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PIB dos EUA já é maior do que antes da crise de 2008

27 de janeiro de 2012 | 13h34

Sílvio Guedes Crespo

Atualizado às 17h45

numero_do_dia_138_80.JPGNúmero do Dia: US$ 13,3 trilhões

Foi o PIB dos EUA em 2011, pela 1ª vez acima do nível pré-crise

 

Com todos os problemas que vem enfrentando, a economia dos Estados Unidos nunca produziu tanto como no ano passado, segundo dados do Departamento do Comércio americano.

Pela metodologia mais utilizada, que calcula o PIB (produto interno bruto) com preços de 2005, a economia dos EUA movimentou US$ 13,313 trilhões no ano passado. Com esse resultado, o PIB americano recupera o mesmo patamar verificado antes da crise. Em 2007, a atividade econômica no país produziu US$ 13,2 trilhões.

Preços de 2005?

A comparação entre o PIB de diferentes períodos toma como base os preços de um determinado ano, para evitar distorções causadas pela inflação. Isso significa que, se no ano passado tudo o que os EUA produziram fosse vendido a preços de 2005, a economia teria movimentado aqueles US$ 13,3 trilhões citados acima.

O governo divulga também o PIB a preços correntes, mostrando que, de fato, o país produziu em 2011 mercadorias no valor total de US$ 15,1 trilhões.

Esse número, no entanto, diz pouco em comparações entre períodos. Quando o governo afirma que a economia dos EUA cresceu 2,8% no último trimestre do ano passado, por exemplo, refere-se ao cálculo com preços de 2005.

Abaixo, o PIB americano a preços de 2005 (em trilhões de dólares):

2007 13,2
2008 13,2
2009 12,7
2010 13,1
2011 13,3

.

Os dados anunciados pelo governo americano nesta sexta-feira, 27, são preliminares. Uma revisão será divulgada no dia 29 de fevereiro.

Veja no gráfico o PIB dos EUA desde 1929.

Crise persiste

Esses números de maneira nenhuma significam que os EUA tenham saído da crise. Apesar de o PIB estar no mesmo nível de 2007, em dezembro daquele ano, por exemplo, a taxa de desemprego estava em 4,9%; já em dezembro último, em 8,5%.

O economista Júlio Hegedus Netto, do Instituto Millenium, explica o que está havendo:

“A economia norte-americana vem crescendo, nos últimos meses, baseada no crédito. O governo dos Estados Unidos trabalhou fortemente em uma política de estímulo da demanda. Assim, o consumo das famílias aliado ao consumo do governo, que está investindo pesadamente em obras públicas, estimulou a economia novamente.

Apesar dessa recuperação, o páis continua em crise e com uma elevada taxa de desemprego. Isso porque o setor que mais sofreu os efeitos da crise foi o imobiliário, por conta da bolha. E este setor emprega muita mão-de-obra. Como as pessoas ainda estão extremamente endividadas, pagando suas hipotecas, o setor imobiliário não conseguiu sair do prejuízo. As pessoas estão, sim, consumindo, mas não plenamente. Elas não estão com condições de consumir um imóvel, o que reduz a taxa de atividade do setor e, portanto, reduz as ofertas de emprego.

Sendo o setor imobiliário um dos que mais empregam pessoas no país e que, infelizmente ainda sofre prejuízos da crise de 2008, é fácil entender por que o desemprego norte-americano segue elevado. O governo injetou muita liquidez na economia, mas o consumo no país ainda não chegou à sua plenitude. A crise continua.”

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Imprensa externa liga acidente no Rio a despreparo para Copa

26 de janeiro de 2012 | 15h33

Sílvio Guedes Crespo

Atualizado às 16h58

O desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro foi noticiado em inúmeros sites internacionais. Alguns deles associaram o acidente a um possível despreparo da infraestrutura do Brasil para sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Os sites levantaram a questão apesar de as autoridades ainda não terem identificado precisamente o que causou o desastre. Existe a hipótese de que obras ilegais teriam provocado problemas estruturais em um dos prédios.

