Gustavo Franco: governo não tem como evitar alta do real
17 de setembro de 2010 | 19h48
Sílvio Guedes Crespo
Atualizado em 18/09/10 às 9h29
Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central entre 1997 e 1999 e um dos economistas que participaram da implantação do Plano Real, disse em entrevista ao blog Radar Econômico que não existe uma forma de o governo impedir a alta da moeda brasileira.
“Devemos pensar em como conviver com essa realidade [do real forte], e não achar que tem uma engrenagem em que se possa mexer para reverter esse problema, porque eu acho que não tem”, afirmou.
Ele está lançando o livro “Cartas a um jovem economista”, pela editora Campus, no qual reflete sobre a profissão e conta episódios de sua carreira, na academia, no mercado e no governo.
“Com esse livro, o que eu quis dizer foi o seguinte: ‘O mundo é dos nerds, é de quem estuda’”, afirmou Franco na entrevista. Assista à entrevista em vídeo. Se preferir, leia mais abaixo a transcrição editada dos principais trechos.

‘Cartas a um jovem economista’
Assista abaixo à entrevista.
Os desafios e a solidão da autoridade
O câmbio e o mundo dos nerds
Leia os principais trechos da entrevista.
No livro, o senhor afirma que o emprego público pode ser o pior trabalho do mundo. Esse foi o momento mais difícil da sua carreira?
Foi. Agora, por parte ruim, eu não me refiro aos períodos de crise. O lado ruim tem a ver com a solidão da autoridade. Você combate minorias do mau que se dedicam a proteger os seus privilégios. Você tem inimigos em que você olha no olho, mas as pessoas que você beneficia não sabem que você existe. Ninguém o apoia.
O senhor diz também que, se um alto funcionário público se torna muito popular, alguma coisa está errada. E no cenário atual, em que o presidente é popular mesmo mantendo uma política monetária criada no tempo em que o senhor estava no governo?
Tem um certo exagero aí. Essa solidão faz com que você tenha a sensação de que o mundo é composto exclusivamente de inimigos seus. A agenda em Brasília é só de gente reclamando. Você sai de lá com a sensação de que o real foi um pesadelo. Mas quando você aterrissa no Rio ou em São Paulo, você encontra a maioria para a qual você estava trabalhando. Essa é a parte extraordinariamente boa de trabalhar no setor público e ter aquelas grandes maiorias reconhecendo o que você fez.
Quando o BC estava usando um câmbio semi-fixo, a taxa de desemprego chegou a 19%, segundo o Dieese, o ritmo de crescimento da economia caiu e o País teve deflação. Olhando para trás, o senhor acha que usou explosivos fortes demais parta combater a inflação?
Lógico que não. Isso é bobagem. Não creio que seja possível demonstrar que o Plano Real tenha tido impactos negativos pelo menos nos dois ou três primeiros anos. Quando houve a crise da Rússia [1998], era preciso remover a âncora cambial. No governo não faltavam críticos [à política cambial]. Porém, eu falava com eles: “O que você sugere? Você tem certeza de que a hiperinflação não ia voltar?” E o crítico saía da sala e deixava que eu tomasse a decisão.
A gente trouxe a inflação de 7.260% ao ano para 1,6% em 1998. Veio a crise de 1999, mudou-se a âncora cambial, mas a estabilização já estava conquistada. Então, zero arrependimento sobre o curso que tomamos.
O senhor conta que, naquele momento de crise cambial, o então presidente Fernando Henrique Cardoso disse ao ministro Pedro Malan [Fazenda] que estava pensando em ser mais desenvolvimentista no segundo mandato. Como o senhor se posicionou em relação a isso?
No começo de 1998, o presidente estava começando a campanha eleitoral sem nenhuma perspectiva de haver a crise da Rússia, e o pensamento dele era: ‘No meu primeiro mandato fui tão comprometido com reformas e batalhas políticas difíceis, no segundo mandato quero governar mais leve’. Não estava em dissintonia com o que a gente pensava. Eu próprio fui autor de um texto de 1995 sobre o modo como o programa de estabilização se tornava um programa de desenvolvimento.
