* Por Felipe Frazão
SÃO PAULO – O comandante da PM Wellington Venezian, responsável pela zona oeste, que inclui o câmpus da USP, afastou das ruas o sargento André Luiz Ferreira, que aparece em vídeo agredindo um estudante, e o soldado Rafael Ribeiro Fazolin. O sargento admitiu pra o comandante que houve “um desequilíbrio emocional” na abordagem. A corregedoria da PM instaurou uma sindicância para apurar a agressão. O resultado deve sair em até 60 dias.
Segundo Venezienan, a Polícia Militar foi acionada na manhã desta segunda-feira pela Guarda Universitária para retirar os estudantes que ocupavam o local. Ainda segundo a PM, a última entrada restante do Centro de Vivência da USP, a da cozinha, foi coberta por tapumes.
* Corrigido às 19h39.
* Por Felipe Mortara, do Viagem, Felipe Frazão, do Metrópole, e Carlos Lordelo, do Estadão.edu
Um policial militar sacou a arma e apontou na direção de um estudante no Centro de Vivência da USP, na Cidade Universitária, zona oeste. O vídeo, publicado nesta segunda-feira no YouTube, mostra a ação da PM para retirar um grupo de pessoas que estava morando no prédio. Veja:
O aluno agredido é Nicolas Menezes Barreto. Ele estuda Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na USP Leste. A universidade informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que a PM deve comentar o caso. O Comando Geral da polícia convocou uma coletiva de imprensa para o fim desta tarde de segunda-feira.
A PM esteve no câmpus na última quinta-feira, após o jornal O Estado de S. Paulo publicar matéria mostrando que punks estavam morando no Centro de Convivência havia cerca de um mês. Alguns dos ocupantes não são alunos da universidade.
Leia também: PM afasta das ruas sargento que agrediu aluno da USP (publicada às 18h46)
* Atualizada às 16h10 para mudar o título e informações do primeiro parágrafo. A pessoa para quem o PM apontou a arma é aluno da USP, como mostra o segundo vídeo. Também foi inserido a parte 2 do vídeo e o segundo parágrafo do texto
* Atualizada às 16h40 para acrescentar informações sobre o estudante
* Atualizada às 17h10 para acrescentar informações sobre o outro lado da universidade
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
Fotos: Cedê Silva/AE
SÃO PAULO – Três trabalhadores bloquearam com tapumes dois acessos do prédio onde fica o DCE da USP, deixando abertos apenas uma pequena entrada, que dá acesso à cozinha, e os acessos diretos às salas do DCE e da APG (Associação dos Pós-Graduandos) . O trabalho foi concluído às 19h45 desta sexta-feira. Estudantes próximos ao Centro de Vivência não quiseram dar entrevista, mas, segundo relatos, viaturas da PM deixaram o prédio pouco antes da reportagem chegar, por volta das 18h30. Elas estariam fornecendo cobertura à Guarda Universitária. Durante algum tempo, seis guardas universitários uniformizados, acompanhados de quatro viaturas da Guarda, vigiavam o trabalho.
Dois homens vigiavam, a alguns metros de distância, a pequena entrada à cozinha, mas sem muito zelo. Pelo menos uma vez, um homem entrou no prédio e depois saiu, sem que os vigias chamassem sua atenção. Apenas um cavalete velho bloqueava esse acesso.
Pouco depois de pregado o último tapume, os três trabalhadores – que não usavam uniforme nem equipamento de proteção – deixaram o local em dois carros sem identificação de nenhuma empresa. Alguns minutos depois disso, um novo grupo de jovens chegou ao local, alguns deles trajando roupas pretas e com cabelo bem curto. Eles também não quiseram dar entrevista.
Por volta das 20h, alguns estudantes trouxeram para dentro do prédio uma grande bacia.
Há cerca de um mês, um grupo de punks anarquistas e antifascistas invadiu o prédio abandonado. Pelo menos nove deles ocupavam o imóvel.