“A queda de edifícios no Rio de Janeiro levanta dúvidas na medida em que a Copa e as Olimpíadas se aproximam”, diz o título de um texto no site do “Financial Times“. O veículo de comunicação lembra que houve outros acidentes do tipo recentemente no Rio: em 1998, a queda de um edifício residencial na Barra da Tijuca, e no ano passado, a explosão de gás que matou oito pessoas em um restaurante, no Centro carioca.

Um vídeo em inglês distribuído pela agência Reuters (veja abaixo) afirma no final que as autoridades tentam minimizar as críticas de que o país seria “incapaz de aprimorar sua infraestrutura antes de hospedar a Copa em 2014 e as Olimpíadas dois anos depois”.

A Agence France Presse despachou um texto com um comentário na mesma linha: “O acidente levantou novas questões sobre o estado da infraestrutura no Brasil no momento em que a economia dominante da América Latina se prepara para abrigar a Copa do Mundo e as Olimpíadas de Verão”.

O site “The Christian Science Monitor” pergunta, logo no título de um texto sobre o acidente: “O Brasil estará pronto para as Olimpíadas?”. Diz o autor: “O colapso de três prédios no Centro do Rio de Janeiro soa como um duro alerta para os brasileiros, na medida em que o País corre para construir residências, hotéis, estruturas de transportes e outros projetos antes da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Também citaram a preparação para os jogos esportivos na notícia do acidente os sites do “Wall Street Journal“, do “International Business Times” e da CNN.

Opine

Gostaria de ouvir a opinião do leitor sobre o assunto: você concorda que o acidente no Rio seja um sinal de que o Brasil terá dificuldade para preparar a infraestrutura para a Copa e as Olimpíadas? Ou seriam duas questões separadas?

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Kirchner acusa Petrobrás de cartel e ameaça: ‘Acabou a esperteza’

26 de janeiro de 2012 | 12h18

Sílvio Guedes Crespo

Atualizado às 14h06

la_nacion_cristina_kirchner_petrobras_reproducao_26012012.jpg

Em seu primeiro discurso de 2012, também a primeira aparição pública após seus 20 dias de licença médica para operação de tireoide, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, atacou as companhias de petróleo em operação no país, entre as quais se inclui a Petrobrás.

O assunto foi destacado nos dois principais jornais portenhos, “Clarín” e “La Nación“.

A presidente acusou as empresas de formar cartel, recusar-se a investir na produção e praticar sobrepreço no país. No ano passado, a Argentina teve que importar combustíveis no valor total de US$ 9,3 bilhões, um aumento de 110% em relação a 2010, lembra o jornal “Clarín”. O motivo, segundo o governo, é redução da produção, e não aumento da demanda.

Pelo tom da presidente, é possível que o combate ao que ela chama de cartel dos combustíveis seja uma tônica no segundo mandato de Kirchner, reeleita no ano passado. Ela disse que “revisar essas distorções” são “a sintonia fina” que propôs para o seu segundo período na Casa Rosada.

Ameaça

No discurso, Kirchner disse que “o subsolo é dos argentinos” e ameaçou tomar providências para que as companhias invistam na produção: “Vou usar todos os instrumentos que a Constituição e as leis permitem para defender os interesses dos 40 milhões de argentinos”.

Segundo o Clarín, o governo acusou Petrobrás, Repsol-YPF (hispano-argentina), Esso (americana), Shell (anglo-holandesa), e Oil Combustibles (argentina) de “abuso de posição dominante e cartelização no mercado de combustíveis”.

No discurso, a presidente também atacou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, por causa do conflito nas ilhas Malvinas. Também falou sobre os meios de comunicação, a oposição, sua operação de tireoide e seu marido, Néstor Kirchner, morto em 2010.

Briga antiga

Não é de hoje que o governo argentino briga com as petrolíferas. Em 2010, o país passou por uma escassez de combustível que o obrigou a importar gasolina pela primeira vez em três décadas.

