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Carreira em profissões de risco

Redação

quarta-feira 09/07/14

Focalizo neste artigo os que correm risco de morte, mutilação ou incapacidade física

Juliana Camilo – professora da PUC e psicóloga

Muitas vezes esquecidos ou menosprezados, os trabalhadores, que atuam em profissões que envolvem significativo risco, são fundamentais para nosso dia a dia. Focalizo neste artigo os que correm risco de morte, mutilação ou incapacidade física.

Mineradores, operários fabril ou da construção civil, motoboys, eletricista de alta tensão, policiais, engenheiros de plataforma petrolífera, jornalistas que cobrem situações de violência, pilotos de avião, dublês, são alguns exemplos.

É importante considerar que, no Brasil, as Normas Regulatórias de Segurança e Saúde no Trabalho (NR’s) amparam os trabalhadores que são regidos pela CLT, no que tange à segurança e medicina do trabalho, penalizando o empregador que não a cumpra.
Apesar disso, temos que considerar a informalidade de determinadas ocupações, além da subnotificação dos casos de acidente de trabalho, que pode nos cegar para a realidade enfrentada por muitos.

Quanto ao desenvolvimento do trabalhador e possível ascensão na carreira, espera-se que as organizações que possuam cargos com significativa exposição a riscos de contaminação química e histórico de desenvolvimento de doenças, tenham controles para o estabelecimento do tempo máximo no cargo, bem como o tempo possível para promoção do trabalhador. Neste caso não seria viável (nem faria sentido) ter sucessivas promoções executando a mesma função.

A equação se torna mais complicada quando se pondera cargos em que o tempo na função alerta para a probabilidade de estar com a vida em xeque. A análise dessas situações pode se tornar complexa, pois, além da necessidade financeira, pode existir certo prazer em desempenhar atividades de risco.

Christofer Dejours (1997) sugere que essas profissões remetem a uma construção identitária baseada na coragem, força, resistência e destreza, dando ao trabalhador a ilusão de “estar no controle”. Para David Le Bretton (2002) há um gosto no fato de pôr em jogo a existência, de zombar dos conselhos e do pavor dos outros.

Essa é sua escolha de carreira? Qual o sentido do risco para você? Faz sentido, considerando vida, família, desejos, investir nessa carreira? Acredito que sejam reflexões necessárias para a decisão de se engajar nas profissões de risco ou buscar outros horizontes.

Envie sua questão sobre carreira ou profissão para empregos.estado@estadao.com