* Por Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo
CAMPINAS – O governador Geraldo Alckmin anunciou nesta quinta-feira, 18, o engenheiro de alimentos José Tadeu Jorge, de 60 anos, o novo reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das mais importantes da América Latina, responsável por 15% da pesquisa acadêmica no Brasil.
Jorge, que foi reitor de 2005 a 2009, sucederá Fernando Costa no cargo nos próximos quatro anos. Ele herda um orçamento de R$ 1,9 bilhão e tem como principais responsabilidades a tarefa de reduzir as distâncias que existem entre a pesquisa e o mercado, aumentar o número de docentes e promover maior inclusão social na graduação da universidade.
A indicação de Jorge como reitor confirma o resultado da consulta à comunidade acadêmica em março, que o elegeu entre os 36 mil votantes com 53% dos votos, no segundo turno. O resultado foi corroborado pela lista tríplice encaminhada no início do mês pelo Conselho Universitário (Consu) ao governador, que o colocava como primeiro nome dos três a serem analisados.
Durante a semana, a demora na nomeação do novo reitor fez com que professores da Unicamp divulgassem manifestos alertando o Palácio dos Bandeirantes de que a indicação de um nome que não respeitasse o resultado da consulta acadêmica seria considerado uma “intervenção” na autonomia da universidade.
Além de Jorge, faziam parte da lista os nomes do médico José Abdalla Saad, mais próximo do atual reitor, e do engenheiro eletricista José Claudio Geromel – segundo e terceiro colocados na votação indireta.
O nome do novo reitor é citado no relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo, na lista de funcionários da Unicamp que receberam salários acima do limite permitido por lei, segundo auditoria de 2011 (o teto é o salário do governador). Quando a lista foi divulgada, ele afirmou que acredita que a Unicamp age dentro dos princípios legais. O processo segue em tramitação e não tem data prevista para o julgamento.
Jorge também foi secretário municipal de Educação no governo do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), cassado no ano passado no maior escândalo de corrupção da prefeitura de Campinas, conhecido como Caso Sanasa, que tem a ex-primeira-dama, Rosely Santos, processada como chefe de uma quadrilha de fraudava contratos e teria desviado R$ 200 milhões dos cofres públicos. Na ocasião, quando o escândalo foi descoberto, Jorge pediu demissão do cargo. Seu nome nunca foi citado no caso.
* Do portal da Unicamp
O Ranking Mundial de Reputação 2013 do Times Higher Education (THE) será lançado oficialmente em Dubai, às 8h45 (hora local, 1h45 em Brasília) do dia 5 de março, em uma sessão especial do evento Going Global 2013, organizado pelo British Council. O anúncio será feito pelo editor do THE, Phil Baty.
A Unicamp estará representada no evento pelo professor Leandro Tessler, assessor do reitor para projetos de Internacionalização, que viajará a Dubai a convite do British Council e participará de uma sessão sobre a América Latina.
O professor Constantino Cornelos, do cursinho Objetivo, elogiou bastante as questões de biologia na prova de Ciências Naturais da segunda fase da Unicamp. “Foi uma prova bem elaborada, com a abordagem de diferentes ramos da biologia, tais como filos, botânica e ecologia”, diz.
O professor, no entanto, afirma que a avaliação não foi fácil, mesmo trazendo temas conhecidos, supostamente de domínio de um candidato da segunda fase. “Com exceção de uma questão ou outra, nas quais o aluno poderia se valer do bom senso e de um raciocínio lógico, a prova exigiu do candidato conceitos e não decorebas”, diz. Cornelos cita como exemplo a questão de número 18, que pedia o filo de um animal marinho que possuía em sua superfície corporal espinhos e estruturas tubulares. “Ou o aluno sabia que era um equinodermo ou não, não tinha como enrolar.”
Nas questões de química e física, o maior obstáculo para os alunos foi as contas “trabalhosas” que tiveram de fazer. Ao menos é o que afirmam os professores das duas disciplinas do Objetivo. “Das oito questões de química, cinco exigiam cálculos”, afirma o professor Alessandro Nery.
