Vaidade encarece produtos no Brasil, diz jornal dos EUA
10 de novembro de 2011 | 15h15
Sílvio Guedes Crespo
O “International Herald Tribune“, versão internacional do “New York Times”, publicou na edição desta quinta-feira uma seção especial sobre mercado de luxo no Brasil, ocupando oito páginas, preenchidas com reportagens e o perfil de três nomes importantes do setor: Alexandre Hercovitch, Pedro Lourenço e Carlos Miele.
A publicação conta que o mercado de luxo no Brasil, de US$ 2,5 bilhões, é grande em relação aos de outros países emergentes (é o triplo da Índia, por exemplo) e cresce a um ritmo mais rápido (10% a 15% ao ano).
As reportagens não deixam de citar os argumentos básicos para explicar por que os preços são altos – carga tributária de 34,5% do PIB (produto interno bruto), real valorizado e burocracia nos negócios.
Mas o que é interessante mesmo é ver o jornal apontar também alguns traços psicológicos dos brasileiros como fatores dos preços altos: vaidade, ímpeto por viver o momento, no caso dos jovens, e medo de poupar, no caso dos mais velhos, por lembranças de momentos de instabilidade.
Esses três fatores levam o brasileiros a gastar mais (a poupança no País é bem mais baixa do que a de outros países emergentes, como a China) e aceitar preços altos dos produtos. Consequentemente, as margens de lucro das empresas ficam maiores.
“As mulheres brigam para pagar três vezes mais do que pagariam pela mesma coisa em Nova York. O problema não é que elas têm dinheiro, é que elas são virgens diante desses produtos. As pessoas estão desesperadas para ter produtos que elas nunca tinham visto antes”, disse ao “Tribune” Vera Lopes, diretora do Luxury Market Council.
O número de novos ricos está crescendo no Brasil. Hoje há 155,4 mil milionários no País, 8,7 mil a mais que no ano passado, segundo a pesquisa World Wealth Report.
Os brasileiros querem mostrar ao mundo que têm dinheiro, na opinião de Carlos Eduardo Xavier, da McKinsey. “A exibição é uma parte muito importante. É importante mostrar que a camisa polo que ele está usando é da Ralph Lauren. [...] Acho que isso é mais importante para os brasileiros do que para outros.”
A presidente da Havaianas, Carla Schmitzberger, também vê algo estranho no hábito dos brasileiros de pagar mais. “Eu não sei o que motiva as mulheres no Brasil a comprar Louboutins pelo triplo do preço, sendo que elas têm dinheiro para viajar. Acho que é o peso que essas marcas trazem – e no Brasil a aparência conta muito”, afirma.
Schmitzberger vai além: “Há uma enorme desigualdade social no Brasil. Talvez porque as mulheres de alta classe social normalmente não trabalham, elas em geral não fazem a conexão entre o valor [do produto] e o dinheiro que ganham”.
Suzy Menkes, respeitada editora de moda do “International Herald Tribune”, acredita que “o espectro dos privilegiados em meio à pobreza não parece mais assustar um país com uma crescente classe media, mesmo que a disparidade entre ricos e pobres ainda seja evidente”.
A reportagem especial foi publicada por ocasião do evento Hot Luxury, que acontece no hotel Unique, em São Paulo, nesta quinta-feira e amanhã, evento apoiado pelo “International Herald Tribune”.
Leia as reportagens no site do “Tribune”:
Quão quente é exatamente o Brasil (principal)
No Brasil: pelo amor das compras
Procuram-se no Brasil: lugares para gastar
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Absolutamente verdadeira a constatação desse traço psicológico de parte das classes média-alta e alta brasileiras. Este grupo não pode “adquirir” cultura, “berço” ou bom gosto pagando por eles, mas compensa esta fraqueza pagando por bens materiais valores muito superiores ao que realmente valem. Basta um giro pelo Shopping Iguatemi em São Paulo para se constatar os preços absurdos praticados pelos lojistas. E claro que se assim o fazem é porque seus clientes assim esperam.
O brasileiro é um povo PARTICULARMENTE ignorante e frívolo. Mesmo o pobre acha um nike de 500 reais barato e um livro de 30 reais caro. Somos uma democracia verdadeiramente representativa: nossos políticos, com sua ignorância, seu desrespeito às normas, sua arrogância e seu exibicionismo, são a exata representação deste triste povo, que, mesmo sem ter criado uma base, acha que poderá edificar uma casa neste pântano. Tristes de nós.
