China medirá desigualdade social em padrão internacional
7 de fevereiro de 2012 | 11h49
SÃlvio Guedes Crespo

A China promete medir e divulgar a partir do ano que vem a distribuição interna de riquezas com base em critérios internacionais.
Isso significa que, pela primeira vez, o mundo terá conhecimento de como está a desigualdade social no maior paÃs autoproclamado comunista, hoje a segunda maior economia do planeta.
A informação de que uma medição com padrão internacional está sendo preparada foi reportada com exclusividade pelo jornal estatal “China Daily“.
Desde 2000, o governo local divulga seu Ãndice de Gini (que calcula desigualdade), mas ele é focado apenas na zona rural. O problema é que o paÃs mudou muito rápido na última década, de modo que, atualmente, quase metade da população chinesa vive no meio urbano (isso mesmo, “quase metade”; a maioria ainda vive no campo).
Isso gerava dúvidas na comunidade internacional. Os dados mais recentes dizem que o coeficiente de Gini na China foi de 0,39 pontos (2011), segundo o governo, ou de 0,47 em 2009, segundo o Banco Mundial. O número varia entre zero (igualdade total) e um (maior desigualdade imaginável).
Como há diferença de rendimento entre as zonas rural e urbana na China (atualmente, a renda per capita na cidade é o triplo da do campo, como mostra o gráfico abaixo), o novo indicador deve registrar uma desigualdade maior do que o atual.
Para o escritório oficial de estatÃsticas da China, o fato de o cálculo atual não abranger os milionário chineses (960 mil pessoas com patrimônio de mais de 10 milhões de yuans, ou US$ 1,58 milhão) é o principal motivo de o cálculo da desigualdade estar incompleto.
Segundo o “China Daily”, o indicador com padrão internacional está sendo desenvolvido em parceria com o escritório oficial de estatÃsticas do Canadá, o que tende a dar mais credibilidade para os dados chineses aos olhos da comunidade internacional.

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