12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Abraço de urso

José Paulo Kupfer

Abraço de urso

Mais embaixo

Celso Ming

Mais embaixo

Condenando o euro

Paul Krugman

Condenando o euro

Radar Econômico
Filtro
Tamanho de texto: A A A A

Radar Econômico

BUSCA NO BLOG >>

Compartilhar música não afeta renda de artistas, indica estudo

11 de abril de 2011 | 15h32

Sílvio Guedes Crespo

Atualizado às 16h49

marcelo_branco02_.jpgMarcelo Branco* (foto), colaborador do Radar Econômico, analisa os rumos da cadeia produtiva da música e recomenda, entre outros estudos, o “Creative Destruction and Copyright Protection”, da “London School of Economics and Political Science”.

Segundo Branco, dados da pesquisa indicam que compartilhar música não afeta o rendimento dos autores. “Concluímos que evidências empíricas não estabelecem uma ligação conclusiva [...] entre o compartilhamento de arquivos e a queda das vendas de música gravada”, afirma o estudo na página 9.

Ouça o podcast de Marcelo Branco: Download

Se preferir, leia a transcrição abaixo:

Eu copio, tu baixas e nós compartilhamos: o futuro da nova cadeia produtiva da música

Os ganhos da indústria fonográfica despencaram, em 10 anos, de US$ 26 bilhões para US$ 16 bilhões. Diante desse, cenário é comum escutarmos, por meio da publicidade dos representantes das gravadoras, que o que está matando a indústria fonográfica é a prática de baixarmos músicas gratuitamente através da internet. Outro argumento utilizado pelas gravadoras, para atacar as práticas de compartilhamento de músicas pela rede, é que isso está afetando negativamente o rendimento dos artistas e que estimula o crime organizado.

As afirmações acima não passam de propaganda enganosa e o Conar (Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária) deveria agir com rigor. Baixar músicas pela Internet não está matando a indústria fonográfica, nem diminuindo o ganho dos artistas. Nos últimos anos, diversos estudos comprovam que o que está matando a indústria fonográfica é a incapacidade desta de se adequar aos novos tempos e o apego aos velhos modelos superados pelo desejo dos novos consumidores. Via de regra, a publicidade das gravadoras e o lobby das entidades arrecadadoras para cima de governos e de legisladores apostam em medidas coercitivas com repressão, vigilância indiscriminada, quebra de privacidade, criminalização e corte do acesso dos usuários da rede mundial, como já vem acontecendo em alguns países como a França.

Um recente estudo da ‘London School of Economics comprova, mais uma vez, que compartilhar músicas pela internet não está afetando o rendimento dos autores e esta nova prática social não é inimiga dos criadores. Segundo o estudo, a condução negativa do debate proposto pela indústria fonográfica e pelas arrecadadoras, e a forma de proteção inadequada da propriedade intelectual nos tempos de Internet, é o que tem causado danos à indústria criativa da música.

O estudo sugere também que uma nova legislação de direito autoral deveria estimular a prática dos internautas, e não reprimir.

Outros fatores que estão influindo na queda do rendimento das gravadoras, apontados pelo estudo, são o aumento do custo dos serviços básicos, da moradia e das taxas de desemprego e o crescimento do mercado dos ‘games’. Por tudo isso está sobrando menos grana para a compra dos CDs.

O argumento de que quem compartilha música pela internet está ‘roubando’ a propriedade das gravadoras, diminuindo seus rendimentos, também já foi desmentido em um estudo de 2007 publicado pelo ‘Journal of Political Economy’. Segundo este estudo, a maioria das pessoas que baixam músicas pela rede não escutaria seus músicos prediletos se tivessem que comprar nos preços de hoje. Isso quer dizer que, baixar músicas pela Internet tem um efeito nas vendas que, estatisticamente, é praticamente zero.

