* Por Ricardo Brandt
CAMPINAS – Com cinco minutos de atraso, o estudante Rafael Marson, de 19 anos, perdeu a primeira fase da Fuvest. Morador de Vinhedo, ele chegou ao Colégio Liceu, em Campinas, quando os portões já estavam fechados. Rafael atribuiu a um e-mail equivocado o seu atraso.
“Recebi um e-mail informando que a prova começaria às 13h30. Pensei que os portões iam ficar abertos até mais tarde”, disse o estudante, ao lado da mãe.
Candidato a uma vaga no curso de Direito, Rafael afirmou que a USP era prioridade entre os demais vestibulares que prestou.
“Agora só no ano que vem”, disse o estudante, resignado, ainda com o lápis, a borracha e uma régua na mão.
Segundo o coordenador pedagógico do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho, a prova de fim de ano da Unesp foi simples e bem elaborada. Para ele, o destaque foi a grande quantidade de questões que incluem conteúdos de linguagens. Foram aplicadas 20 questões de português e 10 de inglês, enquanto para as disciplinas de matemática, química e física havia, no total, apenas 21 perguntas.
Nas questões de português, Carvalho destaca a ausência total de literatura. “Também não apareceu artes, como vinha aparecendo em anos anteriores”, explica.
Diferentemente do Enem, as provas de filosofia e sociologia exigiram apenas leitura e interpretação de textos e não entraram no conteúdo específico de cada disciplina. “A resposta aparecia facilmente por exclusão de alternativas”, afirma Carvalho.
Ele também diz que a pergunta de matemática de número 88, da versão 1 do caderno de questões, tinha duas possibilidades de respostas. As alternativas corretas para o aumento do nível dos mares e oceanos, em cm, poderiam ser “(A) 8,5 e 15,5″ e “(E) 5,5 e 15,5″. “Não foi erro do enunciado, mas é uma questão de lógica.”
No primeiro dia de provas do Enem de 2012, o candidato precisou analisar trechos da música “A vida do viajante”, do compositor pernambucano Luiz Gonzaga, que teve o centenário comemorado neste ano. Confira abaixo o clipe da música:
*Por Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Apesar de ser na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, os candidatos da UniPaulistana tiveram que sair bem cedo de casa. Praticamente todos os inscritos que vão fazer a prova neste local são da Zona Leste, de bairros como Itaim Paulista e Vila Carrão, ou da zona Norte. A estudante Naiara Gonsalez, de 17 anos, saiu de sua casa no Jardim Santa Terezinha, na zona leste, antes das 10h da manhã. “Sorte que o metrô estava vazio”, diz a estudante, que pretende uma vaga em Medicina em alguma universidade federal. “Trouxe chocolate e água para não deixar o cansaço vencer”.
O vestibulando Matheus Brunetti, de 17 anos, também se adiantou e saiu cedo para a prova. Ele, que pretende cursar Engenharia, também lamenta não fazer o Enem perto de casa, mas está confiante em seu desempenho. “O Enem é uma prova diferente. É boa porque tem textos que não exigem apenas um conteúdo isolado”, diz ele, estudante da Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp), uma das instituições públicas mais bem colocadas no ranking do Exame.
O objetivo da vestibulanda Paula Cristina, de 20 anos, é uma bolsa no ProUni. É a segunda vez que ela faz o Enem. “Fui bolsista do ProUni no Mackenzie em Publicidade e Propaganda, mas não gostei do curso. Agora pretendo cursar Design Gráfico”, diz ela, que após abandonar a faculdade, fez cursinho durante os últimos 6 meses.
Na UniPaulistana, alunos formam fila à espera do início das provas. O clima é tranquilo e parte dos estudantes aproveitam o tempo livre para descansar e comprar canetas esferográficas de cor preta.
O Mackenzie divulgou por volta de 18h30 o gabarito e o caderno de questões de seu vestibular de inverno, realizado na tarde deste sábado, 16. Os candidatos responderam a 60 testes sobre as matérias do ensino médio e escreveram uma redação.
Clique aqui para baixar o gabarito e aqui para baixar a prova.
A banca de redação seguiu o costume de não dizer claramente o tema sobre o qual os estudantes deveriam escrever: pediu uma dissertação sobre aspectos comuns aos quatro textos do material de apoio. Desta vez, a prova teve como espinha dorsal a ação do Ministério Público Federal para tirar de circulação o dicionário Houaiss. A publicação conteria, em uma das acepções da palavra cigano, expressões “pejorativas e preconceituosas” e praticaria racismo.
O processo seletivo oferece 2.630 vagas, sendo 2.330 para o câmpus de Higienópolis, na capital, 150 para o de Campinas e outras 150 para o de Alphaville. A primeira lista de aprovados sai no próximo dia 28, com matrícula no dia 30. Neste ano, o Mackenzie preencheu metade de suas vagas do segundo semestre usando o Enem.
