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Punição ao Grêmio ajuda a desinfetar os estádios

Luiz Prosperi

03 setembro 2014 | 19:12

Diante dessa decisão do STJD fica claro que o Grêmio foi quem saiu no prejuízo. E merecia mesmo. Punições aos clubes em casos de violência e de atos de racismo nos estádios são bem-vindas.

O Grêmio pagou caro no tribunal por um ato insano de parte de seus torcedores racistas que insultaram o goleiro Aranha, do Santos. Antes de entrar no mérito da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF, é bom lembrar que o clube foi julgado e não os gremistas que chamaram o goleiro de macaco.

Assim, o time de Felipão está fora da Copa do Brasil, vai pagar ainda uma multa de R$ 50 mil e os torcedores racistas identificados pela polícia estão proibidos de frequentar os estádios por 720 dias.

Diante dessa decisão do STJD fica claro que o Grêmio foi quem saiu no prejuízo. E merecia mesmo. Punições aos clubes em casos de violência de sua torcida e de atos de racismo nos estádios são bem-vindas. Quem sabe seus torcedores pensem duas vezes antes de agir como irracionais.

Outra punição imposta pela tribunal de justiça desportiva foi ao trio da arbitragem que apitou aquele jogo Grêmio 0 x 2 Santos. Eles não relataram na súmula da partida os insultos racistas que vinham das arquibancadas. Fingiram de surdos e desceram do banco dos réus condenados. O juiz Wilton Pereira Sampaio foi suspenso por 45 dias e multado em R$ 800. Os bandeirinhas Kleber Lúcio Gil e Carlos Berkenbrock, por sua vez, receberam pena de 30 dias de suspensão e R$ 500 de multa.

À série de penas impostas ao Grêmio, anfitrião do jogo, e aos árbitros deve agora ser somada à decisão da Justiça contra os que insultaram Aranha. Aí o caso sai da esfera do futebol e vai para polícia.

De tudo que se possa ficar desse triste episódio do futebol brasileiro, uma certeza deveria prevalecer: estádios de futebol não são território livre, onde se pode impor sua vontade no grito e na força. Não dá para se admitir que um campo de jogo de bola se transforme em um coliseu. Ninguém vai a uma partida de futebol para ver mortes, nem extravasar sua ira. Aquele gramado verde é um campo do prazer, não do ódio.

Nas arenas da bola, não se pode matar ou morrer.

O Grêmio sentiu na carne o quanto é nefasto abrigar sob suas cores um bando de delinquentes que usa os símbolos do clube e o anonimato da multidão para fazer valer a covardia de seus atos. Que o futebol brasileiro não fique apenas no exemplo do Grêmio. Há muito o que se fazer ainda para desinfetar os estádios.