O livro lembra que o então ministro José Serra, que era um aliado, dizia que o Banco Central fazia ‘populismo cambial’. O senhor guarda rancor de Serra?
Não, essa é a opinião que ele tem e vale para a política cambial de hoje. Eu não vejo ele usar essa linguagem, ‘populismo cambial’, para o presidente Lula. Mas poderia. A taxa de câmbio hoje não está diferente da do meu tempo. Por que no meu tempo era populismo e hoje não é?
Em geral, a moeda de países que se desenvolvem fica mais forte. Isso está acontecendo com o Brasil, e agora descobrimos petróleo no pré-sal. Devemos pensar em como conviver com essa realidade, e não achar que tem uma engrenagem em que se possa mexer para reverter esse problema, porque não tem.
O livro critica tanto os marxistas como os desenvolvimentistas, e expõe o ponto de vista do senhor. O título poderia ser ‘Cartas a um jovem economista ortodoxo’?
Não. ‘Ortodoxo’ ou ‘neoliberal’ é uma linguagem do mundo marxista dirigida ao resto do mundo. Eu não reconheço como apropriada. Existe uma corrente amplamente dominante de pensamento econômico e uma pequena corrente de pensamento de teor marxista que, no entanto, tem um espaço de mídia absolutamente desproporcional à sua importância no mundo acadêmico. Sem julgamento sobre o mérito epistemológico da reflexão marxista sobre a sociedade capitalista, mas, no mundo prático, onde vai militar o jovem economista, a perspectiva marxista do mundo simplesmente não tem importância.
Existe conflito de interesse entre as três áreas em que o senhor atuou, a academia, o mercado e o governo?
Sim, a vida é feita de conflitos de interesse. A empresa e o mercado são um permanente alinhamento de conflitos de interesse. O acadêmico talvez seja o economista que está mais isento. Mas está sempre vulnerável a patrulhamento, ao permanente questionamento de se aquele saber especializado o faz qualificado a dar uma opinião. Para que ir para a faculdade, para que ler, se você não vai adivinhar o futuro? Esse é o tipo de armadilha que desincentiva a pessoa a estudar e a ler, como se o conhecimento especializado não servisse para coisa nenhuma. Essa é a patrulha mais danosa, que discrimina o estudante esforçado, o CDF, o nerd. O mundo é dos nerds, é das pessoas que estudam, e o economista vai ser tão melhor quanto mais ele ler e estudar. Sem estudar, ninguém vai ser nada, só patrulheiro.
Para ganhar dinheiro, o economista precisa trabalhar no mercado ou pode ter dedicação exclusiva à vida acadêmica?
Ele pode ter uma vida muito digna sendo acadêmico, sim. Se o trabalho é bom, ele vai ser bem remunerado.
Inclusive em uma universidade pública?
Sim. Institutos do mundo todo contratam trabalhos de pesquisa e pagam o preço devido. Você não vai ser nenhum milionário, mas vai ter uma vida intelectual intensa, e para muita gente isso é muito bom.
Qual foi o momento mais gratificante da sua carreira?
Acho que foi o dia em que a medida provisória da URV (Unidade Real do Valor) foi para a rua. O dia 1º de março de 1994 foi o primeiro dia de quatro meses em que nós, da área econômica do governo, ficamos explicando o que é a URV. Foi ao mesmo tempo um desafio e também uma missão espetacular. Inigualável.
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Alô TI, o 2º vídeo tá com pau. Link quebrado?
É este consselho vindo do Dr.Gustavo Franco ele esta certo tem que estudar.Infelismente as pessoas as mais carentes não tem esta oportunidade que é tirada quando os gestores Público roubam os poucos recursos para a educação, saúde e atc.Então estudar mesmo só os mais abastardos. A moéda Nacional se valoriza e a grande massa ganha um salário abaixo de suas necessidades.
Não pude assistir a entrevista, não sei porque o vídeo está bloqueado no meu computador.
Independente do que o Sr. Franco deva ter discorrido, na minha opinião tem solução sim.