Veja também:
Mackenzie faz prova ‘sem emoções’, diz Anglo
* Atualizada às 21h25
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

Foto: Reprodução/Blog Exame de Ordem
Por causa da falta de luz em um colégio, a OAB cancelou a aplicação do exame em Duque de Caxias (RJ). Segundo relatos publicados no blog Exame de Ordem, do advogado Mauricio Gieseler, cerca de meia hora após o início da prova houve um pique de luz no Colégio Futuro Vip. “Os candidatos foram informados que a coordenação iria tomar providência para sanar o problema”, diz o texto. Só que após mais meia hora, “todos os alunos foram retirados de sala e reunidos em espaço dentro do próprio colégio, sem água e sob o sol, com ordens de não levarem seus pertences. Apesar disso, há relatos de que vários candidatos usaram seus celulares e mesmo orelhões dentro do colégio”.
Gieseler cita o e-mail que recebeu de uma candidata: “como estamos no RIO DE JANEIRO, em pleno verão, calor infernal, salas sem janela, apenas com a porta e um ar ou dois em algumas salas, todos foram para o pátio. Pronto, bagunça generalizada, conversas sobre a prova, consultas pelo celular, ligações para todo mundo, inclusive para a polícia, que chegou ao local causando mais transtornos!! (…) até sem água nós ficamos!!”.
Ainda segundo Gieseler, os candidatos de Duque de Caxias serão inscritos na próxima edição do exame, em maio.
A FGV, que realiza o exame em parceria com a OAB, publicou agora há pouco este comunicado em seu site:
“Em face do caso fortuito e de força maior ocorridos no município de Duque de Caxias/RJ, que impossibilitaram a continuidade da aplicação do VI Exame de Ordem Unificado, o Comitê Gestor, no uso das suas atribuições, resolve suspender a aplicação do Exame exclusivamente neste município, sem prejuízo aos demais locais de realização das provas. Demais orientações, deliberadas pelas diretorias da FGV e do CFOAB, serão oportunamente enviadas aos Examinandos inscritos em Duque de Caxias/RJ”.
O coordenador do cursinho Anglo, Luis Arruda de Andrade, avalia que a prova da primeira fase da Fuvest foi de nível médio. Segundo ele, as disciplinas que mais exigiram dos vestibulando foram física e literatura. “As questõe de Física envolveram situações incomuns para os alunos. Já as de literatura apresentaram interdisciplinaridade, o que sempre representa uma dificuldade a mais”, disse.
Arruda também elogiou a disposição das questões que envolvem diversas disciplinas. “Antes, as interdisciplinares vinham no começo e, neste ano, foram para o meio do exame. Eu vejo isso como uma evolução”, afirmou. “De maneira geral, a prova foi bem feita.”
De acordo com o professor de matemática do cursinho, Glenn Van Amson, uma das questões da disciplina não tinha resposta correta. “A pergunta 62 da prova V falava de um polígono convexo com ângulo de 180º, o que não existe”. Para Amson, o erro deve ter atrapalhado os candidatos. “Você está num velocidade na prova e, de repente, se depara com problemas em uma conta relativamente simples. Acha que errou. Com isso, você acaba perdendo a auto-confiança.”
* Por Rose Mary de Souza, especial para o Estadão.edu
CAMPINAS – O vestibulando Murillo Pellegrini, de 18 anos, tenta a carreira de Marketing e achou dificil a área de exatas da prova da primeira fase da Fuvest. Já a sua amiga Larissa Aragão, de 19, tenta Engenharia Química e achou dificil a área de humanas. Os dois concordam apenas em um ponto: inglês estava fácil. “Qualquer pessoa que se preparou para a prova foi bem”, analisou.
A candidata Daiane Gomes de Menezes, de 22 anos, tenta Terapia Ocupacional e também não encontrou dificuldades em inglês. “Estava fazendo Nutrição e tranquei no começo do ano. Quero mudar de curso e é muito díficil. Na faculdade, não tem, por isso tive que encarar a Fuvest pela primeira vez”, contou.
Marina Borges, de 17, candidata à Fármácia, acha que o inglês já faz parte do universo do brasileiro, por isso há essa familiaridade com a língua no Brasil. “Já é quase uma outra língua por aqui”, disse, lembrando que várias expressões estão incorporadas no cotidiano das pessoas. “Não me matei de estudar”, afirmou a jovem, que ainda cursa o último ano do ensino médio e sonha com uma vaga. Ela também prestou na Unicamp. “Estou tranquila. Se eu não passar, no ano que vem eu me preparo melhor”.
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