Estudantes reclamaram e o professor de física do Etapa Alexandre Lopes Moreno reconhece: sua disciplina motivou algumas das questões mais difíceis de toda a segunda fase da Unicamp. “Erraram um pouco a mão com uma prova de nível médio para alto se você considerar que o candidato ainda tinha de fazer a parte de química e biologia nesta terça-feira”, afirmou o docente.
Segundo Alexandre, a banca não deixa de merecer elogios pela formulação dos enunciados. “Fizeram uma prova trabalhosa, mas de muita qualidade.” Em conteúdo, o exame tinha metade das questões sobre mecânica e a outra parte dividida entre eletricidade, óptica, termologia e física moderna.
Para o professor de química Edison de Barros Camargo, o exame de Ciências da Natureza não cobrou “decoreba nem coisas periféricas à ciência”. “Com enunciados bem elaborados, a Unicamp seguiu a tendência de exigir os principais conceitos da química.”
Edison também gostou da contextualização das questões – que falavam desde o vazamento de gás metano em um shopping de São Paulo até casos de doping na natação. “Para mim, que sou professor, foi uma prova divertida de resolver.”
Em biologia, o vestibular privilegiou zoofisiologia e citologia, de acordo com o professor Roberto Fioravante Biasoli. “O grande problema foi o tempo para responder às questões, que exigiam do candidato análise cuidadosa dos enunciados e das ilustrações.”
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, acredita que o aumento no número de inscritos registrado este ano na Fuvest – especialmente em cursos como Engenharia Civil (São Carlos) e Medicina, pode diminuir o número de aprovados para a segunda fase. “Isso porque, quando se tem um grande número de interessados, normalmente eles não são tão competitivos, o que pode fazer com que a média geral baixe e só passem os melhores”, diz.
A partir deste ano, a Fuvest não seleciona mais um número fixo de três candidatos por vaga para a segunda etapa. Serão convocados de 2 a 3 alunos, de acordo com a média de desempenho geral em cada curso. Se a média for igual ou maior a 60, chamam-se 3 por vaga; se menor ou igual a 30, 2 por vaga; e se ficar entre 30 e 60, um número entre 2 e 3, proporcional à média. Um grande número de candidatos de baixo desempenho pode puxar a média para abaixo de 60, de modo que menos candidatos passem para a 2ª fase.
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, consultou os professores e afirma que a prova de física foi a mais difícil da Fuvest este ano, a de história a mais fácil, e as interdisciplinares praticamente sumiram.
“Os alunos devem reclamar bastante da prova de física”, disse. “A prova está com uma cara antiga, de meados dos anos 90. Nessa época não se contextualizava tanto nem havia mistura com outras disciplinas. Essa prova de física tem uma preocupação com conceitos, mas de forma mais elaborada. Até mesmo a questão da geladeira, apesar da cara moderna, exige mais que o normal”.
Já o professor Rogério Forastieri, que fez todas as provas da Fuvest, disse que foi “a prova de história mais facil da história da Fuvest”. Numa distribuição muito pouco usual, cobrou 7 questões de Brasil e 1 de pré-história.
As questões interdisciplinares praticamente desapareceram. “Mesmo na questão de Floresta Amazônica na parte de geografia”, diz Edmilson, ” a geografia é só um tempero – na verdade, é uma questão de biologia”.
O coordenador vê um problema na questão V-62, de matemática: a premissa é um polígono convexo de 6 lados, com um ângulo de 180 graus. “Não dá para esse polígono ter 6 lados nem ser convexo”, lembra. “O candidato mais cuidadoso ficou incomodado com essa questão; o menos CDF fez sem perceber. Mas há uma resposta”.
Para os professores do cursinho Etapa, a carta a Dilma Rousseff foi uma escolha inteligente para o tema da redação. “E o candidato podia elaborar o texto com os dados fornecidos na proposta”, lembrou o coordenador Marcelo Dias Carvalho. Eis os comentários das diferentes provas:
Português. Enunciados claros, com elementos de gramática mesclados às questões – uma tendência dos atuais vestibulares. Quem leu o enunciado com atenção já sabia a resposta.
Matemática. Boa abrangência de conteúdos. Na parte dissertativa, um texto bem longo, mesclando com física.
