Contra ‘depressão’, britânicos imprimem mais dinheiro
22 de fevereiro de 2012 | 12h51
Sílvio Guedes Crespo
Ainda está para ser provado que dinheiro compra felicidade, mas o Banco da Inglaterra (banco central) acredita que emitir moeda pode aliviar depressão.
A autoridade monetária britânica já havia decidido, no dia 9 de fevereiro, aumentar em 50 bilhões de libras esterlinas a quantidade de dinheiro que pretende emitir para estimular a economia. Com isso, está definido que o país injetará 325 bilhões de libras no mercado, não apenas 275 bilhões, como estava decidido anteriormente.
Nesta quarta-feira, com a divulgação da minuta referente à reunião do dia 9, o mercado ficou sabendo que dois dos nove integrantes do comitê que comanda a autoridade monetária acharam pouco o aumento de 50 bilhões de libras. Além disso, nenhum dos membros do colegiado votou para uma expansão menor.
A notícia gerou repercussão no mercado (a libra esterlina se desvalorizava em relação ao dólar e ao euro) e na imprensa internacional. Segundo analistas ouvidos por sites especializados em finanças, tornou-se mais provável que o Reino Unido aumente mais uma vez o afrouxamento quantitativo. Para os diretores que defendem a extensão do programa, “existe um risco de uma depressão prolongada da demanda”.
Surpresa
“A minuta mostrou que o aumento do afrouxamento quantitativo é mais provável do que o mercado havia estimado”, disse à Reuters Geraldine Concagh, economista do AIB Group Treasury em Londres.
“Os mercados britânicos reagiram com surpresa”, afirmou Philip Shaw, da Investec, ao “Financial Times”. No site do “Guardian”, o jornalista Phillip Inman comentou que o cenário traçado pela equipe do BC contém “motivos de sobra para se preocupar”.
Os 325 bilhões de libras que o Banco da Inglaterra já decidiu emitir equivalem a um quarto do PIB (produto interno bruto) britânico (que foi de 1,3 trilhão de libras em 2011, segundo projeção do FMI). Isso significa que o BC inglês vai tirar da cartola, com base no voto de 9 pessoas, aquilo que a população do país levaria três meses para produzir. Aguardemos as consequências.
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