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Gareca, por enquanto, é uma mentira

Luiz Prosperi

domingo 31/08/14

Gareca tem de convencer Paulo Nobre que só com essas peças e insistir em jogar aberto não vai a lugar nenhum. Ou melhor , vai sim, para a Série B.

Gareca disse que joga para vencer, após mais uma derrota, a décima primeira, do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Disse que o Palmeiras é grande e tem de jogar para vencer. Daí ter usado apenas um volante (Marcelo Oliveira) diante do Internacional neste sábado no Pacaembu. Se for jogar só para defender, garante o argentino, ele não é o mais indicado.

O treinador tem lá a sua razão. Não se admite um time da tradição do Palmeiras jogar como um time pequeno, na retranca. A vocação do Palestra é o toque acadêmico na busca do gol, sempre. Está na história do clube. O problema de Gareca é descobrir como fazer desse time um colecionador de vitórias e de gols.

Nos seus quatro meses de trabalho no comando do Palestra, Gareca ainda não fez nada de interessante. Seu time é desorganizado, as escalações não se repetem e falta equilíbrio emocional mesmo nos momentos de mais tranquilidade durante os jogos. É nítida a falta de personalidade e confiança. Trata-se de um time desfibrado, assim como seu treinador.

Gareca paga pelo desconhecimento de como jogam seus adversários. Ele, parece, não tem a menor noção das características de seus jogadores e dos rivais. Diz que é partidário do futebol ofensivo, mas não consegue colocar em sintonia defesa, meio e ataque.

O argentino pode até tirar o Palmeiras do buraco que ele mesmo se jogou. Difícil acreditar que ele terá condições de evitar o naufrágio. Até aqui, o que prevaleceu foi a sua fama de bom técnico na Argentina. Fama injustificável. Para não virar um engodo, Gareca tem de convencer Paulo Nobre que só com essas peças e jogar aberto não vai a lugar nenhum.

Nobre não parece preocupado. O presidente fez aposta no técnico estrangeiro imaginando que seria a novidade no futebol brasileiro. E agora pode pagar caro por esse erro de estratégia. Ou muda o curso do rio antes no início do segundo turno ou vai cair em cascata sem boia para se salvar.