os correntistas devem ser autorizados a sacar apenas entre € 20 e € 50 por dia, para “as necessidades diárias mínimas”.

Em situações como essa, lembra a publicação, os governos colocam policiais atrás de sacos de areia na frente de agências bancárias.

Apesar de defender medidas tão impopulares, a Spiegel tenta fazer crer que esse é o melhor remédio para o país no longo prazo. Tendo sua própria moeda, a Grécia poderá desvalorizá-la e tornar os seus produtos mais competitivos no mercado internacional. Seria uma chance de recuperar sua produção “e sua dignidade”, avalia a Spiegel.

Mas o uso intensivo da força policial ou militar durante a crise certamente não será privilégio da Grécia. Conforme relata o correspondente Jamil Chade, a Itália já disse que pode usar o exército para conter manifestantes.

Tópicos relacionados

Queda do real é vitória do governo brasileiro, diz ‘FT’

14 de maio de 2012 | 12h43

Sílvio Guedes Crespo

O Financial Times é mais um veículo de comunicação estrangeiro a interpretar a queda recente do real como uma “vitória” do governo brasileiro na disputa que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou de “guerra cambial”.

O texto intitulado “Brasília brinda a queda do real” diz que, para Mantega, a semana passada foi “o ponto culminante após 18 meses de trabalho” para depreciar a moeda brasileira.

Agora, a questão não é mais se o governo consegue desvalorizar o real, e sim até que ponto ele vai permitir essa queda, uma vez que esse movimento aumenta o risco de inflação.

O dólar chegou a ser cotado a R$ 1,54 em julho do ano passado, quando a taxa básica de juros estava em 12,5% ao ano. Na última sexta-feira, a moeda americana atingiu R$ 1,956, uma alta de 27%. Atualmente, o juro básico está em 9% ao ano.

A reportagem do jornal britânico atribui essa variação cambial à perspectiva de fraco crescimento no Brasil e no mundo e à queda das taxas de juros no País.

Outros veículos internacionais de comunicação comentaram recentemente as medidas do governo e seu impacto no câmbio. O Wall Street Journal afirmou já em março que o governo brasileiro havia vencido “o primeiro round” da “guerra cambial”. A Bloomberg notou que os investidores internacionais “se renderam” às medidas do governo para depreciar o real e decidiram retirar dinheiro do País.

A respeito da política cambial e da inflação no Brasil, veja o que disseram analistas consultados pelo Financial Times:

“O debate é se o câmbio vai elevar a inflação por meio do efeito pass-through. [...] Eles [o Banco Central] têm objetivos demais. Querem uma moeda mais fraca para estimular a indústria, mas querem cortar juros ao mesmo tempo e manter a inflação dentro da meta. Alguma coisa terá que ceder.”

Flavia Cattan-Naslausky, do Royal Bank of Scotland. O chamado efeito pass-through é o repasse da variação cambial para os preços dos produtos de um país.

“Há um crescente coro das autoridades da área financeira sugerindo que o atual nível do real já beneficia a indústria local.”

Nick Chamie, do Royal Bank of Canadá.

“Nós esperamos que a taxa de câmbio fique entre R$ 1,85 e R$ 2. Níveis acima de R$ 2 poderiam gerar preocupações com o efeito pass-through que, em meio a cortes agressivos de juros, intensificariam o medo de inflação quando o País recuperar o crescimento econômico.”

Banco Crédit Agricole, em relatório.

Tópicos relacionados

Mailson: o ajuste fiscal na Europa pode conviver com a democracia?

14 de maio de 2012 | 11h39

Sílvio Guedes Crespo

mailson_da_nobrega.JPGA reversão da política fiscal demandada pela maioria enfrentará obstáculos que não podem ser ignorados, observa Mailson da Nóbrega*. Leia comentário abaixo

 

A maioria dos eleitores da França, da Grécia e da Alemanha foi às urnas na semana passada para rejeitar os programas de austeridade em curso na Europa. É o que Francesco Daveri examina em artigo na Vox. Para ele, com “a Europa em recessão, os eleitores apoiaram os políticos contrários aos cortes orçamentários”. Daveri observa que os países nos quais os eleitores demandam menos impostos são aqueles onde os gastos públicos mais aumentaram nos últimos dez anos”. E acrescenta: “A única saída para as atuais dificuldades é a corajosa implementação de reformas econômicas. Isso já começou em muitos países, mas precisa continuar”.