Na ocasião, o governo acusou especificamente a Shell, a Esso e a Petrobrás de reduzir a produção e o refinamento de petróleo e de diminuir também a venda de combustíveis nos postos. A estatal brasileira negou as afirmações do governo argentino.

Antes mesmo de precisar importar, o governo já vinha acusando as petrolíferas de investirem pouco. Em 2008, a Petrobrás foi multada na Argentina por ter sido considerada uma das responsáveis pela falta de combustíveis.

À época, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, afirmou: “Que as petroleiras entendam que não vieram aqui para passear, mas para extrair petróleo, para dar bem-estar aos habitantes e manter o mercado devidamente abastecido”.

A Petrobrás e outras companhias afirmaram, na ocasião, que a falta de combustível foi gerada por “problemas de logística”.

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Guia admite que EUA hoje recebem melhor os brasileiros

24 de janeiro de 2012 | 17h24

Sílvio Guedes Crespo

Mais uma reportagem nos Estados Unidos mostra a relevância que os brasileiros estão ganhando como turistas internacionais – ou a importância de ter dinheiro no bolso para ser bem recebido.

Depois de “New York Times“, “Wall Street Journal” e “Financial Times” noticiarem que os brasileiros estão gastando bilhões nos EUA, agora a rede de televisão CNN exibe uma reportagem mostrando que uma “invasão” de turistas vindos do país sul-americano “impulsiona” o comércio na Flórida.

No site da emissora, a reportagem de vídeo vem acompanhada de um texto que inclui a seguinte afirmação de um guia turístico: “Alguns anos atrás, os turistas brasileiros não eram bem-vindos pelos lojistas no Centro e no Sul da Flórida”.

A matéria não identifica o profissional nem a sua nacionalidade, mas explica que, agora, o discurso mudou. “‘Oi, sejam bem-vindos’ [em português mesmo] é uma frase cada vez mais ouvida nos pontos turísticos da Flórida”, afirma a CNN.

Os brasileiros superaram todas as outras nacionalidades em visitas a esse Estado americano, com uma alta de 41% em 2011 em relação ao ano anterior, o que é percebido pelo comércio local. “Os brasileiros estão normalmente carregados de dinheiro e prontos para limpar as prateleiras dos outlets de produtos de marca”, diz a reportagem.

Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, foi à Disney World, em Orlando, na Flórida, para anunciar que vai facilitar a concessão de vistos para turistas de países como Brasil e China.

Os brasileiros já são o quinto maior mercado para o setor de turismo americano. Em 2010, turistas do país sul-americano gastaram US$ 6 bilhões nos EUA. O governo americano espera que neste ano receber 1,5 milhão de brasileiros.

Até 2008, a situação era diferente. Notícias de deportação de brasileiros eram a regra; incentivo à concessão de vistos, assunto praticamente inexistente.

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Investidor confia em Espanha recessiva e sem emprego

24 de janeiro de 2012 | 13h29

Sílvio Guedes Crespo

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A Espanha vai andar para trás neste ano, e os investidores não parecem preocupados no curto prazo.

Um dos países que mais têm preocupado os mercados financeiros, a nação ibérica conseguiu vender nesta terça-feira, 24, títulos com vencimento em três e seis meses oferecendo rendimento inferior a 2%. É uma grande melhora em relação a um mês atrás, quando os investidores não aceitaram juros menores do que 5%, lembra o site “El Mundo“.

O curioso é que, quando se fala em um prazo um pouco mais longo (um ano), nem o próprio governo está confiante em melhorar as contas públicas dentro do previsto, como informa o jornal “El País“. “O certo é que no executivo está tomando força a ideia de que é quase impossível reduzir o déficit [fiscal] à metade durante a recessão”, afirma o diário.

Por recessão, o jornal se refere às projeções do banco central espanhol para 2012: retração de 1,5% do PIB (produto interno bruto), queda de 9% nos investimentos, diminuição de 3% do nível de emprego (sendo o quinto ano seguido de queda) e aumento da taxa de desemprego para 23% da população ativa.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que a Espanha cumprirá sua meta de reduzir o déficit fiscal.

