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Que Mario?

Primeiro museu brasileiro de videogames vem a SP em 2015

Por Bruno Capelas

Visitantes podem não só ver como também jogar em consoles antigos, como o Telejogo Philco Ford, de 1977. FOTO: Divulgação

No lugar de quadros e esculturas, um acervo com mais de 200 consoles e 6 mil jogos, com possibilidade dos visitantes não só contemplarem como também botarem a mão no controle para experienciar diferentes games. É essa a ideia por trás do Museu do Videogame Itinerante, a primeira instituição dedicada aos jogos eletrônicos cadastrada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), criada pelo jornalista Cleidson Lima, de Campo Grande (MS).

Cleidson, que tem 42 anos, começou a jogar games na época do Atari, e se tornou um colecionador há oito anos. “Comecei como uma brincadeira, ganhava consoles antigos que iam para o lixo, e quando percebi, tinha mais de 70 videogames. O sonho da minha esposa era jogar tudo fora”, brinca ele, que criou o Museu do Videogame Itinerante em 2009. Desde 2011, mais de 450 mil pessoas já viram o acervo do museu, em exposições abertas ao público em shoppings de Campo Grande.

Agora, com o status reconhecido pelo Ibram, Cleidson quer rodar o Brasil, com passagens programadas já para Brasília , Recife, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte, e negocia com três shoppings de São Paulo para 2015. “Preferi ter um museu que rode o País do que ficar preso a turistas ocasionais em Campo Grande. Quero que as pessoas entendam a caminhada de quatro décadas da história dos videogames”, explica o jornalista, que guarda em sua casa o acervo do Museu, que conta com peças como o primeiro videogame do mundo, o Magnavox Odyssey, de 1972.

“Comprei ele por US$ 15 nos EUA, largado em um brechó de eletrônicos”, lembra Lima, que diz que, por não ser um colecionador rico, se diverte com a arte de garimpar. “Os videogames mais legais do mundo estão perdidos nos guarda-roupas das avós, que ficam com pena de jogá-los fora”, brinca.

Interativo
Quando vai à exposição, o acervo ganha status de arte. “O cara vê os videogames como um quadro de museu, com nome, data, descrição, tudo bonitinho”, explica o jornalista, que revela planos para criar um aplicativo próprio do Museu, no qual poderá se ter acesso ao banco de dados da instituição, além de recursos multimídia sobre cada videogame.

Cleidson posa com algumas das peças de seu acervo. ‘O sonho da minha mulher é jogar tudo isso fora’, diz. FOTO: Divulgação

Ver, entretanto, não é suficiente: o Museu ainda disponibiliza cerca de 30 consoles para os jogadores, do pioneiro tupiniquim Telejogo Philco Ford, de 1977, até aparelhos de última geração, como o Xbox One e o Wii U.

“Escolhi os consoles mais populares dos últimos 40 anos, para quem é velho reviver sua infância e para a molecada saber como era a vida de gamer antigamente. Tem gente que chora vendo jogando Atari”, conta Cleidson Lima, que vê sua iniciativa como parte importante para o reconhecimento dos games como algo além de puro entretenimento. “Videogame conta histórias por meio da interatividade e faz parte de inúmeras gerações. Onde você tocar a música do Mario, as pessoas vão reconhecer. Isso não é arte?”, questiona.

Museu já teve exposições temporárias em Campo Grande, com visita de 450 mil pessoas. FOTO: Divulgação