Davi Lira, de O Estado de S. Paulo, enviado especial a Cocal dos Alves (PI)
Isamara Brito, de 15 anos, é estudante do 2.º ano na escola de ensino médio Augustinho Brandão
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Foi a determinação dos estudantes que mais me chamou atenção. Eles são jovens demais para tamanha maturidade, pensava comigo a todo instante, logo após algumas das muitas conversas que tive com os alunos da Augustinho Brandão. Além disso, fica muito claro, depois de estar em contato com a população de Cocal dos Alves – principalmente com os moradores mais velhos que me confidenciaram como era o antes e depois da cidade -, que as condições de limitação em perspectivas de futuro deram espaço a múltiplas possibilidades de futuro.
Se num passado não tão distante os jovens se sentiam inferiorizados, hoje sobram sonhos. A postura diante do que vem adiante é outra. Para alguns o subemprego não faz parte do futuro. É paradigmática a transformação que a comunidade escolar da Augustinho Brandão produziu nesses estudantes. A ideia do “a gente tem sempre que pensar alto, né?” já é internalizada por quase todos os alunos do ensino médio.
“Quero ser médica, para trabalhar na cura do câncer. E, se der, quero ganhar também um Nobel”, essa foi uma das frases ditas pela estudante do 2.º ano Isamara Brito, de 15 anos, que deixou mais nítida essa minha percepção. E, pelo que percebi, pretensões como essa fazem com que os meninos e meninas da Brandão fiquem cada vez mais entusiasmados para os desafios que virão após a conclusão do ciclo básico da escolaridade.
E não há dúvida: foram os bons resultados da escola que construíram esse panorama. O ideal, no entanto, era que esses novos profissionais – encaminhados pela Augustinho às universidades para serem formados – contribuíssem de forma mais concreta com a melhoria da cidade natal, ainda tão carente. Seja com o retorno à terra, ou com o compromisso, de seja qual for a distância, de serem cidadãos mais críticos das mazelas sociais do município.
* Por Carlos Lordelo, do Estadão.edu
SÃO PAULO – Diretor do Colégio Integrado Objetivo, escola do Estado com melhor desempenho no Enem 2010, João Carlos Di Gênio diz que o exame mostrou uma “evolução estupenda” este ano. “É a primeira vez em que vemos uma organização bem feita. E também houve avanços na parte pedagógica”, afirma. “Os organizadores estão de parabéns.”
Segundo Di Gênio, o Enem estava “bem dosado” e passou a cobrar mais conteúdo. “O professor ficou mais seguro após essa prova. Não caiu só interpretação. Caiu conceito também.”
Sobre o tema da redação – movimentos imigratórios para o Brasil no século 21 – o diretor diz que só teve dificuldade quem não lê jornal. “Tinha de estar atualizado, e isso faz parte das exigências da prova. As coisas foram ditas muito claramente pelos organizadores.”
Para Di Gênio, o Enem, agora, é uma “boa medida” para moldar um currículo mínimo para o ensino médio no País. “O currículo é muito grande. Tem coisas que não precisam ser desenvolvidas”, afirma. “É preciso dar um parâmetro ao professor.”
Depois da divulgação dos últimos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em agosto, o governo iniciou uma discussão com as Secretarias Estaduais de Educação pela reorganização da grade curricular do ensino médio com base nos eixos do Enem, que tem quatro provas: Linguagens e Códigos, matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. A ideia é tornar o ensino mais interdisciplinar nas escolas.
* Por Marcelo Portela, de O Estado de S. Paulo
BELO HORIZONTE – O segundo dia do Enem em Belo Horizonte transcorreu sem registros de problemas graves. Depois de um sábado de muito tumulto no trânsito e dificuldade dos estudantes para chegar aos locais de provas, os candidatos que participaram do exame neste domingo, 4, disseram não ter encontrado problemas além da dificuldade oferecida pelas próprias provas, consideradas mais complicadas do que as de edições anteriores.