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Proposta da Fiesp pode atrelar Argentina ao Brasil

24 de janeiro de 2012 | 11h02

Sílvio Guedes Crespo

alcides_leite01.jpgO melhor que a Argentina tem a fazer é assumir que sua economia depende da brasileira, como fez o Canadá com os Estados Unidos, opina Alcides Leite*

 

A notícia de que a Fiesp (Federação das Indústria do Estado de São Paulo) apresentou uma proposta para evitar restrições às importações de produtos brasileiros pela Argentina teve repercussão em importantes jornais do país vizinho, como “La Nación“.

Atualmente, todas as compras feitas por empresas argentinas no exterior devem passar por análise prévia do governo argentino. Essas medidas devem afetar fortemente a entrada de produtos brasileiros na Argentina.

Temendo os reflexos negativos sobre as indústrias paulistas, a Fiesp quer convencer o governo argentino a vender ao Brasil produtos de alto valor agregado, diminuindo o déficit comercial com o País por meio do aumento das exportações e não de restrições às importações. A Argentina tem capacidade ociosa em vários setores da atividade industrial, como no setor naval e na área de petróleo, e poderia aproveitar para vender ao Brasil produtos nessas áreas.

A proposta da Fiesp, além de bastante criativa, põe em evidência a falta de visão do governo argentino. O problema parece mostrar que o país vizinho resiste a reconhecer que o caminho para o seu desenvolvimento passa por um atrelamento da economia local com o Brasil.

O destino da Argentina tende a ser o mesmo do Canadá, cuja economia está totalmente atrelada à dos Estados Unidos. Isto não leva o Canadá a ter um padrão de vida inferior ao americano. A qualidade de vida dos canadenses, em muitos aspectos, é inclusive melhor do que a dos americanos. Mas para isso ocorrer foi necessário ao povo e ao governo canadenses admitir que seu país depende do vizinho gigante. É uma atitude pragmática, sem orgulhos nacionalistas.

Para que a Argentina aceite ser o Canadá do Brasil é necessário que a população argentina abra mão do seu típico saudosismo e admita que seu país, diante da globalização da economia, não tem porte para ser um ator relevante no quadro econômico mundial. Enquanto a população não se convencer disso, a trajetória de decadência do país platino não chegará ao fim.

* Alcides Leite é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e inspetor-analista concursado do Banco Central. Autor de “Brasil: A trajetória de um país forte”. Colabora com o Radar Econômico comentando artigos da imprensa internacional

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Só presidente da República manuseia mais dinheiro que Petrobrás

23 de janeiro de 2012 | 19h05

Sílvio Guedes Crespo

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Número do Dia: R$ 213 bilhões

É a receita anual da Petrobrás, atrás apenas dos R$ 919 bi da União

 

A presidência da Petrobrás – que deve trocar de mãos em fevereiro – é o cargo público que manuseia mais recursos no País, atrás apenas da Presidência da República, que tem à disposição todo o orçamento do executivo federal.

O balanço anual mais recente mostra que a estatal teve uma receita operacional líquida de R$ 213 bilhões em 2010.

O economista Frederico Turolla, da Pezco Consultoria, observa que, no mesmo ano, o governo do Estado de São Paulo teve uma receita de R$ 149 bilhões, enquanto o executivo federal arrecadou R$ 919,8 bilhões, incluindo o Tesouro e a Previdência.

A Previdência, sozinha, obteve R$ 212 bilhões, mas isso não torna o cargo de ministro dessa área comparável ao do presidente da Petrobrás, em termos de recursos à disposição. A maior parte do orçamento da Previdência não pode ser manipulada pelo chefe da pasta, pois já tem destino definido.

Já o presidente da Petrobrás, apesar de também ter gastos correntes, é responsável por um plano de investimento de US$ 224 bilhões a ser executado em quatro anos.