Física. A prova mais complexa. Três das cinco questões eram “de alta complexidade”. Na parte escrita, questão mais fácil.
Química. Prova inteligente com boa abrangência de conteúdos. Cobrou conceitos simples.
Biologia. Teste também simples e bem distribuído, com conceitos básicos. Na questão 30, bastava ler com atenção para chegar à resposta correta (“C”).
História. Textos claros cobraram conteúdos importantes. A dissertação exigiu grande capacidade de síntese, por causa do pouco espaço e dos muitos temas.
Geografia. Quem não leu com atenção ficou em dúvida entre 2 ou mesmo 3 alternativas, mas uma leitura com mais atenção tirava dúvidas. A dissertação sobre urbanização exigiu que o aluno tivesse os conceitos muito claros em mente.
Inglês. Prova simples e bem-feita.
Redação. Escolha inteligente do tema. Aluno podia embasar o texto com dados fornecidos pela própria prova.
As questões de geografia da prova de primeira fase do vestibular da Unicamp traziam expressões muito técnicas, o que dificultava a compreensão dos candidatos. A opinião é do coordenador do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho.
“O exame teve um problema pontual em geografia por conta do uso excessivo de expressões técnicas”, afirma Carvalho. “Isso ocorreu ora nos enunciados, ora nas alternativas.”
De modo geral, o coordenador do Etapa considerou o exame simples e com boa distribuição dos assuntos do ensino médio. Veja mais comentários sobre outras matérias:
Química. “Uma prova bastante simples, com textos curtos e poucas contas. O aluno não teve trabalho na hora de ler o texto e fazer as contas, mas ele precisava conhecer os conceitos. Em resumo: uma contextualização sem exageros.”
Física. “Uma prova básica e com enunciados claros. Em algumas questões, o aluno só tinha de substituir os números na fórmula fornecida pelo exame. Predominância de questões sobre mecânica.”
Matemática. “Uma prova inteligente, que abordou temas do ensino médio com uma boa distribuição de assuntos – geometria, sistemas, análises combinatórias, proporção, etc. Destaque para uma questão interdisciplinar entre os testes de biologia (questão 18 do caderno Q e Z).”
Biologia. “Uma prova também simples, com enunciados claros. Foram sete questões.”
História. “Questões simples e sem nenhum problema nas alternativas. Boa distribuição de assuntos.”
Filosofia. “Duas questões. Uma cobrava conhecimento sobre Rousseau e é claro que ajudaria se o aluno soubesse algo sobre o filósofo. Mas basicamente era uma questão de interpretação. O outro teste envolvia temas relacionados a história.”
Sociologia. “Caiu questão sobre organização do trabalho, uma tema próximo ao conteúdo de história. O aluno não teria grandes dificuldade para responder.”
Contextualização, interpretação e enunciados claros e precisos marcaram a prova da Unesp 2012 na opinião do coordenador do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho. Veja o que ele disse sobre cada disciplina do exame:
Biologia. A prova teve complexidade baixa, mas foi abrangente e apresentou textos claros. O professor destacou a contextualização de temas atuais como a dengue, o uso de energia e os biocombustíveis.
Física. “O aluno com uma boa preparação no Ensino Médio fez excelente prova de física”, afirmou Carvalho. O exame mesclou questões conceituais com aquelas que exigiam cálculos e distribuiu bem os assuntos.
Química. Apenas a questão 74 da prova de química tratava de um assunto mais específico. “Como já é característica da Unesp, o aluno teve que fazer poucos cálculos”, disse o professor.
Inglês. Prova muito bem formulada e que exigia a interpretação de textos. Carvalho destacou os dois temas que permearam as 10 questões: aviação e biocombustível. “Pela primeira vez na Unesp os alunos tiveram que ler e interpretar gráficos em inglês, algo inovador”.
Geografia. A prova de geografia foi tradicional, com questões bem elaboradas e objetivas.
Português. Nas 20 questões de português, cobrou-se principalmente a interpretação de textos, com poucas questões específicas de gramática. “Foi uma prova basicamente de textos, alguns deles bem longos”, disse.
História. O tema que mereceu maior atenção dos alunos na prova de história foi a República. Os assuntos foram bem distribuídos, os textos elaborados, e tiveram algumas questões difíceis que exigiram um pouco mais do candidato.
