* Por Victória Bragatto, de 16 anos. Aluna do ensino médio em Vitória (ES), está na Turquia fazendo intercâmbio desde novembro pela AFS Intercultura Brasil
“É fácil colocar em palavras tudo o que Atatürk fez pela Turquia: entre outras coisas, transformou o Império Otomano em uma República, separou governo e religião, modernizou o país. Até reformou a língua, introduzindo o alfabeto latino. Mas é muito difícil dizer exatamente o que tudo isso significou. Vou tentar, então, mostrar.
É dia 10 de novembro de 2011, uma quinta-feira, e você está na Turquia; por acaso, você está em uma escola na Turquia. Logo que você chega ao pátio, você vê uma aluna de outra série levar um buquê de flores amarelas até o busto de Atatürk. E então você segue para a sala de aula, só para ser chamado novamente ao pátio 50 minutos depois. São, agora, 8h50 e você está congelando do lado de fora esperando por algo que você não sabe o que é. Alguns minutos depois, a professora de música aparece ao lado do busto: vamos cantar o hino. Mas estranhamente a bandeira já foi hasteada para o topo; e, enquanto cantamos, ela é lentamente hasteada até a metade do mastro. E ali ela permanece, às 9h05, com todos ao redor em silêncio. Porque nesse dia, em 1938, e nesse mesmo horário (e o relógio do quarto ainda está parado), Mustafa Kemal Atatürk morreu, no Palácio Dolmabahçe, em Istambul.
Depois disso, cantamos o hino de novo e a bandeira voltou para o topo. Seguimos então para o auditório, decorado com flores e velas, onde três alunos fizeram discursos e apresentaram slides sobre Atatürk. Depois assistimos ao filme Veda (“adeus”, em turco), que conta sobre a vida dele. Mas isso foi na minha escola.
Digamos que você estivesse no meio da rua. Você veria os carros e pessoas pararem nas ruas, assim me contaram. Em dias normais, você ainda vê a bandeira da Turquia, pôsteres com o rosto de Atatürk e adesivos com a assinatura dele em todos os lugares. Na escola, cada sala de aula tem seu exemplar de um portarretrato com uma foto dele e o texto do hino nacional. Na verdade, cada livro escolar também. No Kahve Dünyası (“mundo do café”), uma espécie de Starbucks turco, há acima do caixa uma foto de Atatürk tomando café. Por todas essas coisas, a gente pode começar a entender o que ele significa para a Turquia.
Falando em café, café turco é uma delícia e a melhor parte é adivinhar o futuro depois. Não entendo muito de café, mas o daqui tem bastante textura. Quando você termina, vira a xícara no pires e deixa ali por um tempo enquanto o café escorre. Depois você olha dentro da xícara e algumas imagens se formam nas bordas: eu consegui ver até o Bósforo quando li a sorte da minha mãe. =)
Vou deixar para contar sobre o Natal (aqui, “Noel” – e existe, sim!) e réveillon em um próximo post, porque quando esse daqui sair já vai ser 2012. Mas, de qualquer maneira, Feliz Ano Novo – mutlu yıllar!”
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* Por Gabriel Natal, de 16 anos. Aluno do ensino médio em São Paulo, faz intercâmbio no Egito desde setembro pela AFS Intercultura Brasil

“Celebrar o Natal e o Ano Novo no Egito foi uma experiência diferente. Como a maior parte da população é muçulmana, e os cristãos coptas celebram o Natal em diferentes datas, não houve grandes celebrações aqui no Cairo.
Eu e meus amigos intercambistas nos reunimos para um jantar no dia 24 de dezembro, e cada um de nós preparou um prato típico de seu país de origem. Eu cozinhei torta, frango assado, e brigadeiro.

Foi um Natal diferente, mas um dos melhores que já tive, só com os meus amigos, sem nenhuma formalidade ou grande festa. No Ano Novo rolou a mesma coisa. Nos reunimos para jantar em um restaurante com vista para o Nilo, uma pequena celebração informal, aconchegante.
Como estou em uma escola de currículo americano, minhas férias acabaram ontem, dia 2, pois tenho aulas durante janeiro. Mas, para minha felicidade, embarco para Luxor e Aswan em duas semanas, para visitar os grandes templos e tumbas do Egito faraônico, uma viagem que sempre quis fazer.