Transforme o real em moeda conversível e emissão para cobrir a demanda. Concomitantemente, altere a regra dos juros fixos da poupança e unifique todos os títulos do governo com base na Selic, a qual deve ser fixada em torno dos 6%. E assistiremos sua desvalorização rapidinha, rapidinha!
O repique nas exportações e a drástica diminuição das importações e das viagens compensam o déficit nas contas correntes e quem sabe um superávit legal.
Quem comprou real quer investir no Brasil? Regras rígidas e IR progressivo sobre os lucros sem exceção!
Sds.
Muito bem elaborado o seu raciocínio. Seguem alguns pontos que me intrigam:
* Poderia transformá-lo em uma hipótese a ser testada?
* Já trocou ideias com o seu professor orientador?
* É necessário considerar a participação brasileira no comércio mundial (menos de um porcento)?
* Será que podemos tornar disponível fisicamente e crível o valor do real em todas as praças cujas moedas são politicamente defendidas (USD,CHF,GBP,EUR) por países desenvolvidos ?
Grato.
Olá Sr. Roberto Campos,
Já debatemos esse assunto no blog do Ming, lembra-se?
Sem me alongar resumindo minha resposta numa pergunta, porque que é que procuram o Brasil para investimento?
Abs
Permita-me responder, o Brasil se tornou um campo farto para investimento não é mesmo? Haja visto o enorme ingresso de capital!!!
Uau! Quer melhor indicador do que aqueles lá de Nova Yorque?
O Sr. fez uma observação curiosa. Não sou estudante de economia mas tenho lido sobre o assunto e parece que deveria ter escolhido essa área. Ainda há tempo.
Sobre as moedas politicamente defendidas, a idéia não é oferecer hedge cambial a esses países, mas aos demais, que sofrem hoje com a pesada carga que o dólar impôs desde o “Nixon shock” em 1971. A China já fez uma transação em reais. Os EUA também.
A internacionalização da moeda se propõe numa concorrência saudável que deveria ser seguida pelos emergentes e outros que possuem economias pujantes como a da Austrália – sem cometer o equívoco do pesado endividamento externo que se meteram.
O Jr. citou algo que eu desconhecia, que o Sr Mendonça de Barros já defendeu essa idéia. Não sei quando ele falou sobre o assunto, mas hoje temos condições macro-econômicas ainda melhores!
Mas ainda há outros progressos que a internacionalização da moeda exigirá da sua administração: reformas estruturais e institucionais!
Repito, mesmo que seja um fiasco, há vantagens e mostra a cara da sua administração.
Abs.
Parabéns ao Dr. Gustavo Franco pela forma didática e séria que comenta e narra as verdades que ocorreram nesse país ao longo dos últimos 15 anos.A descoberta da URV , e a ancora cambial , foram sem dúvida as verdadeiras revoluções em relação a outros planos tentados anteriormente.A clareza com que coloca seus pontos de vista são uma aula para os jovens economistas e aos que gostam de estudar a história economica recente no Brasil.
Não precisa necessariamente ser um Nerd mas estudar e estar antenado com a verdade é fundamental.Me lembro bem que na crise de 1999 , quando o cambio aqui foi flexibilizado seu preço foi a 2,15 e se estabilizou a 1,70.Hoje está no mesmo preço…..mas a história economica desse país começou com o PT no poder. Senhores PeTistas,tenham um pouco mais de humildade e reconheçam o espetacular trabalho iniciado pelo governo FHC. Mais uma fez parabéns Dr. Gustavo.
Caros,
Algumas pessoas não estavam conseguindo assistir aos vídeos. Por favor, tentem de novo porque o pessoal da tecnologia mexeu em alguma coisa e já deve estar funcionando para todos.
De qualquer forma, coloquei no blog a transcrição editada do que considero os principais trechos.