Artes. As três questões de arte exigiram ora conhecimento específico em história, ora em geografia.
Filosofia. A única ressalva ao exame foi feita à questão de filosofia de número 57 que, devido à má formulação, poderia atrapalhar o aluno.
Matemática. Carvalho considerou a prova de matemática excelente, de complexidade média, boa abrangência e que explorava a contextualização das questões.
O professor do Etapa Omar Fadil Burmigh elogiou a qualidade da prova de geografia e a escolha do exame em contextualizar os conteúdos técnicos. “Do jeito que está, a prova de geografia é comparável à da Fuvest e poderia ser utilizada como único processo de avaliação pelas universidades”, avalia. Para o professor, o maior problema é a extensão da prova, que demanda atenção do candidato do primeiro ao último minuto.
Segundo Burmigh, faltaria também melhorar a destribuição do programa de biologia. “Falta equilíbrio no conteúdo. Pela primeira vez tivemos questões sobre geografia regional do mundo, mas ainda tem que melhorar”.
A qualidade equiparada a Fuvest se repetiu na prova de química, segundo o professor do Etapa Édison de Barros Camargo. “Desta vez, a prova exigiu química de verdade”, afirma. Para o professor a prova estava em um nível técnico bom, sem erros, e com forte foco em meio ambiente e sustentabilidade.
“Minha única ressalva é que o conteúdo cobrado está muito além do que se ensina nas escolas públicas do país”, afirmou.
O cursinho Etapa realizará um Simulado Aberto da Fuvest em suas unidades de São Paulo e Valinhos no dia 16 de outubro (domingo), com uma Prova de Conhecimentos Gerais.
Para participar, é preciso tomar todas as precauções necessárias no vestibular: levar R.G., caneta, lápis nº 2, borracha e a inscrição.
Data e Horário: 16/10, domingo, às 8h
Duração máxima: 5h
Locais: São Paulo – Rua Vergueiro, 1987 (Metrô Ana Rosa) | Av. Liberdade, 1046 (Metrô São Joaquim) | Rua Frei Caneca, 1084 (Metrô Consolação)
Valinhos – Av. Dr. Antonio Bento Ferraz, 95
Inscrições gratuitas: somente pelo site até o dia 15 de outubro.
Uma prova entre baixa e média complexidade, não por conta da facilidade do conteúdo, mas porque as questões estavam muito bem colocadas. Assim 0 professor Marcelo Dias Carvalho, coordenador do curso Etapa, resumiu a prova de primeira fase da Unesp realizada na tarde deste domingo. Em conversa com o Estadão.edu, ele ressalta que o ponto alto do exame foi a fluência que de leitura dos enunciados.
“O que chamou bastante a atenção foi a ênfase em textos. Havia 90 testes, mas o aluno bem preparado conseguia ter ritmo na prova, pois não havia problemas com enunciado. Química, física e matemática tiveram enunciados um pouco mais curtos, também com a presença de gráficos e tabelas, mas todos de forma clara na prova, sem problemas de interpretação.
Comparando com a do ano passado acredito que a complexidade está abaixo da anterior, pois a prova está muito bem formulada.
Em Humanas, a prova de história teve 16 testes bem distribuídos e podemos considerar que foi de baixa complexidade. Observando textos atentamente poderia se encontrar a resposta ali mesmo. Situação semelhante ocorreu com geografia, que embora tenhamos observado algumas questões com atualidades, bastava conhecimento clássico da matéria par ao aluno resolver.
Em inglês houve uma tira de jornal e texto de livro didático, mas eram testes de nível básico, só que bem formulados.
Talvez em biologia a prova tenha exigido um pouco mais de temas contextualizados. Um artigo da Fapesp, uma questão com alusão ao filme Eu sou a Lenda e enunciados mais extensos, apesar de não serem complicados. Demandou um pouco mais de empenho por conta do comprimento dos enunciados.
Em português houve uma presença forte de textos bem formulados, que exigiam compreensão e interpretação de texto bem eficazes. Podemos dizer que a parte de língua portuguesa resumiu um pouco o que foi esta prova da Unesp de um modo geral.”