Protestos. Nem tudo está indo bem aqui no país, infelizmente. Protestos em novembro e dezembro foram duramente reprimidos pelos militares, resultando em várias mortes e ferimentos. Vídeos de mulheres sendo espancadas e tendo suas roupas arrancadas circularam pela internet, piorando ainda mais a situação. O grande problema político hoje, na situação atual do Egito, é a dissonância de opiniões quanto aos militares no poder: grande parte da população os defende, acredita
nas promessas feitas e detesta os manifestantes em Tahrir que protestam contra o Supreme Council of Armed Forces (SCAF), atualmente no total poder.
Isso faz com que os egípcios desconfiem um dos outros e se acusem mutuamente de trair a revolução. Várias pessoas acusam, sem fundamentos, os manifestantes de estarem sendo pagos para causar o caos. Na última metade de dezembro não houve conflitos. A Praça Tahrir e imediações estavam completamente normais.

Outra grande preocupação que tenho, assim como muitos egípcios, é com o resultado das eleições. Mesmo parciais, eles mostram que a Irmandade Muçulmana ganhou o maior número de votos, 40% do baixo parlamento, até agora – o que já era, infelizmente, o esperado. O que não era esperado era o número de votos recebidos pelos partidos salafistas, que ganharam 25% dos lugares no baixo parlamento. Os salafis são um grupo extremista muçulmano, que pretende impor a lei islâmica à força no país, restringindo liberdades individuais.
Agora temos que esperar os resultado final das eleições. Alguns Estados ainda não votaram, e a eleição para o alto parlamento ainda nem começou. E de acordo com o SCAF as eleições presidenciais serão em junho. Ate lá, resta aos egípcios esperar, votar, e desejar um país melhor, sem ditadura militar nem extremismo religioso.”
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* Por Helida Morais, de 16 anos, aluna do 1.º ano do ensino médio em Assú (RN). Faz intercâmbio na Tailândia desde julho pela AFS Intercultura Brasil

“Tirando a saudade da minha família e do Brasil, por aqui está tudo bem. Faz uma semana que eu não ia para a escola, porque era época de provas, aí eu aproveitei para dormir um pouco mais e estudar, em casa, tailandês e inglês. Mas é chato ficar em casa e não ter com quem conversar.

Eu adoro falar tailandês com eles apesar de que na região que moro falam um dialeto totalmente diferente do tailandês. Só as pessoas daqui da região entendem, mas eu não. Nem quero aprender agora. Quero ficar fluente no inglês (sou muito ruim) e no tailandês também. Eu já consigo falar e ler tailandês, mas escrevo como uma criança.

O lugar onde estou é muito pequeno. Só tem um mercadinho em frente, não tem para onde sair. Às vezes, quando não tenho aula, saio com minhas amigas para outras cidades que ainda não conheço, e acaba sendo muito legal.

Cultura tailandesa
Quando as crianças nascem elas passam por uma cerimônia como se fosse um batizado, embora totalmente diferente, para dar sorte ao bebê. É muito interessante: as pessoas falam coisas estranhas, colocam fita no braço do bebê e algumas colocam dinheiro. Os pais da criança fazem uma recepção com muita gente, muita comida. Eu até tive uma quando cheguei aqui. Minha família fez para mim, mas eu não entendia nada. Achei super estranho, mas já me acostumei.

E as pessoas aqui comem no chão, sentadas sobre tapetes de palha. Comem muito na rua e gostam de uma espécie de formiga. Este hábito não existe em todo o país, mas rola aqui na minha região e de vez em quando minha família comi. Quando vi pela primeira vez foi muito estranho! Em outras regiões eles comem abelha e tem outras onde se comem cachorros. Eu morro de dó porque amo bicho. Mas para eles é normal porque quando eu falo que como carne de boi eles ficam impressionados, porque aqui poucas pessoas podem comer carne bovina.”
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* Por Caio Allan dos Santos, de 17 anos. Auxiliar administrativo na OAB-SP e calouro de Administração com ênfase em Comércio Exterior na Universidade São Judas Tadeu. Chegou no dia 24 de Nova York, onde fez curso de inglês
“Contar as novidades e os desafios aos familiares é a parte mais gostosa de voltar para casa. Eu revivi todos os momentos em Nova York, procurando contar cada detalhe para fazê-los sentir cada emoção, sabendo que nunca sentirão de verdade se não forem pessoalmente. Contar os momentos de tensão no avião, o cansaço das 10 horas de voo, os momentos de turbulência, o cansaço no aeroporto. E abrir as malas para entregar os presentes também foi muito bom.