Para o professor Ronaldo Fogo, de física, muitas das contas exigidas atrapalharam a vida do candidato por serem “chatas”, seja pela presença de números muito grandes ou então pela presença de algarismos decimais. “Em cálculos como esses, o vestibulando dificilmente tem a certeza de ter acertado o resultado logo de cara e prefere refazê-la para se garantir. Com isso, perde um tempo que poderia ser aproveitado para a resolução de outras questões”, diz.
Na opinião do coordenador-geral do Etapa, Edmilson Motta, a prova de Ciências Naturais foi a mais exigente da segunda fase do vestibular da Unicamp. “A prova foi bem puxada, principalmente pela dificuldade que os alunos já têm em química e física”, diz. Segundo o coordenador, as questões de biologia foram mais simples, até mesmo por terem abordado tópicos de domínio do candidato.
As provas de química e física trouxeram conteúdos mais específicos e, em muitos dos casos, exigiram muitos cálculos. “Foram provas difíceis do ponto de vista maniputalivo”, afirma.
Motta observa que caiu uma questão de física moderna no exame desta terça. Apesar da novidade do assunto, o coordenador afirma que os alunos não devem ter encontrado muita dificuldade nesta questão específica, pois o enunciado trazia as fórmulas que deveriam ser utilizadas para a sua resolução.
O coordenador também acredita que os alunos devem ter enfrentado dificuldades para lidar com a administração do tempo na resolução da prova.
Célio Tasinafo, diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, acredita que os vestibulandos devem ter encontrado bastante dificuldade para a resolução das questões da prova de Ciências Naturais da Unicamp que, a seu ver, não estava difícil. Tasinafo tem uma explicação para a contradição. “As questões, apesar de muito bem elaboradas, trouxe temas clássicos e até mesmo repetitivos”, afirma. “O aluno que não define uma estratégia antes do início da prova, provavelmente perderá muito tempo dizendo tudo o que sabe sobre o assunto e não se atendo apenas ao que solicita o enunciado”, diz.
Na opinião do diretor, mais uma vez, faltou tempo para a resolução completa da prova. “Mesmo os bons alunos devem ter sofrido com isso”, diz.
Tasinafo observa que os enunciados das avaliações de física e química foram, na maioria das vezes, contextualizados. “Com isso, percebemos um esforço em tornar os conteúdos dessas disciplinas cada vez mais próximos da vida dos estudantes”, diz. O diretor, no entanto, reclama que não houve interdisciplinariedade. “Tivemos três provas, uma de física, outra de biologia e outra de química, cada uma delas com questões bem definidas.”
A questão de número 9, que relacionou trechos e características de Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, e de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, já era esperada. Ao menos é o que afirma André Valente, professor de português do Cursinho da Poli. “As digressões presentes nas duas obras é a principal relação feita pela própria crítica literária”, diz.
Apesar disso, Valente elogia a avaliação e reconhece que ela foi bastante abrangente e diversificada no que diz respeito a cobrança de conteúdos e textos adotados. “A prova seguiu a tendência dos grande vestibulares e cobrou não só gramática, mas interpretação de texto e literatura”, afirma.
Alessandro da Silva Menezes, professor de matemática, acha que o mesmo ocorreu nas questões de exatas. “Os conteúdos foram bem distribuídos, de modo que grande parte do programa do ensino médio foi cobrado”, diz.
Menezes ressalta que a maioria dos enunciados de matemática foram contextualizados. “Normalmente, isso não interfere, no nível de dificuldade das questões, mas auxilia os alunos a perceberem a aplicação prática de conceitos matemáticos”, afirma.
Nelson Dutra, professor de português do Objetivo, avaliou a prova de segunda fase da Unicamp como uma prova exemplar no que diz respeito à cobrança de conteúdos de língua portuguesa. “É um exame que exige que os alunos saibam ler o mundo e ler também criticamente os livros”, afirma.
O único problema a seu ver, no entanto, foi a “densidade” da avaliação. “Algumas questões são densas a ponto do espaço destinado a suas resoluções serem insuficientes para respostas completas”, diz. O professor cita como exemplo a questão de número 11, que levanta questionamentos sobre Memórias de um Sargento de Milícias. “Para responder de modo completo, neste caso, o aluno deveria fazer três dissertações pequenas explicitando características do romantismo brasileiro, dos personagens e do enredo do livro”, diz.