Abraços
Matéria interessante e boa abordagem. Parabéns. São coisa complicadissima, se estabelecer um valor, o que seria justo correto, em um país que por decadas fez depreciação de toda ordem e sorte e por todos e quantos motivos, até periodo que anunciavam antecipadamente quanto seria, semas meses, até diziam o futuro do Brasil e seu povo seria o poço sem fundo, e os interessados e agentes do exterior confirmavam. Nossas matéria príma e o que faziam aqui não éra nada valorizado ou considerado.
O Prof. Gustavo Franco pertence a uma estirpe que faz parte da história econômica brasileira.
Seu pai, Guilherme Franco trabalhou como assessor pessoal do presidente Getúlio Vargas durante o segundo governo. Rascunhou num pedaço de papel o esboço de um banco de desenvolvimento, o BNDES, e foi convidado a fazer parte da sua diretoria quando GV o inaugurou. Ainda é o presidente do Movimento Cívico-Cultural Getúlio Vargas.
Entre erros e acertos, Franco acerta no alvo quando diz que nada pode ser feito para evitar a valorização do real.
Se o Governo é perdulário e mal planejador, o real se valoriza. Se o governo age com cautela e controla os gastos, realizando reformas etc Aí é que vão explodir os investimentos por aqui. Logo, a não ser que retornem ao jurássico controle cambial,o real continuará seguindo forte, num mundo perigando deflação e taxas baixas de juro.
Grande parte dos economistas, empresários, políticos e acadêmicos ainda insiste em tratar a questão do câmbio no Brasil como um problema conjuntural, o que é um equívoco. A atual valorização do real frente ao dólar e outras moedas resulta de uma nova realidade estrutural, ainda em fase de consolidação, que tende a tornar essa valorização ainda mais forte nos próximos anos. Por isso, exige resposta também estrutural. Exige um salto de produtividade por parte do parque produtivo nacional, que permita um reequlíbrio da competitividade de nossos produtos frente aos de nossos parceiros comerciais. Assim, medidas como baixa da taxa de juros, tributação da entrada de recursos estrangeiros, quarentena/pedágio sobre os investimentos especulativos, bem como o aumento sem limites das reservas cambiais do País, tudo isso poderá até surtir algum efeito de curtísssimo prazo, mas são medidas insustentáveis no médio e longo prazo e certamente não resolverão o problema. A (única) saída me parece óbvia, embora não tão fácil de implementar, que é atacar com firmeza e com sentido de urgência a questão do Custo Brasil, com investimentos maciços em infraestrutura, logísitca, educação e tecnologia por um lado e, por outro, com a revisão URGENTE dos nossos modelos/arcabouços tributário, trabalhista e previdenciário. Se isto não for atacado com prioridade máxima e com bastante foco, tudo o mais não passará de ações paliativas, no estilo “enxugar gelo”. Mas isso, certamente, é TAREFA PARA O PRÓXIMO GOVERNO, pois que o atual bem pouco avançou nessa agenda!
Discordo. Acho que há saida sim, há o que fazer sim. Leia o que o Soulman escreveu. A economia do GOV. com juros Selic saindo de 10,75% (BR, Campeão Munidial dos Juros Altos) e indo a 6% (taxa do Vice-Campeão, Rússia) deverá ser de aproximadamente R$ 200 BILHÕES ANUAIS.
Toldos, muitos rezam o credo e põem uma trava nos olhos, tudo o mais é heresia.
Minha sugestão numa primeira visão pode parecer inflacionária; seria mesmo enquanto a moeda permanecesse inconversível.
No entanto, há uma conjunção de fatores macro-econômicos hoje no Brasil, apesar do seu NIIP se situar algo em torno de -32% do PIB, que permitem colocar o real no mercado internacional como “hard currency” como já foi o marco alemão. O NIIP dos EUA está em torno de -24%. O da Suíça, positivo 123%, que coloca o franco suíço numa posição fantástica. Já está 1×1 com o dólar.
Além disso, há uma inversão de enfoque: passamos a vender moeda para economias sedentes de opções de reserva de valor, de hedge cambial, como China, por exemplo, ao contrário do mantra: “comprar” dólares.
