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Eis aqui um belo exemplo de como a visualização de dados e um aplicativo aberto podem ambos, no mínimo, contribuir para um debate mais qualificado.

O Datablog, do Guardian, publicou nesta segunda-feira um post sucinto, porém muito elucidativo, com um breve texto, um mapa e uma tabela – além de links para outras – com estatísticas a respeito do aborto nos Estados Unidos.

Como é um tema que vira-e-mexe aparece também aqui no Brasil, pode ser de muita serventia para referenciar os nossos debates.

No mapa, o cidadão pode ver, em cada um dos 50 Estados americanos, quantos abortos foram feitos em 2008 (último dado disponível pelo Centro de Controle de Doenças, órgão do governo federal), qual a porcentagem de abortos para cada 1.000 mulheres, quantos foram feitos por mulheres que não moram no Estado e como é que o Estado se situa em comparação com os outros.

Na tabela, há ainda outros dados importantes, como as restrições legais ao aborto e as exceções, que variam em cada caso.

Um link do post do Datablog leva para uma planilha aberta do Google Docs que mostra, entre outras coisas, que entre 1999 e 2008, durante cada um desses anos, houve pelo menos impressionantes 820 mil abortos! Na soma dos dez anos, chega-se a incríveis 8,4 milhões.

Há também planilhas que mostram os abortos de acordo com idade, estado civil, raça, abortos em adolescentes etc.

A visualização dos dados ajuda a dimensionar bem melhor o fenômeno.

Ah! Importante dizer que o Datablog publicou a planilha no momento em que a Justiça do Texas discute a legalidade de uma lei aprovada no Estado obrigando profissionais que fazem abortos a mostrar a mulheres que desejam abortar imagens do ultrassom do feto, de modo a tentar impedi-las de fazer o procedimento.

Vale a pena conferir.

(Fernando Gallo)

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A excelente coluna de José Roberto de Toledo na edição de segunda-feira do Estadão.

Você também a encontra aqui, no blog dele.

 

Dados grávidos – como empresas e políticos sabem mais de você do que você mesmo

Nos EUA, um pai ficou indignado ao encontrar, na sua caixa de correio, cupons de desconto para roupas de bebê enviados por uma cadeia de varejo em nome de sua filha menor de idade. Acusou a loja de tentar induzir a garota a ser mãe precocemente. Mas, após confrontar a adolescente, descobriu que a filha já estava grávida. Só ele não sabia.

Os estatísticos da loja de departamentos Target não tiveram acesso a nenhum teste de gravidez. Apenas inferiram que aquela consumidora iria dar à luz cruzando informações de compras: a mudança no seu padrão de consumo era consistente com o de outras grávidas. Foram tão precisos quanto um exame de ultrassom.

A história -quase boa demais para ser verdade- ilustra reportagem do “New York Times” intitulada “Como companhias aprendem os seus segredos”. A rigor, não são dos segredos de uma pessoa, mas dos hábitos da multidão que as empresas estão atrás. Juntando os seus aos meus, descobrem os nossos. Tudo para determinar padrões e prever comportamentos. No conjunto, somos muito mais parecidos uns com os outros do que gostamos de admitir.

Na reportagem, analistas da Target revelaram, orgulhosos, como são capazes de prever, com pequena margem de erro, a data do parto ou o sexo da criança. Tudo com base no consumo de loção de pele, na quantidade de tufos de algodão comprados e na cor do tapete encomendado para o quarto do bebê. Esses itens fazem parte de uma cesta de 25 produtos que compõem o “índice de predição de gravidez” criado pela loja. Não é piada, é dinheiro.

Você pode achar que ninguém está prestando muita atenção em como usa seu cartão de crédito, no que faz com seu mouse e com seu celular ou por onde você anda com seu carro, mas isso não muda o fato de que há gente cuja missão profissional é colecionar, organizar e analisar dados sobre você. É íntimo, mas não é pessoal: é universal.

No mundo do chamado “Big Data”, o nome importa menos que o CPF, que o endereço eletrônico ou que o número do cartão de crédito. Importante é juntar dados sobre a maior massa possível de consumidores, contribuintes, motoristas e internautas. Não para espioná-los -em princípio-, mas para transformar cada um deles num código numérico unificado. Afinal, há menos algarismos do que letras, o que agiliza a computação.

Há cada vez melhores aplicativos para reconciliar bilhões de dados de diferentes origens com o objetivo de determinar que o dono do CPF “tal” é também a pessoa por trás daquele email, deste cartão de crédito, de certo endereço I.P. e -por que não?- de um determinado título de eleitor.

Na caça ao seu voto, políticos fazem “microtargeting”. O site Pro Publica relatou como um casal norte-americano recebeu ao mesmo tempo, enquanto ambos assistiam TV no sofá, duas mensagens diferentes do comitê de campanha de Barack Obama em seus celulares. Com palavras e argumentos diversos, elas pediam a mesma coisa: dinheiro. O site descobriu pelo menos seis versões diferentes da mesma mensagem disparadas para os celulares de possíveis apoiadores do presidente dos EUA.

A diferenciação da forma se deve a diferentes estratégias elaboradas pelos marqueteiros de Obama para diferentes perfis de eleitor. A meta é evocar o tema que mais interessa a cada um, no momento certo e do jeito que, imaginam, tornará o apelo mais sedutor -do mesmo jeito que a Target manda cupons de desconto de roupas de bebê para adolescentes grávidas pouco antes de elas darem à luz, em vez de enviar para seus pais indignados.

