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Que Mario?

‘Swing Copters’ é tão irritante quanto o antecessor ‘Flappy Bird’

A tela mais recorrente em ‘Swing Copters’. FOTO: Reprodução

Um mês depois de tirar Flappy Bird das lojas de aplicativos, seu criador Dong Nguyen disse em entrevista à Rolling Stone que não estava trabalhando em um novo jogo, mas que se lançasse um o publicaria com um alerta: “Por favor, deem um tempo”.

Na última quinta-feira, 21, Swing Copters, de sua autoria, estreou para iOS e Android. O game é gratuito, tem a mesma mecânica e visual que Flappy Bird, não tem um sistema que limita jogadas e já está sendo chamado de “viciante” por gamers ao redor do mundo.

O que explica o lançamento de um jogo similar ao primeiro, que foi derrubado pelo seu criador após não aguentar as mudanças que o game e seu caráter viciante geraram à sua vida? (Na entrevista, ele lembra de mães que reclamaram que seus filhos não conversavam mais com elas por conta do jogo, pessoas perderam seus empregos; ele era reconhecido na rua e sua “vida simples” no Vietnã foi abalada pelo pássaro amarelo).

Incoerência, superação ou vontade de voltar a ganhar dinheiro (com Flappy Bird, ele faturava US$ 50 mil por dia com anúncios)? A única coisa que se sabe é que Nguyen parece estar bem feliz com o lançamento do novo jogo. E um fator sobre o game parece o satisfazer mais: sua dificuldade.

“A maior pontuação no Swing Copters é 77 (até agora)”

Seria essa a tática para não viciar as pessoas de novo (o próprio Nguyen marcou apenas oito pontos)? Tornar praticamente impossível de jogadores avançarem nele, exigindo não só habilidade, mas fazendo um verdadeiro teste de estresse, exigindo o máximo de paciência dos aventureiros que ousassem apertar o “play”?

“O criador de Flappy Bird fez um novo jogo chamado Swing Copters. É estúpido, e difícil, e eu odiei. Atualmente minha maior pontuação é de 2 pontos…”

 

Helicóptero oscilante

Swing Copters consiste em fazer um personagem, que veste um capacete com hélices, através portões verticalmente, desviando-se de martelos em movimento. A jogabilidade se resume a tocar a tela para mudar a direção do “helicóptero” (direita e esquerda). Como já dito, é a mesma mecânica de Flappy Bird, um game pensado para ser jogado com uma mão, de pé, no trem.

O nível de dificuldade é absurdo, o que torna a experiência nada prazerosa em vez de divertida (embora há quem considere divertido morrer a cada segundo de partida; veja tweet abaixo, que exalta Swing Copters por sua aparente simplicidade, dificuldade insana e por ser “frustrantemente divertido”). O objetivo, assim como anterior, é fazer o máximo de pontos que conseguir, o que se não é um motivo ineficiente, ao menos torna Swing Copters um game com grande potencial de ser esquecido. O que provavelmente não é o objetivo de Nguyen, que preferiria que as pessoas o jogassem pouco, em vez de não o jogarem nunca.

“Evitem os clones. Baixem o Swing Copters da GEARS Studios. Tão aparentemente simples, tão insanamente difícil, tão frustrantemente divertido!”

 

Dong Nguyen é claramente um desenvolvedor de games de talento. O sucesso de Flappy Bird veio antes de sua decisão polêmica de retirar o game, o que só reafirma que antes de ser qualquer coisa, Flappy Bird era um game apreciado por muitos jogadores casuais, de diferentes perfis, no mundo todo. Apesar de limitado, o jogo conta com elementos que o torna um bom jogo mobile (o controle mínimo, o objetivo simples, o visual pixelado e fácil de ser rodado por qualquer aparelho).

A dúvida, com o lançamento de Swing Copters, é se Nguyen não consegue inovar e ir além da estrutura já conhecida e cansada do seu título anterior (o que é Swing Copters se não Flappy Bird orientado na vertical?). É possível que venha coisa nova por aí, esperemos que não seja irritante e pobre como o lançamento desta semana.

Título: Swing Copters
Desenvolvedora: GEAR (Dong Nguyen)
Já disponível no Brasil
Plataformas: iOS e Android
Preço: Gratuito

/Murilo Roncolato

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