Este foi o caso, por exemplo, de Ariane Vaz, de 17 anos, que disputa uma vaga no curso de Administração da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apesar de ser a primeira vez que faz oficialmente o exame, ela afirmou que teve acesso às provas aplicadas em outros anos e sentiu muito mais dificuldade para responder às questões do material usado este ano. “Antes as provas eram mais interpretativas. Agora, foi tudo muito mais voltado para conteúdo. Dificultou porque a gente precisa mostrar mais conhecimento desse conteúdo”, avaliou.
Opinião semelhante tem o estudante Arthur Zacarioto, de 18, que busca uma vaga em Direito na UFMG ou na Faculdade Milton Campos. Ele contou que, em 2011, participou do Enem apenas como teste. E revelou que, “mesmo sem estudar quase nada”, conseguiu uma pontuação “bem razoável”. Este ano, adotou a mesma “estratégia” imaginando que chegaria a um resultado semelhante. “Não estudei, porque achei que ia me dar bem de novo. Mas as provas foram muito mais difíceis. Não sei se vai dar”, lamentou.
Mas os candidatos comemoraram o fato de que pelo menos este ano não houve problemas como os ocorridos em outras edições, como roubo da prova e material impresso errado. “Sempre que eu fiz (o Enem) teve problema e eu já estava esperando alguma coisa esse ano também. Pelo menos dessa vez não teve nada”, comemorou Lorena Luana, de 20 anos, que fez o Enem pela terceira vez tentando uma vaga no curso de Geografia da UFMG.
E, mesmo sem problemas para chegar a um dos 81 locais onde o exame foi aplicado em Belo Horizonte, candidatos que fizeram o Enem na capital ainda demonstravam tensão ao chegar e até mesmo após terminarem as provas. “Vai levar um tempo para relaxar. Ainda preciso ver o gabarito para saber como fui”, disse André Gomes Reis, de 19, que pretende cursar Engenharia Civil. “Quando eu fiz vestibular a gente já ficava nervoso. Imagina hoje, que eles (estudantes) têm que concorrer com o Brasil inteiro”, observou a professora Lis Mendes, que distribuía saquinhos com biscoitos e barras de cereal aos candidatos para dar “uma dose de ânimo” aos estudantes.
* Por Davi Lira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Opinião unânime entre os primeiros candidatos a deixar a Uninove da Barra Funda, local de aplicação do Enem: a redação foi difícil e surpreendente. Tão complicada que Nataly Natanie, de 19 anos, por exemplo, desistiu. “Acabei escrevendo quatro linhas. Fiquei cansada”, disse a aluna, que também precisou encarar 45 testes de Linguagens e Códigos e 45 de matemática.
“Foi bem difícil elaborar a ideia. Estava imaginando que ia cair algo sobre meio ambiente ou política”, contou Amanda Fávaro, de 18 anos. “Acabei incluindo alguns dados e informações do material de apoio.”
A estratégia também foi utilizada por Giovana Victório, de 16. “Não sei se consegui me sair bem. Falei sobre os haitianos que estão no Brasil mas ainda não têm visto.”
Mesmo confuso, Alexandre Almeida, de 17, resolveu utilizar as informações que havia lido na última semana no noticiário. “Acabei falando dos estrangeiros que vêm para o Brasil porque são mais qualificados e acabam pegando emprego daqueles que nem sequer são alfabetizados.”
* Por Davi Lira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Para Alexandre Gonçalves, de 18 anos, a prova de redação do Enem envolvendo imigração só não foi mais difícil porque ele contou com “ajuda espiritual”. “Contei com a ajuda secreta do Chico Xavier. Fechei os olhos e escrevi sem parar, mesmo sem saber”, disse, rindo.
Participando do Enem pela primeira vez, Alexandre disse que o tema foi difícil e que, para não se estressar, resolveu apelar para o bom humor. “Pelo que eu conheço, ele acabou colocando tudo que estava na cabeça dele”, afirmou o colega Anderson Oliveira, de 20.