Outra falácia é que a prática social de baixarmos músicas pela internet vai deixar os autores sem alternativas de rendimento e sem estímulo para criar. Isso também não é verdade. A grande maioria dos artistas vive de apresentações ao vivo, dos seus shows. Nada mais estimulante. Quanto mais uma música é difundida pela internet e o artista é conhecido, mais shows e mais ingressos são vendidos. Em 2009, no Reino Unido, por exemplo, as receitas por shows ao vivo ultrapassaram, pela primeira vez, o volume arrecadado por vendas de discos. A venda de discos movimentou 1,36 bilhão de libras, e os shows movimentaram 1,54 bilhão de libras.

Toda essa discussão está muito atual no Brasil em função da proposta de reforma da lei do direito autoral e do novo discurso do Ministério da Cultura que, pelo que parece, embarcou na canoa furada das gravadoras e das entidades arrecadadoras.”

Referências

. Report: Creative Destruction and Copyright Protection
. Media Piracy in Emerging Economies
. El Director de la OMPI afirma que los viejos principios de propiedad intelectual ya no sirven
. La industria del copyright ha perdido el beneficio de la duda
. Did file-sharing cause recording industry collapse? Economists say no

* Marcelo Branco foi, por três anos, diretor geral da Campus Party Brasil, maior encontro de comunidades de internet do mundo. Ele também coordenou a Associação Softwarelivre.org e fundou o Projeto Software Livre Brasil. Nas eleições, coordenou a estratégia nas redes sociais da então candidata Dilma Rousseff.

Twitter: @MarceloBranco http://twitter.com/#!/MarceloBranco

Tópicos relacionados

13 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Gustavo

    É evidente que o compartilhamento de música pela internet não prejudica os ganhos dos artistas. Quem lucra com a venda de discos são as gravadoras. Os artistas – salvo raras exceções – ganham centavos por disco vendido.

    A meu ver, ocorre que muitos artistas são intimidados por suas gravadoras, que os mandam se manifestar contrariamente ao compartilhamento da música via internet. Com medo de perder o contrato, muitos aderem a essa conversa mole.

  2. Enviado por: Heike Duske

    Eu ainda espero pelo dia em que ligarei o rádio e ouvirei músicas diversas ao invés daquelas que pagam para tocar nas rádios e são repetidas à exaustão.
    Temos tantos artistas desconhecidos que produzem música boa mas não tocam no rádio…
    Quer um bom exemplo de sucesso ?
    Fernando Anitelli idealizador da trupe “O Teatro Mágico” que mostrou aos seus fãs o que significa “compartilhar” e criou uma música com eles via Twitter !
    Ele sempre disponibilizou as suas músicas e defende a MPB (Música para Baixar).
    Outros músicos que não tocam nas rádios: Kleber Albuquerque e Rubi entre tantos !
    É isso.

  3. Enviado por: Walter

    O que reduziu a renda das gravadoras foi o fim da venda casada. Quantos albuns foram vendidos porque os consumidores queriam apenas 1 ou 2 “hits”?? Daí que vender legalmente as músicas isoladamente na internet também não satisfaz às gravadoras.

    Outro fator bem observado é que os “hits” perderam valor relativo com o aumento da oferta de música proporcionado pela internet. É a concorrência dos artistas independentes que abriu um monopólio, daí a rentabilidade da “indústria” ter caído.

  4. Enviado por: emmanuel

    mas isso é obvio GENTEM!!!!! logo mais é tudo HD, porra! baixou pagou TB, em alguns casos, leva de graça, pq dinhero nao é problema!!!!! gentem!!!!!

  5. Enviado por: Juliana

    Assim como a música tocar no rádio não diminui as vendas de discos, mas ajuda a divulgar os músicos, o download também não prejudica, na minha opinião. Acontece o que o Heike disse, o rádio hoje já não serve para divulgar música boa e o download acaba sendo a vitrine dos artistas, estimulando, muitas vezes, a compra de discos e de ingressos para shows. Tanto não prejudica os artistas que muitos deles divulgam suas músicas em sites pessoais, myspace, twitter e outras redes onde a gravadora não pode meter o bedelho.

