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Que Mario?

8bit Football: o mundo da bola visto aos quadradinhos

Por Bruno Capelas

“Caiu na área, é pênalti!”. FOTO: 8bit Football

Em tempos de Copa do Mundo, é fácil perceber a graça que o futebol traz à vida das pessoas, com batalhas, jogadas incríveis e vitórias dentro das quatro linhas do gramado. E é também com conjuntos de quatro linhas – um de cada vez, é claro – que o mineiro Matheus Toscano faz a sua graça: ele é o criador do 8bit Football, projeto que recria cenas do esporte bretão em pixel art – aquele jeito de retratar qualquer cena em quadradinhos coloridos, em um visual retrô que lembra os games dos anos 80.

Criado em outubro de 2012 nas horas vagas de Toscano, que é auditor de tecnologia da informação e mora na Holanda, o 8bit Football faz considerável sucesso nas redes sociais. São 45 mil seguidores no Twitter e 25 mil fãs no Facebook, que somados aos visitantes do site do projeto, acompanham as imagens bem-humoradas do mineiro de 31 anos, inspirado por duas paixões de criança. “Sempre fui fã de jogos de computador antigos, como o Sensible Soccer, em que o gráfico era pixelizado por limitação técnica, e fui apaixonado por futebol desde criança”, conta ele, em entrevista ao Link por telefone.

O goleiro colombiano Higuita voa para mais uma defesa! FOTO: 8bit Football

É uma partida de futebol
Para manter a rotina diária de postagens, Matheus mistura referências do futebol de vários lugares e épocas. “Tem semana que acontece um lance polêmico na Champions League, outra jogada incrível no Brasileirão e eu resolvo lembrar um lance histórico nos dias em que não tem partidas”, explica ele, tentando equilibrar ainda tudo com o seu tempo – sem deixar os 90 minutos estourarem.

E bastante tempo: para cada desenho, ele pode demorar entre uma e quatro horas, dependendo da complexidade da cena. “Uma cena com dois jogadores costuma demorar pouco. Agora, uma cobrança de falta, por exemplo, que inclui o gol e vários jogadores, demora bastante”. Em tempos de Copa do Mundo, ele tem trabalhado duro, “seguindo as ordens do professor”, tentando sempre postar novas cenas depois do fim de cada partida.

Enquanto falava com a reportagem, por exemplo, Toscano desenhava em um aplicativo no iPad o atacante argentino Lavezzi jogando uma garrafa d’água no técnico Alessandro Sabella, na partida entre Argentina e Nigéria, ainda na fase de grupos. “Só espero não ter de desenhar a eliminação do Brasil”, conta ele, torcendo para ver (e adaptar ao seu universo) o capitão Thiago Silva levantando a Taça FIFA.

“Roberto Baggio! Pra fora! Acabou! Acabou! É Tetra, é tetra, é tetra!”. FOTO: 8bit Football

Chutando quadradinhos
Além da Copa do Mundo, que tem lhe tomado muito tempo, Matheus começou há poucos dias uma nova empreitada; junto a um programador de Londres, ele tenta transformar o 8bit Football em um game de verdade. O nome não poderia ser mais simples: Pixel Soccer – ou “futebol de pixels”, em uma tradução literal. A ideia, entretanto, não é rivalizar com as grandes franquias do gênero, como FIFA ou Pro Evolution Soccer. “É uma diversão instantânea, sem curva de aprendizado. É ligar, jogar uma partida e se divertir o quanto puder”, explica o mineiro de 31 anos.

Para não pagar as licenças e os milionários direitos de imagem dos jogadores, coisa impensável para um produtor independente, a solução do Pixel Soccer foi usar nomes genéricos – outra estratégia muito usada por jogos do passado, como o International Superstar Soccer, avô do PES de hoje em dia. “Não somos a EA Sports, então adotamos essa estratégia, e achamos que não há problema nenhum – pode até ajudar o jogo a se tornar mais divertido. Afinal, quem não se lembra do Allejo?”, fazendo referência ao craque do jogo para Super Nintendo, inspirado no brasileiro Bebeto.

Tá com fome, Suárez?. FOTO: 8bit Football

Por enquanto, o game está em produção, mas Matheus e seu sócio já iniciaram uma campanha no Kickstarter para viabilizar a finalização do game. A meta da dupla é arrecadar 25 mil libras esterlinas – a 20 dias do fim do prazo de coleta, os rapazes já conseguiram quase 4 mil libras. “Por enquanto, pensamos apenas em versões para PC e Mac, mas com o sucesso da campanha podemos pensar para celulares e tablets, e até mesmo para os consoles. Isso para não falar em mais modos de jogo e equipes novas”, conta empolgado, com a voz de quem parece estar prestes a realizar um sonho de infância.

E é movido pelo sonho que Matheus segue em frente: “Eu não quis nem ganhar nada com a campanha de financiamento coletivo. Estou tendo lucro zero com o projeto, por enquanto, porque quero apenas criar o jogo que eu queria jogar”, diz ele, com a lógica típica de um desenvolvedor independente de games. Ripa na chulipa, Matheus!

Com “la mano de dios”!. FOTO: CRÉDITO