Cada momento do intercâmbio foi precioso, e compartilhar isso com a família é reviver. E reviver a experiência da viagem é algo que eu adoraria muito! Sentirei saudades de Nova York e dos amigos que fiz por lá.
Minha jornada chegou ao fim depois de 380 dias de sonhos, metas, projeções, desejos e vontades, agora concretizados. A realização de um sonho é algo magnífico, uma sensação indescrítivel, principalmente quando este sonho é difícil de cumprir por condições financeiras. Meus pais e eu rebolamos muito neste ano para que eu pudesse fazer o intercâmbio.

2011 foi um ano difícil, mas de muitas conquistas. Agora é tempo de me preparar para faculdade, pois tenho certeza que, logo mais, mais sonhos se realizarão.
Quero agradecer a todos os leitores que me acompanharam durante esses 20 mágicos dias de intercâmbio. Só quem já viveu uma experiência dessa sabe do que estou falando. São várias sensações ao mesmo tempo!
É isso, pessoal. Feliz Ano Novo!”
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* Por Lívia Kilson, de 17 anos, aluna do 3.º ano do ensino médio em Macaé (Rio). Faz intercâmbio na República Checa desde agosto pela American Field Service
Sem Papai Noel, mas com o Menino Jesus entregando meus presentes. Sem as chuvas de verão, mas com neve cobrindo Pisek. Sem peru e farofa, mas com carpa (o peixe) e salada de batata como o prato principal. Sem pavê de pêssego, mas com milhões de biscoitos pela mesa da sala. Foi assim que começou a contagem regressiva para meu Natal checo.
Fora esses milhões de tradições novas, ainda pude ir a um ou dois dos corais de Natal ao longo do mês de dezembro. São lindos e, independentemente de onde aconteçam, ou do tamanho do local, os corais por aqui vão sempre estar cheios de gente assistindo e prestigiando homens e mulheres checas cantarem músicas com o coração para o Menino Jesus, pedindo a ele um Ótimo Natal, e bons momentos para o novo ano que está por vir.
Mas como eu já previa, é Natal, e acho que foi o dia em todos esses quatro meses em que me bateu mais saudade de estar em casa. Eu tive um Natal muito bom com minha host family, com uma mesa cheia de pratos, conversas ali, risos aqui, muitos presentes, mas acho que Natal nenhum no mundo vai bater o Natal na casa da minha avó no Brasil, com a família toda junto – e a gritaria usual – os pães de queijo quentinhos antes do almoço, minhas primas, meu irmão, todos os meus tios juntos. E infelizmente um Skype no dia do Natal não pode me teletransportar para junto deles, para o churrasco de domingo. Mas foi um bom Natal, diferente em todos os aspectos. E isso que faz meu ano valer a pena, as diferenças, a nova cultura que todos nós começamos a viver.
Espero que todos tenham tido um Ótimo Natal, e agora começa minha contagem regressiva para o meu primeiro ano novo na Europa, de muitos que ainda virão. Boas festas a todos, e um ótimo 2012!
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* Por Lillian Vilas Boas, de 15 anos. Cursa o ensino médio em Salvador (Bahia) e faz intercâmbio na Finlândia desde agosto pela AFS Intercultura Brasil

Desde que cheguei aqui identifiquei as três frases preferidas dos finlandeses para um intercambista: “Por que a Finlândia?!” (a pergunta sem resposta), “Se você acha isso frio, prepare-se para o inverno!” e “Ah, o Natal, espere o nosso Natal e verá a real beleza finlandesa!”. Então posso dizer que já esperava ansiosamente por um maravilhoso dezembro, frio e encantado pelo espírito natalino.

Me enganei. Dezembro chegou e a escuridão ainda tomava conta até mesmo do dia. Falava com as pessoas e o assunto era, na maioria das vezes, como o inverno do ano passado foi rígido e cheio de dias de neve ensolarados e como este ano estava sendo uma decepção. “Cadê a neve?!” era uma reclamação que já não aguentava mais ouvir, portanto passei a repetir!