Perfeito. Na mosca. Um dos poucos comentários inteligentes que se vê por estas páginas…
…E ainda há mulheres que batem no peito e dizem-se stressadas por isso vão ao shopping gastar……falta de cultura !!!!!!?????NÃO FALTA DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL!!!!!!
Nossa, quanta propaganda para comprar em NY, vamos gastar no mercado interno, e promover nosso comercio.
Se é caro para vc é por que vc tem pouco dinheiro rsrsr.
Na minha opinião não sei se apenas a vaidade explica esse fenômeno, acredito também que a baixa autoestima também conta. Quando viajo para outro país é fácil encontrar um brasileiro pois gostam de falar alto como se tivessem vontade de dizer “Vejam eu estou aqui! Eu existo!”. Eu noto este traço de comportamente aqui também em São Paulo, numa cidade onde é difícil encontrar uma vaga para estacionar um fusca por que diabo compram SUV?
Sou blogueira, e sempre divulgo assuntos sobre moda, justamente para as pessoas encontrarem opções de seguirem as tendencias independente da marca. Infelizmente no Brasil, é muito valorizada a questão da aparência, onde vemos pessoas andando com roupas de marcas da cabeça aos pés, porém sem um tustão p/ um plano de saúde, ou casa própria… é triste de ver que essa realidade não atinge só o publico “classe Alta”, mnas também pela imposição deste status pessoas que não tem as mesmas condições, se inclinam a esse universo consumista e vivem de aparências… Eu particularmente, valorizo muito meus rendimentos, e quando preciso comprar algo, vou garimpando nos bazares, liquidações, e sempre consigo encontrar peças incríveis! O que muita gente por ae não faz com nada com R$100,00 consigo fazer várias comprinhas, afinal não é uma etiqueta de marca que vai dizer quem eu sou, e sim meu caráter e minha dignidade!
Concordo Estephanni. Se apenas as pessoas mais ricas fizessem questão de ostentar, eu não veria problema. A situação é triste quando a pessoa começa a gastar com supérfluo até o dinheiro que não tem.
É a história cultural do Brasil, pois aqui a “elite” não é de alcançada através de conhecimento e cultura como na Europa. Aqui é através do status financeiro, legado deixado com o final da monarquia em que os novos burgueses compravam os “títulos nobres” já em decadência. Por isso ter algo é mais importante que conhecer algo. Essa elite (classe média-alta/alta) atua como um câncer no produção brasileira, pois não são – nem nunca foram – capazes de esperar o país desenvolver suas tecnologias, designs e moda. Querem e querem agora, pois quem é rico tem que ter já! E se for importado… é melhor ainda. Graças a esse comportamento que o Brasil não tem uma “marca” boa de eletro-eletrônico (coitada da CCE), de carros (todos os países do BRIC o têm), etc etc. Somente naquilo que não dependemos do consumo da “elite” é que somos os melhores (agroindústria, petróleo, mineração etc.). Triste realidade.
Se o Brasil dependesse dessa falsa elite para chegar onde chegou e ir onde o progresso lento, gradual, mas progressivo O está levando nunca, mas nunca mesmo teríamos nem dado os primeiros passos. O Brasil verdadeiro, o país admirado e elogiado pelo resto do planeta é feito de um povo que se situa à margem dessa doença gananciosa e compulsiva de consumo incosnciente e irresponsável que acomete a grande maioria dessa dita elite. É o brasileiro criativo, empreendedor, alegre com a simplicidade e a criatividade com o pouco que dispõe, sem deixar, é claro, de almejar sempre algo melhor para si e para os seus sem egocentrismo e ganância incontrolada, virus que está exterminando aos poucos toda uma geração acostumada a viver às custas da miséria da maioria.Dominada por sua temporária riqueza comportam-se como verdadeiros parasitas improdutivos e especulativos que mais precisam sim de ajuda para poderem enxergar a temporaridade dessa situação. Infelizmente só aprendem quando caem do cavalo como está ocorrendo com muitos do dito mundo desenvolvido depois de tantos e tantos anos de gastança incontrolada.
E tem gente que acha que os preços altos no Brasil são só impostos, é por isso que tudo que é grife quer está no Brasil, Brasileiro compra bugiganga importada a preço de luxo, os exemplos são varios desde mc donalds que nos EUA é lanchonete de pobre, até carro popular na europa vendindo como luxo, Mini da BMW que custa 3 vezes mais que na Europa, faria uma lista gigante com exemplos aqui, enfim, Tem gente que realmente não valoriza seu dinheiro.