Na capa, a conhecida foto do jornalista Vladimir Herzog morto em uma cela do Dops, em 1975, supostamente após cometer suicídio. No verso, uma imagem de um grupo de skinheads dizendo “Maconheiro: aqui você não terá paz” e, em seguida, “Estudantes de bem apoiam totalmente a presença da Polícia Militar” na Cidade Universitária da USP.
O panfleto, sem identificação de autoria, aponta o clima de animosidade entre os defensores da presença da PM no câmpus e os que pedem o fim do policiamento na USP. O material gráfico, que circula na Cidade Universitária e nas redes sociais, sugere que skinheads fariam o patrulhamento do câmpus caso o convênio entre a reitoria e a polícia fosse revogado.
A única sigla que aparece é CCC, talvez uma alusão ao Comando de Caça aos Comunistas, grupo paramilitar de ultradireita que atuou durante o Regime Militar no Brasil.

Para Rodrigo Souza Neves, secretário-geral de uma chapa que concorre ao DCE da USP, a Reação (tida como “de direita”), o panfleto “tem a cara” de uma ação da União Conservadora Cristã (UCC) – organização de estudantes com uma proposta conservadora. Mas, como o material não tem a marca do UCC, “pode ser” que tenha sido feito “pela turma da esquerda radical”, diz Rodrigo, aluno de Gestão de Políticas Públicas. “Da nossa parte não é. Prezamos pelo Estado Democrático de Direito. Jamais compactuaríamos com um absurdo desses.”
‘Malufinho’
Conhecido nos corredores universitários como “Malufinho”, Rodrigo diz ser alvo de uma “campanha de difamação” conduzida pela “esquerda partidária”. Circula nas redes sociais uma foto do estudante com os braços sobre o ombro do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP). Fizeram duas montagens sobre a foto. Uma diz “Estuprou na USP?” e, abaixo, “Campanha DCE 2012 – Estupra, mas não mata!” – referindo-se à famosa declaração do político.
A outra montagem pergunta: “Você votaria numa chapa que apoia um criminoso internacional?”. Ao lado de Rodrigo aparece José Oswaldo Neto, aluno da Escola Politécnica (Poli) e também da Reação. Os dois cartazes trazem a logomarca da chapa “de direita”.
Rodrigo diz que nem ele nem José são simpatizantes do Partido Progressista ou de Maluf. “Inclusive nunca votamos nele”, ressalta. “Essa foto foi tirada em 2009, sem consentimento, num evento aberto. Fui lá para ver uma série de pessoas. Tenho costume de tirar fotos com políticos.”
O estudante afirma que essa foto já foi usada no ano passado para difamá-lo. “Em toda eleição de DCE, C.A. ou Representação Discente que entro utilizam a mesma foto e sempre faço a mesma defesa.” Desta vez, Rodrigo pretende descobrir quem postou a imagem no Facebook do usuário “Alunos da USP” e processá-lo. “Esse perfil fake (falso) foi o primeiro a postar essa imagem na rede, ontem às 11h.”
“Lamento a postura do autor e dos movimentos políticos que criaram essa peça de difamação”, conclui Rodrigo.
Quinta-feira, 27 de outubro
Três estudantes de História da USP, que estavam com maconha no estacionamento da FFLCH, são abordados pela PM. Houve quebra-quebra e protestos. O auge da confusão foi às 22h, quando os alunos estavam sendo levados ao distrito policial. A viatura em que eles estavam foi rodeada por universitários e teve vidros quebrados a socos e pedras. Alunos chegaram a subir em cima do veículo.
Para dispersar a aglomeração, a polícia lança bombas de gás lacrimogêneo. Estudantes revidam com pedras. Policiais então deixam o câmpus em alta velocidade. Pelo menos cinco viaturas foram depredadas.
Pouco depois, dezenas de estudantes invadem o prédio administrativo da FFLCH; segundo eles, era uma demonstração de repúdio à ação da Polícia Militar.
Sexta-feira, 28 de outubro
Manifestantes prometem só deixar o edifício quando a USP romper o convênio com a secretaria estadual de Segurança Pública que reforça o policiamento na Cidade Universitária.