Na sua opinião, a densidade das questões deve ter refletido, diretamente, na administração do tempo para a resolução das questões. “Acredito que os vestibulandos tenham se sentido sufocados pelo tempo”, diz.
Para Gregorio Krikorian, professor de matemática do Objetivo, a prova de exatas foi “trabalhosa” e “difícil”. “Esta foi uma avaliação destinada a alunos qualificados, independente da área escolhida”, afirma. O professor, no entanto, reconhece que os alunos de Humanas devem ter enfrentado algumas dificuldades. “Os conhecimentos cobrados não são imediatos, mas, sim, específicos de cada um dos temas abordados”, diz.
Para Luís Ricardo Arruda, coordenador-geral do Anglo, os 240 minutos que os candidatos tiveram para resolver as 24 questões de português, literatura e matemática da segunda fase da Unicamp foram insuficientes. Em cada uma das questões havia dois itens e, com isso, o aluno tinha, em média, 5 minutos para resolver cada um deles. “Acho muito difícil que os alunos tenham feito a prova completa”, afirma. “Mas vestibular é uma competição, não é? Então se sairão melhor aqueles que tiverem conseguido resolver mais questões”, diz.
Apesar do problema apontado, Arruda elogiou bastante a avaliação aplicada neste domingo, 13. A seu ver, merece destaque a prova de português, que explorou conteúdos a partir de gêneros textuais distintos, tais como crônica, propaganda, notícias e publicações científicas. “Cobrou-se dos candidatos interpretação de textos de diferentes linguagens”, afirma.
No que diz respeito à parte de literatura, Arruda ressalta que um aluno que não tivesse lido as obras cobradas dificilmente conseguiria resolver as questões propostas. “Não dá para fazê-las com base em resuminhos apenas”, diz. “Elas cobravam, por exemplo, relações entre personagens que deveriam ser muito bem conhecidos”, diz.
Quanto à prova de matemática, o coordenador diz que a avaliação não apresentou falhas e trouxe uma abrangência grande de temas abordados.
Para o diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, as provas de linguagens e de matemática aplicadas no primeiro dia da segunda fase do vestibular da Unicamp não surpreenderam. Tasinafo destaca o peso que as obras de literatura obrigatória tiveram na avaliação. De acordo com o diretor, seis das 12 questões de português exigiram conteúdos relacionados com os livros. “Um candidato que não leu, por alguma acaso, as obras selecionadas e limitou-se a consultar resumos, teria de ter uma excelente memória para conseguir responder às questões de modo completo e fazer as relações que eram pedidas”, diz.
Foram cobrados os livros, Capitães da Areia, de Jorge Amado, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, Til, de José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade – os quatro títulos finais passaram a integrar a lista de leituras obrigatórias no último ano.
Segundo Tasinafo, na outra metade da prova de língua portuguesa prevaleceu a interpretação de texto, como já era esperado. “A cobrança de gramática foi bastante básica”, afirma o diretor, mencionando a questão que pedia as regras de utilização dos “porquês”.
Quanto à avalição de matemática, Tasinafo definiu-a como “trabalhosa”. De acordo com o diretor, mesmo trazendo algumas questões contextualizadas, o que facilitava o seu entendimento por parte dos vestibulandos, era necessário uma série de cálculos para resolvê-los. “Não tem jeito, matemática é matemática, é sempre trabalhosa”, diz.
O diretor comentou também que a parte de exatas da avaliação aplicada neste domingo foi semelhante à segunda fase da Fuvest no que diz respeito à abrangência de assuntos. Teve questões que trataram de polinômios, trigonometria, matrizes, geometria espacial, progressão geométrica etc.
Os cursinhos Etapa, Objetivo, Anglo, Oficina do Estudante e Cursinho da Poli divulgaram a resolução comentada da primeira fase do vestibular da Unicamp. A prova foi aplicada neste domingo, 11, para 62 mil estudantes.
Acesse a correção:
Anglo
Cursinho da Poli
Etapa
Objetivo
Oficina do Estudante
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