* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

A prova de matemática do ITA, aplicada ontem, tinha uma questão sem solução. Mas ela não deve ser anulada: é o aluno mesmo quem deveria escrever que, pelas informações fornecidas, não era possível resolver o problema. É o que afirma o professor Giuseppe Nobilioni, do Objetivo. “A prova dá muito trabalho, imagina o aluno, coitado”, disse o profesor. “É de muito mau gosto você exigir um sistema de equações com três incógnitas mais as outras questões. Exige muita calma e cuidado, e se você erra uma coisinha, erra tudo”. Apesar das muitas contas, o professor considera que a prova “não teve questões mirabolantes”. A prova do ITA é considerada um dos vestibulares mais difíceis do País, senão o mais difícil.
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* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu
O ITA deve anular a questão 15 da prova de química, aplicada nesta sexta-feira. A opinião é do professor Sérgio Teixeira Bignardi, do Objetivo. “Para chegar à resposta certa, o aluno deve aceitar um nox [número de oxidação] totalmente errado”, conta. O professor também reclamou da questão 20, porque o aluno deveria saber de cor a constante de ionização da água a 60º C, quando o normal é que se saiba aos 25º C. O número não era fornecido na prova.
“Como todos os anos, foi uma prova terrível, de altíssimo nível”, considera Bignardi. “Como previsto no próprio programa do ITA, o aluno deve ter um conhecimento muito além do Ensino Médio”. A prova do ITA é considerada um dos vestibulares mais difíceis do País, senão o mais difícil.
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Das 20 questões de português aplicadas nesta manhã no vestibular do ITA, duas foram especialmente difíceis. A avaliação é do professor Nelson Dutra, do Objetivo, e ambas são de literatura.
Uma questão sobre O Guarani (1857) exigiu, nas palavras do professor, “hiper-interpretação”. “O aluno deveria extrapolar: a partir da descrição da natureza, perceber elementos do conflito entre índios e brancos. Nem a Fuvest chega a um grau assim”, considera.
Uma outra questão, sobre Dom Casmurro (1899), pecou, na opinião do professor, por tentar “definir o que é ambíguo”. Na opinião dele, o avaliador deveria ter levado em conta que “Casmurro nem sempre é Casmurro; por vezes, é Bentinho”, inclusive durante a juventude.
O professor também fez um apelo para que o ITA passe a fazer como a Fuvest e adote uma lista dos livros, já que o candidato não sabe quais podem cair. “Existem pelo menos uns 250 livros básicos, se considerarmos só os grandes autores brasileiros”, disse. “A Fuvest e a Unicamp fizeram bem em divulgar uma lista dos pré-selecionados”. A lista, já adotada há dois anos, é composta por nove obras: A Cidade e as Serras, Antologia poética (Vinícius de Moraes), Auto da Barca do Inferno, Capitães da Areia, Dom Casmurro, Iracema, Memórias de um Sargento de Milícias, O Cortiço e Vidas Secas.
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O vestibular do ITA está em seu 2º dia: hoje as provas foram de português e inglês. Amanhã tem matemática e química será na sexta.
Para o professor Sidney de Campos, do Objetivo, a prova de inglês foi “bem difícil, equivalente ao ano passado”. Foram seis textos sobre seis temas diferentes – como bullying, filosofia, literatura e uma propaganda da GE – exigindo bastante concentração do aluno. “O grau de vocabulário estava até acima do esperado para um aluno do Ensino Médio da rede oficial”, afirmou o professor. “E com os textos de temas diferentes, o aluno não podia seguir uma linha de raciocínio do começo ao fim”. Para ele, a prova tinha “armadilhas” e pegadinhas, mas foi bem-formulada.
Ainda esta tarde, o Estadão.edu divulgará o comentário da prova de português.
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O ITA aplicou nesta terça a prova de física, primeiro dos quatro exames de seu vestibular. Para o professor Ricardo Balbino, do Objetivo, foi “uma prova trabalhosa, como normalmente é”. Para ele, “as respostas, dadas tradicionalmente na forma algébrica, são longas e por isso geram dúvidas para o aluno”. A dificuldade foi elevada também pelo número de questões nas quais o aluno deveria distinguir afirmativas verdadeiras das falsas. “Mas ao contrário do ano passado, esta prova não teve questões polêmicas”, afirma Balbino.
Mecânica e eletromagnetismo foram os temas predominantes. O professor estranhou a quase ausência de física térmica. Faltou calor na prova.
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