Reitoria da USP lamenta os “incidentes” ocorridos na noite de quinta. Segundo nota, os fatos serão analisados pelo Conselho Gestor do Câmpus, que deverá apresentar “propostas para o equacionamento da situação”
Segunda-feira, 31 de outubro
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas monta uma comissão de três professores e dois funcionários para negociar a desocupação do prédio administrativo.
Terça-feira, 1º de novembro
À noite, assembleia de alunos no vão da História vota pela desocupação do prédio administrativo. Logo em seguida, com quórum menor, outra reunião vota a favor da ocupação do prédio da Reitoria. A ação seria repudiada pelo DCE, que presidiu a primeira assembleia.
Com pedras, pedaços de pau, rostos cobertos e portando até travesseiros, manifestantes arrombam garagem da Reitoria e invadem o prédio por volta de meia-noite.
Nota afirma que “[e]sta ocupação é uma continuidade da ocupação da administração da FFLCH, que será desocupada conforme deliberado no início da assembleia (…) Continuaremos a luta contra a repressão e mantemos, portanto, os eixos centrais do movimento: revogação do convênio PM-USP! Fora PM! e revogação de todos os processos contra estudantes, professores e funcionários!”.
Quinta-feira, 3 de novembro
À tarde, reitoria da USP pede na Justiça a reintegração de posse do prédio.
À noite, assembleia dos manifestantes decide manter ocupação e resolve também transferir para a Reitoria uma festa da ECA (Escola de Comunicações e Artes)
Polícia Civil abre dois inquéritos contra os estudantes. O primeiro por danos ao patrimônio público, por causa das seis viaturas depredadas durante a prisão dos três estudantes com maconha; o segundo para apurar os danos ao prédio da FFLCH.
Sexta-feira, 4 de novembro
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e dos estudantes dizem que as negociações com a reitoria não avançaram.
Oficial de Justiça leva notificação aos manifestantes e dá prazo até 17h de sábado para desocuparem o prédio. Nenhum estudante aceita receber em mãos a notificação judicial.
Rafael Alves, de 29 anos, aluno de Letras e um dos ocupantes, afirma que o reitor João Grandino Rodas será responsável pela agressão aos alunos, caso a PM seja chamada para liberar o prédio.
Sábado, 5 de novembro
Comissão de Negociação da Reitoria participa de audiência no Fórum Hely Lopes Meireles com representantes dos alunos que invadiram o prédio. Na audiência, fica acordada a prorrogação do prazo de reintegração de posse até as 23h de segunda-feira , dia 7. Fica agendada para terça-feira, dia 8, uma reunião da Comissão de Negociação com os alunos, condicionada à desocupação do prédio no prazo previsto.
Segunda-feira, 7 de novembro
USP se compromete a não punir os estudantes e servidores que ocuparam o prédio da reitoria, desde que entreguem o prédio até 23h.
Terça-feira, 8 de novembro
Operação da polícia iniciada às 5h10 leva 400 soldados, 2 helicópteros e cerca de 50 viaturas ao câmpus. Eles portam cassetetes, escudos e armas com balas de borracha. Cerca de 70 manifestantes são encaminhados ao 91º Distrito Policial em dois ônibus, um para homens e outro para mulheres. Invasores são revistados ainda dentro do prédio e fichados na delegacia pela Polícia Civil. Outro grupo também é contido, ao apedrejar viaturas. Os vidros de duas delas foram danificados.
Detidos são indiciados por dois delitos: desobediência de ordem judicial e dano ao patrimônio público. A polícia tinha informado inicialmente que os 72 também seriam indiciados por crime ambiental e estudava até a possibilidade de eles responderem por formação de quadrilha, mas ambos os delitos foram descartados.
Os deputados estaduais Carlos Giannazi (PSOL), Adriano Diogo (PT) e João Paulo Rillo (PT) tentam no 91.º DP negociar a redução do valor da fiança, de R$ 1.050. O valor é reduzido para um salário mínimo (R$ 545).
Central sindical CSP-Comlutas, ligada ao Sintusp, paga as fianças, no valor total de R$ 39.240.
Garota publica vídeo em que mostra a ação policial na moradia universitária, o Crusp.
