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Programa da Marina

Carlos Eduardo Gonçalves

sábado 30/08/14

Tom geral é bom, mas…

Gostei de várias coisas e do tom geral do documento: liberal e progressista, estilo esquerda europeia.

Nas propostas relativas à Economia, muito bom ouvir que a política macroeconômica tradicional da época FHC-Lula será restabelecida e que os bancos públicos irão se ajustar.

Mas fiquei com uma dúvida aritmética: no documento, fala-se de aumentar o gasto com educação pra 10% do PIB ao mesmo tempo que se diz que os impostos poderão cair e que o superávit primário do governo, isto é, tudo que ele arrecada menos tudo que ele gasta, subirá para reduzir o endividamento. A conta, claro, não fecha: de onde vai vir essa montanha de dinheiro a mais para gastarmos com educação?

Um comentário final: gastar mais com educação pode ser uma boa, mas toda pesquisa sobre o tema indica que simplesmente por mais grana não resolve. É preciso antes mexer com os incentivos dentro do setor público educacional, instaurar mecanismos meritocráticos que premiem as boas escolas e os bons professores e punam a ineficiência e desleixo com o ensino. Se só aumentarmos os gastos, vamos ter que pagar mais impostos sem necessariamente vermos melhoras na qualidade.