Para Edmilson Motta, coordenador do Etapa, a prova de conhecimentos gerais da segunda fase da Fuvest apresentou questões que, isoladas, parecem interessantes e adequadas, mas que não formam um conjunto coeso. “Na prova passada, por exemplo, era perceptível o intuito de se buscar conhecimentos básicos sobre todas as disciplinas”, afirma. No vestibular anterior foram cobradas duas questões por disciplina, algumas das quais interdisciplinares. Segundo o professor, o grau de dificuldade das questões e a divisão por disciplinas variou muito desta vez, o que acabou contribuindo para o desequilíbrio do exame. “A Fuvest perdeu a chance de fazer uma boa prova de conhecimentos gerais estrita.”
Segundo o professor, das 16 questões apresentadas, 10 eram de ciências: biologia, química e física. “Vale apontar que física ficou praticamente de fora”, afirma. “Quando muito, apareceu mesclada com questões que cobravam também matemática.”
O coordenador critica ainda a interdisciplinariedade adotada pela Fuvest. “Questões realmente interdisciplinares seriam aquelas que dependeriam de conhecimentos integrados para a sua resolução”, diz. “Neste exame, temos questões de diferentes disciplinas divididas em itens sob uma única temática”, afirma. Para o professor, o recurso não deixa de ser interdisciplinar, mas é “limitado”.
Segundo o coordenador pedagógico do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho, a prova de fim de ano da Unesp foi simples e bem elaborada. Para ele, o destaque foi a grande quantidade de questões que incluem conteúdos de linguagens. Foram aplicadas 20 questões de português e 10 de inglês, enquanto para as disciplinas de matemática, química e física havia, no total, apenas 21 perguntas.
Nas questões de português, Carvalho destaca a ausência total de literatura. “Também não apareceu artes, como vinha aparecendo em anos anteriores”, explica.
Diferentemente do Enem, as provas de filosofia e sociologia exigiram apenas leitura e interpretação de textos e não entraram no conteúdo específico de cada disciplina. “A resposta aparecia facilmente por exclusão de alternativas”, afirma Carvalho.
Ele também diz que a pergunta de matemática de número 88, da versão 1 do caderno de questões, tinha duas possibilidades de respostas. As alternativas corretas para o aumento do nível dos mares e oceanos, em cm, poderiam ser “(A) 8,5 e 15,5″ e “(E) 5,5 e 15,5″. “Não foi erro do enunciado, mas é uma questão de lógica.”
* Por Clarice Cudischevitch, Especial para o Estadão.edu
O coordenador pedagógico do cursinho Etapa, Marcelo Dias Carvalho, disse que os textos de apoio à prova de redação da Unicamp deste ano foram mais diretos, definindo melhor o que o candidato deveria fazer. Ele também achou simples os gêneros textuais propostos, por serem conhecidos dos alunos.
Para o professor, o resumo do texto sobre pessimismo era fácil por não cobrar uma análise crítica e ser um gênero com o qual o estudante está acostumado. Já a carta do leitor exigia que o candidato utilizasse dados de uma tabela sobre consumo de álcool para criticar uma reportagem sobre bebidas para animais de estimação. “Exigia uma boa articulação das informações. Dava mais trabalho que o resumo, mas tinha um posicionamento mais claro.”
História. Em relação às sete questões de história, Carvalho afirmou que o nível de complexidade foi baixo, os textos foram claros e a prova foi clássica quanto à distribuiçao dos assuntos. “Caiu muita história contemporânea do Brasil e o Brasil Colônia”, conta. Ele diz também que as questões 1 e 8 exigiram conhecimentos de filosofia, e não mais apenas interpretação de texto em relação a esse assunto, como vinha sendo pedido.
Geografia. As oito questões foram trabalhosas, na opinião de Carvalho. Caíram cinco questões de geografia geral e três de geografia do Brasil, mais direcionadas para a parte física. “Tinha textos longos, com alternativas que exigiam um preparo melhor do aluno”, afirma o coordenador. A prova incluiu uma questão de sociologia que, assim como no caso da filosofia, exigia conhecimento sobre o tema.
Biologia. Com sete questões, a parte de biologia teve uma melhor distribuição de assuntos em relação à do ano passado, mas Carvalho citou um problema na questão 20, que comparava um pinheiro do Paraná a um jequitibá. Ele diz que a alternativa C, que seria a correta, na verdade está errada, porque tanto o pinheiro como o jequitibá têm sementes – isso não seria uma característica que diferencia as espécies.
Química. Já a parte de química teve seis questões e chamou a atenção pela facilidade. “Tinha alternativas muito rápidas, de fácil resolução, e enunciados curtos, mas às vezes pouco contextualizados.”
Física. Com sete questões, foi uma prova clássica e que cobrou os mesmos temas de sempre, diz Carvalho. “Estava fácil, com enunciados claros, mas também pouco contextualizados.”
Matemática. A 12 questões foram consideradas fáceis, de modo geral. “Teve uma cobrança abrangente de temas e todas as questões já eram muito conhecidas pelo aluno, então eles não perdiam muito tempo nas questões”, comenta Carvalho.
Professores de matemática do cursinho Etapa dizem que a questão 86 da primeira fase do vestibular de inverno da Unesp tem duas respostas corretas. Segundo eles, os cálculos dão os resultados das alternativas ‘b’ e ‘d’. No gabarito oficial a resposta é ‘b’.