Manifestantes bloqueiam as duas entradas da Faculdade de Letras, improvisam barricadas nos corredores, e impedem alunos de ter aulas.
Um grupo de quatro alunas e dois professores do Cursinho do Crusp fica sem usar as salas de aula da FFLCH – funcionários trancaram as portas porque alunos estavam retirando carteiras para fazer barricadas.
Assembleia novamente no vão da História, desta vez com cerca de 2 mil alunos, delibera por greve dos estudantes.
Primeiro invasor da Reitoria deixa o DP às 23h11.
Quarta-feira, 9 de novembro
Último invasor da Reitoria deixa a delegacia ainda de madrugada.
Adesão à greve é fraca e apenas Letras tem aulas suspensas. Em outras grandes unidades, como a Escola Politécnica e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), o dia é normal. O Centro Acadêmico da FEA e o Centro de Engenharia Elétrica divulgaram notas posicionando-se contra a greve.
Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), uma assembleia com cerca de 400 alunos de Arquitetura decide, por maioria, aderir à paralisação. O curso de Relações Internacionais também vota pela adesão.
A Associação dos Docentes da USP (Adusp) decide não aderir à greve dos estudantes. Professores, porém, confirmam participação na assembleia geral dos estudantes marcada para quinta-feira em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no centro.
Debate sobre a USP fica intenso na internet.
Quinta-feira, 10 de novembro
De manhã, manifestantes bloqueiam novamente as duas entradas da Faculdade de Letras. Estudantes pedem aula, promovem empurra-empurra e furam o bloqueio.
À tarde, passeata no centro de São Paulo parte da SanFran e reúne até 5 mil manifestantes (segundo os organizadores). Assembleia realizada em seguida na Faculdade de Direito reitera manifestação pela greve.
À noite, divulgado resultado das eleições para o centro acadêmico da SanFran: chapa Resgate vence Fórum da Esquerda por 829 votos a 520.
Nos dias 22 a 24 de novembro, haverá eleições para o DCE da USP.
* por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – O político Plínio de Arruda Sampaio, que foi candidato pelo PSOL a presidente em 2010, discursou agora há pouco na manifestação em frente ao Largo de São Francisco, e chamou o reitor da USP de ‘fascista’. “Vim prestar solidariedade contra a repressão do reitor Rodas”, afirmou. “Ninguém pode entrar na universidade – nem a polícia, nem a Igreja, nem o poder econômico. Este ato é contra o processo de fascistização da universidade. É repressão por todo lado”, afirmou. E concluiu: “espero que a polícia não faça besteira agora”.
Na mesma manifestação, o professor Jorge Luiz Souto Maior disse que a operação de reintegração de posse foi “um gasto considerável para um Estado que deve mais de R$ 20 bilhões em precatórios e R$ 15 bilhões em direitos alimentares”. Para o professor de Direito, “foi uma ação para judicializar a política. Usou-se de força desproporcional para gerar medo em todos e impedir futuras mobilizações”. Souto Maior classificou a ação da PM de “perseguição aos alunos”.
* Por Carlos Lordelo
Foto: @nerwosa
19h13 – Após cerca de duas horas de passeata, manifestantes completam a volta e chegam ao Largo de São Francisco. Alguns ergueram uma faixa na sacada, onde se lê: “Rodas: o saber não aceita polícia”
19h02 - Manifestantes estão completando a volta e se aproximam da SanFran, faculdade de Direito da USP. Diante do prédio da Prefeitura, lembraram do aumento das passagens de ônibus: gritando “3 reais não dá, eu quero passe livre, passe livre já”
18h53 - Manifestantes passam em frente à Estação Anhangabaú do metrô. Ao lado da Biblioteca Mário de Andrade, há um trailer da polícia. Manifestantes exibem cartazes, mas policias conversam entre si e não se importam. Os cartazes dizem “repressão a gente vê por aqui”, “movimento social não é caso de polícia”, e “crimes de maio de 2006″, em referência às ações contra o PCC. Um manifestante deixa esse último cartaz no chão, em frente ao trailer. Um policial vai para dentro do trailer, traz um copo d’água e molha o cartaz no chão. Depois, pega o cartaz, amassa e joga no lixo.