Toldos e Soulman,
Enquanto os ortodoxos continuarem à frente do Banco Central, todas essas sugestões que debatemos provavelmente não serão implementadas. Foge à cartilha deles. Em relação à inflação decorrente da eliminação da esterilização dos reais, que o Soulman vem advogando, acho que pode ser tolerável e benéfica para o País, no curto prazo. Foi por isso que mencionei, em outro post anterior, que seria conveniente discutir o nível da meta de inflação, justamente para acomodar medidas desse tipo. Por que 4,5 % de meta de inflação ? Por que não 5,5 % ou 6 % ? (pelo menos temporariamente, até o câmbio se rearrumar e a taxa SELIC baixar para um patamar civilizado ?)
Soulman,
Só para esclarecer melhor sua tese: quando você propõe que a esterilização de reais seja interrompida através da troca de dólares por reais em espécie, você imagina que o incremento da base monetária decorrente dessa medida seja deslocado para circular em outros países, via conversibilidade, o que na prática não aumentaria a oferta de moeda no território nacional e, como isso, não geraria inflação ? É isso ?
aBS.
Em parte, pois você coloca troca de dólares por reais, o que eu refuto, poi é o mantra atual. O enfoque é outro, colocação do real como moeda conversível no mercado internacional. Ao ofertá-la, se for bem aceita, emissão para atender a demanda até atingir o patamar de equilíbrio nas contas, ou se não for bem recebida… bem, qual será seu destino? Desvalorização? Interessa?
Soulman
Interessa, sim. E acredito que a conversibilidade será bem aceita. O próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros, há algum tempo atrás, já dizia que o real tinha tudo para se internacionalizar. E isso já faz algum tempo.
Então, eu acho que a sua idéia é uma idéia muito boa. Eu não a havia entendido ainda corretamente.
Posta em prática, se interrompe este festival de emissão de títulos da dívida pública e o Tesouro economiza na arbitragem de juros.
E eu acho que há espaço para um pouco mais de uma possível inflação (1% a 1,5% a mais), sem grandes prejuízos para a economia.
Abs.
Primeiro, gostaria de saudar o Sílvio Crespo pela matéria. (Please, keep it up). Certamente que o conteúdo da entrevista é amplamente ilustrativo do que o leitor encontrará em “Cartas a um jovem economista”. Mesmo que para um leitor não tão jovem.
Segundo, reconhecer o direito ao desabafo do sr. Gustavo Franco, quando responde aos comentários emitidos pelos exportadores e políticos, naquela altura da campanha de 1998, durante a atuação da âncora do câmbio semi fixo e deliberadamente favorável às importações.
Naturalmente que o objetivo principal era conter a taxa de inflação, e isso era suficiente para quem tinha consciência do risco de retrocesso da situação de estabilidade monetária arduamente alcançada pelo bem sucedido Plano Real. Sou testemunha de que a chamada “âncora cambial” funcionou para conter a “memória” da cultura inflacionária e da indexação. Mesmo que eu não tivesse essa visão tão clara e mais abrangente dos fatos que disponho hoje. Isso foi importante e ninguém duvida, mesmo sem entrar no mérito da influência maléfica das crises internacionais da década de 1990.
As reformas todas da gestão FHC ajudaram a criar um ambiente de consumo próspero e favorável politicamente que, de certa forma, perdura até hoje. Mesmo tendo uma postura acadêmica serena e culta, gostei da franqueza em qualificar de “completa tolice” para a versão lulista de apropriação indébita dos créditos e das consequências abençoadas das decisões tomadas naquele período.
O Sr. Gustavo tem o meu aplauso para a afirmação de que o pensamento acadêmico baseado no marxismo é sem importância, restrito aos países da Coreia do Norte e de Cuba. Talvez tenha faltado um posicionamento mais aprofundado a respeito do momento nacional em que estamos, em meio a uma nova campanha eleitoral para os cargos do executivo e legislativo federal e estaduais, na qual jogamos um bom pedaço do nosso destino como nação.