  6. Enviado por: serjao

    Nao tenho tempo para ir a loja comprar um CD !!! Qual a solucao ? Vender pela internet.
    Tem só uma música em um CD com vinte títulos . Nao quero pagar 20 músicas quando gosto só de uma.
    O pessoal das gravadoras está fazendo um merchandizing burro e suicida.
    Nao me importo em pagar , mas pelo menos quero escolher.
    Quero uma música dos Beach Boys de 1970 . Nao tenho saco para ir a uma loja garimpar CDs velhos. Porque nao existe um catálogo de músicas antigas na internet para pagar e levar ?
    Perdi em uma mudanca um CD comprado nos EUA , onde tinha “Rainny Night in Georgia” com Bruck Bentton. Onde posso conseguir esta música de novo , legalmente ?
    Atencao empreendedores , há um enorme mercado aberto pela ganancia dos CEOs das gravadoras atuais. Quem explorar as dúvidas acima ( nao sou só eu que tem estas necessidades de compra ), vai ganhar MUITO dinheiro.

  7. Enviado por: Marcelo Branco

    Sílvio,

    vistes que este artigo foi o mais retuitado do @estadao de ontem?

    Tweets com mais RTs pelo @estadao 11/04
    http://blogs.estadao.com.br/rodrigo-martins/2011/04/12/tweets-com-mais-rts-pelo-estadao-1104/

    Isto que foi publicado no meio da tarde, às 15h32.

    abraços

    • Enviado por: Sílvio Guedes Crespo

      Sim, fiquei sabendo. Teve uma grande repercussão pelo Twitter. Ficou em segundo lugar na home do migre.me entre as mais retuitadas. Obrigado pela colaboração.
      Abraços

  8. Enviado por: Iranilda Pereira de Souza

    Baixa música através da internet, é a prática só tende a crescer, industria fonografica tem que se adaptar a essa nova mudança; se não pode com eles junte a eles,eu espero que o cd fisico porque dá uma grande satisfação ter a obra fisica do seu artista preferido espero que nunca acaber, mais do jeito que a industria fonografica é os donos de gravadora estão agindo contra reforma do direto autoral.É com argumentos que não converse mais. na minha opinião quem já começo com as mudanças é se adpitar foi as lojas de departamento A americana como fornecedora onde o artista lança um Cd por um valor caro é mesmos de 3 meses esses cd tá por 10,00 que eu acho um preço razoavel, e os DVD também de filmes é música não é caro.

  9. Enviado por: Alberto Vermelho

    Com a internet os verdadeiros usurpadores dos direitos autorais que são as gravadoras estão caindo fora da jogada. Agora que o artista começa realmente a ganhar seu dinheiro diretamente em negócios que ele mesmo ou alguem perto dele agencia e não um mais grande agiota da produção alheia. A música finalmente é ouvida pelo público para o qual ela foi composta. Chega direto aos ouvintes sem intermadiários. As pessoas ouvindo mais , vão aos shows e compram cd a preços mais baratos ( Mona Brow vende seu cd a R$ 5,oo no show)e quem fica com o dinheiro é o Musico. E´ uma verdadeira revolução no meios de produção e consumo da arte. EVOÉ

  10. Enviado por: paineis eletricos

    Eu concordo com o comentário acima, aindúsria fonográfica vai ter que se adaptar.

  11. Enviado por: Armando Teixeira

    Isso é claramente uma verdade e também se aplica à areas como cinema e literatura. A maior falácia é dizer que isso desestimularia o artista, a verdade é o oposto: nada melhor do que produzir arte apenas pela arte.

    Um efeito que poderia ser observado é o seguinte: uma vez desestabilizada a monopolização nessa industria, o mainstream acabaria e sobraria espaço para uma pluralidade infinita de nichos. A produção cultural será maior, artistas pequenos teriam maior visibilidade e, com certeza, maior rentabilidade.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquete >>

Em tempo de turbulência, onde você pretende investir o seu dinheiro?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...

Radar Econômico ganha prêmio >>



Blogs do Estadão