Jair Stangler
Informação quentinha lá do Morumbi: a passagem de som de Paul McCartney para o show desta segunda-feira foi cancelada em função da chuva. A organização do evento já informou às pessoas que pagaram para assisti-la que elas serão reembolsadas. Um ingresso para ver a passagem de som custa US$ 1.400.

Fãs fazem fila desde cedo no Morumbi para o 2º show do ex-Beatle em SP. Foto: Daniel Teixeira/AE
O cantor já se encontra no Morumbi. Segundo informações de bastidores, após o show de domingo, 21, ele foi levado imediatamente para o hotel onde foi atendido por um médico, para ver se havia algum problema em decorrência do tombo sofrido ao final do show. Paul teria acusado dor no joelho, mas nada grave. A produção do show reforçou o piso do palco após a queda do cantor para tentar evitar que o acidente se repita.
Jair Stangler

Vendo o show mais de perto, é possível sentir o calor do fogo nas explosões de “Live and Let Die”. Imagem: Reprodução do site www.paulmccarney.com
Os dois shows foram quase idênticos. O mesmo setlist. As mesmas piadas (em inglês e em português). Tanto em São Paulo como em Porto Alegre, o baterista Abe Laboriel deu um show à parte em “Dance Tonigh”. No Beira-Rio e esta noite, em São Paulo, o palco pegou fogo quando Sir Paul McCartney executou “Live and Let Die”. Em Porto Alegre, agrados a gaúchos (“Mas bah, tchê!”) e a paulistas (com uma musiquinha feita para a ocasião, “ô São Paulo!”). A mesma excelência técnica e a mesma energia. As plateias deram show lá e aqui. Com tantas semelhanças, não é o mesmo show.
Assista a trechos de “Jet” e “All my loving”
O show de Porto Alegre foi da catarse. Há aquelas músicas que aprendemos a gostar quando crianças. É a chance de ver ao vivo “A Day in the Life”, “Helter Skelter” e “I’ve got a feeling” tocadas pelo seu autor. Um amigo se vangloriava depois do show de ter visto a “santíssima trindade do rock”: Bob Dylan, Rolling Stones e, ao menos, um beatle.
Além disso, tem toda a questão afetiva. Em Porto Alegre, estava com minha mãe e alguns amigos no estádio do meu time, o Inter. Ah sim, e havia também as gaúchas – embora alguém possa argumentar que em São Paulo há as paulistas, o que é verdade. Ficamos longe do palco. A visibilidade era boa, mas é diferente de ficar perto do palco.
Em São Paulo, fiquei bem mais perto do palco, da torre de som e dos telões. Além de uma visão melhor do show, é mais divertido quando os fogos e explosões de “Live and Let Die” acontecem perto de você. É possível ver mais detalhes do que acontece no palco.
A diferença está, principalmente, na posição e na circunstância do observador, na maneira como o show é visto. Da parte de Sir Paul, o show é praticamente o mesmo grande show de rock de sempre.
Texto e fotos: Jair Stangler
Uma das coisas que mais chama a atenção nos shows que Paul McCartney está fazendo no Brasil é a quantidade de filhos acompanhados de seus pais que vão assistí-los. Há até famílias inteiras presentes nos estádios. Como a de Cristiane Pedreiro, esposa de Ricardo, e mãe de Ricardo, 18, Gustavo, 15, e Carolina, 13, todos na pista prime do Morumbi.

Gustavo, Carolina, Ricardo e Cristiane: programa em família
Segundo ela, ninguém trouxe ninguém ao show, “todos resolveram vir”. Os pais eram fãs e isso passou para os filhos. Gustavo conta que é fã desde que nasceu. Cristiane explica que quando os ingressos foram colocados à venda foram os dois filhos mais velhos que foram atrás das entradas. A mãe reconhece que a despesa pesa no orçamento familiar, mas ressalva que “vale a pena pelo fanatismo”.
A forte presença de jovens de 20 anos ou menos também é uma mostra da vitalidade da música dos Beatles. A estudante de jornalismo, Renata Moura, 20, diz que é fã de Beatles e admite não conhecer muito da carreira solo do músico. Define-se como uma ‘saudosista’. Renata diz que Paul sempre foi seu favorito, e também dá sua opinião sobre o outro ex-beatle vivo: “o Ringo é chato e antipático.”