* Por Davi Lira, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – Depois da maratona do Enem, estudantes que fizeram a prova na Uninove da Barra Funda, zona oeste, apostam em distração ou descanso. Não faltam sugestões de atividades para o que resta do fim de semana.
“Depois de tantas questões, o ideal é sair para esfriar a cabeça. Vou direto para o shopping”, disse Daniele Oliveira, de 17 anos. Já Deidson de Brito, piauiense de 23 anos que mora há 4 em São Paulo, pretende curtir a noite de outra maneira. “Não vejo a hora de encontrar uma amiga e ir direto para o pagode.”
Já Beatriz Amâncio, de 17, pretende unir a tranquilidade de sua casa à companhia de amigos. “Vou juntar uma galera para jogar videogame. Para mim, é a melhor opção neste fim de dia.”
Gisele Monique, de 18, discorda. “Eu já sei bem o que eu vou fazer no finalzinho deste domingo. Vou correr para casa e me enfiar na cama.”
E você, o que vai fazer?
* Por Lauriberto Braga, Especial para o Estadão.edu
FORTALEZA – Uma estudante de 16 anos foi impedida de fazer o Enem neste domingo, 4, porque postou fotos da prova nas redes sociais ontem. Em conversa com jornalistas, sem se identificar, ela confessou ter compartilhado uma imagem do cartão-resposta por meio do aplicativo Instagram.
Ela disse que chegou cedo ao local de prova, no câmpus do Itapery da Universidade Estadual do Ceará, e logo que recebeu o cartão-resposta, ontem, tirou a foto e publicou na internet com a hashtag #enem2012. Segundo a aluna, uma mulher que estava sentada atrás dela lembrou da proibição de utilizar o celular. “Mas já tinha feito e quinze minutos depois apaguei”, contou aos jornalistas. A estudante disse que a fiscal da sala viu ela tirando a foto, mas não falou nada.
Hoje, quando chegou para fazer as provas de matemática, Linguagens e Códigos e redação, a aluna foi chamada por um fiscal informando que estava eliminada do Enem. “Fiquei com vergonha quando chamaram meu nome. Saí da sala e tive de assinar a folha de eliminação. Depois dois seguranças me acompanharam até a saída do câmpus”, disse.
A eliminada estava fazendo o Enem pela primeira vez apenas para conhecer a prova, até porque ainda está cursando o 1.º ano do ensino médio. “Não fiquei chateada com a eliminação, pois estava fazendo o Enem apenas para teste.”
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* Atualizada às 18h50
SÃO PAULO – Estudantes voltaram a postar fotos das provas do Enem nas redes sociais neste domingo, 4, mesmo sabendo da proibição de utilizar celular nos locais de aplicação do exame. Segundo o Ministério da Educação (MEC), mais 28 alunos foram eliminados do processo seletivo por desrespeitarem a regra. Ontem, a pasta havia punido 37 pessoas por compartilhar imagens em sites como Twitter e em aplicativos como Instagram. Os casos foram registrados em vários Estados.

As imagens publicadas hoje mostravam, por exemplo, o cabeçalho da folha de rascunho da redação e o cartão-resposta, entregues pelos fiscais de aplicação momentos antes do início da prova.

Durante a aplicação do exame, de acordo com o item 12.3 do edital, o participante não pode, sob pena de eliminação, portar dispositivos eletrônicos como máquinas, calculadoras, agendas eletrônicas, telefones celulares, smartphones, tablets, iPods, pen-drives, mp3 players, gravadores, relógios, alarmes ou qualquer espécie de receptor ou transmissor de dados e mensagens. O candidato também não pode fazer nenhuma espécie de consulta ou comunicar-se com outros participantes durante as provas. Não é permitido portar lápis, caneta de material não transparente, lapiseira, borrachas, livros, manuais, impressos e anotações.
O edital ainda prevê, no item 12.5, que o participante deve guardar, antes do início da prova, na embalagem porta-objetos fornecida pelo aplicador de provas, itens como telefone celular, desligado, outros equipamentos eletrônicos, também desligados, e demais objetos não permitidos.
* atualizado às 19h53
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