Na Grécia, diz o autor, os dois principais partidos falharam em alcançar um acordo para formar uma Grande Coalizão majoritária. “Os eleitores gregos estão em dúvida onde devem mergulhar – na desconhecida escuridão da saída da zona do euro ou no continuado sofrimento da austeridade.” Na Itália, o grande sucesso do Movimento das Cinco Estrelas, que concorreu contra a casta política italiana, não é muito diferente do êxito eleitoral do Syriza, o grupo de esquerda radical da Grécia, ou do partido neocomunista francês Mélenchon.”

Todos esses partidos são movidos pela aversão do eleitorado às políticas fiscais restritivas necessárias para manter seus respectivos países na união monetária. “Essas políticas são, todavia, identificadas como a razão básica da persistência da crise e não como uma proteção contra ela. O mesmo se aplica, entre outros, ao Partido Pirata da Alemanha, que obteve mais de 8% dos votos em Schleswig-Holstein, um Estado do norte do país que possui uma forte minoria dinamarquesa”.

Em geral, as eleições do Grande Domingo Europeu (6/5/2012) levantam a questão do ajuste fiscal e de sua lógica. “Embora o acordo fiscal tenha sido firmado por 25 países da União Europeia há poucos meses atrás, ele se tornou o selo de garantia para o rigor liderado pela Alemanha. O espectro de um movimento internacional contra a austeridade está assustando a Europa e ninguém sabe como lidar com isso”, assinala Daveri.

A reversão da política fiscal demandada pela maioria enfrentará obstáculos que não podem ser ignorados, menos ainda por governos mais seriamente preocupados com as implicações sociais da adoção de duras medidas fiscais. De fato, “desde fins de 2011, os 17 países da zona do euro viram os gastos públicos aumentarem de 3,3 trilhões para 4,7 trilhões de euros, ou seja, 39,6%. Como percentagem do PIB da zona do euro, os gastos evoluíram de 47% para 51% do PIB.” O articulista cita em seguida o desempenho fiscal de alguns países, mostrando que o aumento de gastos foi generalizado no período, realçando que na Alemanha as despesas ficaram aproximadamente estáveis como proporção do PIB.

Os números podem ser objeto de interpretação, mas não questionados, diz o articulista. Independentemente do que se pense da ‘regra fiscal alemã’, entre 2001 e 2010 os gastos na zona do euro, excluída a Alemanha, cresceram a um ritmo de 41,5%, em comparação com 18,5% naquele país. “Em resumo, é isso que explica a atual insatisfação do eleitorado alemão com o euro e com a situação atual das instituições europeias. Essa insatisfação é o que explica a atitude aparentemente errática da Chanceler Merkel em anos recentes”.

Diante da reação do eleitorado no dia 6/5, Daveri pergunta se a democracia pode conviver com o ajuste fiscal. “A resposta não é clara”, afirma ele. De todo modo, prossegue, “tendo em mãos os dados comparativos sobre gastos públicos, é difícil e mesmo injusto pedir à Sra. Merkel que renegocie o ajuste fiscal. Cabe destacar a importância da implementação de uma disciplina fiscal crível, o que tem sido negligenciado por muitos anos na Europa, mesmo antes da recente crise.” Pedir isso a Merkel é o mesmo que solicitar que ela cometa suicídio político, conclui.

O melhor será usar a flexibilidade dos tratados europeus. Existe margem para não implementar automaticamente sanções contra a indisciplina fiscal, se esta ocorrer em virtude de êxito de medidas em prol do crescimento econômico. “Este é o caminho a tomar se a Europa quiser ganhar mais legitimidade democrática e ao mesmo tempo restabelecer o crescimento. Além disso, abandonar a estrada das reformas estruturais – mesmo diante das fracas mudanças sob discussão – seria um grande e autodestrutivo erro. A união monetária pagaria muito caro por este erro nos anos vindouros.”