O cursinho deve entrar em contato com os organizadores do exame nesta segunda-feira, para reclamar do gabarito. “Seria prudente que a banca aceitasse ambas as respostas devido à imprecisão do enunciado”, diz o coordenador do Etapa Marcelo Dias Carvalho.
Estudantes reclamaram e o professor de física do Etapa Alexandre Lopes Moreno reconhece: sua disciplina motivou algumas das questões mais difíceis de toda a segunda fase da Unicamp. “Erraram um pouco a mão com uma prova de nível médio para alto se você considerar que o candidato ainda tinha de fazer a parte de química e biologia nesta terça-feira”, afirmou o docente.
Segundo Alexandre, a banca não deixa de merecer elogios pela formulação dos enunciados. “Fizeram uma prova trabalhosa, mas de muita qualidade.” Em conteúdo, o exame tinha metade das questões sobre mecânica e a outra parte dividida entre eletricidade, óptica, termologia e física moderna.
Para o professor de química Edison de Barros Camargo, o exame de Ciências da Natureza não cobrou “decoreba nem coisas periféricas à ciência”. “Com enunciados bem elaborados, a Unicamp seguiu a tendência de exigir os principais conceitos da química.”
Edison também gostou da contextualização das questões – que falavam desde o vazamento de gás metano em um shopping de São Paulo até casos de doping na natação. “Para mim, que sou professor, foi uma prova divertida de resolver.”
Em biologia, o vestibular privilegiou zoofisiologia e citologia, de acordo com o professor Roberto Fioravante Biasoli. “O grande problema foi o tempo para responder às questões, que exigiam do candidato análise cuidadosa dos enunciados e das ilustrações.”
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, acredita que o aumento no número de inscritos registrado este ano na Fuvest – especialmente em cursos como Engenharia Civil (São Carlos) e Medicina, pode diminuir o número de aprovados para a segunda fase. “Isso porque, quando se tem um grande número de interessados, normalmente eles não são tão competitivos, o que pode fazer com que a média geral baixe e só passem os melhores”, diz.
A partir deste ano, a Fuvest não seleciona mais um número fixo de três candidatos por vaga para a segunda etapa. Serão convocados de 2 a 3 alunos, de acordo com a média de desempenho geral em cada curso. Se a média for igual ou maior a 60, chamam-se 3 por vaga; se menor ou igual a 30, 2 por vaga; e se ficar entre 30 e 60, um número entre 2 e 3, proporcional à média. Um grande número de candidatos de baixo desempenho pode puxar a média para abaixo de 60, de modo que menos candidatos passem para a 2ª fase.
* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, consultou os professores e afirma que a prova de física foi a mais difícil da Fuvest este ano, a de história a mais fácil, e as interdisciplinares praticamente sumiram.
“Os alunos devem reclamar bastante da prova de física”, disse. “A prova está com uma cara antiga, de meados dos anos 90. Nessa época não se contextualizava tanto nem havia mistura com outras disciplinas. Essa prova de física tem uma preocupação com conceitos, mas de forma mais elaborada. Até mesmo a questão da geladeira, apesar da cara moderna, exige mais que o normal”.
Já o professor Rogério Forastieri, que fez todas as provas da Fuvest, disse que foi “a prova de história mais facil da história da Fuvest”. Numa distribuição muito pouco usual, cobrou 7 questões de Brasil e 1 de pré-história.
As questões interdisciplinares praticamente desapareceram. “Mesmo na questão de Floresta Amazônica na parte de geografia”, diz Edmilson, ” a geografia é só um tempero – na verdade, é uma questão de biologia”.
O coordenador vê um problema na questão V-62, de matemática: a premissa é um polígono convexo de 6 lados, com um ângulo de 180 graus. “Não dá para esse polígono ter 6 lados nem ser convexo”, lembra. “O candidato mais cuidadoso ficou incomodado com essa questão; o menos CDF fez sem perceber. Mas há uma resposta”.
Para os professores do cursinho Etapa, a carta a Dilma Rousseff foi uma escolha inteligente para o tema da redação. “E o candidato podia elaborar o texto com os dados fornecidos na proposta”, lembrou o coordenador Marcelo Dias Carvalho. Eis os comentários das diferentes provas:
Português. Enunciados claros, com elementos de gramática mesclados às questões – uma tendência dos atuais vestibulares. Quem leu o enunciado com atenção já sabia a resposta.
Matemática. Boa abrangência de conteúdos. Na parte dissertativa, um texto bem longo, mesclando com física.
Física. A prova mais complexa. Três das cinco questões eram “de alta complexidade”. Na parte escrita, questão mais fácil.
Química. Prova inteligente com boa abrangência de conteúdos. Cobrou conceitos simples.
Biologia. Teste também simples e bem distribuído, com conceitos básicos. Na questão 30, bastava ler com atenção para chegar à resposta correta (“C”).
História. Textos claros cobraram conteúdos importantes. A dissertação exigiu grande capacidade de síntese, por causa do pouco espaço e dos muitos temas.
Geografia. Quem não leu com atenção ficou em dúvida entre 2 ou mesmo 3 alternativas, mas uma leitura com mais atenção tirava dúvidas. A dissertação sobre urbanização exigiu que o aluno tivesse os conceitos muito claros em mente.
Inglês. Prova simples e bem-feita.
Redação. Escolha inteligente do tema. Aluno podia embasar o texto com dados fornecidos pela própria prova.
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