Quanto a perspectiva de fortalecimento crescente do real frente as outras moedas fortes, faço a conexão das dificuldades que havia na década passada com as atuais em focar as metas fiscais de saldos primário e nominal. Sempre haverão pressões políticas para estourar os orçamentos. Parece-me que o ponto nevrálgico estaria na forma de como usar o poder político para manter a estabilização econômica alcançada. As perspectivas não estão boas nessa atual conjuntura.
Estou interessado no livro.
Obrigado, Roberto Campos.
Abraços
Apesar da eterna polêmica com economistas kaleckianos e marxistas…Excelente colocação a respeito dos economistas acadêmicos…Realmente uma vida intelectual ativa pode ser melhor q ficar deveras abastado financeiramente.
Gustavo Franco foi o cara da âncora cambial. Inventou um valor pro dólar ao qual ficamos ancorados e fomos todos para o fundo com a âncora. Agora vem dizer que nao dá pra segurar a moeda. Teria G.F.aprendido ou é só falta de coerência mesmo? ah, sem estudo além de patrulheiro dá pra ser também PRESIDENTE do Brasil. Livrai-nos do mal, amém!
Ahahahah! Muito gozado! Ainda bem que sobrevivemos da ida ao fundo para testemunharmos outra âncora cambial que vai nos levar ao fundo novamente. Haja fôlego, ein, amigo!
Mas pensando bem, sabe que cê tá com razão! O negócio é esse, vai ao fundo e resgata, respira, vai ao fundo e resgata, respira, vai ao fundo e resgata, respira, vai ao fundo e resgata, reeeeeeeeeepiiiiiiiraaa, vai ao fundo, vai ao fundo e….
Eu confesso! Não entendo nada de economia, eu só queria saber como a Rússia sai do feudalismo, para ser a segunda potencia mundial em cem anos. A China conseguiu ser o que e em 40 anos, e o Brasil em quinhentos ser esta “M”. Sem Arte sem Educação, sem saúde, sem esgoto, sem moradia, e com a velhice abandonada e todo o seu conhecimento perdido e etc.
Embora o Sr. Gustavo Franco possa receber algum crédito por ter participado da equipe que planejou e implementou o Plano Real, a atuação dele à frente do Banco Central foi extremamente perniciosa para o País.
Ele foi um dos principais responsáveis pela explosão da dívida pública no primeiro mandato de FHC, com sua política ortodoxa neoliberal de juros siderais, cujas consequências estamos sentindo bastante hoje. Na época, a Maria da Conceição Tavares fez a seguinte observação: “deram poder demais a esse menino e ele não tá sabendo lidar com isso”.
Relembrando, ele foi a pessoa que tornou popular a expressão “saco de maldades”, que foi usado de forma sistemática durante o governo FHC.
O José Serra, economista desenvolvimentista, está sofrendo até hoje as consequências políticas de ter convivido durante o governo FHC com monetaristas frios e insensíveis como o Sr. Gustavo Franco.
Achei que a idade tinha trazido mais sabedoria e entendimento do mundo para o Sr. Gustavo Franco, mas parece que a sua ortodoxia continua inabalável, como se percebe pelo seu comentário de que “não ha remédio para a apreciação do real”, tese brilhantemente desmontada pelo Soulman em comentário acima.
Jr, concordo com sua exposição sobre o Prof. Gustavo Franco. Homem inteligente e erudito, teria condições de colocar o real em outro patamar mas preferiu se curvar à sua ortodoxia, apesar de nega-la.
Também achei que a idade a a nova geração de de que faz parte pudesse acrescentar algo ao nosso Brasil. Sua pose na capa do livro me remonta aos tempos de GV, dos quais seu pai fez parte!!!
Isso, Soulman. O Sr. Gustavo Franco é um “jovem homem velho”, rezando pela antiga cartilha neoliberal, fechado para a nova realidade do século XXI. Mesmo depois de ter causado tantos prejuízos ao País com a sua ortodoxia monetário/cambial.
esse é o Gustavo Franco
ex BC
insustentável
qq opinião dele
o q será q o Edmar Bacha pensa a respeito
a reeleição do FHC nos custou a manutenção do dolar “congelado” com as mini desvalorizações do Sr. Gustavo.