18h44 - Na Av. São Luís, um motoboy diz para o outro: “tem que descer o pau mesmo, mano”. Manifestação agora é em frente à Biblioteca Mário de Andrade.
18h39 – Uma moça se ajoelha na Avenida São Luís e grita “nós somos os 99%!”, em referência aos movimentos inspirados no “Ocupe Wall Street”.
18h38 – Confusão entre manifestantes e motoboys. Há bate-boca agressivo. Dois agentes da CET tentam acalmar os ânimos. Os motobys não chegam a descer das motos. Ao fundo da passeata, uma moto, um carro e uma camionete da CET.
18h30 – Cerca de 5 mil pessoas, segundo os manifestantes, chegam agora à Avenida São Luís
18h11 – Na altura do nº 600 da Av. São João, manifestantes são aplaudidos por pessoas do lado de dentro de prédios ocupados. Apoio mútuo entre os movimentos.
18h10 - Manifestantes andam na Av. São João, prestando apoio aos movimentos que ocupam prédios no Centro. Gritam: “ocupa, ocupa!”
17h58 - Manifestantes dão a volta no Theatro Municipal. Chega um mendigo e pergunta para este repórter: “eles estão pedindo pela saúde do Lula?”
17h47 - Os estudantes chegaram à Rua Líbero Badaró. Estão distribuindo folhetos, denunciando que a USP está sendo privatizada, por uma política de governo. Eles aparentemente não estão tendo sucesso no convencimento das pessoas. Um dos líderes da manifestação, que diz estar sendo ameaçado de expulsão da USP, parou há 15 minutos para argumentar com duas pessoas na Ladeira Porto Geral. Ele lembrou que a PM já estava presente no câmpus no dia que o aluno Felipe Ramos de Paiva foi assassinado. Quando o líder sai, um dos dois comenta: “Eles querem é que a droga seja liberada. Se não fossem esses playboys, não haveria tráfego.”
17h45 – Parte de trás do grupo de alunos dança na Rua Líbero Badaró, ao som de violões, pandeiros e flautas. Um deles veste um moletom onde se lê “USP Lazer e Turismo”. Enfurecidos, motoboys detidos pela passeata aceleram fundo e ameaçam furar o bloqueio. Um funcionário da CET tenta acalmar os ânimos.
17h28 - Manifestantes passam em frente ao Largo do São Bento, gritando: “ah, mas que vergonha / acham que a greve é por causa da maconha”
17h19 - Manifestantes param e se concentram em frente ao Pátio do Colégio
17h01- Polícia bloqueia trânsito perto da Praça João Mendes para impedir passeata de prosseguir. Cerca de 50 motoboys também não podem passar. Manifestantes gritam: “João Grandino, a culpa é sua / Hoje a aula é na rua” e “Polícia não, educação!”. Eles fazem referência aos movimentos estudantis no norte da África, Chile e Grécia.
16h50 - Grupo com parte dos 72 detidos na Reitoria lidera os manifestantes da USP, que andam agora na Sé
16h30 - Alguns dos manifestantes presos na Reitoria fazem agora um cordão humano em frente à Faculdade de Direito da USP
16h - CET não libera acesso de ônibus e ato de alunos da USP no Centro atrasa
* por Carlos Lordelo
Foto: @pierorox
SÃO PAULO – Mais de 450 pessoas já ocupam a calçada e a rua em frente à Faculdade de Direito da USP, no centro. Cerca de 25 policias militares acompanham a movimentação. Manifestantes bloquearam o trânsito no Largo São Francisco.
Um caminhão de som chegou ao local e foi ligado. Uma moça mencionou a entrevista do reitor Rodas ao Estado e disse que sua fala de que “a sociedade paulista está farta de invasões” abre caminho para “uma política mais repressiva”.