Pode-se argumentar que a presidência da Petrobrás não é um cargo apenas político, uma vez que atende também a acionistas privados. No entanto, chamei de “cargo público” neste texto porque é indicado pelo governo.

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Huffington Post chega à França dirigido por mulher de Strauss-Kahn

23 de janeiro de 2012 | 16h54

Sílvio Guedes Crespo

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O site americano “Huffington Post“, visto por muitos como representante de um novo modelo de negócios na internet, estreou nesta segunda-feira sua versão francesa, batizada de “Le Huffington Post“, numa empreitada que uniu grandes grupos de mídia, como o portal americano AOL e o jornal francês “Le Monde”.

Mas o que mais chamou atenção da imprensa internacional nesta estreia não foi nem a entrada desse site na Europa continental nem a parceria dos grupos midiáticos americano e francês. A notícia destacada nos principais portais é a de que o Huffington Post francês será dirigido pela jornalista Anne Sinclair, mulher do ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn.

DSK, como é conhecido o antigo chefe do FMI, renunciou ao cargo em maio do ano passado após acusação de tentativa de estupro de uma camareira de hotel em Nova York. Semanas depois, houve uma reviravolta nas investigações, com surgimento de evidências de que o caso seria uma armação contra ele. Em julho, ele foi liberado da prisão domiciliar.

Conflito de interesse

Sinclair, uma jornalista conhecida na França que, segundo a Reuters, chegou a manter uma audiência de 12 milhões de pessoas no seu auge, abandonou o programa “Sept sur Sept” em 1997, quando DSK, seu marido, assumiu o cargo de ministro das Finanças da França. Na ocasião, Sinclair alegou que deixava a função para evitar conflito de interesses (abaixo, vídeo da jornalista em seu programa Sept sur Sept).

Agora, “Wall Street Journal“, “New York Times” e Reuters citaram a possibilidade de conflito de interesse no novo empreendimento de Sinclair, uma vez que seu marido ainda é notícia. Ele ainda responde processo por suposta violência sexual e está processando um assessor do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e publicações francesas, inclusive o jornal “Le Figaro”, concorrente do “Le Monde”, sócio do Huffington Post. Sobre isso, ela disse que não acredita que o caso DSK seja uma das principais notícias em 2012 e acrescentou que, mesmo se for, ela não interferirá: “Não misturo vida privada e vida pública”.

O site “Le Monde“, um dos sócios, informa que os investidores esperam que o “Le Huffington Post” seja rentável a partir de 2014. A AOL tem 51% do site, enquanto o grupo “Le Monde” tem 34% e a companhias também francesa Les Nouvelles Éditions possui 15%.

Nos EUA, a AOL também é controladora do Huffington Post, após ter comprado o site de Arianna Huffington por US$ 315 milhões.

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Imprensa estrangeira destaca perfil técnico de Graça Foster

23 de janeiro de 2012 | 15h33

Sílvio Guedes Crespo

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Os principais sites de notícias financeiras internacionais publicaram avaliações positivas – seja de autoria deles próprios ou de analistas entrevistados – sobre a indicação de Maria das Graças Foster para a presidência da Petrobrás. Os textos destacam o perfil técnico da funcionária, mas não deixam de citar também a sua proximidade com a presidente Dilma Rousseff.

A empresa confirmou nesta segunda-feira, por meio de comunicado publicado em seu site, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do Conselho da companhia, vai indicar Graça Foster para o cargo de executiva chefe da estatal.

“Foster é uma respeitada técnica que deve trabalhar em proximidade com a estratégia do governo de US$ 224 bilhões para explorar enormes reservas de petróleo”, afirmou o site do “Wall Street Journal“. O texto lembra que a executiva conheceu Dilma em 1999, quando esta era, ainda, secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Em 2003, Dilma, então ministra de Minas e Energia, alçou Foster a uma posição de destaque na estatal.

