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Twitter ajuda ações da Telebrás a saltarem 20% em 1 dia

4 de fevereiro de 2010 | 16h19

Sílvio Guedes Crespo

Informações veiculadas por meio do serviço de microblogs Twitter contribuíram para provocar um salto de 20,47% nas ações da Telebrás na quarta-feira (3). O volume de negócios também foi alto, notou o site Convergência Digital. A empresa tem sido apontada (sem confirmação oficial) como provável gestora do Plano Nacional de Banda Larga do governo.

A analista da corretora SLW Rosângela Ribeiro, que acompanha o setor de telecomunicações, citou três informações importantes a ponto de levar investidores a comprar papéis da estatal na quarta-feira. Uma é que o governo quer que o preço da banda larga caia 70%; outra, que as classes C e D tenham acesso à internet rápida; por fim, que a meta do governo é atingir 4.238 municípios até 2014.

As três informações foram divulgadas em primeira mão por meio do Twitter pelo coordenador da Associação SoftwareLivre.org, Marcelo Branco (@marcelobranco). Ele estava presente em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e representantes da sociedade civil.

As especulações de que a Telebrás operará no programa de banda larga não são novas. Nos últimos 12 meses, as ações da empresa avançaram 1065%; só neste ano, a alta acumulada está em 294%. Mas nos cinco dias úteis imediatamente anteriores à reunião a variação estava bem menor do que a de ontem, entre 10% e -4%.

A novidade é que, em meio a tantos rumores não oficializados, o Twitter entrou na lista dos veículos que podem trazer informações relevantes para o mercado. “A gente, como analista, tem que acompanhar tudo. Nós não desprezamos informação. O que a gente faz é atribuir voto de confiança à medida que as notícias vão se confirmando”, afirma Rosângela.

Ela ressalvou que ainda não está recomendando as ações da Telebrás a seus clientes porque espera as informações se confirmarem. Mas acredita que as notícias veiculadas por Branco pelo microblog influenciaram investidores dispostos a assumir um risco maior.

Branco, que não é do governo, disse que as informações dadas “não são oficiais”, mas “são públicas”, pois a reunião incluía diversos representantes da sociedade civil.

“Eu perguntei [a Lula]: ‘quando tu vai ter teu Twitter?’ [sic] Ele sorriu e depois me autorizou a pegar o celular. Mas ninguém perguntou o que eu estava postando. A responsabilidade do conteúdo é minha, não do presidente”, relatou Branco ao Radar Econômico.

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10 Comentários Comente também
  1. Enviado por: João José Werzbitzki

    Isso é legal? Não é informação privilegiada?

    • Enviado por: Sílvio Guedes Crespo

      Caro João José Werzbitzki,

      Não vejo problema nesse caso, porque era uma reunião com representantes da sociedade civil. O Marcelo Branco, na condição de coordenador de uma rede de colaboradores de desenvolvimento de software livre, estava lá não só para apresentar as propostas dessa rede ao governo, como também para relatar aos membros da associação o que ocorreu na reunião.

  2. Enviado por: Luiz Queiroz

    Caro Silvio

    Em primeiro lugar, obrigado pela citação do portal. O Marcelo Branco não é o responsável sozinho por toda a movimentação com as ações da Telebras. Já informei isso em meu blog. De 2007 para cá, quando começou a se discutir o PNBL, as ações sairam de algo em torno de R$ 0,06 para quase R$ 4,00. Durante todo esse tempo, informações vazaram e até foram dadas pelo governo como no caso de Hélio Costa, que vem sendo investigado já há mais de um ano pela CVM. Num processo que nunca é concluído. Aliás, creio, não me lembro bem, que Costa gerou um pico nas ações bem maior que o que ocorreu com o do Twitter. Concordamos que o Twitter merece ser melhor estudado (já tem sido) pois está se revelando numa poderosa ferramenta de comunicação. Nosso questionamento enquanto portal de notícias especializado em TI e Telecom ( não em mercado financeiro), foi que tal reunião do PNBL com a “sociedade civil”, que se iniciou por volta das 17h30 terminou sendo transmitida no Twitter ainda com a Bovespa aberta, por alguém que estava em frente ao presidente. Não nos parece cabível tal coisa, como também não seria a transmissão em tempo real daquilo que fosse dito durante a reunião do Copom. A imprensa nacional estava no dia na cobertura do PNBL. Por razões que não cabe à mim explicar, preferiu falar da novidade do Twitter, no dia seguinte, mas evitou avaliar o impacto dessa novidade com as ações da Telebras. Ficamos praticamente sozinhos com essa pauta (revista Teletime também publicou). Desde 2007 cobrimos esse assunto. Nunca antes o governo tinha sentado com a imprensa para falar oficialmente do plano e muito menos da Telebras (exceção para Hélio Costa, mas não foi entrevista coletiva). Sobre Telebras sempre nos foi dada a mesma desculpa: O governo não pode falar, porque não pode manipular as ações da companhia. Também nenhuma outra reunião do PNBL foi transmitida no Twitter ou vazada por qualquer outro meio de comunicação. Ontem duas reuniões começaram e terminaram em completo silêncio e com um pedido dos membros do governo para que os convidados evitassem expor mais ainda o PNBL, sob a desculpa de que o presidente Lula ainda “não conhece os detalhes do plano”. Só cobramos responsabilidade do governo na condução do PNBL. Ou pelo menos tratamento isonômico, pois também sabemos usar o Twitter. Sobre o PNBL, entendemos que será interessante de acompanhar nos próximos anos o tema pelo seguinte prisma: O uso social de uma rede pública de banda larga, em contraponto ao atual monopólio privado nos preços pela prestação deste serviço.
    Abs. Luiz Queiroz

    • Enviado por: Sílvio Guedes Crespo

      Caro Luiz, de fato é uma questão delicada. Nem de longe eu a pretendi esgotar com esse post. Ao contrário, penso em voltar nesse assunto nos próximos dias, estimulado pelo que tenho lido, inclusive este comentário que você deixou aqui no Radar Econômico.
      Obrigado pelas observações.
      Abs.

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