Todos se lembram que dias após a reeleição o câmbio explodiu e com ele a dívida pública.Não fora a reeleição o pais certamente estaria melhor hoje com juros menores e sem esta invasão de dolares especulativos que valorizam artificialmente o Real.
O Gustavo Franco de ter “aprendido”. No Governo FHC ele foi causador de “queimar” 40 bilhões de nossas reservas no sentido de “sustentar” o cambio em favor – princilamente- dos “banquinhos” Cidam e Marka ( leia-se Cacciola). O mais temerário, houve denuncias de que recebiam 50 mil dolares mensais pra promover essa “segurada” no cambio enquanto os “banquinhos” vendiam – sem ter lastros e apenas no escudo do Banco Central- d´slares abaixo das projeções de mercados futuros….. Emfim o BC teve de “socorrer” os dois “banquinhos” com quase 2 bilhões de dólares pra honrarem compromissos meramente especulativos, fruto de negociatas nefastas entre “gente” do mercado financeiro e o BC.
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fOI MUITO BOM O dR. gUSTAVA fRANCO (gRANDE eCONOMISTA), REPORTAR-SE A MARÇO DE 1994. o sENHOR fhc, JA ESTARIA SE DESEMCOMPATIBILIZANDO DO CARGO (mINISTRO DA fAZENDA DE iTAMAR fRANCO), E ASUMINDO O sR. cYRO gOMES. dEPOIS DO pLANO IMPLANTADO FOI FÁCIL CONDUZI-LO. nUNCA HOUVI DAQUELE sENHOR fhc, NENHUM ELOGIO A iTAMAR, cYRO OU MESMO AOS ECONOMISTAS QUE IMPLANTARAO O REAL (ANTES A URV) BEM LEMBRADO SER.GUSTAVO.PARABENS
GRANDE Gustavo!
Grato por tudo que você fez por mim – um simples engenheiro – e por todo o país, com sua inteligência e competência.
Que Deus lhe proteja em todos os Projetos de sua vida.
Grande abraço.
Por favor, me exclua dessa lista e também milhões de brasileiros que ficaram abaixo da linha da pobreza, enquanto poucos ganharam horrores.
Se hoje o ex-presidente FHC tem uma grande rejeição deve pelo menos 50% ao GF.
Caro Eduardo Godinho,
Durante a entrevista, nós entramos numa discussão sobre a atuação dos governos FHC e Lula na área social. Como estava fora do foco principal da conversa (o objetivo era falar sobre o livro), cortei esse trecho. Mas, lendo o seu comentário, seria leviano da minha parte não informar a opinião de Gustavo Franco sobre o assunto. Ele disse o seguinte:
‘Não vejo diferença entre a preocupação com questões sociais nos governos FHC e Lula. No governo FHC, a melhor política social que poderia ser feita era consolidar o fim da hiperinflação.’ Segundo ele, isso reduziu a pobreza no País.
Grato pelo comentário.
Abraços
Caro Sílvio
Obrigado por sua atenção.
Eu não questiono a política social de FHC e Lula, até porque sou uma pessoa que anula os votos a várias eleições.
A minha discórdia foi quanto a condução que Gustavo Franco e Malan deram a economia brasileira, na época eu trabalhei em uma corretora de câmbio e mesmo lá dentro, era considerada excessiva a política de juros que o país usava.
Mas é bom ler qual era a opinião do GF, mesmo eu sendo contrário a ela e a política cambial, pois estamos em um país livre e o debate de idéias é sempre o melhor caminho!
Um grande abraço,
Caro Sílvio,
Muito providencial sua intervenção. É bom que a opinião de todas as partes seja colocada.
Concordo com a opinião do Eduardo Godinho. Não se trata de comparar a administração Lula com a de FHC . Trata-se de availiar os benefícios e prejuízos que os administradores públicos proporcionam ao País.
