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Colunista do Guardian diz que Serra usa estratégia republicana

Sílvio Guedes Crespo

sexta-feira 18/06/10

Para articulista, candidato não obterá votos atacando política externa

Atualizado às 17h32

“Por que José Serra e seu partido defendem uma política externa de direita?” A pergunta, do colunista Mark Weisbrot, do jornal britânico The Guardian, é mais uma etapa do debate internacional sobre a atuação do Brasil no cenário global.

Depois de uma comentarista do Wall Street Journal chamar o governo brasileiro de “tolo” e de uma reportagem da revista Economist afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está minando as chances de uma reforma na Organização das Nações Unidas, o articulista do Guardian saiu em defesa da política externa brasileira e criticou o candidato à Presidência José Serra.

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“Para as eleições, a oposição adota uma estratégia de política externa do Partido Republicano – mas o Brasil não é os Estados Unidos”, afirma o articulista.

Na opinião de Weisbrot, Serra criticou o governo da Bolívia por um motivo eleitoral. O articulista avalia que a economia brasileira caminhou “muito melhor nos oito anos de Lula do que nos oito anos anteriores do PSDB”, o que leva Serra a buscar outros temas para contrastar sua posição com a da candidata do governo, Dilma Rousseff.

Analogamente, na visão de Weisbrot, Bush e seu partido também buscavam votos em assuntos não relacionados à economia, enfatizando que eram mais duros na política externa.

Em maio, Serra dissera que o governo da Bolívia certamente estaria envolvido na exportação de cocaína para o Brasil.

“O governo de Evo Morales lutou contra o tráfico de drogas com mais esforços e menos corrupação do que seus antecessores; há uma distinção clara para o governo Morales entre coca, que é legal, [...] e cocaína”, argumentou Weisbrot, citando um documento da organização não-governamental WOLA (Washington Office on Latin America) e outro da Drugs and Democracy.

Entre os membros da comissão latino-americana da Drugs and Democracy está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de outros brasileiros como o general Alberto Cardoso e João Roberto Marinho.

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Weisbrot acrescenta que Serra tem evitado criticar outro polêmico vizinho do Brasil, a Venezuela, “talvez por saber que Chávez poderia revidar com força e levar a discussão sobre assuntos externos para um embate mais forte do que seria interessante para a campanha”.

Mas o autor avalia que essa estratégia de criticar a atuação do atual governo no exterior, mesmo no caso da aproximação com o Irã, não dará votos a Serra. Ele considera que a tentativa do Brasil e da Turquia de mediar um acordo com o Irã é “um avanço na diplomacia internacional”.

“Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esforçaram-se para prevenir outra guerra horrível e desnecessária no Oriente Médio. [...] Essa mensagem positiva tem mais chance de angariar votos no Brasil”, opina o articulista.

Leia o artigo na íntegra no site do Guardian (em inglês)