* Mailson da Nóbrega foi ministro da Fazenda (1988 a 1990) e hoje é sócio da Tendências Consultoria Integrada e membro de conselhos de administração de empresas no Brasil e no exterior. Ele colabora com o Radar Econômico comentando artigos e reportagens da imprensa internacional.

Blog: http://mailsondanobrega.com.br/blog/

Tópicos relacionados

Indústria dos EUA se recupera à base de subsídios, diz NYT

11 de maio de 2012 | 15h21

Sílvio Guedes Crespo

Enquanto o governo brasileiro anuncia aos quatro ventos medidas para proteger e estimular a indústria do País, o setor manufatureiro dos Estados Unidos consegue protelar sua decadência graças a subsídios discretamente oferecidos pelo poder público, como relata o New York Times.

Na reportagem “Subsídios contribuem para o renascimento da indústria dos EUA”, o jornal diz que medidas dos governos federal, estaduais e locais ajudaram a produção manufatureira a aumentar sua participação no PIB (produto interno bruto) em 2009, 2010 e 2011. É a primeira vez desde a década de 1950 que a fatia da indústria na economia americana cresce por três anos seguidos. Hoje, o setor representa 12,2% do PIB dos EUA; em 1953, correspondia a 28%. No Brasil, a proporção atual é de 23%.

Por décadas os EUA foram os campeões mundiais em valor agregado na indústria. O valor agregado é aquele que uma empresa acrescenta a um produto. Por exemplo, se uma companhia paga US$ 100 em uma chapa de aço, transforma-a em um cano e vende por US$ 150, diz-se que o valor agregado foi de US$ 50. Em 2011, esse indicador correspondeu a US$ 1,8 trilhão para toda a indústriados EUA; na China, o indicador alcançou US$ 1,9 trilhão.

Ajuda

O Times traz como exemplo um industrial americano do setor de cobre segundo o qual sua empresa precisaria se mudar para Ásia ou fechar as portas se não fossem os subsídios que recebe. O dono da companhia conta que a ajuda que recebe do Estado de Nova York corresponde a metade do lucro.

Há diversos outros exemplos. A General Electric decidiu iniciar um empreendimento nos EUA, em vez da China, em parte por causa da redução de impostos pelo governo local.

O jornal cita casos, ainda, de companhias que se mudaram do México e da China para os EUA por causa de auxílio estatal.

Além dos subsídios, também conta na decisão de ficar nos EUA o nacionalismo – ou quem sabe o insegurança ante a necessidade de mudar de país e se adaptar a diferentes leis, valores e idioma. O empresário do segmento de cobre citado acima disse ao jornal: “À medida que as fábricas se mudam para outros países, na maior parte das vezes para a China, a Revere [a empresa dele] poderia ir junto? Sim. E vai? Nunca”.

Ele conta que muitos dos seus clientes, compradores de produtos como fios de cobre, mudaram-se para a Ásia e agora compram dos fornecedores locais. Em vez de acompanhá-los, o empresário preferiu ficar nos EUA. Com isso, perdeu 30% dos negócios.

Tópicos relacionados

Em Portugal, crise provoca demissões e reestruturações na Igreja

10 de maio de 2012 | 12h16

Sílvio Guedes Crespo

jornal_de_noticias_portugal_02.jpg

A Igreja Católica em Portugal planeja fazer uma reestruturação das suas instituições caso o Estado não pague uma dívida de 30 milhões de euros, informa o Jornal de Notícias, de Porto.

A dívida, junto com a diminuição dos donativos das famílias por causa da crise, deve levar a Igreja a enxugar a estrutura das Casas de Misericórdia e, consequentemente, despedir pessoal, segundo o bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro. Ele disse que sua diocese já começou a dispensar empregados.

Há cerca de dois meses, o jornal americano The Washington Post noticiou que, também nos Estados Unidos, muitas igrejas – no caso, evangélicas – estão em dificuldade por causa da crise. Algumas delas tiveram que entregar imóveis a bancos, como fizeram as famílias endividadas.

