Empresas espionam internautas; veja ranking da privacidade
4 de agosto de 2010 | 10h19
Sílvio Guedes Crespo
Atualizado às 13h30
John Nardone tenta resumir em uma frase o quanto os internautas estão expostos a cada clique: “Nós nunca deixamos de saber algo sobre alguém”. Esse sujeito é o presidente de uma empresa norte-americana chamada [x+1], cuja função é espionar os usuários da internet e fornecer os dados a companhias interessadas.
O depoimento de Nardone faz parte de uma extensa reportagem publicada nesta quarta-feira, 4, no diário The Wall Street Journal sobre um negócio que hoje vale mais do que ouro: a coleta de dados privados por meio da internet.
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Não se trata de companhias que trabalham com dados fornecidos por clientes, como faz, por exemplo, a loja virtual Amazon, que sabe quem comprou o quê. O grande negócio da espionagem do consumidor está em construir “vastas bases de dados do comportamento das pessoas na internet – reunidos secretamente por tecnologias de rastreamento que se tornaram onipresentes em sites por toda a internet”, afirma a reportagem.
Empresas como a [x+1] conseguem saber se a pessoa tem casa própria, qual a renda familiar, estado civil, restaurantes favoritos, entre outras informações.
O site do Wall Street Journal até publicou um álbum de fotos e dados de alguns “personagens” para mostrar como a companhia traça rapidamente o perfil dos internautas. Paul John Boulifard, por exemplo, mora em Nashville (Estado do Tennessee), “adora viajar” e compra carros usados.
A instituição financeira Capital One Financials é um dos clientes da [x+1]. Ela comprou dados pessoais para decidir quais cartões de crédito oferecer a quem entra no site da empresa pela primeira vez. A conclusão foi de que o cartão certo para Boulifard é o “Venture One Rewards Card”, para “pessoas com excelente crédito, que começa com 0% de juros até 2011 e depois cobra 13,9% ao ano, sem anuidade.
Ranking da (falta de) privacidade
O nível de exposição do internauta varia de acordo com o site. O Wall Street Journal fez uma lista com os 50 sites mais populares dos EUA, além da página do próprio Journal, e criou um “índice de exposição”. Esse indicador mede o número de arquivos de rastreamento de internautas instalados em cada site.
Na prática, esta é uma forma possível de ranking da privacidade - ou da falta dela. Não é um ranking único e definitivo porque, na internet, a privacidade depende de outros fatores além do número de tecnologias de rastreamento dentro de um site.
O MSN.com, por exemplo, oferece um nível alto de exposição do internauta, segundo o jornal. O que deixa o internauta mais vulnerável é o dictionary.com.
O curioso dessa história é que duas das empresas que mais vêm sendo questionadas como invasoras de privacidade – o Google e o Facebook – são classificadas entre os de baixo índice de exposição. Isso porque o indicador se refere ao número de ferramentas de rastreamento, que, nesses dois sites, é pequeno.
Veja o ranking elaborado pelo jornal, com os 50 sites mais populares nos EUA:
| Site | Índice de exposição | Nº de arquivos de rastreamento |
| dictionary.com | Muito alto | 234 |
| merriam-webster.com | Alto | 131 |
| comcast.net | Alto | 151 |
| carrierbuilder.com | Alto | 118 |
| photobucket.com | Alto | 127 |
| msn.com | Alto | 207 |
| answers.com | Médio | 120 |
| yp.com | Médio | 89 |
| msnbc.com | Médio | 117 |
| yahoo.com | Médio | 106 |
| aol.com | Médio | 133 |
| wiki.answers.com | Médio | 72 |
| cnn.com | Médio | 72 |
| about.com | Médio | 83 |
| cnet.com | Médio | 81 |
| verizonwireless.com | Médio | 90 |
| imdb.com | Médio | 55 |
| live.com | Médio | 115 |
| att.com | Médio | 58 |
| walmart.com | Médio | 66 |
| bbc.co.uk | Médio | 45 |
| ebay.com | Médio | 42 |
| ehow.com | Médio | 55 |
| amazon.com | Médio | 38 |
| espn.com | Médio | 61 |
| myspace.com | Médio | 108 |
| wsj.com | Médio | 60 |
| go.com | Médio | 68 |
| chase.com | Médio | 31 |
| ask.com | Baixo | 44 |
| wheather.com | Baixo | 36 |
| flickr.com | Baixo | 34 |
| wordpress.com | Baixo | 25 |
| target.com | Baixo | 32 |
| paypal.com | Baixo | 23 |
| linkedin.com | Baixo | 20 |
| mapquest.com | Baixo | 38 |
| mozzilla.com | Baixo | 21 |
| bing.com | Baixo | 59 |
| twitter.com | Baixo | 17 |
| bankofamerica.com | Baixo | 11 |
| apple.com | Baixo | 14 |
| adobe.com | Baixo | 30 |
| microsoft.com | Baixo | 41 |
| facebook.com | Baixo | 4 |
| blogger.com | Baixo | 8 |
| google.com | Baixo | 26 |
| mywebsearch.com | Baixo | 6 |
| youtube.com | Baixo | 14 |
| craiglist.org | Baixo | 4 |
| wikipedia.org | Baixo | 0 |
Como é feita a espionagem
O site do Journal traz um infográfico explicando: “Quando um usuário como você entra na internet e acessa um dos sites mais populares, essa visita pode ativar centenas de rastreadores eletrônicos que enviam informações sobre você a diversas empresas”.
Leia a reportagem no site do Wall Street Journal (em inglês)
Veja o ranking da privacidade nos 50 sites mais populares dos EUA
Confira dados coletados pela [x+1] sobre internautas americanos
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O americano é extremamente obcecado com privacidade, mas com menos de 50 dólares você levanta praticamente a vida inteira de qualquer pessoa. Não existe mais privacidade no mundo ocidental.
“Não existe mais privacidade no mundo ocidental”… No Japão tem privacidade? a Rússia tem? A China consegue privacidade?
Ou é melhor no Irã???
TO STRESSADO!
Ai meu Deus!!! A minha vida é um livro aberto!! Cruzes!! Quanto estresse!!
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