Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo
Parecia um show do pianista Liberace: paletós reluzentes, camisas de pele sintética de oncinha, cabelos com muita escova, acaju com mechas, mechas com laquê e Grecin 2000. Com esse arsenal e um bocado de autoironia (além da performance perfeccionista do vocalista Simon LeBon), o grupo Duran Duran recolocou o velho eletropop na ordem do dia no segundo dia do SWU Festival. Para além da nostalgia, mostrou o potencial de diversão e pista de seus antigos e novos hits, como All You Need is Now. Teclados (Nick Rhodes) e baixo (John Taylor) característicos dos velhos sucessos de rádio dos anos 1980.
O Duran Duran entrou logo após o último lamento de Chris Cornell, que fez show longuíssimo e arrastado no palco à sua frente. A primeira música, Planet Earth, foi só um cartão de visitas do Duran Duran e sua farra protoeletrônica, um reclame da new wave inglesa e seu tempo de eficácia e diversão. Logo a seguir, veio A View to a Kill, tema de abertura do filme 007 Na Mira dos Assassinos, um carro-chefe matador da pulsão do vocal e do baixo combinados do Duran Duran.
Pouco antes de tocar The Reflex, LeBon foi até o meio do público e pediu um voluntário homem para cantar um refrão consigo. Não era bem um refrão, mas alistou-se um garoto chamado Michael, que iniciou um dos belos duetos de Simon com sua vocalista de apoio Ana, fenomenal.
O show do Duran Duran virou um ato francamente Gaiola das Loucas, um rasante vertiginoso pelo som de boates decadentes e mestres de cerimônias divertidos. O público entendeu e caiu na farra com hits como Wild Boys, Come Undone, Hungry Like the Wolf e Notorious.
Lipe Fleury – estadão.com.br
A breguice irresistível do Duran Duran botou a galera para dançar no SWU. Abrindo com o primeiro hit de sua carreira, Planet Earth, lançado em 1981, o grupo levantou uma plateia que vinha abatida, possivelmente por causa da chuva.
Munidos com palitos de brilho fosforescente, os fãs saltitam e obedecem os comandos do vocalista Simon Le Bon, que se apresenta vestindo uma exagerada roupa purpurinada.
Abusando dos arpeggiators e timbres que mereciam nunca ter saído dos anos 80, o Duran Duran ocupa a fronteira do rock com o pop. Mesmo não tendo testemunhado o frisson que o grupo protagonizou em seu auge, há mais de vinte anos, muitos se rendem ao clima jubiloso e aceitam a entrada no túnel do tempo sem resistência.
Experientes, os músicos planejaram o setlist com sabedoria, esgueirando faixas mais recentes e totalmente desconhecidas aqui e ali para que a dependência de singles antigos pareça menos óbvia. Na hora certa, a banda sabe recuperar a atenção de todos com um grande sucesso.
O vocalista Simon Le Bon escolheu um fã da plateia pra cantar a introdução de The Reflex com a banda.
Donos de vários clássicos dos anos 80, os veteranos do Duran Duran tiveram seu show dirigido pelo cineasta David Lynch e transmitido ao vivo pelo Youtube. Os vídeos já estão no site.
Um dos mais bacanas é a versão de Notorious, com a participação de Beth Ditto (Gossip) e a marca de Lynch.
E tem também o diretor explicando a experiência e “dirigindo” o público, em vídeo feito por alguém da plateia
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