Os grandes benefícios trazidos para o País pela equipe que formulou o Plano Real em 1993/1994(incluindo o Sr. Gustavo Franco), através da estabilização monetária, foram anulados pela gestão ultraortodoxa e autossuficiente do Sr. Franco à frente do Banco Central, que prolongou uma paridade cambial totalmente artificial, através do uso de taxas de juros estratosféricas. Uma das consequências funestas dessa gestão foi a explosão da dívida interna, cujas repercussões estamos sofrendo até hoje, pagando mais de 200 bilhões de despesas de juros anuais, importância que poderia estar sendo aplicada em saúde, educação e infra-estrutura.
Vale lembrar que essa montanha de despesas com juros, hoje, está sendo paga com uma taxa SELIC (ainda alta) de 10,75 % aa, mas que é praticamente 1/4 do pico da taxa de juros praticada pela gestão do Sr. Franco, quando chegou a perto de 50 % aa.
Abs.
0 nosso país é um laboratório experimental,se uma medida implementada der certo ok e senão der não cobramos o prejuízo ocorrido. 0senhor GF deixou muita gente rica.
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Excuse my language, but for those of interest I read your comments with a little perplexity, so I must ask a somewhat simple question to the good professor;
It is my perception(possibly wrong) that the policy ‘real’ is from top-down, and the economic ‘float’ of Brazil is from bottom-up. The much lauded ‘miracle’ in Brazil is the bottom-up activity which has been the result of dollar and other currency influx; thus the desire to restrain dollar inflows. It is this bottom-up economy that ‘is’ the basis of Lula and PT popularity(of this I am quite certain). So, my question is this, “When Brazil supports the dollar, is that political or economic consideration, and at what point of dollar valuation should this practice be discontinued?”
Muto Obrigado
Sir, I my opinion, and other´s I might add, there is no desire to restrain dollar influx. One of our concerns is the cost in keeping current levels of foreign reserves over 200 or maybe 300 billions of dollars. Also why, since we have free-floating exchange rate policy, should the brazilian Central Bank intervene in the market buying dollars that comes in as investment and, at the same time issues T-bonds to absorb and avoid the equivalent real to circulate, which could, by the way, devaluate it to the desired level.
Esse sr. atrapalhou demais esse país, sem dúvida foi o que de pior teve o Governo FHC! Manter a inflação sob controle com uma taxa de juros de 49% AA até meu filho de 4 anos…
O interessante é que ele ainda quer dar conselhos aos jovens economistas. Imagine se a nova geração de economistas segue os conselhos dele. O que será do nosso País …
Só existe liberalismo? Não dá para manter o câmbio em um patamar competitivo? Não existe a alternativa de baixar a remuneração da dívida pública, mesmo os nossos patamares sendo os únicos no mundo? Parabéns pela maior transferencia de recursos de um estado democrata para os financistas na era pós colonial, e por tudo que lhe deve a industria nacional, e pelo seu “imenso” patriotismo.
Gustavo está certo quando diz que estudar é o caminho, pena que nas Universidades brasileiras não se faça nada parecido com isso já que são inteiramente dominadas por keynesianos que não conseguem ver um milimetro alem disso. Quem quer conhecer a Ciencia Economica de verdade no Brasil só tem uma opção: Estudar por conta propria.
A diferença é a China, e o modelo de moeda sem valor e mercadorias, com trabalho quase de graça, enriquecendo o comércio, já se faz sentir causa um enorme desemprego onde as coisas funcionam de modo contrário, ou, e, quem compram tais mercadorias e se enriquecem com esse comércio (USA, EURO, JAPÃO), com Estados gastando fábulas para manterem a si próprios (rsrsr), está anunciando um Futuro desagradável, com mais miséria, mais disputas, mais atritos, mais coisas ruins. Só nós conseguimos ver coisas boas e, fora assim após o fim da II Guerra. Mas a Guerra agora é outra e, já fora publica matéria a respeito no próprio Estadão, é a guerra daa moedas. Se vale muito compra-se também muito e vende pouco, pois, vice-versa. HELP! Mediocridade brasileira… Vmmos ver quanto tempo,MAIS, vamos tolerar os Chineses!!!!!!!!