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‘O mercado brasileiro mudou, e a geografia do emprego é outra’

Redação

sábado 14/06/14

Pesquisador da área de carreiras analisa crescimento das oportunidades de trabalho fora das grandes capitais


Agronegócio. Crescimento da área plantada no País teria impulsionado aumento de vagas no interior (Imagem: Eduardo Monterio/Divulgação)

 

LEONARDO TREVISAN, professor da PUC-SP

O que era desconfiança virou fato: o emprego cresce fora das grandes capitais. E a diferença é grande. No primeiro trimestre deste ano, as seis maiores capitais do País tiveram queda de 9% na abertura de vagas com carteira assinada, na comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, no resto do Brasil, a oferta de novos postos cresceu 22%, na mesma comparação. Os dados são do IBRE, da Fundação Getulio Vargas, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Por que tem mais emprego no interior? Produtividade no trabalho do agronegócio, por exemplo. Nos últimos 30 anos, a área plantada de grãos cresceu 42%, enquanto a produção cresceu 228%. O ganho de produtividade, portanto, foi de 3,2% ao ano. Esse avanço foi sustentado primeiro pela forte geração contínua de nova tecnologia, via Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com pesquisa e desenvolvimento aplicada.

Segundo, para usar bem a nova tecnologia precisa gente mais qualificada, e foi também o que aconteceu. Pesquisa da Embrapa mostrou que, em 2013, 53% dos agricultores já usavam o conceito de “agricultura de precisão”, com automação de processos, nos nove estados mais produtivos do País.

Na nova geografia do emprego, a renda do agronegócio tem forte efeito multiplicador nas outras atividades, serviços especialmente. E, sem dúvida, esse avanço só foi possível porque o conjunto da mão de obra está mais educado, como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE.

No Brasil, das 91,2 milhões de pessoas ocupadas, no primeiro trimestre deste ano, 47,5 milhões delas (52%) possuíam ensino médio completo, cursavam ensino superior, ou já o tinham concluído. Em 2005, a condição de ensino médio concluído alcançava só 35% dos ocupados. Em 2012, 49,3%; no ano de 2013, foram 50,3% e, em 2014, consolidou maioria com maior grau de escolaridade.

Na prática, o mercado de trabalho brasileiro já mudou. A geografia do emprego é outra. O perfil do trabalhador também é outro. A disputa por vaga dependerá, cada vez mais, da capacidade de atender ao pedido de mais produtividade. Aceitar a ideia de educação continuada é a melhor forma de atender este “pedido”. Seja qual for o ramo de atividade.