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Ponto Edu

* Por Carlos Lordelo

SÃO PAULO – Os chamados “presos políticos”, estudantes detidos na operação da PM que desocupou a reitoria da USP, foram as estrelas da assembleia. Uma garota que foi levada ao 91.º Distrito na terça-feira disse aos colegas que a polícia inicialmente queria apenas fazer um termo circunstanciado e liberar os alunos. “Aí veio ordem do governador Alckmin para imputar a maior quantidade de crimes possíveis.”

Outra aluna, identificada como Rose, disse que foi vitima de tortura e teve de segurar o choro. “Rodas não é persona non grata: ele não é uma pessoa. Assim como não são aqueles policiais”, disse.

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* Por Carlos Lordelo

SÃO PAULO – Foi a presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, Maia Aguilera, quem pediu ao diretor da SanFran, Antonio Magalhães Gomes Filho, a realização da assembleia dos alunos grevistas da USP no Salão Nobre da faculdade. O presidente do DCE, Thiago Aguiar, pediu aos colegas que não fumassem cigarros no recinto. Foi parcialmente atendido. Alguns estudantes, porém, fumaram maconha. E pelo menos 20 levaram latas e garrafas de cerveja ao salão.

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* Por Carlos Lordelo

Foto: Luíza Gancho

SÃO PAULO – Acabou às 23h10 a assembleia que determinou a manutenção da greve dos estudantes da USP. Os estudantes aprovaram a realização de um ato na quarta-feira às 16 horas diante da reitoria. Eles pretendem levar uma carta de renúncia para ser assinada pelo reitor da USP, João Grandino Rodas. No dia seguinte haverá nova assembleia, às 18 horas, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).

Os grevistas aprovaram como suas bandeiras ”Fora PM de toda a sociedade” e a destinação de 10% do PIB para a educação pública. Também votaram a liberação de bandeiras de partidos políticos nas manifestações e uma moção de apoio à greve na Universidade Federal de Rondônia.

Duas propostas foram rejeitadas: a de realização de cadeiraços (bloquear acessos de faculdades com carteiras empilhadas) e a de fazer um abraço coletivo ao Conjunto Residencial da USP (Crusp) na segunda-feira.

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* Por Carlos Lordelo

Foto: Luíza Gancho

SÃO PAULO – A primeira votação da assembleia foi sobre a formação da mesa. O presidente do DCE, Thiago Aguiar, defendeu que a presidência fosse “rotatória” e a mesa tivesse, além dele, um representante de C.A. e três “presos políticos” — como são chamados os estudantes detidos pela PM na operação de reintegração de posse da reitoria, na terça-feira. A proposta de Thiago venceu a de outra ala, que defendia o “preso político” Rafael Alves, de Letras, como presidente da mesa.

Para o presidente do DCE, a assembleia de terça-feira, que definiu a greve dos alunos, foi uma “reunificação do movimento estudantil” (alusão ao fato de o diretório ter sido contra a invasão da reitoria). A fala de Thiago foi saudada por gritos de “unidade, unidade!’

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* Por Carlos Lordelo

SÃO PAULO – Cerca de 100 PMs fecharam ruas para a passagem do ato convocado contra a presença da PM no câmpus. Por causa de uma chuva leve, os alunos decidiram realizar no Salão Nobre da faculdade assembleia para decidir se mantêm a greve definida na terça-feira.

A reportagem perguntou ao diretor da faculdade, Antonio Magalhães Gomes Filho, se não há problema na realização da assembleia no Salão Nobre. “Problema tem, sim. Eles vão passar muito calor.” Talvez por isso, alguns estudantes entraram com latas de cerveja no local.

A Faculdade de Direito é um dos pólos de oposição ao reitor da USP, João Grandino Rodas. Em 29 de setembro, a congregação da SanFran, órgão máximo da unidade, declarou Rodas persona non grata.

Uma faixa alusiva à declaração de persona non grata está hoje atrás da mesa da assembleia, no salão.Cerca de 500 estudantes já se acomodaram no local, que tem capacidade para 800.

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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu


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Mark Zuckerberg não é físico, mas graças aos recentes acontecimentos na USP seu invento prova que para toda ação há uma reação.
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Foi agendado, via Facebook, um novo ato contra a PM na USP, desta vez na Faculdade de Direito? Um integrante da comunidade “Sou Do Contra – USP” divulga o evento e convida os colegas a marcarem que não vão (por ora, os que confirmaram não ir superam os que vão por 88 a 38).
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Alunos votaram por uma greve? Pipocam imagens com títulos como “por que não estou em greve“.
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Num desabafo, uma estudante da ECA publica o que viu durante a operação da PM? Outra aluna da mesma faculdade afirma que “não é ocupando reitoria e escondendo rosto que vão conseguir respeito”, e um estudante lembra que os manifestantes pertencem a organizações políticas radicais.
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Reclama-se do debate pouco informado? Haverá debate dia 16 entre um chefe de segurança e um representante do Sou da Paz.
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Professores vão decidir se entram em greve? Uma aluna prepara um e-mail pedindo que eles não se juntem ao movimento e pede que os colegas mandem também uma cópia.

Apesar de disponível somente a usuários cadastrados, e com a opção de bloquear conteúdos, dezenas de pessoas deixam no Facebook mensagens públicas, numa variedade e quantidade que lembra os jornais do efervescente século 18. Mas há quem prefira usar tecnologias mais avançadas.