Parte dos manifestantes carrega tambores; outros, faixas. Nelas, lê-se frases como “Ocupa Sampa Anti Repressão”, “A questão não é maconha”, “PM: Violência e repressão não são a solução”, e “[eleições] Diretas para Reitor”. Um cartaz com foto do cantor Roberto Carlos diz “é proibido fumar pois o fogo pode pegar”.
Os manifestantes gritam “fora PM!”, “não à repressão” e “fora PM do mundo!”.
Alexandre Pariol, diretor do Sintusp, é um dos presentes ao ato político. Perguntado sobre se a decisão do sindicato não aderir à greve declarada por alguns alunos enfraquece o movimento, Pariol disse que cada categoria responde a seu modo. “Os estudantes tinham que reagir, não podiam aceitar a PM no câmpus e sua atuação violenta”. Ele destacou o fato dessa manifestação ter sido convocada em frente à faculdade que decretou Rodas persona non grata. “Este é um ato público para dizer ‘não’, dizer ‘fora Rodas’ e ‘fora PM do câmpus’ . Foi uma vergonha a prisão de estudantes e funcionários”, considerou.
Segundo Pariol, um servidor da SanFran identificado como Bruno era um dos quatro funcionários detidos na manhã de terça na Reitoria. ”O espaço da universidade nao é lugar para policiais transitarem”, disse Pariol. “Na universidade, não se precisa pedir licença para fazer as discussões.”
Renan Barbosa, de 21 anos, é aluno do 3º ano da SanFran. Para ele, o ato de hoje é uma ação legítima para manifestar repúdio à “ação violenta e despreparada” da polícia. “As pessoas que ocuparam a FFLCH e a Reitoria merem respeito”, afirmou. Segundo Renan, a PM garante apenas uma falsa sensação de segurança. “É preciso pensar em políticas de integração da USP ao espaço público”, considerou. Para Renan, a greve declarada por estudantes é legítima para aprofundar o debate sobre segurança. Ele classificou a ação da PM na reintegração de posse como “espetaculosa” e diz que serviu “mais para mostrar quem manda do que para fazer valer a legalidade”.
Caio Giovani, de 19 anos, é aluno de Ciências Sociais na Fundação Santo André, uma faculdade particular. Diz que há um grupo de colegas dele no ato, mas não soube precisar quantos. Caio diz que a polícia tem feito abordagens a estudantes em frente à faculdade dele. ”A PM não tem nada a adicionar pra gente. Nós somos apenas estudantes.”
* Por Carlos Lordelo
SÃO PAULO – Programado para começar às 14 horas, o ato de estudantes no Largo de São Francisco, centro, contra a ação da PM na USP ainda não começou. Os alunos atribuíram a demora ao fato de a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ter impedido o acesso ao largo de quatro ônibus que levaram manifestantes da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste, para o centro.
A CET informou que não autorizou o acesso dos veículos ao largo porque deveria ter sido avisada com três dias de antecedência, o que não ocorreu. Os ônibus tiveram de parar perto da Pinacoteca do Estado, na Luz.
Cerca de 250 pessoas já aguardam a chegada do grupo ao local, onde fica a Faculdade de Direito da USP.
Os manifestantes estão caminhando da Pinacoteca para o largo. Depois do ato, haverá uma assembleia para definir os rumos da greve dos estudantes da USP. Decidida em assembleia na terça-feira, a paralisação tem baixa adesão.
O clima é tranquilo. Há dois veículos da PM no largo e um agente da CET orienta o trânsito.
“Queremos fazer um ato para dialogar com a sociedade. Há questões internas da USP que extrapolam os muros da universidade”, disse Thiago Aguiar, do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Alunos da USP têm defendido a criação de uma “frente democrática” para debater a política de segurança do Estado.
Depois do ato, haverá uma assembleia para definir os rumos da greve geral dos estudantes. Decidida na terça-feira, após a operação da PM que retirou invasores da reitoria, a paralisação tem baixa adesão.
A movimentação dos grevistas se confunde com a de partidários das chapas que disputam o controle do Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito. A preparação da votação que definirá a eleição, prevista para esta noite, reúne dentro das Arcadas cerca de 150 alunos.
* Atualizado às 16h45 com novos parágrafos
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