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Bancos alemães seriam os mais prejudicados com calote espanhol

5 de junho de 2012 | 18h05

Sílvio Guedes Crespo

Mais um motivo para a Alemanha e a França não virarem as costas para a periferia da Europa: os bancos desses dois países são os mais expostos à dívida externa dos membros da zona do euro em crise.

Levantamento publicado no jornal francês Le Monde mostra que as instituições financeiras alemãs têm 146 bilhões de euros a receber do governo e do setor privado da Espanha.

Já os bancos franceses têm 115 bilhões expostos à economia espanhola. Em terceiro lugar, os britânicos esperam receber 86 bilhões do país ibérico.

Fora da Europa, o sistema financeiro mais exposto à Espanha é o dos Estados Unidos, com 46 bilhões a receber, conforme mostra o gráfico abaixo, repdoruzido do jornal Le Monde:

espanha_divida_externa_le_monde_reproducao.JPG

No ano passado, o jornal argentino La Nación fez um levantamento semelhante, mas sobre a Grécia. Na ocasião, os bancos da França e da Alemanha eram os mais expostos à dívida do país helênico.

Os números mostram como a crise da dita periferia europeia na verdade está diretamente relacionada às maiores economias da região.

A indústria da Alemanha se beneficiou enormemente com a criação do euro, que facilitou as exportações do país para os demais membros da região. Ainda, os bancos alemães aumentaram sua presença em países como a Espanha, onde se formou uma bolha imobiliária cujas consequências agora ameaçam toda a Europa.

Números como esses mostram que o euro criou uma relação de interpendência na região de tal forma que os países beneficiados pela moeda única não podem ignorar os problemas daqueles que estão se dando mal. Apesar de às vezes parecer que o euro pode ruir – quando, por exemplo, se especula sobre a saída da Grécia da eurozona – outros fatos mostram ser provável uma união maior entre os países, sob pena de serem puxados para o buraco junto com a periferia.

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