Mas tudo mudou na véspera da independência do país (6 de dezembro). Estava conversando com a minha mãe hospedeira sobre como todos estavam mal-humorados com a estação escura. A verdade é que a falta de sol interfere no humor e ela disse que a neve clareia os dias, e essa claridade reflete inexplicavelmente nas pessoas. Ela sugeriu, então, que aproveitássemos um pouco do resto de um raro dia de sol e fôssemos caminhar. Coloquei meu casaco, e quando me virei para porta, eu vi, caindo suavemente, a neve pela primeira vez. Minha reação foi tão eufórica que minha mãe veio conferir se estava tudo bem comigo. E com pouco tempo comprovei que, sim, a neve faz toda a diferença.

A partir daí o espírito do Natal tomou conta de todos. Ele estava mais próximo do que nunca, e com a nevasca que encheu tudo de neve e tantas luzinhas não pude resistir à felicidade mais natural que já vivenciei. Tivemos algumas oscilações na quantidade de neve, e não tivemos um frio de verdade (acredite, variar de -9.º para 0.º centígrados promove um calor muito confortável aqui), mas desde que tenhamos um pouquinho de neve nos cantos, a alegria e a ideia de que o Papai Noel vai te presentear continuam!

Agora posso dizer que a Finlândia faz jus ao título de terra do Natal. A maior diferença não está no Natal que se vê, mas no que se sente. É perceptível como as pessoas tentam ser o melhor de si só para o Natal, e elas tentam deixar tudo em volta tão bem quanto elas se sentem (pela primeira vez, desses quase 5 meses aqui, arrumamos a casa!).

Então, desejo a vocês um feliz Natal atrasado, e tenham a certeza de que vou levar comigo esse grande e incrível espírito natalino para espalhar para cada família quando voltar ao Brasil.

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* Por Vanessa Fernandez, de 27 anos. Formada em Marketing pela Anhembi Morumbi, trabalha como au pair nos EUA desde janeiro deste ano

Eu havia acabado de chegar aos EUA e já na segunda semana aqui comecei a estudar. Já fiz quatro cursos. O primeiro foi o ESL, English as a Second Language, oferecido gratuitamente na Wake Technical Community College. Dura 3 meses, com aulas de segunda a quinta feira. O ESL me ajudou muito!
Depois que me senti mais segura com o inglês, pude me dedicar aos demais cursos. Fiz Accent Reduction Training, Toefl e Oral Communication for non-native speakers.
Esses três últimos cursos foram fantásticos! Meu inglês melhorou bastante. Passei a me sentir mais segura para falar, porque minha pronúncia e meu vocabulário evoluíram.
Agora o inglês simplesmente flui no dia a dia. Eu até sonho em inglês! Ou seja: missão cumprida no meu primeiro ano aqui!
Agora quero fazer alguns cursos em universidades, talvez algo em Marketing ou Business e focar ainda mais no inglês. Vou aproveitar todas as oportunidades que aparecerem!
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* Por Alexandre Garcia Aguado, de 27 anos, mestrando em Tecnologia e Inovação. Faz trabalho voluntário em Angola

Neste post vou falar um pouco sobre meu trabalho como voluntário aqui em Angola. Sou formado pela Unisal no Curso de Tecnologia em Software Livre e atualmente faço mestrado em Tecnologia e Inovação na Unicamp. Apresento minha dissertação no começo do ano, quando retorno ao Brasil.
Assim que cheguei a Angola tentei conhecer um pouco da realidade do país e principalmente aquilo que já existia na área de TI. Encontramos muitas coisas para fazer. Não havia uma equipe ou pessoa que cuidasse das estruturas de informática, a internet de nossas obras (as que possuem conexão) não funciona muito bem e não existia ainda um site dos Salesianos de Angola.
Diante de tudo isso colocamos a formação como ponto principal do meu trabalho aqui. Começamos por reestruturar o curso de informática que já oferecíamos nos Centros de Formação e atendem a cerca de 1,5 mil jovens por ano. A reestruturação desse curso passou pela criação de um novo material didático e buscamos inovar em uma nova proposta de curso de informática multiplataforma, criando um ambiente que demos o nome de UbuntuBosco, onde o aluno pode praticar no Ubuntu, Windows-XP e Windows 7, dando-lhe uma visão mais ampla. Fizemos vários workshops com os mais de 40 professores de informática dos centros e também buscamos jovens com uma intimidade maior com a informática para treiná-los para ficarem responsáveis pela manutenção dos computadores.
Além da formação profissional básica, reformulamos o curso de montagem e manutenção de computadores, que no próximo semestre começará ser oferecido em mais seis de nossos centros.