O DJ Mauro Hezê, que faz questão de mostrar o rosto para se diferenciar dos ocupantes encapuzados, publicou um vídeo, já visto por mais de 14 mil pessoas, no qual, abusando dos palavrões, critica os invasores. “A USP não é o sítio ou a chácara de vocês”, reclama. “Vocês são o câncer podre de um sistema de ensino falido”. Ele diz ser a favor da legalização da maconha, mas pensa que, como a droga é ilegal, perseguir esse objetivo deve também ser na forma da lei.

Os tais “jornais do efervescente século 18″ fazem parte da obra do filósofo Jürgen Habermas. Mas o que ele tem a ver com isso?

Desde a prisão de três alunos da USP encontrados fumando maconha no dia 27 de poutubro até a chegada à delegacia, na manhã de terça-feira, de outras dezenas que ocupavam a reitoria, os manifestantes brandem livros. E entre os livros brandidos estão As Palavras e as Coisas, de Michel Foucault, O Golpe na Alma, de Marcius Cortez, Lutando na Espanha, de George Orwell, Idea – a Evolução do Conceito de Belo, de Erwin Panofsky, e um volume de obras escolhidas de Walter Benjamin (1892-1940). Este último, apesar da diferença de idade, é considerado colega, na chamada Escola de Frankfurt, do acadêmico Jürgen Habermas (vivo aos 82 anos), que escreveu que a ‘esfera pública’, onde ocorrem os debates, ficou mais rica com a difusão de livros e jornais possibilitada pela tecnologia da prensa.

Foto: Tiago Queiroz/AE

Foto: Paulo Liebert/AE

Habermas pode não entender muito de internet, mas a esfera pública entende, e a usa intensamente para discutir as ações dos manifestantes que brandem livros do seu colega Walter Benjamin.

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Numa operação que mobiliza cerca de 400 homens, a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou às 5h10 desta manhã no prédio da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupado por estudantes desde o dia 2. Neste momento, há 63 estudantes detidos dentro do prédio. Eles serão encaminhados para o Distrito Policial de Pinheiros. Do lado de fora do prédio, cerca de 200 estudantes esperam a saída dos colegas. Alguns deles gritam palavras de protesto.

 Não há registro de feridos

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* Por Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo

1.
O Globocop sobrevoa o amontoado de 300 estudantes que se prepara para dar início à assembleia que vai decidir sobre a permanência da ocupação da reitoria. Pelo menos 20 jornalistas rodeiam os jovens, com luzes e flashes prontos para pipocar. O clima é de euforia teen, como se finalmente aqueles 300 umbigos ocupassem o centro do mundo.

Começam os debates. A primeira decisão da assembleia, por aclamação, é proibir “a mídia” de gravar os discursos. Por quase meia hora, a geração que adora contar seus problemas privados no Facebook impede os jornalistas de transmitirem os debates sobre temas de interesse público.

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2.
Surge o primeiro destaque da noite. Com a voz de quem havia chorado e estava na iminência de voltar a desabar, Michele, uma morena de cabelos rebeldes, integrante da ala jovem do PSTU, pega o microfone para encarar a multidão hostil. Dois dias antes, juntos com lideranças do PSOL, partidos que comandam o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, eles foram considerados traidores do movimento ao liderar uma assembleia que decidiu pela desocupação do prédio da FFLCH. A ocupação da reitoria só veio porque lideranças de movimentos mais radicais do movimento estudantil assumiram a mesa para retomar a votação. Sem o apoio do DCE, na terça-feira, decidiu-se então pela ocupação da reitoria.

Antes heroína, agora Michele está na berlinda. Ela se diz indignada com a panfletagem da tarde, que os chamava de P2 do movimento (em referência a serem informantes dos policiais militares). No meio da multidão, um estudante a chama de Cabo Anselmo e o apelido pega rapidamente. Michele resiste. Ainda tem a coragem de enfrentar os jovens para dizer que a invasão da reitoria é um erro estratégico. Michele é xingada, vaiada e sai de cena antes de cair no choro.

Embasbacada, a reportagem já pode dizer que testemunhou uma assembleia em que o PSTU foi taxado de lacaio da direita.

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3.
Quando começam as discussões, fica claro a injustiça do mundo contra os jovens brasileiros. Enquanto as manifestações dos egípcios e iranianos combatem ditadores, europeus clamam por empregos e norte-americanos contestam a Bolsa de Valores, símbolo maior do sistema que construíram, os estudantes da USP ainda parecem dar murros em ponta de faca na busca de uma boa causa para protestar.

Nas falas, eles já se inserem na onda jovem mundial dos protestos de rua. Mas derrapam quando precisam apontar o inimigo com clareza. Ao defender o “Fora, PM”, um estudante diz que pretende que o movimento contagie os estudantes secundaristas para que eles se rebelem “contra a Ronda Escolar”. Em vez de criticar os métodos dos policiais paulistas, uma das corporações mais violentas do mundo, defendem simplesmente o desaparecimento dos policiais das favelas e morros e de todos os lugares. Há gente a favor, gente contra, votos para lá e para cá, numa assembleia que vai até meia-noite. Os estudantes da USP sem dúvida estão dispostos a mudar o mundo. E a brigar, se for preciso. O azar é que ainda parecem procurar a grande causa.

Veja também:
blog  Pancadão sem funk na USP
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