Renata diz que Paul sempre foi seu beatle favorito
“Todo mundo é fascinado pelos aos 60, eles representam muito para a filosofia da época”, diz. Renata vê sua paixão pelos Beatles como uma maneira de escapar do “provincianismo” de Salvador. “Sou de Salvador, que é uma cidade meio provinciana. Aí veio a coisa da contestação, na adolescência.” Para ela, no entanto, a música vem primeiro. “Primeiro você curte a música, depois casa com o que você acredita.

Lenine viu o Paul no Maracanã em 1993 e repetiu a dose no Morumbi
Também é possível encontrar artistas no meio da plateia, como o cantor Lenine. Presente ao show que o ex-beatle fez no Maracanã em 1993, Lenine diz considerar que o universo do showbizz como existe hoje, só é possível da constatação feita pelos Beatles na década de 1960 de que não era possível tocar ao vivo daquela maneira.
Jair Stangler
Assim como aconteceu no show de Paul McCartney no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, dia 7 de novembro, a paisagem no entorno do estádio do Morumbi também era de muitas filas. Filas que não se sabe onde começam e onde terminam. Sobrou até para o repórter, que tendo se credenciado, precisou mesmo assim enfrentar a mesma fila de quem estava com ingresso.
Mas para um espectador do show que estava na fila Prime, ainda está melhor que em Porto Alegre. Como ele lembrou, lá “o bicho pegou” – o que também foi testemunhado pelo repórter. Nas filas do Beira-Rio, foram comuns as cenas de agressões entre pessoas do público. Eu mesmo vi lá em Porto Alegre alguém dando uma guarda-chuvada em outra pessoa que estaria furando a fila. Ao menos até agora, não vi nem soube de nada parecido no Morumbi.
Jair Stangler e Lucas Nobile
Por volta das 17h30, foram abertos os portões para o show de Sir Paul McCartney no estádio do Morumbi, em São Paulo. As filas já estavam gigantescas, ocupando praticamente todas as ruas próximas ao local. Não era para menos: os 64 mil ingressos colocados à venda para este show já estão esgotados, assim como os de segunda-feira.

Filas tomaram conta das ruas da região. Foto: Keiny Andrade/AE
Enquanto os fãs se amontavam nas ruas, uma plateia de 200 privilegiados – que pagaram US$ 1.400 por ingresso – puderam assistir à passagem de som, que estava praticamente inaudível aos que esperavam do lado de fora.
Durante esse ajuste, Paul Mccartney tocou Penny Lane e Magical Mistery Tour (Beatles) e Bluebird (do Wings), entre outros sucessos.
Ao contrário de Porto Alegre, onde tal checagem durou pelo menos uma hora e meia, no Morumbi foram apenas 50 minutos. Nem tanto pela qualidade do áudio, mas porque o artista, que é britânico, atrasou-se.
De acordo com os que assistiram essa palhinha, o ex-beatle parecia um pouco tenso e desconfortável, por conta de seu atraso, e em decorrência do calor, já que ele vestia uma roupa preta. Às 19h, o DJ Maurício Valadares começou a tocar, substituindo a tradicional “banda de abertura”.
No lado de fora, um cambista vendia ingressos para pista Premium por R$ 1.000 e gramado por R$ 600. Outro porém, estava vendendo ingresso de gramado pelos mesmos R$ 300 pagos no ingresso. Mais preços não puderam ser obtidos porque a conversa com os cambistas foi interrompida com a chegada de policiais.
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