“A área da empresa que é comandada por Graça Foster apresenta bons números”, afirmou a corretora Geração Futuro, em notícia da agência Bloomberg. O mesmo veículo acrescentou um comentário do Bradesco: “A nomeação de Foster [...] vai beneficiar a companhia em um momento em que o crescimento da produção não tem cumprido metas”.

Em outro texto, a Bloomberg publicou trecho de um relatório do BTG Pactual assinado pelo analista Gustavo Gattass: “Foster tem sido uma boa gestora da sua unidade e está na empresa há tempo suficiente para se lembrar de que aumentos de capital não são viáveis”.

A saída do atual presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, deve ser formalizada no dia 9 de fevereiro, em reunião do Conselho de Administração. A agência Reuters despachou um texto em inglês no qual descreve Gabrielli como “o homem que supervisionou a maior descoberta de petróleo das Américas em décadas”.

Antes de a Petrobrás confirmar a indiação de Foster, o “Financial Times” lembrou que Gabrielli estava no comando da empresa em “dois dos momentos mais importantes” da estatal: a descoberta do pré-sal e a capitalização de US$ 67 bilhões, a maior da história mundial.

As ações da companhia subiam 2% por volta das 15h30, enquanto o Índice Bovespa caía 0,26%. Foster entrou na Petrobrás em 1978, como estagiária, e atualmente é diretora de Gás e Energia.

Contratos com o marido

Apenas o site do “Financial Times” lembrou que o marido de Graça Foster, o empresário Colin Foster, é dono de uma companhia que oferece sistemas eletrônicos e de telecomunicações para a indústria de petróleo e gás, entre outras.

A C.Foster tinha 43 contratos com a Petrobrás em novembro de 2010, lembrou o autor da reportagem, jornalista Jonathan Wheatley, que à época era correspondente do “Financial Times” no Brasil.

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Crack cresce no Brasil por causa de queda nos EUA, diz ‘WSJ’

23 de janeiro de 2012 | 12h37

Sílvio Guedes Crespo

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A Cracolândia paulistana foi parar na primeira página da edição de fim de semana do “Wall Street Journal“, em uma reportagem com o título “Mercado emergente do Brasil: o crack”.


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O texto afirma que a Cracolândia está inserida em um contexto internacional, em que os produtores de coca buscam novos mercados no mundo por causa da queda no consumo de cocaína e de crack nos Estados Unidos.

“Um surto de crack que lembra aquele que devastou cidades dos EUA nos anos 1980 começa a tomar conta desta nação sul-americana [o Brasil], à medida que traficantes com dificuldade de vender dentro dos EUA estão desbravando mercados em outros lugares”, afirma o repórter John Lyons.

Segundo o “Journal”, os EUA continua sendo o maior mercado de cocaína do mundo, mas está diminuindo. Em dez anos, o consumo do produto no país caiu 38%, de 267 toneladas em 1998 para 165 em 2008. Já na Europa, esse mercado ilegal dobrou no mesmo período, passando de 63 toneladas anuais para 126.

Nesse contexto, o Brasil surge não só como um mercado consumidor, como um entreposto por onde a mercadoria passa antes de ir à Europa. Há mais de um ano, outro jornal, o britânico “Financial Times“, já comentara que o Brasil, especificamente o Aeroporto Internacional de Guarulhos, teria se tornado o principal ponto de exportação da cocaína sul-americana.

Agora, o “Journal” explica que a quantidade de cocaína sul-americana que passa pelo Brasil antes de ir à Europa dobrou (o diário não diz exatamente em que período nem cita as fontes), o que contribui para aumentar o consumo também dentro do País. Nesse ambiente, a pedra, subproduto da cocaína, torna-se popular entre os consumidores que não têm condições de comprar o pó.

“O Brasil ilustra uma tendência global. Traficantes de cocaína estão cada vez mais explorando novos mercados para compensar o forte declínio no uso da droga nos EUA nos últimos anos”, afirma a reportagem. Segundo o “Journal”, 80% da cocaína que chega ao Brasil vem da Bolívia.

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