Enquanto isso, a Casa Branca tenta regular a fome de dados das empresas. Propôs a lei de direitos de privacidade do consumidor. O texto prevê transparência por parte das empresas, controle individual dos consumidores sobre suas informações e limites ao uso dos dados. Mas, como os emails de campanha demonstram, o próprio Obama pratica microtargeting.

No Brasil, essa técnica foi usada em campanhas de presidente e governador, em 2010. Apesar da carência de dados -quando comparadas às bases de dados dos EUA, onde o marqueteiro conhece centenas de características de cada eleitor-, estrategistas de Marina Silva e Sergio Cabral, por exemplo, conseguiram “fatiar” o eleitorado e desenvolver um tipo de campanha para cada segmento, de acordo com seus interesses e prioridades.

É algo que está fazendo falta ao governo federal. Não só para avaliar políticas públicas com eficiência, mas para mirar com precisão os interesses de cada parlamentar da chamada base aliada. Sem esse controle fino, o Planalto corre o risco de, como o pai daquela adolescente grávida, ser o último a saber das estripulias de seus afilhados no Congresso.

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Essa até o Barack Obama tuitou.

O governo americano lançou nesta quinta-feira, dentro de seu portal de dados abertos – o Data.gov, sobre o qual já falamos aqui – uma seção destinada a reportes éticos. Exatamente isso aí: o Ethics.gov disponibiliza bases de dados sobre financiamento de campanha, lobby e também sobre as visitas à Casa Branca.

Tudo isso para aumentar os esforços de transparência e “accountability” (Bramatti e eu ainda não chegamos a uma boa tradução do termo; se houver boas sugestões, nossos e-mails estão ao lado) do governo federal dos Estados Unidos. Era promessa da campanha do Obama lá em 2008.

Entre os dados que podem ser encontrados estão o pagamento, por fontes não-governamentais, de viagens de integrantes da administração federal para reuniões e conferências; doações eleitorais a candidatos ou comitês políticos, e ainda as pessoas que visitaram a Casa Branca, com os respectivos horários e locais de reunião.

Diversos sites americanos, como o New York Times e o Wall Street Journal publicaram declarações de John Wonderlich, diretor da Sunlight Foundation, uma fundação “watchdog” do governo americano, saudando o novo portal.

“Essa é a razão de estarmos entusiasmados com Ethics.gov: o presidente está reconhecendo o papel da supervisão pública, e afirmando que o presidente tem a responsabilidade de criar uma significativa divulgação on-line de informações relacionadas a ética e influência”, disse ele.

Contudo, Wonderlich assinalou que o Ethics.gov não deve ter um impacto imediato na vida das pessoas e nem mesmo na de jornalistas investigativos.

O site não disponibiliza dados que outros grupos “watchdogs” desejam, como contratos firmados pelo governo federal e declarações financeiras pessoais de membros da administração pública.

(Fernando Gallo)

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Ontem falamos aqui do Portal de Dados Abertos que o governo brasileiro pretende lançar em abril.

Fora do Brasil já há diversas iniciativas semelhantes em diversos países. Há duas – Estados Unidos e Reino Unido – que são consideradas por especialistas exemplos a serem seguidos por outras nações.

Com uma frase curta – “Empoderando as pessoas” -, a Casa Branca diz a que vem o site de dados abertos do governo americano.

A página britânica também faz seu chamamento: “o governo está disponibilizando informação pública para  ajudar as pessoas a entenderem como o governo funciona e como as políticas são desenvolvidas. Tornar esses dados disponíveis significa que será mais fácil para as pessoas tomarem decisões e sugerirem políticas governamentais baseados em informação detalhada”.

No data.gov e no data.gov.uk, respectivamente, Estados Unidos e Inglaterra disponibilizam milhares de bases de dados em estado bruto – são 3.800 no site americano e 8.000 no britânico -, separam os dados por órgão governamental e têm ambos um eficiente mecanismo de busca.

O gabinete do primeiro-ministro David Cameron, por exemplo, disponibiliza 42 bases de dados. Um delas informa os presentes recebidos e dados pelo governo inglês; datas e locais de encontros de Cameron e ainda pessoas ou organizações com as quais o primeiro-ministro se reuniu. O departamento de Transporte, por sua vez, disponibiliza 160 bases, dentre as quais a que mostra diversas contagens a respeito do tráfego nas estradas do país.

O governo americano disponibiliza informações tão diversas quanto sobre terremotos e tsunamis ocorridos nos últimos sete dias, estatísticas sobre o estado civil de integrantes das Forças Armadas e pesquisas sobre o consumo residencial de energia nos Estados Unidos.

Os dois sites abrigam ainda centenas de aplicativos, elaborados por desenvolvedores, que cruzam as informações disponíveis e disponibilizam, por exemplo, mapas com estatísticas de por rua, ou o horário do próximo ônibus que vai parar no ponto mais próximo de você em Londres.

(Fernando Gallo)

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  • silvia: parabens por essa iniciativa dos hackers pela transparencia!!!!precisa de coragem e ousadia pra cobrar dos...
  • Daniel: Accountability=prestacao de contas

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