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Índice de bem-estar é lançado na versão em português

Yolanda Fordelone

segunda-feira 09/06/14

PIB, que mede riqueza, não é um bom parâmetro para medir qualidade de vida, dizem economistas; lançamento do índice da OCDE contou com a presença de Pelé e do ministro Aldo Rebelo

O Produto Interno Bruto (PIB), por vezes, é questionado como medida de bem-estar de uma sociedade, uma vez que leva em conta a produção de um país em determinado período, mas desconsidera diversos outros indicadores, como acesso à educação, emprego, etc. Justamente com o mote de que “a vida é mais do que cifras de PIB e estatísticas econômicas”, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou hoje a versão em português do Índice para uma Vida Melhor (“Better Life Index Brasil”). A ferramenta já existia nas versões em espanhol, russo, inglês, alemão e francês.

Categorias. São 11 parâmetros que podem ser comparados, passando por moradia, educação, saúde e até equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Deste universo, a maior preocupação demonstrada pela população brasileira foi em relação à educação, satisfação pessoal e saúde.

A melhor classificação do Brasil ficou com satisfação pessoal (8,1 pontos), ficando em 13º lugar. A pior categoria foi a de renda (0,1 ponto), em que ficou em último lugar.

Prova de que PIB não é bem-estar é que os EUA, cujo PIB foi 14,3 vezes maior do que o do Brasil no 1º trimestre, perdem para o Brasil em algumas categorias. Este é o caso, por exemplo, do equilíbrio vida-trabalho em que estamos com 6,7 pontos e os EUA têm 5,3 pontos. Chile, também referência de desenvolvimento na América do Sul, perde para o Brasil neste parâmetro. Vale lembrar que no Brasil, por exemplo, a lei prevê 30 dias de férias, enquanto no Chile é possível tirar 15 dias úteis, o que dá três semanas. Em escolaridade, o Brasil perde para os dois países. Abaixo a comparação entre Brasil, EUA e Chile nas 11 categorias.

Segundo o diretor da OCDE, Anthony Gooch, apesar de estar mal colocado em muitos itens de uma forma geral, o Brasil tem um alto nível de satisfação: 80% dos brasileiros declararam ter mais experiências positivas em um dia normal do que vivências negativas, número acima da média da OCDE, que é de 76%.

Quem está no índice? Os 34 países membros da OCDE participam do índice. Com o tempo, o indicador será expandido para incorporar outros quatro países: China, Índia, Indonésia e África do Sul.

O indicador foi lançado em 2011, mas só agora conta com a versão em português. Apesar disso, 34 mil brasileiros já navegaram pelo índice nos últimos anos, sendo que 800 responderam ao questionário. A participação deve aumentar agora com a tradução para a nossa língua. Se quiser responder o questionário, basta acessar o site da OCDE, criar seu próprio índice e submetê-lo. Cada um dos 11 parâmetros de comparação é feito com base em indicadores de cada país, de um a três dados. Os questionários são importantes para adaptação na pesquisa e mudanças de quesitos no futuro, segundo a OCDE.

 Foto: AFP

O lançamento do índice, desenvolvido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, contou com a presença do ex-jogador Pelé e do ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

A escolha da figura do Pelé para anunciar a nova versão da plataforma, segundo os organizadores, foi aproveitar o momento da Copa do Mundo no Brasil e a o apelo do futebol como uma forma de comunicação universal. “Futebol é uma linguagem internacional, estrangeiros falam várias línguas, mas se entendem no futebol”, disse o dirigente da OCDE, ponderando que, além disso, “há uma economia global em torno do futebol”.

O ministro Aldo Rebelo destacou que por meio de pesquisas como a Better Life Index é possível elaborar um diagnóstico “mais amplo, profundo e multilateral dos nossos dilemas”. “Podemos ver essas deformidades e traçar políticas públicas para enfrentar e corrigir esses problemas”, destacou.

(Com informações da Agência Estado)

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