Outro trabalho que finalizamos recentemente é o site www.domboscoangola.org, que visa a ser um canal de formação para os jovens angolanos, de comunicação da realidade Salesiana em Angola para o mundo e também de integração entre toda família Salesiana de Angola.
Além desses projetos principais, existem várias outras pequenas parcerias: estou auxiliando a parte técnica da formação de uma equipe de desenvolvimento de software para o projeto OLPC (One Laptop per Child) – o piloto em Angola está sendo feito em uma de nossas escolas.
Pontualmente, tenho dado algumas formações sobre o uso das TICs e sobre os benefícios do software livre. Os Salesianos mundialmente estão se esforçando bastante para difundir o software livre e, aqui em Angola, este também é um de nossos objetivos principais, por este movimento ser totalmente comprometido com o desenvolvimento social e tecnológico dos menos favorecidos.
Enfim, o grande desafio desses últimos dois meses tem sido capacitar jovens para darem continuidade a todo o trabalho que estamos fazendo, afinal, o protagonismo das mudanças de Angola tem que ser do jovem angolano. Por isso, precisamos criar condições para eles se formarem e crescerem!
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Prós
Maturidade. Por ter viajado sozinho, sem meu pais, tive que aprender a viver. Tive que saber como me comunicar com as pessoas numa língua diferente e me virar. Foi como estar crescendo novamente para sobreviver, porém, sem a proteção dos meus pais.
Base. Quando se faz intercâmbio sozinho, você busca a sua base – que até pouco tempo atrás eram seus pais – em um(a) amigo(a) com quem você teve grande empatia e confiança. Nesta viagem, conheci grandes pessoas que ficarão para sempre no meu coração: Nathália, Gabriela, Murilo, Antonio, Bia, Maria Gabriela, Isabela, Adi, Nancy e Juliana. Eles formaram meu pequeno Brasil em NY.
Aprendizado. O aumento do meu vocabulário, a melhoria da minha dicção, a fluência adquirida no idioma e o compartilhamento de culturas.
Contras
Saudade. O grande peso “negativo”. A falta que faz estar com os pais, de sentar-se à mesa com eles para almoçar, jantar, conversa. Deitar no colo da mãe quando se está aborrecido. Aqui, quando você não está em um momento legal, sua única alternativa é deitar sua cabeça no travesseiro e chorar para, assim, aliviar seu coração do que houve e da saudade que há.
Comida. A comida americana é muito ruim. É tudo industrializado! As pessoas comem bacon e ovos gordurosos no café da manhã e pizza no almoço e no jantar.
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“Nem preciso dizer que me apaixonei – e me apaixono cada vez mais – pelo povo checo, sua cultura e modo de ver o mundo. Mas, como vocês perceberam no último post, ainda não aprendi a lidar com a saudade dos amigos e – muito menos com a saudade do Brasil. Sinto falta do cheirinho de meu quarto, do sorriso dos meus melhores amigos, do barulho do mar para pegar no sono e até de minha mãe gritando comigo. Às vezes dá raiva de não falar português.

É claro que, morando fora, você aprende a controlar seus sentimentos um pouco melhor. Mas receber mensagens de sua melhor amiga ou dos seus pais dá um pouco de frio na barriga. Mesmo assim, continuo sorrindo só por saber que eles estão bem.
Tenho me sufocado de tanto ouvir MPB. Novos Baianos, Djavan, Gilberto Gil, Cássia Eller, Chico Buarque e Nando Reis não param no meu iPod. No embalo, aproveito para mostrar aos meus amigos um pedacinho da cultura brasileira. O pessoal curte, comenta e pergunta os nomes dos artistas.

Ainda assim, acho que a saudade serve para tornar tudo mais legal e mostrar que vale a pena. É essa experiência que nos diferencia das pessoas que nunca fizeram intercâmbio. Acho até que vai ser difícil voltar para o Brasil. Quem sabe eu não tente fazer faculdade no país da cerveja?”
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