Tópicos relacionados

Investidores estrangeiros saem do Brasil após queda de juros

9 de maio de 2012 | 12h50

Sílvio Guedes Crespo

O corte de juros no Brasil, ao mesmo tempo que contribui para a depreciação do real, afugenta investidores internacionais e atinge o mercado de ações, conforme indicam dados compilados pela agência Bloomberg.

O índice MSCI, do banco Morgan Stanley, que reúne ações do Brasil em dólares, caiu para o menor nível desde 2006, uma vez que investidores tiraram US$ 869 milhões de fundos de ações do País desde o início do ano.

Segundo a Bloomberg, o banco JP Morgan Chase resolveu recomendar seus clientes a venderem ações brasileiras, depois que o governo determinou que os bancos públicos baixassem os juros.

Outros investidores, no entanto, adotaram uma estratégia diferente. Em vez de retirar dinheiro do País, eles passam a aplicar em títulos públicos que acompanham a inflação, caso da Stone Harbor Investment Partners, citada pela Bloomberg. A aposta deles é de que os juros baixos provocarão aumento de preços no País.

O curioso é que, mesmo com essa saída de capital e com a depreciação do real, a moeda brasileira continua sendo a maior sobrevalorizada do mundo, segundo o Morgan Stanley.

Vale notar que a notícia da agência é voltada para investidores estrangeiros, cujos ganhos ou perdas não coincidem com o dos brasileiros. Ao colocar dinheiro no mercado de ações do Brasil, os estrangeiros se submetem ao risco da variação de preço dos papéis e também ao risco cambial.

Quando o real estava subindo, os investidores de fora muitas vezes ganhavam dinheiro até quando a bolsa caía um pouco. Agora, ao contrário, enquanto o real cai, eles podem perder dinheiro inclusive quando a bolsa sobe um pouco.

Também não custa lembrar que os números acima se referem à saída de capital em uma área específica do mercado financeiro. Conforme noticiou a Agência Estado recentemente, o Brasil tem registrado saída de dólares pelo movimento financeiro -  gerado por operações de câmbio para compra e venda de ações e títulos de renda fixa, empréstimos, investimentos produtivos e remessa de lucros e dividendos, entre outros. Já no segmento comercial – que registra operações de câmbio de exportadores e importadores – o País tem verificado entrada de dinheiro estrangeiro.

Tópicos relacionados

Hyundai planeja iniciar produção no Brasil em setembro

8 de maio de 2012 | 6h00

Sílvio Guedes Crespo

hyundai_accent_divulgacao.jpg

A fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP), a primeira da companhia na América do Sul, começará a produzir em setembro, disse o diretor operacional da empresa, S. T. Kim, em entrevista ao jornal Financial Times.

A nova fábrica terá capacidade de 150 mil veículos por ano e deverá produzir uma versão do Accent em uma plataforma adaptada para acomodar um motor 1.0.

A América do Sul era a última grande região do mundo onde a Hyundai ainda não tinha fábrica, informa o FT.

O jornal lembra que outras montadoras, incluindo Nissan, Toyota, Fiat, Volkswagen e PSA Peugeot Citroën, estão expandindo suas fábricas no Brasil ou construindo novas, por causa do crescimento do mercado interno e do aumento de impostos as importações.

No entanto, recentemente o setor mostrou-se menos aquecido. A Anfavea, associação de montadoras instaladas no País, informou que as vendas de veículos caíram 14% de março para abril. No final do mês passado, os fabricantes tinham 367 mil veículos em estoques, número mais alto desde o fim de 2008.

Problemas trabalhistas

Antes mesmo da inauguração, a fábrica em Piracicaba já acumula problemas trabalhistas. Conforme informou o Estadão no início do ano, alojamentos das construtoras terceirizadas foram interditados seis vezes por irregularidades como falta de higiene e água potável ao longo de 2011.

Ainda, foram relatados casos graves de acidente de trabalho, como o do trabalhador que teve uma perna esmagada e o do que morreu após cair de uma altura de quatro metros.

Tópicos relacionados

Enquete >>

Em tempo de turbulência, onde você pretende investir o seu dinheiro?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Radar Econômico ganha prêmio >>



Blogs do Estadão