Os cursinhos Objetivo e Etapa divergem quanto à correção de 3 das 60 questões do módulo objetivo do vestibular de inverno para o curso de Administração da FGV em São Paulo. O exame foi aplicado neste domingo, 5.
Para o Objetivo, as respostas das questões 44, 52 e 53 são, respectivamente, a, d e b. Já o Etapa diz que as opções corretas são c, c e e, nesta ordem.
Veja também:
Objetivo divulga resolução comentada de provas da FGV
Cursinho Etapa resolve provas objetiva e discursiva da FGV
O processo seletivo da FGV oferece 200 vagas para ingresso no segundo semestre na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV).
Hoje de manhã, os candidatos responderam a 60 questões do módulo objetivo, compreendendo matemática; língua portuguesa, literatura e interpretação de textos; língua inglesa e interpretação de textos; e Humanas (história, geografia e atualidades).
À tarde, os estudantes resolveram prova discursiva de matemática aplicada e escreveram uma redação em língua portuguesa.
Segundo os coordenadores do Objetivo e do Etapa, o vestibular foi de nível médio e teve questões bem formuladas. Veja mais comentários abaixo.
A resolução oficial da prova de matemática aplicada do módulo discursivo e o gabarito do módulo objetivo serão divulgados na quarta-feira, 8, às 18h, no site do processo seletivo (http://www.fgv.br/processoseletivo/).
O resultado do vestibular seletivo sai dia 2 de julho.
MÓDULO OBJETIVO
Matemática
A prova foi simples, na avaliação dos professores. Com perguntas bem formuladas, os testes não exigiram muitas contas. “Questões sobre matemática financeira e baseadas em estatísticas são clássicas no vestibular da FGV”, diz Marcelo Dias Carvalho, do Etapa.
Língua portuguesa, literatura e interpretação de textos
Questões bem formuladas, com pouco peso para gramática e voltada a analisar o domínio da língua pelo candidato. Em literatura, exigiu-se conhecimento das escolas literárias. “Uma prova de ótimo nível, adequada ao nível do aluno que presta para a FGV”, diz Vera Lúcia Antunes, do Objetivo.
Língua inglesa e interpretação de textos
Com dois textos longos, extraídos das revistas The Economist e The New Yorker, e perguntas em inglês, exigiu vocabulário de alto nível. “Foram testes de excelente qualidade. O candidato precisava ter bom conhecimento da língua para respondê-los”, diz Marcelo Dias Carvalho, do Etapa.
Humanas
A questão mais complicada era sobre a reforma política, em discussão no Congresso. “O candidato precisava estar acompanhando a discussão para poder responder. Exigia um conhecimento muito específico”, diz Marcelo Dias Carvalho, do Etapa.
Os professores afirmam que a prova cobrou pouco conteúdo de história, mas elogiaram a escolha do texto da questão 48, publicado na Revista Novos Estudos Cebrap.
Em geografia, o exame versou sobre temas bem atuais – agricultura familiar, fontes de energia, importância da China e meio ambiente, por exemplo. Cobrou, ainda, conhecimentos sobre a Primavera Árabe, como é chamada a onda de revoluções no mundo árabe. “Explorou conhecimento geográfico aplicado ao que está acontecendo no mundo”, diz Vera Lúcia Antunes, do Objetivo.
MÓDULO DISCURSIVO
Matemática aplicada
Todas as dez questões tinham dois itens. De maneira geral, foi uma prova mais trabalhosa que a de matemática realizada pela manhã. Explorou matemática financeira, probabilidade e números complexos, entre outros assuntos. Destaque para o crescimento do conteúdo relacionado à geometria. “Dá para ver o DNA da FGV nesta prova”, diz Marcelo Dias Carvalho, do Etapa.
Redação
Barbárie e humanismo na Europa contemporânea foi o tema da redação, considerado simples pelos professores ouvidos pelo Estadão.edu.
“Os alunos devem ter amado o tema. Eles tinham de falar sobre algo que estudaram e veem na mídia com bastante frequência”, diz Vera Lúcia Antunes, do Objetivo.
Para Marcelo Dias Carvalho, do Etapa, bastava ao candidato lembrar de fatos atuais e associar ao conhecimento histórico para escrever a redação. “Ele teve facilidade para argumentar.”
2012
2011
2010
2009