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Quais habilidades em tecnologia os professores devem ter em sala de aula?

Carolina Stanisci

27 abril 2010 | 20:32

Professores capacitados que usem a seu favor a tecnologia em sala de aula são requisito básico para qualquer escola moderna. Hoje, porém, não existe uma diretriz clara, no Ministério da Educação, sobre quais as habilidades específicas os educadores devem ter. Essa foi a opinião de alguns educadores presentes no primeiro dia da conferência internacional “O Impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) Educação”, evento cujo objetivo é debater o uso da tecnologia em sala de aula.

“Se essas competências existem dentro do MEC, elas não foram publicadas”, diz a consultora da Unesco Maria Inês Bastos. Parte do problema ocorre porque quem dá as aulas de capacitação para professores é a Secretaria de Ensino a Distância, em parceria com universidades. São os acadêmicos das instituições de ensino superior que definem o que cada professor precisa saber – nem sempre as competências são coincidentes e não existe uma regra geral.

“Em muitos dos cursos, o que se quer é que o professor aprenda a manejar ferramentas, como ligar o computador. Isso não é suficiente para usar na educação, para transformar a educação”, afirma Maria Inês, que apresentou no evento um estudo sobre a  formação de docentes para uso das TICs na América Latina e Caribe.

No futuro, isso pode acarretar dificuldades na avaliação do uso da tecnologia em sala de aula. Sem saber o que é cobrado dos professores, não é possível checar se a aprendizagem vem sendo beneficiada pelo uso das ferramentas. “A metodologia para avaliar será complexa. Seria mais fácil se as habilidades do professor fossem definidas pelo MEC.”

Para a professora da UFRGS Rosa Vicari, as competências, com a entrada da tecnologia, estão em fase de transição – tanto as exigidas dos professores como de outros profissionais. “Os currículos de Medicina estão bastante mudados. Hoje, médico tem que entender de robótica, para fazer cirurgias, e antes nada disso era necessário”, afirmou.  “O que antes era interessante para ajudar o aluno a ir para a universidade ou para conseguir um trabalho, hoje não é mais.”

A discrepância entre a formação dos professores – alguns desconhecem noções básicas de computação e outros já estão mais familiarizados  - também colabora para complicar uma avaliação homogênea. O programa Enlaces, do governo do Chile, foi apontado por educadores e professores como um exemplo a ser seguido sobre como pode funcionar definir uma lista de habilidades a ser cobrada dos professores.

CAPACITAÇÃO
Segundo o secretário da Educação a Distância, Carlos Bielschowsky, 340 mil professores já foram capacitados para usar ferramentas tecnológicas em sala de aula – 40 mil em cursos de 360 horas de duração e a maioria (300 mil) em cursos de informática básica e de TICs na educação, entre outros.

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