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Treinadores perdem prestígio no futebol brasileiro

Luiz Prosperi

02 setembro 2014 | 17:47

As demissões em massa no Campeonato Brasileiro escancaram o quanto é frágil a ligação entre técnicos e clubes, sem falar da falta total de planejamento.

Treinadores no Brasil se apequenam e perdem prestígio. Com a queda de Oswaldo de Oliveira no Santos e a de Ricardo Gareca no Palmeiras alcançamos a média de um técnico demitido por rodada no Campeonato Brasileiro, ainda sem fechar o primeiro turno. Apenas sete, dos 20 clubes da Série A, não trocaram seus comandantes.

As demissões em massa escancaram o quanto é frágil a ligação entre técnicos e clubes, sem falar da falta total de planejamento. Dirigentes de clubes, na maioria inoperante e sem conhecimento do futebol, jogam nas costas dos treinadores a responsabilidade de gerir o futebol – desde indicações de jogadores até montagem da estrutura da comissão técnica, fisiologia, preparação física, departamento médico, entre outros profissionais.

Um rápido levantamento nos clubes e fica fácil descobrir que a maioria delegou aos treinadores a indicação desses profissionais que cuidam da retaguarda dos times. A maioria deles, depois de empossados, continua trabalhando nos clubes, mesmo com a troca de treinadores.

Omissos e sem cultura do futebol, os dirigentes preferem pagar altos salários aos técnicos a montar por contra própria o departamento de futebol. Atuam apenas na hora de indicar os gerentes e assinar os contratos de jogadores e posar para as fotos ao lado dos ídolos.

Os treinadores, coniventes com essa situação e sabedores que vão embolsar uma boa grana, se sujeitam à ciranda das demissões. Não estão nada preocupados com o padrão de qualidade de seus times. Jogam pelos resultados não pelo futebol bem jogado. Se acovardam e saem de bolsos cheios. Eeles  são reféns dos cartolas.

Veja a lista do vai e vem dos treinadores neste Brasileirão.

Atlético-MG – saiu Paulo Autuori, entrou Levir Culpi.

Criciúma – saiu Caio Júnior, entrou Wagner Lopes e agora Wilson Vaterkempe (interino).

Figueirense – saiu Vinicius Eutrópio, entrou Guto Ferreira e depois Argel Fucks.

Palmeiras – saiu Gilson Kleina, entrou Alberto Valentim (interino) e depois Ricardo Gareca – deve vir Dorival Júnior.

Flamengo – saiu Jayme de Almeida, entrou Ney Franco e depois Vanderlei Luxemburgo.

Vitória – saiu Ney Franco, entrou Jorginho e agora Ney Franco outra vez.

Atlético-PR – saiu Miguel Ángel Portugal, entrou Doriva e agora assumiu Leandro Avila (interino).

Chapecoense – saiu Gilmar Dal Pozzo, entrou Celso Rodrigues.

Bahia – saiu Marquinhos Santos, entrou Gilson Kleina.

Grêmio – saiu Enderson Moreira, entrou Felipão.

Coritiba – saiu Celso Roth, entrou Marquinhos Santos.

Santos – saiu Oswaldo de Oliveira, entrou Enderson Moreira.